Grupos

 

As esquecidas estações

 

Por Bérgson Frota

 

No início do século vinte a estrada de ferro representava o progresso. Cidades e mais cidades interioranas disputavam a honra de serem cortadas pelos trilhos que deitados em fortes dormentes traziam o futuro mais rápido.

No Ceará a rede de transportes ferroviários passou por sua fase áurea e encontrou no descaso e surgimento de outros meios de transporte o triste ocaso em que até hoje agoniza.

Infelizmente o transporte ferroviário foi relegado a segundo ou melhor dizendo, terceiro plano, se é que se pode este termo utilizar.
Na prática as estradas asfaltadas que se multiplicaram a partir da década de 70 foram em muito responsáveis para pôr-se de lado as viagens por linhas férreas. Vistas então como uma opção de transporte ultrapassado.

A estação de Ipueiras que foi inaugurada em 01 de maio de 1910, apesar de necessitar de reparos, guarda exteriormente a clássica e simples arquitetura da época. Sofrendo portanto o mínimo que se poderia comparar ao prédio já em ruínas do distrito próximo, Eng. João Tomé (Charito).

Prédios belos e bem construídos sendo ruídos pelo descaso com o passado. Muitos figuram na lista de obras a serem demolidas pelas prefeituras. Há a possibilidade e realidade de transformá-los em escolas ou museus. Até mesmo das próprias cidades cearenses de um ou outro centro citado.

Nosso País é definido também como um país sem memória. A definição concretiza-se pelos fatos expostos diariamente diante da impassividade dos governantes ante a destruição e o desgaste dos prédios históricos tombados ou não pelo patrimônio nacional.

Outro fato que mostra o pouco caso feito aos monumentos históricos é a desvirtuação de seus espaços. Quando se fazem construções não vinculadas ao monumento mesmo com a defesa da tecnologia, se fere uma paisagem, correndo infelizmente o risco do monumento ser obliterado pela construção mais recente.

Vivemos num período de rápidas e grandes transformações, mas a história nos mostra que nenhum ganho trouxe a uma população a construção de obras sobre os escombros doutras de valor histórico inestimável, o oposto se mostrou mais positivo.

E neste caso pode-se aplicar muito bem o ato de conservação e nova utilização das já tão esquecidas estações ferroviárias. O aminho para se chegar a um futuro onde as gerações possam de fato trocar contribuições e com isso se enriquecerem passa pela preservação de monumentos que são um verdadeiro elo ligando o passado ao presente para o forjamento de um futuro melhor.

*Primeira ColunaC*

Texto publicado originalmente no jornal O Povo, de Fortaleza.

Bérgson Frota é professor visitante da Universidade Estadual Vale do Acaraú (UVA) e professor de Grego Clássico no Seminário da Prainha - Fortaleza.

 

Dos jumentos, a imagem que me ficou

 

Marcondes Rosa de Sousa

 

De Ipueiras, ficou-me a imagem dos jumentos, sempre em comboios, a construir a economia da Cidade, o bem estar, a saúde, o transporte dos mais pobres. Sempre, em seus lombos, areia, água, farinha, frutas, gente pobre sobre cangalhas e selas. Indo e vindo de lugares de acesso difícil, lá aonde os caminhões e mesmo carroças a custo chegariam."

 

 

            Bem que eu queria ficar calado. Mas fui autor citado pela Dalinha, que disse que eu só conhecia “jumentos” por meio dos livros...

 

            Observo a discussão sobre o papel desses animais, na vida sexual dos adolescentes de Ipueiras. E, a Dalinha, me explico. Mal completava doze anos, um trem em Ipueiras, um avião para o Galeão no Rio, um fusca alemão a subir, na serração da noite, a Serra dos órgãos, Correas-Petrópolis (RJ), e, afinal, lá estamos, Frota Neto e eu, num seminário – no alto da colina, o de Nossa Senhora do Amor Divino.

 

            De Ipueiras, ficou-me a imagem dos jumentos, sempre em comboios, a construir a economia da Cidade, o bem estar, a saúde, o transporte dos mais pobres. Sempre, em seus lombos, areia, água, farinha, frutas, gente pobre sobre cangalhas e selas. Indo e vindo de lugares de acesso difícil, lá aonde os caminhões e mesmo carroças a custo chegariam.

 

            Incansáveis obreiros do dia-a-dia de então, hoje substituídos por outros meios. Loas, só as já assinaladas aqui: as do Padre Vieira, a chamá-los de irmãos e, na trilha dele, Luiz Gonzaga.

 

            Agora, personagens afastados da vida econômica, têm esses animais, nova função. Em indiscriminado abate, satisfazem o voraz apetite de europeus. E aqui nesta discussão, capítulo novo do que, em nossa cultura, representaram: parceiros (as jumentas) no ritual de iniciação sexual dos meninos, em nosso sertão. Dalinha, em nossas discussões, aprofunda esse capítulo. E isso, quem sabe, poderá até dar grande contribuição sobre “A vida sexual dos adolescentes de Ipueiras”... Fica uma indagação: e as meninas, tinham elas algum ritual que, por acaso, incluísse o mundo animal (o dito irracional)?. Fica a pergunta no ar, se o aprofundamento do assunto tiver algum papel na educação das crianças e jovens que, em Ipueiras, lá permanecem...

 

***

 

Começamos nossas discussões com uma brincadeira sobre as jumentinhas. Agora, já se dimensiona um aspecto econômico e uma temática social/sexual. Estou aguardando o que as meninas poderão dizer sobre o que você levantou sobre a afinidade delas com o mundo animal. Afinal, como disse uma vez um ministro, cachorro também é gente.

 

(Tadeu Fontenele)

 

 

 

Estórias bestiais (vários)

17:29 @ 02/10/2006

 

ESTÓRIAS BESTIAIS

 

a) Deixe em paz as jumentinhas

 

            Com esta que vou contar, ressurgem as lembranças do Seu Zeca Bento, meu pai, do Professor Dario Catunda, meu tio e do Professor Antonio Simão.

 

            Nosso professor de matemática do Colégio Estadual Otacílio Mota, Antonio Simão, vez por outra tirava uma folga das suas aulas e não ficava repousando no seu sítio à beira do Açude do Solon. Sua folga era curtida tomando umas pingas. Dos estímulos etílicos surgia o orador, que falava de tudo e de todos, a percorrer as calçadas e ruas próximas ao mercado de Ipueiras, com passos firmes e largos, lembrando, talvez, seu tempo de cadete na Escola Militar das Agulhas Negras, onde estudara.

 

            Os discursos, geralmente com citações filosóficas, eram interrompidos com abordagens que ele fazia aos transeuntes, ora com uma saudação, ora com críticas sutis, ora com referências a atos praticados pela pessoa abordada, que a identificavam na cidade.

 

            Numa dessas ocasiões, ele estava em cena justamente em frente ao Cartório Bento Filho.  Lá dentro, o Tabelião Zeca Bento e o mentor intelectual do cartório, Tio Dario. Estava eu andando na calçada e ao dobrar a esquina para dirigir-me ao cartório, notando a presença do nosso orador, apressei o passo no intuito de evitá-lo, mas ele percebeu minha intenção e gritou: "Hei, você aí. Deixe em paz minhas jumentinhas ou mande milho pra elas".

 

            Tendo aí apressado mais o passo, alcancei o Tio Dario com as mãos na cabeça, entrando nos aposentos, como que escandalizado. Aí, reação de meu pai, encarando-me. Não disse nada, mas me pareceu ter rido por dentro. (Tadeu Fontenele)

 

 

b) Caí do jumento

 

Gostei da história, o que me fez lembrar de quando garoto, após o início de um namorico com a Fatima de Dona Brígida. Fui passar o dia na Barriguda, perto do distrito de Livramento. E, durante o dia, levei uma queda de um jumento. Fiquei todo arranhado.

 

Qual não foi minha decepção quando, ao chegar a Ipueiras. Todo pintado com mercúrio cromo, procurei a Fátima, que, ao me receber, foi logo dizendo: “Essinho aí não dá mais. Vamos terminar”. Além do tombo, a queda...

 

Foi mais uma daquelas noites de decepção, perante os companheiros e as meninas (Edson do Zé Morais) 

c) Besteira também é cultura 

Sem querer botar fogo na fogueira, e já botando, lhe digo: Nós mulheres de Ipueiras, somos traumatizadas com essas histórias "bestiais". Vou acreditar na sua versão para não perder um amigo... Mas também, perdi um namorado por causa de um jumento.

 

O caso se deu mais perto, nas c’roas. Era ali que os meninos amantes da fauna e da flora, se exercitavam. As c’roas do Matim, as c’roas do seu Esmeraldo, e a competição injusta e sem rédeas das "Rochinhas", "girons" ou coisa do gênero.

 

As meninas resistiam aos coiós, mas os jumentos não resistiam aos sucessivos beijinhos, senha que os levariam até o barranco mais próximo, para alegria dos meninos.

 

Talvez a Fátima não tenha acreditado na sua versão. No meu caso, o rapaz me apareceu com o dedão do pé num estado deplorável. Perguntei o que havia acontecido. Antes que ele respondesse, Tadeu Aragão, meu primo, filho do Luiz Aragão, me contou com detalhes o acontecido. Final de romance sem direito a volta. Até hoje não consigo olhar pra cara dele, sem me lembrar da cena. Besteira também é ... cultura (Dalinha)

 

 

d) A vida a brotar do árido chão...

 

Leio as histórias de vocês. E me lembro de cena, no dia em que recebi o título de Cidadão Honorário de Quixeramobim. Na delegação ipueirense ali,  estavam as irmãs Auxiliadora (mais nova) e Adelaide (irmã mais velha). No jantar, ouvi de Auxiliadora o que encarei como elogio: “Puxa! Jamais pensei que você fosse tão grande!”. E, sardônica, ouvi a espetada de Adelaide? “ Pois é! O problema dele sempre foi esse. Ele nunca foi pequeno, criança. Sempre foi ... grande!” 

 

Vejo agora vocês a falar de suas infâncias e adolescentes, em Ipueiras, a penetrar nas metáfora das “histórias bestiais”, “mulheres traumatizadas” disputando os  namorados com as jumentos”. Da vida “nas c’roas”, amantes do mundo da fauna e da flora. E das meninas “resistindo aos coiós”, os jumentos levando os meninos aos barrancos mais próximos...

 

Sim, Dalinha, “besteira também é cultura”.  A naturalística cultura, onde as bestas se fazem professores na iniciação sexual (e sensual) de crianças, adolescentes e jovens...

 

 Em minha adolescência, a natureza, em Petrópolis, foi-me o frio, a névoa, os dedos gelados, o queixo a tremer.  A montanha, a contemplação. No máximo, o escapar para um roubo, no pomar, de um caqui, uma jabuticaba, ou um abricó. E o banho nas águas quase sempre cobertas de névoas.

 

 Sim, parece que, em terra árida, a vida sôfrega brota do chão e do calor dos animais... (Marcondes Rosa)

 

 

 

Seu Abilio

19:19 @ 02/10/2006

Heron Domingues

 

"Seu Abílio"

  

            Uma das que costumava contar “Seu Wencery”, meu pai:

 

            Anos 40, o mundo entrando na 2ª. Grande Guerra Mundial. Em Ipueiras, em torno do rádio, sintonizado em ondas curtas, na Rádio Nacional, em busca das últimas. De repente, a característica musical do famoso “Repórter Esso” e a voz de Heron Domingues: “... e atenção, o Repórter Esso em edição extraordinária!” Todos atentos: “O Brasil acaba de declarar guerra ao Eixo...”

 

            Silêncio. Todos pasmos. Ninguém sabia ou ousava algo dizer. De repente, alguém quebra o incômodo silêncio: “Sei não! A coisa está preta. Mas vou dizer uma coisa. Se a Bahia entrar nessa guerra...”

 

            “Seu Abílio” não agüentou. Levantou-se e foi se retirando: “Não agüento tanta ignorância. Caboclo bucho, deixa de tanta asneira!” E se foi, a roda inteira, com a cena, aliviada um pouco do impacto da notícia.

 

            Hoje, associada à folclórica expressão “Oropa, França e Bahia”, incorporei, entre meus ditos, em alusão à cena de “Seu Abílio”, o refrão: “Sei não, mas se a Bahia entrar nessa guerra...” (Marcondes do “Seu Wencery)

 

“Caboclo Bucho”

 

Você retratou bem o Seu Abílio com a expressão "caboclo bucho" - sua marca registrada. Quanto o alguém que disse sobre a Bahia entrar na guerra vai ser motivo para nossas fofocas em julho próximo na casa da Dalinha e vamos descobrir quem foi (Tadeu Fontenele).

 

 

           



 

Antonio Lisboa, o Pioneiro

23:24 @ 02/10/2006

Cidade Livre

 

"(...) consideramos, de alguma forma, a nossa Ipueiras como uma espécie de “avó” da então chamada “Novacap”, Brasília." (Antônio Lisboa Mourão)


 

Antônio Lisboa, o Pioneiro (03.05.2004)

 

Só agora, pude acusar o recebimento da matéria do Correio Braziliense homenageando, entre os “pioneiros” da construção de Brasília, nosso conterrâneo de Ipueiras, Antônio Lisboa Mourão (74 anos), sua esposa Maria Inês e sua descendência.

 

Justa a homenagem. Duro trabalho, para quem se alojou, de início, no improvisado “Núcleo Bandeirantes” (meu pai, Wencery lá esteve alguns meses e, ao sair do Seminário, por lá passei algum tempo) e viu a cidade nascendo e a ajudando a crescer. 

 

Como outros tantos cearenses (muitos de Ipueiras), Lisboa ajudou Brasília e suas cidades satélites a se afirmarem no mapa do hoje Distrito Federal. E, hoje, com orgulho, pode bater no peito e rejubilar-se, como um “orgulhoso pioneiro”, na expressão do Correio Braziliense:  “Considero todas as pessoas que nasceram em Brasília meus netos porque a cidade é como se fosse minha filha mais velha”.

 

E, nós outros, ipueirenses, diante disso, considerarmos, de alguma forma, a nossa Ipueiras como uma espécie de “avó” da então chamada “Novacap”, Brasília.

 

Parabéns, pois, a Lisboa, pela homenagem do Correio Brasiliense, que a todos nós, seus conterrâneos, envaidece. (Marcondes Rosa)

 

 

Na Cidade Livre e Taguatingua

 

Seu Wencery esteve comigo não só na Cidade Livre, como em Taguatinga. Ele me dizia: “Acho incrível todos os ministérios serem perto uns dos outros. Assim se resolvem todos os problemas, até a pé.”

 

Quero convidar os filhos do saudoso Wencery a virem a Brasília. Estaremos de braços abertos para recebê-los (Lisboa e Marines)             

 

Quantas histórias!
 
Ah! Quantas histórias, dosadas de ficção, você, na Cidade Livre – onde
passei uns tempos – e em Taguatinga, escutou de meu pai. E quantas 
outras, dos candangos cearenses, você ouviu e até presenciou.
 

Parabéns a você, a Maria Inês e aos filhos por sua história de vida. E todo o acolhimento nos "bancos desta avenida" a relembrar histórias comuns aqui (nesta virtual Ipueiras) e em nossa Cap ...

Quem sabe, um dia, a gente se encontra aí, relembrando histórias. Fui muito a Brasília. Mas daquelas viagens em que a gente sai do aeroporto, fica o dia todo discutindo (ou resolvendo problemas) e volta pro aeroporto. (...) Ando meio preso na universidade. Sabe, professor tem aulas o tempo todo. Mas vamos ver se a gente dá uma escapulida e se encontra. Abraço da família do Wencery: Adaísa, a nossa mãe, Solange, Marcondes e Walmir.

 

 

 

 

 

 

Sábado, dia de feira

 

                         Dalinha  Catunda

 

Hoje Ipueiras se dá ao luxo de ter feiras todos os dias. Nas bancas bem sortidas, de tudo se pode encontrar. São encontradas: maçãs, morangos e uvas, frutas que, anti­gamente, conhecíamos apenas de nome ou por fotos em revistas.

 

Mas, não é exatamente dessa feira que quero falar. Quero falar da feira de anti­gamente, a feira que me encantava, a feira de sábado em Ipueiras. Ela se espalhava pelas calçadas e ruas no coração da cidade. As montarias e animais de cargas eram amarrados nas muitas carnaubeiras e nos pés de fícus que arborizavam a cidade. As compras eram carregadas em sextas de cipó. As frutas chegavam em jacás. Feijão, milho e farinha vi­nham em surrões.

 

O que também me chamava atenção eram os amarrados de peixes, piabas e avo­antes  feitos  com palhas. A carne também era transportada para casa na palha, que en­fiada ao dedo do carregador chegava ao seu destino. As cafezeiras eram figuras mar­cantes na feira antiga. Com suas tapiocas quentinhas e o cheirinho de café  aromati­zando o ambiente. Palma, manzape, pão e bolos eram os produtos das bancas. Sei que elas eram muitas, mas só dois nomes me vêm à mente - Nãna e Maria Martins.

 

Achava fascinante e ficava de fato hipnotizada com as grandes cuias cheias de pequenas bonecas de pano, coloridas e chamativas. Quantas vezes meu sorriso de me­nina não se iluminou ao ganhar tal prenda? Ainda nas cuias, o coentro cheiroso e fres­quinho. Entre pimentões e tomates, a cebola roxa. O inesquecível maxixe, que aparecia junto com milho verde e melancias (não a melancia redonda de hoje), aquela melancia comprida que a gente cortava a ponta fazendo cumbuca para comer de colher. A fruta de conde, que é nossa suculenta ata, os cachos de pitomba, mangas e cajus de vários tipos, ah!... os saborosos cambucás. Sabores e inesquecíveis

 

Gostava de apreciar galinhas, capões e capotes expostos à venda. Tinha ainda, a feira do barro, onde eu comprava minhas panelinhas de brincar. Panelinha e bonecas de pano eram os brinquedos da época. Para meninada daqueles tempos, era sagrado co­mer bolo manzape na feira, mesmo com a estória que o bolo era amassado com os pés ninguém se importava. Alfenins, batida, rapadura e tijolinho, também faziam a festa da meninada.

 

Esta era a feira de outrora, vista por um olhar de menina que guardou o cheiro, o sabor e o colorido da velha feira que tanto lhe fascinava. Atualmente, Ipueiras tem feira diariamente. Tem de tudo que se possa imaginar, agrada à adulta que hoje sou. Mas deixa saudosa a criança que cultivo.

 

 

EVOCAÇÕES DA FEIRA ANTIGA

 

Por Walmir Rosa

 

Voltei à Ipueiras antiga, com sua "reportagem" sobre a feira de Ipueiras, querida Musa Dalinha.

 

Revi o calçamento de pedra marron, desigual, do quarteirão defronte ao mercado, no ficavam, do lado esquerdo da Rua Padre Angelim, o Armazém do Seu Sebastião Matos, chefe político da UDN, a loja de tecidos do Seu Edmundo Medeiros; a Farmácia do Seu Idálio, a loja A Pernambucana (depois loja do Zé Morais, a Farmácia do Nilson, o Armazém do Seu Pedro Aragão, chefe político do PTB, e o armazém do Seu Raimundo Aragão, pai deste último). Do outro lado, no Mercado, dentre outros, os estabelecimentos comerciais, de Aquiles Lima, Moacir Mourão, Antônio Luciano...

 

Passeei, como fazia em menino, por entre surrões, sacos e jacás de gêneros alimentícios e frutas diversas, comi pitombas, chupei pirulito, comi manzape. A propósito do manzape, só não senti mais saudade do gosto porque, recentemente, em conversa com um grande amigo, Basílio, das bandas do Crateús, sobrinho do Pedro Basílio, grande jogador do Fortaleza em outros tempos, ligado aquele a Ipueiras por seu descendente de Antônio Severo e José Severo, disse-lhe que tinha muita vontade de experimentar novamente o gosto do manzape, do meu tempo de menino.

 

Prestimoso, em viagem a Crateús, sua terra, trouxe-me um pedaço de manzape, com as devidas desculpas de que tinha reservado para si o pedaço maior, porque nele, também, as audades das comidas de criança eram muitas. Resgatei o manzape, que para estrangeiros é o mesmo pé-de-moleque, com a variação coco-da-Bahia para coco-babaçu.

 

Realmente, a feira antiga dava ênfase aos produtos locais. De estranho, mesmo, só os retratistas, que montavam seu equipamento fotográfico lambe-lambe próximo à parede lateral do Armazém do Seu Sebastião Matos e documentavam a fisionomia dos fregueses, habilitando-os à cidadania, seja com a obtenção de um título eleitoral, uma "Carteira do Ministério", (Carteira Profissional ou hoje, Carteira de Trabalho). Nesse tempo era incomum alguém da cidade possuir Carteira de Identidade, que só se "tirava" na Capital. Nunca vi uma, até sair de Ipueiras.

 

A feira, hoje, perdeu suas origens. Em todo lugar, é uma mesmice. São confecção, bordados, sapatos, sandálias, ferramentas, disco pirata de CD e DVD, artefatos de moda. Enfim, consome-se muito, mas come-se pouco. Só frango de granja, frutos e verduras das Centrais de Abastecimento (até uva e maçã tem, que a gente só conhecia de nome, nem de retrato).

 

Enfim, adorei a feira antiga. Comento apressado e sem revisão de texto, pela exigüidade de tempo. Um grande abraço a todos, especialmente Dalinha (Walmir Rosa, em Fortaleza, com o pensamento em Ipueiras).

 

 

ENCONTRO-ME DENTRO DA FEIRA

 

Por Raimundo Nonato Lima

 

Estava eu de tocaia, quando apareceu esta história da feira. Literalmente me encontrei dentro da feira. A narrativa da Dalinha foi completa e ilustrativa. O meu nobre Walmir esqueceu a Coletoria Estadual que ficava entre a loja de tecidos do Senhor Edmundo Medeiros e as antigas Pernambucanas, posteriormente a loja do Zé Morais. Não lembro da farmácia do seu Idálio naquela área. Lembro na outra quadra próximo do comércio do Senhor Guarani. Uma característica que foi omitida - aquela rua que começava em frente ao armazém do Senhor Sebastião Matos até o armazém do Senhor Pedro Aragão. Era a única de Ipueiras pavimentada com cimento. Se eu estiver errado corrijam-me (Nonato)

 

 

O RESTO PARA VOCÊS

 

 

Você tem razão, Nonato. No meu íntimo, eu sabia que estava faltando um prédio entre a loja do Seu Edmundo e a farmácia do Seu Idálio. Era a Coletoria Federal. Quando li, vi até o Claudio Catunda atrás do Balcão. Ainda mais um pouco, a imagem foi substituída pela do Zé Helio, seu filho, marido da Alaíde da D. Brígida. Do outro lado da rua, a omissão de alguns nomes foi proposital, para ensejar que alguns, como você, Nonato, completem a narrativa...

 

Você tem razão, ainda, quanto ao cimento na Rua General Sampaio. Quando inauguraram, dizem que ficou parecido com a Av. João Pessoa, aqui em Fortaleza. Vejamos se alguém se lembra do quarteirão do qual  você falou, em frente à Praça Getúlio Vargas (hoje Maria Lima). Armazém do Guarany, Estatística (IBGE) com seu Delmiro sentado na calçada. Cartório do Wencery, meu pai, bodega (ô nome lindo!) do Senhorzinho. Bar do João de Melo (bilhar e sinuca)... Deixo o resto para vocês (Walmir Rosa)

 

 

 

 

 

 

Jatobá, o grito que não pode calar!

 

 

Dalinha Catunda

 

O Rio Jatobá nos ofereceu um fantástico espetáculo de suas cheias. Serpenteou lindamente a cidade e comoveu corações. Com a força das águas, o lixo sumiu do seu leito, o verde se espalhou por suas margens e, mais uma vez, ele foi motivo de admiração de sua gente.

 

Vozes se levantaram em defesa do Jatobá. Estudantes, colégios, "Agente Jovem”, fizeram movimentos. Poetas cantaram, em seu louvor. O poder publico falou bonito. Mas ação efetiva, não se viu.

 

O grito no ar deu a Ipueiras uma página inteirinha no Diário do Nordeste. A cidade ficou vaidosa. Leu, releu, repassou aos amigos. Mas, em seguida, engavetou o jornal e, junto com ele, sufocou o grito em prol do velho rio...

 

A estiagem chegou e as águas foram desaparecendo. O grito se foi emudecendo. E, junto com ele, somos, de novo, apenas pequenas cacimbas e escassas poças à espera do milagre da água maior a nos fazer corrente rumo às soluções.

 

A verdade é que, agora, o rio fede. Contudo, em nome de minhas incontidas lembranças, sinto-me na obrigação de continuar gritando, até que esse grito doa nos ouvidos do poder publico e amoleça o coração daqueles que têm nas mãos o poder.

 

É lógico. Além de gritar, cobrar atitudes efetivas, a sociedade deve fazer sua parte: não desmatando as margens do rio, não poluindo seu leito, nem tirando desordenadamente sua areia.

 

O Jatobá é um patrimônio valioso de Ipueiras. Merece ser cuidado por todos nos!

 

 

 

 

 

 

Síndrome de Nazaré

 

Marcondes Rosa

 

 

(...) “Sítios” e “blogs” por aí afora. Nada, no entanto, de nossas potencialidades. Costumo dizer que, entre nós, predomina quase sempre o “marketing da mendicância, a mostrar as nossas chagas: a fome, a miséria, a escassez das águas, os baixos índices de um sustentável desenvolvimento. A terra, no entanto, é pródiga de cultura, de artesanato, de folclore, de paisagens diversificadas (as serras úmidas, as macambiras, os sertões enfim).  É mostrar, pois, essas coisas que muitos aqui não atribuem, infelizmente, o menor valor. Para os de fora – os turistas sobretudo - são coisas vistas como “diferentes”. E justo nisso vêem potencial de sedução junto aos de outras cultura. Por isso, nisso havemos de apostar e investir.

 

No Ceará, sempre me revoltei com a gente querer vender o dos outros aqui. Vejam os “Beach Parks”, os “Saint Tropez des Tropics” e coisas dos outros. Vi gente querendo aqui construir campos de golfe para atrair os americanos. Aqui, em geral, a gente não encontra as coisas daqui. Até os sabores se estandartizam. E aí estão os McDonalds da vida. Enquanto isso, até nossa rapadura, hoje é patente estrangeira por aí afora...

 

 Cadê a cozinha de Ipueiras de que as nossas “saias de plantão” se gabam? Lembro-me, até hoje, após me formar, de almoço que me ofereceram, em Ipueiras, por Dona Maria, na casa do Zé Lima, a mim oferecido. Guardo até hoje a revisitação aos sabores dos tempos da infância. Da casa de “Seu Juarez”, levei, por anos, as saudades do licor de cambucá de Dona Fransquinha. Um dia, no Palácio do Governo do Maranhão, participávamos, na abertura de um encontro nacional, de lauta recepção. De repente, dei com Dona Violeta Arraes, amiga minha e irmã de Miguel Arraes enxugando lacrimas nos olhos. Pensei que, ali, algo estranho havia ocorrido. Ela me disse: “O suco! Não sabia de que era. O gosto levou-me à infância”. Era um refresco de pitanga, a lhes despertar saudades deixadas no Cariri.

 

E uma informação para vocês todos. Ao superintender, como pró-reitor da UFC, as “Edições UFC”, nosso best seller (o mais vendido) era sempre “Velhas receitas da cozinha nordestina.

 

Nessa condição, lembro-me, recebia eu equipe do Projeto França-Brasil, mediado por Dona Violeta Arraes. A idéia era, lançar na moda internacional, motivos franceses associados aos da cearense. Um embaixador francês, em meio a professores da UFC e empresários cearenses, perguntou-me (ele falava sempre em francês e uma professora visitante francesa, Caterine Clement, traduzia o diálogo): por que, em nossas lojas, os nomes eram sempre estrangeiros. Isso a partir das “boutiques”...

 

Sorri... É que muito na havia escrito sobre o que denominara “Síndrome de Nazaré” – aquela história da procedência do Cristo:: “E de Nazaré pode sair alguma coisa que preste?”.  Preferi pedir a Vicente Paiva, da industria de confecções cearenses, que, respondesse. Ele, em seu rude dialeto, assim se manifestou: ´”É por causa da exportação!...” Sem entender, o embaixador francês revidou: “Mas as lojas são aqui em Fortaleza e o comércio é local”. E Vicente: “Não! É a exportação de nós p’ra nós”. Aí é que o embaixador francês não entendeu. O professor Antônio Mourão Cavalcante contou-nos a história do biscoito “Maria”, da Fábrica Fortaleza, cujas vendas se enfraqueciam. Uma indústria, localizada na BR 116 – que até de Fortaleza ao Rio Grande do Sul – lançava o Richester... Virou sucesso...

 

Coisas assim estão em nossa cabeça. Um colega meu, Benito Melo, já falecido foi à Argentina. Lá comprou um blusão de couro muito bonito. Ao chegar, mostrou-me o casaco. Olhei a “griffe”: Villejack Jeans... fabricado aqui em Fortaleza, no mesmo bairro onde ele morava. Aqui ele poderia comprar o mesmo casaco a preço de fábrica. Caiu na “síndrome de Nazaré”. Pagou os tubos pelo produto importado...

 

Vicente Paiva, aí, volta à cena: “A loja de produtos da moda aqui é boutique. Se a moda é feminina, os nomes são em francês. Se masculina, as “griffesem geral italianas. Se para jovens, em inglês”. E concluía com o caso de sua indústria: “di Paiva”, como se ele fosse um italiano.

 

Fui além. Falei dos nomes dos edifícios: Village Mediterranée, Twin Tower e assim por diante. É como se disséssemos que moramos todos fora daqui...

 

Final da história. Andamos três dias com o francês, por vôos sobre todo o Estado. No sábado, coube-me apanhá-lo, em meu carro, no Hotel Esplanada. Lá fui eu preocupado como conversar em francês com o embaixador, sem tradutor. Lá cheguei. Ele veio até mim e, em francês, me entregou três cartas, dirigindo-se a mim em francês: uma, ao senhor Governador; outra, ao reitor da UFC, e outra ao senhor pró-reitor.

 

Após isso, num escorreito português e entre sorrisos concluiu: “Bem, aqui termina minha missão oficial. A partir de agora, somos cidadãos comuns, podemos bater papos em português”. E assim foi. Conversamos muito sobre esse sentimento de inferioridade dos brasileiros, mais nítido aqui entre nós. E muita coisa observada pelo embaixador do comportamento de nossas autoridades e empresários. Eles costumam nos observar.

 

Perguntei-me porque, se falava o português, nossas reuniões eram sempre com tradutores. Ele me respondeu, surpreso com a pergunta, que isso é o que rezava o protocolo, com o intuito de cada um valorizar o seu e não se dobrar aos valores dos outros. Nós aqui, colonizados, só valorizávamos o de fora: “exportação de nós para nós” – na expressão de Vicente Paiva.

 

Essa ideologia está, infelizmente, entranhada em nosso turismo, onde abandonamos nossos valores e maneiras de ser, esquecendo-nos de que maior motivação teriam os turistas para aqui conhecer o diferente.

 

Que se mostrem, pois, nosso sol, nossas serras úmidas, nossos sertões, mandacarus, açudes e macambiras, nossa arte. Enfim, nosso jeito de ser, nossa cultura. A valorização do que é nosso. Não o dobrar-se de nosso povo a formas escravizantes (de complexo de inferioridade e de prostituição até) de relacionamento com outros povos.

 

 

Onde nasce o rio Jatobá
Bérgson Frota

O Povo -16/08/2006 13:39


No livro Terra dos Clones e outras estórias o escritor ipueirense Frota Neto inicia o conto Mariazinha do Poço, assim escrevendo: “O Jatobá é um rio de areia que só se enche d´água uma vez, no inverno, e quando enche, de ano em ano. Ele não banha, corta Macambira ...”, nome fictício este, com o qual o escritor se refere à Ipueiras.


Em Versos versus minha Vontade, livro poético de Jeremias Catunda se lê no trabalho “Minha Terra”, precisamente na segunda quadra : “Charmoso corre o velho Jatobá ... / Sereno às vezes, às vezes violento / Como se Tritão raivoso, ciumento, /A ninguém mais deixasse se banhar.”

Tanta importância ao tão citado rio talvez se dê pelo fato único deste nascer em Ipueiras, precisamente no coração do município.

Os dois trechos sobre o rio Jatobá mostram o quanto o rio ipueirense, embora passe mais tempo seco do que cheio, visto ser sazonal, toca com profundidade a verve poética e a prosa dos filhos da terra.

Quando o rio do Engenho, barrento, revolto, vindo dos sertões e várzeas cruza a ponte que leva ao bairro Vamos-Ver, junta-se a um outro, o rio Pai Mané, de águas límpidas e ácidas vindas da azulada Ibiapaba.

É desta união que surge o Jatobá, descendo então com águas mornas e barulhentas às vezes barrentas outras silenciosas e cristalinas.

Fazendo um trajeto sinuoso corta a ponte do Idálio e desce trazendo nas primeiras levas de chuva, bolas de juá, fruta lodosa e farta, misturada a mutambas negras que vão se espairar nas areientas e outras vezes barrentas margens das Crôas e das terras do Lamarão quando mais embaixo chega.

Serpenteando pelo município o rio mais além de que antes entrava no Acaraú, quando cheio hoje já deságua no açude Araras, marcando neste trajeto em épocas invernosas as rotas de piaus e curimatãs carregadas de ovas, prateadas branquinhas que rio acima se lançam em direção às cabeceiras do mesmo.

Assim é o Jatobá, o rio de Ipueiras. Seco na maior parte do ano, mas quando cheio, um espetáculo borbulhante e roncador, fazendo grandes redemoinhos no seu “desfilar” como se nesse percurso afirmasse com mais força seu renascimento a cada nova estação chuvosa.

Pesquisador

 

 

O MILAGRE DO MEDO

 

 

Jean Kleber Mattos

 

Quando meu pai me contou essa história eu fiquei desconfiado. Algo me dizia que ela não pertencia ao repertório dele. Eu sentia naquela narrativa o toque de seu Wencery, o histórico tabelião de Ipueiras. Marcondes Rosa, filho dele, escreveu, em março de 2006, no “Blog Ipueiras”, uma crônica intitulada “Estórias do Seu Wencery”. Nela descreveu a habilidade do pai em conferir um toque mágico, até sobrenatural, aos causos que contava. Seu Wencery era capaz de transformar um causo numa lenda.

 

Mas enfim, a história é esta:

 

***

 

Na área rural do município de Ipueiras, um sujeito resolveu criar carneiros deslanados. O negócio prosperou tanto que despertou a cobiça de um casal de ladrões. Marido e mulher bolaram uma estratégia quase sempre eficaz, para roubar os carneiros: a  assombração.

 

Uma vez por mês, em noite enluarada e à meia noite, escondiam as montarias num mato perto da curva de estrada mais próxima do criatório. A mulher então vestia um camisolão branco e postava-se em posição de cruz ao lado da estrada. Quem a viu por primeiro encheu-se de medo e espalhou a notícia. O povo passou a ter medo de andar naquele trecho da estrada em altas horas, quando era lua cheia. A colheita era farta porquanto mais de um carneiro era surrupiado por vez e as montarias eram um meio de transporte eficiente.

 

Certo dia, num bar da cidade, alguns homens comentavam sobre a aparição, quando um viajante recém-chegado entrou na conversa.

 

- Besteira! Assombração não existe!- Falou.

- Hoje é o dia - comentou um popular. O senhor tem coragem de ir lá?

- Claro que tenho! Basta que me levem!

 

Um aleijado que, acocorado, escutava a conversa, falou:

- Eu também não tenho medo. Não vou lá porque não posso. Sou aleijado.

- Por isso, não!- retorquiu o viajante - Eu posso carregar você!

- Pois então vamos! - finalizou o aleijado, resignado.

 

Ele andava acocorado, pois o aleijão impedia a flexão das pernas. Era como se a panturrilha fosse colada à coxa. Um carroceiro dispôs-se a levá-los, desde que a uma distância segura do local da aparição. Ele também tinha medo. Chegados ao local combinado, desembarcaram.

 

A distância a vencer a pé, carregando o aleijado, não era grande. Com o andar vacilante o viajante caminhou devagar, já divisando ao longe a temida figura. A mulher, pensando que era o marido trazendo um carneiro, perguntou:

 

- É magro ou é gordo?

Arrepiado de medo, o viajante respondeu:

-Sei lá se é magro ou é gordo...Lá vai!

 

E atirou o aleijado na direção da “coisa”, fugindo dali em desabalada carreira, somente parando ao irromper no bar, onde, esbaforido, literalmente “desabou” sobre uma pobre cadeira.

 

Foi quando viu o aleijado, que chegara antes dele!    

 

 

 

 

José Mariano de Melo

 

Walmir Rosa

 

 

        Seu Zé Mariano era uma figura atarrancada, sem ser baixo, pescoço grosso, olhar penetrante. Homem de poucos sorrisos.

 

        Era o Senhor das Oiticicas. Grande fazenda pras bandas do pé da Serra da Ibiapaba. Chefe político local, sempre elegia vereador e tinha papel preponderante na política ipueirense.

 

        Seu filho, Sinhozinho Mariano, foi vereador por várias legislaturas.

 

        Tinha como grande inimigo político seu Bilô - José de Holanda Cavalcanti, também gr