Grupos

 
 
 
por E. Mollo
 
 
Que homem dentre vós, tendo cem ovelhas, e perdendo uma delas não deixa no deserto as noventa e nove, e não vai após a perdida até que venha a achá-la?

E, achando-a, a põe sobre seus ombros, gostoso;

E,  chegando a casa, convoca os amigos e vizinhos, dizendo-lhes: Alegrai-vos comigo, porque já achei a minha ovelha perdida.

Digo-vos que assim haverá alegria no céu por um pecador que se arrepende, mais do que noventa e nove justos que não necessitam de arrependimento.”
(Lucas 15, 4,7)
 
Em sua época, Jesus contou esta parábola, porque os fariseus e os escribas queixavam-se, dizendo: "Este recebe pecadores e come com eles. (Lucas 15:2)".
 
Nos dias atuais, apesar  de o homem  possuir outros costumes, a hipocrisia não desapareceu, ou seja, ainda é comum que se comentem as mazelas alheias, principalmente quando elas são visíveis, acreditando-se que quem possui defeitos morais não tem a possibilidade de reverter essa situação, que essas criaturas estão perdidas para sempre.
 
E na parábola do Bom Pastor Jesus demonstra exatamente o contrário. O que, se atentarmos bem, a mantém ainda muito útil para a época em que vivemos, pois que ainda hoje os homens possuem os mesmos procedimentos e as mesmas visões.
 
Como podemos observar, Jesus explica,  de uma forma clara, o caráter paternal da Inteligência Suprema, confirmando de forma patente o Seu amor e a Sua misericórdia, desmantelando de forma solene a crença do inferno e das penas eternas. Da mesma forma, no livro O Evangelho Segundo o Espiritismo (1) encontramos um ensinamento semelhante:
 
“Quantos e quantos sucumbem por culpa própria, pela sua incúria, pela sua imprevidência, ou pela sua ambição e por não terem querido contentar-se com o que lhes havias concedido! Esses são os artífices do seu infortúnio e carecem do direito de queixar-se, pois que são punidos naquilo em que erraram. Mas, nem a esses mesmos abandonas, porque és infinitamente misericordioso. As mãos lhes estendes para socorrê-los, desde que, como o filho pródigo, se voltem sinceramente para Ti.”
 
Podemos considerar o número cem como símbolo da totalidade dos seres que compõem todas as humanidades espalhadas pelos inúmeros mundos integrantes das diversas moradas da casa do Pai, e a ovelha desgarrada como sendo aquele espírito rebelde que, por ignorância ou de forma deliberada, infringe as Leis Divinas.
 
E por falar em Leis divinas, vamos tecer um pequeno comentário sobre elas:
 
No O Livro dos Espíritos (2), os Espíritos superiores nos instruem dizendo que a lei natural é a lei de Deus. Que ela é única e verdadeira para a felicidade do homem, e lhe indica o que deve ou não fazer, e que ele é infeliz somente quando se afasta dela. Dizem também que a lei de Deus está escrita na consciência do homem.
 
Podemos considerar que o pastor dessas ovelhas é aquele espírito capaz a quem Deus elegeu como responsável pelo planeta Terra. E a ovelha perdida como sendo aquela que, ao ver as ervas tenras, saborosas e nutritivas de certas regiões, e tendo apetite, instintivamente se sente atraída, afastando-se cada vez mais do pastor e das demais ovelhas - não conseguindo mais ouvir a voz do pastor que a chama de volta ao aprisco, e, sendo tarde, se perde. Deixa-se seduzir pelo "mundo"; andando atrás de gozos e conquistas unicamente materiais, se afiniza com maus hábitos que se degeneram em vícios; entrega-se a todas as ordens de paixões exorbitantes; que, movido pelo desejo de riquezas e poder, de glórias e honras, dirige-se deliberadamente, na maioria das vezes, pelos caminhos do crime, desorienta-se em tão tortuoso labirinto; e grita desesperado quando não sabe mais como voltar à companhia de seus irmãos situados num plano melhor. É nessa hora, quando se lembra de seu passado vivendo junto ao rebanho, em paz e harmonia, que se arrepende e suplica a Deus pelo retorno, desejoso de reparar o seu mal proceder. É quando ouve novamente a voz do bom pastor fazendo-o lembrar da existência dessa lei.
 
Essa parábola assegura que ninguém ficará perdido para sempre, pois que "o bom pastor", dá a própria vida pelas suas ovelhas (João, 10:11); sendo assim, esse bom administrador de almas irá naturalmente à procura daquele espírito até que o ponha a salvo. Mas há uma condição para isso: é a observação da Lei que lhe está inscrita na própria consciência. Contudo, esse jugo é leve e essa lei é suave, pois que impõe como dever unicamente o amor e a caridade.
 
Podemos observar nesta parábola, que a sua lição é clara e objetiva, pois que Deus faz tudo que o grau de elevação do homem que cai permite, no sentido de direcioná-lo para um bom caminho. De tal modo Jesus foi buscar Madalena à beira do abismo de seus enganos morais; e ela, aceitando a mão do bom pastor, voltou com ele e se pôs a serviço do bem.
 
O Mestre Jesus também chamou a atenção de Judas Iscariotes sobre o caminho perigoso que escolhera para trilhar, respeitando-lhe o livre-arbítrio. Os enviados de Deus fazem o mesmo com aqueles que se vêem defrontados com problemas doentios do crime, da intemperança e da revolta, aguardando sempre o momento certo para chamá-lo de volta ao convívio dos demais.
 
Um outro bom exemplo para entender ainda mais esta parábola é a passagem da estrada de Damasco, quando Jesus se mostrou em forma de luz e convidou Paulo de Tarso a abandonar o ódio e o fanatismo em que estava arrolado e  adentrar na boa senda. Podemos dizer que este chamado não foi formulado somente ao futuro apóstolo daqueles considerados incivilizados (gentios), mas para toda a humanidade, a reconhecer e se reconhecer como espíritos de naturezas diversas e com caracteres antagônicos. A arte é conviver com os hostis, estando alegres, mas com aquela alegria de uma boa consciência semelhante a ventura do herdeiro que conta os dias que o aproximam da herança de estar no reino de Deus. 
 
Os Bons Espíritos a trabalho do Pai do Universo alegram-se quando conseguem fazer com aquele que está confuso ou envolvido nos enganos morais deixe de trilhar o mau caminho e se decida a mudar de rumo, indo percorrer a seara do Bem, em benefício de seu reajustamento; regozijam-se ainda mais quando esta ovelha recuperada passa a colaborar com eles nos trabalhos do amor e da caridade.
 
Colaborou no desenvolvimento ortográfico deste texto Maria Luiza Palhas

 
 
BIBLIOGRAFIA e NOTAS:
 
(1) O Evangelho Segundo o Espiritismo (Allan Kardec) – cap. XXVIII – Oração dominical
(2) O Livro dos Espíritos (Allan Kardec) - livro terceiro, cap. 1, q. 614 e seguintes,
 
E mais
Parábolas Evangélicas. Rodolfo Calligaris - FEB - 5ª edição –
As Maravilhosas Parábolas de Jesus - P. A. Godoy - FEESP - 3ª edição –
Novo Testamento - Evan. Lucas e João - Tradução João Ferreira de Almeida.
 
 
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LA PARÁBOLA DEL BUEN PASTOR
Por E. Mollo
 
TRADUCIDA AL ESPAÑOL
por João Cabral
ADE-SERGIPE
Assessoria Internacional da ABRADE-Brasil
Em: 19.12.2006
Aracaju-Sergipe-Brasil
 
“Qué hombre de entre vosotros, teniendo cien ovejas, y perdiendo una de ellas no deja en el desierto las noventa y nueve, y no va a buscar a la perdida hasta que la encuentre?
 
Y, encontrándola, la pone sobre sus hombros, gustoso; Y, llegando a su casa, convoca a los amigos y vecinos, diciéndoles: Alegraos conmigo, porque ya encontré mi oveja perdida.
 
Os digo que así habrá alegría en el cielo por un pecador que se arrepiente, más que los noventa y nueve justos que no necesitan de arrepentimiento.”
 
Lucas 15, 4,7
 

En su época, Jesús contó esta parábola, porque los fariseos y los escribas se quejaban, diciendo: “Este recibe a pecadores y come con ellos. (Lucas 15:2)”.
 
En los días actuales, a pesar, de que el hombre posee otras costumbres, la hipocresía no desapareció, o sea, aun es común que se comenten las maldades ajenas, principalmente cuando ellas son visibles, creyéndose que quien posee defectos morales no tiene la posibilidad de volver a reconducir esa situación, que esas criaturas están perdidas para siempre.
 
Y en la parábola del Buen Pastor Jesús demuestra exactamente lo contrario. Lo que, si atendemos bien, la mantiene aun muy útil para la época en que vivimos, pues aun hoy los hombres poseen los mismos procedimientos y las mismas visiones.
 
Como podemos observar, Jesús explica, de una forma clara, el carácter paternal de la Inteligencia Suprema, confirmando de forma patente Su amor y Su misericordia, desmantelando de forma solemne la creencia del infierno y de las penas eternas. De la misma forma, en el libro El Evangelio Según el Espiritismo (1) encontramos una enseñanza semejante:
 
“¡Cuantos y cuantos sucumben por culpa propia, por su incuria, por su imprudencia, o por su ambición y por no haber querido contentarse con lo que les había concedido! Esos son los artífices de su infortunio y carecen del derecho a quejarse, pues son castigados en aquello en que erraron.
 
Pero, ni a esos mismos abandonas, porque es infinitamente misericordioso. Las manos las extiende para socorrerlos, desde que, como el hijo prodigo, se vuelvan sinceramente para Ti.”
 
Podemos considerar el número cien como símbolo de la totalidad de los seres que componen todas las humanidades esparcidas por los numerosos mundos integrantes de las diversas moradas de la casa del Padre, y la oveja desgarrada como siendo aquel espíritu rebelde que, por ignorancia o de forma deliberada, infringe las Leyes Divinas.
 
Y por hablar de Leyes divinas, vamos a hacer un pequeño comentario sobre ellas:
 
En El Libro de los Espíritus (2), los Espíritus superiores nos instruyen diciendo que la ley natural es la ley de Dios. Que ella es única y verdadera para la felicidad del hombre, y le indica lo que debe o no hacer, y que él es infeliz solamente cuando se aparta de ella. Dicen también que la ley de Dios está escrita en la conciencia del hombre.
 
Podemos considerar que el pastor de esas ovejas es aquel espíritu capaz a quien Dios eligió como responsable por el planeta Tierra.
 
Y la oveja perdida es aquella que, al ver las hierbas tiernas, sabrosas y nutritivas de ciertas regiones, y teniendo apetito, instintivamente se siente atraída, apartándose cada vez más del pastor y de las demás ovejas – sin conseguir oír más la voz del pastor que la llama de vuelta al aprisco y, siendo tarde, se pierde.
 
Se deja seducir por el “mundo”; andando detrás de los goces y conquistas únicamente materiales, se hace afín con malos hábitos que se degeneran en vicios; se entrega a todas las clases de pasiones exorbitantes; que, movido por el deseo de riquezas y poder, de glorias y honras, se dirige deliberadamente, la mayoría de las veces, por los caminos del crimen, se desorienta en tan tortuoso laberinto; y grita desesperado cuando no sabe más como volver a la compañía de sus hermanos situados en un plano mejor.
 
Es en esa hora, cuando se acuerda de su pasado viviendo junto al rebaño, en paz y armonía, que se arrepiente y suplica a Dios por el retorno, deseoso de reparar su mal proceder. Es cuando oye nuevamente la voz del buen pastor haciéndole recordar la existencia de esa ley.
 
Esa parábola asegura que nadie quedará perdido para siempre, pues “el buen pastor”, da la propia vida por sus ovejas (Juan, 10:11); siendo así, ese buen administrador de almas irá naturalmente a la búsqueda de aquel espíritu hasta que lo ponga a salvo.
 
Pero hay una condición para eso: es la observación de la Ley que le está inscrita en la propia conciencia. Con todo, ese yugo es leve y esa ley es suave, pues impone como deber únicamente el amor y la caridad.
 
Podemos observar en esta parábola, que su lección es clara y objetiva, pues Dios hace todo lo que el grado de elevación del hombre que cae permite, en el sentido de dirigirlo para un buen camino.
 
De tal modo Jesús fue a buscar a Magdalena a la vera del abismo de sus engaños morales; y ella, aceptando la mano del buen pastor, volvió con él y se puso al servicio del bien.
 
El Maestro Jesús también llamó la atención de Judas Iscariotes sobre el camino peligroso que escogió para trillar, respetándole el libre albedrío.
 
Los enviados de Dios hacen lo mismo con aquellos que se ven enfrentando problemas enfermos del crimen, de la intemperancia y de la rebelión, aguardando siempre el momento adecuado para llamarlo de vuelta a la convivencia con los demás.
 
Otro buen ejemplo para entender aun más esta parábola es el pasaje del camino de Damasco, cuando Jesús se mostró en forma de luz e indico a Pablo de Tarso a abandonar el odio y el fanatismo en que estaba enredado y se adentrara en la buena senda.
 
Podemos decir que este llamado no fue formulado solamente al futuro apóstol de aquellos considerados incivilizados (gentiles), sino para toda la humanidad, reconoció y reconoce como espíritus de naturalezas diversas y con caracteres antagónicos.
 
El arte es convivir con los hostiles, estando alegres, pero con aquella alegría de una buena conciencia semejante a la ventura del heredero que cuenta los días que lo aproximan a la herencia de estar en el reino de Dios.
 
Los Buenos Espíritus trabajando con el Padre del Universo se alegran cuando consiguen hacer con aquel que está confuso o envuelto en los engaños morales deje de trillar el mal camino y se decida a cambiar el rumbo, yendo a recorrer la siembra del Bien, en beneficio de su reajuste; se regocijan aun más que cuando la oveja es recuperada y pasa a colaborar con ellos en los trabajos del amor y de la caridad.
 

 
Escreve: Elio Mollo

 

No Evangelho segundo Mateus encontramos está orientação de Jesus: “Sede vós logo perfeitos, como também vosso Pai celestial é perfeito (Mateus, 5:48)” para nos indicar a direção correta de chegar até o Pai.

 

Em João, 14:6 através desta frase "Ninguém vem ao Pai senão por mim" Jesus indica que ninguém vai evoluir se não agir conforme os ensinos que ele nos trouxe, ou seja, ninguém poderá crescer espiritualmente se não fizer da maneira como ele nos ensinou.

 

Muitos dizem que há uma certa arrogância em tais palavras, mas é que no atual estágio evolutivo em que nos encontramos ainda nos comunicamos através de palavras articuladas, e os pronomes como “eu” ou “mim” soam como uma forma egoística, quando em determinados casos é só um sinal de identificação ou de uma convicção adquirida e estruturada dentro do ser que a pronuncia. Jesus, por sua evolução espiritual,  já tinha moral e autoridade suficientes  para falar dessa forma. O momento e as circunstâncias exigiram esse discurso. O mesmo não aconteceria se já nos comunicássemos por pensamento, pois que seríamos sempre transparentes e não haveria como esconder o que quer que fosse. Assim, não haveria impressão negativa, e sim a manifestação do sentido intrínseco.
 
O pronome “eu”, apesar de em muitos casos ser simplesmente uma maneira de nos identificarmos, é própria dos mundos como o nosso, onde  a maioria ainda nasce  com o ego exacerbado. Assim é a Terra. Estamos aqui exatamente para transformar este (e todos os outros defeitos, naturalmente) em qualidades.
 
Um ensino é bom quando se percebe a sua universalidade, ou seja, quando ele não abrange uma única pessoa, um único grupo, um único povo, servindo seu conteúdo para todo e qualquer lugar do Universo, ou quando ele puder ao menos abranger o maior número de seres. E o ensino de Jesus é universalista. E nos coloca sempre em direção a esta hierarquia natural universal do cumprimento dos deveres, dita por São Vicente de Paulo in O Livro dos Espíritos, em resposta à q. 888a.

 

“NÃO ESQUEÇAIS NUNCA de que o Espírito, QUALQUER QUE SEJA O GRAU DE SEU ADIANTAMENTO, sua situação como encarnado, ou na erraticidade, está sempre colocado entre um superior, que o guia e aperfeiçoa, e um inferior, para com o qual tem que cumprir esses mesmos deveres.”
 
Por isto é que fora da Caridade não há salvação. Aliás, Pedro, em sua primeira epístola 4:8 «Mas sobretudo tende ardente caridade uns para com os outros porque a caridade cobre a multidão de pecados.», também disse igual, embora as novas versões da Bíblia tragam a palavra 'amor' em lugar de 'caridade', alterando o significado original. Ora, se o homem não se colocar dentro dessa hierarquia universal de solidariedade no mais alto grau que é a caridade, não poderá haver harmonia, e conseqüentemente não há como estar com Deus e por Deus; assim, não há como se salvar, já que se coloca numa posição isolada e não de conjunto.

 

Quando buscamos o verdadeiro significado do amor  podemos observar que ele não é um sentimento, mas uma força. E, em se tratando de Deus, o AMOR É A FORÇA QUE REGE O UNIVERSO, e a CARIDADE é um ato de relação (ver resposta a q. 886 in LE) pelo qual deixamos fluir este amor sempre que nos encaixarmos nesta hierarquia universal.

 

Assim, (LE 888a) amai-vos uns aos outros, é a lei máxima pela qual Deus governa os mundos. O AMOR,  por ser uma força, cria um magnetismo que atrai os seres afins e organizados a agirem de maneira harmônica, e a auxiliar os que lhes estão na retaguarda ou mesmo com os seres inorgânicos para desenvolver a Criação primeira de Deus em todos os sentidos. É por isso que tudo se encadeia no Universo, desde o átomo (ou partícula menor que átomo) até o arcanjo. Admirável lei de harmonia, cujo mecanismo somente agora nosso Espírito ainda limitado começa a compreender. (q. 540 de LE).

 

O homem sempre evolui, praticando o mal ou o bem, pelo mal antes tem que ir até o fundo do poço (ver parábola do filho pródigo) para se conscientizar de que deve buscar o bom caminho. Pelo bem porque é a forma natural e a melhor maneira de crescer. Mas o sofrimento maior são daqueles que ficam sempre em cima do muro (ver parábola dos talentos e q. 642 de LE ), daqueles que têm a oportunidade de fazer o bem e não o fazem por medo ou por comodismo; esses são os que Jesus dizia que haveria choro e ranger de dentes, pois que o remorso é o pior dos sofrimentos já que é a cobrança da própria consciência.

 

Tudo é uma questão de buscar o sentido pela qual são ditas ou escritas as palavras, frases ou textos, assim como a frase dita por Jesus "...ninguém vem ao pai senão por mim"; com isto concluímos que não se tratou de uma arrogância de Jesus, e sim como uma orientação de estímulo para que o esforço do homem se concentre em conquistar a sua perfeição (através do autoconhecimento contínuo) e assim chegar mais próximo de Deus. Ora, na outra frase que antecede a esta Jesus disse: "Eu sou o caminho, a verdade e a vida;..." (João, 14:6), onde podemos perceber melhor a sua certeza (fé, convicção), e que lhe dava autoridade moral para se expressar dessa forma. Lendo-se o capitulo 14 do evangelho segundo João em sua totalidade a percepção da autoridade moral de Jesus ficará mais acentuada.

 

Aliás, Jesus nos conclama em muitas passagens dos Evangelhos a termos esperança e fé, como esta colocada logo no início do capítulo 14 de João: "Não se turbe o vosso coração. Crede em Deus, crede também no que estou vos dizendo - Há muitas moradas na casa do Pai. Se assim não fosse, eu vo-lo teria dito, pois vou preparar-vos o lugar." (João, 14, 1-2) já que através do processo da reencarnação teremos muitas outras oportunidades de refazer o nosso caminho, e se soubermos aproveitar bem cada uma delas nossa evolução se fará sempre mais tranqüila. E uma vez conquistada através das múltiplas reencarnações, tanto a moral como a fé inabalável semelhante à de Jesus, também poderemos dizer com convicção e autoridade moral, indicando um bom caminho para aqueles que estiverem sobre a nossa responsabilidade de orientar: "Eu sou isto ou aquilo", "ninguém conseguirá seguir adiante se não seguir minha orientação."

 

Em verdade nem sempre podemos nos apegar ao sentido literal das palavras, nem mesmo ao mito ou aparência de ninguém, e sim à essência das coisas, principalmente das lições que as grandes criaturas que passaram pela Terra nos legaram, se desejamos realmente com eles aprender.

 
Colaborou com o desenvolvimento ortográfico deste texto
Maria Luiza Palhas
 


Bibliografia:
Bíblia sagrada - diversas traduções
O Livro dos Espíritos - Allan Kardec

 
Renato Costa
 

A Forma dos Espíritos

 

Em O Livro dos Espíritos, tem-se o seguinte diálogo entre Allan Kardec e os Espíritos que ditaram a Codificação com respeito à forma do Espírito:

 

88. Os Espíritos têm forma determinada, limitada e constante?

“Para vós, não; para nós, sim. O Espírito é, se quiserdes, uma chama, um clarão, ou uma centelha etérea”.

 

88a)    - Essa chama ou centelha tem cor? 

“Tem uma coloração que, para vós, vai do colorido escuro e opaco a uma cor brilhante, qual a do rubi, conforme o Espírito é mais ou menos puro”.

 

 Representam-se de ordinário os gênios com uma chama ou estrela na fronte. É uma alegoria, que lembra a natureza essencial dos Espíritos. Colocam-na no alto da cabeça, porque aí está a sede da inteligência. 

 

Analisemos primeiro, a frase inicial da resposta: “Para vós, não; para nós, sim”.

 

Trata-se aqui da diferença existente entre o que os Espíritos desencarnados podem perceber, usando seus sentidos sutis e aquilo que os Espíritos encarnados podem perceber, usando seus sentidos físicos.

 

De fato, a própria Ciência nos ensina o quão limitada é a percepção da realidade que nossos sentidos físicos nos propiciam.  As faixas de freqüência que nossos sentidos da visão e da audição capturam são extremamente estreitas assim como impróprio é o nosso tato para a realidade mais sutil como, por exemplo, a das ondas mais diversas de comunicação que nos envolvem em todas as direções.

 

Nas dimensões espirituais, o Espírito está livre das restrições impostas pela matéria. Sua percepção da realidade, portanto, é infinitamente mais rica, logrando ele perceber cores e formas que, encarnado sequer poderia descrever.

 

Analisemos, agora, a segunda parte da resposta:

 

“O Espírito é, se quiserdes, uma chama, um clarão, ou uma centelha etérea”.

 

Uma chama, um clarão ou uma centelha etérea são elementos caracterizados, os três, basicamente, pela sua tonalidade de cor, sua intensidade de brilho e o calor que possuem. Os três são, por outro lado, desprovidos de forma precisa. Desse modo, os Espíritos confirmaram o que antes haviam dito, isto é, que os Espíritos não são percebidos com forma.

 

Chama a nossa atenção, nessa resposta, entretanto, que os Espíritos parecem estar falando do Princípio Inteligente, e não do Espírito, entidade formada por esse Princípio somado ao Perispírito. afinal, o Espírito tem forma, uma vez que o Princípio Inteligente imprime forma ao Perispírito. É, portanto, com forma que médiuns de todas as raças e culturas têm percebido Espíritos desde as mais remotas eras.

 

Desse modo, os Espíritos que ditaram a Codificação parece terem aproveitado essa questão para dizer que o Princípio Inteligente tem uma forma que foge aos nossos sentidos, sendo aceitável que a imaginemos como uma chama.

 

Nossa interpretação encontra confirmação no Item 55 do Capítulo I de O  Livro dos Médiuns, onde Kardec afirma:

 

Hão dito que o Espírito é uma chama, uma centelha. Isto se deve entender com relação ao Espírito propriamente dito, como princípio intelectual e moral, a que se não poderia atribuir forma determinada. Mas, qualquer que seja o grau em que se encontre, o Espírito está sempre revestido de um envoltório, ou perispírito, cuja natureza se eteriza, à medida que ele se depura e eleva na hierarquia espiritual. De sorte que, para nós, a idéia de forma é inseparável da de Espírito e não concebemos uma sem a outra. O perispírito faz, portanto, parte integrante do Espírito, como o corpo o faz do homem...


 
A Cor dos Espíritos

 

Voltando a O Livro dos Espíritos, verificamos que, tendo os Espíritos respondido quanto à forma, Kardec fez um complemento à questão preliminar, querendo saber a cor dos Espíritos. A essa segunda pergunta, a resposta foi a seguinte:

 

“Têm uma coloração que, para vós, vai do colorido escuro e opaco a uma cor brilhante, qual a do rubi, conforme o Espírito é mais ou menos puro”.

 

Se prestarmos atenção, veremos que essa resposta tem uma característica estranha. Kardec perguntou, de forma inequívoca, pela cor da “chama ou centelha”. Os Espíritos, no entanto, nada disseram de cor. O que é uma cor “escura e opaca” ou uma cor “brilhante, qual a do rubi?” Note-se que a resposta nada fala da cor em si, destacando apenas o brilho. Nos ocorreu ter havido um equivoco de tradução, o que nos fez recorrer ao original em Francês:

 

"Pour vous, elle varie du sombre à l'éclat du rubis, selon que l'Esprit est plus ou moins pur”. (Para vós, ela varia do sombrio ao brilho intenso do rubi, conforme seja o Espírito mais ou menos puro).

 

Como vemos, no original, a palavra cor (“couleur”) sequer foi usada na resposta. De fato, tudo o que se obtém da resposta é que os Espíritos mais atrasados são vistos como uma sombra escura e os mais adiantados com uma chama intensamente brilhante deles emanando.

 

Essa resposta e sua interpretação coincidem com o que nos passam a diversas tradições religiosas, que reportam que os anjos e santos ofuscam nossos olhos com seu intenso brilho, ao passo que os chamados demônios são ditos “espíritos das trevas”, devido à sua aparência sombria.

 

É interessante notar que a resposta dos Espíritos tanto é válida se estivermos falando do Princípio Inteligente quanto se estivermos falando do Espírito, isto é do Princípio Inteligente acoplado ao perispírito.

 

Teriam os Espíritos se furtado a falar da cor por ser ela de somenos importância ou teria sido por serem as cores em questão além de nossa capacidade visual? Por alguma razão não o fizeram e por alguma razão Kardec não os redargüiu a respeito, dando-se por satisfeito em confirmar o brilho.

 

 

Uma Aventura pela Questão da Freqüência

 

Apesar de nada terem dito os Espíritos a Kardec sobre a cor em si, a sub-questão “a” nos oferece uma boa oportunidade para estudarmos um pouco a questão da freqüência emitida pelos Espíritos, como é percebida pelos médiuns videntes, como nos reporta a tradição e como é entendida pela Ciência humana.

 

Sabemos, das noções básicas da Física, que, no espectro da luz visível, a cor vermelha corresponde às mais baixas freqüências percebidas, correspondendo o violeta às freqüências mais elevadas que o olho humano consegue ver.

 

A tradição, que nada mais é que o acúmulo dos testemunhos dos médiuns videntes através dos milênios, parece confirmar que a noção que obtemos da Física pode ser utilizada. Todas as tradições religiosas sempre associaram a cor vermelha aos demônios e Espíritos perturbadores enquanto a cor branca sempre foi associada aos anjos e demais Espíritos elevados.

 

Alguém poderia levantar a questão: “É verdade que os demônios são representados tradicionalmente na cor vermelha, mas as representações dos anjos e demais Espíritos elevados utilizam, predominantemente, a cor branca ou, se muito, anil e não à cor violeta”.

 

A própria Física nos ajuda a entender o que ocorre. O branco visível nada mais é que a mistura equilibrada das cores básicas ou de todas as cores. Ora, os Espíritos mais adiantados necessitam adequar sua vibração à dos médiuns videntes que os enxergam com sua visão sutil. Por outro lado, o seu adiantamento moral deve produzir uma determinada vibração elevada mesmo quando em contato com Espíritos menos evoluídos que requerem deles uma vibração mais baixa.

 

Isso sugere, a nosso ver, que eles tenham capacidade de vibrar em mais de uma freqüência simultaneamente. Se supusermos que os Espíritos mais evoluídos podem vibrar em diversas freqüências simultaneamente, quando desejam entrar em contato com diversos Espíritos em estágios diferentes de evolução ao mesmo tempo, o resultado visual dessa simultaneidade de emissão de freqüência tenderá ao branco, como percebido pelos videntes.

 

Agora que já nos aventuramos pelos domínios da cor, vamos utilizar o relacionamento entre as freqüências de vibração e a temperatura e nosso conhecimento sobre o que nos diz a tradição para ver se chegamos a uma conclusão semelhante.

 

Ao longo dos séculos, a proximidade de Espíritos perturbados ou perversos sempre foi percebida como uma sensação de frio pelos médiuns. A temperatura fria corresponde à baixa freqüência de vibração (o mesmo que a cor vermelha). Os Espíritos evoluídos, por outro lado, sempre foram percebidos como tendo temperatura agradável e não como quentes, o que corresponderia  a uma alta freqüência de vibração. Ora, a temperatura agradável significa exatamente o cuidado que o Espírito evoluído tem em tornar igualmente agradável a sua aproximação, guardado, pois, um paralelo com a cor branca. 


 

 A Alegoria dos Gênios

 

Kardec conclui a questão 88 com o seguinte comentário:

 

Representam-se de ordinário os gênios com uma chama ou estrela na fronte. É uma alegoria, que lembra a natureza essencial dos Espíritos. Colocam-na no alto da cabeça, porque aí está a sede da inteligência.


De fato, em todas as tradições os homens e mulheres santos e mesmo as representações da divindade costumam ser representados com uma chama, um halo ou uma estrela na fronte ou pairando sobre a cabeça. Kardec comenta que esse fato se deve a ser a cabeça a sede da inteligência, o que se explica pela associação da inteligência à mente e desta com o cérebro. 

 

 

Como se Deslocam os Espíritos

 

As questões que sucedem a de número 88 até a de número 91 tratam da maneira com que os Espíritos se movem de um lugar para o outro

 

89. Os Espíritos gastam algum tempo para percorrer o espaço?

“Sim, mas fazem-no com a rapidez do pensamento”.

 

Dizer que algo se move com a rapidez do pensamento é o mesmo, para efeitos práticos, que falar de deslocamento instantâneo. O que sabemos, no entanto, pelas obras de André Luiz, particularmente, mas por outras também, é que os Espíritos se movem com velocidades diversas, desde o deslocamento lento e pesado dos Espíritos perturbados ao volitar veloz e gracioso dos Espíritos Bons trabalhadores da espiritualidade.

 

Teriam os Espíritos esquecido essa realidade? Veremos que não.

 

Os Espíritos perturbados têm seus pensamentos confusos, força de vontade embotada pela sua baixa auto-estima e encontram-se desprovidos de fé. Assim, podemos induzir que a rapidez do pensamento deles é baixa, quase nula. À medida que o Espírito vai evoluindo, seus pensamentos ficam mais coerentes, ao passo que aumenta sua força de vontade e sua fé se torna raciocinada e firme. Desse modo, podemos entender que a rapidez de seu pensamento e, por analogia, de seu próprio deslocamento, vai crescendo à medida que ele evolui, até que, alcançado o estado de Espírito Puro, ele passa a se deslocar de forma quase instantânea de um lugar a outro.

 

89a)    - O pensamento não é a própria alma que se transporta? 

“Quando o pensamento está em alguma parte, a alma também aí está, pois que é a alma quem pensa. O pensamento é um atributo.”

 

A pergunta de Kardec nos parece hoje algo estranha. Talvez o Codificador estivesse pensando em “mente” quando disse “pensamento”. Do modo que ele perguntou, a resposta dos Espíritos não podia ter sido diferente. Pensamento é um atributo do Espírito e não pode, portanto, ser confundido com ele. No entanto, o pensamento também é um atributo da mente. Ficamos sem saber qual teria sido a resposta, neste caso.

 

90. O Espírito que se transporta de um lugar a outro tem consciência da distância que percorre e dos espaços que atravessa, ou é subitamente transportado ao lugar onde quer ir?

“Dá-se uma e outra coisa. O Espírito pode perfeitamente, se o quiser, inteirar-se da distância que percorre, mas também essa distância pode desaparecer completamente, dependendo isso da sua vontade, bem como da sua natureza mais ou menos depurada”.

 

A resposta é perfeitamente clara. Se o Espírito possui o devido adiantamento que lhe permita vencer grandes distâncias de forma instantânea, não há porque ele se dê conta de tais distâncias se tal não for necessário. Pensemos em uma analogia simples. Se eu percorro 12 km a pé, eu sinto em meu corpo, nos meus pés, nos meus pulmões, na minha boca seca, o efeito do percurso, o que me torna impossível deixar de avaliar a distância percorrida. Suponhamos, agora, que um avião a bordo do qual eu esteja percorra os mesmo 12 km em velocidade supersônica. Será que eu, confortavelmente sentado a bordo, tomando uma bebida gelada, lendo uma revista ou assistindo a um filme, me darei conta de que saí do lugar? 

 

É bom ter em mente, entretanto, que, do mesmo modo que ocorre com o passageiro do avião, o fato de não sentir o efeito do percurso não faz com que o Espírito seja impedido de conhecê-lo, caso isso lhe seja importante.

 

91. A matéria opõe obstáculo ao Espírito?

"Nenhum; eles passam através de tudo. O ar, a terra, as águas e até mesmo o fogo lhes são igualmente acessíveis." 

 

O Espírito desencarnado, em princípio, é capaz de passar através de tudo. Ocorre, no entanto, que Espíritos perturbados podem se crer incapazes de transpor certas barreiras materiais, o que os leva a tentar contorná-las. É baseado nesse fato que os Espíritos arraigados no mal constroem prisões e fortalezas ideoplásticas nas dimensões espirituais de modo a submeter outros Espíritos de que se servem para seus propósitos escusos.

 

 

A Ubiqüidade dos Espíritos

  

92. Têm os Espíritos o dom da ubiqüidade? Por outras palavras: um Espírito pode dividir-se, ou existir em muitos pontos ao mesmo tempo?

“Não pode haver divisão de um mesmo Espírito; mas, cada um é um centro que irradia para diversos lados. Isso é que faz parecer estar um Espírito em muitos lugares ao mesmo tempo. Vês o Sol? É um somente. No entanto, irradia em todos os sentidos e leva muito longe os seus raios. Contudo, não se divide.”

 

92a) - Todos os Espíritos irradiam com igual força? 

“Longe disso. Essa força depende do grau de pureza de cada um”.

 

Cada Espírito é uma unidade indivisível, mas cada um pode lançar seus pensamentos para diversos lados, sem que se fracione para tal efeito. Nesse sentido unicamente é que se deve entender o dom da ubiqüidade atribuído aos Espíritos. Dá-se com eles o que se dá com uma centelha, que projeta longe a sua claridade e pode ser percebida de todos os pontos do horizonte; ou, ainda, o que se dá com um homem que, sem mudar de lugar e sem se fracionar, transmite ordens, sinais e movimento a diferentes pontos.

 

Não pode haver divisão de um mesmo Espírito. Essa é uma resposta clara. A capacidade de ser percebido em diversos lugares ao mesmo tempo não contraria, em absoluto, esse princípio.

 

Nos dias de hoje podemos ter uma idéia melhor da ubiqüidade do Espírito pensando em uma rede de televisão. O Espírito está no estúdio dando uma entrevista que é assistida em todo o Brasil por milhões de pessoas.

 

Podemos melhorar nossa analogia lembrando da capacidade que tem a mente humana de cuidar de várias interações ao mesmo tempo. Há pessoas capazes de escrever um texto no computador ao mesmo tempo em que conversam com uma pessoa ao seu lado. Uma mãe consegue dar atenção a três filhos falando com ela ao mesmo tempo e não deixa de dar a resposta correta a cada um.

 

A nossa analogia da TV ainda é fraca, portanto, uma vez que, se uma pessoa encarnada consegue interagir de forma diferente com mais de uma pessoa ao mesmo tempo, por que se daria de forma diferente com um Espírito desencarnado. Se ele é capaz de irradiar sua presença, é válido deduzir que ele também será capaz de ser percebido interagindo de forma diferente com pessoas diferentes.

 

A força com que os Espíritos irradiam depende de seu grau de pureza, isso é, de seu adiantamento evolutivo. Quanto mais evoluído o Espírito, portanto, mais longe e para mais pessoas ele poderá irradiar sua presença. Do mesmo lodo, quanto mais evoluído, mais poderá ele diversificar o relacionamento que tem com cada um.

 

Para concluir nosso estudo sobre a ubiqüidade do Espírito, nada melhor do que nos lembrarmos da promessa do Mestre quando disse que onde quer houvesse dois ou mais reunidos em Seu nome, entre eles Ele estaria.

 

 

Bibliografia Consultada

Kardec, Allan. O Livro dos Espíritos. 77 Ed. FEB. Rio de Janeiro, 1997.
_____, ____.  O Livro dos Médiuns. 61 Ed. FEB. Rio de Janeiro, 1995.
_____, ____.  O Que é o Espiritismo. 38 Ed. FEB. Rio de Janeiro, 1995.

 

(Parte de estudo originalmente apresentado no Grupo Espírita João de Freitas,

Rio de Janeiro, em 27 de março de 2003)

A necessidade da vida social

14:32 @ 09/08/2008

Escreve: Elio Mollo

 

“Porque nenhum de nós vive para si”.

(Paulo aos Romanos,14:7)

 

Na Natureza tudo se serve, tudo se encadeia, desde o ser mais simples até o mais evoluído. O sol atende ao seu sistema fornecendo luz e calor para promover uma reação que mantém os elementos vitais em circulação, sustentando a vida em todos os planetas. Os planetas em suas órbitas, se posicionam de tal forma, que um mantém o equilíbrio do outro, além do seu próprio, obtendo uma harmonia em todo o sistema.

 

Para que tenhamos a eletricidade necessitamos de um rio com volume de água suficiente para movimentar a usina geradora de energia elétrica. Para manter a água necessária precisa-se da chuva. Para que a eletricidade chegue ao seu destino são necessários fios condutores e assim por diante. Tudo isso funcionando em perfeita sintonia nos fornece a energia suficiente para mantermos nossos lares com iluminação e todos os aparelhos eletrodomésticos que nos servem em nosso dia a dia.

 

Hoje, com a tal globalização, os países envolvidos necessitam manter suas economias atualizadas e equilibradas, porque se algum deles provocar alguma anomalia, todos os outros sentirão o efeito negativo. Caso contrário, tudo estará bem e funcionará normalmente, com as populações desses países tendo empregos, alimentos e conforto. Pois é, assim temos exemplos de como cada um de nós deve agir para manter o nosso próprio equilíbrio e de todos aqueles que nos rodeiam e vivem em função de nós.

 

Em O Livro dos Espíritos, os Espíritos, em resposta às questões 766, 767 e 768, afirmaram: “A vida social está na Natureza. Deus fez o homem para viver em sociedade. Deus não deu inutilmente a palavra e todas as outras faculdades necessárias à vida de relação.” “O isolamento absoluto é contrário à Lei Natural, pois os homens buscam a sociedade por instinto e devem todos concorrer para o progresso, ajudando-se mutuamente.” “O homem deve progredir, mas sozinho não o pode fazer porque não possui todas as faculdades: precisa do contato dos outros homens. No isolamento, ele se embrutece e se debilita”. O Codificador em nota a essas respostas, acrescenta: “Nenhum homem dispõe de faculdades completas e é pela união social que eles se completam uns aos outros, para assegurarem seu próprio bem-estar e progredirem. Eis porque, tendo necessidade uns dos outros, são feitos para viver em sociedade e não isolados."

 

Podemos observar, assim, que a sociedade necessita de criaturas que cooperem umas com as outras para que o progresso geral se estabeleça. Dizem os Espíritos em resposta à questão 785 de O Livro dos Espíritos, que os maiores obstáculos ao progresso são o egoísmo e o orgulho, referindo-se dessa forma ao progresso moral, porquanto, o intelectual se efetua sempre.

 

O egoísmo e o orgulho extremados quebram a harmonia entre os homens, pois são eles que entravam o progresso moral, provocando as discórdias, as malevolências, os ciúmes, os sofrimentos atrozes etc., chegando a afastar o homem da vida social, levando-o à ruína. Para compreendermos o efeito negativo do egoísmo e do orgulho, buscamos o livro Fábulas e Lendas de Leonardo da Vinci, uma adaptação do conto “A árvore orgulhosa”. Diz ele:

 

“No meio de um jardim, junto a muitas outras árvores, havia um lindo cedro. Crescia a cada ano que passava, e seus galhos eram muito mais altos do que os galhos das outras árvores.

 

Tirem daí essa castanheira! — disse o cedro, inchado de orgulho ante a sua própria beleza. E a castanheira foi removida.

 

Levem embora aquela figueira! — disse o cedro. — Ela me incomoda. — E a figueira foi arrancada.

 

Tirem as macieiras! — prosseguiu o cedro, erguendo alto a sua bela cabeça. E as macieiras se foram.

 

Assim, o cedro fez com que uma a uma todas as outras árvores fossem arrancadas, até ficar sozinho, dono do grande jardim. Um dia, porém, houve uma forte ventania. O lindo cedro lutou com todas as forças, agarrando-se à terra com suas longas raízes. Mas o vento, sem outras árvores para detê-lo, dobrou e feriu o cedro e, finalmente, com grande estrondo, derrubou-o ao chão.”

 

O contrário de tudo isso são a caridade e a humildade. Esses são os elementos positivos do progresso e que levam o homem à solidariedade. Todo homem que possui essas qualidades sabe amar, servir e se relacionar com os outros homens, como Jesus ensinou; esse homem sabe, ainda, sorrir para o seu semelhante e passa seus conhecimentos, sem constrangimento, a todos aqueles que dele necessitam. Sabe que é uma peça importante do grande mecanismo Universal e se coloca sempre à disposição sem se exaltar, procurando estar em contato permanente com as outras criaturas oferecendo de si e recebendo dos outros sem nenhum interesse que não o de servir. Ao contrário do cedro que caiu, por ser egoísta e orgulhoso e, conseqüentemente anti-social, o homem caridoso e humilde consegue o suporte do bem que distribui, por meio da solidariedade, sendo mais difícil a sua queda.

 

Conta uma lenda de tradição judaica que: “Numa região longínqua, viviam alguns homens que passavam muita fome porque tinham os cotovelos voltados para dentro e as mãos voltadas para fora. Portanto não podiam dobrar os braços em direção à boca porque não tinham flexão e assim não se alimentavam. Os pobres homens estavam à mingua, desnutridos e fatalmente condenados a morrer de inanição. O mais idoso, cheio de sabedoria, passou a estudar um meio de solucionar o problema. Eis a solução: já que, tendo os cotovelos voltados para dentro e as mãos espalmadas para fora poderiam colocar o alimento na boca dos outros e assim não passariam mais fome. O regime de solidariedade resolveu a questão.”

 

Assim, somos nós. Todos possuímos defeitos e qualidades, temos o caráter diferenciado um do outro, pois, como disse Kardec, ninguém dispõe de faculdades completas e é pela união social que vamos nos completando mutuamente, assegurando nosso próprio bem-estar e progredindo juntos, já que é complicado seguirmos sozinhos. Necessitamos ser solidários, para termos uma boa relação.

 

Cooperemos, então, uns com os outros e sigamos com Jesus para a nossa evolução, pois, como disse o apóstolo Paulo, nenhum de nós vive para si.

 

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