Grupos

 

 

 

 

Cidade monarca

 

Marcondes Rosa de Sousa,

Professor

  O Povo - 18/02/2004

 

O global, por ironia, nos traz, em seu bojo, o local. É o que sinto quando, ao navegar pela Internet, aporto nos territórios virtuais, e ancoro, por fim, na Agência Polígono, do jornalista Frota Neto, onde o Nordeste e o mundo se fazem notícia. Ali se estampa a legenda: “Ipueiras no mapa do mundo”. Quem diria! A terra de onde, então crianças (Frota e eu), partimos rumo ao Sudeste, hoje plantada em uma “www”! Meu irmão, Walmir Rosa de Sousa, não se contém: “Só isso: www.ipueiras.com? Nem ‘br”? Monarca, esta cidade”!

 

Adentro tal “sítio”. O “Corcovado da Caatinga” aponta-nos as paisagens: o Jatobá dos nossos banhos, os açudes e as macambiras, a serra úmida.  Talentos e vultos da terra. Os populares tipos e suas estórias. A versão up grade, enfim, da “pracinha” de outrora, onde ipueirenses, vindos de todo o mundo, põem os papos em dia: (ipueiras@grupos.com.br). Reencontros, abraços, gerações em diálogo. Passado e presente, passados a limpo. E o projeto: todos um dia sob o abrigo da inclusão social. Esta, a pauta de Francisco Braga Barbosa, zelador do “sítio” e da “praça”, a nos contar sua saga: Anos 70. O pai, semi-analfabeto, na enxada de sol a sol. À frente, o sonho de ver “doutores” os filhos, sob o desdém do patrão: “Estudo não ficou para filho de pobre. Caneta de pobre é cabo de enxada ou machado”.

 

Hoje, o antigo patrão lamenta: nenhum de seus filhos tem as condições que os do empregado de outrora. Nesse tom, histórias muitas, marcadas pelo ritmo da “triste partida”, do “só deixo o meu Cariri, no último pau-de-arara” e do “amanhã, se der o carneiro, vou-me embora p’ro Rio de Janeiro (...) e vou voltar em videotapes e revistas coloridas”...

 

Contam-nos que, num cybercafé e em escolas, jovens passeiam pela Web, em Ipueiras, feita ícone de “revolução cultural possível”, pelos rincões do Ceará e do País. Daí, a euforia: “cidade monarca!”

 

      Marcondes Rosa de Sousa é professor da Universidade Federal do Ceará e da Universidade Estadual do Ceará, e  membro do Instituto Teotônio Vilella/Ce.  

  

	 Amigos de Ipueiras,
 
	O Dia Internacional da Mulher se aproxima.
	E eu escolhi Simone, que faz parte de nosso grupo,
	como homenageada.
	
	Por que Simone?
	Por que ela não ficou, pelos cantos,
	chorando suas mágoas.
	Vítima de um erro médico,
	que paralisou suas pernas,
	mesmo assim, tocou sua vida.
	Soube preservar seu casamento.
	Gerou mais um filho.
	Trabalha.
	E, mais do que isso, 
	carrega um sorriso no rosto,
	que só possui
	quem  não tem dores no coração.
 
	 Salve Simone, 
	bela representante da vida!
	
	(Nessa homenagem,
	tive a ajuda de meu amigo
	Marcondes Rosa,
	que deu seu jeitinho especial ,
	na foto e no texto,
	a ele, agradeço o carinho)
 
	Um abraço a todos,
	Dalinha
 
 
 
 

 

Guerreira Mulher.jpg

Você Sabe Ler????? Veajm

 

 

 

 

 

Você Sabe Ler?

 

 

Veajm como é intreessnate nsoso céerbro.

 

De aorcdo com uma pqsieusa de uma uinrvesriddae ignlsea, não ipomtra em qaul odrem as lrteas de uma plravaa etãso, a úncia csioa iprotmatne é que a piremria e utmlia lrteas etejasm no lgaur crteo. O rseto pdoe ser uma bçguana ttaol que vcoê pdoe anida ler sem pobrlmea. Itso é poqru e nós não lmeos cdaa lrtea isladoa, mas a plravaa cmoo um tdoo. Sohw de bloa! Enetdeu? sem pobrlmea. Itso é poqru e nós não lmeos cdaa lrtea isladoa, mas a plravaa cmoo um tdoo. Sohw de bloa! Enetdeu? -- Rodrigo Poveron

 como é intreessnate nsoso céerbro: De aorcdo com uma pqsieusa de uma

A Praça Vazia (18.05.05)

18:40 @ 15/03/2006

 

A PRAÇA VAZIA

 

Já estava acostumado! Chegava e encontrava a nossa praça, com seus ilustres freqüentadores devidamente acomodados e num papo animado. O nosso Causídico e Professor Marcondes, juntamente com nossa musa Dalinha, faziam as honras da praças. Eram os xerifes, ou melhor, como os gênios do futebol. A bola sempre chegava aos seus pés e eles a distribuíam redondinha para os demais da equipe. E os gols saiam naturalmente.

        

Esta semana, tenho observado que o nosso time está um pouco cabisbaixo. O nosso técnico um anda pouco afastado. Os nossos craques, bem, estes eu não sei se foram tentados com alguma proposta dos grandes times europeus. O certo é que a nossa praça, ao que parece, anda um pouco desmotivada.

 

Gente, não vamos deixar a peteca cair, vamos manter as chamas da nossa praça sempre acesa.

 

Contamos com você...

 

Muito bem, após esta balançada, esperamos que caiam mangas, cajus, abacates, laranjas e tudo mais...

 

Grande abraço a todos,

 

Raimundo Nonato de S. Lima

 

 

***

 

 

“A gente entra na roda

Diz um verso bem bonito,

Dá adeus e vai embora”

 

 

Pois é, Nonato. E você nem se deu conta. Você chegou. Espantou. Eu mesmo, olhos de professor, vi logo que você era bom de bola. E dos que não apenas se exibem nos grandes estádios. Gosta também de um futebolzinho de areia e até dessas peladas que a gente vê hoje espremidas nos bairros.

 

O time foi se formando, a bola por vezes caída em meio de campo, habilmente direcionada por você. Aí, o time fortaleceu-se: Dalinha, Tadeu, Walmir e as nossas "saias de plantão", como quer Dalinha, enriquecidas pela presença das que de fora, sobretudo, mais pintaram no pedaço que as arraigadas em nossas "retiradas águas".  Os papos se diversificaram, assumindo tons de enriquecimento...

 

Depois, as mortes últimas. As saudades. A lembrança dos que, da "velha geração" ainda restam!

 

Meu Deus, Renato me lembrava, antes da morte de "Seu" Edmundo, que poucos haviam ficado. Na listagem, esqueci-me do "Seu Dolar". Coisas da vida. Sou quase vizinho do Zé Dolar. Sempre me encontro com ele no Shopping Iguatemi. O velho Dolar está lúcido, mais de 90, em pé ...

 

Pois é! O importante é que, como a "pracinha" antiga (no meu tempo, a gente a chamava de "avenida") foi recebendo gente nova. O passado -  se evocava - também pedia reportagens de nosso conturbado presente e, sobretudo, algo de um esperado futuro.

 

O fato de a gente não estar todo o tempo papeando não significa dizer que estejamos ausentes. É meu caso.

 

Observo. Deixo até que as coisas andem. E é bom que assim seja. Pode ser até que a gente ocupando sempre o espaço - em vez de estimular a participação, termine até por inibi-la.

 

Isso, nos anos 70, aconteceu comigo. Criávamos no Ceará a Rádio Universitária. No Rio, alguém da Rádio Jornal do Brasil me aconselhava a criar um espaço de crônicas para os nossos à época 1300 professores. Fui fazer uma experiência e "dar o tom". Fiquei, por anos, sozinho. E hoje guardo mais de 8.000 dessas crônicas.

 

Pois é, Nonato. Você sempre presente. Aqui e ali, nós outros, temos os nossos problemas. E quando o papo está quente, bom, gostoso  - a gente (como eu) fica até feliz. Se o assunto morre, não tenha medo. A gente entra na roda e, como na ciranda, "diz um verso bem bonito, dá adeus e vai embora".

 

E assim caminham as coisas.

 

Parabéns pela "moderação ad hoc" (sem que você nem mesmo perceba).

 

Um abraço,

Marcondes Rosa de Sousa

 

 

 

 

 

 

RITO DE PASSAGEM

(Dalinha Aragão Catunda)

 

Vaqueiro bom de montaria.

Ela, uma rês vadia,

Solta no agreste sertão.

 

Vivendo na mira do laço,

Um dia, sem embaraço,

Será lançada ao chão.

 

Bezerra quase novilha,

Cevada -  que maravilha –

Chegara a ocasião.

 

O hábil vaqueiro ciente

De que é hora de ferro quente,

Marca a novilha então.

 

(Em tom de tributo)

 

A Catunda (Tereza Mourão)

14:53 @ 16/03/2006

 
 

 
 
Sempre é bom pensar nas palavras do CHICO.
Ele nos lembra  nossa condição humana de FILHOS de DEUS,
 em busca da PERFEIÇÃO.
 
Beijos
Tereza Mourão
 
 
NASCESTE NO LAR QUE PRECISAVAS,
 
Nasceste no lar que precisavas,
Vestiste o corpo físico que merecias,
Moras onde melhor
 
Deus te proporcionou, de acordo com teu adiantamento.
Possuis os recursos financeiros coerentes com as tuas necessidades, nem mais, nem menos, mas o justo para as tuas lutas terrenas.
 
Teu ambiente de trabalho é o que elegeste espontaneamente para a tua realização. Teus parentes, amigos são as almas que atraíste, com tua própria afinidade.Portanto, teu destino está constantemente sobre teu controle.
 
Tu escolhes, recolhes, eleges, atrais, buscas, expulsas, modificas tudo aquilo que te rodeia a existência. Teus pensamentos e vontades são a chave de teus atos e atitudes... São as fontes de atração e repulsão na tua jornada vivência.
 
Não reclames nem te faças de vítima.
Antes de tudo, analisa e observa.
A mudança está em tuas mãos.
Reprograme tua meta, busque o bem e viverás melhor.
 
“Embora ninguém possa voltar atrás e fazer um novo começo, qualquer um pode começar agora e fazer um novo fim”.
 
Chico Xavier

 

 

Amigos de Ipueiras,

 

Visitando nossa pracinha, rememorei momentos fantásticos. Este é hilário. Verdade. Escutem.

 

***

 

Após várias voltas pela praça, sentamos no banco em frente ao Hotel do Seu Meton. Era um grupo estridente.

 

O papo fluía com pudicidade de meninas moças. Lá pelas tantas, começamos os auto-elogios. Hum! e logo visitamos as partes favoritas do nosso corpo, e também as indesejadas.

 

Defeitos insuportáveis e irresolvíveis à época. Coisas de adolescentes. Eu tinha ódio à minha dentuça, embora meus dentes fossem brancos e meu sorriso fácil. Dias antes, a amiga  Rossicler tinha descoberto o meu apelido doméstico e divulgou na turma - Maria Bicuda.  

 

Neste ínterim, sem querer, querendo, atravessei o limite tênue entre o elogio e o deboche. Sorridente e crítica, tasquei em Rossicler, nossa querida Quéque do Seu Esmeraldo:

 

- Quequé, você realmente tem um rosto bonito, mas não tem um tico de bunda.

 

Surpresa e ferida, ela assim me respondeu:

 

Quando Deus fez o mundo

Estavam todos ausentes,

O que faltou na minha bunda

Cresceu aí nos teus dentes.

 

Gargalhadas...  risos... mangofas...Ai meu Deus! A turma botou foi pra quebrar em mim.

 

Passei quase um mês dentro de casa e me intriguei por muito tempo, com a minha melhor amiga, a traquina e inteligente Quequé, por conta deste episódio.

 

(Hilárias Adolescentes (conto de meu livro de memórias - em preparação)

 

 

 

LENDA DE SÃO GONÇALO DA SERRA DOS COCOS

 

Uma família estava fugindo da seca e passou na serra dos cocos. Trazia um filho pequeno. A fome era tanta que para não ver o filho morrer seguiu viagem, deixando-o debaixo de uma palmeira.

Uma mulher foi catar cocos e encontrou o menino. De inicio, pensou que ele estava morto. Furou-lhe o braço com um espinho e saiu sangue. Viu que ele estava vivo e que era um santo. Chamou-o São Gonçalinho e levou-o para casa e guardou num quarto.
Quando o marido chegou, à noitinha, a mulher foi mostrar lhe o santo mas não o encontrou.

No dia seguinte, foram ao local, onde fora encontrado e lá estava. Levaram-no para casa, de novo. Trancaram num baú. Mesmo assim ele saiu e voltou para o seu lugar. Isto se deu por varias vezes.

Então, o pessoal resolveu fazer uma capela pra ele. Depois de pronta colocou-o no altar. Mas ele não ficou, voltou para as palmeiras. Decidiram, enfim, botar duas palmeirinhas, de um lado e do outro do altar, aí ele ficou. O pessoal ficou chamando São Gonçalinho da serra dos cocos.

Dalinha Catunda é escritora e natural de Ipueiras, Ceará.

Extraído do Blog Primeiracoluna - http://www.primeiracoluna.blogspot.com/

 

 

UMA VOLTA NA AVENIDA

 

 Resolvi, agora, sair e dar uma volta na Avenida – assim é que nós, de Ipueiras, chamamos ‘pracinha’, não é?), para ver e rever conterrâneos.

 

Sintam-se cumprimentados todos os freqüentadores do nosso cantinho, que cá estão a bater um papo ou, silenciosamente, a espreitar a conversa dos outros, como eu normalmente faço. Em especial, envio meu abraço caloroso ao “Prefeito Braga”, que administra nossa “Ipueiras Virtual”, inteiramente voltado para o bem de todos e que, com abnegação, desprendimento e zelo, suporta todo o “orçamento público municipal”, sem arrecadação de qualquer tributo de seus munícipes (aí entendidos anúncios e subvenções).

 

As renitentes convocações feitas pela Dalinha (nossa Musa), pelo Braga e outros colaboradores para que todos divulguem o endereço www.ipueiras.com fizeram-me acordar da letargia para dizer aos conterrâneos e simpatizantes do “sítio” que acessem a página mais vezes, enviem mensagens, notícias, relatos, opiniões ou, simplesmente, dêem aquela “espiadinha básica” de que nos falava o Pedro Bial no BBB, porquanto a participação, mesmo sem manifestação, é importante, tendo-se em vista que o administrador da Página tem informação sobre o número de visitantes. A retribuição do nosso “Prefeito Braga” é medida pelo número de visitantes. Quanto mais gente aparecer, mais ele ganha (na moeda satisfação e reconhecimento por serviços prestados à nossa Ipueiras).

 

Aproveitando: Vavá Mourão, Zé Adair Farias, Hélio Catunda, Wellington Esmeraldo, Helder Sabóia, Raimundo, Marcos e Rubens Frota, Elisa Carminha, Lelete, Fátima Mourão, Socorro, Zé Almir, Gessy e Maria do Carmo Terto, Aglaê, Dagmar, Leda, Graça, Mimosa, Fátima, Renato, Edésio, Nemésio, Antônio (Tuíca) Medeiros, Bento, Mirangusta, e muitos outros – onde estão vocês que não aparecem? Depois, a gente faz chamamento de mais conterrâneos.          

 

Vejo, com muita satisfação, que todos estão acordes em deixar de lado qualquer antagonismo que, em determinado momento tenha por acaso aflorado, para direcionar os esforços para a construção e o engrandecimento do nosso sítio.

 

Um abraço do

Walmir Rosa

 

 

 

A NOITE DO PAPOCO

 

Frota Neto abre, em seu “Quase”, págs. 358-9, espaço para “A Visão do Padre Vigário”. Desta feita, um pitoresco flagrante:

 

             “Deixe ao vigário padre Correia Lima, vindo de sua primeira paróquia em Santa Quitéria, o fazer a narrativa em seu livro autobiográfico “Vendo a Vida Passar” (editado em 1979) de como sendo Ipueiras de então:

 

             (...) No meu primeiro ano em Ipueiras, ao se aproximar a festa, fiz na Igreja um comentário em torno das nove noites de festa. Na última, eu, que já estava avisado do grande estrondo que o Zaca faria nessa noite, expressei-me dizendo que a última noite seria uma noite de papoco.

 

Com esta minha expressão, houve um ruidoso riso instintivo dos fiéis em plena igreja.  Eu me surpreendi com aquela risada. Então, vim a saber que papoco, ali era o bairro das mulheres da vida, e não foram poucos os que me vieram advertir. Os gaiatos da cidade, entretanto, não deixaram passar a oportunidade para explorar a parte cômica, e diziam: ‘Ah! este padre, sim, também promoveu uma noite do papoco, o que não fez o monsenhor Fontenele em vinte anos de vigário em Ipueiras”. 

 

Em post scriptum, Frota comenta:

 

“Perdoe-me a similitude fonética, não era bem papoco, mas pipoco, a ilha gueto vedada a nós meninos)”

 

 

 

 

 

A PALMATÓRIA E AS MENINAS DA IPUEIRAS ANTIGA

 

Releio o “Quase”, de Frota Neto (o “An­tônio do Seu Idálio”), onde Ipueiras se salpica e se lembra em todas as páginas. E, de logo, me demoro em alguns tópicos. Dois deles, por ora:

 

1)  O autógrafo: “Ao Marcondes - a quem, desde Ipueiras, aprendi a admirar – e de cuja amizade me envaideço. Fort. 03.02.2000”.

 

2)  Entre as lembranças da infância: “Das sur­ras de palmatória nos filhos de nossos pais, não éramos exceção entre os iguais meninos. Por que será que por toda Ipuei­ras não se sabia quase nunca de uma me­nina crescida apanhando dos pais – só nós, meninos? (p. 20)”

 

Pergunta: Nisso, um sinal de respeito à mulher? De reação ao machismo?

 

Abraços,

Marcondes Rosa

 

 

 

***

 

Ouço muito, histórias sobre palmatória.

 

No meu tempo esse instrumento de tortura já tinha sido abolido. Mas minha mãe tinha uma tática para demonstrar sua autoridade: mandava-nos apanhar o cipó no mato, para depois "apanhar".

 

Lembro-me que eu, "bobo" que era, pegava um cipó de mufumbo, pois este continha muitas fo­lhas, ou seja, aliviava as pancadas. Qual foi a mi­nha surpresa um dia, quando vi os dedos, indicador e polegar, formarem uma "roda" em volta do cipó e, uma a uma, as folhas iam sendo arrancadas, dei­xando aquela pontinha, bem fininha no final, que quando de encontro ao meu corpo, faziam um som de chicote. Dobravam e sempre deixavam aquelas muitas marquinhas vermelhas.

 

Mas nunca apanhei sem merecer... Também não me arrependo das travessuras que fiz. (rsrs)

 

Abraços

         Braga

 

 

***

 

Conheço a obra do Jornalista Frota Neto e numa oportunidade, comentei com ele sobre as sur­ras das meninas.

 

Sei de muitas amigas que apanhavam e es­condiam. O que não se dava comigo, apanhava sim, mas fazia um escândalo que acordava a rua, e se fi­casse marcada saia mostrando desde as tias até a avó.

 

De relho a cipó, passando por palmatória te­nho um vasto currículo.  A coisa amenizou um pouco com a novidade da ja­ponesa, ou seja, as famosas havaianas. Certa­mente, se as mulheres tivessem dado seus relatos o desenrolar da história teria outras nuances.

 

Um abraço a todos,

Dalinha

 

***

 

Chegam-me, das mulheres ipueirenses, depoi­mentos sobre “surras” e “palmatórias”. Solange, irmã que não me lembro, em criança, “apanhando”, diz-me que, “de palmatória”, nunca. Mas “de chinelo”, muito, de minha mãe. Ela reforça a imagem de que, nós meni­nos, vivíamos na rua. E que as mulheres não divulga­vam muito as “pisas” que levavam.

 

            Da Alemanha, Darci, a cada mensagem, sobre o “Quase” do Frota (para ela difícil chamá-lo de “Frota”, o tal “Antonio do seu Idálio), vai ela conferir o tópico no livro que recebeu. Alguns trechos de sua mensagem:

           

            “(...) Fui aluna da Diana Moreira mas não ha­via o medo da palmatória. Mas vi algumas meninas apanhando ( "Bolos" de 1 a 4 ).

 

Em casa, minha mãe nos comandava militar­mente. Bastava que o armário de roupas não estivesse super arrumado para a palmatória baixar. Ou o ta­manco ( que estava no pé) porque a palmatória nunca estava no lugar que devia estar. O pior é que ao "apa­nhar" não podíamos gritar... tínhamos que sufocar a dor. Do contrário apanhávamos mais ainda...

 

Também levei muitos "cocorotes , mas nunca apanhei de relhos, cipós, ou coisa parecida. Palmatória pura. Nunca havia pensado nisso mas nunca vi  as minhas irmãs mais velhas  (crescidinhas) apanhando... (...) Acho mesmo que os meninos eram menos castiga­dos do que as meninas. Lembro do Kleber (filho do seu Matos, meu vizinho) que me mordia e nunca apanhou por isso nem tampouco  era castigado (segundo ele).

 

***

 

Não cheguei a sentir o peso da palmatória, mesmo porque as mãos de meu pai (grandes e caleja­das pelo trabalho diário na lavoura) já faziam o seu pa­pel.

 

 Acredito ter sido uma pessoa de sorte (ou não aprontei o bastante), pois levei poucas surras de meu pai. Em compensação, minha mãe me castigava sem­pre. 

Ouvi muitas histórias da palmatória principal­mente do seu uso nas escolas, um tio cotava-me que sua professora sempre a usava e ele que era muito "palhaço" (a professora perguntava se ele ia criar barba na "cartilha do ABC" e ele respondia que não, iria criar barba era no rosto ) estava sempre a seu merecer.

 

Dalinha, você tem razão, pois as meninas es­condiam (e ainda escondem) as surras.  

 

Abraços,

Lucilene.

 

 

***

 

Lucilene,

 

É bom saber que mulheres e surras movimentam o grupo.

 

Fica combinado assim: Mulheres do grupo sem rela­tos, "calam e consentem". Não é mesmo, Ester, Dolores,e demais amigas???

 

Lucilene sua participação é muito importante. Um comentário, por menor que seja, é uma atitude. Se os homens se calam, vamos, nós mulheres, movimentar esse trem.

 

Aí sim, a surra será feia.

 

Um abraço,

Dalinha

 

***

 

É isso aí! Nada de ficarmos caladas.Ainda sinto o ar­dor nas maos dos "bolos".

 

(...) Fica aí a sugestão,

 

Darci

 

***

Achei interessante a idéia proposta pela senhorita Da­linha de falar sobre "meninas e surras", pois, segundo ela, quem cala consente.

 

Particularmente, não considero relevantes as "palma­dinhas" que levei na infância, até porque, se eram prá con­sertar "alguns equívocos", acabaram mesmo por acentuá-los.

 

A grande jogada mesmo é correr com os lobos, mesmo que tenhamos que apanhar constantemente da vida.

 

Beijos a todos

 

Ester Timbó

 

 

***

 

 (...) Sou craque no assunto, bolo para mim era apenas sobremesa.

 

            Dalinha.

 

***

 

            “Surras de palmatória”! Um curto tópico do “Quase” de Frota Neto. Nele, a infantil visão de que os castigos físicos infligiam-se, em Ipueiras, apenas a nós meninos, deixando de fora as meninas.  Aí, a reação femi­nina. E o levantar de sua imposta “surda dor”. Na infân­cia e na vida social, enfim.

 

            Aí foi minha vez. Reabri livro meu, Educação: in­sistências e mutações (Coletânea de artigos publicados em jornais de Fortaleza). Sobral. Edições UVA, 2002, E, à página 160, dou com Carta a uma filha de Eva, divulgada na “Lista de Discussão Desafios Educacionais”, pela In­ternet, em 13 de novembro de 1999, dirigida à Professora Maria Helena Flexor, mhflexor@svn.com.br, da Univer­sidade Federal da Bahia (aposentada), e que dediquei a “todas as "filhas de Eva", num preito de gratidão à con­tribuição da "porção feminina", no itinerário do ser hu­mano na terra (sobretudo no trabalho de distribuição, pela educação, dos frutos da árvore do saber) e na espe­rança de sua colaboração no processo de reinvenção da educação, da vida e do mundo!”

 

            Aqui, tópicos dessa Carta, dirigidos agora à “por­ção feminina” deste Grupo (Dalinha, Darci, Lucilene, Es­ter e todas as outras), que, em nossa educação, deixou e continua deixando marcas em todos nós:

 

 

Prezada Colega,

 

(...) Sobre a vida ao redor, não tenho, como a pro­fessora, visão tão pessimista.  A despeito de Nostradamus e dos previsíveis surtos escatológicos (de final de década, século e milênio), ainda não presenciei, desta vez, a anun­ciada encenação real do “Apocalipse Now”. Felizmente, o mundo não acabou. Mas, se assim foi, isso não nos auto­riza a concluir que, nele, tudo são flores... É que, de al­gum modo, ele chega ao fim, tão violenta tem sido a mu­dança que se vem operando em toda a galáxia de valores, crenças e paradigmas, cedendo lugar a novas lógicas, com cruas seqüelas e traumáticas acomodações, em todos os setores de nosso quotidiano.

 

Decerto, já não somos os mesmos.  E mesmas  já não são, nem mesmo, as águas em que nos banhamos.  Mas, por ironia, a construção do novo, mais do que nunca, parece agora resultar do paradoxal abraço entre Heráclito e Parmênides, orientados, ambos, pelo desenho de um novo horizonte a buscar, preservada, a essência das coisas, e a tocar para frente o universal projeto hu­mano.  E cá estamos nós, no limiar do Terceiro Milênio, em novo capítulo da narrativa humana, a perseguir, de novo, os perdidos sonhos da Revolução Francesa, pela re-significação dos ideais da “liberdade, igualdade e frater­nidade”, sob o crivo da solidariedade entre os homens, nestes tempos em que tudo se enxerga à luz da globali­dade.

 

Mais fundo e longe que isso, lá estamos nós no Gê­nesis, de novo, instados a revê-lo, inesperadamente des­pertos de um profundo sono adâmico. Ao centro do Éden, eis que, agora, nos deparamos com a árvore do bem e do mal – o saber. E, seduzidos pela serpente e por Eva, to­mamos às mãos o até então proibido fruto, com a certeza de que, com esse gesto, abrimos os olhos, ficando mais perto da onisciência divina.  “Educação, educação, educa­ção” – as três prioridades do mundo – gritamos em coro com Tony Blair, com o espanto de um “eureka” dos novos tempos! Uma educação, no entanto, não mais sob a cono­tação excludente do mundo de Adão, sob o viés da qual enxergávamos: 1) a ela mesma como um “fruto proi­bido”; 2) todo processo criativo como um “parirás os fi­lhos com dor”; 3) o trabalho como o castigo do “comerás o pão com o suor do teu rosto”; 4) a sinuosidade e a sedu­ção como  a  maldição do rastejar ao chão imposta à ser­pente.

 

(...) A colega diz que, em sua vida profissional, fez discípulos que, por sua vez, farão os seus.  Que isso, entre­tanto, não basta.  Faz-se preciso muito mais.  E, nessa ân­sia, diz sentir-se “desesperada”.  O que fazer? – é a ques­tão.

 

 Penso que, num mundo a mudar, o desespero e a postura de Jeremias, a chorar a Jerusalém desolada, não são a chave.  Neste instável instante, quando passamos a limpo o Gênesis, a solução está, sem dúvida, no compar­tilhamento por todos dos frutos da “árvore do bem e do mal”.  E quem guarda o legado da índole da serpente e de Eva há de encontrar, em fazendo a sua parte (estou se­guro), as alavancas necessárias da intuição, do "veneno" e da emoção, para a coletiva tarefa de reinvenção do mundo.  Que as filhas de Eva, pois, se apercebam de que têm um relevante papel nessa história

 

Coça-Coça (Darci Weihs)

16:36 @ 23/03/2006

 

 

(Foto: Edson Morais)

 

 

 

COÇA-COÇA (Darci Weihs)

 

 

Falando dos doidos de Ipueiras, ou dos que chamávamos de doidos! Meu pai sempre dizia que o Coça-coça não tinha nada de doido. A casa do Manuel Dias (pegada com a nossa) passou anos e anos em construção. Neste período, o Coça-coça morava lá dentro. Num quartinho também em construção..parada. Tinha molambos para todos os lados.

 

Levávamos restos (era assim que chamávamos) de comida pra ele.Até conversávamos com ele (sem chegar muito perto dele por causa do eterno ferimento no rosto) apesar do medo. Mas sempre pensando no que meu pai dizia: “ele não é doido, é somente pobre, doente e sozinho.E gosta de falar nomes feios...”

 

Quão distantes estes tempos!!

Darci

 

 

 


 

 

 

Foto: Edson Morais

 

 

VAMOS-VER: A ORIGEM DE UM BAIRRO - Dalinha Aragão Catunda

 

 Disse Marcondes Rosa que Ipueiras tem um nome original do qual ele sempre gostou: “Vamos ver”. E me pediu que procurasse, entre as pessoas credenciadas, o resgate dessa origem. Acrescenta ele que, desde criança, ao passar pelo bairro, o nome o seduzia. Hoje, o bairro passa a abrigar um hotel, abrindo espaços para o turismo na terra.  

 

De minha parte, só agora consegui saber como teria surgido nome Vamos-Ver. Vamos ver se consigo repassar o que me contou Djaci, filho do seu Gonçalo Miranda, morador antigo do bairro. Assim me contou Djaci:

 

Há muito tempo atrás, no lugar hoje chamado Vamos-Ver, moravam apenas três famílias: a família do seu Gonçalo Melo Miranda; a do seu Pedro Tavares e  outra família que Djaci não recorda.

 

Pois bem, toda tarde, não tendo muito o que fazer, os três chefes de famlília se reuniam para prosear. E toda tarde eles falavam do futuro do bairro. Um dizia: será que este lugar vai crescer? O outro respondia: “vamos ver”. Será que vai pra frente? Vamos ver... E, assim, toda tarde, essa prosa se repetia, até que a expressão “vamos ver” terminou por batizar o bairro...

 

Esta, a origem. Penso ter assim atendido ao pedido do Marcondes. Todo relato, no entanto, costuma ter mais de uma versão. Quem, por acaso, souber de outras, teremos o prazer de apreciá-las.

 

Mas quem seria a outra família a compor essa tríade de pioneiros do Vamos-ver? Quem se habilita?

 

    Do Rio de Janeiro,

    Dalinha das Ipueiras.

 

 

 

"Zeca Bento" (Foto do www.ipueiras.com)

 

QUEM SERÁ O PRÓXIMO? (Carta a Zequinha)

 

Zequinha,

 

“Qual será o próximo?” – é sua pergunta. Creio que deveria voltar seu olhar em outra direção. “Zeca Bento”, seu pai, você não o perdeu. Ele está vivo, na história de Ipueiras, nas memórias (releio agora Pe. Correia, onde “Seu Zeca” e as rodas em sua casa guardam as histórias e os papos de Ipueiras).

 

Está presente, ele, nas histórias vivas e bem-humoradas.  “Seu Zeca” re/vive nos múltiplos filhos, netos... que deixou com a missão de tocar a vida de forma mais digna e mais humana.

 

Catunda, você acha que o perdeu. Repito minha frase: ele hoje pastoreia rebanhos lá no alto, com procuração divina para aproximar mais os animais (vertebrados, invertebrados, racionais ou ditos irracionais que somos todos).

 

Você, como eu, estivemos nos terreiros de outra vida. Quando estava no hospital, na UTI, consegui rir-me de história que me contou o Lemos, meu colega professor.  

 

Disse-me ele que, dado a experiências para mim à época exóticas, havia feito um ritual tendo-me como personagem. Explicando, ele me dizia que, seguidor de experiências orientais, costumava “varar até as paredes” e eu tinha tais histórias como “deliciosas mentiras”.

 

Mas voltando história sobre mim. Ele disse que havia feito um ritual. Aí foi dormir. E ocorreu uma coisa estranha. Sonhou com um irmão dele que, vinte anos atrás, havia morrido, e com quem nunca havia sonhado.

 

O irmão teria aparecido a ele, Lemos, e dito: “Olha, aquele seu colega de quem você me falou passou-nos um xexo. Nós, comissão de recepção, soubemos então que lhe foi dada nova oportunidade para ele refazer seu trabalho lá embaixo”.

 

Ri-me da história do Lemos. E, desde então, tive algumas certezas: 1) Voltaria para refazer meu trabalho. Desta vez, em prol de -  onde estiver - uma inclusão social mais ampla”. É o que, do meu jeito – sem interesses pessoais maiores – tento fazer. Neste Grupo, inclusive.

 

Olhe, pois, Zequinha, dos que se foram, os exemplos e as “continuações de vida”, que nos deixaram. E cumpra sua parte.  Doutor Antero Coelho Neto, no lançamento de seu último livro, nos fez a todos, jovens e idosos, jurarmos que dobraríamos o cabo-da-boa-esperança dos 120 anos.

 

No velório de Dona Adaísa, minha mãe, em pagos comigo e o meu cardiologista, afirmava – eu meio confuso emocionalmente -  que a ciência já tinha chegado à conclusão de que, literalmente, a morte não existe”. E, agora, por ocasião da nota “Nasceu Davi”, meu segundo neto, nos diz que a geração dele, tranquilamente, se tirver “vida saudável”, viverá duas centenas de anos.

 

Olhe, pois, Zequinha, para a vida: a dos que, em “outras vidas”, continuam sua missão, aqui continuados em você, nos seus, nos que virão; e a sua própria, que será mais longa se você não a desperdiçar e viver pensando na morte.

 

Um dia, no enterro de um grande amigo meu, tomei um susto. De repente, alguém gritou: “Aleluia, mais um eleito vive no alto!”. Olhei para essa mulher a gritar, entre crítico e tristonho. Ela me pegou aos ombros e disse: “Alegre-se. Ele está sendo recebido em outra vida!”

 

Na hora, Zequinha. Lembrei-me, no Parque da Paz, no enterro de meu pai, Wencery, o “Seu Zeca”, seu pai, por trás de mim, tocando-me os ombros, no exato momento em que, o caixão era baixado, suavemente. Ele me fez sorrir (irônico) ao contar-me: “Wencery me descrevia, ao falar da tecnologia do Parque da Paz, essa história do baixar o caixão... Mas vou-lhe dizer. É moderno. Mas, mesmo assim, eu não me acostumo, no caso, com esse tipo de modernidade. Prefiro viver...”

 

E vive. Em você, nas suas histórias. Nos milhares registros de casamento, de nascimento e escrituras que assinou, nos amigos e obras que nos legou.

 

a) Marcondes Rosa de Sousa

 

 

 

 

Foto: Ipueiras à noite

 

IPUEIRAS DE ONTEM E DE HOJE

 

Edson Morais

 

Lendo as mensagens de nossos conterrâneos, vejo que a maioria ainda pensa em Ipueiras de há muitos anos atrás e ao chegar a nossa cidade, às vezes, decepcionam-se por não mais encontrar aquele clima em que viviam em tempos passados, quando de sua juventude e mesmo de criança.

 

Já não encontram as mesmas pessoas de seu tempo, já não existem mais as fachadas de suas antigas residências e isso os deixa tristes, decepcionados e voltam com achando que tudo se perdeu.

 

Porém, meus conterrâneos, Ipueiras progrediu no tempo e temos que aceitá-la como hoje é, temos que convivê-la mais e sentir como hoje ainda é gostoso visitá-la, co­nhecer nossos conterrâneos atuais e vivenciar com eles os prazeres que nosso município nos oferece.

 

Como é gostoso, às noites, sentarmos na calçada do restaurante do Pedro, ao lado da cadeia e tomarmos uma cervejinha gelada com churrasco, jogarmos sinuca com nossos companheiros de lá, ouvirmos comentários sobre os acontecimentos atuais de nossa cidade, discutirmos a política de nosso município, criticarmos e também elogiarmos a administração. Parar no bar do Pezão, flamenguista doente e escutar as fofocas da cidade, jogar porrinha com o Luiz Farias, Lázaro, Dedeca e outros, apostando cerveja.

 

 (...) Irmos às últimas novenas de cada distrito, sentarmos naquelas mesas no meio da rua tomando cerveja com churrasquinho de “gato” e depois ir­mos para as festas nos clubes e quadras existentes em cada lugar. Participarmos de serestas organizadas por donos de bares e restaurantes, onde se reúne muita gente para ouvir músicas românticas atuais e antigas, participarmos dos leilões das festas da  igreja, gritados por Venâncio, em que certa vez, eu arrematei uma galinha por R,00 e ele gritou “ onze reases, UMA, doze reases, DUAS e treze reases, TRÊS...”(reases é como ele chama), e lá vai você voltando para casa com as galinhas dependuradas.

 

À noite, a partir de 19:00 horas, inicia-se pelo sistema de alto falante, da Rádio Vale do Jatobá, de nosso querido José Arimatéia Catunda, um programa de músicas anti­gas, Altemar Dutra, Nelson Gonçalves, Trio Irakitan e por aí vai até às 21:00 horas.

 

Muita gente, sabemos, vai dizer: “Mas eu já não tenho onde ficar, não gosto de incomodar os parentes”. Bem, hoje existem hotéis na cidade, que oferecem conforto para você se hospedar pelo período que você quiser: inclusive, falando sobre este problema com um amigo é que hoje ele está construindo, lá no Vamos Ver, na antiga casa do Sr. Pedro Tavares, um hotel com um estilo próprio para hospedar famílias, com uma boa estrutura para os hóspedes e num lugar tranqüilo para você desfrutar de sua temporada em Ipueiras.

 

É, já não tem como você  se esquivar, tem que ir mesmo a Ipueiras, pois não só o Cristo Redentor está de braços abertos, é toda a cidade e seus moradores que espe­ram pra lhes abraçar.

 

TEM QUE VOLTAR A PARTICIPAR DA VIDA DE IPUEIRAS. Não faltam oportunidades para reunirmos-nos, temos a exposição de ovinos e caprinos que hoje faz parte do nosso calendário, temos a festa do município em outubro, temos as novenas em dezembro, temos os feriados prolongados, que ao invés de irmos para outro município, porque não vamos ao nosso.

 

Fica aqui o meu apelo e quero confraternizar com todos em Ipueiras. Quem sabe este ano, nas festividades das novenas possamos formar um grande grupo de filhos de Ipueiras que residem fora e que se farão presentes, para dar aquele abraço em nossa terra querida.

 

 

TADEU CATUNDA SOBRE O CHITÃO DO OÁSIS

 

Solange e esposo representaram a família. O evento lembrou bem o chitão. Aquele dançado na Prefeitura ou no Grêmio.

 

Conterrâneos e amigos que moram aqui e na terrinha marcaram presença e curtiram a noitada. Cardoso, com felicidade, tem agregado mais pessoas simpáticas a este tipo de movimento. O importante é que após cada acontecimento sejam avaliados os prós e os contra para que desperte maior interesse no próximo.

 

Já tenho uma idéia: que não seja o encontro só para beber e dançar; que criemos um modelo onde na dança e na bebida possamos falar e ser ouvidos, pois as bandas de hoje, com o som muito alto (e sem essa necessidade) impedem um bate papo salutar.

 

Que tal levarmos para o encontro os conterrâneos instrumentistas que tocam violão, teclado, sax, trompete e os que cantam para tornar a festa mais autêntica?

 

 

***

 

MARCONDES ROSA COMENTA

 

Gostei de seu relato sobre o “chitão”, evocando “aquele dançado na Prefeitura ou no Grêmio” de Ipueiras, prestigiado por “conterrâneos e amigos”. Sintético, ultimado por avaliação e proposta para eventos futuros. Também dos elogios a Cardoso, que, “com felicidade, tem agregado mais pessoas simpáticas a esse tipo de movimento.”

 

Penso como você: “O importante é que, após cada acontecimento, sejam avaliados os prós e os contra” para que, dessa forma, tenhamos crescente interesse para os próximos encontros”. E achei interessante a idéia de substituição dos ruídos das bandas pela música pano-de-fundo, quando, ultrapassado o clima da confraternização e do puro divertimento, tivermos de pôr em destaque a reflexão e o papo...

 

Solange e esposo representaram a família”, disse bem Tadeu. Walmir e eu fora de Fortaleza, num curto espaço de férias. Afinal, ninguém é de ferro. E viagens assim, em período de alta estação turística entre nós, não é coisa de escala tão fácil...

 

De Solange, colhi notas e impressões sobre a festa no Oásis. Ela me contou que até mamãe (Adaísa) esqueceu-se um pouco de suas crônicas doenças e dores, chegando até “fazer um penteado, com cabeleireira”, para encontrar-se com os de Ipueiras. Mas, já noite, sentiu-se debilitada e teve receio de fraquejar em plena festa... Ficou em casa. Luís Marques (o marido da Solange), em geral avesso a festas e amante do dormir cedo, gostou tanto que ficou até por volta da meia noite.

 

“Muita gente!” – admirou-se Solange. “Boa organização”, disse ela, que gosta das coisas cheirando a “tudo nos trinques”.  Na entrada do Clube, Nagib, da Comissão de Recepção, veterano embaixador de Ipueiras, a receber as pessoas. Ela, Solange, foi logo lhe dizendo: “Meu irmão, o Walmir, é seu fã”. Na verdade, por muito tempo, o “Bar do Nagib” plantou-se perto da morada dos “Diogos” (família de Liliana, minha cunhada), na Sena Madureira, em Fortaleza, onde Walmir curtia as tiradas de Nagib a decantar, como ele, a “Cidade Monarca”, que unindo-se ao Ipu, um dia, formariam, as duas, “uma grande metrópole”...

 

Quanto à organização, os elogios de Solange a Cardoso: “Tudo, nos mínimos detalhes, a bem receber a nós todos, num diálogo entre gerações”. Ali, no Oásis, descreve Solange, estariam seguramente umas três dessas gerações, no mínimo. Até os mais jovens, em mesas a irmaná-los, sem qualquer agressão (mas com respeito) às pessoas e valores de outros tempos.  A lembrar “nosso tempo”, foi citando Solange, eu caneta à mão, anotando: a) Maria Sólon e a filha, Maria Catunda; b) Gessy, Marivone e Zé (do Chico Terto); c) Marineusa Pinho e Adalberto; d) Cristina, Socorrinha e Bibiu (do Guarani); e) Alaíde, Clécio e Socorro (de Dona Brígida); f) Tadeu Fontenele (de Zeca Bento); g) Chico e Raimundo Frota (de Seu Idálio); h) Hélder Sabóia e Gilka; i) Nagib e filho; j) Cardoso; l) Edson Marais (do Zé Morais); m) Rosinha Belém; n) Três filhas de Seu Camarau: Vanda, Lianete e a terceira cujo nome não consegui lembrar (Darci, em retorno, nos dirá da ... Alemanha!...; o) o caçula de Seu Edmundo (Tuica); p) Elisa Maria, Fátima e Carmen (de Seu Tim Mourão).

 

Muitos outros, chegados depois ou que, em rápido e apressado relato por telefone, Solange não conseguia lembrar-se.

 

Era de se ver (ressalta Solange) de as pessoas, ao se encontrarem, recordando fisionomias. E a reviver momentos importantes de suas vidas deixados em Ipueiras e ali recobrados. Houve um momento em que, mesmo sabendo que ali se reproduzia um “chitão”, pediram aos músicos que tocassem alguns dos “velhos boleros dos anos 60”. Foi uma vibração, lembra Solange, sobretudo, quando a banda atacou de “Besame mucho”! Memórias muitas, que, na expressão de Walmir, eram um verdadeiro “revirar de saudades”.

 

Na visão de Solange, “um bom começo”, sob o tom, tudo, da “confraternização”. As pessoas sentiam-se fraternas a relembrar suas memórias comuns.  Alguns papos sobre a necessidade de um projeto de desenvolvimento. Ela, Solange, diz haver se queixado de falta de alguma infra-estrutura mínima como um hotel. Tadeu Fontenele lhe haveria dado notícias de um hotel em construção no “Vamos ver”. Alguns, aqui e ali, falavam-lhe de potencialidades (as serras úmidas, o próprio semi-árido - este hoje já considerado atração de um turismo ecológico - a produção artesanal e cultural do povo). Ali se disse até de ipueirenses que, retornados, se disporiam a investir alguma coisa em sua terra de origem. Alguns desses, porém, confessavam-se desassistidos de “políticas” em tal direção. Só encontravam ali a “velha política”, tão clientelista como outrora. Um deles teria arrematado: “Pensei até, na ânsia pela definição dessas ‘políticas’, em entrar na política. Logo vi que, na lógica dessa velha política, o que iria me acontecer era justo perder o pouco de capital que teria juntado, desperdiçando com a lógica das relações dessa velha política”.

 

“Confraternização”! Esse, “o bom começo”, na visão de Solange. Um expressivo punhado de cabeças e de “capital humano”, os ipueirenses ali presentes. Um terreno, que, num plágio a Pero Vaz de Caminha, poderíamos afirmar: “terra boa que, em si plantando, tudo dá!”

 

Mas isso, se regado pelo espírito crescente de “confraternização”.

 

 

 

 

Estórias do Seu Wencery

22:22 @ 24/03/2006

 

                          

 

 

 

ESTÓRIAS DO

SEU WENCERY 

 

Por Marcondes Rosa de Sousa

 

 

Não existe uma só civilização que não se valha das histórias como um meio de comunicação, diz um dos meus gurus, o francês Roland Barthes. E é por meio delas que, populares ou eruditas, sob todas as formas, fazemos nossa educação e cultura. As histórias e estórias, reais ou supra-reais (transfiguradas a dizer mais que o prosaico real), tornando-se ciência, arte e pedagogia...

 

“Seu Wencery”, meu pai, além de tabelião, foi um exímio contador de histórias. Homem, sem dúvida, de “muitas estórias”, a fazer dele alguém com vocação de ficcionista. Isso, a ponto de, em dia, já aposentado, brincando com Cláudio, o meu primogênito, propôs a este, um campeonato de histórias. Cláudio, inventivo, diz uma. Papai, outra... E lá se foram eles, em rodadas várias do “campeonato”. Lá pelas tantas, Cláudio, desabafou: “Arre égua, vô! Tu mente demais!”

 

Das estórias contadas pelo “Seu Wencery”, já não sabíamos os limites entre o real e a ficção. Guardo algumas, antológicas. E uma delas, é sobre os famosos “dramas”, comuns em Ipueiras e nas cidades vizinhas.

 

Um dia, as pessoas influentes de Ipu (vizinha a Ipueiras) combinaram, para ajudar a Paróquia, a encenação de um drama. Mas, para que esse evento fosse significativo e atraísse um grande público, era preciso que contasse com platéia a envolver toda a região, composta das cidades vizinhas. E estratégia para isso, a idéia foi convidar, como atores do drama, algumas importantes personagens da vida social de Ipu, Ipueiras, Nova Russas, Crateús e da Serra Grande. Assim, convites foram feitos e papéis distribuídos a promotores, advogados, médicos, professores, juízes e figuras de destaque da região.

 

Uma dessas figuras resolveu levar a sério seu papel e atuação. Faria o papel de importante conde na peça. Mandou, por conta própria confeccionar sua roupa. E, ele mesmo, convidou os amigos todos para prestigiar-lhe o desempenho importante no inesquecível “drama do Ipu”.

 

Dia aprazado. Teatro cheio. O drama a desdobrar-se em atos. O suspense da esperada cena do conde tardando. Lá pelas tantas, eis que, afinal, é chegado o momento da aparição do conde.  Dos fundos, eis que surge o ator esperado. Irrompe, brusco, no palco. Passos ligeiros, vai até a ribalta, abrindo, num jogo de cena, a capa escarlate. Pára, de repente, bem à beira da ribalta. Mão esquerda a segurar, aberta, encara o público e, pausada e solenemente, escande, como num verso cortado: “O conde entra...” E, dedo por sobre os lábios, em suspense, como a falar de silêncio, conclui: “... mas ... não fala!” Era a indicação que se lia no script da peça, onde a personagem “conde” nada mais era que um inexpressivo ... figurante!...

 

    Hoje, entre os que, do meu círculo, conhecem tal história, ficou o bordão “O conde entra ... mas não fala”, quando a gente quer se referir a muita encenação para pouco de substância a dizer...

 

 

 

 

EDSON MORAIS

O MEMORIALISTA FOTOGRÁFICO

DA CIDADE MONARCA (2004)

 

 

Marcondes Rosa de Sousa

 

Recebo, com alegria, o grito de “presente” de Edson Moraes à nossa convocação. Sobretudo, porque uma presença a trazer em seu bojo a colaboração. E numa área onde as coisas são raras em nosso meio: a da preservação cultural. Por isso, ao me cair o e-mail na “caixa de entrada”, pego do telefone e ligo, de imediato para Edson Moraes.

 

Ele me fala das fotos (antigas e atuais) a ter por temática Ipueiras e seus personagens. E mais do registro que delas faz em CDs. E de suas apresentações em Power Point, como tem feito em alguns aniversários (se ouvi bem o de Costa Matos).

 

Na verdade, é pelo registro de ambientes, de situações, de eventos e, sobretudo, dos atores da história que a reconstituímos e preservamos. E isso, entre nós, quase sempre é coisa que tem sido feita por particulares, quase sempre a partir de álbuns de família.

 

Edson tem esse hobbie. A ele, no Grupo, deleguemos essa função. É o memorialista fotográfico oficial de nossa cidade monarca. Que nós outros sejamos os alimentadores dessa história que, pela documentação visual, se registra.

 

De minha parte, vou, na família, coletar o que tiver. E conclamar a todos a fazer o mesmo.

 

Pelo telefone, converso um pouco com Edson. Daí, a idéia, de a gente, vez por outra, em Fortaleza, juntar gente para conversar sobre Ipueiras em qualquer ponto, sem grandes preocupações. Perguntando sobre personagens como Mimosa (de Manuel Mourão), Socorro Matos (colega de Faculdade) e muitas pessoas outras, ele tem sempre uma pista.

 

Cada um poderá fazer o mesmo, no Rio, em Brasília, na Alemanha (Darci do “Seu” Camaral) e em Ipueiras, em qualquer outro lugar.  Os tempos hoje são de aproximação entre o global e o local.

 

  

 

Ecos do Passado (Jean Kleber)

13:03 @ 28/03/2006

Sebastião Matos Sobrinho, Jean kleber, Tereza Mourão

 

ECOS DO PASSADO

Defender-se com unhas e dentes tem para nós, civilizados, um sentido figurado. Na primeira infância, logo em seu início, não.

É real. Algumas crianças defendem-se mordendo. Na pré-adolescência eu ouvia, em desespero posto que envergonhado, as narrativas de minha avó, D. Luizinha, sobre minhas reinações da primeira infância, lá pelos dois anos de idade.

Eu mordera duas crianças que brincavam comigo. Meu desespero e vergonha aumentavam quando a narrativa, reforçada solidariamente por minha mãe quando presente, descia a detalhes tais como: “a marca dos dentes ficou na pele”.

Minha avó declinava o nome das vítimas: Edivá e Darcí. Edivá, nas costas. Darci, no braço.

Anos mais tarde, já universitário, descobri que Darci era minha contemporânea de escola de agronomia mesmo não pertencendo à mesma turma. Moça bem educada e de voz doce sempre que conversávamos era inevitável de minha parte um certo desconforto pelo receio de que, guardada na memória de minha adorada colega, restasse algo daquela cena violenta.

Em recente reunião em sua casa em Brasília, Silvia Mourão, a quem visitava em companhia de meu pai, o “seu” Mattos e de minha família, na presença da Carmen e da Tereza, deu-me notícias de Darci. Está na Alemanha. Mostrou-me fotos. Narrei-lhes a minha vergonha. Riram do inusitado. Ainda hoje, mesmo “levando” o fato na brincadeira eu ainda me sinto envergonhado.

Kideniro Teixeira. Nos braços, Claudio (neto de Wencery)

 

TRIBUTO A KIDENIRO TEIXEIRA

 

Em seu livro “Vendo a vida passar”, onde relata, em 429 páginas, as suas memórias, o Pe. Francisco Correia Lima o trata como personagem importante na vida de Ipueiras.

 

  • Como integrante da “plêiade que forma o corpo docente” do “nosso colégio”, “o melhor de que podemos dispor”, formada pelos “melhores valores de nossa terra. Terceiro nome na quadro do corpo docente, lá está: Dr. Kideniro Stefenson Teixeira (.123);

 

  • Entre os “CIDADÃOS AMIGOS E RESPEITÁVEIS, lá está: Dr. Kideniro (p. 146);

 

  • Entre aqueles que o autor havia alcançado,  como promotes de justiça: o Dr. Ernesto de Aguiar Serra, o Dr. Kideniro Stefenso Teixeira e o Dr. Stênio Leite Linhares (p. 131)

 

Kideniro e os granizos

 

Conheci-o de perto. Wencery Félix de Sousa, meu pai, foi, por anos, tabelião em Ipueiras. E, sobre o “doutor Kideniro” contava várias estórias. Em quase todas, uma pessoa misto de docilidades e revoltas.

 

Uma de tais histórias. No velho jeep de Kideniro, os dois viajavam entre Ipueiras e Santa Quitéria. De repente, chuva grossa e, coisa inédita, “de pedra”. Kideniro revolta-se. No chão, sai catando granizos, rebolando-os, sob impropérios, de volta a São Pedro...

 

Incansável produtor literário

 

Hoje, dá conta Ednir, sua nora, vive ele, aos 94 anos, em sua fazenda, em Santa Quitéria, num contínuo produzir de seus poemas. E não só na forma tradicional. O Blog do Jornal da Poesia, http://www.secrel.com.br/JPOESIA/ki.html, é o exemplo de sua presença no meio artístico cearense.

 

Exemplo disso, o soneto que escolhemos como tributo. Tinha razão o Pe. Francisco Correia Lima.

 

 

O CARRO DE BOIS

 

Kideniro S. Teixeira

 

Velhos carros de bois, velhos carros dementes,
Sois das recordações os antigos cinzeiros
Benditos da saudade; ó grandes confidentes
Dos meus sonhos de pária eternos viajeiros...      

Velhos carros de bois, velhos carros dolentes,
Vossas mágoas cantai, - escravos dos outeiros...
Cantai vossas canções pelas tardes ardentes,
Conduzindo a sonhar, as almas dos carreiros!  

Velhos carros cantai, cantai todo o verão,
 - Cigarras de madeira, enchendo a solidão
Dessas notas de dor que nos chegam depois...        

Puxados devagar, cantai, cantai ao longe,
A embalar docemente, a piedade de monge,
Que há nos olhos leais dessas juntas de bois!


 

 

 

 

 

 

 

 

O Jumento do Maurício

 

Dalinha Catunda

 

Maurício você que gosta,

Tanto de prosear,

Vou contar uma história,

Não sei se vai gostar.

Foi o nego de Maria,

Que contou pra eu escutar.

 

Só sei que esse episódio,

Num instante se espalhou.

Do dono envergonhado,

E do jumento vingador.

Eu só estou relatando,

O que o nego me contou.

 

Este caso que eu conto,

Em Ipueiras se deu.

Lá pras banda da floresta,

A tragédia aconteceu.

Com o jumento de Maurício,

Velho conhecido meu.

 

Maurício andava aperreado,

Com as andanças do seu jumento.

Foi quando lhe veio a cabeça,

Um maldito pensamento.

Só capando este animal,

Vai ter fim o meu tormento.

 

Os vizinhos reclamavam,

Daquele jumento vadio.

Que quebrava todas as cercas,

Ao ver uma fêmea no cio.

Vender, Maurício não queria.

Seu bicho, não negocia.

 

Seu Juarez  e Cristiano,

Fizeram reclamação,

Do bicho lá no roçado,

Comendo milho e feijão.

O jumento era uma peste,

Era o capeta, era cão.

 

 

Dona Maria Prevenida,

Arranjou uma baladeira.

Quando via o bicho viçando,

Sua pedrada era certeira.

Ele encolhia o que esticou.

E desembestava na carreira.

 

Manoel Ota certo dia,

Chegou a passar mal,

Quando viu o tal jegue,

Rondando o seu curral

Pra proteger suas vacas,

Tangeu o tarado com um pau.

 

O jumento continuava

em sua peregrinação,

atrás das bestas nos matos,

nas andanças pelo sertão.

Nem um dia de serviço,

Dava mais ao seu patrão.

 

O jegue endoideceu,

Perdeu de vez o respeito.

Pegou a égua de Zeca,

Sem pena passou nos peito.

A  coitada escambichada,

Anda agora com defeito.

.

 

Esse bicho não tem jeito,

Isto é caso de polícia.

Ou capo esse jumento,

Ou vou acabar na justiça.

Quem chama isso de jegue,

Não sabe o que é mundiça.

 

Com o pensamento na cabeça,

  danou-se a matutar:

_capo hoje ou amanhã,

ele não vai me escapar,

e o que eu tirar do seu saco,

pros cachorros vou jogar.

 

 

Maurício pegou a estrada,

Cheio de indignação

Foi laçar seu animal,

Perto do bar do Carlão,

Aproveitou e tomou uma,

Pra aturar seu garanhão.

 

O jegue voltou triste,

Sabendo o que lhe esperava.

Não demorou meia hora,

Mauricio o bicho capava.

Com dor no pissuidos

O jumento relinchava.

 

 

Só sei que o bicho sarou.

Mas, sempre jurando vingança.

Engordou ficou vistoso,

Criou peito,criou pança,

Quando anda se requebra,

Até parece que dança.

 

A revolta do capado,

Cada dia ficava maior.

Sua tristeza era grande,

Dava pena, dava dó.

E a situação de Mauricio,

Não sei se ficou melhor.

 

Pra vergonha de Mauricio,

Que era feliz outrora,

O jumento que era macho,

De repente virou boiola,

E é na porta de casa,

Que ele dá, relincha e chora.

 

 

O bicho perdeu os bagos,

Mas não perdeu o tesão.

Vive a castigar seu dono,

Depois da judiação,

O terreiro de Maurício,

Virou uma esculhambação.

 

Dizem que dona Toinha.

Depois da infelicidade.

Vive com as portas trancadas,

E pensa em mudar pra cidade.

Se Maurício não der um jeito

Ela muda de verdade.

 

Aninha pegou o beco,

Nino correu atrás.

Dizendo que aquele jegue,

Tinha parte com o satanás.

Com aquela sem-vergonhice

Ali não voltava mais.

 

Mas, parece que Maurício

Acostumou-se com a situação.

Há quem diga que ele gosta,

Daquela esculhambação.

E pretende cobrar ingresso,

Por cada exibição.

 

Maurício eu lhe dedico

A história que contei.

Sou sua amiga Dalinha.

Das suas graças eu sei.

Perdão se  nesses versos,

Eu fui um tanto sem lei.

 

 

 

 

 

Solange criança

 

SOLANGE, O BRINCO E O AMBULATORIO DE D. LUIZINHA

 

Jean Kleber

 

 

Minha avó, D. Luizinha, tinha mãos de fada. Em casa, era minha “enfermeira” predileta. Tirar um dente mole, sacar um estrepe, sarjar um furúnculo, fazer um curativo era com ela mesma. E tudo com misericórdia. Indolor tanto quanto possível.

 

O arsenal cirúrgico era simples: agulhas de costura, tesouras, toalhas limpas ou a própria mão bem lavada. A assepsia era feita com álcool, água oxigenada ou sabão “Pavão”. Contudo, seu desinfetante preferido era a Hipoclorina, comprada na farmácia de “seu” Idálio. Vinha em garrafinhas esguias de cor âmbar. Elegante. Hoje o produto está banalizado com o nome de “água sanitária”.

 

Ela costumava “distrair” o paciente contando casos. Uma forma ancestral de anestesia, certamente. No início dos anos 50, a escola de meu pai (Neném Mattos), funcionava a todo vapor. Numa tarde, eis que uma aluna de nome Solange queixou-se de dor na orelha. Era a filha de “seu” Wencery. Dona Luizinha examinou-lhe a orelha.

 

O lobo estava avermelhado e edematoso no local do brinco. Sinal de infecção. A avó ofereceu-lhe duas alternativas: acompanhá-la até sua casa ou tratá-la ali mesmo na escola. Incentivada pelas colegas, Solange, mesmo receosa, escolheu a segunda opção. Contando casos, D. Luizinha, com habilidade, retirou o brinco. Vitoriosa, exibiu o troféu à vista da paciente. Ainda se podia ver uma pequena gota vermelha que restara na peça.

 

Ao ver aquele quadro, Solange desmaiou por breves segundos preocupando a todos. Logo, “voltou”. Na época se dizia “deu uma agonia”. Seguiu-se a assepsia. Para alívio de todos, passado o susto, Solange abriu um belo sorriso.

 

Todos comemoraram e D. Luizinha aproveitou para fazer um “comercial” inusitado: - Eu sou boa nessas coisas. Já sequei até vestido molhado com o ferro de engomar!...

 

 

 

Everardo e família

 

 

UMA TARDE AGRADÁVEL

 

Marcondes Rosa de Sousa

 

Primeiro foi Braga, o coodenador do virtual “sítio” – www.ipueiras.com, o da Cidade Monarca, e do Grupo Ipueiras. Ele foi recebido na pousada de Everardo Mourão e Aninha. Depois, a vez de Dalinha, em rápida passagem por Fortaleza, a caminho de Ipueiras.

 

Dalinha me telefonou. Não queria, desta vez,  papos virtuais, só por telefone. Descrevia-me os afagos conterrâneos da Pousada. Estava ávida por papos de corpo presente. E o casal a anfitrioná-la já anunciava almoço na iminência de ter de ser servido. Mas tinha o prazer de retardá-lo um pouco para um encontro especial. E lá me fui...

 

Papos muitos, sôfregos até, na premência do tempo e dos muitos assuntos na conturbada pauta: o virtual “sítio”, a “pracinha”, os grupos vários, o blog, os encontros crescentes – os lá ficados, os egressos pelo País, no Globo até. E, em meio a isso, o olhar de fora descobrindo, cada vez mais, atrações e potencialidades: nos “causos”, na arte, na cultura, na economia, no turismo de serras, macambira, águas muitas – presentes ou retiradas.

 

No almoço, a re-evocação de nossos perdidos sabores. E, de certa forma, ali na pousada, o conforto e a atração do baixo preço cobrado aos hóspedes, nas relações acolhedores, nada impessoais. À mesa, o sabor caseiro mesclado ao elogiável refino (sem lhe descaracterizar a origem) dos padrões hoteleiros.

 

O casal registrou, em fotos digitais, vários ângulos do momento, que, doutra feita, aqui serão mostrados, num apelo a que a Pousada se torne o “point” dos conterrâneos e eventuais amigos, em passagem por esta outrora “lousa desposada do sol”, a “Fortaleza Bela” de nossa atual prefeira.

 

Everardo, esbelto, cinco quilos a menos, na batalha por mais cinco a emagrecer. Pedi fotos dos ambientes da acolhedora pousada que visitamos e do nosso encontro em papos tanto os dos “revirar as saudades” (expressão de Walmir Rosa) como dos possíveis saltos que Ipueiras poderia dar em seu projeto para o futuro.

 

 

Na saída, descubro que Pedrinho, o neto primeiro, possivelmente teria ligado a luz do carro. Várias horas haviam descarregado a bateria. Aí, cena inédita: Everardo, no volante, botando o carro para pegar. Dalinha, Aninha, a filha e eu ... a empurar o carro que, felizmente, funcionou.

 

Mas, em compensação, ficou-me a recordação. Everardo nos presenteou com uma dessas garafinhas “tamanho cajuína”. Em estético rótulo, “Aguardente São Gonçalo. Versão Prata. Foto estética de Raimundo Mourão e Melo. Desde 1888.”

 

De nível. Com estilo.

 

Uma agradável tarde. De outra feita, com fotos sobre a Pousada!

 

 

PAPOS NA POUSADA NOSSA CASA

 

Marcondes Rosa

 

Foi, de fato, uma tarde agradável, na Pousada Nossa Casa. Dalina, Everardo, Aninha e eu, colocamos em dia ampla e diversificada conversa sobre Ipueiras: passado, presente um projeto futuro à frente, quem sabe.

 

Problema de Ipueiras, que os de lá egressos reclamavam, hoje estaria resolvido. Everardo conta que esteve com Édson Morais, seu compadre. E contou este que, em Ipueiras, está funcionando um bom hotel. O problema, segundo Edson, é que, infelizmente, falta-lhe o principal: os hóspedes.

 

Mas um solitário hotel, digo-lhes eu, não faz o turismo. É preciso um esforço comum de todos os setores, de modo a que se crie uma política para atrair os turistas. Sem isso, pouco será possível. Dalinha diz ter estado nesse hotel. E testemunha. Culinária, em que Ipueiras demonstra históricas potencialidades, é coisa débil no hotel.

 

O hotel, nos diz Everardo, é um "bom hotel", encravado no Bairro "Vamos Ver", onde era a velha casa do "Seu" Pedro Tavares. Mas é preciso, além da política de turismo que haja divulgação de sorte a motivar eventuais conterrâneos. De repente, raciocina Everardo, os que deixaram a terrinha resolvem matar a saudade... Aí, terão a notícia e o endereço de onde hospedar-se.

 

O hotel - informa-nos Everardo -  é de "um conterrâneo nosso, conhecido como Chaga da Sucam, grande empresário naquela região".

 

Everardo agradece-nos por havermos colocado sua Pousada Nossa Casa em nossa lista de endereços eletrônicos. E a ele afirmamos que, hoje, a Pousada Nossa Casa figura na listagem dos endereços que remetemos para as instituições e empresas que compõem o chamado "Trade Turístico Cearense". Ele nos agradece, confessando-se "agradecido e feliz". 

 

À nossa saída, Everardo nos oferece um souvenir: a aguardente São Gonçalo, Versão Prata, existente desde 1888, ainda fabricada por seu pai, Raimundo Mourão. E nos faz o convite: "Quando quiserem saboreá-la, estamos às ordens. O convite se estende a todos os conterrâneos que nos derem a honra de por aqui passar".

 

Mostra-nos, em rápido passeio, os acolhedores ambientes da Pousada. Chama-nos a atenção o cuidado com leitos grandes e largos que possam acomodar eventuais estrangeiros de elevada estatura. E ambientes externos para papos ao ar livre, aí incluídas duchas em "boca de lobo" para banhos ao ar livre. 

 

Dá-nos o endereço eletrônico da Pousada Nossa Casa, uma página da Internet com fotos, informações, endereços, contacto.

 

Vá virtualmente lá você também:

 

http://www.pousadanossacasa.tur.br/index-antigo.html