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AOS AMANTES DA FRUTA

 

 

 

Jatobá

 

É difícil falar em Jatobá sem que o pensamento faminto e cheio de saudades não me transporte imediatamente até o Ceará, e conseqüentemente, a Ipueiras, cidade pequena, pacata, de povo acolhedor. Cenário mágico de minha infância e juventude, onde o velho Jatobá, feito cobra gigante, majestosamente serpenteia a cidade.

 

Jatobá, na língua guarani, significa "folha dura" ou "árvore de fruto duro". E hoje, esqueço um pouco o velho Jatobá para falar dessa frutinha gostosa, diferente, que também fez parte da minha meninice.

 

 Nasci e me criei, ouvindo falar em jatobá. Desfrutei do rio e comi da fruta. Na dormência da memória, morava o jatobá que, provocado, eclodiu em boas lembranças. Parece que foi ontem... Eu menina, de pedra na mão, quebrando a tal fruta para comer a massa de gosto incomparável, de cor deslumbrante, amarelo fosforescente, a qual abrigava o jatobá dentro de sua casca dura e marrom. Após sujar a cara com o pozinho do jatobá, não sem antes ter me entalado por diversas vezes, era hora de brincar com os caroços, que eram tão bonitos quanto as cascas e a massa.

 

Em nome dessa álacre lembrança, munida de saudades, acessei a "Wikipédia" e fiz uma pequena pesquisa, que muito me agradou e certamente agradará os amantes da fruta.

 

Eis o obtido em relação ao Jatobá:

 

"Como planta medicinal, diferentes partes são usadas por indígenas do Brasil, Guianas e Peru contra diarréia, tosse, bronquite problemas de estômago e fungo nos pés."

 

"Entre seringueiros e moradores de regiões próximas das florestas onde se encontram, é comum utilizarem a casca da árvore para fazer um chá, também chamado de vinhos de jatobá. Acreditam que este chá é um poderoso estimulante e fortificante".

 

Pois é, amigos, Ipueiras em sua singularidade bebeu do Jatobá e, comeu o jatobá.

 

Dalinha Catunda,

             Ipueiras-Ce

 

Migrante(Dalinha Catunda)

01:21 @ 05/01/2007

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

MIGRANTE

 

 

Sou das águas retiradas.

Sou do sertão nordestino.

Das caatingas desertei,

Lamentando meu destino.

Pois deixar o meu torrão,

Machucava-me o coração

Causando-me desatino.

 

Meu dialeto sagrado

Era motivo de riso.

Era uma rês desgarrada,

Mas seguir era preciso.

Pedi a Deus proteção,

E à Virgem da Conceição,

Para me dar mais juízo.

 

Não reneguei minha terra,

E jamais renegarei.

De ser filha do Nordeste,

Sempre me orgulharei.

Lamento até ter perdido,

Aquele sotaque antigo,

Que de lá eu carreguei.

 

Na minha casa nova,

Onde hoje brilha o chão,

Num canto especial,

Avista-se um pilão,

Em outro canto uma rede

Onde embalo com sede,

As saudades do sertão.

 

Tapioca com manteiga,

Não deixo de comer não.

Numa panela de ferro,

Faço um gostoso baião.

Cabeça de galo e mal-assada,

São iguarias apreciadas,

Com gosto de tradição.

 

Rezo p’ra São Francisco,

E padre Cícero Romão.

Pra proteger Ipueiras,

Meu pequenino rincão

Pois é lá minha ribeira,

Onde a linda carnaubeira,

Ao vento lança canções.

 

Eu vim sem querer vir

Fiquei sem querer ficar,

Mas um dia ainda volto,

A morar no meu Ceará.

Longe da terra amada,

Serei sempre ave arribada

Voando tentando voltar.

 

Dalinha Catunda

Ipueiras Ce

 

 

 

 

 

SINOS DE MINHA INFÂNCIA

 

Marcondes Rosa de Sousa

 

O Povo , 20 de março de 2002

 

 

Uma cena me intrigava, em criança. Se, na Matriz de Ipueiras, dobra­vam dolentes os sinos, al­guém "passava desta para a melhor"; se repicavam alegres, "um anjinho subia aos céus". Can­ções nos falavam de "léguas tira­nas, "paus-de-arara", "estrada do Canindé", "Padirn Ciço", "missões de Frei Damião". Na escola, apren­díamos que, por aqui, somos todos "Moacir, o filho da dor". E, predes­tinação de uma raça, lá me fui eu em busca dos verdes e do eldora­do do centro-sul.

 

Lá, era o dito, "São Paulo expor­ta café; e o Ceará, o talento" - váli­do este, só se exportado. Um dia voltei e, cedo, abracei o verbo "mu­dar", trocando o "contra as secas" pelo "em favor das águas". E hoje sou dos que pensam que o acúmu­lo e os caminhos das águas, sem uma mudança cultural, a pouco nos levará. Hypérides Macedo ga­rante que já teríamos água sufi­ciente e que, para o verde das plantas, "basta um tiquinho". E, ante os aquiescentes olhares dos secretá­rios Pedro Sisnando e Carlos Ma­tos, depõe-nos: "Em Israel, todo ci­dadão tem um jardim na cabeça".

 

Em nossas cabeças, ao invés, ha­bitamos ilusórias "Twin Towers" e os Beach Parks de nosso alienado lazer. E alimentamos vãos sonhos de que, "se der o carneiro", arran­camo-nos daqui "pro Rio de Janeiro".

 

 Tempo, pois, de chamar religio­sos, artistas, educadores, políticos, a sociedade enfim, para um novo "contrato social" a se assentar na revisão de suas cláusulas pétreas: do projeto de Deus aos nascidos aqui; do pacto histórico celebrado por nós, de Moacir a Tasso Jereis­sati; da convivência social e huma­na, afinal. Se, como antes, os sinos celebrarão ou não a mortalidade infantil. Se o sol e o vento, desper­dício energético, ainda nos quei­marão e açoitarão. Se o semi-árido será ou não a terra da expiação, do "penitencial turismo".

 

Questão, pois, aberta aos que, na escola e na sociedade, são res­ponsáveis por este "tema transver­sal", em nossa vida e cultura!

 

Marcondes Rosa de Sousa é professor da Uni­versidade Federal do Ceará (UFC) e da Universi­dade Estadual do Ceará (Uece). Ora exercendo a pre­sidência do Conselho de Educação do Ceará.

 

Disponível nos Blogs:

 

 

http://www.grupos.com.br/blog/ethos-paideia/

http://www.grupos.com.br/blog/ipueiras/

 

 

 

 

 

 

 

 

 

ABRA A BOCA E FECHE OS OLHOS

 

Jean Kleber Mattos

 

Para mim é uma cena encantadora. O momento em que uma criança de dois anos mais ou menos é apresentada à primeira “balinha” de sua vida. Ainda sem a coordenação e a habilidade suficientes para desembrulhar a guloseima, morde-a com papel e tudo.  Logo surgem os adultos dizendo-lhe, entre risos, “não é assim que se come”. Isso tudo ante o olhar estupefato do infante. Delícia!

 

Creio que lembro de minha primeira balinha. Foi em Ipueiras, no Ceará, aos dois anos de idade, anos 40. Chamava-se “Caramelo”. Era pequena, amarela, quase cilíndrica. Recheada, um fio de doce marrom avermelhado surgia à primeira mordida. Figurou durante muito tempo nos mostruários. O papel envolvente não era celofane. Era branco, com ilustração de frutas nas cores azul e amarelo. Eu chamava tudo aquilo de bombom. Aprendi com alguém. Mais tarde soube que o nome certo é “bala”. Em Pernambuco, “confeito”. O bombom é de chocolate.

 

Também lembro da primeira vez em que bombons com papel colorido encheram meus olhos. Eurípedes Matos, filho do prefeito Sebastião Matos e recém chegado da América do Norte onde se formara, presenteou meu pai, Neném Matos, com uma caixa. Que felicidade! Bonitos e saborosos! O incrível gosto do chocolate!

 

Mas o regalo da fome de doces tinha na culinária local um elenco valioso de opções: doce de buriti, doce de leite, pirulitos, rapadura, tijolo de coco e cocada. Meu Deus, as cocadas! Manjar dos deuses. Engolir ou não o bagaço? Eis a questão...

 

Os doces sempre foram prendas bem disputadas nos leilões das festas da paróquia de Ipueiras. As frutas locais eram matéria prima de uma grande quantidade de delícias. Doces de caju, goiaba, jaca, mamão e laranja da terra (da casca). Doce de manga não figurava entre os destaques. Banana, sim. Nas duas formas principais: massa e compota. O mel de abelhas era sempre, para mim, o de jandaíra (Melipona subnitida Ducke). Meu pai mantinha um pequeno apiário tipo caixote. Cera preta. Favo do tipo panela. Abelha sem ferrão.

 

Impossível esquecer os produtos do engenho de cana. Mel ou melado. Uma delícia. Com farinha então... E com banana fatiada? Hum! A rapadura e batida. Esta mais mole e envolta num invólucro de palha de bananeira. A palha de bananeira também embalava a mariola, um doce de banana vendido em tabletes. A palha e a folha da bananeira notabilizaram-se entre nós, nordestinos, como invólucros multiuso. Ainda sobre os produtos do mel de cana, não esqueçamos o alfenim ou “puxa-puxa”.

 

Doces de leite tinha de dois tipos: um deles amarelo claro, de ponto meio cristalizado. O outro, “talhado”, era grumoso e mais moreno. Minha preferência recaía sobre o primeiro. Era geralmente servido no bar de seu Guarani.  E o “colchão de noiva”? A iguaria em forma de cocada. Em Ipueiras não tinha. Bastava, porém, pegar o trem e rumar à Sobral. Em poucas horas servíamo-nos. Ainda morno. Sobre o caju, a indústria de doces sofisticou-se com o passar do tempo. Assim, doces da fruta existem na forma de “ameixa” onde o próprio fruto, inteiro, é o doce. Ou como cristalizado, este mais seco, envolto numa camada de açúcar, às vezes com a amêndoa assada do fruto habilmente implantada. Papel celofane o recobre. No ambiente caseiro, era o doce em massa e a compota, ou a castanha assada cristalizada feita ao fogo, no tacho, com mel de açúcar cristal, até dar ponto.

 

Os doces sempre foram um ingrediente notável nas cenas de ternura. Desde a “hollywoodiana” caixa de bombons com a qual se adula a amada, até àquela conhecida brincadeira de por um doce na boca de alguém com a frase: “abra a boca e feche os olhos”. Às vezes é farelo de rapadura... Tem coisa melhor?

 

Os médicos nos advertem sobre a perigosa combinação do consumo de doces e a vida sedentária. Risco de diabetes. Para mim, apenas um risco consigo reconhecer quanto ao consumo dessas delícias.

 

Comer demais. Oh! Bicho bom !   

 

 

 

OS 90 ANOS DE DONA INEIZITA

 

 

Francisco Tadeu Fontenele

 

O longo itinerário se iniciou no Barro Vermelho, atual bairro de Antonio Bezerra, em Fortaleza, onde nasceu em 07 de janeiro de 1917. No ano de 1935, após 18 anos de convivência na família Ribeiro Bessa, em que se destacava como primogênita do casal Francisco Ribeiro e Maria de Jesus Bessa, nossa Inês Ribeiro Bessa, a Ineizita, saía de casa para cumprir a nobre missão de professora de ensino público. Deixava com os pais os irmãos: Paulo, Laís, Clarisse, Luís, Lourdite, Marilu, Bessinha, Lídia e Tetê.

A distante e então desconhecida cidade de Ipueiras, a mais de 300 km de distância da capital, foi a cidade que a acolheu. Chegara ali para implantar o ensino público, acompanhada de mais quatro colegas. O árduo trabalho, a dedicação, a competência das professoras logo foram reconhecidos pela população ipueirense, além da estima e admiração pela beleza e jovialidade das mesmas. Foi aí que aflorou mais uma das missões reservada a Ineizita, o casamento.

Embora com um compromisso de noivado que deixara na Capital, a jovem, bonita, instruída e educada professora não resistiu aos galanteios de Zeca Bento, filho caçula do Coronel José Bento de Oliveira Fontenele e de Inocência Catunda Fontenele.

O enlace ocorreu em dezembro de 1936. Iniciou-se, logo no ano seguinte, a prole do casal com o nascimento de Maria Helena (Leninha), um ano depois nasceu Marinês. Assim, no entra-ano-sai-ano, a família foi crescendo e vieram, na seqüência, Marilac, José Bento, Raimundo Catunda, Inocência, Maria de Lourdes (Lourdite), Fernando Antonio, Elizabete (Beta), Francisco Tadeu, Armando Paulo, Clarisse Maria e Lígia Maria. Hoje os herdeiros de Zeca Bento e Ineizita somam 11 filhos (pois Beta e Raimundo Catunda já habitam outro plano espiritual), 26 netos e 19 bisnetos. 

A longevidade de nossa Ineizita, que hoje completa 90 anos, nos faz referir também aos que já se foram, como seus pais, seus irmãos Paulo, Clarisse, Luís, Lourdite e Lídia, seu marido Zeca e seu genro Lisboa Mourão, sua nora Vânia e todos os parentes e amigos que, com ela, conviveram e, de outro estágio espiritual, participam da comemoração deste aniversário.

E que esta longa vida perdure por anos e mais anos, para a alegria em ter nossa Ineizita sempre bem próxima e para ensejar oportunidades de muitos congraçamentos. A professora Ineizita Ribeiro Fontenele se dedicou ao ensino público em Ipueiras desde sua chegada na nossa terra, em 1935, até sua aposentadoria no anos 60, tendo ministrado aulas a várias gerações de ipueirenses no Grupo Escolar Padre Angelim, do qual foi Diretora por vários anos.

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Francisco Tadeu Fontenele é um dos filhos da homenageada

(Transcrito do Primeira Coluna)

 

 

DALINHA ARAGÃO


Poetisa, escritora e uma apaixonada por Ipueiras, Maria de Lourdes Aragão Catunda, ou Dalinha Aragão, reflete o que nossa cidade tem de melhor. Sua paixão pela terrinha é retratada em seus versos, os quais podem se vistos em seus textos, neste portal e em diversos sites da internet, entre eles, o site www.opovo.com.br, e tem seus artigos publicados regularmente.

 

Vai, pelo menos, de três a quatro vezes anualmente em Ipueiras, onde, além de rever os amigos, gerenciar sua propriedade e desenvolver diversos projetos, inclusive sociais. Uma de suas grandes conquistas é a articulação para a aprovação do Prêmio Frota Neto de Literatura, o maior evento de Ipueiras em incentivo à criação literária.

 

Mulher de personalidade forte, acredita nos seus sonhos e nunca se deixou abater pelas adversidades que a vida, em alguns momentos, lhe proporcionou. Constitui sua família no Rio de Janeiro, vivendo ao lado de seu marido e filhos, mas exige que seus textos seja lembrados como “Dalinha Catunda, poetisa, de Ipueiras-CE”, sua paixão e inspiração.

 

Dalinha foi apresentada ao grupo coordenador do ipueiras.com pelo então colaborador Bérgson Frota e nunca mais deixou nosso espaço. Articulou a inserção deste portal em diversos outros sites ligados à cidade Mobilizou pessoas e colaboradores, como Tadeu Fontelene, o Prof. Marcondes Rosa e muitos outros não menos importantes. Trouxe a simpatia e a disciplina feminina donde tiramos lições valiosas dia-a-dia.

 

Essa ipueirense de garra é o símbolo da garra e da perseverança, características das mulheres ipueirenses.

 

 

Extraído do Sítio www.ipueiras.com

Apresentação do Coordenador