Grupos

 

 

 

 

Cidade monarca

 

Marcondes Rosa de Sousa,

Professor

  O Povo - 18/02/2004

 

O global, por ironia, nos traz, em seu bojo, o local. É o que sinto quando, ao navegar pela Internet, aporto nos territórios virtuais, e ancoro, por fim, na Agência Polígono, do jornalista Frota Neto, onde o Nordeste e o mundo se fazem notícia. Ali se estampa a legenda: “Ipueiras no mapa do mundo”. Quem diria! A terra de onde, então crianças (Frota e eu), partimos rumo ao Sudeste, hoje plantada em uma “www”! Meu irmão, Walmir Rosa de Sousa, não se contém: “Só isso: www.ipueiras.com? Nem ‘br”? Monarca, esta cidade”!

 

Adentro tal “sítio”. O “Corcovado da Caatinga” aponta-nos as paisagens: o Jatobá dos nossos banhos, os açudes e as macambiras, a serra úmida.  Talentos e vultos da terra. Os populares tipos e suas estórias. A versão up grade, enfim, da “pracinha” de outrora, onde ipueirenses, vindos de todo o mundo, põem os papos em dia: (ipueiras@grupos.com.br). Reencontros, abraços, gerações em diálogo. Passado e presente, passados a limpo. E o projeto: todos um dia sob o abrigo da inclusão social. Esta, a pauta de Francisco Braga Barbosa, zelador do “sítio” e da “praça”, a nos contar sua saga: Anos 70. O pai, semi-analfabeto, na enxada de sol a sol. À frente, o sonho de ver “doutores” os filhos, sob o desdém do patrão: “Estudo não ficou para filho de pobre. Caneta de pobre é cabo de enxada ou machado”.

 

Hoje, o antigo patrão lamenta: nenhum de seus filhos tem as condições que os do empregado de outrora. Nesse tom, histórias muitas, marcadas pelo ritmo da “triste partida”, do “só deixo o meu Cariri, no último pau-de-arara” e do “amanhã, se der o carneiro, vou-me embora p’ro Rio de Janeiro (...) e vou voltar em videotapes e revistas coloridas”...

 

Contam-nos que, num cybercafé e em escolas, jovens passeiam pela Web, em Ipueiras, feita ícone de “revolução cultural possível”, pelos rincões do Ceará e do País. Daí, a euforia: “cidade monarca!”

 

      Marcondes Rosa de Sousa é professor da Universidade Federal do Ceará e da Universidade Estadual do Ceará, e  membro do Instituto Teotônio Vilella/Ce.  

  

	 Amigos de Ipueiras,
 
	O Dia Internacional da Mulher se aproxima.
	E eu escolhi Simone, que faz parte de nosso grupo,
	como homenageada.
	
	Por que Simone?
	Por que ela não ficou, pelos cantos,
	chorando suas mágoas.
	Vítima de um erro médico,
	que paralisou suas pernas,
	mesmo assim, tocou sua vida.
	Soube preservar seu casamento.
	Gerou mais um filho.
	Trabalha.
	E, mais do que isso, 
	carrega um sorriso no rosto,
	que só possui
	quem  não tem dores no coração.
 
	 Salve Simone, 
	bela representante da vida!
	
	(Nessa homenagem,
	tive a ajuda de meu amigo
	Marcondes Rosa,
	que deu seu jeitinho especial ,
	na foto e no texto,
	a ele, agradeço o carinho)
 
	Um abraço a todos,
	Dalinha
 
 
 
 

 

Guerreira Mulher.jpg

Você Sabe Ler????? Veajm

 

 

 

 

 

Você Sabe Ler?

 

 

Veajm como é intreessnate nsoso céerbro.

 

De aorcdo com uma pqsieusa de uma uinrvesriddae ignlsea, não ipomtra em qaul odrem as lrteas de uma plravaa etãso, a úncia csioa iprotmatne é que a piremria e utmlia lrteas etejasm no lgaur crteo. O rseto pdoe ser uma bçguana ttaol que vcoê pdoe anida ler sem pobrlmea. Itso é poqru e nós não lmeos cdaa lrtea isladoa, mas a plravaa cmoo um tdoo. Sohw de bloa! Enetdeu? sem pobrlmea. Itso é poqru e nós não lmeos cdaa lrtea isladoa, mas a plravaa cmoo um tdoo. Sohw de bloa! Enetdeu? -- Rodrigo Poveron

 como é intreessnate nsoso céerbro: De aorcdo com uma pqsieusa de uma

A Praça Vazia (18.05.05)

18:40 @ 15/03/2006

 

A PRAÇA VAZIA

 

Já estava acostumado! Chegava e encontrava a nossa praça, com seus ilustres freqüentadores devidamente acomodados e num papo animado. O nosso Causídico e Professor Marcondes, juntamente com nossa musa Dalinha, faziam as honras da praças. Eram os xerifes, ou melhor, como os gênios do futebol. A bola sempre chegava aos seus pés e eles a distribuíam redondinha para os demais da equipe. E os gols saiam naturalmente.

        

Esta semana, tenho observado que o nosso time está um pouco cabisbaixo. O nosso técnico um anda pouco afastado. Os nossos craques, bem, estes eu não sei se foram tentados com alguma proposta dos grandes times europeus. O certo é que a nossa praça, ao que parece, anda um pouco desmotivada.

 

Gente, não vamos deixar a peteca cair, vamos manter as chamas da nossa praça sempre acesa.

 

Contamos com você...

 

Muito bem, após esta balançada, esperamos que caiam mangas, cajus, abacates, laranjas e tudo mais...

 

Grande abraço a todos,

 

Raimundo Nonato de S. Lima

 

 

***

 

 

“A gente entra na roda

Diz um verso bem bonito,

Dá adeus e vai embora”

 

 

Pois é, Nonato. E você nem se deu conta. Você chegou. Espantou. Eu mesmo, olhos de professor, vi logo que você era bom de bola. E dos que não apenas se exibem nos grandes estádios. Gosta também de um futebolzinho de areia e até dessas peladas que a gente vê hoje espremidas nos bairros.

 

O time foi se formando, a bola por vezes caída em meio de campo, habilmente direcionada por você. Aí, o time fortaleceu-se: Dalinha, Tadeu, Walmir e as nossas "saias de plantão", como quer Dalinha, enriquecidas pela presença das que de fora, sobretudo, mais pintaram no pedaço que as arraigadas em nossas "retiradas águas".  Os papos se diversificaram, assumindo tons de enriquecimento...

 

Depois, as mortes últimas. As saudades. A lembrança dos que, da "velha geração" ainda restam!

 

Meu Deus, Renato me lembrava, antes da morte de "Seu" Edmundo, que poucos haviam ficado. Na listagem, esqueci-me do "Seu Dolar". Coisas da vida. Sou quase vizinho do Zé Dolar. Sempre me encontro com ele no Shopping Iguatemi. O velho Dolar está lúcido, mais de 90, em pé ...

 

Pois é! O importante é que, como a "pracinha" antiga (no meu tempo, a gente a chamava de "avenida") foi recebendo gente nova. O passado -  se evocava - também pedia reportagens de nosso conturbado presente e, sobretudo, algo de um esperado futuro.

 

O fato de a gente não estar todo o tempo papeando não significa dizer que estejamos ausentes. É meu caso.

 

Observo. Deixo até que as coisas andem. E é bom que assim seja. Pode ser até que a gente ocupando sempre o espaço - em vez de estimular a participação, termine até por inibi-la.

 

Isso, nos anos 70, aconteceu comigo. Criávamos no Ceará a Rádio Universitária. No Rio, alguém da Rádio Jornal do Brasil me aconselhava a criar um espaço de crônicas para os nossos à época 1300 professores. Fui fazer uma experiência e "dar o tom". Fiquei, por anos, sozinho. E hoje guardo mais de 8.000 dessas crônicas.

 

Pois é, Nonato. Você sempre presente. Aqui e ali, nós outros, temos os nossos problemas. E quando o papo está quente, bom, gostoso  - a gente (como eu) fica até feliz. Se o assunto morre, não tenha medo. A gente entra na roda e, como na ciranda, "diz um verso bem bonito, dá adeus e vai embora".

 

E assim caminham as coisas.

 

Parabéns pela "moderação ad hoc" (sem que você nem mesmo perceba).

 

Um abraço,

Marcondes Rosa de Sousa

 

 

 

 

 

 

RITO DE PASSAGEM

(Dalinha Aragão Catunda)

 

Vaqueiro bom de montaria.

Ela, uma rês vadia,

Solta no agreste sertão.

 

Vivendo na mira do laço,

Um dia, sem embaraço,

Será lançada ao chão.

 

Bezerra quase novilha,

Cevada -  que maravilha –

Chegara a ocasião.

 

O hábil vaqueiro ciente

De que é hora de ferro quente,

Marca a novilha então.

 

(Em tom de tributo)

 

A Catunda (Tereza Mourão)

14:53 @ 16/03/2006

 
 

 
 
Sempre é bom pensar nas palavras do CHICO.
Ele nos lembra  nossa condição humana de FILHOS de DEUS,
 em busca da PERFEIÇÃO.
 
Beijos
Tereza Mourão
 
 
NASCESTE NO LAR QUE PRECISAVAS,
 
Nasceste no lar que precisavas,
Vestiste o corpo físico que merecias,
Moras onde melhor
 
Deus te proporcionou, de acordo com teu adiantamento.
Possuis os recursos financeiros coerentes com as tuas necessidades, nem mais, nem menos, mas o justo para as tuas lutas terrenas.
 
Teu ambiente de trabalho é o que elegeste espontaneamente para a tua realização. Teus parentes, amigos são as almas que atraíste, com tua própria afinidade.Portanto, teu destino está constantemente sobre teu controle.
 
Tu escolhes, recolhes, eleges, atrais, buscas, expulsas, modificas tudo aquilo que te rodeia a existência. Teus pensamentos e vontades são a chave de teus atos e atitudes... São as fontes de atração e repulsão na tua jornada vivência.
 
Não reclames nem te faças de vítima.
Antes de tudo, analisa e observa.
A mudança está em tuas mãos.
Reprograme tua meta, busque o bem e viverás melhor.
 
“Embora ninguém possa voltar atrás e fazer um novo começo, qualquer um pode começar agora e fazer um novo fim”.
 
Chico Xavier

 

 

Amigos de Ipueiras,

 

Visitando nossa pracinha, rememorei momentos fantásticos. Este é hilário. Verdade. Escutem.

 

***

 

Após várias voltas pela praça, sentamos no banco em frente ao Hotel do Seu Meton. Era um grupo estridente.

 

O papo fluía com pudicidade de meninas moças. Lá pelas tantas, começamos os auto-elogios. Hum! e logo visitamos as partes favoritas do nosso corpo, e também as indesejadas.

 

Defeitos insuportáveis e irresolvíveis à época. Coisas de adolescentes. Eu tinha ódio à minha dentuça, embora meus dentes fossem brancos e meu sorriso fácil. Dias antes, a amiga  Rossicler tinha descoberto o meu apelido doméstico e divulgou na turma - Maria Bicuda.  

 

Neste ínterim, sem querer, querendo, atravessei o limite tênue entre o elogio e o deboche. Sorridente e crítica, tasquei em Rossicler, nossa querida Quéque do Seu Esmeraldo:

 

- Quequé, você realmente tem um rosto bonito, mas não tem um tico de bunda.

 

Surpresa e ferida, ela assim me respondeu:

 

Quando Deus fez o mundo

Estavam todos ausentes,

O que faltou na minha bunda

Cresceu aí nos teus dentes.

 

Gargalhadas...  risos... mangofas...Ai meu Deus! A turma botou foi pra quebrar em mim.

 

Passei quase um mês dentro de casa e me intriguei por muito tempo, com a minha melhor amiga, a traquina e inteligente Quequé, por conta deste episódio.

 

(Hilárias Adolescentes (conto de meu livro de memórias - em preparação)

 

 

 

LENDA DE SÃO GONÇALO DA SERRA DOS COCOS

 

Uma família estava fugindo da seca e passou na serra dos cocos. Trazia um filho pequeno. A fome era tanta que para não ver o filho morrer seguiu viagem, deixando-o debaixo de uma palmeira.

Uma mulher foi catar cocos e encontrou o menino. De inicio, pensou que ele estava morto. Furou-lhe o braço com um espinho e saiu sangue. Viu que ele estava vivo e que era um santo. Chamou-o São Gonçalinho e levou-o para casa e guardou num quarto.
Quando o marido chegou, à noitinha, a mulher foi mostrar lhe o santo mas não o encontrou.

No dia seguinte, foram ao local, onde fora encontrado e lá estava. Levaram-no para casa, de novo. Trancaram num baú. Mesmo assim ele saiu e voltou para o seu lugar. Isto se deu por varias vezes.

Então, o pessoal resolveu fazer uma capela pra ele. Depois de pronta colocou-o no altar. Mas ele não ficou, voltou para as palmeiras. Decidiram, enfim, botar duas palmeirinhas, de um lado e do outro do altar, aí ele ficou. O pessoal ficou chamando São Gonçalinho da serra dos cocos.

Dalinha Catunda é escritora e natural de Ipueiras, Ceará.

Extraído do Blog Primeiracoluna - http://www.primeiracoluna.blogspot.com/

 

 

UMA VOLTA NA AVENIDA

 

 Resolvi, agora, sair e dar uma volta na Avenida – assim é que nós, de Ipueiras, chamamos ‘pracinha’, não é?), para ver e rever conterrâneos.

 

Sintam-se cumprimentados todos os freqüentadores do nosso cantinho, que cá estão a bater um papo ou, silenciosamente, a espreitar a conversa dos outros, como eu normalmente faço. Em especial, envio meu abraço caloroso ao “Prefeito Braga”, que administra nossa “Ipueiras Virtual”, inteiramente voltado para o bem de todos e que, com abnegação, desprendimento e zelo, suporta todo o “orçamento público municipal”, sem arrecadação de qualquer tributo de seus munícipes (aí entendidos anúncios e subvenções).

 

As renitentes convocações feitas pela Dalinha (nossa Musa), pelo Braga e outros colaboradores para que todos divulguem o endereço www.ipueiras.com fizeram-me acordar da letargia para dizer aos conterrâneos e simpatizantes do “sítio” que acessem a página mais vezes, enviem mensagens, notícias, relatos, opiniões ou, simplesmente, dêem aquela “espiadinha básica” de que nos falava o Pedro Bial no BBB, porquanto a participação, mesmo sem manifestação, é importante, tendo-se em vista que o administrador da Página tem informação sobre o número de visitantes. A retribuição do nosso “Prefeito Braga” é medida pelo número de visitantes. Quanto mais gente aparecer, mais ele ganha (na moeda satisfação e reconhecimento por serviços prestados à nossa Ipueiras).

 

Aproveitando: Vavá Mourão, Zé Adair Farias, Hélio Catunda, Wellington Esmeraldo, Helder Sabóia, Raimundo, Marcos e Rubens Frota, Elisa Carminha, Lelete, Fátima Mourão, Socorro, Zé Almir, Gessy e Maria do Carmo Terto, Aglaê, Dagmar, Leda, Graça, Mimosa, Fátima, Renato, Edésio, Nemésio, Antônio (Tuíca) Medeiros, Bento, Mirangusta, e muitos outros – onde estão vocês que não aparecem? Depois, a gente faz chamamento de mais conterrâneos.          

 

Vejo, com muita satisfação, que todos estão acordes em deixar de lado qualquer antagonismo que, em determinado momento tenha por acaso aflorado, para direcionar os esforços para a construção e o engrandecimento do nosso sítio.

 

Um abraço do

Walmir Rosa

 

 

 

A NOITE DO PAPOCO

 

Frota Neto abre, em seu “Quase”, págs. 358-9, espaço para “A Visão do Padre Vigário”. Desta feita, um pitoresco flagrante:

 

             “Deixe ao vigário padre Correia Lima, vindo de sua primeira paróquia em Santa Quitéria, o fazer a narrativa em seu livro autobiográfico “Vendo a Vida Passar” (editado em 1979) de como sendo Ipueiras de então:

 

             (...) No meu primeiro ano em Ipueiras, ao se aproximar a festa, fiz na Igreja um comentário em torno das nove noites de festa. Na última, eu, que já estava avisado do grande estrondo que o Zaca faria nessa noite, expressei-me dizendo que a última noite seria uma noite de papoco.

 

Com esta minha expressão, houve um ruidoso riso instintivo dos fiéis em plena igreja.  Eu me surpreendi com aquela risada. Então, vim a saber que papoco, ali era o bairro das mulheres da vida, e não foram poucos os que me vieram advertir. Os gaiatos da cidade, entretanto, não deixaram passar a oportunidade para explorar a parte cômica, e diziam: ‘Ah! este padre, sim, também promoveu uma noite do papoco, o que não fez o monsenhor Fontenele em vinte anos de vigário em Ipueiras”. 

 

Em post scriptum, Frota comenta:

 

“Perdoe-me a similitude fonética, não era bem papoco, mas pipoco, a ilha gueto vedada a nós meninos)”

 

 

 

 

 

A PALMATÓRIA E AS MENINAS DA IPUEIRAS ANTIGA

 

Releio o “Quase”, de Frota Neto (o “An­tônio do Seu Idálio”), onde Ipueiras se salpica e se lembra em todas as páginas. E, de logo, me demoro em alguns tópicos. Dois deles, por ora:

 

1)  O autógrafo: “Ao Marcondes - a quem, desde Ipueiras, aprendi a admirar – e de cuja amizade me envaideço. Fort. 03.02.2000”.

 

2)  Entre as lembranças da infância: “Das sur­ras de palmatória nos filhos de nossos pais, não éramos exceção entre os iguais meninos. Por que será que por toda Ipuei­ras não se sabia quase nunca de uma me­nina crescida apanhando dos pais – só nós, meninos? (p. 20)”

 

Pergunta: Nisso, um sinal de respeito à mulher? De reação ao machismo?

 

Abraços,

Marcondes Rosa

 

 

 

***

 

Ouço muito, histórias sobre palmatória.

 

No meu tempo esse instrumento de tortura já tinha sido abolido. Mas minha mãe tinha uma tática para demonstrar sua autoridade: mandava-nos apanhar o cipó no mato, para depois "apanhar".

 

Lembro-me que eu, "bobo" que era, pegava um cipó de mufumbo, pois este continha muitas fo­lhas, ou seja, aliviava as pancadas. Qual foi a mi­nha surpresa um dia, quando vi os dedos, indicador e polegar, formarem uma "roda" em volta do cipó e, uma a uma, as folhas iam sendo arrancadas, dei­xando aquela pontinha, bem fininha no final, que quando de encontro ao meu corpo, faziam um som de chicote. Dobravam e sempre deixavam aquelas muitas marquinhas vermelhas.

 

Mas nunca apanhei sem merecer... Também não me arrependo das travessuras que fiz. (rsrs)

 

Abraços

         Braga

 

 

***

 

Conheço a obra do Jornalista Frota Neto e numa oportunidade, comentei com ele sobre as sur­ras das meninas.

 

Sei de muitas amigas que apanhavam e es­condiam. O que não se dava comigo, apanhava sim, mas fazia um escândalo que acordava a rua, e se fi­casse marcada saia mostrando desde as tias até a avó.

 

De relho a cipó, passando por palmatória te­nho um vasto currículo.  A coisa amenizou um pouco com a novidade da ja­ponesa, ou seja, as famosas havaianas. Certa­mente, se as mulheres tivessem dado seus relatos o desenrolar da história teria outras nuances.

 

Um abraço a todos,

Dalinha

 

***

 

Chegam-me, das mulheres ipueirenses, depoi­mentos sobre “surras” e “palmatórias”. Solange, irmã que não me lembro, em criança, “apanhando”, diz-me que, “de palmatória”, nunca. Mas “de chinelo”, muito, de minha mãe. Ela reforça a imagem de que, nós meni­nos, vivíamos na rua. E que as mulheres não divulga­vam muito as “pisas” que levavam.

 

            Da Alemanha, Darci, a cada mensagem, sobre o “Quase” do Frota (para ela difícil chamá-lo de “Frota”, o tal “Antonio do seu Idálio), vai ela conferir o tópico no livro que recebeu. Alguns trechos de sua mensagem:

           

            “(...) Fui aluna da Diana Moreira mas não ha­via o medo da palmatória. Mas vi algumas meninas apanhando ( "Bolos" de 1 a 4 ).

 

Em casa, minha mãe nos comandava militar­mente. Bastava que o armário de roupas não estivesse super arrumado para a palmatória baixar. Ou o ta­manco ( que estava no pé) porque a palmatória nunca estava no lugar que devia estar. O pior é que ao "apa­nhar" não podíamos gritar... tínhamos que sufocar a dor. Do contrário apanhávamos mais ainda...

 

Também levei muitos "cocorotes , mas nunca apanhei de relhos, cipós, ou coisa parecida. Palmatória pura. Nunca havia pensado nisso mas nunca vi  as minhas irmãs mais velhas  (crescidinhas) apanhando... (...) Acho mesmo que os meninos eram menos castiga­dos do que as meninas. Lembro do Kleber (filho do seu Matos, meu vizinho) que me mordia e nunca apanhou por isso nem tampouco  era castigado (segundo ele).

 

***

 

Não cheguei a sentir o peso da palmatória, mesmo porque as mãos de meu pai (grandes e caleja­das pelo trabalho diário na lavoura) já faziam o seu pa­pel.

 

 Acredito ter sido uma pessoa de sorte (ou não aprontei o bastante), pois levei poucas surras de meu pai. Em compensação, minha mãe me castigava sem­pre. 

Ouvi muitas histórias da palmatória principal­mente do seu uso nas escolas, um tio cotava-me que sua professora sempre a usava e ele que era muito "palhaço" (a professora perguntava se ele ia criar barba na "cartilha do ABC" e ele respondia que não, iria criar barba era no rosto ) estava sempre a seu merecer.

 

Dalinha, você tem razão, pois as meninas es­condiam (e ainda escondem) as surras.  

 

Abraços,

Lucilene.

 

 

***

 

Lucilene,

 

É bom saber que mulheres e surras movimentam o grupo.

 

Fica combinado assim: Mulheres do grupo sem rela­tos, "calam e consentem". Não é mesmo, Ester, Dolores,e demais amigas???

 

Lucilene sua participação é muito importante. Um comentário, por menor que seja, é uma atitude. Se os homens se calam, vamos, nós mulheres, movimentar esse trem.

 

Aí sim, a surra será feia.

 

Um abraço,

Dalinha

 

***

 

É isso aí! Nada de ficarmos caladas.Ainda sinto o ar­dor nas maos dos "bolos".

 

(...) Fica aí a sugestão,

 

Darci

 

***

Achei interessante a idéia proposta pela senhorita Da­linha de falar sobre "meninas e surras", pois, segundo ela, quem cala consente.

 

Particularmente, não considero relevantes as "palma­dinhas" que levei na infância, até porque, se eram prá con­sertar "alguns equívocos", acabaram mesmo por acentuá-los.

 

A grande jogada mesmo é correr com os lobos, mesmo que tenhamos que apanhar constantemente da vida.

 

Beijos a todos

 

Ester Timbó

 

 

***

 

 (...) Sou craque no assunto, bolo para mim era apenas sobremesa.

 

            Dalinha.