Grupos

Sugestão patriótica

 

Helder Sabóia

 

 

 

             A propósito da propalada reforma política, veio-nos à lembrança brilhante artigo do Dr.Luis Cruz Vasconcelos, ex-lente da Faculdade de Direito da UFC, publicado, já há algum tempo na mídia local, onde o articulista, no contexto de suas reflexões sobre as incertezas em que vivemos ante as  flagrantes desigualdades sociais, decorrentes das nossas arcaicas estruturas sócio-econômicas, entende, como forma de corrigir essas distorções, que  “..uma das primeiras reformas a ser feita deveria recair sobre o atual Congresso Nacional, que devia adotar o sistema cameral único, com apenas uma Câmara de Deputados, na qual teriam assento um número limitado de representantes do povo.

 

            O número de deputados não poderia exceder a 50 e quanto à representação dos Estados e Territórios, um deputado, por Estado e Território. O mandato seria gratuito, recebendo,cada um, apenas o necessário para o transporte e o custeio das despesas de estadia, quando em exercício” A economia resultante dessa mudança, ressalta,  “.passaria a constituir um fundo especial destinado a medidas de caráter social, em benefício da pobreza.”, finaliza, perguntando: “Estarei sonhando?”.

 

            Ao concordarmos, in tótum, com o pensamento do mestre, respondemos, à época, ao seu auspicioso devaneio, escrevendo: “Admitindo que o sonho de V.Sa. se transmude, um dia, em realidade, todos nós, cidadãos brasileiros, estaríamos de parabéns, pois os representantes do povo, nos parlamentos da Nação, lá estariam, movidos, tão só e unicamente, por idealismo o que lhes daria inconteste legitimidade para exercer, à plenitude, o múnus público a eles conferido pelos eleitores”.

 

            Voltamos ao assunto, desta feita, à vista do artigo do conterrâneo Renato Bonfim Medeiros, intitulado, “Ainda tem jeito”, publicado no jornal  O POVO, de 11.07.07, onde sugere, em linhas gerais, elaborar nova Constituição em cujo texto contivessem cláusulas restringindo as regalias dos parlamentares, além de outras limitações no âmbito da legislação eleitoral. Propõe, paralelamente, a redução da maioridade penal, daí derivando para alterações na área recursal do processo civil, buscando maior eficiência no âmbito da prestação jurisdicional, tudo visando combater a corrupção e a ineficiência da atuação do Estado com vistas à promoção do desejado desenvolvimento sócio-econômico da Nação Brasileira.

 

            Louvável a preocupação do amigo. Embora não sejamos especialista na matéria, entendemos, salvo melhor juízo, que as pretensões externadas poderiam ser materializadas por leis ordinárias ou por leis complementares à Constituição cuja iniciativa cabe, também, aos cidadãos na forma prevista no Art.61 da Carta Magna. Alguns constitucionalistas defendem a convocação de uma Assembléia Nacional Constituinte exclusiva para moldar um novo sistema político.

 

            Não temos qualquer pretensão de polemizar sobre a melhor técnica legislativa para viabilizar tais sugestões, mas, sim, buscar vias alternativas para tornar mais célere sua implementação. Alia-se a esse pensamento a grande imprensa brasileira, valendo destacar, a título de ilustração, o que escreveu Roberto Pompeu de Toledo, ensaísta da revista Veja, quando, na edição de 04.07.07, comentando sobre os últimos acontecimentos envolvendo o presidente do Senado, sentencia, finalizando o texto,  que lhe cumpria “o doloroso dever de informar que o Congresso Nacional faliu”.

 

            Parabéns, Renato. Continuemos nessa luta para o “bem de todos e felicidade geral da Nação”, exclamação ufanista de D. Pedro I, aqui invocada para reforçar a amplitude nacionalista de suas idéias.

 

 

        

        

         Amigos de Ipueiras,

 

        Em primeiro lugar eu pediria ao nosso coordenador Braga, sabendo da estima que ele tem por nosso amigo Tadeu, que abrisse um espaço para seu Zeca Bento, no "Site". Seu Zeca é um legitimo representante de nossa cidade e certamente deixará o site mais nobre.

 

        O nosso Zeca Bento, 1º Tabelião – Escrivão, Oficial de Registro Civil de Nascimento, Casamento e Óbito de IPUEIRAS, se vivo estivesse, faria agora no dia 17 de setembro 100 anos do seu nascimento. Em 19 de novembro próximo são completados 20 anos de sua morte. Sabendo da figura importante que foi seu Zeca para nossa Ipueiras, repasso aos Ipueirenses que gostam de prestigiar nossa terra, um pequeno histórico deste homem que  tanto amou e se dedicou a sua cidade.

       

        Meu abraço a todos,

        Dalinha Aragão

 

 

ZECA BENTO,

BOM EXEMPLO

A SEUS HERDEIROS

 

        A Terra, parte do Universo em que seus habitantes vivem suas existências através de expiação e de provas, recebeu há 100 anos um habitante para morar que, enquanto aqui viveu, foi conhecido por Zeca Bento.  Ipueiras foi a cidade que o acolheu, tendo nela vivido desde o nascimento, em 17 de setembro de 1905 até 19 de novembro de 1985, quando desencarnou.  Filho caçula do casal Coronel José Bento de Oliveira Fontenele e de Inocência Catunda Fontenele, teve como irmãos: Raimundo Catunda Fontenele, Raul Catunda Fontenele, Hugo Catunda Fontenele, Dario Catunda Fontenele e Mileto Catunda Fontenele – tendo todos constituído família em Ipueiras, alargando assim a descendência da família que casou-se em dezembro de 1936 com a professora Ineizita Ribeiro Bessa, hoje vivem 12 filhos, 26 netos e 13 bisnetos.

 

   Zeca Bento foi Tabelião, Escrivão e Oficial do Registro Civil de Ipueiras.  Identificou-se muito bem com os conterrâneos pela maneira simples e descontraída como levou sua vida, ora no convívio do lar com D. Ineizita e os 12 filhos, ora no Cartório Bento Filho, que era um local de encontro dos ipueirenses onde se sabia do que estava acontecendo na cidade e no mundo, pois ali era lida, semanalmente, a revista O Cruzeiro ou nos dias que o trem vinha de Fortaleza chegavam os jornais da Capital.  Naquela descontração também se falava da “vida alheia” ao ponto de o local (o cartório) ficar sempre com bastante gente, pois as pessoas ficavam receosas de sair para não ser alvo das línguas ferinas dos que ficavam.

 

    

                Zeca Bento também era homem de preces.  Rezava breves orações ao acordar, antes das refeições e, à noitinha, puxava o terço com toda a família, além de, no final da tarde, quando do retorno do trabalho, uma passadinha na igreja para participar da bênção das 6 horas – a missa do ângelus.  O costume da prece se estendeu bem aos seus herdeiros, apoiados nos ensinamentos cristãos do “pedi e obtereis, buscai e achareis”.

 

        E foi assim, nesta sua passagem na Terra, que Zeca Bento deixou bons exemplos para seus herdeiros, que já se constituem na 3ª geração, manifestação também enfatizada pelo amor que dedicou a Ipueiras e que, pela estima que teve de todos os seus diletos conterrâneos, só deu motivo para que seus familiares dediquem e continuem amando esta querida cidade.

 

 

 

Uva a plantar

vinhedos entre nós

 

Marcondes Rosa de Sousa

15. Out 2006

 

Recordo. Fevereiro de 1996. No Fórum da Modernidade, as universidades cearenses e o Conselho de Educação do Ceará discutiam, com os protagonistas de nossa sociedade e a professora Eunice Durham, “a responsabilidade das universidades para com o desenvolvimento sustentável”.  E o sentimento não era outro. O desenvolvimento haveria que sustentar-se na “inclusão social”, que haveria de ter, por via segura e expressa, uma continuada educação. E o primeiro passo, no Ceará, seria, seguindo o lema “uma escola é o que são seus professores”, capacitar seus docentes.

 

Nesse afã, as universidades cearenses se deram as mãos, passando por cima dos minifundiários tratados-de-Tordesilhas, numa autêntica “operação de guerra”, o que as fez esquecer até seus medievais limites de “sede”.  Nesse afã, a Universidade Vale do Acaraú (a UVA) foi transpondo inicial vale, a plantar seu vinhedo, para além do Acaraú, por todo o Estado, e em regiões outras do País e no exterior até.

 

                   Foi nessa “operação de guerra” que ela chegou ao “vale do Jatobá”, em Ipueiras, a terra das “águas retiradas”. Isso, em julho de 1997. De lá para cá, deu grau a 453 concludentes de cursos de graduação (a maioria professor), plantou pós-graduação lato sensu e hoje abriga, em suas classes, 386 alunos.

 

                   Agora, como todas as instituições de ensino do Ceará (as de iniciativa social, inclusive), sob provocação da Secretaria de Ciência e Tecnologia, repensa-se ela em tons de uma política de educação superior, discutindo com os “protagonistas dos atores sociais”, ação mais larga e durável, em clima de “rede” e de “teia”.  O Ceará se redesenha em regiões (pela ação do Instituto de Pesquisa do Ceará – IPECE), irmanadas em suas potencialidades e necessidades com vistas ao sonhado “desenvolvimento sustentável”, a ter por escopo a “inclusão social”.  Sob essa ótica, Ipueiras é o chão das “águas retiradas”,  por onde correm as episódicas águas do Jatobá. É o semi-árido das macambiras. Mas é também o úmido das serras (no caso, a Ibiapaba), com largo potencial econômico, cultural e turístico. E, sobretudo, o celeiro da cultura, do capital humano enfim. E é função da universidade, com seu ensino, sua pesquisa e extensão, redesenhar o real e o imaginário de uma caminhada conjunta.

 

       Dentro desse espírito, já programado em gradual “Conferência Estadual de Educação Superior”, a UVA procura parceiros, entre os “atores sociais”. E, em Ipueiras, celebra convênio com o Instituto Frota Neto, numa ação em conjunto no campo da educação e da cultura. Com isso, de alguma forma, volta-se ela, com mais acuidade, a seu chão, em seu entorno “mais perto”: o do “vale do Acaraú”, espraiado ao de seus afluentes, onde se situa o Jatobá. Em Ipueiras, os “atores sociais” se reúnem, é a esperança, num verdadeiro “pacto social” de Rousseau, a educação a divisar necessidades, caminhos e sonhos. A Uva projeta braços atuantes em seu ensino, sua pesquisa e sua extensão. Seu reitor, José Teodoro Soares, tem essa visão. E, no caso da extensão, por muitos anos, tem a experiência, no País, do Projeto Rondon, a ação mais atuante em "responsabilidade social" de nossa extensão.

Filho adotivo, desde infante, de Ipueiras, alegro-me com esse pacto. Do morro mais alto da Cidade, vejo o Cristo da Caatinga a contemplar nossos campos rumo à bica do Ipu, onde (conta Alencar) banhava-se Iracema, a tabajara “virgem dos lábios de mel”, correndo, com seu “pé grácil e nu”, as “matas do Ipu", mapeando o Ceará em hospitalidades, desenhando nossa cultura e turismo, como a nos mostrar nossa riqueza não explorada e a nos indagar, aves de arribação a migrar, a conclusão do romance alencarino, a nós, feitos Moacir, “o filho da dor”.  “Seria a predestinação de uma raça”?.

 

Nossa esperança é que apostemos em Pero Vaz de Caminha: a terra é fértil, “nela, em se plantando, tudo dá”.  Dará, no Vale do Jatobá, alimentador do Acaraú. Nas macambiras semi-áridas. Na úmida “Serra dos Cocos”, por onde se sobe para a Matriz de São Gonçalo, anfitriã da Ibiapaba.  “Vinhedos" em tal região, rica em cultura, brotarão com certeza. E aos que, muitos, de lá emigramos para outras terras, talvez respondamos como “filhos da dor” alimentados pela educação, à angustiante pergunta com que nos instiga Alencar. Ela, a educação, com certeza, a arrancar do chão e de nossas almas as alavancas, nos responderá: ela própria será o caminho para a geração do capital humano, móvel da inclusão social.

É nossa esperança-certeza!

Marcondes Rosa de Sousa é professor da Universidade Federal do Ceará e da Universidade Estadual do Ceará, e ex-presidente do Conselho de Educação do Ceará

 

 

 

Em louvor à Minha Terra

 

 

                                            Jeremias Catunda

 

 

        Embora com o mesmo aspecto físico que as cidades do interior apresentam, Ipueiras tem qualquer coisa que a difere das demais comunas do nosso sertão.

 

        A cavaleiro da soberba cordilheira da Ibiapaba, que vista da cidade parece uma imensa fita azul a ondular no poente, salpicada de esguias palmeiras, os crepúsculos chegam sempre mais cedo, porque a sombra da serra desce por sobre o casario multicor como um grande véu plúmbeo.

 

        Cercada de morros que no inverno vestem-se de um verde-claro, quase gaio, antes das chuvas passarem já começam as jitiranas a soltar as flores violáceas, cobrindo com os pau-d´arcos toda a ramagem,  que se torna matizada, apresentando um colorido exuberante, digno de uma tela. É num desses morros, o mais alto que orla o sul de minha terra, que está plantada a figura meiga do Cristo Redentor. De braços abertos, o olhar fino daquele que perscruta o interior das almas, parece a num longo e carinhoso amplexo de amizade, juntar a terra e o seu povo.

 

        Visitante nenhum foi até hoje ao cimo da colina, de onde a imagem do Filho de Nazaré olha a cidade, que não tivesse uma frase de exclamação, uma palavra de elogio ao monumento, ao panorama deslumbrante que não cansa nunca os olhos.

 

        A cidade é vista de todos os seus ângulos. Lá para o leste está o açude, aquele mesmo açude que me viu menino, de baladeira no encalço de jaçanãs e mergulhões, correndo na parede atrás do pássaro chumbado, ou descendo para represa onde os coqueiros e as enormes mangueiras oferecem um clima de oásis.

 

        O chafariz que do alto mais se assemelha a um monumento do tempo de Mausolo, fica postado numa das principais entradas da cidade. É lá que a alma do povo humilde de minha terra, grita as suas necessidades e chora o seu abandono.

 

        O Arco de Fátima, o mais belo marco da área urbana, se ergue na rua Gal. Sampaio e é bem o símbolo, o atestado da fé transbordante do ipueirense. Lá, quer nas horas quentes do sol a pino ou quando o grande astro já se vai dobrando por sobre a Ibiapaba, tem sempre alguém com os joelhos na terra, implorando uma graça à Virgem da Iria.

 

        A Escola Normal Rural, edifício vigoroso do ensino de Ipueiras, enfeita com os seus dois vistosos pavimentos a Praça da Bandeira. É lá onde a nova geração está encontrando no amanho dos livros o caminho das ciências.

 

        Um ligeiro salto passamos por sobre à avenida Getúlio Vargas, o coração da cidade, onde o society se reúne nos dias de festas e em que cada banco de cimento é um confessionário de amor. Nas noites de lua, quando a soberba rainha do espaço gira no alto, os violões sentidos, choram mágoas de romances fracassados, que a história só a velha praça conhece.

 

        A Prefeitura ali bem perto, dorme com a sua galeria de edis o sono de Prometeu!?

 

        Bem no centro da grande praça está a igreja; com sua esguia torre para o alto, parece nos apontar o caminho de Deus. Tudo nos fala de um tempo, de álacres noitaros, das matinais alvoradas quando a santa padroeira é festejada em dezembro!

 

        E vamos chegando ao velho rio Jatobá, à ponte, ah rio da saudade, das pescarias, dos banhos, cada curva que ele dá é um relicário do passado e são tantas as suas curvas! Como nos lembra uma infância feliz e longínqua!

 

        O carnaubal de minha terra é o mais belo do mundo! À tarde em cada carnaubeira canta uma graúna. Quando a sombra da terra vai chegando, a grande orquestra inicia das copas soberbas e virentes a mais maviosa canção que já se ouviu: é a canção da saudade. Lembrá-la é rever minha terra, é escutá-la nos seus sussurros de amor.

 

        É assim a minha terra: não há poeta que lhe diga a grandeza, não há descrição que lhe conte os encantos!!!

 

                                                                                      

(Crônica publicada no jornal O Estado em agosto de 1959)

(Foto : Site oficial da cidade de Ipueiras)

 

 

 

A VISÃO DE PROJETO

E O PODER DE RESINA

(OU DE JUNTAR OS CACOS

 

Marcondes Rosa de Sousa

09. jan, 2006

 

               

                Algumas explicações “a posteriori”, ilustrando a entrevista “Segunda independência”, da última Isto É, com Sérgio Machado, ex-senador pelo Ceará e ora à frente da Transpetro.

 

            Ontem, sábado, ele me telefonou. Indagou-me se havia lido sua entrevista. Respondi-lhe que a Isto É sempre me chega atrasada, já na segunda-feira, ao contrário de Veja, que avisa com antecedência e liturgicamente está em minha pessoal caixa postal, em casa...

 

            Hoje, cedo, novo telefonema. Desta feita, já a havia lido. E lhe falei de minha literal “vibração” com o tom e sentimento da entrevista. Ele me pediu recolhesse, dentre os de meu círculo (intelectuais sobretudo) as reações. E a divulgação a priori no “Ethos-Paidéia” tem esse sentido: o de provocar um amplo debate sobre o Brasil. É que a Revista foi muito feliz. Apresentou um histórico de vida de Sérgio todo ligado a uma pauta a mirar ... “um projeto”. Assim, ainda infante ao lado de Juscelino. Partícipe das lutas estudantis, nos fechados anos 70. Apóstolo fervoroso dos que, entre muitos (Tasso, Beni, Ciro, Amarílio Macedo) sonhavam com o “acabar com a miséria e o clientlismo”, no Ceará e na Região Nordestina..

 

            Aí, conheci o grupo. E foi a circunstância histórica de aqui trazer Celso Furtado para debater os caminhos da nordestinidade, que me aproximaram do Grupo.

 

            Aos poucos, muitos os chamados e poucos os escolhidos, foi fazendo tal grupo dispersar-se. E um dia, em Brasília, Sérgio (ainda na alta direção do PSDB) um grupo “paulista” forçava por querer minha vaga na alta direção do PSDB. Disse a Sérgio que concordasse. Afinal, um “sudestino” ficaria melhor que um “nordestino”. Sérgio, como tantos outros, foram se dispersando no grupo inicial das “mudanças”.  E um dia, eu próprio vi que os postos iram sendo ocupados por pessoas da factual política. E a frase de Tasso – disse isso a ele – doía-me: “No PSDB, passou a era dos intelectuais. Agora, é a vez dos políticos e dos gestores”. Tudo como se, aos intelectuais, faltasse o tato dos “políticos” e a ação dos “gestores”. Brincando, disse a Tasso que, em São Paulo, havia eu dito que a frase não era referência a FHC, Serra e, ao mesmo tempo, a Minas e Ceará. Mas a mim. Ele se riu. 

 

            Foi aí que disse do artigo que me ia à cabeça: a solidariedade dos banhos de rio da infância, na “grandiloqüência das cheias”. Depois, a solidão crescentes das poças e poços e das cacimbas cercadas pela miséria. O movimento das mudanças, enfim, retornado ao solitário monólogo “monólogo coletivo”. Foi aí que um técnico em marketing me disse: “Mude o final do artigo” – eu me sentia um Y-Juca Pirama, com seu “Meninos eu vi!”. O técnico me disse: “Alguém pode mudar esse final, trazendo todos, do solitário monólogo coletivo para a “grandiloqüência das cheias”. E eu, curioso, perguntei: “Quem?” E ele: “O senhor! Comece por refazer a amizade de Tasso com Sérgio e com Ciro?”

 

            Balancei a cabeça: “Impossível”. Mandei um recado para Sérgio. Ele topou conversar. Antes, porém, conversaria comigo. Depois, encontrei Tasso. Quando lhe falei, ele foi categórico: “Já nos encontramos a conversamos sobre o tema”. Para encurtar a conversa, um dia, falando sobre o plano da Transpetro, Sérgio gastou não mais que seis minutos falando o quanto o Nordeste e o Ceará, onde todo o movimento se iniciou, havia ficado para trás do País. Aí, o apelo pela união de todos em função de um projeto.

 

            Sob essa perspectiva, de projeto “complexo e plural”, o que implica em pluripartidarismo, é que gostaria que víssemos a entrevista de Sérgio.

 

            Nossas intenções, no Ceará, caminham em tal rumo, mesmo sabendo do clima que, pessoalmente, está a navegar por “coisas miúdas” (disse Tasso), dando ênfase a “notas de rodapé” (Sérgio), não conseguindo nem mesmo discutir a transposição de bacias. Desse clima, falou-nos o próprio Lula: “O Ceará precisa se unir”.

 

            De alguma forma, entre nós, predomina um refrão de Sérgio, que sempre escutei: “Onde não existe ideologia e projeto, brota a fisiologia”. É o que vemos.

 

            Aí, pois, a entrevista. E, por trás dela, o apelo à união. União do “complexo e plural”. O que todos (em reunião, no Centro Industrial do Ceará) concordaram. Embora, entre cochichos, tenha eu escutado daqui e dali: “Mas você sabe que, entre todos esses, quem mais ter a condições de ser governador ... sou eu!”

 

            A resposta: De início, o projeto. No fundo, o que talvez a Rede Globo, com a novela e, agora, a Isto é, com a reportagem de capa, tentando desvendar o que se passa no inconsciente coletivo do brasileiro. Ou ainda a frase com que o próprio Sérgio tentou desfazer meus preconceitos para com o presidente da Venezuela, Hugo Chavez: “Mas se engana você. Ele, diferente até de nós, tem ... “um projeto”. Nessa consciência de um projeto estaria a comunicação de Chavez com seu povo...

 

            Aberta, pois, de forma plural (aqui, no Ceará, e alhures), a discussão.

 

            Cordial abraço,

            Marcondes Rosa

 

 

Grandiloqüência das cheias

 

 

Marcondes Rosa

O Povo -28 de Dez. 2005

                                         


        

         Valeu o alerta! O Ceará perdia-se, sem projeto, nas ''coisas miúdas''. A siderúrgica, sonho histórico, (re)uniu-nos. Nesse clima, a autocrítica, sem o apontar de ''culpados'', a nos rever a educação: a) avanços quantitativos, sim; b) pecados, porém, em qualidade, nas muitas ''escolas indignas''; c) olhos ao chão, míopes de horizontes - imediato (o trabalho) e estratégico (capital social e humano, e inclusão social).



         É o que colho das discussões sobre nossa educação. Autocrítica maior, a miopia em mirar nosso porto: a) ''analfabetos funcionais'', a atingir 42%, em nossas escolas; b) muitas dessas, insuladas de seu entorno, em autismo corporativo e clientelista; c) pífia oferta de educação superior, em 24º lugar nos 27 estados; d) incômodos bolsões de ''extremamente pobres'', sem a dignidade do ''comerás o pão com o suor do teu rosto''...



         Em Juazeiro, observo atores sociais ''em teia'' a pensar educação (com ênfase na superior) rumo a um porto. Ouço alguém lúcido: ''Em terra pobre de recursos naturais, onde até a água é escassa, maior bem nos seria criatividade e tato humanos. Indústria agora é mais que chaminé''. E, dando o tom, o elencar potencialidades nossas para o turismo e a pauta para repensá-lo na ampla teia de seus atores (políticos, educacionais, empresariais, sociais). Hélio Barros, comprometido secretário ali presente, anotou a proposta.



         Do Cariri, onde Parmênides (o permanente) e Heráclito (o mutável) se abraçam, voltei com a lição de João Cabral, o poeta, a nos ver, no Ceará, como se rios na dialética dos leitos secos e das cheias: solitários poços desenfrasados, no estio, mas a recobrar latente ''sintaxe'', na ''grandiloqüência das cheias''. E, com ela, a função do combate à seca. Mas qual Moacir, de Alencar, o migrante ''filho da dor'', a ter de irrigar terras outras. Lá fora!...



MARCONDES ROSA DE SOUSA é professor da Universidade Federal do Ceará (UFC) e da Universidade Estadual do Ceará (Uece). Escreve quinzenalmente.

 

 

 

 

 

 

 

 

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\clip_image001.gif" o:title="avw">ÁGUAS RETIRADAS

(Em tom de prefácio)

 

 

Marcondes Rosa

15 de março. 2005

 

 

        Amanhã, estarei divulgando junto a vocês artigo que hoje enviei, para a Página “Opinião” do Jornal “O Povo”, de Fortaleza (Ce), sob o título “Águas retiradas”. Espero que ele não ceda, no Jornal, lugar a matéria tida por mais importante.

 

        Na verdade, é o contraponto de preocupação crescente, tocada por um grupo de “intelectuais, políticos e empresários” no Ceará.  E essa preocupação vem em defesa dos interesses mais amplos, suprapartidários, de uma “agenda plural e coletiva” de nossa terra. Meus últimos artigos estão nessa linha.

 

        É que a nós assiste-nos uma constatação: nunca foram tantos (e tão expressivos) os nomes de cearenses a brilhar na constelação nacional. Mas nunca, em contrapartida, os interesses do Ceará foram tão desprezados. Razão? A preocupação de cada um com o “seu pedaço” e, em última análise, sua eleição e fatia de poder.

 

        Junto à opinião pública, resolvemos reacender as pautas comuns: a Refinaria, a Transposição do São Francisco, a interligação das bacias, os caminhos das águas, as “estradas todas” a nos levar à inclusão social e ao sustentável desenvolvimento.

 

          Na conversa pessoa-a-pessoa e nas reuniões coletivas, estamos tendo êxito. Nos jornais e meios de comunicação, nossa mensagem está tendo repercussão. As adesões estão sendo espontâneas. E as preocupações com as candidaturas iminentes estão se colocando em segundo plano.

 

          Nessa linha, peguei de “carta” que nosso conterrâneo Renato Bonfim enviou para o Jornal “O Povo”. Pincei-a para o Ipueiras Grupos. Tadeu, em comentário, no desenho dos “caminhos das águas” tocou na questão do “Lontras”. Ao Lontras, associou-se o Cupira. E pedi a Dr. Cláudio Ferreira Lima, que, comigo participa do grupo inicial na questão maior, e lhe pedi para verificar a situação do Lontras e (se for o caso) do Cupira. O mesmo assunto, ao me encontrar com Eudoro Santana, dirigente maior do DNOCS, toquei com ele.

 

          As respostas, vocês viram. No caso do Lontras é projeto antigo, em fase final, à espera apenas de “vontade e decisão política”. Do “Cupira”, não temos maiores informações, coisa que espero dos ligados à administração municipal, de quem esperamos envolvimento.

 

          Resolvi aproveitar meus curtos (mas, graças a Deus, lidos) espaços de exatos 1.600 caracteres (incluídos os espaços em branco) na Página “Opinião”, espaço a mim concedido quinzenalmente quarta sim quarta não. Nessa linha, tentei reproduzir a questão aqui discutida. Claro que com recursos literários, aproveitando alguns comentários que, do Grupo, colhi por e-mails e telefonemas pessoais.

 

           Não o envio agora por questão de ética e pacto com o Jornal: só realizar a divulgação em outro meio, uma feita publicado, fazendo a referência ao Jornal.

 

           Por enquanto, gostaria só de avisar que o assunto enquadra-se em dimensão mais ampla. E meu intuito é abrir caminhos para que Ipueiras não se desenhe como “águas retiradas” quando se retraça o São Francisco, numa nova sintaxe do “caminho das águas” e da interligação de bacias.

 

           Sei que muitos, em Ipueiras (as autoridades sobretudo), ainda não entraram nos tempos da Internet. E não sabem como o local pode ser ajudado pelo global. Aqui, repito, meu interesse vai acima de qualquer interesse mais prosaico ou projeção pessoal. Meu interesse é apenas ajudar.

 

           Até amanhã, quando, no Grupo Ethos-Paidéia, que, coordeno, e neste Grupo, estarei divulgando o “Águas retiradas”. E gostaria de redespertar Renato, Tadeu, Erivelton, Simone, Dalinha, Braga, Simone e dos demais – personagens importantes, todos, para que nossa saga vá além. Importante um contacto mais estreito entre os que, em Ipueiras (na administração pública e na sociedade), podem engrossar as fileiras em torno dos interesses comuns. Nessas fileiras, as diversas tendências não hão de se opor. Mas, ao contrário, de somar-se.

 

                  

 

           

***

       

        Clique, para ter acesso ao citado artigo:

        Águas retiradas (Marcondes Rosa de Sousa)

 

 

 

 

NUS, O REI E NÓS!...

 

 

Marcondes Rosa de Sousa

16. Março, 2005

 

 

Aí, afinal e já divulgado, o prometido artigo, espécie de reportagem de nossos papos, em nossa virtual “pracinha”, a ter o desprendido Braga por zelador.

 

A idéia nasceu de rápido encontro que, no Iguatemi, tivemos, ao acaso, Demócrito e Vânia Dummar, do Jornal “O Povo”, e eu, ocasião em que tecemos comentários sobre reunião, no Jornal, a ter, por temática, o atual conceito de “regionalidade”, no contexto do nacional e do local, caindo enfim sobre a necessidade de melhor estudarmos a tensão global/local.

 

Vânia, que, na Fiec, ocupa-se dos programas ligados à “responsabilidade social”, chamava-nos a atenção para a importância do “local”.  E eu ressaltava, sobretudo ao pensar sobre a situação de esquecimento de nossas populações interioranas, a necessidade de pormos em close up os dramas e especificidades locais, num contraponto com o global a dar a esses dramas as mãos.

 

Confesso-lhes. Nunca um artigo me foi parto tão doloroso. Sobretudo pelo exíguo espaço de que dispunha.  Mas não posso reclamar. Afinal, aí estão Ipueiras, o “sítio” e a “pracinha”, mais uma vez, projetados no jornal de maior tiragem do Ceará. Nossos dramas e sonhos, na Página “Opinião”, coração desse periódico, no artigo central da secção, onde dizem, caem com mais intensidade os olhares... Além disso, divulgado na Web: www.opovo.com.br, acessável em todo o Planeta.

 

Como se isso não bastasse, fiz dele a divulgação em três grupos de discussão: a) o “Ethos-Paidéia”, que coordeno e do qual participam, em todo o País, interessados nas questões da educação (escolar e social): pessoas instituições; b) a “Além da Visão” que reúne, coordenada pelo Prof. Saulo César Silva (SP), com gente de toda a América Latina; c) neste “Grupo Ipueiras”, onde se reúnem os “amigos de Ipueiras”: os lá residentes, os retirados de suas águas, os a estas ligados pelos laços do afeto.

 

Além disso, vali-me de minha pessoal “lista de endereços eletrônicos” (políticos, educadores, empresários), muita gente a se espalhar pelos “quatro cantos do mundo”, no dizer do poeta popular, por “Oropa, França e Bahia”...

 

A todos, minhas desculpas, se a exigüidade de espaço obrigou-me a corte de cenas, personagens omitidos. Se, por outro lado, quem sabe, espargi confidências e dramas locais por aí afora. Mas é que, em tempos globais, tudo é transparente. Estamos todos, como na fábula, nus. Não apenas o rei.

 

Fraternal abraço,

Marcondes Rosa de Sousa

Fortaleza

 

 

 

 

 

 

FESTA DOS 122 ANOS DE IPUEIRAS

 

Tadeu Fontenele  

4 nov. 2005

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            Depois de recuperar-me de todo o esforço desprendido para garantir a participação no jogo que reinaugurou o Medeirão e após a regularização do Velox, estamos de volta.

 

            Ipueiras estava efervescente: eventos a todo instante. Chegamos a tempo para conferir a inauguração da sede própria do Instituto Frota Neto – Biblioteca Dario Catunda Fontenele. Emocionante para todos a concretização do sonho do nosso querido Frota Neto. Depois participamos do jogo inaugural. O restante foi sentir mais de perto o calor humano, revendo amigos e familiares.

 

            As fotos já estão no ipueiras.ce.gov.br. Renato Bonfim foi o autor do primeiro gol. A turma que foi daqui - Zequinha Bento, Renato Bonfim,Tadeu Fontenele e Armando Fontenele -  participou bem e como diríamos no nosso tempo de jogávamos lá: não perdemos nem ganhamos, empatemos.

 

            Jogamos ao lado do Fury, nosso grande goleiro, de Lutim  Malaquias e seu filho Elton, do Antonio Lotero, do Jonas, do Divórcio, do Zé Antonio, do Manezão, do Tadeu da Estação O jogo foi 1 X 1 e com muitos