Grupos

 

 

 

 

NAGIB – ETA IPUEIRENSE PAIDÉGUA!

 

Walmir Rosa de Sousa

 

 

Li, há pouco, um comentário do Marcondes sobre a idéia de reunirmos os causos, crônicas, fotografias, e tudo o mais que se possa obter sobre Ipueiras para divulgação da nossa terra, condensando tudo isso em livro, CD, etc. A propósito, ele tocou no nome Nagib Melo, que tem verdadeira adoração pela nossa cidade e seus sonhos de engrandecimento da terra.  Costumo chamá-lo de "embaixador plenipotenciário das Ipueiras".

 

Nagib inaugurou um bar, há muito tempo, em Fortaleza, na Rua Melwin Jones (fundador do Lions Club - está lá escrito - para explicar tamanha "personalidade" homenageado pela cidade). Obviamente, por amor à terrinha, denominou-o BAR IPUEIRAS. Tempos depois, com o dinheiro ganho com o bem frequentado bar, comprou uma loja na esquina da Melwin Jones com a Rua Sena Madureira, no centro da cidade, e para lá transferiu o seu bar, agora dotado, também, dos serviços de Restaurante, com o nome de Bar Nova Metrópole. Minha sogra morava vizinho e, por isso, todo santo dia passava na porta do bar e de vez em quando entrava para um "dedo de prosa", como se dizia antigamente. Lá se sabia de tudo o que acontecia na cidade, principalmente das mortes! Acho que Nagib se ligava demais em ver a cidade, que ele desejava tanto crescer, perder algum de seus habitantes; principalmente os ilustres.

 

Certa feita, perguntei-lhe porque a mudança do nome de Bar Ipueiras para Bar Nova Metrópole, já que Ipueiras era um nome tão sugestivo para homenagear a cidade e Nova Metrópole não tinha nada a ver com a cidade. Engano seu! ele me disse: NOVA METRÓPOLE é para homenagear Ipueiras, para ver se ela cresce!

 

Depois, cansado da vida de dono de bar, mudou de ramo. Entrou na distribuição de medicamentos, nova onda do momento. Tascou o nome de DISTRIBUIDORA DE MEDICAMENTOS CRISTO REI, em homenagem ao CRISTO de nossa terra e à Praça onde morava quando lá habitava. Dizia ser seu grande sonho o crescimento de Ipu, Ipueiras e Nova Russas formando uma só grande "METRÓPOLE', com Ipueiras ao centro, comandando tudo! Eta ipueirense paudégua!

 

 

 

 

 

 

 

 

Elba Ramalho - De Onde Vem O Baião
Gilberto Gil

Debaixo do barro do chão da pista onde se dança 
Suspira uma sustança sustentada por um sopro divino 
Que sobe pelos pés da gente e de repente se lança 
Pela sanfona afora até o coração do menino 
Debaixo do barro do chão da pista onde se dança 
É como se Deus irradiasse uma forte energia 
Que sobe pelo chão 
E se transforma em ondas de baião, xaxado e xote 
Que balança a trança do cabelo da menina, e quanta
alegria! 

De onde é que vem o baião? 
Vem debaixo do barro do chão 
De onde é que vêm o xote e o xaxado? 
Vêm debaixo do barro do chão 
De onde vêm a esperança, a sustança espalhando 
O verde dos teus olhos pela plantação? 
Ô-ô 
Vêm debaixo do barro do chão

 

 

 

CARTA A JEAN KLEBER MATTOS,

 

 

Ontem à noite, dei com seu e-mail. E tão down (deprimido sei lá!) que me sentia, em relação à minha “missão” em Ipueiras e, em particular, na Matriz de São Gonçalo e adjacências, que cheguei até a encarar, como ironia – que distorção!- , as suas palavras. Noite, cansaço, tudo a tramar contra o escrever àquela hora.  Daí, o suprimir de meus distorcidos ímpetos. Fui dormir e, reflexivo e com calma, escolher depois melhor hora para lhe responder.

 

***

 

Um sousa sob o

registro de ipueirense

 

Já na cama, lembrei-me de cena do casamento de Walmir, meu irmão, com Liliana Maria Diogo de Siqueira. Eu, àquela época, com desgrenhada barba e bigode, era, na visão da mãe de Liliana, um autêntico (dizia ela) “vendedor de santo”, desses artesãos a esculpir domésticas estátuas de “santos”, à venda em nossos mercados.  Foi ante esse ar que presenciei duas velhas senhoras a se indagar: “Esse noivo de Liliana quem é?” E a outra: “Não é ninguém, não. É um ‘Sousa’ qualquer”!

 

Sousa qualquer! Pior que isso. Um dia procurei o vocábulo ‘sousa’, no dicionário. Lá, com todas as letras, “rato branco’. E aí me ocorreu cena: “Seu” Zeca Bento, que, na confusão da grafia do vocábulo - se se escrevia com ‘s’ ou com ‘z’ – eu, registrado em Santa Quitéria e, ante as brigas e más vontades da então tabeliã com meu pai, resolveu, como notário público de Ipueiras, registrar-me ali, enviando-me vários blocos para eu resolver meus problemas. E, com “s”.

 

O ex-reitor da UECe, Manasses, garante-me que, pelo “Rosa de Oliveira de minha mãe”, teria eu, como ele, procedência judaica. Mas, uma vez, no aeroporto de Brasília, dei com meu lado “rosa”, com brasão e tudo, a garantir-me “nobreza” de família irlandesa (rsrs) (dei um desses brasões a Solange, que tem um lado “Antonia)... Prefiro, porém. o lado plebeu, o do “sousa” com “s”, de um simples “rato branco”...

 

Daí, concluo duas ‘vocações minhas”: a) sou um ‘Sousa” (e com s) qualquer; b) Zeca Bento me tornou “ipueirense” – no mínimo “ex pectore” (expressão latina que hoje poderia traduzir-se “pelo coração” ..._

 

***

 

O embaixador

em mim “tomou doril”

 

Esse intróito para definir a esdrúxula e confusa sensação que me levou a Ipueiras, esta semana, para a comemoração dos 250 anos da Matriz de São Gonçalo da Serra dos Cocos, o que me lembrou Minervina, empregada, em Teresina, na casa de minha sogra, muitos anos atrás. Com as festividades do centenário de Teresina, a ela perguntaram o que tinha achado. E ela: “Gostei muito. Não vou perder mais nenhum nesta cidade”...

 

Por motivação diferente da de Minervina, que não podia perder os centenários de Teresina, lá me fui para os 250 anos da Matriz, histórico berço dos fratricidas “melos mourões”(tal como confessa o poeta Gerardo Mello Mourão). Mas descobri que, ao contrário de meu pai, um pacificador, voltei um tanto pessimista em relação à minha capacidade de “conciliador” ou, como definiu um ilustre técnico de marketing com minha apregoada capacidade de “resina”, segundo ele, de rejuntar “hegemonias em cacos”...

 

Conversei muito com os diversos segmentos políticos estanques. Mas a impressão que tive é que, em mim, esvaíra-se a festejada habilidade de remendar o despedaçado coletivo. 

 

O “grau de embaixador” a que você se refere, Jean Kleber, senti que, em mim, “tomou Doril”. Sumiu!...

 

***

 

Experiência adulta

versus viagem lúdica

 

Discordo de você quando define ação minha de “experiência adulta”, em contraste com a “recente incursão” sua às “águas apartadas”, que você qualifica de “viagem lúdica”, a restabelecer elo com seu passado, a rever ícones porventura ainda vivos.  Por outro lado, não concordo, no que toca a mim,  com o atribuído “grau de desenvolvimento” no “melindroso mundo da grande política”.

 

Diferentes, deixemos claro, as experiências: a de Frota e a minha – a dele mais atuante, mais longa, mais larga  e de resultados mais práticos que a minha. A partir da Universidade, tornei-me junto aos gestores, uma caneta. Não mais que isso. E caneta que, na visão de alguns administradores, reduz-se ao gráfico: acentos, vírgulas, paragrafação e coisas assim.  No meu caso, lembro-me, de na UFC tomar um documento para tentar-lhe dar redação final. Alinhei item por item de um Plano Estratégico, em largas folhas de papel.  Saí numerando os pontos à procura de laços de coerência, entre eles.  Tive depois, de preencher claros, mudar ordem, reescrita.  Na reunião dos gestores, recebi elogios no seguinte tom: “Depois que o Marcondes põe as vírgulas, dá ordem ao pensamento, o que dissemos fica mais aplicável e bonito!”

 

Na verdade, não é só “pôr as vírgulas”.  Certa feita, já alta hora da noite, telefonam-me do Palácio do Governo, no Cambeba.  Lá chegado, o problema. Lula, então candidato contra Collor, fora infeliz, nas Páginas Amarelas da Veja, ao referir-se a Tasso Jereissati, que queria resposta a altura, sem opor-se a ele, collorindo-se.  Cheio o gabinete dele de jornalistas, técnicos em marketing e o escambau.  Ele, já agastado, me diz: “Quero que digam isto, isso e aquilo”.  Pego da caneta e escrevo exatamente “isto, isso e aquilo”.  Ele, respirando: “Até que enfim alguém me entende!” Explicação, a linguagem são idéias, emoções, apelos.  Os técnicos mudavam o tons: da clareza das idéias, do  emotivo e dos apelos implícitos.  Quando saí, eram todos a me perguntar o que fizera eu, que, em poucos minutos, resolvera o problema...  

 

De outra feita, Beni Veras chama-me a Palácio.  Entrega-me um convite para palestra do então governador Tasso Jereissati, no CIC, sobre o tema “Dos ideais do Cic a uma prática de governo”.  Pergunto-lhe que ideais eram esses.  Ele me responde lacônico: “Nós tocamos as coisas por música”, querendo dizer “por intuição”, traduzo. Peço-lhe, no mínimo, entrevistas ou declarações do Grupo do CIC, de Amarílio Macedo a Tasso Jereissati. Tento do chão, extrair as idéias (isso está, de certa forma, no artigo “Do barro do chão”).  Foi meu canto de cisne, ao deixar, logo depois a TVE e voltar a ser pró-reitor de extensão na gestão do reitor Antônio Albuquerque Sousa Filho (ele, agrônomo, como você, Kleber).  Não fui à palestra. Assis Machado me daria sua percepção: “Parecia um filme de tudo quanto a gente vinha fazendo”.  Logo depois, ouviria de Fernando Henrique Cardoso, ao querer Tasso e seu grupo na “social democracia brasileira”: “Mas é essa, nascida do chão, a social democracia brasileira que procuramos. Não a que importamos da Europa”.

 

***

 

Modesto Pero Vaz de Caminha

 

Onde quero chegar com essas estórias?  Tão só ao ponto de que minha história política resume-me ao escrever. Nos termos de FHC, extrair do “barro do chão”, como o baião, o ideário.  Daí, virei cabeça, intelecto, a dar forma aos projetos. Sob outra forma, passei para o quadro dos – digamos – “pensadores”.

 

Mas o pensar político, sozinho, não basta.  Há, em nossa política, os que se valem da sensibilidade e do tato, para a apreensão de todo um diversificado mundo cultural do caleidoscópio a configurar a vida sócio-política. E, por fim, a mão dos gestores.

 

No quadro político, ainda, há diversos níveis, além dos que pensam, dos que sentem (o tato) e dos que agem.  Nas campanhas, por exemplo, vi níveis onde jamais teria eu um lugar.  O mundo dos caixas-dois, hoje ultrapassados, hoje a se traduzir sob infindáveis formas a partir dos mensalões e uma infinidade de configurações.  Sérgio Machado, quando ainda deputado federal, foi relator de projeto com vista a disciplinar o financiamento de nossa política. Pediu-me e dei meus pitacos. Até hoje, não interessa a ninguém disciplinar tal processo ...  E descobri até gente  - por vezes até emanados, por dinheiro, de nossas esquerdas, para fazer o “trabalho sujo”. 

 

Convivi, a partir dos anos 70, praticamente, com todos os integrantes de nossas correntes políticas e sobre eles, poderia aqui repetir frase de minha amiga Violeta Arraes, a esquivar-se de reportagem de Revista Nacional, a assediá-la, em Paris, aqui, no Rio, em Recife (o irmão, Miguel Arraes governador), e em São Paulo, no apartamento da filha.  Perguntei a ela porque não falava sobre os exilados de esquerda na Europa. E ela me respondeu: “O problema, Marcondes, é que conheço, de todos, nestes anos de exílio, as grandezas e vilezas.  E os repórteres têm tudo. Querem apenas que eu confirme. E isso, não posso fazer!”

 

Certa feita, vi e fui contra toda uma sórdida campanha contra o “Sargento Cambraia”. Cambraia candidato a prefeito após Juraci.  De outra, vi, pichações na rua, sórdida campanha sob o slogan “Dá o cu não é defeito. Edson Filho para prefeito”... E muito jogo baixo... E coisas muito mais sargeta...

 

Sou, em nossa jornada política, tão somente um Pero Vaz de Caminha, a registrar a viagem, olhos fitos no horizonte.  Nessa viagem, porões é coisa que não me atrás. E, ao invés de revelarem eles o poder, são sintomas, ao contrário, da coisa pequena, que me repugna. E política, para mim, tem o sentido mais alto do grego – da polis, característica, da sociabilidade construtiva do próprio ser humano - e da dignidade portanto.  

 

No atual prefeito de Ipueiras, vi grandezas, que externei a líderes mais altos da política cearense. E minha esperança é ratificar meu feeling, endossado felizmente pelo atual presidente do PSDB estadual, Francini Guedes, que me revelou a mesma impressão. E não quero que, ele um Mello Mourão, tenha de estender a mão aberta aos bolos de ... Dona Ester!

 

***

 

Sensação em mim

dos bolos de Dona Ester

 

Volta ao Ceará, diz você, em novembro próximo, por ocasião do Simpósio de Óleos Essenciais, com resultados a apresentar, dando curso, para a felicidade humana e do Planeta, ao talento que Deus lhe deu. E é aí que gostaria eu de que você refletisse um pouco mais ante o espelho, não resvalando, no campo político, para o grau de desenvolvimento que você atribui a Frota e a mim.

 

Sempre me consideraram maestro a compor acordes. Isso, no campo político. Passei a observar os maestros. E vi que podem até não tocar um só instrumento. Mas são capazes de, dos outros, arrancar dissonâncias a se comporem em acordes, em sinfonias.

 

Observo-o, desde minhas lembranças, no Educandário seus pais, onde sentamos juntos você, Frota e eu (que um impulso me levou a não fotografar.  Não era o mesmo... Nem era a mesma a praça.), que Ipueiras, sobretudo de seus educadores e grandes políticos, assiste-lhes a marca tabaja da conciliação, do “quebras comigo a flecha do arco da paz”, de Iracema.  A um filho do Zé Lima, jogado fora o busto de Getúlio, perguntei pelo da nova inquilina da Praça, Maria Lima. Ele me contou que discordâncias mil com a figuração da estátua proposta como evocação de sua mãe.

 

Mas, em você, vejo um “da mata”, que se converteu, pela atuação de um major, em “Mattos”, embora não tenha se distanciado pelo estrangeiro “Damatta”, das três posturas guardando, humilde, a articulação entre essas faces (foi meu insigh após conversas nossas pessoais, a partir de sua estada entre nós, rápida embora).  Outro insigh, foi a conjugação que, em você, a fugir dos estereótipos, dos  vários tipos de inteligência (da verbal, expressa na arte, sobretudo, à afetiva e, para espanto meu, a transcendente, em níveis mais elevados que o meu...

 

Visão, tato, olhar à frente, pois, não lhe faltam.  Como eu, você herdou de Neném Matos a capacidade do pacificador.  Nunca me esqueço da contabilidade feita por ele, ao mesmo tempo, de Tim Mourão (do PSD) e do Major Sebastião Mattos (da UDN).  Pelo que você conta, passou por situações até mais surrealísticas que eu, nos tempos do arbítrio.  E isso lhe deu todas as condições para poder harmonizar, em acordes, dissonâncias políticas.  Sobretudo, porque os tempos de agora são tempos da consciência mais aglutinante: a ecológica, onde os saberes, tal como em nossa “bossa nova”, dissonantes, compõe-se em acordes...  Visão que, seguramente, me falta, confesso-lhe.

 

De mim, voltei de Ipueiras meio julgando-me credor dos bolos que recebi, uma única vez (e demonstrativa), em uma dúzia, ante o que vi, após 24, sobre a presença de meu pai, na Matriz, na região e na cidade. O mesmo, em ato meu de contrição com relação a Dom Fragoso.  Estive, pela segunda vez, no Sindicato dos Ruralistas, no qual Antônio “Otávio” reelegeu-se até 2008, após ter estado com “Seu Otávio”, visto as experiências em curso no campo da agricultura familiar e a capacitação para o trabalho.  Tentei, não só entre a família de Seu Otávio como entre os diretores no Sindicato, plantar ali a semente da paz em relação ao prefeito (o que já o fizera vice-versa).  Isso, no auditório Dom Fragoso, cheio das lembranças do social como porto do aprender.

 

E o que me positivamente assustou: a consciência ecológica dos sindicalistas.  No dia anterior, em reunião de líderes da Matriz com o Prefeito, vi-o a nos relatar a morte do Jatobá até pelos munícipes a dele fazer sua “fossa” e a incapacidade do Município, sozinho, poder evitar sua morte, o que me levou à necessidade de uma consciência e mobilização mais ampla sobre as álacres águas de nossa infância.  Aí, lembrei-me de você.  E, nisso, vai um elogio: o de “embaixador” com visão mais ampla e aglutinante que a minha para o desencadear de uma consciência do nos darmos as mãos ecológicas a nos salvar o Planeta, onde as retiradas águas são fração desse todo.

 

E que todos nós, repitamos as últimas palavras que a nós, então jovens ouvíamos a Celso Furtado, no Auditório Castelo Branco da UFC, o conselho, em 1984:

 

“(...) a nova geração vai ter um trabalho importante de reconstrução a realizar e um espaço político a ocupar. E eu espero para ela que aprenda um pouco com os nossos erros, E reconstitua e restabeleça  essa fé no futuro deste País, que, aparentemente, se desgastou muito!” (Celso Furtado)

 

 

Fraternal abraço,

Marcondes Rosa de Sousa

 

 

 

 

ENCONTRO NO IPHAN

(Ícones culturais em Ipueiras e Matriz)

 

 

Ontem, às 11 da manhã, lá estávamos, Solange Rosa e eu, na sede do Instituto do Patrimônio Cultural e Artístico Nacional (IPHN), em entrevista que nos havia marcado o dirigente Romeu Duarte e o arquiteto Francisco Veloso, para um bate-papo de início sobre os “ícones culturais” do Município de Ipueiras, com ênfase o processo ali estancado, faz mais de 20 anos, referente à Matriz de São Gonçalo.

 

Relembrando aos do Grupo, o assunto surgira quando de casual encontro meu em exposição a comemorar os 100 anos de Luiz Sá, carturnista cearense, onde encontrei com muita gente da área cultural – marcadamente o Prof. Liberal de Castro, o arquiteto e compositor Fausto Nilo e Francisco Veloso.  Papo vai papo vem, lembrei-me da força hoje de nossos ícones e o papel que eles desenvolvem na consciente coletiva e ação de um povo.  Aí, Veloso me falou de sua ação nos itens da matriz.  Ficou de falar com Romeu Duarte e, logo no dia seguinte, convidou-nos para uma reunião preliminar, para conversarmos sobre o assunto.

 

Tive o cuidado de telefonar algumas vezes para Ipueiras, em especial para gente chegada ao Prefeito. A cautela foi no sentido de que a ação de minha parte não fosse tomada como individual e, a lattere, em relação aos pleitos do povo e das autoridades de Ipueiras.  Mais ainda para que tudo pudesse transcorrer, numa estreita articulação entre as instâncias municipal, estadual e federal e, sobretudo, da diversidade de setores que, em nossos dias, é o desenho de nossa democracia.

 

Carlos Moreira, o intermediário de que me vali, pediu que o irmão integrasse o grupo.  Por duas vezes, lancei cópia dos e-mails neste Grupo (Amigos de Ipueiras). Infelizmente, o irmão de Carlos e Nilton Aragão, que eu havia convidado, não puderam comparecer. Lá nos vimos, sob a ótica de Ipueiras, Solange e eu.

 

***

 

Ícones sobre os quais discutimos

 

Nossa preocupação maior – de Solange e minha (a minha eles já conhecem desde os tempos em que eu, na Universidade, na Secretaria de Cultura e no Conselho de Educação ocupava-me da integrada relação entre a preservação e o desenvolvimento dos bens culturais) era o papel da cultura (e no âmbito dela o dos “ícones”) no processo de desenvolvimento de um povo.  Sobretudo agora, no caso de Ipueiras e Ipu, quando nos sentimentos, de certa forma, porta-vozes de alguns anseios.

 

Para mim, essa preocupação faz-se cada vez mais nítida.  O amigo Cláudio Ferreira Lima, ao conversarmos sobre o interior do Ceará, diz-me o entrave maior no desenvolvimento rural cearense é sobretudo de ordem cultural.  E, nos financiamentos agrícolas pelo Banco do Nordeste descreve-nos cenas de acomodação tal que pouco pode ir à frente.  E, juntos, ao assistirmos à cinebiografia de Celso Furtado, comentamos uma curiosidade que não havia sido por mim percebida.  É que o Sarney, ao ver-se presidente da República após a morte de Tancredo Neves, ao invés de convocar Celso Furtado para Ministro da Economia, nomeou-o para a de ... Cultura.  E a explicação ali estava implícita no filme: ir mais longe na ideologia concreta de cultura, como sentimento e aspiração de nosso povo, fundamental ao processo de desenvolvimento de um povo. Digo isso porque, sendo eu, à época pró-reitor de extensão da UFC e, logo que ele fora nomeado fomos a Brasília.  Anchieta, o reitor, me sai – na brincadeira, sendo nós, ao chegarmos, logo introduzidos no Gabinete do Ministro, sem demoras, me cochicha: “Esse ministro não deve ter o menor prestígio”. E eu lhe perguntei o porquê. E ele: “Você não notou? É o único gabinete de ministro para o qual a gente desce e não sobe. Depois, o único também que a que a gente é recebido sem chá de cadeira” (rsrs).

 

Comigo, levei edição da Revista da Uva sobre Ipueiras.  E lá, pelas matérias ali arroladas no campo cultural, era possível extraímos algumas informações sobre os ícones: a) Matriz de São Gonçalo da Serra dos Cocos; b) a Igreja de Ipueiras (que eles do IPHAN argumentam descaracterização histórico-cultural), c) a Casa de “mais de 100 portas” da Otacilândia, que despertou viva atenção; d) a estação ferroviária (menor e menos estética do que a do Ipu mas com forte simbolismo na história do povo); e) o Cristo da Caatinga, sobre o qual muito conversamos (e sobre o qual Romeu chamou a atenção, na Região – Ipu, Sobral, entre outras) do valor simbólico do Redentor.  

 

E na percepção, além do arquitetônico hoje, a dimensão ecológica e culturalmente simbólica, na linha da “Bica do Ipu”, de inúmeros valores outros, como os “pingas” (na Matriz e nas serras entre outros), cuja relação me foi informada por Carlos Moreira, pelos vários distritos de Ipueiras.

 

Longa, a conversa.  Na verdade, os “ícones culturais” teriam funções a casar-se com as da educação e do desenvolvimento econômico.  Solange ressaltou seu papel na educação e na escola.  Não só da educação formal e básica. Mas profissional.  Referiu-se ela à experiência de “agricultura familiar” ora a se desenvolver na “Lagoa dos Tavares”, onde, já erguidas, ali estão escola formal e uma “indústria de popas”: “Quem garante que, sem o olhar profissionalizante de nossa escola, essa pequena indústria não passe do estágio em que vimos?”  Achei interessante, nessa experiência, a pergunta que, nessa experiência, nos fizera uma jovem: Não daria para, aqui na região, a gente montar, sei lá, um pequeno museu, com bibliotecas, de modo a que nossos filhos possam saber de onde eles vêem e que rumo tomar o seu povo?

 

Ela se referia aos sarcófagos muitos dos índios tabajaras ali encontrados, que Romeu nos diz que, dos muitos encontrados na Serra dos Cocos, estão no Museu de Sobral.  Ali também temos notícias outras, na Boa Vista, de outros ícones históricos. Carlos Moreira havia me falado sobre pesquisa de uma professora antropóloga da UECE sobre tais sarcófagos encontrados na região.

 

  Em casa, já em Fortaleza, vejo na televisão, valores outros, como o “samba” serem alçados a bem cultural a ser preservado. Tais valores têm função ampla no global processo de educação social.  A frase de Dalinha Catunda, a comentar comigo essa função, assim se expressa:

 

“Nosso Cabra da peste, na politica atual, foi reduzido a explorador de mulheres e crianças. A tal da "bolsa esmola" viciou o cidadão. Hoje você não acha mais quem queira trabalhar na roça. O incentivo à agricultura deixa  muito a desejar. Você não vê mais uma plantação de mandioca, as velhas casas de farinha viram ruínas e por aí vai.”

 

Ela teria papel basilar na mudança da percepção nossa da “predestinação de uma ração”, indagada a nós “Moacir, o filho da dor”, cujo valor mais alto residiria na exportação. A isso, jogaria aqui a visão que Dalinha vê em nosso folclore:

 

“Ando muito envolvida com literatura de cordel, participo ativamente da Academia Brasileira de Literatura de Cordel e muito tenho exercitado minha nordestinidade. Já publiquei alguns cordéis, e esse quarto cordel que estou publicando saiu pela ABLC.

 

Participo das plenárias onde poetas, cordelistas e cantores populares, vindos de diferentes partes do Nordeste, apresentam seus trabalhos. Mais do que bairrista, sou interiorana e caatingueira. E a qualquer lugar que vou, levo Ipueiras comigo. Mas parece-me que é preciso morar fora para que o Nordeste te receba de braços aberto.”

 

 

 

Até o samba hoje é

Ícone e bem cultural

 

 

Tal preservação é fundamental na história e na “identidade” de um povo.  Por isso, o pensamento que ali tivemos foi de uma visita à Região – que Romeu ponderava fosse na mesma viagem deles a Ipu (onde se acelera o atual processo em curso – Bica, Estação e Igreja lá).  De minha parte, disse talvez fosse um pouco atropelada a coincidência, no final deste mês com as festas de Ipueiras.

 

De tudo, perdoem-me encher o saco de vocês com meus e-mails. Não tenho nenhum interesse outro – sobretudo o de cargo, emprego ou posição política – a não ser pagar um tributo pela educação que tive, que me levou onde me levou. Além disso, aprendi que os tabajaras deixaram, em nós, a desconfiança. E, no meu caso, não “não candidato a nada”, nem mesmo a ícone.  Só o do pagador das promessas.  No caso, de alguém preparado basicamente em Ipueiras, tributa aos que o fizeram, elevando a estes como ícones da “conciliação e do amanhecer em cidadania”.

 

Neste conturbado momento político, em que nossos nomes – os de cearenses – estão nas revistas e jornais nacionais, sei que o clima não favorece muito para que aceleremos as coisas (no plano político, educacional e cultural). Um pouco de calma e aí a gente chega lá.

 

Nada faremos que não seja aberto e com dignidade.  Como político (palavra a que sempre dei a conotação mais alta), agora me pedem, com o status de componente do Conselho de Ética e Disciplina do PSDB, em Fortaleza, sempre tive postura aberta, cooperativa o interesse comum acima de quaisquer interesses.

 

Abraço a todos,

Marcondes Rosa de Sousa

Coordenador “ad hoc” do

Grupo “Amigos de Ipueiras”

 

 

 

 

 

 

 

 

 

AQUILES PERES MOTA

Bérgson Frota

O Povo - 15/09/2007

 

Filho de Otacílio Mota e Antônia Peres Mota, nasceu em 9 de agosto de 1924 em Ipueiras. Desde cedo a política corria de forma clara no seu sangue. Filho de um líder partidário local, Aquiles logo aprendeu as duas faces do poder, e desse aprendizado fez uso na sua vida de forma coerente, honesta e brilhante.

Em Fortaleza, a atuação política de Aquiles Peres Mota, inicia-se na década de 40. Entre os anos de 1945 e 1946 foi líder estudantil, integrando de forma atuante a direção da Casa do Estudante Secundarista (Centro Estudantil Cearense) e em 1950, como filiado da União Democrática Nacional (UDN), foi candidato a deputado estadual pela primeira vez, não sendo eleito, ficou na suplência da bancada da UDN na Assembléia.

Casou-se com Lia Sabóia Peres Mota que lhe deu duas filhas, Zuíla Sabóia Peres Mota e Liliane Sabóia Peres Mota. Formou-se em advocacia pela Universidade Federal do Ceará (UFC), em 1952. Foi Promotor público em Guaraciaba do Norte, São Benedito e Ipueiras. Deputado Estadual com oito mandatos consecutivos passando pela UDN e a Aliança Renovadora Nacional (Arena), com o fim do bipartidarismo, filiou-se ao Partido Progressista Brasileiro (PPB). Foi Primeiro Secretário da Assembléia Legislativa do Estado do Ceará e seu presidente no biênio 1983-1984 e em 1986-87.


Enfrentou uma única vez uma disputa majoritária, sendo candidato a vice-governador na chapa encabeçada pelo então vice-governador Adauto Bezerra (PFL). Adauto foi derrotado pelo empresário Tasso Jereissati (PMDB).

Em 1990, Aquiles Peres Mota enfrentou sua última disputa política ao se candidatar como Deputado Estadual, obtendo 12.045 votos, ficando na suplência do PDS na Assembléia. Sua história como político aqui se encerra, vale lembrar, porém, a importância política que teve como influente moderador e articulador nos antigos governos de Virgílio Távora, Adauto Bezerra e César Carls, durante e depois do período revolucionário de 1964.

Como expressão de seu grande caráter e respeito pela política e aos que a ela se dedicam narro o seguinte fato : "Foi o último orador a ocupar a tribuna do Paço Senador Alencar, na antiga sede do poder legislativo estadual. Num gesto de amor e respeito, e de forma simbólica, representando todos os que tiveram passagem pelo centenário prédio instalado em 1871, comovidamente na despedida beijou a Tribuna, deixando transparecer a emoção em lágrimas".

 

Aquiles Peres Mota faleceu em 19 de março de 2000.


 
 
Cabra da Peste
 
Dalinha Catunda
 
 
Longe do meu Nordeste.
Eu, que sou cabra da peste,
Chorei que nem criança.
Muitas vezes entediado,
Com jeito de abestado,
Puxava pela lembrança.
Com a cachaça do lado,
Entre um trago e um cigarro,
Sozinho e sem esperança.
Ruminava... matutava...
Oh vida de retirante!
É melhor morrer de fome,
Do que viver como errante.
Ah!... saudade...
Eu quero o meu roçado,
Eu quero minha Maria.
Meu cheiro de mato queimado,
E as noites de cantoria.
Oh Deus! Por favor, me alumia!
O álcool falava mais alto,
E eu, já quase dormia...
Meio ébrio, sonhava e sorria.
Mamãe trás minha rede,
Que eu quero me balançar.
Prepare meu pão de milho,
E capriche no mungunzá.
Se me trouxer tapioca,
Não esqueça o aluá.
Eeeeeeta, porre!
Foi o último que tomei,
Distante do Ceará.
Quando acordei no outro dia,
A única coisa que eu via,
Era o caminho de volta.
E me mandei pro Nordeste,
Pois lá, sou cabra da peste,
E aqui não passo de um bosta.

 

 
 
 

 

O VELHO FOGÃO À LENHA

 

Marcondes Rosa de Sousa

 

04.OUT.2005

 

Amanhã, deverá estar chegando a Ipueiras o Jornalista Edilson Silva, da UVA, para ouvir as pessoas da terra sobre a presença (atual e esperada) da Universidade Vale do Acaraú, no Vale do Jatobá.

 

Falei-lhe dos ícones culturais da terra, muitos. E das pessoas. Espero que ele seja bem recebido, os olhares de todos voltados para o "desenvolvimento sustentável" e a "inclusão social" - os motes.

 

Anexa, uma foto tirada por mim, quando do retorno da imagem de Nossa Senhora de Fátima.  A cena é da casa do "Seu Juarez". E a temática, o velho fogão de lenha, de inesquecíveis lembranças. Principalmente para Walmir, meu irmão, que aparece na foto. A gente se lembrava da culinária cearense. Eu particularmente, do "licor de cambucá"... Nem o de jaboticaba, no sul, conseguiu apagar o gosto e saudade em mim ficados da infância.

 

Com a foto, quero chamar a atenção para a culinária ipueirense. Ao me formar, um dia fui, pelo Zé Lima e esposa, agraciado com um lauto almoço. E vi o quanto Ipueiras poderia recuperar cardápios tradicionais na terra.

 

Lembro-me do livro de maior sucesso nacional na Editora da UFC, que, pró-reitor, superintendi: "Velhas receitas da cozinha nordestina". Lembrei-me ainda de uma "tapioca" que nos ofereceu, certa feita, a Universidade Federal do Piauí. Nunca vi tanta diversidade: a tapioca era apenas o pretexto de lauto jantar. Lembrei-me de cena, uma vez, no Palácio do Governo do Maranhão. Lá, dona Violeta Arraes, irmã de Miguél Arraes, então secretária de cultura do Ceará, experimentava sucos da terra.  Uma hora, senti-a diferente, como se tivesse lhe acontecido algum problema. Olhei-a no rosto. Lágrimas lhe escorriam pelos olhos...

 

"Algum problema?" - indaguei-lhe. E ela: "Não. É a emoção do sabor da infância que me despertou esse suco". Era de pitanga. Ali, brotou-lhe a saudade, tanto o tempo que ela vivia na França, o mundo então lhe voltando...

 

Tudo isso poderá ir compondo o quadro sociocultural de nossa terra. E se alguém puder ir com ele até a casa onde dizem estar o Antonio Manuel (irmão do Aquiles), uma foto cairá bem.

 

 

A SAGA DE GERARDO:

UM MELLO MOURÃO

 

Marcondes Rosa de Sousa

 

Tudo fiz. Não poderia deixar de ir á noite de autógrafos do livro “A Saga de Gerardo: um Mello Mourão”, do acadêmico e professor José Luís Lira, que pessoalmente me convidou. 

 

Ontem, o Centro Cultural Oboé estava pleno de personalidades: acadêmicas, políticas, das Guaraciabas e Ipueiras. Reencontros com os de Ipueiras, desde os dos tempos da Escola de Dona Ester, a relembrar palmatórias (não vi Lelete, por causa de quem levei os primeiros bolos, mas a Elisa Maria, irmã dela. contemporânea mais direta de Solange, minha irmã, estava lá). Lá  estavam contemporâneos como Nagib – a pregar a união entre Ipu e Ipueiras, a sonhada por ele “grande metrópole” (a perguntar por Walmir, meu irmão, o único de nós, a ser admitido como “ipueirense”)  outras e outros mais antigos que eu, a me reconhecerem, em meio a outros mais ligados com o Walmir, como Vavá Mourão, entre o mais jovens de hoje).  

 

 

A meu lado, o mais velho do clã dos “Dólar(e)s” – assim que se escreveria? - (o Zé, meu vizinho) e Silvana Frota, a jornalista..  Na fila em frente, prefeitos (de Ipueiras e Guaraciaba), o já octogerário Paes de Andrade.  Do outro lado, a família dos Mello Mourões – que depois soube que haviam sido registrados, os filhos, como nascidos em Ipueiras, pelo próprio Gerardo...

 

A apresentar o escritor, um grande nome, um octogenário escritor, com nome mundial, Antonio Olinto, da Academia Brasileira de Letras.  Após os emocionantes e descontraídos falares, fotos e papos no coquetel. 

 

No livro, um cartão, com fotos de Gerardo a abraçar o Prof. José Luís Lima.

Ao fim, uma “Nota”:

 

“Pretendíamos homenagear o Poeta, por seus noventa anos, com a edição do livro – A Saga de Gerardo: um Mello Mourão, cujos originais ele chegou a ler e deu sua aprovação. A homenagem, agora, se faz celebração plena de saudade.

Até um dia, Poeta!”

 

 

A encimar tal nota, o Poema de José Luís Lira:

 

 Lentamente o sol se põe.

Vai, pouco-a-pouco, perdendo sua majestade

E se encontra com o mar,

Dando a impressão de um mergulho.

 

Até chega a lembrar Exupéry:

Quando estamos tristes, gostamos do pôr-do-sol.

Tal qual o sol, o poeta vai se pondo, partindo

E não posso dizer-lhe adeus.

 

 

A província, a Terra-da-Luz,,

Perdeu seu Capitão-Mor nascido

No País dos Mourões do Siarah Grande.

Sem o tropel dos cavalos, longe do tilintar das espadas,

Gerardo partiu, deixando, na saudade, as marcas de sua Saga,

Em olhos vermelhos pôr-do-sol.

 

 

 

***

 

 

No posfácio do livro, Gonçalo de Barros Carvalho e Mello Mourão, embaixador e diretor do Departamento da América Central e Caribe, no Itamarati, deixou sua visão, como filho, do escritor.  Desse posfácio, consta na contracapa do livro:

 

 

“... esteve bem José Luís Lira ao intitular seu livro ‘A saga de Gerardo: um Mello Mourão’. Na verdade, Gerardo não é Gerardo, é um Mello Mourão. Mas,como a própria obra poética que ele criou nos mostra, ser Mello Mourão, ali, significa muito mais do que pertencer a uma vasta família do Ceará Grande: significa legar para o mundo este quinhão de aventura humana que meu paiinventou, por que cantou e vem cantando” (Embaixador Gonçalo Mourão).

 

 

O livro em apresentado, sob a forma de poema, por Artur Eduardo Benevides –Príncipe dos Poetas Cearenses e presidente de honra da Academia Cearense de Letras e da Academia Fortalezense de Letras – “Em louvor de Gerardo Mello Mourão, poeta das Ipueiras e do Mundo”. E prefaciado por José Teodoro Soares, ex-reitor da UVA e ora deputado estadual pelo Ceará.

 

 Na contracapa, o simpático, sensível e inteligente Embaixador Gonçalo Mourão, que, horas antes, em solenidade na Assembléia Legislativa, já falara, em nome da família.

 

 Ao se ajeitar meu computador pessoal – estou num de empréstimo – mais informações sobre o lançamento do livro e dos papos. 

 

Por enquanto, apenas o clima de festas, abraços, relembranças, até com Paes de Andrade, e o Embaixador Gonçalo Mourão e seus irmãos, sobre os “bolos de Dona Ester”, o artigo “O retrato que dói” e a restaurar o clima de paz, quem é de fato (Braga poderia lá estar) filho das “ipueiras”: Gerardo teria registrado seus filhos a habitar o clã dos mourões? Sim, o que lá da família ouvi. Jean Kleber, hoje na UNB, filho de meus professores “Dona Mundita, que para lá foi cuidar, com “Seu” Neném Mattos” – que reencontrei hoje nonagenário, em Fortaleza - nossos pais, meus irmãos e muita gente... Eu, tal como Moreira Franco, que governou o Estado do Rio, que teria se registrado em Teresina (meu caso, contrário, Seu Zeca Bento me registrou em Ipueiras – quando tive de levar documentos para Petrópolis (RJ) mesmo mencionando o local Santa Quitéria, onde a tabeliã da época, em rixas com meu pai, argumentara que um incêndio destruíra o livro) e coisas assim. Quem afinal é das ... “ipueiras”, hoje espalhados no País e no Planeta até.

 

Lá, fotos com ipueirenses, sobretudo, com o prefeito e os cazuzas.  E a promessa minha de, em poucos dias - se os médicos não forem contra de dar um pulo lá, com Solange, para resolvermos problemas relacionados com a sucessão (heranças) de Wencery Félix de Sousa e Adaísa Rosa de Sousa.

 

Lá, quem sabe, quem sabe, uma subida ao Corcovado da Caatinga – onde as torres, numa ignorância literalmente dos diabos (concordam comigo Neném Cazuza, o prefeito, que promete, com a população, lutar pela transposição das tais torres, hoje a arranhar o Cristo (há artigo meu desde quando, do retorno de N. S. de Fátima – 50 anos atrás era eu “Jacinto”, pouco antes dos milagres) e ali voltava para rever a Virgem de Fátima...

 

Muita coisa a me lavar a alma: os papos com Nenen, que teve a gentileza de me deixar de volta em casa, quando me viu a procurar um táxi. Papos sobre Ipueiras – eu em francos elogios escutados sobre a administração dele. E, no livro, o poema “São Gonçalo da Serra dos Cocos”, do meu amigo “Pe. Geraldo Oliveira Lima”, que justo nessa matriz, um dia me saudou, com citações em grego e latim. Eu, como diria Cláudio, meu filho, a “me matar de vergonha”.

 

Mas foi aí que vi o velho Joaquim Alves a vibrar e todos com ele: “E você entendeu alguma coisa?”.  E ele: “Não, mas fiquei todo arrupiado. Parecia música”.   Tal frase, revolucionaria toda a minha visão sobre linguagem literária, a ter a música como backgroud e buscar-nos as forças do inconsciente.

 

 

***

 

Aqui, pois, numa homenagem a Geralinho, que foi para Sobral enquanto rumávamos Frota e eu para Petrópolis) e de quem recebi notícias positivas a este talento ipueirense por vezes esquecido, o poema, afinal e, por enquanto, “ao final” desta mensagem:

 

 São Gonçalo da Matriz

Achado ao pé da palmeira,

Por caçadores famosos,

Na grande serra altaneira.

 

Levaram o São Gonçalinho

Com grande empenho e carinho,

Todo mundo bem alegre,

Com o pequeno santinho.

 

Quando foi no outro dia,

O povo com alarido

Foi rezar no oratório:

O santo tinha fugido.

 

Procuram por todo canto.

Correm ao pé da palmeira...

Pois no mato estava o Santo

Bem simpático e prazenteiro.

 

 

***

 

E sobre essa visão de nosso folclore, conclui-nos Gerardo Mello Mourão (à pág. 32, do livro lançado):

 

 

“Não sou um poeta nordestino.  Sou um nordestino poeta. É outra coisa. Por isto sou fiel às substâncias líricas de minhas ribeiras da Ibiapaba. Com licença dos folcloristas e do folclore em geral, não estou aqui para fazer folclore. Não sou um tipo folclórico. Mesmo as letras de Humberto Teixeira, nas antologias de Luís Gonzaga, ou os poemas de Ascenço Ferreira, não são propriamente folclóricos, embora não percam nada de sua grandeza quando a lira do povo (folk-lore) as absorve e chegam a ser repetidas como cantos anônimos. Passam a existir além de seus autores. Como se dizia da “Ode a uma Urna Grega”, de Keats, quando feito e perfeito, o poema sabe mais do que o poeta. No dia em que meu poema souber mais do que eu, então sim, terei a glória de ser nordestino poeta, isto é,de ter o sopro dos próprios ventos da terra, de crescer de suas entranhas como um ser que dela recebeu a vida, uma serpente, um pé de juazeiro”.

 

 

 

 

EDUCAÇÃO E TRABALHO

Ariosto Holanda

A escolaridade média no Brasil é de 4,9 anos, a da Argentina 8,8.   Somente 35% dos jovens estão matriculados no ensino médio; no Chile esse número chega a 85%

O Povo -  05/09/2007 01:18


Com certeza a educação é o melhor caminho para diminuirmos a distância entre o Brasil que tem o 12º PIB mundial e o Brasil que ocupa o 63º Índice de Desenvolvimento Humano - IDH. Essa distância entre esses dois Brasis, o pobre e o rico, é devida à elevada concentração da renda.


Segundo o professor Pochmann, enquanto o programa de transferência de renda direta, conhecido como bolsa família, aplica 0,35% do PIB, ou seja, aproximadamente 7 bilhões de reais para atender 60 milhões de pessoas, o renda mínima dos ricos, transfere, por ano, para os 20.000 clãs que detém 80% dos titulos da dívida pública, 7 a 8 % do PIB, cerca de 140 bilhões de reais. Se não fosse o Bolsa Família já teria ocorrido nesse país uma explosão de pobres e uma revolta incontrolável de famintos.

Por outro lado, a educação só terá êxito se estiver acoplada a um projeto de país; é preciso que haja uma forte ligação entre o plano de desenvolvimento e o projeto educacional. O Brasil em relação à educação tem uma dívida de quinhentos anos, que o governo atual está procurando pagar. Os indicadores aí estão. Entre os países emergentes: China, México, Rússia, Índia, segundo técnicos do Banco Mundial, o Brasil ocupa o último lugar no tocante ao cumprimento das metas para inserir-se na sociedade do conhecimento. Concorreu para isso, o seu sofrível desempenho na educação.

A escolaridade média no Brasil é de 4,9 anos, a da Argentina 8,8. Somente 35% dos jovens estão matriculados no ensino médio; no Chile esse número chega a 85% . Para alcançar o índice do Chile, o Brasil precisaria construir 50.000 novas salas de aula e contratar 500.000 novos professores. No tocante à graduação constatamos uma distribuição irregular:: 60% dos alunos estão matriculados em somente, 4 cursos: direito, administração, pedagogia e contabilidade. O Programa de Avaliação Internacional de Estudantes classificou o Brasil em 40º lugar, em leitura, matemática e ciências.

Observamos, também, que o avanço da tecnologia tem resultado no aprofundamento do conhecimento de poucos e no aumento da ignorância de muitos. Como novos conhecimentos surgirão com velocidades cada vez mais crescentes, as camadas sociais mais pobres correm o risco de sofrer a mais perversa das exclusões: a do saber para o trabalho.

O que esperar de uma família sem conhecimento e onde ninguém trabalha? As portas que para ela estão se abrindo são a da prostituição, da droga e do banditismo. Não estariam aí, as razões maiores do desemprego, da violência e da marginalidade? Ao invés de PAC não seria melhor discutirmos o Padh: "Plano de Apoio ao Desenvolvimento Humano"?

ARIOSTO HOLANDA - Deputado Federal/PSB

 

 

 

 

 

O CAIR LENTO DA NEVE

E O ABRUPTO DA CHUVA

 

 

Marcondes Rosa de Sousa

Mensagem no Grupo Ipueiras, 26.01.2004 

 

 

Os daqui, observa Darci, a escrever sobre “o lá dentro de todos”! E ela, do outro lado do mundo, a olhar “pela janela a neve lá fora a cair como flocos de algodão”...

 

De repente, o inverno da neve quem sabe se torne o “inverno” daqui, feito chuva, a fazer brotar, em nosso seco sertão, o algodão a nos tornar produção!

 

Cada um pode, por entre o cair da neve ou da chuva, ora nos visitar, alimentar esse sonho, que, de inicio, pode sim brotar de solidões, “vaqueiros” que somos.  Solidões, no entanto, que só se farão produtivas, se nos levarem ao nos darmos as mãos e, solidários, plantarmos flocos de algodão e vida no chão que deixamos.

 

Alencar, ante a emigração, indagou-nos: “seria isso a predestinação de uma raça?”. “Aves de arribação”, de Antônio Sales, marcou-nos como clássico de nossa literatura, como que a responder a Alencar.  A Alencar foi preciso olhar-nos “além muito além daquela serra, que ainda azula no horizonte”, para nos ver nascer, mais que “Moacir” (o filho da dor), sua mãe “Iracema”,

 

De lá para cá, continuamos “retirantes”, sonhando como na canção de Ednardo e Augusto Pontes: “Amanhã, se der o carneiro, vou-me embora para o Rio de Janeiro”.

 

Ironia! O mundo hoje se faz global. E o global hoje se faz a partir do local. As aves de arribação, na verdade, não mais arribam. Onde quer que estejam, plantam-se aqui.  Talvez com os pés mais fincados que os porventura alienados de aqui. Se der o carneiro, já é o Rio de Janeiro que aqui se planta...

 

Colega meu de seminário contou-me que, na Associação dos Ex-alunos do seminário de Petrópolis (RJ), os que me acompanham têm uma curiosidade: “porque o Marcondes fugiu para o Ceará”.  Respondi-lhe com a história de uma professora. Renomada, resolveu fugir para o Ceará: “peguei o marido e quatro cachorros” (escreveu ela) e fui para Fortaleza. E descobri que aqui é o portal do Planeta”. Li isso em sua proposta para pertencer ao Conselho de Educação do Ceará.  Uma grande psicóloga que se cansou de São Paulo.

 

Este “sítio” (virtual site) é um real local de encontros. E todos, Darci tem razão, têm Ipueiras, “lá dentro de si”. Certa feita, na concessão de um título (era eu Pró-Reitor de Extensão da UFC), no Auditório Castelo Branco, Gerardo Mello Mourão, ao contar de como, ao ser mandado por Dona Ester (sua e minha professora) para o Sul, escondeu-se, ao saltar pela outra porta do trem, por debaixo das densas camadas de mata-pasto – emocionou-nos a todos. À mesa, contive a emoção e o choro, ouvindo-o, num processo iterativo, a descrição da visão e do cheiro do chão de Ipueiras, nele impregnado, e a projetar-se pelos diversos pontos do mundo por onde ele andou.  Lá estava, com seu odor e imagem, o mata-pasto: nas muralhas da China, por entre as neves da Europa...

 

É isso!  Onde quer que estejamos, habitamos o mesmo chão. E sei que cada um, por mais distante que pense estar, está “aqui” (em Ipueiras, “sítio” este e “cidade”).  Como Darci, malinosa menina, de inquietos olhos, a maquinar “algodões”, extraídos da neve, tornando-se a diversão de crianças e um mundo de gente a repetir o refrão de Zé Dantas e Gonzagão, há 50 anos atrás: “Mas doutor, uma esmola/Para um homem que é são/Ou lhe mata de vergonha/Ou vicia o cidadão”

 

Lá neva. Aqui, chove.  Por entre o cair lento da neve e o abrupto da chuva, que nossas reflexivas solidões se dêem as mãos em um necessário gesto do solidário.

 

São meus desejos, com a alma banhada em chuva!

 

 

 

 

 

IPUEIRAS E O TURISMO

 

Papos de Dalinha  Catunda e Everardo Mourão

 

Nós temos o nosso Cristo Rei, temos a Igreja, o Arco de Nossa Senhora, a  Estação do trem, hoje o próprio hotel do Chagas,  que ficariam bonitos num painel. Temos ainda uma grande fonte de renda que são as quadras de Forró. Esperar o poder publico, é esperar em vão. Onde quero chegar?

 

Temos o terreirão do Zeca Frosino, (onde se dança forró pé de serra). Temos a quadra do Cícero Pereira, um forró popular também e temos quadras modernas como o “rancho fundo”, do Chico Coité e o Via Show dos irmãos Oliveira, onde, além de forró, acontecem grandes shows.

 

Se, hotéis, quadras, pousadas se reunissem fazendo painéis bonitos, rachando despesas num painel comum. E cada participante pendurasse um painel nesses mesmos lugares já era um bom começo.

 

É lógico que o poder publico poderia participar divulgando a cidade. Aqui, no Rio, eu só posso ventilar palavras, mas em Ipueiras eu tenho acesso a essas pessoas e poderia propor essa parceria. Sei que posso contar com Carlos Moreira que entende do riscado.

 

Dalinha Catunda

 

 

***

 

Muito bem, Dalinha

 

Seria ótimo que algum dos conterrâneos residente em Ipueiras, levasse essas considerações até o nosso amigo Chagas,  para que ele nos dê um alô , e  entre nesta corrente, que é tão nossa quanto dele. Ele que teve esta grande idéia do investimento, poderá acatar a de propaganda. Até falei para o meu comp. Édson, um grande painel na Estação, indicando a existência e localização do hotel, já traria um retorno razoável,  penso eu.

 

 

Everardo Mourão

 

 

 

 

 

EDUCAÇÃO E TRABALHO

Ariosto Holanda

A escolaridade média no Brasil é de 4,9 anos, a da Argentina 8,8. Somente 35% dos jovens estão matriculados no ensino médio; no Chile esse número chega a 85%


O Povo -  05/09/2007 01:18


Com certeza a educação é o melhor caminho para diminuirmos a distância entre o Brasil que tem o 12º PIB mundial e o Brasil que ocupa o 63º Índice de Desenvolvimento Humano - IDH. Essa distância entre esses dois Brasis, o pobre e o rico, é devida à elevada concentração da renda.

Segundo o professor Pochmann, enquanto o programa de transferência de renda direta, conhecido como bolsa família, aplica 0,35% do PIB, ou seja, aproximadamente 7 bilhões de reais para atender 60 milhões de pessoas, o renda mínima dos ricos, transfere, por ano, para os 20.000 clãs que detém 80% dos titulos da dívida pública, 7 a 8 % do PIB, cerca de 140 bilhões de reais. Se não fosse o Bolsa Família já teria ocorrido nesse país uma explosão de pobres e uma revolta incontrolável de famintos.

 

Por outro lado, a educação só terá êxito se estiver acoplada a um projeto de país; é preciso que haja uma forte ligação entre o plano de desenvolvimento e o projeto educacional. O Brasil em relação à educação tem uma dívida de quinhentos anos, que o governo atual está procurando pagar. Os indicadores aí estão. Entre os países emergentes: China, México, Rússia, Índia, segundo técnicos do Banco Mundial, o Brasil ocupa o último lugar no tocante ao cumprimento das metas para inserir-se na sociedade do conhecimento. Concorreu para isso, o seu sofrível desempenho na educação.

 

A escolaridade média no Brasil é de 4,9 anos, a da Argentina 8,8. Somente 35% dos jovens estão matriculados no ensino médio; no Chile esse número chega a 85% . Para alcançar o índice do Chile, o Brasil precisaria construir 50.000 novas salas de aula e contratar 500.000 novos professores. No tocante à graduação constatamos uma distribuição irregular:: 60% dos alunos estão matriculados em somente, 4 cursos: direito, administração, pedagogia e contabilidade. O Programa de Avaliação Internacional de Estudantes classificou o Brasil em 40º lugar, em leitura, matemática e ciências.

 

Observamos, também, que o avanço da tecnologia tem resultado no aprofundamento do conhecimento de poucos e no aumento da ignorância de muitos. Como novos conhecimentos surgirão com velocidades cada vez mais crescentes, as camadas sociais mais pobres correm o risco de sofrer a mais perversa das exclusões: a do saber para o trabalho.

 

O que esperar de uma família sem conhecimento e onde ninguém trabalha? As portas que para ela estão se abrindo são a da prostituição, da droga e do banditismo. Não estariam aí, as razões maiores do desemprego, da violência e da marginalidade? Ao invés de PAC não seria melhor discutirmos o Padh: "Plano de Apoio ao Desenvolvimento Humano"?

ARIOSTO HOLANDA - Deputado Federal/PSB

 

Espelho, espelho meu...

 

DEFEITO ERA SER BOM

 

Marcondes Rosa de Sousa

O Povo - 01/10/2007 05:32

 

Na rua onde moro, observo papos de pessoas saídas de velório na igreja do Menino Deus, no bairro Luciano Cavalcante, de jovem brutalmente ali assassinado. De manhã, o assassino esfaqueara a senhora, tentando arrancar-lhe a bolsa, afugentado por guardas da Câmara Municipal. À noite, na mesma rua, tentara do vizinho, estorquir dinheiro para drogas, tomara-lhe a moto, esfaqueando-lhe cabeça e costas, deixando-o a ali agonizar. Patrulha policial, ao passar, negara-se ao socorro: “Problema de vocês. Fomos escalados para outra ocorrência”. Na delegacia do bairro, policial se escusa: “Não vou sujar as botas, entrando no mangue, atrás de drogado!”

 

No papo, dizia-se do assassino: “Matava cachorro e gatos, guardando-lhes a carne na geladeira para comer”. E do pedreiro, pai da vítima, o lacônico depoimento: “Só tinha um defeito. Era bom. Por isso, morreu como morreu”. Nos papos, o desencanto com nossos valores: honestidade, trabalho, ética. E sentidos queixumes sobre alienação de nosso marketing, onde segurança e estética urbana pautam-se pelos figurinos da visão narcísea de nossos políticos.

 

Entre intelectuais, dou testemunho da alienação depressiva e crescente com o chegarmos ao fundo do poço, nessa questão. O fim dos tempos! Tento ver apocalipse à luz da bíblica acepção de revelação, aviso e renovação de ciclo. Mas alguns já vêem, a nos rondar, o Anticristo, com data marcada para o “juízo final”.

 

Da área política, ouço vozes em prol do resgate da ética. Animo-me. Daí, evocar aqui a queixa de que “a dor da gente não sai no jornal”. E isso com a de um pai: “Era bom e, por isso, morreu” Nela, o recado de nossos eleitores sobre a visão equivocada do marketing de nossos políticos: a do chão falso e manco a nos embasar o direito à vida. No País, no Ceará e nesta Fortaleza a iludir-se de ... bela!

 

Marcondes Rosa de Sousa - Professor da UFC e da Uece

 

Hotel Caravelle (Foto: J. Kleber Mattos)

 

 

TURISMO EM IPUEIRAS

A UNIÃO FAZ A FORÇA

 

21 de fevereiro de 2006

 

De Everardo Mourão a Marcondes Rosa

 

Você se referiu a hospedagem em Ipueiras. Lá já esta funcionando um bom hotel, exatamente no bairro Vamos-Ver, onde era a velha casa do "Seu Pedro Tavares".

 

Estive com meu compadre Édson Morais, este me falou que é uma pena, um Hotel tão bom, mas falta o principal,  os HÓSPEDES. Divulguemos, também, pois, de repente alguns conterrâneos deixam de visitar a terrinha,  ainda achando que por lá não tem hospedagem. O hotel é de um conterrâneo nosso conhecido como Chaga da Sucam, grande empresário daquela região.

 

Por ter colocado a POUSADA NOSSA CASA em sua lista de endereços fico muito feliz e agradecido. Aqui tenho uma cachacinha ainda fabricada pelo Sr. Raimundo Mourão, meu pai. Quando quiser saboreá-la, estamos às ordens. Tem um mapinha no site que traz você até aqui. Você deve ter visto. A oferta é extensiva a todos os conterrâneos que, por aqui, nos derem a honra de passar.

 

De Marcondes Rosa a Everardo Mourão

 

Já me haviam falado do hotel (e de sua qualidade) no “Vamos Ver”. Mas um hotel sozinho, se já é uma infraestrutura básica para o turismo, sozinho não vai muito longe. Penso, Everardo, que Ipueiras tem potencialidades muitas para nosso turismo.

 

Aproveitei os 140 anos de Iracema e pedi a meus alunos que fizessem um trabalho. Dei várias temáticas e uma delas foi a Iracema hospitaleira, correndo as matas do Ipu e traçando o roteiro turístico de nosso Ceará. Terminei eu mesmo, para dar o tom aos alunos, escrevendo um artigo. E, para minha vaidade, o artigo correu Brasil afora e foi objeto de estudos na pós-graduação da USP, em São Paulo, a Profa. Marisa Lajolo me pedindo autorização para estudar o texto entre seus alunos.

 

Depois de tudo, Walmir me chama a atenção para a estrada do Ipu, traçada numa reta entre o Cristo Redentor, símbolo de nossa Ipueiras e a Bica do Ipu, onde Iracema se banhava.

 

Penso que as personagens que se sentam em nossa “pracinha” (a “avenida” dos meus tempos) e habitam o nosso “sítio virtual”, além dos “blogs”, poderíamos desenvolver entre nossos políticos e empresários essa consciência. Não creio que a industrialização convencional – a das “chaminés” possa hoje incluir em sustentável desenvolvimento em nossa população. O turismo sim! O turismo em suas vertentes todas (ecológica, de aventura, de lazer, da terceira idade, de negócios, o científico e por aí vai).

 

Você tem um papel importante nessa estória. Talvez não imagine. E, como pensador, creio que é por aí que a gente muda as coisas. Um dia, na Fiec (era eu presidente do Conselho de Educação) disse eu que Jorge Parente poderia modernizar a Fiec, chamando para esta as Instituições de Educação Superior, essas sim produtores do capital humano e social, autênticas industrias sem chaminés.

 

Não sei como mas estou tentando mexer com esses nossos cursos de turismo. Estou preocupado também com as línguas. No Cariri, 20 mil pessoas por ano realizam “turismo científico e ecológico” (Chapada do Araripe e Santana do Cariri – os fósseis). Nossos cursos de letras são, porém, incapazes de formar guias que falem espanhol, inglês, italiano etc.

 

Discuti isso nos cursos de línguas estrangeiras.  Minha mulher, que é professora da área, terminou por localizar a dificuldade: a mentalidade dos professores de língua, que iniciarão e se prenderão ao mero “That is a book”, quando os turistas querem coisas como onde fica a catedral, como arranjaria uma agulha, onde eu compro esse doce e coisas assim... O ideal é que, na própria ambiência dos hotéis, tal formação se realizasse...

 

Iria longe. Só uma pitada final. Orientei o repórter da UVA a ir até a Otacilândia, com as suas 114 portas. Nessa época, de fazenda e de ecologia, imaginem a importância que essas 114 portas teriam para a recepção de gente de “Oropa, França e Bahia”.

 

E quantos empregos teria nossa população, sem a necessidade de, feito Moacir, o filho da dor, emigrar como todos nós fizemos...

Abro o Diário do Nordeste. Pesquisa aponta: 1) O turismo, no Ceará, cresceu; 2) Perdemos turistas internacionais para Natal; 3) Cresce o turismo em nosso Interior...

 

 

 

De Everardo Mourão a Marcondes Rosa

 

Você se referiu a hospedagem em Ipueiras. Lá já esta funcionando um bom hotel, exatamente no bairro Vamos-Ver, onde era a velha casa do "Seu Pedro Tavares".

 

Estive com meu compadre Édson Morais, este me falou que é uma pena, um Hotel tão bom, mas falta o principal,  os HÓSPEDES. Divulguemos, também, pois, de repente alguns conterrâneos deixam de visitar a terrinha,  ainda achando que por lá não tem hospedagem. O hotel é de um conterrâneo nosso conhecido como Chaga da Sucam, grande empresário daquela região.

 

Por ter colocado a POUSADA NOSSA CASA em sua lista de endereços fico muito feliz e agradecido. Aqui tenho uma cachacinha ainda fabricada pelo Sr. Raimundo Mourão, meu pai. Quando quiser saboreá-la, estamos às ordens. Tem um mapinha no site que traz você até aqui. Você deve ter visto. A oferta é extensiva a todos os conterrâneos que, por aqui, nos derem a honra de passar.

 

De Marcondes Rosa a Everardo Mourão

 

Já me haviam falado do hotel (e de sua qualidade) no “Vamos Ver”. Mas um hotel sozinho, se já é uma infraestrutura básica para o turismo, sozinho não vai muito longe. Penso, Everardo, que Ipueiras tem potencialidades muitas para nosso turismo.

 

Aproveitei os 140 anos de Iracema e pedi a meus alunos que fizessem um trabalho. Dei várias temáticas e uma delas foi a Iracema hospitaleira, correndo as matas do Ipu e traçando o roteiro turístico de nosso Ceará. Terminei eu mesmo, para dar o tom aos alunos, escrevendo um artigo. E, para minha vaidade, o artigo correu Brasil afora e foi objeto de estudos na pós-graduação da USP, em São Paulo, a Profa. Marisa Lajolo me pedindo autorização para estudar o texto entre seus alunos.

 

Depois de tudo, Walmir me chama a atenção para a estrada do Ipu, traçada numa reta entre o Cristo Redentor, símbolo de nossa Ipueiras e a Bica do Ipu, onde Iracema se banhava.

 

Penso que as personagens que se sentam em nossa “pracinha” (a “avenida” dos meus tempos) e habitam o nosso “sítio virtual”, além dos “blogs”, poderíamos desenvolver entre nossos políticos e empresários essa consciência. Não creio que a industrialização convencional – a das “chaminés” possa hoje incluir em sustentável desenvolvimento em nossa população. O turismo sim! O turismo em suas vertentes todas (ecológica, de aventura, de lazer, da terceira idade, de negócios, o científico e por aí vai).

 

Você tem um papel importante nessa estória. Talvez não imagine. E, como pensador, creio que é por aí que a gente muda as coisas. Um dia, na Fiec (era eu presidente do Conselho de Educação) disse eu que Jorge Parente poderia modernizar a Fiec, chamando para esta as Instituições de Educação Superior, essas sim produtores do capital humano e social, autênticas industrias sem chaminés.

 

Não sei como mas estou tentando mexer com esses nossos cursos de turismo. Estou preocupado também com as línguas. No Cariri, 20 mil pessoas por ano realizam “turismo científico e ecológico” (Chapada do Araripe e Santana do Cariri – os fósseis). Nossos cursos de letras são, porém, incapazes de formar guias que falem espanhol, inglês, italiano etc.

 

Discuti isso nos cursos de línguas estrangeiras.  Minha mulher, que é professora da área, terminou por localizar a dificuldade: a mentalidade dos professores de língua, que iniciarão e se prenderão ao mero “That is a book”, quando os turistas querem coisas como onde fica a catedral, como arranjaria uma agulha, onde eu compro esse doce e coisas assim... O ideal é que, na própria ambiência dos hotéis, tal formação se realizasse...

 

Iria longe. Só uma pitada final. Orientei o repórter da UVA a ir até a Otacilândia, com as suas 114 portas. Nessa época, de fazenda e de ecologia, imaginem a importância que essas 114 portas teriam para a recepção de gente de “Oropa, França e Bahia”.

 

E quantos empregos teria nossa população, sem a necessidade de, feito Moacir, o filho da dor, emigrar como todos nós fizemos...

Abro o Diário do Nordeste. Pesquisa aponta: 1) O turismo, no Ceará, cresceu; 2) Perdemos turistas internacionais para Natal; 3) Cresce o turismo em nosso Interior...

 

 

ERA UMA VEZ ...

 

Marcondes Rosa de Sousa

O Povo - 03/09/2007 01:15


O engenheiro João Virgílio Sales, leitor de O POVO, me dá o mote: "Era uma vez... E Ali-Babá?" Dizem os que defendem os 40: "Decisão política e não jurídica, a do STF".Geraldo Duarte:"O Brasil acordou menos triste". Uma professora: "Tudo porque, no STF, a presidente é mulher, e um negro, o relator".Do exterior:"Aqui o que rola é que não somos um país sério".

 

De volta, o "passar a limpo" de Darci Ribeiro. E, nessa linha, os ciclos (econômicos e políticos), de Celso Fur­tado, esgotáveis - 15 anos em média, a classe política despreparada para enfrentá-los. Dito em 1984, aqui, onde o sol libertário nasce mais cedo. De lá para cá, a democracia não mais se contém "império da maioria". É bossa nova a compor "dissonantes acordes" de respeito às minorias: intelectuais a lhes dar verbo; gestores (públicos e sociais) a torná-los ação; o tato político a captá-los. Isso, por ironia, justo quando o "capital humano", entre nós, é desperdiçado pelo "cansamos", a solidão, a fossa. Só na UFC, 254 docentes, em depressão. Mulheres (diz-me a ex-prefeita de Fortaleza, Maria Luíza Fontenele), em maior número. Isso, na terra de Iracema, "a porção feminina da alma nacional".

 

Menos arrogantes, os partidos também se passam a limpo, buscando o olhar social até em atrito com o dito "discurso necessário" de antes. A educação, nau sem rumo a morrer na praia, descobre que, sem o porto da cida­dania e do trabalho, é estelionato social. E professor, se "empregado de aluno" ou "jumento de verdureiro", é condutor sem remo. Miragem, o pregão das bolsas (a do mercado e as do tipo família), sem o horizonte do desenvolvi­mento (agrícola, industrial e dos serviços), a viciar o cidadão.

 

Passar a limpo o País com outro "era uma vez". O da cigarra e a formiga, trabalho e arte em dueto, a nos recobrar a ufania perdida!

Marcondes Rosa de Sousa - Professor da UFC e da Uece

 

 

ÍCONES CULTURAIS

 

 

Marcondes Rosa de Sousa

O Povo - 15/10/2007 

 

Ipueiras. Distrito de São Gonçalo da Serra dos Cocos. O País dos Mourões, na voz de Gerardo, “nosso Dante” disse Drumonnd de Andrade, e a celebrar 250 anos de sua Matriz. Palco das “fratricidas brigas”, expressas em ruínas. Isso, a par de tentativas como as de reforma agrária por Dom Fragoso.

 

Ali perto, experiências ensaiadas de agricultura familiar. Até, nascente indústria de polpa de frutas. Olhar, aí, para a frente, a flecha do arco da paz a quebrar-se. Como o Cristo da Caatinga, que, embora arranhado por incômodas torres a seu redor, mira, em reta, a Bica do Ipu, sob a pauta dos sonhos de Nagib, prosaico mourão a sonhar com a “grande metrópole entre as duas cidades”. No imaginário das pessoas, pingas, fartos em toda a região, a se somarem a estações ferroviárias, igrejas e a Casa da Otacilândia, com suas 120 portas, a desenhar o progresso. Tudo isso, num tempo em que o patrimônio histórico e cultural pode tomar, como o fez, o próprio samba como um dos monumentos de nossa cultura. Escola é preciso. Mas, aí, a lição que confessou ter aprendido Ariosto Holanda, de D. Aureliano Mattos: “sem arte e sem ofício, não somos filhos de Deus ou cidadãos”. Centecs e CVTs se impõem.

 

Observo o grau de saber de populares a ler “ícones” a lhes pautar o amanhã. E, em Fortaleza, tento levar tais traduções do sentimento coletivo ao Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional, que se dispõe ao estudo de tais sentimentos, onde o cultural traduz sentimento do povo e aponta soluções concretas para seu desenvolvimento. E a mim, acode a sensibilidade para o concreto que invadiu ao industrial Edson Queiroz quando lançamos a Rádio Universitária e divulgávamos as “águas”: “Vocês me chamaram a atenção para algo mais importante. Não queimam e todos precisam”. Nasceu-nos indústria da água mineral!

 

Marcondes Rosa de Sousa - Professor da UFC e da Uece

 

 

 

PAPOS SOBRE OS ÍCONES DE IPUEIRAS

 

 

Marcondes Rosa de Sousa

 

 

1. Com Walmir, meu irmão “ipueirense”

 

Ontem, entre telefonemas intermitentes, em meio ao intenso trânsito (hora de almoço), consegui instantes com Walmir, meu irmão, quando conversamos sobre a temática dos “ícones de ipueiras”: a) a tempestade de idéias, no Grupo; b) a sugestão do livro, feita por Renato; c) a da coordenação do grupo a produzir a obra (Renato e Dalinha, sugerida por mim); d) a sugestão de Dalinha a respeito sobre a composição do grupo; e) a tríade batida por Walmir dos ícones mais altos (Cristo, Jatobá e Estação do Trem).

 

Walmir me diz que esteve com o Procurador da Prefeitura de Ipueiras, para quem se identificou como “ipueirense” (lá nascido), sem, no entanto, falar do posto a ocupar na assembléia e na área.  E, ao comentar a reação do povo de Ipu, ao defender seu “ícone maior”, a Bica do Ipu, propôs que a Prefeitura, em amplo movimento, fizesse o mesmo e, por lei municipal, declarasse o Cristo (seu ícone mais alto, arranhado hoje pelas torres metálicas mais altas). Walmir se esqueceu de dizer quem era. Aí não concordo desde quando, no seminário de Petrópolis (onde também ele estudou) recebi uma lição do bispo, que me derrubou o falso conceito de humildade (a de anzol), que eu havia levado de Ipueiras para lá.  Que ela vem de “húmus”, em latim “chão”.  Vaidade é que vem de “vanus”, em latim “oco”, “vazio” etc. O bispo me deu de volta a caneta que eu havia ganhado de presente pela alta média de meus estudos e a lição: “Uma luz, diz-nos Cristo, há de se colocar sobre a mesa para iluminar o caminho dos outros. Tome a caneta de volta e aprenda a lição. Levei uma bruta vaia. Tomei a caneta de volta. E, até hoje não consigo pegar uma caneta tinteiro sem sujar as mãos. Mas aprendi a me valer do poder da caneta em favor de meus irmãos.

 

Walmir hoje (tive de ir saber seu “quem é quem” afinal) é o Coordenador Geral das Comissões Técnicas da Procuradoria Geral da Assembléia Legislativa.  Todas os projetos de lei passam afinal por ele. Tem ele condições de orientar um município.  Ele pode e está disposto a orientar o procurador da prefeitura de Ipueiras e o próprio prefeito, com quem, quando estive em Ipueiras, conversamos.  Nenen, voltei a conversar com ele, quando lá estive, tem sensibilidade estética e simbólica para isso. É o elogio que lhe fiz e aqui reitero. Mais ainda. Impressionou-me sua visão em nada “clientelista”. E é isso que tenho, para os do sindicato rural e os da Matriz tenho dito, sempre que, comigo conversam sobre o quadro político em Ipueiras.

 

Walmir e Jean Kleber concordam, em termo de nossos ícones maiores, com a trilogia: “Cristo, Jatobá e a Estação do Trem”.  Também concordo, mas incluiria aí a Igreja. E uma plêiade de “ícones” (históricos, ambientais como os ali encontrados na Serra Grande, particularmente na Matriz de São Gonçalo. Acha Walmir que a cafonice de quem tolerou tais torres a arranhar nossos ícones (a Igreja e o Cristo, sobretudo) atenta até contra uma eventual foto de um turista. Eu, por exemplo, máquina à mão, tive de me esgueirar para obter fotos dos dois ícones... Talvez agora, depois do Corcovado como uma das dez maravilhas do mundo, aprendam a lição. E, com o Ipu e o olhar avançado do profeta Nagib (vejam o cartão que apus no Grupo, também enviado para o Prefeito), possam aprender a lição.

 

Um movimento assim, envolvendo escolas, povo e meus de comunicação, além dos “ipueirenses” (os lá nascidos e ou tendo vivido) pode até definir a modernidade e maturidade de nossas eleições, que espero não sejam apenas, como no passado, um evento clientelista, de engordamento de alguns a confundir seu bolso com o progresso... Coisa que, nos gestos, na preocupação com os distritos e o povo e em toda a simbologia (nisso, digo com a responsável humildade), tenho colhido gestos de respeito (rsrs).

 

Os interesses das empresas (as das torres) não podem sufocar o patrimônio (cultural, ecológico, mitológico) de um povo. As torres não podem sufocar o turismo, a história, o patrimônio cultural, a ecologia e a identidade de um povo. É aprender a lição com o Ipu. E, aqui pra nós, como sugeriria o Walmir, a acompanhar os passos do ipueirense Nagib, alçar o próprio Nagig, no seu itinerário profissional, sempre a turibular Ipueiras, de quem mereceria o galardão do ícone “profeta de Ipueiras”...

 

 

2. A tempestade-de-idéias sobre os “ícones de Ipueiras”

 

 

De minha parte (e isso já me consome um longo tempo), estou dando uma olhada retrospectiva, desde o início: a) nas mensagens, mês a mês, do Grupo “Amigos de Ipueiras”; b) dos principais Blogs (do Grupo Ipueiras, do Suaveolens, do Primeira Coluna, à espera do Ipueiras.com, que se congelou, prometido, na estética e moderna mostra; c) no Google até. Objetivo, respigar, numa tempestade-de-idéia (brainstorm), elementos para a eleição de nossos “ícones”.  E, aos poucos (que, me perdoem, por vozes vira avalanche a saturar as coitadas das caixas-postais) tentamos envolver a todos em tal discussão.

 

Sabemos que muitos estão no “faz de conta que estou mudo”.  Outros, “conversam em paralelo”.  Outros talvez achem que sua “ipueiras” (em tempo e espaço) não é esse mundo do passado ali ostentado. Outros, bairristas, talvez não me dêem o menor crédito, como se fora eu um “estrangeiro” ali não nascido. Outros porque minha preocupação maior não são as alienadas “saudades” da distante “terrinha”.

 

O importante que os diversos grupos (os na Web inclusive) conversem. Batam seus papos.  E que, de alguma forma, os lá ficados, nas “águas retiradas”, possam, além do passado e do presente, possam desenhar um digno futuro.

 

Continuarei a jogar no Grupo, sem comentários, os textos possivelmente mais provocantes ou “acordantes”, com vistas ao despertar e ao “entrar em acordos possíveis”.

 

 

3. O novo encontro do “Oásis”

 

 

Ontem, fui até Messejana, almoçar com Luís e Solange.  Com problemas no computador, comuniquei-lhe que ela estava proposta para o Grupo com vistas ao livro. E ela, a propósito, falou-me de conversa que gostaria com os promotores da reunião do Oásis. Tocou no assunto porque, por coincidência, havia passado por lá, Henrique, o dono e administrador do Oásis.  Henrique a ela disse que outros municípios faziam reunião lá.  Mas, em alguns, as reuniões passavam a ter outro clima que não o do (re)encontro das gerações ou do “matar as saudades”.  Deu o exemplo de alguns, em que as prefeituras armam exposições várias, havendo espaço para conversas, além da simples reedição dos boleros que marcaram as gerações antigas, como a de Ipueiras.  E a Solange deu a idéia de conversar com os promotores para que as reuniões não sejam a reedição apenas dos chitões de outrora, dos boleros e dos anos 50 e 60. Isso é bom. Mas como ponto de partida.

 

Solange quer conversar com algumas pessoas que encontrou nos encontros passados e colaborar para que a feição de tal reunião, ultrapassada a etapa do reencontro de gerações, do matar (e revirar as saudades) possam apontar para objetivos mais comprometidos com o presente e, sobretudo, o futuro. Ficou de manter contacto com o Cardoso. Eu achei “uma boa”. E vocês?

 

 

Pediria, das pessoas e de nossos ícones (quando pessoais, monumentos e semelhantes) que me enviassem os que, porventura, os tenham.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Lá onde Braga nasceu

 

 

LUTA PELA REFINARIA

E TRANSPOSIÇÃO DO LONTRAS

 

 

Discussão no

Grupo “Amigos de Ipueiras”

23.02.2005

 

 

Da Secção “Cartas & Artigos”, da edição de hoje do Jornal “O Povo”, Página “Opinião”, destacamos o texto “Refinaria”, do empresário Renato Bonfim Medeiros, de Fortaleza:

 

REFINARIA

 

Já está na hora da união de todos os cearenses, entidades de classe como a Fiec, Facic, Associação Comercial, Fecomércio, CDL,CIC, Acesu, Sindvendas e muitas outras organizações , além de todos os senadores, deputados federais, estaduais, vereadores, prefeitos, governador Lúcio Alcântara e todos os segmentos de nossa sociedade e economia, em prol da construção desta refinaria que a Petrobrás deseja instalar no Nordeste.

 

Tem que ser um trabalho consistente e efetivo, no sentido do Presidente Lula da Silva, sentir que temos poderes políticos e força, perante esta nação, para implantação desta sonhada refinaria.. Possuímos uma grande infra-estrutura no Porto do Pecem, construídas na época do grande governador Tasso Jereissati. Não podemos deixar que este projeto se instale em outro Estado. Há poucos dias li no O POVO, na sessão há 50 anos, que o saudoso Deputado Paulo Sarasate já fazia esta reivindicação desta refinaria, para o nosso Estado, na Câmara Federal. Quer dizer que este desejo já vem de muitos anos, sem, contudo, termos conseguido até agora este justo e merecido desejo.

 

Precisamos agora, mais do que nunca da união e mobilização de todos os cearenses, no sentido de que o Presidente Lula, assine logo esta autorização

 

Renato Bonfim Medeiros

Fortaleza-CE

 

 

TADEU FONTENELE A RENATO BONFIM

 

Veja aí sua msg sobre a refinaria sendo destacada pelo Marcondes no ethos-paideia@grupos. Como você é também de Ipueiras, peço licença ao Marcondes para repassar para o ipueiras.grupos,  na certeza que os ipueirenses também querem esta refinaria aqui no Ceará. A propósito, nesta briga com os pernambucanos, bem que Ipueiras poderia conciliar. Ta certo, o difícil é por que lá não existe o mar...

 

Mas é isso, vamos lutar pela refinaria no Ceará e começar a discutir o que Ipueiras poderá receber nos desdobramentos da instalação.

 

 

MARCONDES ROSA DE SOUSA

 

 

Tadeu, agradeço-lhe. Na verdade, a luta pela refinaria, que havia sido desaquecida entre nós, neste clima de fragmentação de nossas “hegemonias em cacos”, revigora-se, após a ministra haver declarado sediar-se -  a Refinaria - em Pernambuco.

 

Felizmente, nossos líderes se alvoroçaram. Em meio aos do Planalto, a gente sente um clima de que “estaria tudo certo” ir para o vizinho Pernambuco, onde os contrários sempre se juntam para a defesa da terra. Aqui, faço (na clandestinidade... e sem poder) parte do grupo de intelectuais que vive sonhando com os álacres banhos de nosso Jatobá, onde, após as cheias e as poças, a miséria plantava (nos tempos de minha infância) as cercas da solidão.

 

Meu sonho é voltar a esses tempos. E creio que, no fundo, o de todos nós. Um dia, num projeto de filme sobre nós da BBC, ouvi um então ignoto empresário, que depois reconhecia eu líder de um movimento (Tasso Jereissati) afirmar: “Nossas indústrias, aqui, estão plantadas sobre os barris de pólvora da miséria. Só a solidariedade é capaz de nos salvar”.

 

Meio decepcionado historicamente com o projeto coletivo que começamos então a plantar, luto hoje por uma agenda plural. E, com certeza, a Refinaria, a Transposição do São Francisco e outros fazem parte da motivação rumo a esse porto.

 

Gostei da carta do Renato. Mas, junto a “O Povo, reclamei. Devia ser um artigo. Você fez bem. Ipueiras não é uma ilha. Índices de desenvolvimento humano lá embaixo, potencial em nossa cara para sair dessa, não pode ser apenas o nostálgico porto de nossas saudades, o dos que de lá saíram para o relativo êxito. E aí alguém poderá nos perguntar: o que Ipueiras tem a ver com a Refinaria, que, com certeza, não se sediará no Município?

 

Responderia como sugeri a Sérgio Machado, que, na Fiec, falava da indústria naval e da abertura dos caminhos pelos mares e rios. Alguém lhe perguntou o que ele, agricultor no semi-árido Nordestino, teria a ver com esses planos que, com certeza, não banhariam o seco sertão. Sugeri a Sérgio que, doravante, respondesse com Antônio Conselheiro: “O sertão vai virar mar, e o mar vai virar sertão”, explicando como a produção agrícola nossa poderá chegar ao mundo e ser trazida do mundo, pelo fluxo de importação e exportação, hoje 95 por cento feita pelo mar. Coisas assim, a população não as sabe.

 

Assim, os benefícios da Refinaria. Ela, além dos empregos, traz a riqueza nas atividades ligadas a ela. O que é fato é que o Ceará – como diz Tasso – muito investiu para recebe-la. E, pelo fato de a gente esconder-se na solidão, estamos ficando para trás, mesmo no Nordeste.

 

Vou continuar neste Grupo. Mas me desculpem. Aqui e ali, deixarei ao Walmir (meu irmão) a tarefa de, por mim, revirar os baús da saudade. Sou mais velho. De cedo, aos doze anos, fui arrancado das “águas retiradas” para as “brumas das Serra dos Órgãos”. Em mim, porém, ficaram as lições do leito cheio e seco do Jatobá. E uma extensa dívida com Ipueiras, aos que lá ficaram. E a forma de saldá-la é por essa via: a da ajuda a que ela se desenvolva e reparta com os que lá ficaram a os bens, a riqueza. O capital humano sobretudo.

 

 

TADEU FONTENELE

 

E começou como mais uma bomba:  manchetes nos jornais, debates em tv, discussões em grupos informais, conversas de botequins, papos daqueles depois do racha, enfim, o assunto está em evidência e a expectativa é grande. Retorna o Marcondes e na sua ampla vivência traz-nos um cenário maior para nossos anseios de um Ceará, incluindo Ipueiras, melhor.

 

Discorrendo, a partir das origens do projeto Refinaria, ele fez aflorar outro anseio cearense: a Transposição do rio São Francisco, que, para o que já tive informações, não vai deixar o nosso Jatobá com água para álacres banhos fora dos períodos de chuva. Mas lembrei-me do Lontras. Um projeto (sonho) centenário de quem, quando menino, ouvia muito meu pai, Zeca Bento, falar com os freqüentadores do Cartório, lá em Ipueiras.

 

Gonzaga Mota, em discurso de campanha, deixou esperanças aos ipueirenses. Eleito, não tocou mais no assunto. E os sucessores do governador que deixou a marca das gonzaguetas e de que “a política é dinâmica” também não falaram mais do Lontras e nem temos conhecimento que qualquer dos nossos representantes da terrinha tenha levado a eles este anseio.

 

Vi agora recente mensagem do Nonato mostrando sua vontade de tomar um banho no Jatobá e outra do Edson Morais dizendo que a chuva que caiu até agora ainda não molhou suficiente para o rio correr com água até a ponte do Idálio. Então, lutemos pela Refinaria, torçamos pela Transposição e removamos os baús do projeto do Lontras.

 

Os baús da saudade serão revirados de maneira melhor quando contarmos que os que lá ficaram estão vivendo bem, com saúde e prosperidade. Creio que aquela região seca, mas de solo fértil, recebendo água abundante, se tornará rica e seu povo (nosso povo) não só espirituoso mas predominantemente feliz. 

 

 

MARCONDES A CLÁUDIO FERREIRA LIMA

 

 

Estou te enviando dois e-mails do “Ipueiras Grupo”. Para você ver os desdobramentos da Refinaria, do Caminho das Águas, a transposição e perenização das águas, a a intelecção de que “o sertão pode virar mar e o mar sertão”.

 

Aqui, Ipueiras reclama o Lontras. Noutro e-mail, que te enviarei depois, arquivam o Lontras e resgatam outro.

 

O que gostaria, além da reflexão: se você pode, no DNOCS, verificar como andam esses projetos.

 

 

RETORNO DE CLÁUDIO F. LIMA


Já encaminhei o teu e-mail para o DNOCS e, lá, vou mandar ver a quem compete o quê para as providências devidas.

 

 

EDSON MORAIS A MARCONDES ROSA

 

Fico feliz ao ler seu email e saber da sua boa vontade em tentar resolver junto conosco os problemas que tanto afetam o nosso nordeste e em particular o nosso município, vejo você falar no açude Lontras, mas para nos este já é um projeto sepultado, pois até hoje não vi nada em relação a projetos ou estudos d viabilidade para construção deste açude, hoje o que mais torcemos é pela execução do projeto do açude da Cupira que fica situada a 6 km da sede e pelo que me foi relatado por um colega engenheiro e que me apresentou o ante projeto é para nos um projeto de redenção e de eliminação de problemas críticos para nosso município como o é o abastecimento de água.

 

Este projeto além da adutora d’água contém também itens tais como: a) perenização do Rio Jatobá até a sede; b) criação em suas margens de projeto de irrigação; c) construção de uma vila agrícola às margens do açude, tal como foi feito no projeto do Castanhão.

 

Hoje, em vista de previsões de um novo período de 03 anos de seca, como estão a prever os institutos de pesquisa, estamos aqui numa luta árdua de busca de água potável para suprir o já precário fornecimento de água.

 

Nosso lençol freático é de baixa capacidade, então seria de grande benefício para o nosso município a construção deste açude que já está em fase de projeto final.

 

Então, torçamos para que esta obra agora saia do papel e vejamos o nosso rio Jatobá ser uma veia de sangue e progresso para nosso município. Torça por ele, faça suas rogações àqueles que possam ajudar a concretizar esta obra e desde já agradecemos esse seu esforço em prol de nossa terra.

 
 
RAIMUNDO NONATO (FIREMAN)
 

Dias atrás, numa roda de amigos, papo vai papo vem, surgiu uma historinha interessante - Um marine ( americano ) veio prestar serviço à Embaixada do seu país, aqui no Brasil. Ao final de quatro anos de serviço na Embaixada, terminou também seu contrato com a Marinha Americana.

 

Nesse tempo, aqui no Brasil, ele conheceu uma moça, de Irecê - BA. Casaram-se. Tempos depois o pai da moça veio a falecer, deixando umas terras no município de Irecê, na Bahia. Como ela era filha única, o casal resolveu mudar-se para a propriedade. A terra era boa, mas não tinha água. O ex-marine com os conhecimentos adquiridos, resolveu cavar um poço artesiano. Não chegou aos cem metros e água jorrou, e jorrou alto, quase dez metros de altura. Hoje ele tá rico, vendendo água para o governo.

 

Segundo me contaram, há um Decreto, se não me engano, de 1948 - era Vargas, que proibe a perfuração de poços com mais de cem metros de profundidade. A Petrobrás, em busca de petróleo, tem encontrado muita água. Mas, a ordem é selar os poços com cimento. Recentemente, um programa da Rede Globo - Globo Repórter, mostrou a quantidade de água no sub solo brasileiro. É um mar, depois dos cem metros de profundidade.

 

Não vamos acusar ninguém, mas talvez seja oportuno, questionar os políticos sobre o assunto. Ora, se há quase sessenta anos atrás Getúlio Vargas já sabia da existência de tanta água, a quem interessa que essa água permaneça escondida?

 

Dizem que o Piaui possui, em seus lençóis freáticos, a maior reserva de água potável do Brasil. E o nosso país, possui a maior reserva do mundo.

Penso ter chegado a hora dessa história ser colocoda em pratos limpos. Com a palavra o Ministério da Integração Regional, o Ministério de Minas e Energia através do DNPM ( Departamento Nacional de Produção Mineral ) e os políticos...

 

Se os brasileiros não sabem da existência dessa água, os americanos sabem.

 

 

SIMONE

 

É muito triste essa realidade da seca. Às vezes, fico pensando de quem é a culpa. Se dos GOVERNANTES, ou do POVO, que ainda não tem  a cultura da cobrança,  do lutar por coisas melhores, ou até se organizarem em cooperativas e acabar com esse problema tão sério e tão velho que aflinge a todos.

 

Se cada proprietário erradicasse á seca em suas propriedades como uma prioridade tudo seria mais fácil. Mas nenhum tem essa cultura. Meu pai, CICERO AZEVEDO,   tem um sítio nas quebradas da serra, próximo à América. Lá é uma maravilha, muita água, frutas, trilhas... Uma beleza que vive abandonada. Mas meu pai não enxerga aquela riqueza.

 

Chega de desabafo, me desculpem...

 

 

MARCONDES ROSA A SIMONE

 

Triste, sim, a seca. A culpa? Dos governantes ou nossa, que não cobramos sua solução? Aí, é a história do ovo e da galinha. Do quem viria primeiro... Temos políticos descomprometidos com nossos problemas porque não votamos bem. Os políticos corrompem-se em seus roubos, indiferenças e projetos pessoais porque seus eleitores não têm educação política. Na hora do voto, quanta gente não pensa nisso?

 

Já vi gerações e gerações de políticos – os na esquerda sobretudo – dizerem “agora que já não somos oposição, aí temos de pensar diferente”. Uma vez, num hotel em Brasília, ouvi alguém contar-me o que ACM havia dito para FHC: “Você não tem o voto dos deputados nem mesmo de seu partido porque não faz como eu. Duvido que, em meu partido, alguém me traia. Eu os compro a todos. Você não tem a garantia do voto de nenhum dos seus. Nem mesmo do Ciro (tempos em que Ciro era do PSDB).

 

De alguém do PT (amigos meus), ouvi já: “Agora, que somos governo, temos de pensar diferente”. E por aí vai.

 

Não dá, por outro lado, a gente ficar só condenando. Nem todos os políticos são corruptos, o que, por vezes, acontece. Confundem interesses pessoais com “governabilidade”. Severino é símbolo disso. A maioria dos deputados, o chamado “baixo clero”, perde a noção da coisa maior, pondo seu interesse pessoal, de grupo ou de quem os elegeu em primeiro lugar.

 

Veja! Há quanto tempo escutamos a frase: “Venda-se a última pedra da coroa imperial. Mas que um nordestino não morra de fome”. Poderíamos dizer: e de sede...

 

Não vou garantir que a educação, sozinha, resolva esse problema.  Bem que ajudaria. Mas é bom a gente pensar primeiro na gente. Conheço muitos, na Universidade, antigos revolucionários, que votaram na Débora Soft. De que vale o protesto: “Não vote em fdp. Vote na própria. Isso representa abertura do caminho das águas?

 

É, de alguma forma, rompermos com essa lógica. E a consciência solidária, para mim, é o caminho.

 

 

 

 

 

 

 

 

A DARCI DO ‘SEU’ CAMARAL

 

Marcondes Rosa de Sousa

Grupo Ipueiras - 26;01.04

 

A “Darci do Seu Camaral” me pergunta se me lembro dela! Ora, que pergunta. Duas marcas me fizeram, a vida inteira, não esquecê-la. Primeiro, os olhos (não sei por que me ficaram). Mas sempre que me lembro da Darci, vejo-a sempre de olhar e postura inquietos... Depois, uma razão “onomástica”. “Darci”. Conheci muitos Darcis, como o Ribeiro, o mais famoso. E outros tantos “Dárcis”.  Darci-mulher, poucas. O nome “Darci”, dessa sorte, sempre me levou à infância, a Ipueiras e a ... inquietação.

 

Parece que tenho razão. Olho a resumida história-de-vida que ela nos traçou e, em tudo, inquietação se expressa. De Ipueiras, errante  vagou por “Europa, França e Bahia”, fruindo os verdes mares bravios cearenses, a Alemanha, o Rio e a Guatemala. Da agronomia, embrenhou-se pelas “teias” da ecologia, o universo da língua e literatura e dos “assuntos mil” da cultura.

 

Empresária a apoiar “visitantes e expositores de feiras internacionais”, queixa-se de ser conhecida no sul do Brasil mas desconhecida entre os nordestinos.

 

Em Colônia, na Alemanha, sempre encontra patrícios na Universidade que tem um programa com a UFC.

 

Penso, Darci, que uma ponte estaria aí. Aluno, dos anos 60, no Curso de Letras da UFC, acompanhei a implantação ali da Casa de Cultura Alemã. E, nela, todo o esforço do Prof. Feldman para um histórico intercâmbio com a Alemanha. Lá, ele, estudioso da cultura brasileira e nordestina sobretudo, escreveu tese sobre Graciliano Ramos. E, com o passar dos anos, estreitou os laços Brasil/Alemanha, tendo o Ceará por ponte.

 

Pró-Reitor da Universidade, pela primeira vez, intermediei um intercâmbio com publicação simultânea e bilíngüe cá e lá. Na segunda vez, sobressaltei-me com a idéia, por ele tocada, do Instituto Lusófono a estreitar os laços entre a Alemanha e os países de língua portuguesa. E, um dia, maior sobressalto (isso já no Governo de Ciro Gomes), quando ele aqui aportou ele com mais de 100 personalidades (da indústria, do mundo universitário e da formação profissional) para um seminário conjunto entre alemães e cearenses.

 

Abrindo o simpósio, lembro-me das risadas de Feldman, quando eu disse: “Ao abrir esse evento, vou criar um problema para o tradutor. Mas não posso deixar de dizer – esse Feldman é um danado”.  De fato, cada tentativa do tradutor não justiçava, para os alemães, o por que de Feldman dar tanta risada.  Na verdade, as palavras da frase, em português, quando traduzidas em alemão, não encontravam o impacto conotativo manifestos por mim. Feldman tentou explicar aos alemães...

 

Ah! Essa Darci é uma danada! E creio que (não sei se Feldman ainda anda por lá) o Ceará bem que poderia reatar intercâmbio mais estreito com Colônia. E, nessa estrada, Ipueiras bem que poderia encontrar um pedaço de chão para si. Artesanato? Sei lá! Tantas outras coisas e interesses.

 

Ora, uma vez, ao visitar um cearense que, em Fortaleza, coleciona a primeira edição dos jornais, sabendo que eu era de Ipueiras, mostrou-me um jornal ipueirense ... “em alemão”.

 

O bom de um grupo assim, como este é que, papo-vai-papo-vem, a gente termina encontrando estradas que surgem para a gente colocar Ipueiras como um lugar pelo qual a gente possa fazer alguma coisa.

 

Criativa, Darci bem que pode nos ajudar. É só juntá-la com Dalinha, Nely, Maria Solon ... e gente da mesma estirpe, que a gente chega lá.

 

 

 

DIÁLOGO ENTRE

A DAMA DE VERMELHO

E EU DE AZUL

 

Dalinha Catunda & Marcondes Rosa

Grupo “Amigos de Ipueiras”, 21.05.2006

 

 

Um dia animados com o grupo e com o site, tivemos a idéia de escrever um livro de "causos".

 

Recordo-me desse e de outros tantos projetos em que nos envolvemos, desde que começamos a nos organizar no “sítio” (a tradução do “site”) e de nossa virtual “avenida” (para os mais antigos) e pracinha (para os mais novos).

 

Entre desencantos e descaso, deixamos de lado o assunto.

 

Eh! O tempo foi passado. Arquivamos os sonhos. Apusemos, à entrada do sítio, a repisada placa “em construção”. Na “pracinha”, grades. Aqui e ali, um de nós a vigiar, clamando em vão a quem, apressado, passava, um “ô-de-casa”, um “tem-alguém-aí”?. Foi você, animadora contumaz, a levantar, no produtivo sentido, as “saías de plantão”. Elas vieram. Lançaram algumas idéias. Acreditamos. E, muitas, sem, aviso prévio, se foram, deixando-nos, literalmente, na mão.

 

Nonato, nosso “homem do fogo” tentou, não apagar chamas (como bombeiro), mas, ao invés, um atiçador de idéias (se sonhos à críticas e piadas até). Hoje, vejo-o como que a se desculpar, os anos desde saídos de Ipueiras, a lhe toldar ou apagar até as idéias. Vejo-o, como eu também, não fora o haver descoberto a força motriz do Apocalipse, alguém pessimista, a lamentar o clima a que, no País, chegamos...

Assim, muitos de nós...

 

Hoje parece que um novo horizonte sorri simpaticamente para um projeto que ficou engavetado.

 

É verdade. Este projeto e outros tantos, buscados de nosso chão, como as botijas. De nossas brincadeiras infantis, como os causos inspirados a Código Da vinci (feministas) de nossa Auxiliadora. De “cabras pretas”, de Luiz Gonzaga. Aí, em boa hora, nos chega Kleber: um cientista com a sensibilidade e criatividade poéticas a nos transfigurar Ipueiras e a nós, seus personagens. Mas não só. No Primeira Coluna, Carlos Moreira, fazendo-se, ele próprio, alavanca da solidariedade entre nós. E, ao invés, da condenação da pluralidade de pequenas comunidades, eis que ele se faz “linha”, “sotura” união a nascer da força plural...

 

A revelação de Zequinha Bento, num conto sensacional.(Recadinho: Dêga, te adoro!!!)

 

Já no encontro com Luiz Gonzaga, senti a criatividade literária de Zequinha. E a esperança é que, com ele, você, Tadeu, Walmir, Kleber, Auxiliadora e tantos outros, brotem projetos. Pro/jetos que nos levem à frente. Mas fiés a uma tradição cultural trans-temporal: de um passado, agora revisto e a apontar para um horizonte.

 

As maravilhosas memórias de Auxiliadora. Com cheiro de juventude, de alegria e de um passado animado que merece, sim, bater as portas do presente.

 

Auxiliadora me surpreende. Narradora sensível. Num contraponto ao “Quase” de Frota, ela hoje é uma espécie de “Código Da vinci” ipueirense.  Participei, nestes dias, no Congresso Brasileiro de Turismo. E, antes de mim, um conferencista disse uma coisa interessante: da trama de três culturas, irmanadas, que, agora, estavam sendo questionadas pelo Código Da Vinci: o judaísmo, o islamismo e o cristianismo, que sufocaram a mulher...

 

Jean Kleber, uma grata surpresa, com relatos de ótima qualidade, bem escritos, repleto de agradáveis, e cômicas memórias .

 

Kleber é uma revelação. Ajuda-me. Não só no Grupo Ipueiras. No Ethos-Paidéia também. Fiquei boquiaberto com a análise que ele fez de uma foto com que, no Blog desse Grupo, ilustrei o que chamei de abraço entre “ordem/desordem”. Eu havia pedido a um professor de Minas que me mandasse uma foto para que eu ilustrasse um complexo texto. Esse professor mandou-me quatro. Das quatro, escolhi, intuitivamente, uma. Kleber enviou-me sua análise. Fiquei, confesso boquiaberto. Levei a análise dele a meus alunos de Teoria da Literatura, na UECE.

 

A colaboração informativa de Teresinha Mourão tem sido de grande valia. Mulher atuante e atualizada.

 

Sensível, andarilha por mundos diversificados e distantes do aqui (do nosso meio e de instâncias do espírito, ela tem faro, determinação e vontade. Ela, hoje, é uma das maiores forças de que dispomos. Levaria a noite toda se a temática for Terezinha...

 

Devo dizer que como, colaboradora do blog, e membro do grupo, me sinto bem, e totalmente a vontade nessa nova fase.

 

Que bom. Os de nosso marketing político já me elegeram com o “poder de resina”. E hoje me sinto em dificuldade em “juntar os cacos”, solda-los num projeto maior. Poucos me entendem. Até mesmo como conciliar o rio de minha aldeia com o globo terrestre. Em outros termos, o local e o global. Cá entre nós, Ipueiras e o Planeta...

 

É lógico que eu não poderia deixar de falar, que você, Marcondes, com sua intelectualidade, sua entrega, seu esforço, roubando parte preciosa do seu tempo, é fundamental para o sucesso visto. Nós somos pequenos retalhos, alinhavados por mãos competentes a nos transformar numa grande colcha de emoção.

 

Pode falar. Eu estava, até bem pouco, meio “sem sal”, incapaz de cumprir com minha vocação, a de resina. Que cacos difíceis de se rejuntar. E o pior, deu-me, desde meu aniversário, em janeiro, a sensação do “estou ficando velho e acabado”.

 

Nesta semana, recebi, na Fiec, uma medalha, sabe você. Não convidei ninguém. Nem a mulher e os filhos. É que, no fundo (diz-me o médico), interpreto homenagens como “flores para o caixão”.

 

Mas, engraçado!. Da família, Solange e o marido, Luiz Marques. Mas lá chegando, tudo se transformou. Dos doze homenageados, senti-me honrado. E o melhor, lá vi o plural político, em abraço. E se me entendiam? Todos disseram acompanhar-me. Vi ali a solidariedade entre os partidos. Lúcio, a me apor a medalha no peito, disse-me: “É uma grande honra, para mim (sabe você) colocar-lhe ao peito essa merecida medalha. Balbuciei: “Eu eu gostaria de afinal lhe dizer que você é um gênio político”. “Eu??? – indagou ele. Sorri...

 

Não senti a homenagem, afinal, como prenúncio de “flores para o caixão”. No dia seguinte, tive a mesma sensação no Centro de Convenções, a debater com os “turistólogos” os nossos problemas. Todos, os daqui e os de fora, muito corteses comigo.

 

Ontem, foi a sensação final a redimir-me. Fui convidado para os 70 anos de Clóvis Catunda (seu parente, Dalinha). Clóvis tem longa história comigo. Juntos, coordenamos o Ciclo Básico (Ciências, ele; Humanidades, eu) na UFC. Juntos, arquitetamos e criamos a Rádio Universitária (FM). Juntos, dirigimos a TV Educativa. Tantas e tantas coisas...

 

No Oásis, um reencontro. Rodger Rogério, o terceiro parceiro, na criação da Rádio Universitária. Professores das Universidades. Uma noite literalmente feliz. Maria Luísa e, gente de todas as vertentes ideológicas. Abraços de intenções e idéias. Mais importante de tudo isso. Incrível, mas o novo ali estava...

 

Tudo, Dalinha, para lhe dizer. Minha vocação é ser “resina”. O marketeiro de Tasso, certa feita, me disse isso, quando eu queria, ao escrever um artigo, chorar, feito Y-Juca Pirama, as saudades das cheias (após poços, poças e cercas) de nosso Jatobá, que, em meus artigos, tornou-se símbolo nacional. Eu iria, simplesmente, dizer: “Meninos, eu vi”.

 

O marketeiro pediu-me que mudasse o fim. E eu mudei. Por isso, estou tentando fazer do episódio da torre-de-Babel uma cena pentecostal, neste produtivo apocalipse que ora vivemos. E a contribuição que, no Grupo Ipueiras e no Blog que estou coordenndo, vai nessa direção, entendam ou não alguns...

 

O que nos falta? A volta de Walmir com suas mensagens que eram tão apreciadas. Tadeu, que poderia mandar uma crônica sobre cinema, entre outras. Ou falar sobre a passagem do trem. E nosso Nonato, que também sabe pegar no lápis com maestria.

 

Concordo. São pessoas que muito podem contribuir. Mas, como nós todos, no País e no mundo, vêem-se, de repente, desmotivados. É preciso olhar para a frente. Acreditar na vida.

 

Bom, Marcondes e amigos, era isso que eu queria repassar.

 

E eu me alegro em você estar contaminada pelo otimismo que nunca a abandonou. Meus parabéns. E saiba você que, de todos nós, você foi e tem sido a grande alavanca. Não a conhecia. Você me procurou. Sustentou “sítio”, “pracinha”, programas de rádio, projeto cultural, todos nós como uma “quadrilha” (a de São João) tocada por você. Não dá para você fugir, esconder-se.

 

Dalinha Aragão- Rio

 

Marcondes (Fortaleza/Ce)

 

 

Guarani e D. Joaninha

 

“GUARANI, PROPENSO À CONCILIAÇÃO...”

 

(Emocionadas e aplaudidas palavras de

“Corrinha do Guarani”,

na Missão de 7º Dia”,

de José Alves Guarani, em Fortaleza)

 

 

Antes de tudo, gostaria de agradecer a presença de nossos amigos e familiares que aqui estão presentes nesta missa de 7º dia.

 

Há sete dias, morreu nosso querido pai, que era um filho de Deus, com mais de 90 anos, e embora velhinho, não temos conseguido superar a enorme saudade de sua ida. Superar a perda de um pai que foi muito presente e especial para nós, é muito difícil.

 

Papai foi um homem dinâmico, amigo, atencioso, sábio, uma pessoa que tinha sempre um sorriso no rosto, no olhar, nos gestos. Nasceu de uma família pobre, mas conseguiu através do trabalho, construir seu espaço próprio. Foi comerciante e muito cedo começou a trabalhar, pois papai possuía o raro dom de preservar a coragem para enfrentar os obstáculos que encontrava, mostrando-se otimista frente a qualquer dificuldade.

 

Homem de decisões rápidas e enérgicas gostava de ajudar os outros, não tinha inimigos, não cultivava ódio, por isso viveu tantos anos. Era propenso à conciliação... O maior valor para ele era a família. Não tinha vícios, nem passatempos, gostava era de trabalhar. Fez o possível e o impossível para nos formar.

 

Era de uma franqueza admirável. Sua pedagogia como pai era a escola da verdade e da honestidade. Respeitava o sofrimento alheio, fazia contribuições generosas e discretas, como era de seu jeito. Suas qualidades humanas só podiam ser mais apreciadas por inteiro em casa. Enfim, um ser compreensivo, tolerante, amigo, humilde, encorajador e sempre lembrado, como um grande conselheiro, nos momentos difíceis na política, no comércio ou mesmo na agricultura.

 

Sua morte causou um grau de emoção em toda cidade, incomum na despedida de uma homem de idade tão avançada.

 

Ser amigo do papai... Já é, para nós, um pedaço dele. Obrigada papai, meu velho, meu amigo... Infinito é seu coração. Obrigada por orientar nossos caminhos. Foste, mas deixaste tua grandeza presente no dia-a-dia dos filhos, nora, netos, irmãos, sobrinhos e amigos.

 

 

 

 

ECOS DO PASSADO

 

 

Jean Kleber Mattos

Grupo Ipueiras, 27.03.2006:

 

Defender-se com unhas e dentes tem para nós, civilizados, um sentido figurado. Na primeira infância, logo em seu início, não. É real. Algumas crianças defendem-se mordendo. Na pré-adolescência eu ouvia, em desespero posto que envergonhado, as narrativas de minha avó, D. Luizinha, sobre minhas reinações da primeira infância, lá pelos dois anos de idade.

 

Eu mordera duas crianças que brincavam comigo. Meu desespero e vergonha aumentavam quando a narrativa, reforçada solidariamente por minha mãe quando presente descia a detalhes tais como: “a marca dos dentes ficou na pele”.

Minha avó declinava o nome das vítimas: Edivá e Darcí. Edivá, nas costas. Darci, no braço.

 

Anos mais tarde, já universitário, descobri que Darci era minha contemporânea de escola de agronomia mesmo não pertencendo à mesma turma. Moça bem educada e de voz doce sempre que conversávamos era inevitável de minha parte um certo desconforto pelo receio de que, guardada na memória de minha adorada colega, restasse algo daquela cena violenta.

 

Em recente reunião em sua casa em Brasília, Silvia Mourão, a quem visitava em companhia de meu pai, o “seu” Mattos e de minha família, na presença da Carmen e da Tereza, deu-me notícias de Darci. Está na Alemanha. Mostrou-me fotos. Narrei-lhes a minha vergonha. Riram do inusitado. Ainda hoje, mesmo “levando” o fato na brincadeira eu ainda me sinto envergonhado.

 

 

 

TADEU E DALINHA

 

 

Esta história minha gente,

Em Ipueiras se deu.

É a história da Dalinha,

E seu amigo Tadeu.

Era final de outubro,

Quando tudo aconteceu,

 

Foi  cinqüenta e dois,

Um ano par com certeza.

Foi festa pra dona Ineizita,

Foi festa pra dona Neuza.

Duas crianças nasciam,

Catunda por natureza.

 

Em 28 de outubro,

Deu-se a confirmação.

Do nascimento de Tadeu,

E de Dalinha Aragão,

Com detalhes conto agora

Esse caso do sertão

 

Dona Neuza Chupou manga,

E logo em seguida pariu.

Dona Ineizita  aconselhada,

Os mesmos passos seguiu.

No mesmo dia à noite,

seu rebento então surgiu.

 

O sangue dos dois percorreu,

Desde o inicio a mesma estrada.

A tesoura de dona Ineizita,

A Neuza foi emprestada

E o umbigo das duas crianças

A mesma tesoura cortava.

 

Nascia um menino louro,

Nascia uma morena arretada.

Era um cravo e uma rosa,

De uma primavera esperada.

Na casa das duas vizinhas,

Era uma alegria danada.

 

O cheiro de alfazema,

Se espalhava pelo ar.

O licor era servido,

A quem vinha visitar,

O casal de criancinha,

Que acabara de chegar.

Seu Zeca  se apressou,

Em registrar seu varão.

Mas não teve humildade,

Na hora da opção,

Escolheu dois nomes de santo,

Mostrando sua devoção.

 

Dona Neuza quando soube,

Tomou logo uma decisão,

Pediu que seu Espedito,

Resolvesse a situação,

Registrando do mesmo modo,

Seu ente ainda pagão.

- Espedito, por favor,

registre esta inocente.

Dê dois nomes santos,

P'ra que eu possa ficar contente,

Se lá registraram assim,

Aqui não será diferente.

 

E foi assim nestes termos,

Que o registro se deu:

Ela, Maria de Lourdes.

Ele, Francisco Tadeu.

E uma amizade crescente,

Entre os dois floresceu.

Um romance entre os dois,

Teve um desfecho fatal.

Tadeu flagrou Dalinha,

Fazendo cocô no quintal,

Debaixo de um canteiro,

Deu-se o trágico final.

 

Nascidos no mesmo dia.

Nascidos na mesma rua.

Ela nasceu com o sol,

Ele nasceu com a lua.

E dizem que são até hoje,

Farinha da mesma cuia.

O que sei é que a amizade,

Dos dois é uma realidade.

São verdadeiros amigos,

E se curtem de verdade.

E sempre que se encontram,

É p'ra matar as saudades.

 

(Poema de Dalinha Catunda)

 

 

 

 

 

 

PEDRO MARTINS ARAGÃO

 

 

Tadeu Fontenele

Grupo Ipueiras, 23.05.2007

 

 

Geralmente, quem mais demora para partir deixa mais histórias para se contar. E o Seu Pedro Aragão foi um dos ipueirenses que viveu muito e deixou para minha geração aquela identificação de um homem rico, com casa grande e bonita, fazendas, gado, carros, comerciante destacado e com atuação política (Prefeito por 2 vezes), líder político que recebia, em sua casa, autoridades governamentais que visitavam a cidade.

 

Era um pé-de-valsa. Presença marcante nas festas dançantes nos salões da Prefeitura e do Grêmio Cultural e Diversional Ipueirense. Elegante, predominante no uso de roupa de linha branco, impecavelmente engomada, passos firmes diários no caminho de casa ao trabalho, metodicamente em horários iguais. Destacava-se como um assíduo fiel das missas de domingo na igreja matriz.

 

Sua majestosa casa dispunha de muitas bicas e, nas invernadas, me juntei muito a molecada, pulando a muradinha, para gozar das delícias de um banho de chuva.  Foi também em sua casa onde assisti pela primeira vez a exibição de uma imagem de televisão, pois ele foi o primeiro a trazer o televisor para Ipueiras.

 

 

 

ESTÓRIAS E HISTÓRIAS

RUMO À CONSTRUÇÃO DA HISTÓRIA

(CARTA A BRAGA)

 

Marcondes Rosa de Sousa

Grupo Ipueiras, 07.07.07

 

 

Gostei de sua postura, em relação aos meus sentimentos contidos na mensagem sob o título “Sobre o Grupo e o Blog Ipueiras”, como  “coordenador ad hoc” deles, por sua confiança e designação.

 

É verdade. Diz você que “... o passo inicial do projeto foi cumprido, reunir os ipueirenses na pracinha virtual. Mas o projeto maior? Continua vazio. Não temos nada de consistente desenvolvido para fazer pela nossa cidade, nem proposto. Discussões foram provocadas no início do site, mas foram barradas pelas circunstâncias do momento.” Não sou tão pessimista assim. Como diz o poeta, “progredir, progredimos um tiquinho, que o progresso é uma fatalidade” Avançamos, sim esse “tiquinho”!

 

Hoje, ipueirenses têm, na Web e fora dela, se grupos para a discussão de seu progresso. Isso, não apenas o encontro tradicional no Oásis como outros tantos, em Brasília e por aí afora.  Também concordo, com você:  “É chegado o momento de deixarmos as histórias e estórias de lados e fazermos a História da nossa Cidade? O quanto que nós realmente nos preocupamos com Ipueiras?”  Diria, apenas, de outra forma: “histórias e estórias” (com letra minúscula” há de remar rumo à construção de nossa História (esta, com letra maiúscula”.

 

 Sei, porém, que a região é terra dos tabajaras.  E os índios (aprendi com eles próprios, que faz tempo me consideram da tribo deles) os estranhos são vistos com reserva. E, para muitos, pelo fato, de para lá ter ido, no berço, sou um forasteiro. Daí, postar-me eu a invocar o samba plataforma: “Não sou candidato a nada, meu negócio é madrugada”.  E, no verso, o encontro entre os sambistas e a alusão ao amanhecer de ... Celso Furtado”.

 

 Sou, no zodíaco, um aquariano, infelizmente, vivo os sonhos – os para muitos “os mais utópicos” à minha frente.  Neste mundo e tempos de murici, “cada a qual a cuidar de si” é fácil entender o misto de desconfiança e, ao mesmo tempo, de falta de pragmatisco que desperto. No caso, a solidão, quando não sou tido, como agora, a ostentar os visíveis “tronos” do poder.

 

No Grupo Ipueiras, de início, lancei parte primeira do relatório, que, nem do Grupo Ipueiras (onde dou preferência aos “causos”, “estórias” e a cultura popular (e pouco até a meus artigos.  Dias e, a guisa de comentários, o “faz de conta que estou mudo”. 

 

Jean Kleber lançou um tópico primeiro, no artístico e sedutor blog seu.  Comentários, o dele e do Prof. Bérgson Frota. Numa segunda etapa, enviei-o a uma lista de pessoas eventualmente citadas e aos políticos, de todas as facções (regionais e nacionais) e, por fim, com o pedido de desculpas pelas eventuais alusões de cunho regional e local, para os grupos de discussão que tratam da educação e de que faço parte. Nessa primeira parte, o que me interessava era o jogo entre Francisco de Canindé a despertar a avidez da esmola entre as legiões de “lascados” (afirmação de Leonardo Boff) e, de outro, Padim Ciço do Juazeiro, com a arte e o trabalho a dignificar as pessoas. E, por outro lado, a tensão apontada pela mitologia popular (Luiz Gonzaga e Zé Dantas) entre as águas e as secas, num dueto a nos lembrar Celso Furtado e toda a mitologia popular decantada em Iracema, de José de Alencar, a considerar (positiva e negativamente) as secas e as águas como faces de uma mesma paisagem... E

 

Espanto quando uma professora de São Paulo me chamou a atenção: “Parece até que você não sabe que aqui, em São Paulo, tem cearense para todo o lado!” E deu-me o drama de uma colega cearense da filha cuja amiga padecia, em São Paulo, do mesmo drama do desemprego e da falta de perspectiva que os jovens de Ipueiras... Enviei, sim, para as pessoas e entidades citadas, o relatório. E, para minha surpresa, vi-o publicado em locais como o site: http://www.adaufc.org.br/cst_docs_det.asp?cod=165, da Associação dos Docentes Aposentados e Pensionistas da UFC (Asaufc).  Citado Celso Furtado, inclusive com trechos gravados em fitas hoje que disponho e eles um CD prometido, enviei o relatório para o Centro Internacional Celso Furtado,  http://www.centrocelsofurtado.org.br/.  Assim, Ciro Gomes, setores governamentais, partidos políticos, deputados, senadores, CNBB, entre outros, além das agências educacionais em todos os níveis, o que inclui os editores e jornalistas de nossos principais jornais do Ceará, com vistas a eventual pauta. 

 

Também concordo com você: “Hoje, temos um grupo onde os membros participativos se conhecem e têm voz ativa para provocar discussões, propostas e campanhas no sentido de fazer algo mais pela nossa cidade. Então, esta será a hora? O que pensam os demais, Dalinha, Tadeu, Terezinha, Jean Kleber, Nonato, Walmir Rosa” Mas não só. É preciso juntar os que se reúnem presencial ou pela Web em outros grupos.

 

Em Ipueiras, encontrei vários, inclusive pessoas, em Fortaleza, com interesse de pensar caminhos para a inserção da cidade em planos de desenvolvimento, na educação e por aí vai.  É sempre, o passo primeiro, o matar das saudades. Mas, sobretudo para aqueles que demonstraram poder criativo, o senso de responsabilidade social: “o que podemos nós fazer”.

 

Na missa de aniversário de “Seu Edmundo”, não pude ficar para depois, encontrei Renato, Edésio e a longa fila de irmãos, ali Olavo, Frota Neto e toda a turma. Papos rápidos, e o assunto era como se estivéssemos na “pracinha”.  E, ali, além do Instituto Frota Neto, a disposição de todos era a ajuda. E note-se que a maior parte deles (à exceção de Tadeu, ali presente) era de acompanhar as discussões com raras intervenções, como era o caso de Renato.

 

 De minha parte, sei que, no momento, estou preso a limitações por força de uma recuperação que é, como nos tempos de Geisel, “lenta e gradual”. Mas o que quero deixar bem claro é que tenho o meu jeito (My way é meu hino). Sou adepto dos tempos da bossa nova – os desafios a se armarem em harmonia. Isso significa dizer que, para mim, verdades trazem contrapontos. Tudo, como na fábula dos cegos e o elefante, cada qual a descrever o animal, à luz da sensação táctil que cada um tinha. Para mim, a verdade é a soma dos desafinos.

 

Portanto, não precisam entrar no meu tom. Sou professor universitário de uma dada área (semiologia, lingüística etc). Não precisa que cada um queira vir me ensinar sobre percepção. Só lhes garanto uma coisa: tentarei

 

 

JATOBÁ, VALOR AGREGADO À IPUEIRENSIDADE

 

 

Solange Rosa

 

 

 

O "S.O.S. Jatobá" lançado neste texto de Dalinha Catunda suscita mais que reminiscências de infância/adolescência uma questão ambiental séria. Vi recente e com tristeza a que foi transformado o JATOBÁ, quando em visita a Ipueiras (24 e 25/5/2007). Em outros momentos desses nossos contatos pela Web me posicionei sobre o que se podia fazer a começar pela escola.

 

Creio que a questão é mais séria do que se pensa... talvez pessoas da cidade tenham se acostumado com aquela paisagem degradante do rio e não lhes restem mais lembranças daquilo que era um rio temporário saudável.

 

Aliás, há muito que recuperar nas raízes do povo para ter o sentimento de valor agregado à ipueirensidade. Isto vai em tom de provocação para estimular a sã reação...

 

 

 

 

DÓI-ME VER O JATOBÁ DE HOJE

 

Dalinha Catunda

 

 

Realmente o primeiro passo seria, uma boa e constante campanha nas escolas, chamando atenção para a morte lenta do rio Jatobá que a cada dia que se passa fica mais debilitado com as ações inadequadas a atingi-lo.

 

O Colégio Otacilio Mota, O Bia Rizzo, já se manifestaram a respeito do assunto, mas temos sempre que voltar ao assunto, bater na mesma tecla. E mais, cobrar um compromisso maior da população com seu Rio, no que diz respeito a preservar. Esperar apenas pelo poder público, não vai adiantar, temos que cobrar,sim, porém temos o dever de fazer a nossa parte.

 

Solange, eu que sou viciada em Ipueiras e que desfrutei de um Rio sadio, me dói muito ver o Jatobá de hoje. Estarei pronta a fazer parte de uma equipe de amigos em prol do Jatobá.

 

Todo ano os ipueirenses que moram em Fortaleza organizam um encontro, e no próximo, a camiseta poderia ter como tema o Jatobá e o próprio encontro poderia abrigar uma manifestação. Acredito que a ocasião seria ideal para exercitarmos nossa ipueirensidade.

 

 

 

 

 

DEGRAU DO AMANHÃ

 

Marcondes Rosa

 

Tempo de chamar de volta, mais maduro, o Projeto Rondon, a nos tecer a iniciativa social em novo pacto.

 Na pauta, os desafios: onde estamos e para onde vamos.

 Braços dados, a iniciativa social e a estatal, o hoje a construir-se degrau do amanhã



O Povo - 14/07/2007 

 

Projeto Rondon, 40 anos! Não vou afagar saudades, chocando os fãs do caricato just in time, que, no passado, vêem "roupa velha que não nos serve mais". Passado é degrau na escalada histórica rumo ao amanhã, a construir-se do caos produtivo do agora.

Fiz parte da "geração tigresa", "gostava de política em 1966" ao formar-me, depois amarguei o "frenetic dancing days" do arbítrio. Mas, aos poucos, tornei-me ator entre os que pensaram a universidade, entregando-se, ora a seu planejamento, ora a derrubar, pela extensão, muros entre os jardins de Academo e a vida social. Foi quando senti a força de sua ação nas comunidades rurais e urbanas, no interior do estado e na Amazônia, com Chico Mendes, a integrar os saberes: o acadêmico e o popular, no prenúncio do "pensamento complexo" de agora, mãos dadas, na ação, a campos diversos do conhecimento.


Ao final dos anos 90, vi a UFC ligar-se ao projeto do Ceará e da região, ao recobrar e dar força à sua comunicação com o meio - instituições, governos, empresas - na troca de saberes. Sintonia com os novos tempos. Teoria e prática conciliadas pela extensão. A pesquisa a beber, no real, fonte e razão última suas de ser. E a buscar, da sociedade, apoio, recursos físicos e saberes outros nesta produzidos. Tudo, com vistas a estágios e empregos de seus alunos. Ensino, em sintonia com os novos tempos, com visão de fim, aberto às necessidades futuras, consciente de que mercados podem estar em crise ou em transformação.



Nestes anos 2.000, já no Conselho de Educação do Ceará, um dia, em reunião com o Banco Mundial, desabafei: "Trinta anos, postei-me no limiar entre a universidade e a sociedade, tentando um namoro, que resultou em um coito interrompido". Mas bons ventos logo após soprariam, vindos da iniciativa dita "privada", ao se reconhecer "social". Na Fiec, academias tiveram assento como "indústrias de capital humano", ali chamadas para programa a crescer de "responsabilidade social", a permear currículos do senso de solidariedade entre instituições em social iniciativa. E, passo seguinte, a integrarem, nesse esforço, os demais atores da educação social - movimentos sociais e políticos, igrejas, mídia etc. (Art. 2º da LDB).


Depois, os tempos de murici a nos despedaçar. Toda uma infra-estrutura implantada esfacelando-se à espera de que cabeças (intelectuais), mãos (os gestores), tato e corações (os políticos) compreendam que é da união que nasce a força, a costurar inclusão social e superação da miséria.


Tempo de chamar de volta, mais maduro, o Projeto Rondon, a nos tecer a iniciativa social em novo pacto. Na pauta, os desafios: onde estamos e para onde vamos. Braços dados, a iniciativa social e a estatal, o hoje a construir-se degrau do amanhã. Coisa possível no Ceará, onde o sol libertário sempre nasce mais cedo! É a esperança.



Marcondes Rosa - Professor da UFC e da UECE

 

 

 

FIM DE SEMANA EM IPUEIRAS

 

 

Solange e Marcondes Rosa

Grupo Ipueiras, 26.8.70

 

Neste sábado, de madrugada, estaremos rumando, por carro, até Ipueiras, onde pretenderia marcar encontro com o Prefeito (ou ali ou nas solenidades da Matriz).  Por e-mail, me diz Dalinha que, na semana do aniversário de Ipueiras acontecerão muitos eventos. A rádio Vox entrevistará figuras importantes da cidade e uma seria eu. Ela não tem condições de me adiantar os eventos, que seriam divulgados apenas na primeira semana de outubro. Pede que, por ocasião de minha ida agora a Ipueiras, que eu entre em contacto com o Carllos Moreira, na Rádio Vox FM”. Pedi a ela, se o tiver, o telefone de nosso Carlos Moreira, discreto, que, pessoalmente em Ipueiras, conheci, olhos voltados para o nosso amanhã. 

 

De qualquer forma, se este e-mail chegar a ele, deixo logo meu celular, que espero funcione em Ipueiras (rsrs)...

 

 

 

***

 

Estive, na missa de 7º Dia de Guarani, onde encontrei muita gente, representantes das gerações antigas e de agora. Nela, o reencontro com o “Antônio do Seu Idálio”, o colega de seminário “Frota Neto”, a Elisa Maria, que, com ele, veio de Brasília. E muitos outros: o Raimundo Frota, Renato, Aglaê, Dona Jacira, Nagib (o dos sonhos da grande metrópole entre Ipueiras e Ipu), o nosso memorialista Edson Morais e tantos outros. Entre eles, para surpresa minha, todos a comentar as discussões do Grupo, embora, pelo volume de mensagens, sem condições de delas participar, pela corrida do tempo.

 

Todos otimistas e felizes com a possibilidade de os arranhões das torre, no Cristo, resgatarem o patrimônio cultural.  Renato (que hoje aparece, no Diário do Nordeste, num comercial que, fotocopiado e remetido num cartão do Plaxo, logo após remeteria)  que eu gostaria como um dos à frente tal movimento, junto com Dalinha, Jean Kleber, nós outros dando apoios discretos. Ele diz viver na premência do tempo, mal tendo tempo de, rápido, passar a vista nos e-mails. Raimundo Frota (não sabia) é um dos mais ardorosos entusiastas dos sonhos do Nagib, a grande metrópole - hoje possível pela cadeia do patrimônio histórico, cultural e ecológico.

 

Bibiu, Cristina e Corrinha deram emoção à missa. Emocionantes e bem postas as falas sobre o papel e a vida de Guarani . Estou esperando o texto que eles ficaram de me enviar, junto com fotos do Guarani. Um comentário que ouvi, eu no grupo: "Agora a rua toda - a em que eles moravam - perdeu todo mundo, com a morte do Guarani.

 

Estou, ao reler o livro de Gerardo a mim autografado pelo Prof. José Luís Lira, chegando à conclusão de que, por via da Matriz de São Gonçalo, sede do País dos Mellos Mourões, a gente chega à pacificação - o valor mais alto de Ipueiras, cujos ícones humanos ainda aí estão vivos, à espera de um sinal ... Tanta gente hoje como Kideniro, Seu Neném Mattos, Dona Mundita e tantos outros – até Dona Ester, Seu Dario, Zeca Bento e tantos outros professores ou não – herdaram da Nação Tabajara o convite de Iracema do “quebras comigo a flecha da paz”.  Eu não havia despertado para tal vocação, até quando, em Santa Catarina, um antropólogo, ali conselheiro, me deu um    “quinau”: “Iracema, professor Marcondes, é a porção feminina da alma nacional” – disse ele contestando-me a solidão do vaqueiro que acreditava eu povoar minha terra e enfatizando a solidariedade – “e o senhor sabe onde ela nasceu? Na sua terra!” Desde então, engoli seco, mas olhos abertos e esperançosos, a lição.

 

 

***

 

 

        Telefonei para meu irmão, Walmir Rosa, dando conta de nossa viagem. Ele não tem condições de nos acompanhar. Sem ler e-mail, não sabia da morte e nem da missa do Guarani. Fiz-lhe relato. E pedi a ele que fizesse um esforço para ir, representando Solange e eu, para a reunião do Oásis, da qual, até hoje, não tivemos notícia de eventual pauta além do puro encontro e da evocação das saudades. Vou conversar com Solange, que me falou haver recebido qualquer coisa da coordenação.

 

        Que lá, em meio à evocação dos boleros, dêem um pouco de vez e de voz aos nossos profetas, entre os quais, seguramente, o nosso Nagib é um deles. Desde o “Bar do Nagib” aos dias de agora.

 

 

 

ISA CATUNDA

 

 

Depoimentos

Grupo Ipueiras, 22.08.07

 

 

Dalinha Catunda:

 

“Minha tia Isa é a criaturinha que tem meu amor incondicional. Exemplo de vida, de fé, minha referência maior, minha incentivadora no gosto pela literatura e na cultura em geral.”

 

Frota Neto:

 

"Foi pelo fio condutor de dona Isa que nós, contemporâneos, estivemos sob o encantamento das tantas mágicas para as portas do conhecimento. Do começar nas trilhas do mais saber ao itinerário que eleva o humano ao que sendo sua origem - divino.”

 

De Costa Matos:

 

"Mestra Isa, sinta a infinidade de bênçãos ao seu trabalho de tantos anos nas salas de aula. Os seus alunos de ontem estamos proclamando a grandeza da sua missão. E numa situação semelhante àquela do capítulo 19, versículo 40 do Evangelho de Lucas, se nós, seus discípulos, nos calarmos, ‘as pedras gritarão’ que Deus está satisfeito com as suas ações de Mestra neste mundo.”

 

De Tadeu Fontenele:

 

" A meiguice da Isa, seus afagos e carinhos aos alunos contrastavam com o procedimento dominante, na época, pelo uso da palmatória, instrumento que ela jamais usou."

 

Pe. Jaques Moura:

 

"Na cidade de Ipueiras onde D. Isa Nasceu e realizou seus sonhos, ela tem cadeira-cativa no coração de todos os conterrâneos, mercê da obra que a imortalizou: soube com exímia solicitude, empregar seus talentos de pedagoga no preparo e condução de crianças e adolescentes confiados a seu mister, durante os longos  decênios de magistério. As gestas identificam a guerreira."

 

Renato Bonfim.

 

"Eu Tive o imenso prazer quando ainda garoto de ser seu aluno, quando me ensinava as primeiras letras do alfabeto. Sou muito grato por tudo que aprendi com seus dedicados ensinamentos, que hoje me faz ser um homem honrado, digno e com uma personalidade forjada na sua  educação e na de meus queridos pais Edmundo Medeiros e Edite Bonfim Medeiros."

 

Darci Maria Weihs

 

“Tão querida de todos. Quando menina, ela me tratava durante as conversas como se eu fosse adulta, me ouvindo atentamente. Quando adolescente, ficava eu horas e horas conversando com ela. Quando estou em Ipueiras, nunca deixo de visitar este "ͬcone da educação".

 

Marcondes Rosa de Sousa

 

“Para as gerações muitas que, com ela, nos iniciamos na caligrafia e ouvimos suas estórias, a nonagenária Isa Catunda, entre ricos nomes que ostenta Ipueiras, é, com certeza, forte ícone na área de educação.”

 

 

 

 

 

SEU GUARANI, UMA SAUDADE

(Depoimentos)

 

 

 

TEREZA MOURÃO

 

Faleceu nesta segunda feira 17/9 mais um conterrâneo ilustre, trata-se do Sr. Guarani aos 94 anos de idade e pelo que soube, ainda lúcido. Aos seus familiares, especialmente a Socorrinha ou Corrinha como o Frota a chama o meu pesar, mas creio que o Sr. Guarani cumpriusua missão aqui na terra e deixará saudades e boas lembranças especialmente para nós que moramos em outras cidades e o conhecemos na nossa infância.

 

RAIMUNDO NONATO

 

Que Deus e a Espiritualidade maior esteja o conduzindo para o retorno a patria mãe e os que aqui ficaram sejam consolados e lembrem sempre de seu Guarani como um homem de bem.

 

Mais um conterrâneo e nosso contemporâneo... Seu Guarani uma das importantes figuras da nossa cidade, como você mesma disse: "cumpriu sua missão". Diria mais: com méritos.


Estudei com o "bibiu", era assim que chamávamos o filho dele... Da Socorrinha não consigo focar o nome à pessoa.  Nossos pêsames à família enlutada!



JEAN KLEBER MATTOS

 

"Seu" Guaraní tem mesma idade de meu pai, "seu" Matos. Contemporâneos. O seu estabelecimento era o grande bar da cidade que para mim, na minha infância, era o castelo dos doces e refrescos. Meu pai lhe tinha especial amizade e sobretudo ressaltava para nós o bom humor de seu Guarani. Um grande Ipueirense.

 

Uma saudade.

 

MARCONDES ROSA DE SOUSA

 

 

A Cristina, Bibiu, Corrinha e aos familiares, as nossas condolências e saudades.  “Guarani” permeou-me toda a infância. Em seu estabelecimento comercial (lembro-me), antecipou os crediários de hoje. Uma caderneta de anotações e ... crédito à moda antiga era o fio da barba e a simples palavra.  No mais, a observação da vida da cidade, da política e a veia de humor a nos encantar a todos.

 

Foi dos primeiros a seguir Wencery, meu pai, na subida da serra, o Buriti, ali implantando a agricultura familiar. Terras, hoje, passadas, em parte para uma cooperativa e em parte para Nenen do Cazuza, ora prefeito.  De Guarani, além do humano, dos causos e, sobretudo do humor, as nossas saudades.  E, desde já, a sugestão de seu nome para um dos fortes ícones de Ipueiras.

 

 

 

PROJETO IPUEIRAS

 

A colaboração de Renato Bonfim

Grupo Ipueiras, 02.09.2007

 

 

 

No meu pouco tempo de que disponho, não me furtarei em ajudar neste projeto de Ipueiras.  Nem todos os e-mail tenho lido, mas sempre que possível, acompanho esta movimentação dos ipueirenses, como Kleber, Dalinha, Nonato, Tadeu, você e Walmir.

 

Lembro-lhe vários outros ícones de Ipueiras, folclóricos, como Zacarias, Telego, Coça-Coça, Tunda, Bedega, Mundo Ricardino, Zé Pequeno, Chico Tomaz, Totonho Regino, Antonio Simões e muitos outros que fizeram a historia de nossa cidade.

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DALINHA E RENATO

 

 

COORDENADORES DE

“OS ÍCONES DE IPUEIRAS"

(LIVRO)

 

 

Marcondes Rosa de Sousa

 

 

 

Ícones, dissemos, hoje têm força para além das simples imagens. São eles expressão de valores a se atingir, em nossa caminhada histórica, a traduzir sempre sentimentos coletivos. Podem tais sentimentos arrancarem-se de nossa passado, de um eloqüente presente, latentes a apontar o futuro.

 

As saudades, pois, serão icônicas, apenas, como ícones de um povo, quando sentimento coletivo perene, posta-se, no pódio, a apontar norte a um povo.  Vimos, em nossa literatura. “Suspiros poéticos e saudades” podem ser, como entre nossos românticos, obra a falar de nosso Brasil e seu povo.  Camões, com os Lusíadas, decantou “as armas e os barões assinalados”, de quem ele disse “Cantando espalharei por toda parte,/ Se a tanto me ajudar o engenho e arte”. O status de “ícone” pressupõe, em sua gênese, a ajuda de “engenho e arte”!  E isso o que, em nossa literatura, faltou a Bento Teixeira Pinto, com sua Prosopopéia, como a tantos outros também faltou.  Em nossa arte, tais “suspiros poéticos” hoje persistem duráveis a apontar rumos, em obras como “Canção do Exílio”, “Y-Juca Pirama e outros tantos.

 

Há quem, entre os semiólogos, distingam o uso de verbo escreve em dupla regência.  Será um verbo intransitivo, a formar o “escritor”, se este usar tal verbo com arte e engenho.  Terá força, porém, transitiva, se não chegar a tanto, instrumento, aí, do “escrevente” (Roland Barthes e outros semiólogos).  Em meu caso, sinto-me um “escrevente” tão só.  No Cartório do Registro de Imóveis, em Ipueiras, fui “escrevente compromissado”, com carimbo, “sinal da verdade” e tudo o mais.  Depois, como professor, advogado e nos meios de comunicação, me tornei “escrevente” na acepção transitiva dos semiólogos.

 

***

 

 

Gradualmente, estou trazendo de volta (quando isso é possível) a participação de todos nós, os do Grupo “Amigos de Ipueiras”, desde seu início (também do Blog do mesmo grupo) contribuições com força icônica – falem ela desse potencial em nosso passado, presente ou futuro.  Tudo isso, para alimentar a idéia do “livro”, aqui lançada por Renato Medeiros. A discussão do “quem” e do “como”, nessa tarefa, passou também já a ser discussão.  E a coordenação disso tudo, há que juntar gente que possa representar, em entrosada harmonia, nossas “cabeças”, “mãos” e “corações”.  E isso não nos faltam.

 

De minha parte, não me furto a qualquer colaboração. Mas, advirto.  Considero-me um ... “escrevente”. E. no plano jornalístico, um “revisor”. 

 

Escrevente, a usar da linguagem a explicitar-se em seus “objetos – diretos e indiretos”, sem o alcance da força intransitiva, do “engenho e arte” dos escritores.  Revisor, o fui da Imprensa Oficial do Estado. E a propósito, lembro-me do então Secretário de Interior e Justiça Mauro Benevides, que me telefonou dizendo que eu seria nomeado para a cargo de revisor. Não ganhava muito. Mas, entre outras coisas, tinha gratificação de insalubridade e era um só expediente, o que me dava condições de freqüentar a universidade. Afinal, ele, me deixou a frase, comum ao dialeto então entre os políticos: “Olha Machado de Assis começou como revisor. E, um dia, quando você estiver brilhando na constelação entre os ilustres deste País, lembre-se que foi um humilde deputado estadual e secretário de Estado, que lhe arranjou essa porta para o intelectual fulgor”. 

 

Ri-me. Por duas vezes, escutava eu, lembrada, a mesma frase.  Da primeira, entre os cineastas de todo o País, ele a me elogiar, aí coordenador do tal Festival Internacional de Cinema.  Da outra, quando de solenidade com Dom Helder Câmara - na frente dele, Dom Aloísio, Tasso, Sérgio e muita gente -, a mesma lembrança. Aí, brincando, lembrei-me: “Doutor Mauro, o senhor está diante dos cavaleiros contra o clientelismo político (rsrs). Ele não perdeu a pose e emendou: “Tasso e Sérgio hoje são contra o clientelismo político. Mas bem que os pais deles gostavam dele...”

 

De minha parte creio que tal grupo – o da coordenação do proposto “livro” poderia aglutinar duas forças: a) a intelectual, da escritora Dalinha Catunda; b) a empresarial, como feeling do escrever, de Renato Bonfim Medeiros.  Nos outros, nos dois campos e os dos ora gestores em Ipueiras, seríamos por estes coordenados.  De minha parte, ficaria com o que ora estou fazendo: o responsável pela tempestade-de-idéias, no Grupo e no Blog.

 

Dalinha e Renato são pessoas com trânsito, em Ipueiras e em outros espaços.  E – o que é mais importante – com feeling e aceitação entre as gerações diferentes em todo o município.

 

Fica a proposta. Só pediria que, junto aos que nos acompanham dentro do “faz de conta que estou mudo” e dos que não são muito afeitos à linguagem da Internet, colhêssemos, de alguma forma, o que pensam. Sobretudo, às gerações que, no Oásis, revivem boleros de outrora e os acalentados sonhos de união entre o Cristo de Ipueiras e a Bica do Ipu (li que, em Ipu, a Bica tenta alçar-se, como o Cristo Redentor do Rio, em ícone nacional. Que o Redentor da Caatinga, livrando-se do arranhão cafona de suas torres, unido à Bica do Ipu, a banhar Iracema, realize os sonhos de Nagib. Os de uma grande metrópole (conta-nos Walmir desses sonhos)...

 

 

 

 

CORAÇAO QUE, EM IPUEIRAS, FICOU

 

Paulo Catunda

Grupo Ipueiras, 21.09.2007

 

 

Prof Marcondes,

 

Novamente tenho que parabenizar o senhor por suas atitudes. Amo, muito Ipueiras e adoro quando uma pessoa do porte do senhor ajuda a desenvolver ou mesmo preservar a cidade, pois ando por todo o Brasil, mas meu coração ainda está lá.

 

Parabéns professor por suas atitudes e por sua capacidade de articular com descrição, tenho o senhor como exemplo.

 

 

DE REPENTE, A SOLIDÁRIA AÇÃO ...

 

Marcondes Rosa de Sousa

 

Você, na docência universitária, e em sua área sobretudo, pode algo fazer pela terra. O quê? A gente vai discutindo e, de repente, descobre um ângulo, em nossa visão, campo de estudos ou relacionamento que nos desperta o espírito de colaboração.

 

Gostei muito desde nossa conversa inicial.  E tenho a convicção de que você tem potencial que, ao grupo dos saídos das "águas retiradas", pode ser aproveitado, de conversa em conversa, por uma solidária ação em prol do povo que lá ficou e talvez não tenha a sorte que você teve.

 

 

 

 

 

O MILAGRE DA SANTA

Marcondes Rosa de Sousa,

Professor

 

 

Semana passada, um fato nos moveu e comoveu. Moveu-nos até a Ipueira de nossa infancia, deitada às margens do rio Jatobá, que, cinqüenta anos depois, era revisitada pela Virgem de Fátima. E nos comoveu, ao nos ostentar a cidade, por inteiro, toda feita de fé e sorrisos, estampados no verde dos morros de seu entorno, nas vivas cores e rosas das fachadas das casas e dos logradouros, na alma e no rosto expressivo de sua gente.

Na bela igreja restaurada, lá estavam, dia e noite, os fiéis, em perene ora , paciente fila, à espera do ansiado toque na santa. Anônimo e discreto, colho, em fotos, expressivos flagrantes da esperança do povo. E, em minh’alma, registro a força construtiva da fé e do sentimento coletivo. Na revisita, o clima agora é bem outro. A “santa” é que vai até o povo, deslocando-se para os distritos. Na urbe e nos grotões, uma frase vi tomando-se um bordão: “Só mesmo a santa traria vocês de volta e nos uniria a todos!”

Muitos, os encontros, aqui e ali, noite e madrugada adentro até. Reencontros, cotejos de histórias-de-vida. Sôfregos, os depoimentos. Reminiscências e fotos guardadas da primeira visita. Reedição dos momentos marcantes de outrora, como o do Vicente Padeiro, que, mudo, arrancou, do peito, um comovente “viva Nossa Senhora de Fátima” e, desde então, até a morte, nunca mais deixou de falar... Nos papos, um inesperado balanço dos caminhos das Ipueiras, espaço e berço da caminhada de todos: o passado, o presente e um possível futuro, tendo-nos, por atores, cabeças e mãos solidárias!

Ao deixar Ipueiras, lanço os olhos para o alto, lá onde, no cume de um morro, o Cristo, braços abertos, nos abençoa e protege, qual “Corcovado da Caatinga”  apequenado embora pelas mal colocadas torres de metal, a arranhar o ícone e estragar o postal... De alguém, escuto: “O milagre, desta vez, foi a chuva bonita que ela, a santa, deixou-nos”. De mim, em silêncio, concluo: “O milagre agora foi despertar, no povo, o sentimento da construção coletiva, a nos brotar das mãos, cabeças e corações”.

Fica-nos a lição. Valeu!

Marcondes Rosa de Sousa é professor da Universidade Federal do Ceará e da Universidade Estadual do Ceará.