Grupos

 

 

 

 

NAGIB – ETA IPUEIRENSE PAIDÉGUA!

 

Walmir Rosa de Sousa

 

 

Li, há pouco, um comentário do Marcondes sobre a idéia de reunirmos os causos, crônicas, fotografias, e tudo o mais que se possa obter sobre Ipueiras para divulgação da nossa terra, condensando tudo isso em livro, CD, etc. A propósito, ele tocou no nome Nagib Melo, que tem verdadeira adoração pela nossa cidade e seus sonhos de engrandecimento da terra.  Costumo chamá-lo de "embaixador plenipotenciário das Ipueiras".

 

Nagib inaugurou um bar, há muito tempo, em Fortaleza, na Rua Melwin Jones (fundador do Lions Club - está lá escrito - para explicar tamanha "personalidade" homenageado pela cidade). Obviamente, por amor à terrinha, denominou-o BAR IPUEIRAS. Tempos depois, com o dinheiro ganho com o bem frequentado bar, comprou uma loja na esquina da Melwin Jones com a Rua Sena Madureira, no centro da cidade, e para lá transferiu o seu bar, agora dotado, também, dos serviços de Restaurante, com o nome de Bar Nova Metrópole. Minha sogra morava vizinho e, por isso, todo santo dia passava na porta do bar e de vez em quando entrava para um "dedo de prosa", como se dizia antigamente. Lá se sabia de tudo o que acontecia na cidade, principalmente das mortes! Acho que Nagib se ligava demais em ver a cidade, que ele desejava tanto crescer, perder algum de seus habitantes; principalmente os ilustres.

 

Certa feita, perguntei-lhe porque a mudança do nome de Bar Ipueiras para Bar Nova Metrópole, já que Ipueiras era um nome tão sugestivo para homenagear a cidade e Nova Metrópole não tinha nada a ver com a cidade. Engano seu! ele me disse: NOVA METRÓPOLE é para homenagear Ipueiras, para ver se ela cresce!

 

Depois, cansado da vida de dono de bar, mudou de ramo. Entrou na distribuição de medicamentos, nova onda do momento. Tascou o nome de DISTRIBUIDORA DE MEDICAMENTOS CRISTO REI, em homenagem ao CRISTO de nossa terra e à Praça onde morava quando lá habitava. Dizia ser seu grande sonho o crescimento de Ipu, Ipueiras e Nova Russas formando uma só grande "METRÓPOLE', com Ipueiras ao centro, comandando tudo! Eta ipueirense paudégua!

 

 

 

 

 

 

 

 

Elba Ramalho - De Onde Vem O Baião
Gilberto Gil

Debaixo do barro do chão da pista onde se dança 
Suspira uma sustança sustentada por um sopro divino 
Que sobe pelos pés da gente e de repente se lança 
Pela sanfona afora até o coração do menino 
Debaixo do barro do chão da pista onde se dança 
É como se Deus irradiasse uma forte energia 
Que sobe pelo chão 
E se transforma em ondas de baião, xaxado e xote 
Que balança a trança do cabelo da menina, e quanta
alegria! 

De onde é que vem o baião? 
Vem debaixo do barro do chão 
De onde é que vêm o xote e o xaxado? 
Vêm debaixo do barro do chão 
De onde vêm a esperança, a sustança espalhando 
O verde dos teus olhos pela plantação? 
Ô-ô 
Vêm debaixo do barro do chão

 

 

 

CARTA A JEAN KLEBER MATTOS,

 

 

Ontem à noite, dei com seu e-mail. E tão down (deprimido sei lá!) que me sentia, em relação à minha “missão” em Ipueiras e, em particular, na Matriz de São Gonçalo e adjacências, que cheguei até a encarar, como ironia – que distorção!- , as suas palavras. Noite, cansaço, tudo a tramar contra o escrever àquela hora.  Daí, o suprimir de meus distorcidos ímpetos. Fui dormir e, reflexivo e com calma, escolher depois melhor hora para lhe responder.

 

***

 

Um sousa sob o

registro de ipueirense

 

Já na cama, lembrei-me de cena do casamento de Walmir, meu irmão, com Liliana Maria Diogo de Siqueira. Eu, àquela época, com desgrenhada barba e bigode, era, na visão da mãe de Liliana, um autêntico (dizia ela) “vendedor de santo”, desses artesãos a esculpir domésticas estátuas de “santos”, à venda em nossos mercados.  Foi ante esse ar que presenciei duas velhas senhoras a se indagar: “Esse noivo de Liliana quem é?” E a outra: “Não é ninguém, não. É um ‘Sousa’ qualquer”!

 

Sousa qualquer! Pior que isso. Um dia procurei o vocábulo ‘sousa’, no dicionário. Lá, com todas as letras, “rato branco’. E aí me ocorreu cena: “Seu” Zeca Bento, que, na confusão da grafia do vocábulo - se se escrevia com ‘s’ ou com ‘z’ – eu, registrado em Santa Quitéria e, ante as brigas e más vontades da então tabeliã com meu pai, resolveu, como notário público de Ipueiras, registrar-me ali, enviando-me vários blocos para eu resolver meus problemas. E, com “s”.

 

O ex-reitor da UECe, Manasses, garante-me que, pelo “Rosa de Oliveira de minha mãe”, teria eu, como ele, procedência judaica. Mas, uma vez, no aeroporto de Brasília, dei com meu lado “rosa”, com brasão e tudo, a garantir-me “nobreza” de família irlandesa (rsrs) (dei um desses brasões a Solange, que tem um lado “Antonia)... Prefiro, porém. o lado plebeu, o do “sousa” com “s”, de um simples “rato branco”...

 

Daí, concluo duas ‘vocações minhas”: a) sou um ‘Sousa” (e com s) qualquer; b) Zeca Bento me tornou “ipueirense” – no mínimo “ex pectore” (expressão latina que hoje poderia traduzir-se “pelo coração” ..._

 

***

 

O embaixador

em mim “tomou doril”

 

Esse intróito para definir a esdrúxula e confusa sensação que me levou a Ipueiras, esta semana, para a comemoração dos 250 anos da Matriz de São Gonçalo da Serra dos Cocos, o que me lembrou Minervina, empregada, em Teresina, na casa de minha sogra, muitos anos atrás. Com as festividades do centenário de Teresina, a ela perguntaram o que tinha achado. E ela: “Gostei muito. Não vou perder mais nenhum nesta cidade”...

 

Por motivação diferente da de Minervina, que não podia perder os centenários de Teresina, lá me fui para os 250 anos da Matriz, histórico berço dos fratricidas “melos mourões”(tal como confessa o poeta Gerardo Mello Mourão). Mas descobri que, ao contrário de meu pai, um pacificador, voltei um tanto pessimista em relação à minha capacidade de “conciliador” ou, como definiu um ilustre técnico de marketing com minha apregoada capacidade de “resina”, segundo ele, de rejuntar “hegemonias em cacos”...

 

Conversei muito com os diversos segmentos políticos estanques. Mas a impressão que tive é que, em mim, esvaíra-se a festejada habilidade de remendar o despedaçado coletivo. 

 

O “grau de embaixador” a que você se refere, Jean Kleber, senti que, em mim, “tomou Doril”. Sumiu!...

 

***

 

Experiência adulta

versus viagem lúdica

 

Discordo de você quando define ação minha de “experiência adulta”, em contraste com a “recente incursão” sua às “águas apartadas”, que você qualifica de “viagem lúdica”, a restabelecer elo com seu passado, a rever ícones porventura ainda vivos.  Por outro lado, não concordo, no que toca a mim,  com o atribuído “grau de desenvolvimento” no “melindroso mundo da grande política”.

 

Diferentes, deixemos claro, as experiências: a de Frota e a minha – a dele mais atuante, mais longa, mais larga  e de resultados mais práticos que a minha. A partir da Universidade, tornei-me junto aos gestores, uma caneta. Não mais que isso. E caneta que, na visão de alguns administradores, reduz-se ao gráfico: acentos, vírgulas, paragrafação e coisas assim.  No meu caso, lembro-me, de na UFC tomar um documento para tentar-lhe dar redação final. Alinhei item por item de um Plano Estratégico, em largas folhas de papel.  Saí numerando os pontos à procura de laços de coerência, entre eles.  Tive depois, de preencher claros, mudar ordem, reescrita.  Na reunião dos gestores, recebi elogios no seguinte tom: “Depois que o Marcondes põe as vírgulas, dá ordem ao pensamento, o que dissemos fica mais aplicável e bonito!”

 

Na verdade, não é só “pôr as vírgulas”.  Certa feita, já alta hora da noite, telefonam-me do Palácio do Governo, no Cambeba.  Lá chegado, o problema. Lula, então candidato contra Collor, fora infeliz, nas Páginas Amarelas da Veja, ao referir-se a Tasso Jereissati, que queria resposta a altura, sem opor-se a ele, collorindo-se.  Cheio o gabinete dele de jornalistas, técnicos em marketing e o escambau.  Ele, já agastado, me diz: “Quero que digam isto, isso e aquilo”.  Pego da caneta e escrevo exatamente “isto, isso e aquilo”.  Ele, respirando: “Até que enfim alguém me entende!” Explicação, a linguagem são idéias, emoções, apelos.  Os técnicos mudavam o tons: da clareza das idéias, do  emotivo e dos apelos implícitos.  Quando saí, eram todos a me perguntar o que fizera eu, que, em poucos minutos, resolvera o problema...  

 

De outra feita, Beni Veras chama-me a Palácio.  Entrega-me um convite para palestra do então governador Tasso Jereissati, no CIC, sobre o tema “Dos ideais do Cic a uma prática de governo”.  Pergunto-lhe que ideais eram esses.  Ele me responde lacônico: “Nós tocamos as coisas por música”, querendo dizer “por intuição”, traduzo. Peço-lhe, no mínimo, entrevistas ou declarações do Grupo do CIC, de Amarílio Macedo a Tasso Jereissati. Tento do chão, extrair as idéias (isso está, de certa forma, no artigo “Do barro do chão”).  Foi meu canto de cisne, ao deixar, logo depois a TVE e voltar a ser pró-reitor de extensão na gestão do reitor Antônio Albuquerque Sousa Filho (ele, agrônomo, como você, Kleber).  Não fui à palestra. Assis Machado me daria sua percepção: “Parecia um filme de tudo quanto a gente vinha fazendo”.  Logo depois, ouviria de Fernando Henrique Cardoso, ao querer Tasso e seu grupo na “social democracia brasileira”: “Mas é essa, nascida do chão, a social democracia brasileira que procuramos. Não a que importamos da Europa”.

 

***

 

Modesto Pero Vaz de Caminha

 

Onde quero chegar com essas estórias?  Tão só ao ponto de que minha história política resume-me ao escrever. Nos termos de FHC, extrair do “barro do chão”, como o baião, o ideário.  Daí, virei cabeça, intelecto, a dar forma aos projetos. Sob outra forma, passei para o quadro dos – digamos – “pensadores”.

 

Mas o pensar político, sozinho, não basta.  Há, em nossa política, os que se valem da sensibilidade e do tato, para a apreensão de todo um diversificado mundo cultural do caleidoscópio a configurar a vida sócio-política. E, por fim, a mão dos gestores.

 

No quadro político, ainda, há diversos níveis, além dos que pensam, dos que sentem (o tato) e dos que agem.  Nas campanhas, por exemplo, vi níveis onde jamais teria eu um lugar.  O mundo dos caixas-dois, hoje ultrapassados, hoje a se traduzir sob infindáveis formas a partir dos mensalões e uma infinidade de configurações.  Sérgio Machado, quando ainda deputado federal, foi relator de projeto com vista a disciplinar o financiamento de nossa política. Pediu-me e dei meus pitacos. Até hoje, não interessa a ninguém disciplinar tal processo ...  E descobri até gente  - por vezes até emanados, por dinheiro, de nossas esquerdas, para fazer o “trabalho sujo”. 

 

Convivi, a partir dos anos 70, praticamente, com todos os integrantes de nossas correntes políticas e sobre eles, poderia aqui repetir frase de minha amiga Violeta Arraes, a esquivar-se de reportagem de Revista Nacional, a assediá-la, em Paris, aqui, no Rio, em Recife (o irmão, Miguel Arraes governador), e em São Paulo, no apartamento da filha.  Perguntei a ela porque não falava sobre os exilados de esquerda na Europa. E ela me respondeu: “O problema, Marcondes, é que conheço, de todos, nestes anos de exílio, as grandezas e vilezas.  E os repórteres têm tudo. Querem apenas que eu confirme. E isso, não posso fazer!”

 

Certa feita, vi e fui contra toda uma sórdida campanha contra o “Sargento Cambraia”. Cambraia candidato a prefeito após Juraci.  De outra, vi, pichações na rua, sórdida campanha sob o slogan “Dá o cu não é defeito. Edson Filho para prefeito”... E muito jogo baixo... E coisas muito mais sargeta...

 

Sou, em nossa jornada política, tão somente um Pero Vaz de Caminha, a registrar a viagem, olhos fitos no horizonte.  Nessa viagem, porões é coisa que não me atrás. E, ao invés de revelarem eles o poder, são sintomas, ao contrário, da coisa pequena, que me repugna. E política, para mim, tem o sentido mais alto do grego – da polis, característica, da sociabilidade construtiva do próprio ser humano - e da dignidade portanto.  

 

No atual prefeito de Ipueiras, vi grandezas, que externei a líderes mais altos da política cearense. E minha esperança é ratificar meu feeling, endossado felizmente pelo atual presidente do PSDB estadual, Francini Guedes, que me revelou a mesma impressão. E não quero que, ele um Mello Mourão, tenha de estender a mão aberta aos bolos de ... Dona Ester!

 

***

 

Sensação em mim

dos bolos de Dona Ester

 

Volta ao Ceará, diz você, em novembro próximo, por ocasião do Simpósio de Óleos Essenciais, com resultados a apresentar, dando curso, para a felicidade humana e do Planeta, ao talento que Deus lhe deu. E é aí que gostaria eu de que você refletisse um pouco mais ante o espelho, não resvalando, no campo político, para o grau de desenvolvimento que você atribui a Frota e a mim.

 

Sempre me consideraram maestro a compor acordes. Isso, no campo político. Passei a observar os maestros. E vi que podem até não tocar um só instrumento. Mas são capazes de, dos outros, arrancar dissonâncias a se comporem em acordes, em sinfonias.

 

Observo-o, desde minhas lembranças, no Educandário seus pais, onde sentamos juntos você, Frota e eu (que um impulso me levou a não fotografar.  Não era o mesmo... Nem era a mesma a praça.), que Ipueiras, sobretudo de seus educadores e grandes políticos, assiste-lhes a marca tabaja da conciliação, do “quebras comigo a flecha do arco da paz”, de Iracema.  A um filho do Zé Lima, jogado fora o busto de Getúlio, perguntei pelo da nova inquilina da Praça, Maria Lima. Ele me contou que discordâncias mil com a figuração da estátua proposta como evocação de sua mãe.

 

Mas, em você, vejo um “da mata”, que se converteu, pela atuação de um major, em “Mattos”, embora não tenha se distanciado pelo estrangeiro “Damatta”, das três posturas guardando, humilde, a articulação entre essas faces (foi meu insigh após conversas nossas pessoais, a partir de sua estada entre nós, rápida embora).  Outro insigh, foi a conjugação que, em você, a fugir dos estereótipos, dos  vários tipos de inteligência (da verbal, expressa na arte, sobretudo, à afetiva e, para espanto meu, a transcendente, em níveis mais elevados que o meu...

 

Visão, tato, olhar à frente, pois, não lhe faltam.  Como eu, você herdou de Neném Matos a capacidade do pacificador.  Nunca me esqueço da contabilidade feita por ele, ao mesmo tempo, de Tim Mourão (do PSD) e do Major Sebastião Mattos (da UDN).  Pelo que você conta, passou por situações até mais surrealísticas que eu, nos tempos do arbítrio.  E isso lhe deu todas as condições para poder harmonizar, em acordes, dissonâncias políticas.  Sobretudo, porque os tempos de agora são tempos da consciência mais aglutinante: a ecológica, onde os saberes, tal como em nossa “bossa nova”, dissonantes, compõe-se em acordes...  Visão que, seguramente, me falta, confesso-lhe.

 

De mim, voltei de Ipueiras meio julgando-me credor dos bolos que recebi, uma única vez (e demonstrativa), em uma dúzia, ante o que vi, após 24, sobre a presença de meu pai, na Matriz, na região e na cidade. O mesmo, em ato meu de contrição com relação a Dom Fragoso.  Estive, pela segunda vez, no Sindicato dos Ruralistas, no qual Antônio “Otávio” reelegeu-se até 2008, após ter estado com “Seu Otávio”, visto as experiências em curso no campo da agricultura familiar e a capacitação para o trabalho.  Tentei, não só entre a família de Seu Otávio como entre os diretores no Sindicato, plantar ali a semente da paz em relação ao prefeito (o que já o fizera vice-versa).  Isso, no auditório Dom Fragoso, cheio das lembranças do social como porto do aprender.

 

E o que me positivamente assustou: a consciência ecológica dos sindicalistas.  No dia anterior, em reunião de líderes da Matriz com o Prefeito, vi-o a nos relatar a morte do Jatobá até pelos munícipes a dele fazer sua “fossa” e a incapacidade do Município, sozinho, poder evitar sua morte, o que me levou à necessidade de uma consciência e mobilização mais ampla sobre as álacres águas de nossa infância.  Aí, lembrei-me de você.  E, nisso, vai um elogio: o de “embaixador” com visão mais ampla e aglutinante que a minha para o desencadear de uma consciência do nos darmos as mãos ecológicas a nos salvar o Planeta, onde as retiradas águas são fração desse todo.

 

E que todos nós, repitamos as últimas palavras que a nós, então jovens ouvíamos a Celso Furtado, no Auditório Castelo Branco da UFC, o conselho, em 1984:

 

“(...) a nova geração vai ter um trabalho importante de reconstrução a realizar e um espaço político a ocupar. E eu espero para ela que aprenda um pouco com os nossos erros, E reconstitua e restabeleça  essa fé no futuro deste País, que, aparentemente, se desgastou muito!” (Celso Furtado)

 

 

Fraternal abraço,

Marcondes Rosa de Sousa

 

 

 

 

ENCONTRO NO IPHAN

(Ícones culturais em Ipueiras e Matriz)

 

 

Ontem, às 11 da manhã, lá estávamos, Solange Rosa e eu, na sede do Instituto do Patrimônio Cultural e Artístico Nacional (IPHN), em entrevista que nos havia marcado o dirigente Romeu Duarte e o arquiteto Francisco Veloso, para um bate-papo de início sobre os “ícones culturais” do Município de Ipueiras, com ênfase o processo ali estancado, faz mais de 20 anos, referente à Matriz de São Gonçalo.

 

Relembrando aos do Grupo, o assunto surgira quando de casual encontro meu em exposição a comemorar os 100 anos de Luiz Sá, carturnista cearense, onde encontrei com muita gente da área cultural – marcadamente o Prof. Liberal de Castro, o arquiteto e compositor Fausto Nilo e Francisco Veloso.  Papo vai papo vem, lembrei-me da força hoje de nossos ícones e o papel que eles desenvolvem na consciente coletiva e ação de um povo.  Aí, Veloso me falou de sua ação nos itens da matriz.  Ficou de falar com Romeu Duarte e, logo no dia seguinte, convidou-nos para uma reunião preliminar, para conversarmos sobre o assunto.

 

Tive o cuidado de telefonar algumas vezes para Ipueiras, em especial para gente chegada ao Prefeito. A cautela foi no sentido de que a ação de minha parte não fosse tomada como individual e, a lattere, em relação aos pleitos do povo e das autoridades de Ipueiras.  Mais ainda para que tudo pudesse transcorrer, numa estreita articulação entre as instâncias municipal, estadual e federal e, sobretudo, da diversidade de setores que, em nossos dias, é o desenho de nossa democracia.

 

Carlos Moreira, o intermediário de que me vali, pediu que o irmão integrasse o grupo.  Por duas vezes, lancei cópia dos e-mails neste Grupo (Amigos de Ipueiras). Infelizmente, o irmão de Carlos e Nilton Aragão, que eu havia convidado, não puderam comparecer. Lá nos vimos, sob a ótica de Ipueiras, Solange e eu.

 

***

 

Ícones sobre os quais discutimos

 

Nossa preocupação maior – de Solange e minha (a minha eles já conhecem desde os tempos em que eu, na Universidade, na Secretaria de Cultura e no Conselho de Educação ocupava-me da integrada relação entre a preservação e o desenvolvimento dos bens culturais) era o papel da cultura (e no âmbito dela o dos “ícones”) no processo de desenvolvimento de um povo.  Sobretudo agora, no caso de Ipueiras e Ipu, quando nos sentimentos, de certa forma, porta-vozes de alguns anseios.

 

Para mim, essa preocupação faz-se cada vez mais nítida.  O amigo Cláudio Ferreira Lima, ao conversarmos sobre o interior do Ceará, diz-me o entrave maior no desenvolvimento rural cearense é sobretudo de ordem cultural.  E, nos financiamentos agrícolas pelo Banco do Nordeste descreve-nos cenas de acomodação tal que pouco pode ir à frente.  E, juntos, ao assistirmos à cinebiografia de Celso Furtado, comentamos uma curiosidade que não havia sido por mim percebida.  É que o Sarney, ao ver-se presidente da República após a morte de Tancredo Neves, ao invés de convocar Celso Furtado para Ministro da Economia, nomeou-o para a de ... Cultura.  E a explicação ali estava implícita no filme: ir mais longe na ideologia concreta de cultura, como sentimento e aspiração de nosso povo, fundamental ao processo de desenvolvimento de um povo. Digo isso porque, sendo eu, à época pró-reitor de extensão da UFC e, logo que ele fora nomeado fomos a Brasília.  Anchieta, o reitor, me sai – na brincadeira, sendo nós, ao chegarmos, logo introduzidos no Gabinete do Ministro, sem demoras, me cochicha: “Esse ministro não deve ter o menor prestígio”. E eu lhe perguntei o porquê. E ele: “Você não notou? É o único gabinete de ministro para o qual a gente desce e não sobe. Depois, o único também que a que a gente é recebido sem chá de cadeira” (rsrs).

 

Comigo, levei edição da Revista da Uva sobre Ipueiras.  E lá, pelas matérias ali arroladas no campo cultural, era possível extraímos algumas informações sobre os ícones: a) Matriz de São Gonçalo da Serra dos Cocos; b) a Igreja de Ipueiras (que eles do IPHAN argumentam descaracterização histórico-cultural), c) a Casa de “mais de 100 portas” da Otacilândia, que despertou viva atenção; d) a estação ferroviária (menor e menos estética do que a do Ipu mas com forte simbolismo na história do povo); e) o Cristo da Caatinga, sobre o qual muito conversamos (e sobre o qual Romeu chamou a atenção, na Região – Ipu, Sobral, entre outras) do valor simbólico do Redentor.  

 

E na percepção, além do arquitetônico hoje, a dimensão ecológica e culturalmente simbólica, na linha da “Bica do Ipu”, de inúmeros valores outros, como os “pingas” (na Matriz e nas serras entre outros), cuja relação me foi informada por Carlos Moreira, pelos vários distritos de Ipueiras.

 

Longa, a conversa.  Na verdade, os “ícones culturais” teriam funções a casar-se com as da educação e do desenvolvimento econômico.  Solange ressaltou seu papel na educação e na escola.  Não só da educação formal e básica. Mas profissional.  Referiu-se ela à experiência de “agricultura familiar” ora a se desenvolver na “Lagoa dos Tavares”, onde, já erguidas, ali estão escola formal e uma “indústria de popas”: “Quem garante que, sem o olhar profissionalizante de nossa escola, essa pequena indústria não passe do estágio em que vimos?”  Achei interessante, nessa experiência, a pergunta que, nessa experiência, nos fizera uma jovem: Não daria para, aqui na região, a gente montar, sei lá, um pequeno museu, com bibliotecas, de modo a que nossos filhos possam saber de onde eles vêem e que rumo tomar o seu povo?

 

Ela se referia aos sarcófagos muitos dos índios tabajaras ali encontrados, que Romeu nos diz que, dos muitos encontrados na Serra dos Cocos, estão no Museu de Sobral.  Ali também temos notícias outras, na Boa Vista, de outros ícones históricos. Carlos Moreira havia me falado sobre pesquisa de uma professora antropóloga da UECE sobre tais sarcófagos encontrados na região.

 

  Em casa, já em Fortaleza, vejo na televisão, valores outros, como o “samba” serem alçados a bem cultural a ser preservado. Tais valores têm função ampla no global processo de educação social.  A frase de Dalinha Catunda, a comentar comigo essa função, assim se expressa:

 

“Nosso Cabra da peste, na politica atual, foi reduzido a explorador de mulheres e crianças. A tal da "bolsa esmola" viciou o cidadão. Hoje você não acha mais quem queira trabalhar na roça. O incentivo à agricultura deixa  muito a desejar. Você não vê mais uma plantação de mandioca, as velhas casas de farinha viram ruínas e por aí vai.”

 

Ela teria papel basilar na mudança da percepção nossa da “predestinação de uma ração”, indagada a nós “Moacir, o filho da dor”, cujo valor mais alto residiria na exportação. A isso, jogaria aqui a visão que Dalinha vê em nosso folclore:

 

“Ando muito envolvida com literatura de cordel, participo ativamente da Academia Brasileira de Literatura de Cordel e muito tenho exercitado minha nordestinidade. Já publiquei alguns cordéis, e esse quarto cordel que estou publicando saiu pela ABLC.

 

Participo das plenárias onde poetas, cordelistas e cantores populares, vindos de diferentes partes do Nordeste, apresentam seus trabalhos. Mais do que bairrista, sou interiorana e caatingueira. E a qualquer lugar que vou, levo Ipueiras comigo. Mas parece-me que é preciso morar fora para que o Nordeste te receba de braços aberto.”

 

 

 

Até o samba hoje é

Ícone e bem cultural

 

 

Tal preservação é fundamental na história e na “identidade” de um povo.  Por isso, o pensamento que ali tivemos foi de uma visita à Região – que Romeu ponderava fosse na mesma viagem deles a Ipu (onde se acelera o atual processo em curso – Bica, Estação e Igreja lá).  De minha parte, disse talvez fosse um pouco atropelada a coincidência, no final deste mês com as festas de Ipueiras.

 

De tudo, perdoem-me encher o saco de vocês com meus e-mails. Não tenho nenhum interesse outro – sobretudo o de cargo, emprego ou posição política – a não ser pagar um tributo pela educação que tive, que me levou onde me levou. Além disso, aprendi que os tabajaras deixaram, em nós, a desconfiança. E, no meu caso, não “não candidato a nada”, nem mesmo a ícone.  Só o do pagador das promessas.  No caso, de alguém preparado basicamente em Ipueiras, tributa aos que o fizeram, elevando a estes como ícones da “conciliação e do amanhecer em cidadania”.

 

Neste conturbado momento político, em que nossos nomes – os de cearenses – estão nas revistas e jornais nacionais, sei que o clima não favorece muito para que aceleremos as coisas (no plano político, educacional e cultural). Um pouco de calma e aí a gente chega lá.

 

Nada faremos que não seja aberto e com dignidade.  Como político (palavra a que sempre dei a conotação mais alta), agora me pedem, com o status de componente do Conselho de Ética e Disciplina do PSDB, em Fortaleza, sempre tive postura aberta, cooperativa o interesse comum acima de quaisquer interesses.

 

Abraço a todos,

Marcondes Rosa de Sousa

Coordenador “ad hoc” do

Grupo “Amigos de Ipueiras”

 

 

 

 

 

 

 

 

 

AQUILES PERES MOTA

Bérgson Frota

O Povo - 15/09/2007

 

Filho de Otacílio Mota e Antônia Peres Mota, nasceu em 9 de agosto de 1924 em Ipueiras. Desde cedo a política corria de forma clara no seu sangue. Filho de um líder partidário local, Aquiles logo aprendeu as duas faces do poder, e desse aprendizado fez uso na sua vida de forma coerente, honesta e brilhante.

Em Fortaleza, a atuação política de Aquiles Peres Mota, inicia-se na década de 40. Entre os anos de 1945 e 1946 foi líder estudantil, integrando de forma atuante a direção da Casa do Estudante Secundarista (Centro Estudantil Cearense) e em 1950, como filiado da União Democrática Nacional (UDN), foi candidato a deputado estadual pela primeira vez, não sendo eleito, ficou na suplência da bancada da UDN na Assembléia.

Casou-se com Lia Sabóia Peres Mota que lhe deu duas filhas, Zuíla Sabóia Peres Mota e Liliane Sabóia Peres Mota. Formou-se em advocacia pela Universidade Federal do Ceará (UFC), em 1952. Foi Promotor público em Guaraciaba do Norte, São Benedito e Ipueiras. Deputado Estadual com oito mandatos consecutivos passando pela UDN e a Aliança Renovadora Nacional (Arena), com o fim do bipartidarismo, filiou-se ao Partido Progressista Brasileiro (PPB). Foi Primeiro Secretário da Assembléia Legislativa do Estado do Ceará e seu presidente no biênio 1983-1984 e em 1986-87.


Enfrentou uma única vez uma disputa majoritária, sendo candidato a vice-governador na chapa encabeçada pelo então vice-governador Adauto Bezerra (PFL). Adauto foi derrotado pelo empresário Tasso Jereissati (PMDB).

Em 1990, Aquiles Peres Mota enfrentou sua última disputa política ao se candidatar como Deputado Estadual, obtendo 12.045 votos, ficando na suplência do PDS na Assembléia. Sua história como político aqui se encerra, vale lembrar, porém, a importância política que teve como influente moderador e articulador nos antigos governos de Virgílio Távora, Adauto Bezerra e César Carls, durante e depois do período revolucionário de 1964.

Como expressão de seu grande caráter e respeito pela política e aos que a ela se dedicam narro o seguinte fato : "Foi o último orador a ocupar a tribuna do Paço Senador Alencar, na antiga sede do poder legislativo estadual. Num gesto de amor e respeito, e de forma simbólica, representando todos os que tiveram passagem pelo centenário prédio instalado em 1871, comovidamente na despedida beijou a Tribuna, deixando transparecer a emoção em lágrimas".

 

Aquiles Peres Mota faleceu em 19 de março de 2000.


 
 
Cabra da Peste
 
Dalinha Catunda
 
 
Longe do meu Nordeste.
Eu, que sou cabra da peste,
Chorei que nem criança.
Muitas vezes entediado,
Com jeito de abestado,
Puxava pela lembrança.
Com a cachaça do lado,
Entre um trago e um cigarro,
Sozinho e sem esperança.
Ruminava... matutava...
Oh vida de retirante!
É melhor morrer de fome,
Do que viver como errante.
Ah!... saudade...
Eu quero o meu roçado,
Eu quero minha Maria.
Meu cheiro de mato queimado,
E as noites de cantoria.
Oh Deus! Por favor, me alumia!
O álcool falava mais alto,
E eu, já quase dormia...
Meio ébrio, sonhava e sorria.
Mamãe trás minha rede,
Que eu quero me balançar.
Prepare meu pão de milho,
E capriche no mungunzá.
Se me trouxer tapioca,
Não esqueça o aluá.
Eeeeeeta, porre!
Foi o último que tomei,
Distante do Ceará.
Quando acordei no outro dia,
A única coisa que eu via,
Era o caminho de volta.
E me mandei pro Nordeste,
Pois lá, sou cabra da peste,
E aqui não passo de um bosta.

 

 
 
 

 

O VELHO FOGÃO À LENHA

 

Marcondes Rosa de Sousa

 

04.OUT.2005

 

Amanhã, deverá estar chegando a Ipueiras o Jornalista Edilson Silva, da UVA, para ouvir as pessoas da terra sobre a presença (atual e esperada) da Universidade Vale do Acaraú, no Vale do Jatobá.

 

Falei-lhe dos ícones culturais da terra, muitos. E das pessoas. Espero que ele seja bem recebido, os olhares de todos voltados para o "desenvolvimento sustentável" e a "inclusão social" - os motes.

 

Anexa, uma foto tirada por mim, quando do retorno da imagem de Nossa Senhora de Fátima.  A cena é da casa do "Seu Juarez". E a temática, o velho fogão de lenha, de inesquecíveis lembranças. Principalmente para Walmir, meu irmão, que aparece na foto. A gente se lembrava da culinária cearense. Eu particularmente, do "licor de cambucá"... Nem o de jaboticaba, no sul, conseguiu apagar o gosto e saudade em mim ficados da infância.

 

Com a foto, quero chamar a atenção para a culinária ipueirense. Ao me formar, um dia fui, pelo Zé Lima e esposa, agraciado com um lauto almoço. E vi o quanto Ipueiras poderia recuperar cardápios tradicionais na terra.

 

Lembro-me do livro de maior sucesso nacional na Editora da UFC, que, pró-reitor, superintendi: "Velhas receitas da cozinha nordestina". Lembrei-me ainda de uma "tapioca" que nos ofereceu, certa feita, a Universidade Federal do Piauí. Nunca vi tanta diversidade: a tapioca era apenas o pretexto de lauto jantar. Lembrei-me de cena, uma vez, no Palácio do Governo do Maranhão. Lá, dona Violeta Arraes, irmã de Miguél Arraes, então secretária de cultura do Ceará, experimentava sucos da terra.  Uma hora, senti-a diferente, como se tivesse lhe acontecido algum problema. Olhei-a no rosto. Lágrimas lhe escorriam pelos olhos...

 

"Algum problema?" - indaguei-lhe. E ela: "Não. É a emoção do sabor da infância que me despertou esse suco". Era de pitanga. Ali, brotou-lhe a saudade, tanto o tempo que ela vivia na França, o mundo então lhe voltando...

 

Tudo isso poderá ir compondo o quadro sociocultural de nossa terra. E se alguém puder ir com ele até a casa onde dizem estar o Antonio Manuel (irmão do Aquiles), uma foto cairá bem.

 

 

A SAGA DE GERARDO:

UM MELLO MOURÃO

 

Marcondes Rosa de Sousa

 

Tudo fiz. Não poderia deixar de ir á noite de autógrafos do livro “A Saga de Gerardo: um Mello Mourão”, do acadêmico e professor José Luís Lira, que pessoalmente me convidou. 

 

Ontem, o Centro Cultural Oboé estava pleno de personalidades: acadêmicas, políticas, das Guaraciabas e Ipueiras. Reencontros com os de Ipueiras, desde os dos tempos da Escola de Dona Ester, a relembrar palmatórias (não vi Lelete, por causa de quem levei os primeiros bolos, mas a Elisa Maria, irmã dela. contemporânea mais direta de Solange, minha irmã, estava lá). Lá  estavam contemporâneos como Nagib – a pregar a união entre Ipu e Ipueiras, a sonhada por ele “grande metrópole” (a perguntar por Walmir, meu irmão, o único de nós, a ser admitido como “ipueirense”)  outras e outros mais antigos que eu, a me reconhecerem, em meio a outros mais ligados com o Walmir, como Vavá Mourão, entre o mais jovens de hoje).  

 

 

A meu lado, o mais velho do clã dos “Dólar(e)s” – assim que se escreveria? - (o Zé, meu vizinho) e Silvana Frota, a jornalista..  Na fila em frente, prefeitos (de Ipueiras e Guaraciaba), o já octogerário Paes de Andrade.  Do outro lado, a família dos Mello Mourões – que depois soube que haviam sido registrados, os filhos, como nascidos em Ipueiras, pelo próprio Gerardo...

 

A apresentar o escritor, um grande nome, um octogenário escritor, com nome mundial, Antonio Olinto, da Academia Brasileira de Letras.  Após os emocionantes e descontraídos falares, fotos e papos no coquetel. 

 

No livro, um cartão, com fotos de Gerardo a abraçar o Prof. José Luís Lima.

Ao fim, uma “Nota”:

 

“Pretendíamos homenagear o Poeta, por seus noventa anos, com a edição do livro – A Saga de Gerardo: um Mello Mourão, cujos originais ele chegou a ler e deu sua aprovação. A homenagem, agora, se faz celebração plena de saudade.

Até um dia, Poeta!”

 

 

A encimar tal nota, o Poema de José Luís Lira:

 

 Lentamente o sol se põe.

Vai, pouco-a-pouco, perdendo sua majestade

E se encontra com o mar,

Dando a impressão de um mergulho.

 

Até chega a lembrar Exupéry:

Quando estamos tristes, gostamos do pôr-do-sol.

Tal qual o sol, o poeta vai se pondo, partindo

E não posso dizer-lhe adeus.

 

 

A província, a Terra-da-Luz,,

Perdeu seu Capitão-Mor nascido

No País dos Mourões do Siarah Grande.

Sem o tropel dos cavalos, longe do tilintar das espadas,

Gerardo partiu, deixando, na saudade, as marcas de sua Saga,

Em olhos vermelhos pôr-do-sol.

 

 

 

***

 

 

No posfácio do livro, Gonçalo de Barros Carvalho e Mello Mourão, embaixador e diretor do Departamento da América Central e Caribe, no Itamarati, deixou sua visão, como filho, do escritor.  Desse posfácio, consta na contracapa do livro:

 

 

“... esteve bem José Luís Lira ao intitular seu livro ‘A saga de Gerardo: um Mello Mourão’. Na verdade, Gerardo não é Gerardo, é um Mello Mourão. Mas,como a própria obra poética que ele criou nos mostra, ser Mello Mourão, ali, significa muito mais do que pertencer a uma vasta família do Ceará Grande: significa legar para o mundo este quinhão de aventura humana que meu paiinventou, por que cantou e vem cantando” (Embaixador Gonçalo Mourão).

 

 

O livro em apresentado, sob a forma de poema, por Artur Eduardo Benevides –Príncipe dos Poetas Cearenses e presidente de honra da Academia Cearense de Letras e da Academia Fortalezense de Letras – “Em louvor de Gerardo Mello Mourão, poeta das Ipueiras e do Mundo”. E prefaciado por José Teodoro Soares, ex-reitor da UVA e ora deputado estadual pelo Ceará.

 

 Na contracapa, o simpático, sensível e inteligente Embaixador Gonçalo Mourão, que, horas antes, em solenidade na Assembléia Legislativa, já falara, em nome da família.

 

 Ao se ajeitar meu computador pessoal – estou num de empréstimo – mais informações sobre o lançamento do livro e dos papos. 

 

Por enquanto, apenas o clima de festas, abraços, relembranças, até com Paes de Andrade, e o Embaixador Gonçalo Mourão e seus irmãos, sobre os “bolos de Dona Ester”, o artigo “O retrato que dói” e a restaurar o clima de paz, quem é de fato (Braga poderia lá estar) filho das “ipueiras”: Gerardo teria registrado seus filhos a habitar o clã dos mourões? Sim, o que lá da família ouvi. Jean Kleber, hoje na UNB, filho de meus professores “Dona Mundita, que para lá foi cuidar, com “Seu” Neném Mattos” – que reencontrei hoje nonagenário, em Fortaleza - nossos pais, meus irmãos e muita gente... Eu, tal como Moreira Franco, que governou o Estado do Rio, que teria se registrado em Teresina (meu caso, contrário, Seu Zeca Bento me registrou em Ipueiras – quando tive de levar documentos para Petrópolis (RJ) mesmo mencionando o local Santa Quitéria, onde a tabeliã da época, em rixas com meu pai, argumentara que um incêndio destruíra o livro) e coisas assim. Quem afinal é das ... “ipueiras”, hoje espalhados no País e no Planeta até.

 

Lá, fotos com ipueirenses, sobretudo, com o prefeito e os cazuzas.  E a promessa minha de, em poucos dias - se os médicos não forem contra de dar um pulo lá, com Solange, para resolvermos problemas relacionados com a sucessão (heranças) de Wencery Félix de Sousa e Adaísa Rosa de Sousa.

 

Lá, quem sabe, quem sabe, uma subida ao Corcovado da Caatinga – onde as torres, numa ignorância literalmente dos diabos (concordam comigo Neném Cazuza, o prefeito, que promete, com a população, lutar pela transposição das tais torres, hoje a arranhar o Cristo (há artigo meu desde quando, do retorno de N. S. de Fátima – 50 anos atrás era eu “Jacinto”, pouco antes dos milagres) e ali voltava para rever a Virgem de Fátima...

 

Muita coisa a me lavar a alma: os papos com Nenen, que teve a gentileza de me deixar de volta em casa, quando me viu a procurar um táxi. Papos sobre Ipueiras – eu em francos elogios escutados sobre a administração dele. E, no livro, o poema “São Gonçalo da Serra dos Cocos”, do meu amigo “Pe. Geraldo Oliveira Lima”, que justo nessa matriz, um dia me saudou, com citações em grego e latim. Eu, como diria Cláudio, meu filho, a “me matar de vergonha”.

 

Mas foi aí que vi o velho Joaquim Alves a vibrar e todos com ele: “E você entendeu alguma coisa?”.  E ele: “Não, mas fiquei todo arrupiado. Parecia música”.   Tal frase, revolucionaria toda a minha visão sobre linguagem literária, a ter a música como backgroud e buscar-nos as forças do inconsciente.

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