
A PALMATÓRIA E AS MENINAS DA IPUEIRAS ANTIGA
Releio o “Quase”, de Frota Neto (o “Antônio do Seu Idálio”), onde Ipueiras se salpica e se lembra em todas as páginas. E, de logo, me demoro em alguns tópicos. Dois deles, por ora:
1) O autógrafo: “Ao Marcondes - a quem, desde Ipueiras, aprendi a admirar – e de cuja amizade me envaideço. Fort. 03.02.2000”.
2) Entre as lembranças da infância: “Das surras de palmatória nos filhos de nossos pais, não éramos exceção entre os iguais meninos. Por que será que por toda Ipueiras não se sabia quase nunca de uma menina crescida apanhando dos pais – só nós, meninos? (p. 20)”
Pergunta: Nisso, um sinal de respeito à mulher? De reação ao machismo?
Abraços,
Marcondes Rosa
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Ouço muito, histórias sobre palmatória.
No meu tempo esse instrumento de tortura já tinha sido abolido. Mas minha mãe tinha uma tática para demonstrar sua autoridade: mandava-nos apanhar o cipó no mato, para depois "apanhar".
Lembro-me que eu, "bobo" que era, pegava um cipó de mufumbo, pois este continha muitas folhas, ou seja, aliviava as pancadas. Qual foi a minha surpresa um dia, quando vi os dedos, indicador e polegar, formarem uma "roda" em volta do cipó e, uma a uma, as folhas iam sendo arrancadas, deixando aquela pontinha, bem fininha no final, que quando de encontro ao meu corpo, faziam um som de chicote. Dobravam e sempre deixavam aquelas muitas marquinhas vermelhas.
Mas nunca apanhei sem merecer... Também não me arrependo das travessuras que fiz. (rsrs)
Abraços
Braga
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Conheço a obra do Jornalista Frota Neto e numa oportunidade, comentei com ele sobre as surras das meninas.
Sei de muitas amigas que apanhavam e escondiam. O que não se dava comigo, apanhava sim, mas fazia um escândalo que acordava a rua, e se ficasse marcada saia mostrando desde as tias até a avó.
De relho a cipó, passando por palmatória tenho um vasto currículo. A coisa amenizou um pouco com a novidade da japonesa, ou seja, as famosas havaianas. Certamente, se as mulheres tivessem dado seus relatos o desenrolar da história teria outras nuances.
Um abraço a todos,
Dalinha
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Chegam-me, das mulheres ipueirenses, depoimentos sobre “surras” e “palmatórias”. Solange, irmã que não me lembro, em criança, “apanhando”, diz-me que, “de palmatória”, nunca. Mas “de chinelo”, muito, de minha mãe. Ela reforça a imagem de que, nós meninos, vivíamos na rua. E que as mulheres não divulgavam muito as “pisas” que levavam.
Da Alemanha, Darci, a cada mensagem, sobre o “Quase” do Frota (para ela difícil chamá-lo de “Frota”, o tal “Antonio do seu Idálio), vai ela conferir o tópico no livro que recebeu. Alguns trechos de sua mensagem:
“(...) Fui aluna da Diana Moreira mas não havia o medo da palmatória. Mas vi algumas meninas apanhando ( "Bolos" de 1 a 4 ).
Em casa, minha mãe nos comandava militarmente. Bastava que o armário de roupas não estivesse super arrumado para a palmatória baixar. Ou o tamanco ( que estava no pé) porque a palmatória nunca estava no lugar que devia estar. O pior é que ao "apanhar" não podíamos gritar... tínhamos que sufocar a dor. Do contrário apanhávamos mais ainda...
Também levei muitos "cocorotes , mas nunca apanhei de relhos, cipós, ou coisa parecida. Palmatória pura. Nunca havia pensado nisso mas nunca vi as minhas irmãs mais velhas (crescidinhas) apanhando... (...) Acho mesmo que os meninos eram menos castigados do que as meninas. Lembro do Kleber (filho do seu Matos, meu vizinho) que me mordia e nunca apanhou por isso nem tampouco era castigado (segundo ele).
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Não cheguei a sentir o peso da palmatória, mesmo porque as mãos de meu pai (grandes e calejadas pelo trabalho diário na lavoura) já faziam o seu papel.
Acredito ter sido uma pessoa de sorte (ou não aprontei o bastante), pois levei poucas surras de meu pai. Em compensação, minha mãe me castigava sempre.
Ouvi muitas histórias da palmatória principalmente do seu uso nas escolas, um tio cotava-me que sua professora sempre a usava e ele que era muito "palhaço" (a professora perguntava se ele ia criar barba na "cartilha do ABC" e ele respondia que não, iria criar barba era no rosto ) estava sempre a seu merecer.
Dalinha, você tem razão, pois as meninas escondiam (e ainda escondem) as surras.
Abraços,
Lucilene.
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Lucilene,
É bom saber que mulheres e surras movimentam o grupo.
Fica combinado assim: Mulheres do grupo sem relatos, "calam e consentem". Não é mesmo, Ester, Dolores,e demais amigas???
Lucilene sua participação é muito importante. Um comentário, por menor que seja, é uma atitude. Se os homens se calam, vamos, nós mulheres, movimentar esse trem.
Aí sim, a surra será feia.
Um abraço,
Dalinha
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É isso aí! Nada de ficarmos caladas.Ainda sinto o ardor nas maos dos "bolos".
(...) Fica aí a sugestão,
Darci
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Achei interessante a idéia proposta pela senhorita Dalinha de falar sobre "meninas e surras", pois, segundo ela, quem cala consente.
Particularmente, não considero relevantes as "palmadinhas" que levei na infância, até porque, se eram prá consertar "alguns equívocos", acabaram mesmo por acentuá-los.
A grande jogada mesmo é correr com os lobos, mesmo que tenhamos que apanhar constantemente da vida.
Beijos a todos
Ester Timbó
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(...) Sou craque no assunto, bolo para mim era apenas sobremesa.
Dalinha.