Grupos

Dilma, a presidenta? O Povo - 25.02.2011 Li na imprensa a Coluna Conversa com a Presidenta (sic). No texto, em negrito, a referência, em todo ele, à forma “presidenta”. Na foto, a presidenta com a faixa verde-amarela. E aí, numa faixa esverdeada, a observação aos leitores: “Enviar a pergunta à presidente Dilma (...). Revisor de jornal por anos e professor da área de língua e literatura, vou até meus dicionários, com o propósito, sei lá, de derrubar do cavalo o “lulês”... “Presidenta”, diz-nos o Instituto Antônio Houaiss, no volumoso e moderno Dicionário Houais da Língua Portuguesa, que o vocábulo é a mulher que preside um país ou uma organização. Antenor Nascente segue a mesma linha em seu Dicionário da língua portuguesa (2004). E entre outros tantos, Silveira Bueno, em sua coleção Grande Dicionário Etimológico-prosódico da Língua Portuguesa (Edição Saraiva). E termino enfim por cair eu do cavalo, ao voltar à palmatória de dona Ester, mãe de Gerardo Melo Mourão. Um dia, numa classe de alunos dos vários níveis, deu-me ela a palmatória e mandou que desse bolos em todos. Lelete Mourão foi a primeira. Lançou-me ela olhar de piedade. Deixei cair a palmatória em tom suave. Furiosa, a professora ensina a todos como imprimir forte bolo... No Seminário em Petrópolis, aprendi com Dom Cintra a distinção entre humildade e vaidade. Melhor média, a minha. Com o “não mereço”, recuso e troféu. Humildade, nasce do húmus, o chão. Vaidade, do vazio. Em Campinas (SP), no Seminário da Imaculada, Monsenhor Luiz de Abreu. Um dia, ouço-o a declarar em bom som: “Ao melhor aluno, não mais que 9. Ao melhor professor, não mais que 9,5. E 10 apenas para Deus!” E após pausa: “Dei o primeiro dez”. É verdade: São Paulo exporta café e o Ceará, o talento. Razões a Lula, caí do cavalo... Marcondes Rosa - Professor da Universidade Federal do Ceará e da Universidade Estadual do Ceará

                                        

Jornal do Leitor

 

Sertão moderno

 

Dalinha Catunda

O Povo - 25.09.2010| 02:00

 

Terra adusta, ressequida,

assim foi a minha terra;

mas,  onde o homem não erra,

vencem ações criativas –

se bem formos persistentes,

e mais, cantando as cantigas.

 

Neste Nordeste de agora,

já nos verdeja a ternura;

pois, mesmo havendo secura,

dá tudo o que o povo planta;

e o povo planta esperança,

tanto mais sofre e mais canta.

 

Onde já foi sertão bravo,

hoje, mudou totalmente,

e, quem vê sertão, pressente

que a coisa ficou moderna;

só prospera a mão do novo

- das antigas nem a perna.

 

Nas praias, sertões e serras,

aos tons do grande progresso,

canta-se o cantar que meço

na voz risonha dos pobres,

rimando versos medidos,

em redondilhas mui nobres.

 

Aqui, com toda expressão,

grita a voz do passaredo,

o canto alegre e sem medo

dos nossos bons violeiros

e dos vaqueiros o aboio,

e os baiões dos sanfoneiros.

 

Aqui, pois, modéstia à parte,

temos alegres posturas

e, se passamos agruras,

também nós temos encantos,

e a mãe-natureza aplaude

os entoos dos nossos cantos.

 

Coberto de parabólicas,

Este o chão do nordestino,

onde o sol nos bate a pino,

como um rei demais tirano,

e a todo vapor novelas,

e internet a todo o pano.

 

Até mesmo as eleições

tomaram rumos diversos;

hoje os “coronéis” dispersos

não mandam como reinavam;

você vota mais a jeito –

cabrestos só emperravam.

 

Será Nordeste o moderno?

Nem tanto... Norte um cercado!

Gente, lá, que nem um gado,

inda a votar nuns “currais”,

mas torço que saiam disto,

que, em tese, somos iguais.

 

 

 

 

Jeremias Catunda,

um ano de saudades

 

Bérgson Frota

O Povo - 07/08/2010

 

Um ano passou meu pai, os dias se foram e tu hoje me fizestes lembrar a figura encanecida que ao adentrar as calmas águas das oitenta e três primaveras, deixou-nos com tristeza, já com saudades. Mas com a certeza do dever cumprido. Durante todo o tempo em que exercestes de forma ativa, dedicada e plena o teu papel, sempre soubestes da real importância que tinhas, tens e sempre terá para nossa vida. O exemplo rico e vivo, deixado por ti, de integridade, retidão de caráter e compreensão ficaram e brotarão. Também do ato sagrado de ser pai, que para ti não se resumia em gerar e sustentar um filho. Mas criá-lo, incutindo nele valores espirituais e morais, mostrando a real primazia dos dois primeiros em relação aos valores materiais, e isto tu bem o fizestes. Nestes anos tua presença constante pela observação, soubestes reconhecer os valores latentes nos filhos, e os incentivou a exteriorizá-los para assim tornarem-se senhores de si. Sabendo e tendo desta forma a responsabilidade de que nos criava para o mundo e nesta consciência, agiu de forma equilibrada e responsável. Dando tu próprio o real exemplo. Quantas vezes meu pai, tu não chorastes em silêncio, no medo desassossegante de falhar, de não cumprir corretamente a tua missão. E o choro silencioso pelo destino dos filhos por si só já não era uma prece ?

 

Sem palavras, mas prece, pois não negava uma sublime rogativa. Quantas vezes pai, para ensinar não te tornastes duro, quando o coração mandava relaxar e ceder pela alegria temporária. Porém, enquanto a dureza do momento garantiria horas e anos de gratificantes resultados. É pai, assim sabendo, firme tu te mantivestes. Junto à fiel companheira na semeadura do passado, muito fez e nos deixou tuas lições, num caminho não isento de fartos percalços e dificuldades superadas, de sacrifícios e dores pelos filhos. Nós, os filhos e esposa hoje recordamos, em respeitoso silêncio, sentindo na saudade de ti, a presença que constante a não nos fazer distante, de forma diária de tudo que percorrestes conosco e venceu nesta difícil tarefa, que para nós te fez grande. Um pai herói inesquecível. Lembramos tua humanidade, que nos teus atos foram e são estímulos de exemplos imorredouros do dom sagrado do Criador, fazendo com que ao nos deixar fisicamente, nós cá sofrêssemos órfãos da tua paternidade, tão querida, a nos fazer ainda mais e sempre presença presente na nossa vida do teu amparo, direcionamento e eterno amor.

 

 

Meu Rei (Dalinha Catunda)

10:29 @ 07/08/2010

 

 

                      MEU REI

 

Dalinha Catunda

 

Parabéns querido pai

Por sua longevidade.

Por essa sua lucidez

Contrariando a idade.

 

Parabéns querido pai,

Por ter tanta teimosia,

Por cair e se levantar

Isso me causa alegria.

 

Filhos, netos e bisnetos,

A sua sólida construção.

E você é o maior exemplo

Para toda essa geração.

 

Orgulho de ser sua filha,

Eternamente eu terei.

Dentro do meu coração,

Você será sempre meu rei.

 

 

 

                        Jornalista Frota Neto

 

Conde,

 

Obrigado pela acolhida dada ao "Deu tudo certo". Estava mesmo querendo falar com você. Até pedi ao Kleber  para ele lhe transmitir um e-mail que passei pra ele, porque estava sem o seu e-mail.Como agora estou de posse dele, segue agora direto para você.

 

            Esta é mais uma "invencionice". Peço a você que me arranje uma foto de seu Wencery e uma da dona Adaísa (ou uma deles dois).  Elas serão colocadas no Memorial, que será inaugurado dia 25 de outubro, em  Ipueiras, e que abaixo lhe dou mais detalhes.

 

            Peço também a você que me ajude na divulgação para obter fotos e objetos que tenham a ver com o tempo dos pais da gente em Ipueiras. Digo tudo nesse e-mail logo abaixo. Já mandei esse pedido para algumas pessoas, como o Raimundo Frota, o Nagib, a Terezinha Mourão, a Dalinha, o Kleber.

 

            Estou procurando fotos e objetos para o Memorial de Ipueiras, que se enquadrem na seguinte temática: "Ipueiras dos nossos pais - e de nós, quando meninos".

 

            As fotos serão colocadas no Memorial, que será inaugurado dia 25 de outubro, em Ipueiras, sobre o qual  abaixo lhe dou mais detalhes.

 

            Peço também a você que me ajude na divulgação para obter fotos e objetos que tenham a ver com "aqueles tempos" de Ipueiras. A minha idéia é ter todas as fotos selecionadas, aí em Fortaleza, até o dia cinco de outubro (prazo final de recebimento).

 

            Quem puder me mandar a foto "escaneada"  direto pra mim, até o fim de setembro melhor  (pode mandar como um anexo para este meu e-mail), Isso porque já mandarei fazer aqui as fotos que me chegarem até cinco de outubro  (pois que precisam receber moldura e irem ser colocadas no Memorial em Ipueiras).

 

            Segue abaixo o texto que peço que você divulgue para quem achar que possa se interessar em ter seus pais (ou avós) presentes no Memorial.

 

            Aliás, no texto não está destacado mas quero lembrar que estou  também interessado em ter peças e objetos pessoais ou de família porque o Memorial terá mostruário especial para exibição dessas peças.

 

            No texto abaixo fala sobre como se pensa deverá vir a ser o Memorial, e, no final, depois dele, uma listagem que lembrei de potenciais nomes para fotos.

 

            Divulgue, por favor, o máximo que você puder o conteúdo (nomes de pessoas e objetos) desse e-mail.


            Tudo de bom, 


            Frota Neto.



****


            O Espaço Cultural de Ipueiras (ECIPS) está sendo montado para ser inaugurado  em 25 de outubro deste ano de 2010.


            A atual (que é a primeira) fase do ECIPS está sendo construída nos lotes 1,  2 e 3 da Quadra 1 (a mesma da caixa d'água) do loteamento Cidade Satélite.


            A idéia do Espaço Cultural de Ipueiras (ECIPS)  é de uma espécie de "parque temático ao ar livre", com a seguinte composição:


           
Projeto completo:


            1. Memorial:  "a Ipueiras dos tempos dos nossos pais  -  e de quando nós meninos"


            2. Oratório de N.S. de Fátima


            3. Casa de farinha


            4. Anfiteatro-cine


            5. Coreto


            6. Carro de boi


            7. Amarelinha e o Escorregador


            8. Bosque.


 Nessa primeira fase  (a ser inaugurada em 25 de outubro de 2010), ter-se-á:



1. Memorial:  "a Ipueiras dos tempos  dos nossos pais  - e de quando nós, meninos".

 

2. Oratório de N. Sra. de Fátima


3. Amarelinha e o Escorregador


4. Carro de boi


5. Bosque.


Do Memorial: de seu acervo

 

       A idéia do Memorial é colocar para visitação pública fotos e  objetos que tenham lembrança ou ligação  com o pessoal da época dos nossos pais e de quando nós éramos meninos.

·        Esses objetos podem ser desde uma roca, um ferro de engomar a  brasa, um chinelo com "solado de pneu", um baú, uma peça de uso pessoal ou da família,  etc. e tal.

·           As fotos, nessa primeira etapa, terão um padrão de tamanho e  de cor. O tamanho é de 20 x 30 cm; em preto e branco.


·           O Memorial será inaugurado no dia 25 de outubro, com as fotos e peças iniciais  que conseguimos dispor  até  5  de outubro. A expectativa é de que com o tempo a população, pelos descendentes do pessoal "daqueles tempos", faça sua adesão com fotos e objetos.

 

Todas as fotos e objetos terão uma etiqueta ou uma plaquinha identificando a pessoa na foto,  bem como identificando a que família pertencendo o objeto  e / ou o nome do doador do objeto.

 

A intenção de montagem do acervo é que dele também façam parte objetos de uso popular, bem como fotos de personagens populares de Ipueiras ("daqueles tempos"). Isso porque acho que para melhor "captar" a Ipueiras daquela época é fascinante que tenha fotos de alguns desses tipos populares, inclusive gente  do Pipoco, como a Carmélia e outros figurantes famosos e / ou tipos do folclore ipueirense.

 

As fotos podem ser individualizadas (uma só pessoa)  ou de um grupo (como de um time de futebol ou vôlei, ou da banda de música, ou de um comício, por exemplo), ou de um evento (procissão, passagem por Ipueiras de N. S. de Fátima, por exemplo).

 

As pessoas que tiverem interesse de tornar familiares - (pais, irmãos, avós) presente no Memorial poderão enviar a foto scanneada  para meu endereço de e-mail frotaneto@bluemail.ch . Ou, caso queiram, podem me emprestar diretamente a própria foto para que eu mande fazer uma cópia, e nesse caso eu mandarei fazer essa cópia no tamanho padrão do Memorial (20 x 30 cm), preto e branco; e, em seguida eu devolverei a foto original.

 

Objetos: roca -  almofada de bilro -  banco de pote de cozinha ou de sala de visita - baú - caneca de flande com cabo longo para alcançar água de pote, e com as beiras tendo "dentes"  para  evitar que se beba direto nela - chinelo de "solado" de pneu - cristaleira - peças que tenham sobrevivido da farmácia do papai como o Emulsão de Scot  e o jacaré de apertar rolha, o quadro de São José, pedra de mármore onde fervia o aparelho de dar injeção, um aparelho de injeção com sua caixa estojo de metal, o grau e o bastão onde eram manipulados alguns remédios, especialmente pomadas - ferro antigo à brasa de passar roupa - fogão a lenha - forma de chumbo de dona Neném do seu Genário  - fotos com molduras típicas e antigas - pinturas, objetos pessoais  - caseiros - artesanais - frisador de cabelos - lamparina - lâmpada petromax antiga - máquina de costura manual - objetos pessoais - palmatória - penteadeira - pilão de madeira (grande) de pilar arroz ou paçoca - tabua de pirulito - quartinha / moringa - relhos, chicotes e outros demais objetos assemelhados - relógio antigo mesmo que sem estar funcionando - roca / fuso (quando vivo, o Sr  Crispim me disse que tinhaconsertado uma para o Memorial) - santuário /  oratório de residência - vitrola manual, de agulha, e outros mais que aparecerem ou forem sugeridos.

 

            Fotos - por ordem alfabética, figuras de Ipueiras (e sempre que o caso, e for possível, com suas esposas): Abidu,  Mocinha - Abílio Sabóia -  Adonias, o sacristão - Afro - Antonio Eufrazino  - Antonio Luciano, Maninha - Antonio Simão (irmão do Dr.. Melquíades e do Elias) - Antonio Terto - Aquiles Perez Mota - Bartolomeu, mãe e irmãs - Bedega - Belém - Carlos Belém (o pai, mãe do Carlos Belém, da Rosinha Belém e da Edilma) -  Bileau (Bilô),  pai da Nina e da Ivone -  botadeira dágua -  Brígida (dona Brígida, mãe da Adelaíde) -  Camaral Moreira - Carica, joalheiro - Carmélia do Pipoco - Catundão, do cartório da Igreja - Cazuza -  Cesário Capeta - Chicaca, botadeira d'água - Chico Lopes - Chico Madeira -  Chico Terto - Chico Tomaz,  o açougueiro Raimundo Tomaz,  e o irmão deles,  Antonio Tomaz, o vigia noturno -  Chicuta –  Gonçalinho, Sebastião, e a irmã - Clovis Catunda - Coça-Coça - Costa Matos, Aldery -    Dão Rodrigues - Dão Rosário - Dão, pai do Abdias mestre de obras - Dario Catunda - De Jesus, os  pais da De Jesus - Delmiro, dona Augusta - Diana (dona Diana) - Doca, dona Medalha  - Doutor do Zaca -Edmundo Medeiros,  dona Edite – Esmeraldo - Esmeraldino - Ester (dona Ester  mãe do Gerardo Mello Mourão) - Estevão Moreira, Anésia - Eurípedes Medeiros - Expedito Catunda, dona Neusa - Fussura (aquele doido cigano) - Gellis Haman, Maria Luiza - Genaro e dona Neném – Gerardo Mello Mourão -Gerôncio Brigido Neto - Gonçalo Ximenes-  Guarani, dona Joaninha - Hermógenes Moreira - Hugo Catunda - Iza Catunda (professora e catequista, tia da Dalinha) - Jeremias -  João Melo - João Miranda, Osvalda - Joaquim Adelino - Joaquim, Gracinha (tia do Titico) - José Aloisio Aragão - José Arimatéia -  José Lima, dona Maria Lima – José Newton (marido da Ivaneuda) - Juarez Catunda, dona Fransquinha - Kideniro Teixeira (Dr. Kideniro) - Laura (catequista) - Liz da Maria Teitei - Luiz  Aragão - Luiz Malaquias, dona Maria - Manezinho (tio Manezinho do Lamarão) - Manoel Moraes (pai do Zé Morais e do Eládio) -  Manoel Mourão, Estudilha, Manuel Dias - Maria Cristina Moreira  (mãe da mamãe) - Maria Fogosa - Maria Saboia (dos correios, mãe da Zélia e do Zé) - Maria Teitei - Maria Tomaz - Mariano (que era enfermeiro, e foi vereador) - Matinho (da Maria Elisa) - Melquíades (Dr. Melquiades) - Mestre Laurindo - Meton (pai da Zeneida, mulher do Oseas) - Mileto, Raquel - Miquilique do Catundão - Miraugusto, Luiza - Moacir  Mourão - Monsenhor Fontenele - Moreira (o chefe dos ciganos que iam às vezes a Ipueiras) - Moura (seu Moura, pai do Oseas) - Mundinho Alves (pai do Ribamar Alves, que alguns chamam de o Oliveira) - Mundo Ricardino - Narciso - Nate do Mestre Zé Gomes - Neném Catunda (do cartório do Sr. Zeca Bento) – Neném Matos, Dona Mundita, dona Luizinha (do Educandário Nossa Senhora da Conceição) - Neton Mourão - Neusa (mãe do Nagib e do Dourado) - Nilson Aragão -      Olavo (da Marfisa) - Osman Aragão, (da Maria Sólon) - Otacilio Mota, dona Totonha - Otilia Sabóia - padre Belarmino - padre Correa - Paiaiz - Pedro Aragão, dona Dolores -  Plínio Moreira, Nilza (acho que era o nome dela) - Pompeu (filho do Sr. Esmeraldino) -  Quincas Moreira, tia Madalena - Raimundo Aragão, dona Gloriosa - Raimundo Moreira, Nonata - Raimundo Mourão (que morava na praça do Cristo) - Ramon (o mágico, e a  filha Liroca) - Raul Catunda - rendeira  - Ribamar Paiva - Romeu Vasconcelos - Rubem Falcão - Saldanha Moreira (da estação) - Sebastião Matos dona Fransquinha - Senhorzinho - Silva, Edite - Silvestre do Sr. Esmeraldino - Simão Costa (pai do Dr. Melquiades) - Simãozinho, Mimosa - Sinhá Catunda - Solon, Beatriz - Telogo - Tim Mourão, dona Netária (dona Maria Andrade) – Tuca, Inês - Tunda - Wencery Felix de Sousa, dona Adaísa - Vicente da Maria José (o mudo de N.S. de Fátima) -Zacarias - Zé Condor -  Zé Gomes (Mestre Zé  Gomes) - Zé Mariano (o da hora de sempre: 10 e 10) - Zé Padeiro  - Zé Pequeno (que faz calçamentos) - Zé Terto - Zé Venuto - Zeca Bento, dona Inezita - Zeca da Lapa - Zeca Rolinha - Zerico - Zezinho Falcão - Zezito Pereira (irmão da Mariinha e do Nenen, e os pais dele) - e mais outras figuras que forem sugeridas, e que sejam personagens típicos da cultura local, como as gentes do Pipoco.

 

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Dê uma olhada no meu site: www.frotaneto.com.br -  Lá  estão meus livros; o que escreveram sobre meus livros: a Fundação; e o Prêmio de Literatura. O mesmo está também em www.frotaneto.com

 

Novo Livro de Frota Neto

 

Do jornalista e escritor Bergson Frota, recebo, via sedex, a obra Deu tudo certo de Frota Neto, sob o título Deu tudo Certo, Rio de Janeiro, Livraria Francisco Alves, 2009.

 

Na folha de rosto, amável dedicatória do livro do tio, Frota Neto, ao amigo. Juntos, fomos crianças em Ipueiras. Em 1955, fomos, os dois, enviados para a Serra dos Órgãos, no distrito de Correas, em Petrópolis.  Depois, Frota Neto deixou o Seminário N. Sra. do Amor Divino, não nos acompanhando, a Mataruna e a mim, para Campinas (SP).

 

A obra, Frota Neto a dedica à esposa, Maria Stela, partícipe do mundo diplomático, ora sediada na Suíça.  Vasta obra literária, de 15 livros publicados, alguns deles encontráveis na Biblioteca dói Congresso dos Estados Unidos, em Washington, e na Biblioteca Pública de Nova York.

 

Em seu currículo, a função de professor universitário, correspondente de diversos jornais brasileiros, tendo ocupado as funções de Secretário de Imprensa da Presidência da República no governo Sarney, Presidente da Radiobrás, além de Presidente da Fundação Centro Brasileiro de Televisão Educativa (FUNTEVê). 

 

Residindo, depois, em Genebra (Suíça), em Washington e em Santiago do Chile e em Paris, vive atualmente na Suiça, em Berna.

 

Na contracapa, um pouco da apresentação:

 

DEU TUDO CERTO, o novo livro do escritor

Frota Neto, nos traz contos onde personagens

Predominantemente femininos, ajustam contas

Consigo mesmo ou com seu passado.

Contos que falam de amor, medo, família e morte.

E sobretudo de vida.

Um livro sensível que certamente envolverá

o leitor até a última linha”

 

O livro (acreditamos) poderá ser adquirido

Na Livraria Francisco Alvez Editora S.A

Praça Mahatma Gandhi, 2/1202 – Cinelância –

Rio de Janeiro (RJ) 20031

Tel.; (21) 2240-7989

falveseditoria@globo.com

 

(Texto de Marcondes Rosa de Sousa)

 

 

 

 

 

O ETERNO REI DO BAIÃO

 

 

Já faz mais de vinte anos

Que o velho Lula morreu.

Da vida dos nordestinos

Nunca desapareceu.

Pois em cada canção

Cantou com o coração

O mundo que ele viveu.

 

E o Rei do Baião vive

Na boca de sua gente.

Tudo que ele gravou

Canta-se no presente.

Foi a voz do retirante,

Dos que estavam distante,

Foi o canto do ausente!

 

Luiz Gonzaga cantou,

Os costumes do sertão

Cantou beatas e santos,

Padre Cícero Romão,

Cantou o povo sua fé

O Santo de Canindé,

Cantou até oração.

 

Cantou também paro o papa

Cantou o cruel Lampião,

Lendas de cangaceiros

Que habitavam o sertão.

Cantou a mulher rendeira

E Sá Marica parteira

Costumes e tradição.

 

Cantou do vate Catulo,

Que no nome tem Paixão,

E digo com toda certeza

Que encantou seu torrão,

Com a mais bela cantiga

Que amor a terra instiga

Chamada Luar do Sertão.

 

Lua mostrou ao Brasil

Nossa nação nordestina.

Falou de chuva e de seca

Contando a nossa sina.

Cantou tristeza e alegria

Dum povo que contagia

Pois a ser forte ensina.

 

Cantou a fauna e a flora.

Do nosso seco sertão.

Mostrou o mundo inteiro

O amor pelo seu chão.

Asa branca contagiou,

E o povo todo cantou,

Este hino ao Sertão.

 

O querido rei caboclo.

Aclamado rei do baião.

Viverá eternamente

Em nossa recordação.

E será eternizado

Pois sempre será lembrado

Por toda nossa nação.

 

Quando o fole da sanfona,

Gemer em qualquer lugar.

E um forró pé-de-serra

O sanfoneiro tocar

Lembrarei de Gonzagão,

O nosso rei do Baião,

Majestade Singular!

 .
Texto Dalinha Catunda



.

 

 

O sol do meu sertão

Dalinha Catunda

O Povo 24/07/2010  

 

 

Quando o sol se esconde,

Carregando o seu clarão.

Bate-me uma saudade

Do sol lá do meu sertão.

Do calor lá do Nordeste

Do céu azul do agreste

Do meu saudoso torrão.

 

Quando o dia amanhece,

Trazendo sua claridade,

Eu me levanto disposta,

Encaro bem a realidade

Pego firme no batente

Até cantarolo contente

Com ares de felicidade.

 

Mas se o céu escurece,

Fecho o tempo também.

Fico um tanto amuada

Enjoada como ninguém.

Pois nasci na terra do sol

Apreciando um arrebol,

Que noutro lugar não tem

 

 

 

 

 

O sapo orgulhoso

 

 

 

Bérgson Frota

 

O Povo - 24/07/2010

          

             Numa mata encantada que costumava a aparecer muitos animais talentosos, surgiu um dia um sapo orgulhoso que queria tornar-se cantor.

 

            Mas pelo orgulho, este sapo era indiferente com os outros animais, e agora tinha a necessidade da ajuda de muitos daqueles que antes desprezava.

 

            A Esperança, aquele pequeno voador verde que comia parte de uma folha próxima ao sapo quis ajudá-lo, e mostrou-lhe que sempre há um caminho através da conversação e quem sabe da amizade para concretizarmos nossos sonhos.

 

            Assim passou a ajudar o sapo orgulhoso a fazer amizade com vários animais da floresta, dos maiores aos menores, conseguindo tirar dele o orgulho que só lhe atrapalhava e nada em sua vida criava.

 

            Aprendeu que seus novos amigos tinham valores, e que seus valores o enriqueceriam se soubesse retribuir com amizade a companhia que eles tinham a lhe oferecer.

 

            Os animais lhe foram cordiais. Todos comprometeram-se de alguma maneira a ajudá-lo.

 

            Os vaga-lumes se encarregaram de iluminar o palco se precisasse, os grilos fariam o acompanhamento com as cigarras e finalmente as borboletas tratariam da decoração do lugar montado pelos outros animais.

 

            O sapo orgulhoso ficou contente e muito agradeceu a todos, mais ainda a esperança.

 

            Agora faria o seu show e teria, não só público garantido, como um belo palco.

 

             O show foi um sucesso.

 

             Logo lançou um CD que muito vendeu na mata. E não havia lugar na floresta por onde andasse que não surgisse alguém a lhe pedir autógrafo.

 

             (Com a Esperança o sapo aprendeu uma grande lição. Sozinhos nada fazemos, com amigos tudo podemos.)

 

 (

 

 

 

Rosa sem cravo

O Povo - 10/07/2010

 

Nasce livre morre escravo,

Quem perdeu a direção.

Sou uma rosa sem cravo.

Não nasci pra ter patrão.

 

Não nasci pra ter patrão.

Não nasci pra ter coleira.

Pois nasci lá no sertão

Tenho alma caatingueira.

 

Tenho alma caatigueira.

E fibra de nordestina

O sol quente na moleira

Não mudou a minha sina.

 

Não mudou a minha sina,

Ensinou-me ser valente,

Sou assim desde menina

Se puder me aguente!

 

Se puder me aguente!

Ou fuja desta peleja.

Não quero ser diferente.

Mas sou forte sertaneja!

 

Mas sou forte Sertaneja!

Que não dispensa paixão.

Quem a minha boca beija,

Ganha o meu coração!

 

Dalinha  Catunda

Jornal do Leitor

 

                                   

 

      O Tempo do Trem em Ipueiras       

 

         

         Circundando montes e cruzando pontes, cuja água abaixo, vindo de várias fontes, inundava os diversos rios. O trem corria, rasgando as verdes matas, quando era inverno.

 

          No verão, era a caatinga que pintava o quadro amarronzado, e verde, as carnaúbas uma e outra, feito pequenos pontos lá longe a parecerem alto oásis, alentando a esperança dos que no trem fitavam a aridez temporária no sertão.

 

          Dentro, em contínuo sacolejar, os passageiros faziam uma viagem que durava um dia.

 

          Vindo de Crateús, o trem chegava à Ipueiras entre quatro às cinco da manhã.

 

           No bairro da Estação, vendedoras de café, bolos, batatas, doces, pamonhas, tapiocas não faltando para esquentar a velha cachaça.

 

          No trem se ouvia músicas de rádios portáteis ou gravadores.  Dormia-se, almoçava-se e enfim muito se conversava. 

 

           Toda viagem era uma rápida expedição a cada cidade, que por já possuir linha férrea era ponto de parada e vista.

 

           Depois de riscar feito uma centopéia mecânica num constante andar barulhento, tanta terra e cidades, entrava em Fortaleza, no amarelado sol das cinco.

 

           Começávamos do trem a divisar longe os arranha-céus. Primeiro o enorme exército de carnaúbas de ambos os lados e finalmente, já com o anoitecer, chegava-se a Estação Ferroviária.

 

           Pedaços de lembranças, narrativas ricas de uma época que não volta mais.

 

          Assim foi o tempo do trem em Ipueiras, tempo este que deixou saudades.                                                                                                          

                                                                                                            

                                                    Bérgson Frota

 

Publicado no O Povo em 12.06.2010

Foto: corneliodigital.com

 

A ponte velha (Bérgson Frota)

21:27 @ 04/07/2010

 

                             A Ponte Velha

 

          

         Lembrar a ponte velha é recordar uma Ipueiras antiga, pois era assim que chamávamos quando garotos, a única ponte na época existente sobre o rio jatobá.

 

         Construída sobre fortes pilares, era estreita, mas era a nossa ponte.  Que no inverno nos ligava ao bairro da Estação para vermos o trem passar e quando o rio enchia, servia de base para os mais simples e perigosos saltos n`água.

 

          Mesmo exaltando seus fortes pilares, que pareciam de rocha pura. A velha ponte não resistiu ao turbilhão de água que, em uma noite de tempestade, em meados da década de oitenta o rio fez descer.

 

          Na época, em compensação, já tínhamos uma outra ponte, nova, mais alta, larga e longa.

 

         No entanto, a ponte que a natureza na sua sanha invernal levou, deixou lembranças.

 

         Foi a ponte que primeiro uniu a cidade repartida pelo jatobá, mesmo sendo um rio sazonal. Era a ponte que rompeu distâncias e impedimentos de transportes, e quando o rio cheio passava por baixo, fazia o doce som da água, quando desafiada em seus domínios, separada em seu leito.

 

         A memória guarda nossas lembranças, e pinta com sentimentos os quadros que guardamos.

 

         Pra muitos hoje, não há como lembrar da ponte velha, por razão de não a terem conhecido. Mas os que dela lembram, certamente jamais a esquecerão.

 

          A ponte velha que antes serviu a muitos passantes, ficou na memória destes, que um dia a cruzaram, e recruzaram, até o dia dela não mais existir.

 

         No seu lugar construíram a Ponte do Idálio, a mais nova e moderna das pontes de Ipueiras e única sobre o jatobá. Ponte esta que nos lembra pelo espaço que hoje ocupa, a velha ponte que da memória não conseguimos apagar.

                                                                                                          

                                                            Bérgson Frota

 

 

        Publicado no O Povo em 03.07.2010

 

 

        Foi numa Quadrilha

 

         

         Já faz tempo, mas o que é o tempo para os sentimentos, que mais vivo que tudo nos faz viver.

 

          Era junho, mês de quadrilha, a mais famosa de todas, a quadrilha de São João.

 

          Lá estava Cristina, a esperar-me para juntos irmos como almas gêmeas àquela festa junina.

 

          O que sentíamos era um êxtase.

 

          Havia uma festa interna em nossos corações, e a alegria externa era pouco para descrever o sentimento do primeiro amor que nós dois sentíamos, do primeiro beijo e da primeira flor, dada numa pureza ingênua, quase santa de início de namoro. 

 

          Dançamos como se para nós fosse aquela festa.

 

          No salão éramos únicos, como se tudo no Universo parasse e só nossas trocas de olhares existissem.

 

          Preservamos o carinho e a atração mútuos em um recôndito só nosso, onde ninguém pudesse entrar ou estar.

  

          Depois daquela festa, no qual meu chapéu de palha e sua saia xadrez ,nos fazia caricatos. Nossos sentimentos cresceram, e frutificaram-se.

 

         Nossa intimidade a esquentar lençóis, e o segredo dela nascido, era uma promessa eterna de silêncio e cumplicidade.

 

         Foi numa quadrilha, muito tempo depois escreveria eu num texto, foi numa quadrilha que encontrei minha primeira namorada. 

 

        Cujo cheiro marcou-me, cujas carícias e beijos não me fizeram-na esquecer, cujas promessas por imaturidade feitas, quebramos mutuamente, mas confesso não foram de todo perdidas.

 

       E no coração, hoje posso afirmar, ainda vive Cristina, como uma lembrança querida. E onde quer que esteja, garanto ainda lembrará também.

 

        Nossas promessas e juras ficaram como resquícios santos e imaturos, que se não nos uniu fisicamente, deixou marcando para sempre na linha de sentimentos em nossos corações a recordação eterna do primeiro amor.

                                                                                                      

                                                                                                                                                              Bérgson Frota

 

 

 

   Publicado no O Povo 26.06.2010

 

   Gravura: blog.educacional.com.br

 

Arco do Triunfo

 

O SANTO MÊS DE MAIO

 

Dalinha Catunda

 

Passei parte do mês de maio no interior do Ceará. Vi com alegria que maio continua sendo um mês santo e dedicado a Virgem Maria apesar das mudanças.

 

Em meus tempos de criança, trajada de anjo, participei das coroações de nossa senhora. Segui as longas procissões que levavam a santa no andor pelas ruas da cidade. Encantava-me com os animados leilões que angariavam fundos para a igreja. E pelo menos uma boneca de pano eu levava para casa após ser arrematada nos leilões.

 

O ritual das novenas, as badaladas do sino chamando os fiéis, os cânticos sagrados entoados por homens e mulheres, o véu na cabeça das mulheres, homens sem chapéu em respeito ao divino e a cidade repleta de pessoas vindas do interior a juntar-se com o povo da cidade. Tudo isso se modificou ao longo dos anos, mas a chama continua viva.

 

Hoje além das novenas na igreja matriz cada comunidade faz também suas novenas. A Santa é conduzida pelos grupos católicos, as humildes casas que são singelamente enfeitadas com flores e toalhas brancas e num altar improvisado é rezado o terço na presença da imagem da Virgem Santíssima. Assim, de casa em casa, a santa segue em sua peregrinação alimentando este ato religioso.

 

O Arco de Nossa Senhora, em Ipueiras, continua sendo um dos lugares onde, durante todo o mês de maio, reza-se o terço ao ar livre às seis horas da tarde.

 

Dalinha Catunda [dalinhaac@gmail.com]

 

 

 

 

 

                             Mãe, minha heroína

 

       

          Hoje, vendo-te numa foto que o tempo congelou, vi que estavas placidamente sorridente e bela, como sempre te achei.

 

         Que coisa boa é a fotografia.

 

         Podemos rememorar o dia e o semblante de quem amamos sem nos preocuparmos com os anos. Até mesmo adivinhar os sonhos que aquele  rosto no momento secretamente ocultava.

 

         Não, não gosto dos que muito apreciam relembrar ou fitar seus pais em fotos cuja luz e alegria parecem tê-los abandonados e não um sorriso, mas uma tristeza ali se estampa.

 

         A velhice é santa e nobre, mas nem todos a idolatram.

 

         Na foto, minha mãe. Ente tão querido, hoje viúva, reflete para nós, os filhos, uma força e alegria que nunca imaginávamos ter.

 

         Em todas as áreas, talvez expressando a força concedida por Deus ao feminino, ela demonstra para conosco uma fortaleza que a faz uma heroína.

 

         O dia é dela e de todas as mães, das nossas santas mulheres, cujo amor geraram e criaram seus frutos.

 

         O mundo sempre teve amores, alegrias e dores. A mãe, em sua figura milenar, sempre uniu estas três qualidades e certamente as consubstanciou no chamado “amor materno”.

 

         Saúdo neste dia a todas as mães: casadas, solteiras, viúvas, jovens e maduras, pobres e ricas. Como se houvesse num sentido mais profundo a condição indefinida de “mãe pobre”.

 

         Ser mãe é guardar consigo um grande tesouro.

 

         Benditas e solicitas, desde aquelas que com esforço criam e sustentam os filhos, àquelas cujos filhos já grandes e deficientes chamam-nas na urgência, como se chamassem a um ser de descrição humana tão grande, cujos limites do amor não têm fronteiras.

 

         Saúdo a todas as mães, repito, e em especial a Ruth Frota, mãe querida, fonte de grande amor, estima, coragem e exemplo.

 

         Que neste dia, o dia em que festejamos as mães, todas possam ser lembradas e tocadas no seu íntimo, como presenças terrenas do Deus que se fez mais próximo para expressar na terra, o mais puro e elevado amor às suas criaturas.

 

         A todas as mães um feliz e abençoado dia.

        

        Bérgson Frota

 

 

                  Publicado no O Povo em 08.05.2010

 

 

 

 

 

 

 

Dia da Sogra (Dalinha Catunda)

13:42 @ 28/04/2010

DIA DA SOGRA

 

 *

A sogra quando é boa,

É feito um favo de mel.

Porém sendo rabugenta

Amarga mais do que fel.

Mas sogra não é parente

Atuando como aderente,

Cada uma tem seu papel.

 *

Vinte oito de abril,

É dedicado a sogra.

A sua é uma santa?

Ou parece uma cobra?

Deixe aqui neste espaço

Seu protesto ou abraço.

Pra quem odeia ou adora.
*
Dalinha Catunda

 

 

 

PERDI MEU TREM!

 

*

Às vezes me bate saudades

Das coisas do meu sertão.

Do tempo que já passou

Mas ficou na recordação.

O velho trem que passava

E eu sempre me encantava

Com sua movimentação.

 

*

Seu Gonçalo Ximenes,

Dos Ximenes Aragão.

Chegava uniformizado,

Era o chefe da estação.

Era agente ferroviário,

Que cuidava do horário,

E o meu avô do coração.

 

*

Ainda hoje está de pé,

A estação de Ipueiras.

Porém já não se encontra

As famosas cafezeiras.

Já partiram para o além

Mas ainda lembro bem,

É da Maria Capoeira.

 

*

Era no velho quiosque

Que hoje está diferente,

Que da chuva e do sol,

Abrigava muita gente.

E quando o trem surgia

O povo eufórico corria.

Numa alegria inocente.

 

*

Os trilhos ainda estão lá,

Cortando o meu sertão,

Dormentes espalhados,

Por toda aquela região.

Mas só passa o cargueiro,

Pois o trem de passageiro,

Hoje é mera recordação.

 

*

Minha saudade é tamanha,

Que não sei nem calcular.

E quando um trem apita,

Chego a me transportar.

Viajo lá pro meu sertão!

Revejo a minha estação!

Sem ver o meu trem passar...

 

*

Texto e imagem de:

 Dalinha Catunda

30 de abril,

 dia do Ferroviário

 

 

 

 

Homenagem

Fortaleza, minha metrópole de luz

 

Bérgson Frota
O Povo - 17 Abr 2010

 (Jornal do Leitor)

 

Fortaleza, minha metrópole de luz

 

Terra da luz imaculada pelo sol que te banha e pela lua que te faz mais bela, pérola de todo cearense que te deixou, mas sempre regressa, tu és Fortaleza, neste teu aniversário a mais bela cidade do mundo, pois o sentimento brota do coração e como eu cearense negar que sejas tu e não outra a mais bela cidade do mundo?

 

À noite tu nos lembra o céu sem lua.

 

Todo iluminado por estrelas, teus edifícios e torres parecem árvores natalinas a piscar permanentes.

 

Tuas praias brilhantes e naturais colhem a espuma dos vagalhões como um beijo de gratidão do mar, do verde mar que tanto te ama e encanta quem o ver.

 

No teu aniversário terra de Alencar e de Rachel, longe nas brumas do imaginário os tabajaras cantam teu nascimento na melodia tribal como a dizer ser teu berço

 

Como não te amar com tuas tão belas e naturais paisagens.

 

Recebe dos cearenses a homenagem do teu aniversário, pois o coração de todo Moacir bate em uníssono este festejo.


   Parabéns,  Cidade Maravilhosa.

 

Parabéns, minha bela e grandiosa Fortaleza.




 

 

Dalinha Catunda

 

MEU JEITO AGRESTE

.

 

Não nasci de sete meses,

Não sou mulher assustada.

Nunca fui guia de cego

Mas sou bem desaforada.

O meu nome é Dalinha,

Outro melhor não tinha

Para eu ser retratada.

.

Não sou de dizer amém

Cabeça não sei baixar.

Tenho nariz empinado

Não sou de me rebaixar.

Tenho cabelos na venta

Meu pirão é com pimenta

Que arde de transpirar.

.

Nasci no meu Ceará

O meu chão é Ipueiras.

Adoro o meu Nordeste.

Sou da ala das guerreiras.

Preservo meu ar agreste,

Já peguei cabra da peste,

E nele botei coleiras.

.

Quem quiser me seguir

Que acompanhe meu passo.

Nem devagar nem ligeiro,

Pois tenho o meu compasso.

Aprendi lá no sertão,

A pisar em qualquer chão

Nem fico nem ultrapasso.

.

Sou abelha Dalinha,

Doce e de amargar.

Se hoje oferto mel

Também posso ferroar.

Meu mel e meu ferrão,

Conforme a situação

Sou obrigada a usar.

.

Gosto de ser instintiva

Não queira me adestrar.

Este meu jeito agreste

Trouxe do meu Ceará.

Tenho lá minha doçura

Mas só mostro ternura

Se de fato me encantar.

 

 

 

Uma Páscoa mais espiritualizada

 

         

 A Páscoa é um período de grande festejo para os cristãos. Durante uma semana rememoramos a vida, morte e ressurreição de Cristo.

 

          Como toda comemoração, existe junto hoje uma comercialização muito grande da data, fato que desvirtua um pouco o espírito da mesma, e o lucro muito prepondera sobre a religião.

                   

          Façamos nós uma Páscoa mais espiritualizada, uma Páscoa mais mística, relembrando os ensinamentos de Cristo e os praticando.

 

         O Salvador que veio para nos libertar deixou-nos seu exemplo de vida, deixou ensinamentos e esperança, normas santas e aplicáveis, cabe a nós pôr em prática estas dádivas espirituais e tornar nosso mundo melhor.  

 

         Amor e caridade, fé, perdão e esperança.

 

         Daquela cruz há dois mil anos atrás, em suas últimas palavras ele disse: Pai perdoai-lhes pois não sabem o que fazem.

 

         Lembremos e saudemos com o coração esta frase que ecoa forte até hoje, e conscientes tornemo-nos menos comercial e mais espiritual esta data que acima de tudo nos atesta uma futura  redenção e ressurreição para toda humanidade.

 

         Que a morada do Pai esteja aberta a todos, e que ricos e pobres, pecadores ou não, possam um dia herdá-la.

 

         Jesus ressuscitou.

 

         Uma feliz Páscoa para todos.

                                                                                                          

         Bérgson Frota

         O Povo 03.04.2010

 

 

Renato Bonfim Medeiros

 

 

O BRASIL AINDA TEM JEITO

 

       Estamos vivendo um momento de crise, de muita corrupção, crimes, assaltos, insegurança e de muita falta de vergonha, das autoridades que dirigem o Brasil. Achamos que este gigantesco país ainda tem jeito, desde que muitas providencias sejam tomadas com urgência e seriedade.

 

Teremos que fazer uma nova Constituição, cuja elaboração restasse somente ao encargo primacial de um grupo de juristas notáveis, representantes de classes empresariais, de aposentados, de professores, de políticos, de mulheres, de trabalhadores, do clero, de entidades de classe, enfim, de um grande grupo que representasse a população de modo geral.

 

A nova Constituição assim elaborada deveria conter como arcabouço os seguintes princípios: Proibição de reeleição em todos os níveis. Só poderia se candidatar quem tivesse um curso superior, para forçar alguns políticos a estudar.  Diminuição do número de Deputados, Vereadores e Senadores. Acabar com o pagamento de passagens aéreas para deputados federais e senadores, além do auxilio moradia. Vedação de colocação de out-door de publicidade eleitoral. Proibição de programas previamente gravados pela TV, prevalecendo à programação ao vivo, com duração, apenas, de trinta minutos pelo prazo de trinta dias, antes das eleições.

 

 A Câmara Federal, quando a sede do governo Federal era no Rio de Janeiro, os parlamentares pagavam suas passagens e hospedagem. Assim, só iriam se candidatar quem realmente quisesse servir ao povo brasileiro, e não em beneficio próprio. Haver, no mínimo, sete a dez partidos políticos. Voltar à fidelidade partidária. Quem mudar de partido ou deixar de cumprir a orientação partidária perderia seu mandato.

 

Alterar a maioridade penal para 15 anos, visto que, depois que foi aprovado o Estatuto do Menor, a violência aumentou muito, devido à impunidade do menor infrator. Construir, em cada Estado, duas penitenciarias agrícolas, de segurança máxima, longe da capital, sem televisão e sem telefone celular, para que os presos pudessem trabalhar e se manter com os rendimentos do seu próprio trabalho, reeducando-se para poderem voltar à vida social, devidamente corrigido.

 

Modificar a nossa JUSTIÇA, em todos os seus graus. Na abertura de qualquer processo, deveria haver, de principio, um prazo estimado para ser concluído, visto que as partes têm prazos e a Justiça não tem tempo determinado para julgar. Hoje em dia, temos processos que levam mais de 20 anos para a sua conclusão. Os prazos devem ser estabelecidos para todos as partes, advogados e também pelos Juízes e Desembargadores. No modelo atual o réu sempre é o prejudicado pela grande demora, devido ao grande volume de processos e os incontáveis recursos apelativos para estâncias superiores.

 

Se uma nova Constituição contiver todos estes e mais alguns importantes detalhes, rapidamente o Brasil será uma potencia mundial, porque temos todos os requisitos para crescer, com educação, trabalho, honestidade e sem corrupção.

 

Renato Bonfim Medeiros – Av. Dom Luis, 73/801 – Fortaleza-Ce 9981.1438 – 3087.6071- 2l.03.2009

Ident. 153990 SSPCe. renatobonfim@secrel.com.br  - Assinante de O Povo desde 1965.

 

Gerardo, Frota e Dalinha, em brinde

 

UMA CADEIRA CATIVA

PARA GERARDO MELLO MOURÃO

 

 

Dalinha Catunda

 

Parece que foi ontem... Mas já se foram três anos.

 

Em nove de março de 2007, Ipueiras ficava órfã de seu mais polêmico e ilustre filho: Gerardo Mello Mourão.

 

            “Gerardo foi: Jornalista, poeta e escritor. Era membro da Academia Brasileira de Filosofia, da Academia Brasileira de Hogiologia e do Conselho Nacional de Política Cultural do Ministério da Cultura do Brasil. Era um dos escritores mais respeitados no exterior”.

 

            Infelizmente, Gerardo, ainda não foi devidamente reconhecido em Ipueiras, cidade que ele carregou com carinho, na cabeça, no coração e em seus escritos.

 

            Foi grande falando de sua aldeia, mas sua aldeia não crescera o suficiente para reconhecer a magnitude deste ícone ipueirense.

 

            Eu não conheci Gerardo de ouvir falar. Freqüentei sua casa e conversávamos, não como o mestre e a sua aprendiz, falávamos como dois retirantes nordestinos querendo palestrar.

 

            Eu ficava encantada com sua grande cultura e sua ainda maior, simplicidade.

 

            Tive a grata satisfação em receber Gerardo Mello Mourão, num evento cultural realizado em minha chácara na cidade de Ipueiras.

 

            Entre amigos, parentes e políticos, o poeta saboreava comidas típicas como: baião-de-dois, paçoca de pilão, intercalados por uma cachacinha da terra. Era clara sua satisfação.

 

            Na hora da saída, após os agradecimentos, Gerardo chamou-me reservadamente e disse-me: “Dalinha, estou indo e carregando a cadeira que sentei” E assim o fez.

 

            Logo que voltei ao Rio de Janeiro, ele telefonou-me: “Dalinha, Venha visitar-me e ver sua cadeira”.

 

            Fui. Qual não foi minha surpresa ao ser reapresentada a minha pobre cadeira, matuta, feita de pau e couro. Estava toda envernizada, enfeitadas com tachas, ocupando um lugar de respeito em sua sala de visitas.

 

            Hoje queria registrar minhas saudades e o prazer indizível que foi participar de um naco da vida de Gerardo Mello Mourão que certamente terá cadeira cativa em meu coração.

 

 

 

 

Minha professora

 

Bergson Frota –

O Povo - 13 Mar 2010

 

 

Certa noite, na faculdade de Filosofia, depois da aula de metodologia, desci para o terraço do Centro de Humanidades (Uece), sentei-me embaixo de uma grande árvore e passei a lembrar de alguém muito especial, Alice Alves, minha professora de português em Ipueiras.



Sentia que algo na aula que acabara de assistir me lembrava sua imagem e não tardei a descobrir.


A professora Alice ou dona Alice como a chamávamos era rigorosa e competente, em ensinar e no que ensinava, mas também humana e compreensível.
No período em que com ela estudei, confesso que fui domado por sua marcante personalidade e conhecimento.



Conjugar verbos, Deus, que esforço quando ela só nos dava o nome do tempo. Vezes sem conta pedia-lhe que me dissesse só a primeira pessoa do singular e o resto eu declinaria sem erro. Ela sorria e dizia - Assim seria muito fácil, Bérgson.



O que dizer da análise sintática, achava eu erroneamente um ``inferno``, no entanto peço-lhe hoje desculpa, mas só ao ter noções de latim na faculdade é que vim a perceber a importância do que naquela época achava a coisa mais desnecessária a aprender em português.


É dona Alice, minha querida mestra, nós alunos levamos consigo o que aprendemos e também guardamos com saudade as lembranças dos caros professores, todos responsáveis por nossa trilha que continuou e ainda continua.



Nem sempre podemos olhar para trás e agradecer a todos, mas naquele colégio, Otacílio Mota, comecei a receber as caras e preciosas instruções da educação metodológica.



Estamos hoje professora longe só fisicamente, mas perto em sentimento.



Queria agradecer-lhe em especial neste texto sua compreensão, dedicação e acima de tudo, seu compromisso em passar com responsabilidade e maestria um pouco do muito de seu saber.



Um atencioso e grato obrigado.

 

 

 

 

RAINHA DO CANGAÇO

 

Dalinha Catunda

.
Maria Déa nasceu

No dia oito de março,

Não era igual às outras,

E um dia sem embaraço,

Juntou-se a Lampião,

E foi viver no cangaço.

.

Virou Maria Bonita,

Parceira de Lampião

Deixou a vida pacata

Para viver sua paixão

Entregou-se a Virgulino

Sem medo seu coração.

.

Saiu pelas caatingas

Fazendo vadiação.

Era mulher corajosa,

Usava arma na mão.

Foi rainha do cangaço,

Seu rei era lampião.

.

Em meio à violência,

Teve fim aquele amor.

Lampião foi alvejado

Num combate de horror,

Tantos tiros pipocaram

Que o lampião apagou.

.

Maria vendo a desgraça,

Correu para socorrer.

Mas também foi baleada

E acabou por morrer,

Nos braços de lampião

Seu eterno bem-querer.

.

Virgulino e seu bando

Tiveram um triste final

Após a morte, degolados

Num macabro ritual

E o fim de Maria Bonita,

Não deixou de ser igual.

.

Salve Maria Bonita,

E sua cumplicidade.

Mulher de atitude

Buscando felicidade.

Amou e foi amada,

Apesar da brutalidade.


 

 

 

CIDADE QUE ME SEDUZ

Dalinha Catunda


Cidade tão magnífica,

De incontáveis encantos,

Tua formosura natural

Inspira todos os cantos.

Da boca dos trovadores

Receberás os louvores,

Tu és fonte de encantos.

 

No alto do corcovado

Magnânimo nas alturas,

Com seu amplo abraço,

Em forma de escultura,

Destaca-se o criador

Nosso Cristo Redentor

Rei de todas as criaturas.

 

No cimo do Pão de Açúcar,

Encanta qualquer olhar

O Bondinho que trafega,

Passando pra lá e pra cá

Levando ledos turistas

Mostrando a bela vista,

Que é mesmo espetacular.

 

O Futebol nem se fala...

É um espetáculo a parte.

O desempenho da torcida

Traz um cenário de arte.

Só sei que é mesmo bonito

Ver a torcida com seu grito

Ecoando por toda parte.

 

Terra de gente bonita,

Da beleza bronzeada.

Terra bem hospitaleira,

Terra de gente animada.

Terra do bom Carnaval

O Rio é um cartão postal

Que me deixa arrebatada.

 

A violência que existe,

Não é privilégio carioca.

Em toda grande cidade,

A violência faz sua toca.

Vivo há muito nesta cidade,

E com muita felicidade

Aqui fiz minha maloca

 

 

 

 

Súplica de um rio

 

         Quando nasci já faz tanto tempo, que nem lembro mais. Tudo às minhas márgens era verde. Cheias de matas altas e árvores troncosas que arriavam os braços para molhar-se na minha água barrenta e rápida. Enquanto seus outros galhos mais altos balançavam-se ao sabor do vento constante.

 

         Descia eu orgulhoso refletindo a luz do sol ou da lua quando esta aparecia. Serpenteando naquela terra só minha, fazendo várias coroas e redemoinhos, levando troncos.

 

         Tudo era meu, tudo era eu.

 

         Quando caía a chuva, e milhões de pingos desciam no meu leito, eu levantava meu nível e entrava no canavial fazendo ser uma parte verde de meu leito. Deixando quando saía uma lodosa terra.

 

         Então vieram os homens, e lá na parte mais alta, construíram uma ponte que de tanto tentar, demorei mas acabei por levar.

 

         Deram-me como punição duas novas pontes, altas, fortes e de muita base.

 

         Mostraram sua força tirando terra e mais terra do meu leito. Cavando inúmeras cacimbas que mais pareciam crateras.

 

         Jogaram nas minhas margens lixo, desviaram para mim esgotos, e finalmente de tanto me açorearem mudei, e com isso modifiquei todo o terreno próximo.

 

         Perdi as árvores companheiras de margem e o pouco da vegetação nativa quer havia sobrado.

 

        Já seco e desesperado eu, um rio, peço cá meu último pedido.

 

        Permitam-me uma fonte perene de água, criem nas minhas nascentes açudes que me garantam água o ano todo, deixem que ela corra livre novamente pelo meu caminho, essa foi a única coisa que sempre desejei.

 

        De um rio que agoniza.

        Assina Jatobá,

                                                                                              Ipueiras-CE

          

                                                                                            Bérgson Frota

 

 

                                  Publicado no O Povo em 30.01.2010

                                       

                                                                   

                        Os Órfãos da Idade

 

 

               No ritmo alucinante de vida que se vive hoje nas grandes cidades, onde o contato humano se dá quase sempre numa superficialidade não tão necessária mas já característica, assiste-se silenciosamente o drama dos idosos oriundos do interior.

 

               Trazidos pelos filhos, sofrem no novo ambiente com a insegurança e as parcas opções de lazer. Daí perderem eles importantes pontos de identidade e referência com que se guiaram na maior parte de suas vidas.

 

               O primeiro é a moradia, em geral apartamentos. Um estilo de vida que os faz sentir saudosos da importante convivência com os vizinhos que tinham.

 

               O elevador transforma-se num espaço em que muitos se vêm diariamente e passam a “conhecer-se”, e deste modo frio de relacionamento, não generalizando, acabam identificados por fim pelos números de suas novas residências.

 

 

                Longe da amizade mais próxima se fitam silenciosos, até findarem-se os “eternos” segundos que os levam à portaria ou ao seu andar quando se está de regresso.

 

               A rotina que antes se fazia ao percorrer as pracinhas, ir às missas e conversar com amigos transforma-se em viagens constante a médicos e esporádicas visitas dos filhos aos domingos, estes quando aparecem, mas mesmo a presença constante destes, não impede com que os pais já idosos se tornem o que poderíamos chamar de “órfãos da idade”.

 

               Dependentes de cuidados, muitos calam diante das contrariedades que lhes são impostas, envergonham-se de pedir o que para eles seria o lícito, mas já de forma inconsciente se consideram aos filhos um estorvo, quando assim não deveria ser.

 

               Não se trata de acusar os filhos de insensíveis, mas alertá-los que muitas vezes em tirá-los do seu recanto interiorano, onde ficaram os velhos amigos e histórias para serem lembradas e nestas lembranças buscadas e revividas criam neles um desamparo psíquico quando não uma grande falta de perspectiva.

 

               É necessário nestas decisões familiares muito pensar e dar espaço aos pais para manifestarem-se, pois em muitos casos a frieza da vida de um grande centro urbano é mais sentida e mais cruel para o idoso do que a  temida solidão interiorana que se busca evitar.                       

                                                                                                  

 

                                             Bérgson Frota

 

 

               Publicado no O Povo em 13.02.2010

               Foto : magusfaber.wordpress.com

 

 

 

 

O Nordeste amanhã

 

Marcondes Rosa de Sousa

O Povo - 22 Fev 2010

 

 

Pela web, sondam-me sobre ``chapa puro sangue`` da social democracia para as eleições a presidente. E o sentimento a me acudir é o da nordestinidade, maior cá entre nós, diz-nos Roberto Freire. Isso me faz voltar aos anos 80 quando para cá trouxemos Celso Furtado a nos falar, na UFC, das perspectivas para a região, e após retorno para lastrear os ``ideais do CIC`` em seu ``projeto das mudanças``.

 

Palestra à mão, alguns tópicos rápidos a me chamar a atenção: ``Um dos motivos da criação da Sudene foi dotar a região de um instrumento que lhe permitisse participar eficazmente dos centros formuladores da política econômica e financeira do País. Essa, a razão por que o seu superintendente era membro de pleno direito, em meu tempo, daquilo que hoje se chama o Conselho Monetário Nacional``.

 

Sobre as secas: ``Nada é mais importante para o desenvolvimento do Nordeste do que o aumento da resistência da região aos efeitos das secas (...), parte da realidade nordestina, como as neves perenes são parte do mundo dos esquimós``.

 

Sobre o desenvolvimento: ``O que caracteriza o desenvolvimento é o projeto social subjacente. Quando o projeto social dá prioridade dá efetiva melhoria das condições de vida da maioria da população, o crescimento se metamorfoseia em desenvolvimento``.

 

Da conclusão da palestra, pinçamos: ``À Sudene deveriam ser restituídas suas prerrogativas originais de órgão que assessora o Presidente da República e o Congresso Nacional no mais alto nível`` (...) deixaremos de ser vistos com complacência e (...) cumprir nossa missão na obra histórica de reconstrução que
temos pela frente.

 

Sugestão: que os eventuais candidatos tenham contato com o Centro Internacional Celso Furtado: (www.centrocelsofurtado.org.br), onde perspectivas para o Nordeste hoje se aduzirão. É nossa esperança.

 

MARCONDES ROSA

Professor da UFC e Uece



 

 

Mãos Paternas (Bergson Frota)

15:23 @ 21/12/2009

 

 

Mãos Paternas

         

         No começo ainda distante vêm-me a lembrança. E lá estava ele, a chamar-me, estirando o braço e dando-me a mão para que juntos, de calção de banho, fôssemos ver a cheia na ponte do rio que naquela manhã chuvosa inundava parte da cidade, e eu medroso apertei-a como um porto seguro e criando coragem fui.

 

         Depois suas mãos guiavam-me na já antiga máquina de datilografia, corrigia-me, mostrava-me os acentos, como marcar e separar parágrafos, por fim a colocar a fita bicolor vermelha e preta, coisa que não demorei a aprender.

 

        Corria o tempo e nos quinze anos, seu aperto de mão a parabenizar-me, e um relógio que sonhava ganhar. Suas mãos a conformar-me batendo nas costas de forma branda ensinando paciência quando eu muito precisava.

 

        Suas mãos levantadas ao alto, agitadas a orgulhar-me, quando discursava nos palanques eleitorais, festivos ou para alguém homenagear. Suas mãos generosas no que sempre precisei, a cuidar para que nada me faltasse.

 

        Suas mãos agora necessitadas das minhas no seu já frágil e incerto andar. Suas mãos meu Pai, inertes e frias deitadas a descansar para sempre, e só no meu coração sentia sem poder chorar, frias, sem movimento.

 

       Não as toquei, olhava doído na alma seu partido, e vezes sem conta naquela noite triste e mais longa até agora na minha vida, muito mais que seu rosto eu as fitei.

 

      Mãos tão queridas, instrumentos abençoados do seu coração.

 

      Bergson Frota

      Publicado no O Povo em 19.12.2009

                                     

 

     

A Filosofia e os Filósofos

 

          A Filosofia como carreira a seguir no campo docente é uma escolha merecedora de todo mérito que infelizmente uma parte da sociedade hodierna procura marginalizar por conviver com um conceito superficial do que vem a ser de fato o filosofar, sua função e a função dos filósofos para a transformação da sociedade que não nos nega sua dinâmica.

 

          Cabe à filosofia o papel questionador indispensável ao desenvolvimento em qualquer área de conhecimento.

 

          Ser filósofo não é discutir “o sexo dos anjos”.

 

          A função do filósofo é questionar, dentro de parâmetros lógicos, o modo de ser de um fenômeno e o por quê desse modo de ser.

 

          Na realidade, a filosofia é a base de toda ciência. É nela que estão inseridos os instrumentos primários da observação, pesquisa e conclusão de qualquer obra do pensar humano.

 

          Os filósofos questionam uma realidade que parece estática, mas permanece em constante mutação.

 

          Nesta concepção, encontram os meios para dirigir o processo evolutivo de uma ordem posta como finalizada e estática.

 

          Ser filósofo é não aceitar um dado antes de pôr sobre ele os instrumentos lógicos de que o raciocínio nos capacitou. É apreciar o fenômeno dado de forma detalhada e segura, para só assim passar da hipótese à tese.

 

          A filosofia deve ser respeitada como a ciência mater, pois seu surgimento foi o produto dos primeiros questionamentos humanos em sua tentativa de romper com o mito escravizador.

 

          Na alegoria da caverna, um trecho célebre do livro “A República”, de Platão, é narrado o processo sofrido pelo homem para alcançar o saber verdadeiro.

 

          É um processo árduo em que poucos se aventuram, uns por comodismo outros por medo, mas que recompensa de forma grandiosa aos destemidos que finalizam sua meta.

 

          A filosofia enriquece e valoriza o homem por utilizar como instrumentos as capacidades cognoscentes latentes no raciocinar.

 

          A filosofia é humanista, é produto da mente humana e companheira eterna de sua existência enquanto espécie.

 

          O grau de desinformação desta ciência no âmbito popular é notório, porém deve-se deixar claro que o ato de questionar, norma primeira do filosofar, é extremamente válido em qualquer área, para que se busque a verdade do que se procura e, sempre que se questiona, sem perceber, filosofa-se.

 

          Eis uma forma simples de entender o que é a Filosofia.

                                                                                                          

                                                                                                               Bérgson Frota

                         Publicado no O Povo em 28.11.2009