Grupos

 

 

IPUEIRAS:

124 ANOS DE EMANCIPAÇÃO

 

Dalinha Catunda

 

Ipueiras  não mediu esforços para as comemorações dos 124 anos de emancipação política do município. Ipueirenses que moram fora fizeram o caminho de volta para participarem das comemorações.  Dia 24-10-07 aconteceu na praça da matriz o primeiro encontro de Bandas de música de Ipueiras. Num clima de alegria encontrei Terezinha do seu Tim, Elisa Mourão, Zequinha Bento e Miraugusta. A praça estava repleta e animação não faltava. Dia 25-10-07 acordei cedo para participar na Vox FM do programa Rádio Café, onde Zequinha Bento antes havia participado. Da sacada da rádio assisti à queima de fogos feita pelo prefeito Neném do Cazuza.

 

Meu compromisso seguinte foi acompanhar a entrega do Prêmio Frota Neto de Literatura. Lá encontrei Ruth Frota, Alice Paiva, Adelaide e Miraugusta,  que no passado foram minhas professoras.

 

Estive com Corrinha do Guarani, Tereza Mourão, Elisa, Ivaneuda e inúmeras pessoas que dificilmente saberia citar todas. Todos lamentavam a ausência de Frota Neto, que pela primeira vez não participou do evento para o desencanto de quem o esperava. Em seguida, boa parte dos que prestigiaram o Prêmio Frota Neto de Literatura, foram ao Clube local para sessão solene de apresentação dos Símbolos Municipais. Houve ainda: corrida de bicicleta, atletismo, partida de futebol, porém guardei minhas energias para curtir as bandas de forró na antiga praça Getúlio Vargas.

 

Participei ainda de dois eventos especiais: O primeiro, dia 24-10-07 na Biblioteca Bartolomeu José Gomes, que expôs trabalhos de vários talentos da cidade como: pintores, poetas, escritores, cordelistas e muitos deles lá estiveram a conversar com estudantes que também prestigiaram o acontecimento. O segundo foi uma homenagem do Instituto Bia Rizzo aos escritores e poetas da terra. Alunos declamaram  poesias dos presentes e ausentes além de apresentarem a biografia de cada homenageado.

 

Preciso falar que antes de tudo isso, encontrei, depois de muito procurar, nosso amigo Raimundo Nonato, que saindo de Brasília encontrou o caminho das Ipueiras.

 

Meu abraço a todos e certamente Zequinha Bento completará o que por ventura eu esquecido.

 

SAINDO DA LETARGIA

Zequinha Bento

 

 

Dalinha, não poderia eu deixar de complementar alguns tópicos de seu relato, até mesmo porque, conforme lhe prometi, desejo sair desta letargia que contagiou boa parte de nosso grupo.

 

Realmente a nossa terra se engalanou mais uma vez nesta festa do município. Cidade limpa, alegria estampada em todos os nossos conterrâneos, demonstrando satisfação  em nos rever. Nós que há muito estamos fisicamente separados deles.

 

Acredite. Temos hoje, em Ipueiras, um das mais afinadas bandas de música de nosso Ceará. Ao ouvi-la, aumenta o nosso orgulho de ser ipueirenses. De contarmos com um prefeito, na pessoa de Neném do Cazuza, que tem servido de  exemplo a todos os administradores dos municípios da região. Espantei-me com o progresso de terrinha. É gostoso ver o aumento de construções de casas, principalmente as mansões próximas ao açude. Abertura de novas ruas. O moderno passeio de 1 quilômetro margeando o açude, onde sempre vamos encontrar pessoas fazendo caminhadas. A entrada da cidade pela Estação, está linda. O prédio da antiga  estação ferroviária está uma beleza.

 

Não poderia deixar de comentar sobre a coqueluche do momento (é o noooooovo!). A  Vox FM. Fui entrevistado pelo Toni, quando tive a oportunidade de confirmar a passagem por Ipueiras do Luiz Gonzaga, o Rei do Baião, já que, segundo palavras do próprio Toni, ele que  tem um programa onde ralata causos sertanejos, teve a oportunidade, de ler o meu artigo onde eu conto a passagem do Rei por nossa terra, e, que  algumas pessoas contestaram a veracidade de tal fato. Desejo que os incrédulos tenham aceitado o meu testemunho e saibam que, aos vinte e seis dias de mês de junho de mil novecentos e sessenta e seis, Luiz Gonzaga, o Rei do Baião, cantou em Ipueiras.  

 

 Onde era que o  nosso Raimundo Nonato estava escondido? O Fernando, meu irmão me falou que realmente o Nonato estivera recentemente em nossa terra. Você teve mais sorte do que eu, em encontrá-lo. Não sei se você se encontrou com o Braga. Eu falei com ele antes do início da entrega do Prêmio Frota Neto, lá mesmo no Centro Cultural. Convidei-o para participar. Ele, porém, alegou não estar devidamente trajado para o evento. Lamentei não termos nos encontrado, posteriormente.

 

O Neto, antes de nossa viagem de volta, entregou-me vários CDs  com os hinos de Ipueiras, do Estado do Ceará e do Brasil, executados pela nossa magnífica Banda de Música, e também vários exemplares do jornal do município. Aproveitei a passagem da Teresinha Mourão por Fortaleza e entreguei a ela  alguns para que fossem distribuídos  em Brasília.Tenho comigo ainda dois CDs. Um, para o Tadeu e o outro para o Marcondes. Espero que ele tenha lhe entregue os seus.

 

Conforme lhe prometi, vou voltar a participar mais, assiduamente. A Dêga envia um forte abraço. Li e muito e me diverti ao ler  ROSA APAVORADA.

 

Um abraço do primo

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

ESTARIA EU

ME METENDO DEMAIS?

 

(CARTA A ZEQUINHA E AO GRUPO)

 

 

Marcondes Rosa de Sousa

 

 

Parabéns, Zequinha, pelo relato.  Já estava, eu, em meus surtos de depressão (que espero já em seu final), ingressando num clima e ritmo de despedida do Grupo.  Na verdade, com minha sede do amanhã, que inclui ler o passado e presente como batentes para o futuro, já havia tentado seduzir o grupo para discussão. Em vão. Em resposta, nada de retorno vinha obtendo às minhas insistentes provocações do inerte grupo Ipueiras. Até mesmo Nonato, loquaz na crítica aos nossos políticos, antes quase vigia do “sítio” quando todos se afastavam, havia desaparecido, deixando-nos apenas um aviso eletrônico, em resposta às nossas mensagens.  Aí, concluí: estou literalmente só.  Cheguei mesmo a pensar que, após minha ida última a Ipueiras, quando estive, em reunião com o Prefeito Nenen do Cazuza, que eu talvez, considerado “estrangeiro”, ali não nascido apenas, e, como tal, estaria me metendo demais ...

 

 

HERANÇA TABAJARA?

 

Foi aí que, evocando meus relacionamentos com os índios, lembrei-me da lição que eles mesmos me deram: a característica sua da desconfiança nos estranhos.  Os relatos, mesmo os de Dalinha, não me falam das impressões dos que foram para o aniversário da cidade.  O seu – parabéns! – é o primeiro.  Fiquei a indagar de Tereza Mourão, o que dera eu como já certo, sobre algo em homenagem ao Gerardo Melo Mourão e nossos ícones humanos... Não ouvi menção alguma sobre o livro ou qualquer homenagem...

 

De Ipueiras e suas festividades, fui, sim, abordado, por volta do meio dia, no dia do aniversário, por telefonema da Rádio Vox.  Enquanto ouvi o final de entrevista com a última entrevistada, que não identifiquei, aproveitei a deixa, sobre os símbolos dos quais se falara em cerimônia na prefeitura, e, dando os parabéns ao que chamei de uma Ipueiras “adolescente histórica”, aproveitei para unir os pontos entre presente e passado, de olhos, porém, no futuro.  De mim, pus ênfase, nos sonhos de Nagib Melo, o “ipueirense pai-dégua” a sonhar com “a grande metrópole” entre Ipueiras e Ipu. Aí lá fui eu para o papel e importância dos símbolos, sobretudo, do que chamamos dos “ícones” (naturais, culturais, humanos enfim). E prestei minha homenagem a todos, Gerardo Mello Mourão, acima de todos, símbolos desse abraço entre o local e o global e, sobretudo, da conciliação e da paz, herdade que nos legaram os tabajaras, a atender o convite de Iracema: “Quebras comigo a flecha do arco da paz?” 

 

Em minha fala, que foi rápida, nominei professores como os grandes ícones esquecidos dessa tarefa.  De mim, a pagar tributo pelos que foram responsáveis pela minha educação, mencionei alguns: Dona Diana, Isa Catunda, Dona Ester - com sua palmatória, em mim deixada apenas em  uma histórica dúzia de bolos, demonstrativos, que me serviram para a paz entre Gerardo e a nova geração de políticos no Ceará e em nossas instituições (Tasso, sobretudo) - sem me esquecer de Dona Mundita, Seu Dario, Nenen Matos e muitos outros.

 

TRIBUTO A PAGAR PELO QUE SOMOS

 

Como aqui narrei, fomos, Solange e eu (outros convidados não tiveram condições de lá estar) até o IPHAN com vistas ao processo de tombamento dos nossos ícones (Cristo, estação, Otacilândia, pingas, Igreja da Matriz, entre outros).  Lá, abrimos espaço e perspectivas, para uma ação conjunta dos governos municipal, estadual e federal, como expressão do sentimento coletivo do povo.  De forma alguma, gostaria de não ser mal interpretado.  Apesar de um “ex isso ou aquilo” (título de meu último artigo), gozo, no âmbito dos políticos (de forma suprapartidária até), de um histórico respeito como intelectual. Mas jamais usei desse “respeito” (muito pela minha função de professor e administrador universitário), para interesses menores (é o que marca, felizmente, minha história-de-vida).  Não tenho quaisquer interesses mais ... prosaicos e pessoais nessa história.  Em Ipueiras, já não tenho parentes nem bens, ora passados, por força de convênio com o Banco Mundial, para uma experiência comunitária. No mais, o que nos levaria a ajudar (a Walmir, Solange e eu) é apenas a força do tributo a pagar pelo que somos...

 

 

CHAPÉU DE COURO DE IPUEIRAS

NA CABEÇA DE NAPOLEÃO BONAPARTE

 

O relato de Zequinha dá-me o que pensar: o quanto Ipueiras não apenas se esquece de seu passado, pouco aposta em sua força e futuro, desconhece que, ipueirenses, como Frota Neto e nós outros por aí a fora (na Alemanha e no mundo, como a Darci do “Seu” Camaral”), continuam ligados à terra, onde não apenas deixaram seus “ícones” mas gostariam de pagar o tributo pelo que hoje são.  Os “ícones”, pois, têm função de crença na potencialidade dos que ali nasceram. Imaginem vocês é que poderá ser, numa escolinha, crianças saberem que um chapéu de couro, feito em Ipueiras, um dia – sabe-se lá como chegou até lá! – ornou a cabeça de Napoleão Bonaparte, a estender seu império por toda a Europa.  Exagero? Veja, no livro A saga de Gerardo: um Mello Mourão:

 

 

“... A chuva caíra toda a noite sobre

a cidade de Bruxelas e as lomas

e o campo de Waterloo

e ele ia de barraca em barraca e os

olhos

dos guerreiros da Velha Guada cruzavam

em lâminas os olhos

do General Empereur

e a chuva desabava

o chapéu de Austerlitz em Waterloo:

- ‘le soleil d’Austerlitz, Bertand’ –

-“um drôle de chapéu, mon Empereur –

-C’est Ceará, Brésial:

 

e um chapéu de couro

do país dos Mourões

cobriu naquele dia

a cabeça e o destino da Europa”

 

 

 

Os “ícones”, mais importante que fatos e coisas, são horizonte. E é a saga de um povo que nos dá a identidade.  Foi isso, a bem da verdade, o que vi e queixa que ouvi, dos antigos, em Ipueiras. Uma juventude de moto, sem capacetes, alouradas jovens, nas ruas e estradas, pela madrugada, sem passado ou amanhã, a mostrar o rego das bundas e seios desnudos a balançar...

 

 

SOBRE O PREFEITO

QUEIXAS E LOAS

 

Concordo, sobre o Prefeito, de apelido infantil, olhos sobre o amanhã.  Dos mais populistas, ouvi queixas com relação a distâncias e sofisticação, a não repetir ele a cartilha da dominação coronelista e clientelista de outrora.  De Francini Guedes, presidente do PSDB estadual, ouvi loas, no entanto, a ele.  Do presidente do Sindicato dos Ruralistas, de igual forma, a ratificação da visão de Francici Guedes.  O mesmo, de amigos meus ora a compor o Partido de Ciro.

 

SOU DO TEMPO DA

ESCRITA MAIS SÓLIDA

 

Espero, de Zequinha, o material prometido. Mais ainda, que divulgue seu exemplo (o do relato) a outros tantos.  A seguir, irei até o Blog do Grupo Ipueiras, até onde poucos vão, perdidos nos msgs da vida, sem atentar para textos mais densos (não vai crítica alguma).  É que sou do tempo das idéias e da escrita mais sólida. E, o quanto possível, quero deixar tais depoimentos registrados para o amanhã, aproveitáveis, o quanto possível, em nossa escola.

 

Na Assembléia Legislativa, semana passada, sentindo-me homenageado, abri o verbo, contei histórias, sem falsa modéstia.  Histórias que permitiram, no Ceará e no País, novas posturas de nossa educação. Falatórios e cenas como a coragem para a inovação, o que teria levado, como presidente do Fórum dos Conselhos Estaduais de Educação, a pecha de “anomista” (anárquico, para outros), e a afirmação de alguns, em São Paulo, que eu deveria era estar na cadeia.  Nesse sentido, fui, certa feita, procurado pelo Revista “Isto É”, que, após conversar comigo, pediu-me desculpas.  As “loucuras” de Ariosto Holanda, com seus Centecs e CVTs, me levaram a gestos mais corajosos, no sentido de implantá-los. 

 

MUITOS OS QUE PODEM

AJUDAR IPUEIRAS

EM SUA CAMINHADA HISTÓRICA

 

Mais do que eu, Ipueiras tem, entre seus filhos - sou apenas “filho adotivo” (rsrs) – quem possa ajudar seu povo em sua caminhada histórica.  Frota Neto, Renato, irmãos e irmãs, os Mourões e os que, no Oásis, se reúnem, a cada ano, a construir pontes entre o passado e o futuro, irmanados pelo agora.  Não sei se Assembléia Legislativa (nos 39 anos da UVA) ou na FIEC, onde, Teodoro Presidente, tomei posse no Conselho Administrativo do Projeto Rondon/Ce, a jornalista Silvana Frota disse-me qualquer coisa sobre a ausência de Frota Neto em Ipueiras, nestes últimos dias. Muita gente ao redor, tive a impressão de que teria ele se ressentido com a falta de apoio à ação do Instituto Frota Neto.

 

 

GERAÇÃO TIGRESA

E PROJETO RONDON

 

 

No coquetel, muitos reencontros. É que, por duas vezes, fui pró-reitor de extensão da UFC e, apenar de, no dizer de Caetano Veloso, ao se referir à sua Tigresa (a real, conversei com ela, desgrenhada, no Teatro José de Alencar) “falava de política em 1966” e, após, nos anos 70, haver dançado nos “frenetic dancing days do arbítrio”, vi, no Projeto Rondon, a saída para o diálogo entre o saber do mundo acadêmico e do popular, num clima de integração da multiculturalidade de nosso povo. 

 

À época, apaixonei-me pela “ação comunitária” por todo o Estado. E, na Amazônia, pelo Projeto Rondon a levar estudantes da UFC, para as selvas.  Um dia, do legendário Chico Mendes, provocamos exacerbados ciúmes.  Numa avaliação, indagamos sobre o papel da UFC, no projeto. Chico Mendes foi direto: ‘Prof. Marcondes, o que posso dizer é: UFC, 10; a Federal do Acre, ZERO!”. 

 

Logo depois, a notícia. Filho do delegado federal da polícia federal, em suas “brincadeiras”, havia posto veneno na água, guardada na geladeira, da residência em que ficavam os alunos da UFC.  Tivemos de mandar buscar de volta e pela via de passagens em aviões de carreira (não da FAB) os nossos alunos.

 

Mas, no papo com o Coronel Pasquali, fiz-lhe a confidência.  É que, há algum tempo atrás, ouvi na UFC, o elogio, por um professor da medicina: “Você sabia, Marcondes, que você e eu somos os responsáveis pelo acolhimento dos subversivos por via da extensão e, sobretudo, do Projeto Rondon?”  Tive de admitir que era verdade.  E a Pasquali contei o fato de defesa, após reunião em São Paulo, que me pediram integrantes de petistas que se disseram terem eles optado pelo “PT Matuto” – que resolveram ir para o interior.  E só eu poderia fazer-lhes a defesa.  E eu, no artigo, confessando-me tucano emplumado, terminei por defender a visão à frente de um PT matuto.  Só que, dessa geração, muitos deles, resolveram hoje, optar pelos que se envolveram no “escândalo dos dólares na cueca”, mensalões e coisas do gênero (rsrs)...

 

 

DOWER, A DOR QUE ME FICOU...

 

Em seu discurso, na Fiec, onde o governador Cid Gomes se fez representar pelo vice-governador, o professor Pinheiro, com quem convivi muito na UFC, o Coronel Pasquali citou-nos o depoimento de Pinheiro, quando no Rondon. Um depoimento sobre visão real e multicultural do País. Isso, conversávamos depois no coquetel, quando lhe citei o caso, que me emocionou de ex-aluno meu, no Colégio Militar de Fortaleza. Um dia, em reunião com os pais, o pai de Dower Cavalcanti  narrou fato que o estava preocupando. O filho, impressionado com as aulas minhas sobre o romantismo, queria abandonar tudo e ir viver na floresta. E, aí, a queixa de idéias subversivas que o então jovem professor Marcondes Rosa estaria botando na cabeça dele.

 

Os tempos passam.  Na UFC, dou com Dower, um dos líderes mais radicais da esquerda, contra a candidatura do Prof. Albuquerque Sousa Filho, hoje na alta administração do Projeto Rondon/Ce.  Apoiei Albuquerque e não, como era esperado, Raimundo Holanda

 

Nomeado Albuquerque.  Reação da esquerda, impedindo a posse do “interventor”. Ovos jogados até contra Dona Luíza Távora.  De beca acadêmica, senti que o único a escapar do “ovacionamento” fui eu.  Após a traumática e triste cena, jantar. Pedem-me que fale. Proponho que, dia seguinte, em minha casa, nos reunamos., quando a reitoria da UFC havia-se ocupado... Longa história. Mas, como estratégia, proponho o gradual esquecimento do fato e a reconquista das forças mais atuantes.  

 

Conversa com Dower, um dos líderes, foi estratégia minha. Decido-me a conversar com ele, o mais radical. E, após, termino por levá-lo a Albuquerque, deixando os dois a sós... Dower aceita assessorar-me, nos programas de extensão.

 

Um dia, Dower, médico, preocupado com minha saúde, telefona-me à noite, dizendo haver marcado com médico, consulta minha. Voz triste, achei aquele telefonema estranho.  Às cinco da manhã, telefonema. Dower havia tido um acidente cardiovascular.  Do ramo, pergunto em que hospital. A resposta: “São João Batista...”  Só às sete, é que acordo para o fato de que “São João Batista” era o ... cemitério.

 

 Os anos passam.  Quando, o Dr. Elias Boutala Salomão, em nostálgica reunião, na UFC, sobre extensão rural e Projeto Rondon, toca em Dower e seu papel na região, diz Boutala: “A esquerda cearense, quase toda, passou pelo Marcondes e por mim”. Chego-me a ele. Falo de Dower, ali lembrado. Pergunto-lhe sobre a causa mortis. Ele, a meu ouvido, diz: “Eu dei o laudo. Não gostaria que toda uma luta e uma carreira fossem enodoadas”.  Fiquei triste. Já ouvira depoimento de colegas e amigos seus sobre suicídio.

 

Ficou-me, porém, um sentimento de culpa. Mais do que isso, o tributo a pagar... E o papel da extensão e do Projeto Rondon, hoje uma ONG, na conscientização dos estudantes universitários. Mais ainda, é minha tese, no processo de interiorização de nossas universidades.  Sobretudo, se assumirmos a consciência hodierna da “responsabilidade social”, a postular-se, além da fiscal, uma necessária e urgente lei.  Na Fiec, já conseguimos, pelo menos simbolicamente, a feição moderna da indústria, que não se resume à das chaminés.  A do conhecimento hoje é mais importante. Jorge Parente, por sugestão minha, admitiu que nossas instituições de ensino superior tivessem o status de “indústrias do conhecimento”.

 

 

JUNTANDO HEGEMONIA EM CACOS...

 

Toda essa história para o desenho do papel a que me proponho.  Num plano mais alto, batalho (e toda minha história vai nessa direção) por rejuntar, sobretudo no Ceará, as “hegemonias em cacos” de nossa política. Convivi com todos. Tenho a consciência de que o Ceará só foi para diante com experiências como “a União pelo Ceará”, “o Projeto das Mudanças” e semelhantes.  Confessou-me Sérgio Machado que o Projeto das Mudanças (surpresa para mim) teve dois grandes incentivos: a) o Jornal do Brasil; b) e pasmem ... o Coronel  Virgílio Távora

 

SEM O REJUNTAR CACOS

ESTAREI FORA!

 

Agora, mais do que nunca, aí estão nossos projetos ... “em cacos”.  Se cada um, mesmo os prefeitos, pensar em seus votos apenas, em seu patrimônio pessoal e apenas em coisas assim, estarei fora! 

 

No PSDB fui do alto comando nacional. E, no Estado, caí (no tempo de Lúcio Alcântara) ao mais prosaico chão (eu mesmo pedi).  Várias vezes, recentemente, fui ouvido, como do último encontro em que, de alguma forma, silente, dei a pauta.  Mais recentemente, dei a idéia – após, emocionado, ter assistido, em reunião sobre a Região, no Banco do Nordeste (Passaré) para proceder amplo debate sobre o filme que, hoje, inicia circuito comercial no País, a partir de Fortaleza.  Só fiquei chateado porque Rosa Furtado (viúva de Celso) pedira a Violeta Arraes (amiga do casal) para que eu me envolvesse na estratégia.  Concordei.  O diretor ficou de telefonar para mim. Dias atrás, prof. Mariani, o diretor, enviou-me, programado pelo BNB já toda a programação fechada a partir de hoje (2 de novembro), depois de um período, em Salvador.  Telefonei para o Banco, que nos prometeu programação com universidades, instituições educacionais e políticas.  Celso, afinal, foi guru de todos nós. 

 

 

QUESTÕES ETICA,

DA VISÃO FEMININA,

DA EMOÇÃO E

DA TRANSCENDÊNCIA

 

 

Outra coisa interessante, para a qual revelei-me preocupado.  Tasso propõe democratização real de nossos partidos.  E pediu que me ouvissem o que fazer, com relação à consciência de nossos municípios e prefeitos, sobre “ética”.  Eu aceitei, junto com outros intelectuais de renome, ser o primeiro nome do “Conselho de Ética e Disciplina” do PSDB de Fortaleza (movimento a se iniciar pelos municípios).   Só que, por telefone, a primeira idéia que me passou foi envolver as religiões de maior credibilidade na formação dessa consciência.  É que, entre nós, ética é coisa que Brizola confundia com o duplo moralismo que nos levou a coisa nenhuma: a da UDN – a que chamava “de tamancos”, o PT (que caiu no conto de Maquiavel e Zé Dirceu); e a de “salto altos”, o PSDB, que também não foi muito longe.  Nas conversas por telefone fiz um relato das idéias que havia, crítico, dado para o encontro nacional aqui.

 

Propus, nestes tempos das chamadas “inteligências múltiplas”, dois valores que, sempre, reclamei no PSDB: a emoção e a  visão/sentimento femininos. Isso, um dia, reclamei, em Belo Horizonte, onde em reunião do Instituto Teotônio Vilella (onde eu era presidente estadual e membro do Diretório Nacional do Partido), dei com, apenas, duas mulheres: Yeda Crúcius e Marisa Serrano, então deputadas federais.  Ao entrar, à noite, após coquetel de abertura, no elevador, chegada ao hotel, vinda do aeroporto, com Yeda (hoje a governar o RS).  Tendo estado com ela, em encontro, em Brasília, sobre a globalização, quando não entendi nada (confessei-lhe, ela a querer, com Lúcio Alcântara, que eu coordenasse debate sobre a dissolução da União Soviética...), aproveitei a oportunidade para, em minha expressão (brincando, claro) ali, sozinhos no elavador, dar-lhe duas ... “cantadas”. 

 

A primeira, pela visão dela, como economista, keynesiana (ela agradeceu e confessou que sim).  A segunda, como “mulher”.  Ela abriu, curiosa, os olhos. Tranqüilizei-a, ante o “que que é isso?”  Falava eu do agir e sentir como mulher, sob a força da visão feminina e da emoção.  Ela gostou. E, chegando o elevador ao andar dela, ela, a sorrir, me perguntou: “Você, amanhã, na reunião, vai falar sobre essa cantada?” E eu: “Não!” E ela: “Posso contar?” E eu: “acha importante?”. Ela: “fundamental. É o que, há muito, é nosso sentimento, o das mulheres”.

 

 

WALDONYS E

VOZES DA SECA

 

       

        No último encontro do PSDB nacional aqui, dei algumas idéias sobre a pauta, que foi rigorosamente (para além do que eu esperava) seguida.  As senadoras e estudantes até, mulheres, brilharam. Uma freira, de mais de 80 anos, emocionou a todos.  Um sanfoneiro, ao puxar o Hino Nacional Brasileiro sob forte impulso de toada nordestino, arrancou “mãos dadas” e emoções.  Tasso citou Zé Dantas, médico, em seus antológicos versos “Mas, doutor, uma esmola, para um homem que é são, ou lhe mata de vergonha, ou vicia o cidadão”.  Serra, pediu que ele recitasse.  Disse não conhecer os versos de mais de meio século. Tasso, descontraído, brincou: “É música nordestina. Se fosse italiana, como paulista, você conheceria”.

 

        Ao final, pedi aos organizadores que, no lançamento do livro de Dona Lila, a mulher de Covas, o sanfoneiro tocasse “Vozes da Seca”.  Ela, afinal, veio falar comigo. Cantarolei.  Ele, na sanfona, concluiu: “Pode deixar comigo!”  E eu, duvidoso, indaguei: “Você sabe mesmo?”.  Alguém, do meu lado, sem jeito, me avisou: “Professor, esse é o ... Waldonys, de fama internacional!”

 

        Em casa, diretora da Rádio Universitária em meu tempo estranhou: “Não te lembras de Waldonys? Lá estavas, àquela época, quando Dominguinhos lhe chamou e disse que aquele menino iria longe. Que desse apoio a ele.  Onde é que você está com a cabeça?”

 

        TRANSCENDÊNCIA NO QUADRO

         DAS INTELIGÊNCIAS MÚLTIPLAS

 

Tenho lido muito, na condição de educador, sobre as “inteligências múltiplas”. Mas, sobre a transcendente (ou a da espirituralidade), confesso-lhes ainda me considero leigo.  Na presidência do CEC e do Fórum dos CEEs do País, senti que, sobre a educação religiosa nas escolas, o CNE de educação, após fracassadas reuniões em Brasília, jogaram o problema em minhas costas. Pedi a Dom Benedito, à época na direção regional da CNBB, que me ajudasse. Mas, em reunião entre as correntes da própria Igreja Católica, deu briga. Aí, o conselho que me deu Dom Benedito: “Marcondes, sou colega seu na Universidade, conheço-o bem. Leve a reunião entre as religiões para o Conselho, que vai dar certo.

 

E deu. Não tive outro jeito. Confessei-me (a)teu. E, não sei o que fiz que consegui até ajuda da Igreja Universal, que era contra o artigo da LDB...

 

Neste grupo, é explícita a posição de Tereza Mourão com relação ao espiritualidade (e o espiritismo).  Jean Kleber, para mim, é um dos partidários das diversas feições da ciência, do pensamento e das inteligências e já me enviou até literatura idônea sobre a temática.

 

Na paisagem urbana e social de Ipueiras, vi forte presença desse mosaico transcendente. Talvez fosse interessante que usássemos nossos blogs e grupos para pensar um pouco sobre os diversos tipos de inteligência, a escola e a nossa sociedade.

 

Aberto, pois, o espaço.

 

 

 

 

HISTÓRIA E CULTURA

 

Grupo Ipueiras, 4 de novembro de 2007

 

Tadeu Fontenele a Marcondes Rosa

 

 

Entendo como providencial o questionamento que fizeram ao Zequinha Bento, recentemente em Ipueiras, por ocasião de uma entrevista que ele deu na Radio FOX FM, sobre a vinda de Luiz Gonzaga a Ipueiras, em 1966. É certo que já decorreram 41 anos. Os jovens que podem questionar o ocorrido, possivelmente não tiveram dos seus pais, que presenciaram o evento, as informações. Também, não contávamos na cidade com o Instituto Frota Neto nem com a Biblioteca Bartolomeu Gomes.

 

Agora é oportuno que os registros que o Zequinha Bento tem (o livro autografado pelo Rei do Baião, que conta sua vida de cancioneiro) sejam disponibilizados em cópia nessas duas casas de cultura ipueirense. Como também os livros (todos) escritos por Gerardo Mello Mourão, que ensejarão a todos os jovens atuais e os jovens a bastante tempo, de Ipueiras, conhecerem toda a narração história do nosso poeta maior, com ênfase em Ipueiras, incluindo o episódio do chapéu de couro, que, fabricado na Ipueira Grande, foi  parar na cabeça do Imperador francês Napoleão Bonaparte. Para isso, contamos que o saudável hábito da leitura volte a imperar entre os ipueirenses.

 

Motivos não faltam para isso. Este grupo tem dado mostras para todos os ipueirenses de que o caminho é por aí. Os freqüentes artigos de Marcondes, publicados em jornais e aqui inseridos, .as poesias e contos da Dalinha, as citações de Jean Kleber, as participações dos componentes do grupo com suas mensagens de assuntos os mais variados, tudo isso é cultura, tudo isso é informação para ampliarmos nossos conhecimentos.

 

Agradecendo sua tempestiva resposta sobre o episódio do chapéu de couro, louvo, mais uma vez, sua incessante preocupação de que Ipueiras se identifique para o mundo através da instrução e cultura.

 

 

LUCIDEZ E PROFUNDIDADE DA ANÁLISE

 

 

 Marcondes Rosa a Tadeu Fontenele

 

 

Brilhante, Tadeu!  Suas considerações apontam para o papel fundamental da educação – a formal e a não-formal, com ênfase numa saudável política cultural e de leitura.  Sem ela, a educação sob essa perspectiva, não existe a “identidade cultural”.  Somos reses sem origem, sem agora e sem destino. E, o que é pior, sem valor de espécie alguma.  Dentro dessa perspectiva, a força e o papel das instituições culturais, e o valor que cada um de nós temos como extensão e produto dos ícones históricos que nos fizeram e que faz.

 

Essa, a queixa que poderiam ter os que, nesse plano formal e mais amplo da educação, hão de ter de todos os que formaram os Gerardos, os produtores do chapéu de couro na cabeça de Napoleão, e a nós todos que temos uma responsabilidade pelos que lá ficaram.  Sim, Frota Neto desempenha papel importante.  Mas há uma cadeia histórica.  E, um dia, cheguei a entender a importância de Dona Ester, de Isa, de Dona Diana, de Dona Inezita, Dona Mundita, Neném Mattos e tantos quantos nos fizeram a nós.

 

Seu texto, “Histórica e Cultura”, pela lucidez e profundidade da análise, figurará no Blog, para que, atraídos pelos Googles e sítios de busca todos, possa despertar uma reflexão no papel que os evadidos de nossos interiores, podem fazer pelos que lá ficaram e continuam a cadeia do passado em busca de ... um merecido amanhã.

 

Se puder, vá assistir ao filme “O longo amanhecer”, de Celso Furtado, já em exibição no Centro Dragão do Mar, em Fortaleza.

 

 

 

 


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SAINDO DA LETARGIA

 

 

Diálogo entre Zequinha Bento e

Dalinha Catunda, no Grupo Ipueiras

Sobre os 124 anos de emancipação de Ipueiras

 

 

Zequinha

 

 

Não poderia eu deixar de complementar alguns tópicos de seu relato, até mesmo porque, conforme lhe prometi, desejo sair desta letargia que contagiou boa parte de nosso grupo.

 

Dalinha

 

Quem ganha com tudo isso é o grupo que terá de volta o Homem da inesquecivel "Cabra Preta" presença querida que certamente trará de volta ao nosso convívio velhos companheiros que adormecidos se sentirão "cutucados"

 

Zequinha

 

Realmente a nossa terra se engalanou mais uma vez nesta festa do município. Cidade limpa, alegria estampada em todos nosso  conterrâneos, demonstrando satisfação  em nos rever. Nós que há muito estamos fisicamente separados deles.

 

Acredite. Temos hoje em Ipueiras um das mais afinadas bandas de música de nosso Ceará. Ao ouvi-la, aumenta o nosso orgulho de ser ipueirense. De contarmos com um prefeito, na pessoa de Nenem do Cazuza, que tem servido de  exemplo a todos os administradores dos municípos da região. Espantei-me com o progresso de terrinha. É gostoso ver o aumento de construções de casas, principalmente as mansões próximas ao açude. Abertura de novas ruas. O moderno passeio de 1 quilômetro margeando o açude, onde sempre vamos encontrar pessoas fazendo caminhadas. A entrada da cidade pela Estação, está linda. O prédio da antiga  estação ferroviária está uma beleza.

 

Dalinha

 

Ipueiras realmente veste roupa nova, cresce verticalmente, pois já se vê, e se fala em prédio e apartamentos. lógicos que pequenos predios e sobrados. Escutei do Prefeito que acabou de restaurar a velha estação, que segundo ele havia sido invadida, que em breve estará restaurando o Antigo casarão do Costa Matos e que aceita sugestões da familia. Ainda pecamos um pouco na falta de divulgação dos eventos, num roteiro de última hora, nos eventos prometidos e não cumpridos, mas acredito que a tendência é melhorar. As Bandas, realmente, estavam magnificas e o povo lotou a praça da matriz prestigiando o evento musical.

 

Zequinha

 

Não poderia deixar de comentar sobre a coqueluche do momento (é o noooooovo!). A  Vox FM. Fui entrevistado pelo Toni, quando tive a oportunidade de confirmar a passagem do Luiz Gonzaga, o Rei do Baião, já que, segundo palavras do próprio Toni, ele que  tem um programa onde relata causos sertanejos, teve a oportunidade, de ler o meu artigo onde eu conto a passagem do Rei por nossa terra e que  algumas pessoas contestaram a veracidade de tal fato. Desejo que os incrédulos tenham aceitado o meu testemunho e saibam que aos vinte e seis dias de mês de junho de mil novecentos e sessenta e seis, Luiz Gonzaga, o Rei do Baião, cantou em Ipueiras. 

 

Dalinha

 

Bento, também fui entrevistada no mesmo dia, logo após sua participação. Dias antes, Tony, havia lido uma pequena crônica que fiz sobre o Gonzagão, onde no final cito você Tadeu e Meu avô Gonçalo Ximenes Aragão, na época Cheve de estação. Além do Claudio Catunda, meu avô tambem comprou o livreto: "O Sanfoneiro do Riacho da Brígida " Se alguns duvidaram do acontecido, outros relataram novos lances dessa passagem do velho Lua. Mas o assunto ainda rende.

 

Zequinha

 

 Onde era que o  nosso Raimundo Nonato estava escondido? O Fernando, meu irmão me falou que realmente o Nonato estivera recentemente em nossa terra. Você teve mais sorte do que eu, em encontrá-lo. Não sei se você se encontrou com o Braga. Eu falei com ele antes do início da entrega do Prêmio Frota Neto, lá mesmos no Centro Cultural.Convidei-o para participar porém ele alegou não estar devidamente trajado para o evento.Lamentei não termos nos encontrado, posteriormente.

 

Dalinha

 

Quanto ao Braga só o encontrei a noite, viajamos no mesmo ônibus. Sei que estava lúcido pois pedi um crônica perdida e ele me mandou no outro dia. Raimundo Nonato pegou o Beco antes das festejos, acredito que muito sensível, teve medo de se desmanchar em lágrimas ao rever os velhos amigos.

 

Zequinha

 

O Neto, antes de nossa viagem de volta, entregou-me vários CDs  com os hinos de Ipueiras, do Estado do Ceara e do Brasil, executados pela nossa magnífica Banda de Música, e também vários exemplares do jornal do município. Aproveitei a passagem da Teresinha Mourão por Fortaleza entreguei a ela  alguns para que fosse distribuidos  em Brasília. Tenho comigo ainda dois CDs. Um, para o Tadeu e o outro, para o Marcondes. Espero que ele tenha lhe entregue os seus.

 

Dalinha

 

Zequinha, não fui agraciada com os tais cds, espero que você ou Terezinha guarde uma cópia para mim.

 

Zequinha

 

Conforme lhe prometi, vou voltar a participar mais, assiduamente.

 

Dalinha

 

Isso mesmo, Bento, nada de Catundisse. A continuidade nos ensina a escrever por gosto ou vício.

 

Zequinha

 

A Dêga envia um forte abraço.

 

Dalinha

 

Outro grande para ela. Fui duas vezes pela manhã, na casa de Fernando, antes de vocês viajarem, mas não os encontrei. Infelizmente não dava para eu ir mesmo junto com vocês. Fica p'ra próxima. Valeu pelo convite

 

Zequinha

 

Li e muito me diverti ao ler  ROSA APAVORADA.

 

Dalinha

 

É o meu quarto cordel e primeiro pela Academia Brasileira de Literatura de Cordel. Que bom que você gostou!!!!

 

 

  

 

 

 

Antonio de Lisboa Mourão

Aventura e solidariedade no Planalto Central

 

VINICIUS NADER

ESPECIAL PARA O CORREIO

Brasilia surgiu na vida do pioneiro Antonio de Lisboa Mourão como uma fuga da seca que assombrava o Ceará em 1958. Em busca de um lugar onde as perdas não fossem sazonais, ele deixou a cidadezinha de Ipueiras, no interior do estado, e veio para a nova capital federal. Aqui ele começou uma nova vida, deixando para trás a loja de tecidos que tinha com o padrinho e tendo pela frente apenas muita poeira. Junto com dois amigos, José Lima e Gonçalo Miranda, Antonio Mourão resolveu trazer mais gente para Brasília.

O resultado foi que o pioneiro partiu do Ceará depois de organizar um comboio formado por dois caminhões Fenemê (ou FNM) repletos de conterrâneos querendo um emprego na nova capital. “Era um jeito de ajudar quem não tivesse emprego na minha cidade e, ao mesmo tempo, ajudar na construção da capital do meu país, onde eu sabia que estavam precisando de gente disposta a trabalhar”, afirma Antonio. “Como as estradas ainda não eram asfaltadas, a viagem demorou 16 dias. Para não perdermos multo tempo, eu, que era o único solteiro da turma, vim primeiro, de avião”, completa.

Dessa forma, Antonio acabou se tornando uma espécie de agente de empregos de cerca de dois mil conterrâneos. “Eu ia de construtora em construtora verificando de quais especialidades eles estavam precisando mais. Se era pedreiro, mestre-de-obras, marceneiro ou outras coisas. Assim, quando os caminhões chegaram já estava tudo mais ou menos encaminhado”, afirma o pioneiro.

Para ajudar os amigos cearenses. Antonio não mediu esforços: foi morar no armazém e bar Maringá, na Cidade Livre (Núcleo Bandeirante), de onde era mais fácil controlar a chegada e partida dos paus-de-arara que vinham e voltavam para o Ceará. Além disso, o clima da cidade também era uma adversidade para aqueles que estavam acostumados a ter sol o ano todo. “O frio e a chuva eram, na cidade, eram muito grandes. As plantas ficavam cobertas de gelo (granizo) e tínhamos que andar sempre de botas por causa da lama que a chuva causava”, conta o pioneiro.

Antonio Mourão e Pe. Antonio (português) no início da vida em Brasília

 

Saudade

A saudade era tanta que às vezes a vontade que Antonio tinha era de chorar, mas nunca de desistir de Brasília e voltar para Ipueiras.

O jeito era escrever cartas e visitar a terra natal pelo menos vezes ao ano para aliviar a que sentia de sua família. Os outros pioneiros que vieram com Antonio também tinham muitas saudades do Ceará, mas vários deles não sabiam escrever “Quando eu chegava ao alojamento era uma festa, Tinha que fazer carta de toda espécie, de  amor, de tristeza, de tudo. Tinha até que apaziguar brigas de colegas”, lembra, com ares paternais. Antonio destaca a evolução que esses trabalhadores que ele trouxe para cá tiveram: “os operários chegavam subnutridos, fracos e, em poucos meses, já havia uma mudança e eles estavam mais corados e fortes por causa do trabalho braçal intenso”

Apesar de ser hoje um grande entusiasta de Brasília, nem sempre o pioneiro acreditou na eficiência da interiorização da capitral. Tanto que ele não foi um dos eleitores de Juscelino Kubitschek, que um dia ficou sabendo disso: “Era aniversário dele e muita gente da cidade queria cumprimentá-lo. Ele e  dona Sara formaram una fila para poderem receber as congratulações. Eu e cinco amigos entramos na fila e quando chegou a minha vez um deles falou para o presidente que eu nem havia votado nele nas eleições”,  conta o pioneiro, que não perdeu o rebolado diante da saia justa “Disse ao presidente que realmente tinha votado no marechal Juarez Távora, e ele, como grande estadista que era, me disse que minha opção era acertada porque o marechal era um grande brasileiro. Saímos de lá todos juscelinistas”, completa.


Até 1960,  Antonio morou onde hoje é o Núcleo Bandeirante. “Brasfiia era a Cidade Livre. O Plano Piloto não tinha nada ainda. Era incrível ver o monte de terra formado pela construção da rodoviária. Era do tamanho do Conjunto Nacional”, exagera. Como as obras não estavam prontas, os carteiros e os próprios trabalhadores sofriam com os endereços da nova capital. Por isso, os prédios acabavam ganhando “apelidos” antes de serem inaugurados. “O anexo do Congresso Nacional era chamado de 28 por causa do número de andares, os ministérios eram os prédios de ferro, e a rodoviária, o viaduto da Rabello”, exemplifica.

“BRASILIA ERA A
CIDADE LIVRE. O
PLANO PILOTO NÃO

TINHA NADA AINDA.
ERA INCRÍVEL VER O
MONTE DE TERRA
FORMADO PELA
CONSTRUÇÃO DA
RODOVIÁRIA. ERA DO
TAMANHO DO
CONJUNTO NACIONAL”

 

 


Mudança

A mudança da Cidade Livre para Taguatinga se deu por motivos de amor. “A Cidade Livre era uma bagunça, com mercados a céu aberto e os produtos expostos no chão mesmo. Minha noiva, que morava no Rio de Janeiro, não gostava e me avisou que para lá ela não iria”, conta o pioneiro, que, por não ter condições de ter uma casa no Plano Piloto, acabou optando por Taguatinga. “Dona Sara Kubitschek falava que Taguatinga seria uma cidade dormitório, mas eu via nela uma grande possibilidade de progresso”, afirma. Vontade da noiva, Maria Inês, feita, o casamento já podia ser marcado e a festa foi no Rio de Janeiro. Para se manter, o pioneiro virou empresário e montou um armazém de secos e molhados para fornecer às indústrias que começavam a aparecer pela nova capital. “Era tudo mais difícil em Taguatinga. A água era puxada de bomba, e a luz, de gambiarra”, conta.

O entusiasmo de Antonio com a satélite era tão grande que ele chegou a estar à frente do programa de rádio Taguatinga É Progresso, transmitido pela Rádio Planalto. “Era uma espécie de programa que tem de tudo, desde calouros até reportagens com prestação de serviços”, explica, acrescentando que só faltava mesmo o progresso do título. Mas com o tempo, o progresso veio não só para Taguatinga como para Brasília como um todo. E hoje as lembranças só fazem encher Antonio de orgulho e felicidade.

“Considero todas as pessoas que nasceram em Brasília meus netos porque a cidade é como se fosse minha filha mais velha”, afirma o orgulhoso pioneiro.

RaioX

Nome:
Antonio de Lisboa
Mourão
Idade:
74 anos
Origem:
Ipueiras, Ceará
Ano de chegada a
Brasília:

1958
Profissão:
Comerciante
aposentado
Estado clvil:
casado
Filhos:
TâniaMana,Sandra
Maria, Vanda Mana e
Antonio Diuk,
Netos:
Clara, Pedro e Indira.

***

(Colhido do Correio Brasiliense por Jean Kleber Mattos, em fotocópia escaneada por Marcondes Rosa de Sousa, filho de Wencery Félix de Sousa, que, a essa época, ocupando posto em importante ministério, morando na “cidade livre” e ajudando na alocação da força de trabalho dos cearenses, a construir a Nova Cap, prestou ajuda nesse processo de dar apoio aos “candangos”, em Brasília, tendo convivido com o pioneiro Antonio de Lisboa Mourão.  Filho de Wencery, após inaugurada Brasília, passaria eu lá uns tempos, quando a Cidade ganhava feições urbanas e junto aos candangos, em apoio a eles, passaria eu uns tempos participando das cenas descritas por Lisboa).

 

 

 

 

 

 

 

 

MINHA GAFE COM WALDONYS

 

Marcondes Rosa de Sousa

 

 

 Dias atrás, recebo por via postal, de Carlito Matos, um pacote a me brindar com três discos: um DVD e dois CDs.  O DVD “Waldonys – Vinte anos de carreira”; os CDs, dele próprio, sob os títulos “Andando e vivendo”, com participação de Waldonys, e “Alguém que sonha e canta”.

 

 Dias depois, dou com Carlito Matos, no almoço de comemoração dos 95 anos de “Seu Neném Mattos”, pai de Jean Kleber Matos, professor nosso, ao lado de sua esposa (já falecida) Dona Mundita, em nossa infância em Ipueiras (Ce).  Lá, Carlito me fala de confissão que, no Grupo de Discussão “Amigos de Ipueiras”, faço de meu lapso, em relação a Waldonys, por ocasião de encontro político nacional (o do PSDB) onde Waldonys, com o hino nacional sob forte dosagem de nordestinidade, e o arrancar de emoções na platéia.  E do diálogo entre Tasso Jereissati e José Serra, sobre versos de “Vozes da Seca”, ali dito desconhecido por Serra, a suscitar a brincadeira de Tasso: “se fosse italiana, você se lembraria (rsrs).  À coordenação do evento, pedi que a música abrisse o coquetel àquela noite. Waldonys veio a mim checar a música, era mesmo aquela, pedindo que eu dela cantarolasse um trecho.  “Já sei”. Aí duvidei: “Sabe mesmo?”.

 

Foi aí que a coordenadora do evento (ela de Brasília), lembrou-me: “Professor, esse é ... o Waldonys”.  E eu, amnético, estranhei o tom de quase repreensão.  Colega minha, que, nos primeiros momentos da Rádio Universitária, dirigida por dois físicos (Clóvis Catunda e Rodger Rogério) e eu, censurou-me o que ela chamou de lapso de memória: “Você não se lembra de Dominguinhos, um dia, lá nos levou um menino, do qual ele disse que seria grande talento e nos apresentou, na sua frente?  É aquele menino, hoje com fama internacional, o Waldonys...”

 

Com Rodger, do Grupo “Pessoal do Ceará”, montamos, lá nos anos 80’, a grade de programação da Rádio Universitária (FM), na UFC.  A nordestinidade não seria a mera reprodução do tradicional, onde o folclore e o saber popular guardavam conotações pura e estanquemente rurais.  Teria que se (re) ler sob perspectiva integratória, com o urbano, tônica então do já nacional “Pessoal do Ceará”. Daí, nasceu o “Reouvindo o Nordeste”, que, depois, ganharia Rômulo como seu produtor, em dimensão a se espraiar por toda a Rede de Radiodifusão Educativa, no País.   Críticas, sim, chegaram-nos muitas, como estivéssemos enodoando o folclore.  Lembro-me, um dia, do rebate a crítica a Oliveira das Panelas, que, segundo os puristas, estaria se afastando das “raízes”, em seus desafios: “Eu também tenho o direito de ser ... flor”, foi a antológica reação dele.

 

Com Rodger e os que ensaiavam passos integratórios na Rádio Universitária, confesso, muito aprendi.  Sobretudo, com Rodger, que me o efeito, a permear a bossa nova, dos desafinos: “O som perfeito, de computador, não faz a música.  Para haver música, é preciso que os sons guardem uns ... sujinhos”, foi-me lição de Rodger Rogério.  Aí, depois, descobriria, o papel dos ruídos significativos na arte, culminados com os sons dos ruídos da obra de restauração do dito Teatro José de Alencar, orquestrados pelo maestro Koellreuter, ao tempo em que Dona Violeta Arraes foi Secretária de Cultura do Governo Tasso Jereissati, quando violinos, vozes, em sinfonia, com os ruídos da obra orquestravam-se em expressiva sinfonia... Isso, antes que, na teoria da literatura, desse eu com Umberto Eco...

 

 Pois bem!  Revi o literal “show”, permeado de evocações e presenças de Waldonys na festa de seus 20 anos no Teatro José de Alencar, onde chegar, paraquedista a saltar, direto para o ansioso palco a aguardá-lo.  Entre as homenagens, uma a música de Carlito Matos, num camarote presente.  O hino nacional cantado, em pé, com emoção e a vibrar, de todo o lotado teatro.  Evocações múltiplas a figuras que, em sua vida, fincaram indeléveis presentes: “Seu Luiz Gonzaga”, Sivuca, e seu “pa(i)drinho” Dominguinhos.  Na voz, explícita forte influência de Fagner.  Rodger me afirmava que, nos tempos do extinto “Bar do Anísio”, na Av. Beira Mar, o “pessoal do Ceará” não deixava que Fagner (desafinado) cantasse.  Em Waldonys, a homenagem a Fagner (disse-me uma empregada) não é bem vista no interior, onde o sanfoneiro mais vale que o imitador de Fagner (rsrs). 

 

No DVD de Waldonys, integração de virtuosidades instrumentais e de voz: Renato Borghetti, Fausto Nilo, Tânia Alves e até letra de Música de Ministro César Asfor, em música de Peninha, ali lançada.

 

 Nele, Waldonys inclui a música de Carlito Matos, na festa do Teatro José de Alencar presente.  Tem ela, a letra a seguir:

 

 

ANDANDO E VIVENDO

 

O menino que cresceu e eu nem percebi

no espelho, estampado, como envelheci.

Mas o coração é leve.

É pluma no ar, enfrentando os perigos desse verbo amar.

Continuo a correr no meu cavalo-de-pau.

Ora salvando a mocinha,

ora perdendo pro mal.

Me enganando com o instante de rasgar meu manto,

pois não há momento certo para quem caminha tanto.

A outras face no tapa, sai ali, sai ali e escapa da mesmice do sempre.

Meu pensamento é tão vivo, me leva e me traz.

Me acena com o mais longe.

Me dá um tempo a mais

pra não aceitar a vida do jeito que o fulano diz.

Olha, pelas minhas contas, ainda não fui feliz!

 

 

Na quinta linha, sob o rótulo dedicatória, Carlito faz menção “À poeta Dalinha Catunda, da nossa Ipueiras, E, em autógrafo: “Ao ilustre Prof. Marcondes Rosa, com o apreço de Carlito Matos. Nov/2007).

 

O outro CD intitula-se “Alguém que sonha e canta”, em cuja capa, manuscrito, lê-se o poema:

 

ALGUÉM QUE SONHA E CANTA

Carlito Matos

 

Na cauda desse sonho eu vou voar!

Viajar pelo desejo de cantar

A hora, o dia, a noite e o que se faz

Bonito pra cangar. Bonito pra cantas!

 

O meu profundo é claro em meu olhar

Se eu tenho a minha alma pra enxergar

Vestígios, evidências pelo ar

De rumos e sinais. De rumos e sinais!

 

Vou seguindo o passarinho

Que ele pode me ensinar

O País dos andarilhos

Que não param de voar!

 

Voar! Voar! Voar!

Voar! Voar! Voar!

 

 

 

 

***

 

Estarei lá para rever Carlito e Waldonys (pedindo desculpas ao astro e orgulhar-me por, de alguma forma, partilhar de sua biografia...)

 

Repasso a todos, o convite abaixo:

 

Queridos Marcondes Rosa e Solange,

 

Ficarei muito feliz em tê-los no lançamento do meu terceiro CD e de uma coletânea dos anteriores discos. Será no Centro de Cultura Oboé, terça-feira,dia 27/11/2007, às 19:30hs.

 

A entrada é gratuita. Levem a família inteira e os amigos.

 

Waldonys estará por lá também, cantando comigo.

 

Um grande abraço do Carlito.

 

 


 

Cenas com ipueirenses e família após a Medalha

 

 

Do Presidente da Assembléia Legislativa do Estado do Ceará, Deputado Domingos Filho, chega-me convite para, às quinze horas do dia três de dezembro de 2007, no Plenário 13 de maio, fazer-me presente à concessão da Medalha do Mérito Parlamentar João Otávio Lobo ao educador Lauro de Oliveira Lima, por proposição do Deputado Artur Bruno (PT), em  conformidade com a Resolução n. 51, de 21 de novembro de 1979, modificado pela Resolução no. 359, de 29 de julho de 1995.

 

Para mim, agraciado em 2003 com a Medalha Otávio Lobo, honra-me participar da mesma galeria ora integrada por educador do porte de Lauro de Oliveira Lima.

 

Na ocasião, consultado previamente, afirmei aceitar tal honra não como o fechamento de uma carreira, mas, sobretudo, como o sinal da educação como um pacto plural entre nós.  E, abaixo – vejam - o artigo que em 29.10.2003, que, em linguagem de crônica jornalística, diz um pouco do clima de “pacto plural”, o de “compor dissonâncias”, tornou-se símbolo, então, em nossa educação:

 

 

  

JATOBÁ, O ARQUÉTIPO

 

        

Marcondes Rosa de Sousa

 

 O Povo, 29. 10. 2003

 

 

 

Tocou-me a Medalha João Otávio Lobo, conferida pela Assembléia Le­gislativa "ao educador de maior projeção no Estado". E, mais fundo, tocou-me (confesso), por evocar Santa Quitéria, terra natal de Otávio Lobo e minha - a paisagem que me ficou de um Ceará solipsista, a buscar, construtivo, o gregário: na amplidão da caatinga, a rês. Atrás dela, o vaqueiro. Entre os dois, só Deus e a solidão, sedenta do solidário. Cena outra que me ficou da in­fância, em Ipueiras, na mesma aridez: nas cheias do Jatobá, os álacres banhos da meninada. Bai­xadas as águas, as poças. Enfim, o leito seco, onde a pobreza planta­va cacimbas, cercas e cadeados.

 

 

Cercas e cheias (o solitário e o solidário) marcaram-me a vida, a educação aí alavanca a superar a tensão. Nisso, emocionaram-me os proponentes da comenda, Val­domiro Távora e Artur Bruno, ao extrair, de minha história, a voca­ção do "compor dissonâncias", bem expressivas ali na solenida­de - índios, educadores, concida­dãos (no rol, os honorários de Quixeramobim), amigos, Marias e Rosas, partidos vários. Medalha ao peito, vi-me ícone, que, eleva­do ao pódio, dá-se conta dos pés de barro. Mas, pleno do coletivo plural, é sinal de um grande projeto, factível se acordado na "água grande".

 

 

E aí, num misto do velho Y- Juca Pirama e menino de novo, às mar­gens do Jatobá (então elevado a ar­quétipo de nós cearenses), revive­rei as cenas outrora sonhadas: as cheias de volta, a sepultar águas pequenas, cacimbas e cercas de nossa solidão, atraso e miséria!

 

 

Marcondes Rosa de Sousa é professor da Universidade Federal do Ceará (UFC) e da Universidade Estadual do Ceará (UECe). membro do Instituto Teotônio Vilela-CE

 

 

 

 

 

A amortalhada (Dalinha Catunda)

11:23 @ 25/11/2007

 

 

A AMORTALHADA

 

Dalinha Catunda


Amedrontando crianças e deixando adultos menos corajosos de cabelo em pé, por muito tempo se viu e ouviu falar da figura dos amortalhados, principalmente no interior nordestino.

 

Por trás de cada mortalha vestida, havia, com certeza, uma história forte de culpas e pecados a serem reparados. Assim sendo a mortalha fazia parte do ritual de expiação aplicado ao grande pecador.

 

Contam que certa vez, uma linda moça, porém muito Jovem, queria ir a uma festa. Mas pela pouca idade só poderia ir acompanhada dos pais. Sendo filha de uma pobre viúva, pai ela não tinha. A mãe, no momento adoentada, não poderia acompanha-la a tão desejada festa.

 

A jovem descontrolada num ímpeto de raiva e loucura, como se tivesse possuída pelo demônio, deu uma surra na pobre viúva que ficou prostrada durante muitos dias.

 

Vendo o sofrimento da mãe, não demorou muito tempo, bateu o arrependimento na filha desnaturada. Tentando acabar com o remorso que lhe doía na alma foi até a igreja e contou tudo ao padre em confissão.

 

O padre, após ouvir atentamente o relato absurdo da jovem, aplicou-lhe a penitência merecida: Durante cinco anos a filha desalmada, teria de perambular pelas ruas, becos e estradas vestida numa mortalha, e toda vez que passasse em cemitérios e igrejas teria de parar para rezar um rosário.

 

A jovem cumpriu religiosamente sua penitência fazendo assim as pazes com Deus e obtendo o perdão de sua mãe.Agora ela poderia ir a festa tão sonhada que acontecia todos os anos. Sua mãe gozava de boa saúde, ela já tinha idade suficiente para freqüentar as festas e tinha expiado sua culpa.

 

Bem vestida, foi ao baile, mas não teve um cristão que a tirasse para dançar, pois ninguém queria dançar com uma moça que no passado vestia-se com mortalha.