Grupos

 

 

IPUEIRAS:

124 ANOS DE EMANCIPAÇÃO

 

Dalinha Catunda

 

Ipueiras  não mediu esforços para as comemorações dos 124 anos de emancipação política do município. Ipueirenses que moram fora fizeram o caminho de volta para participarem das comemorações.  Dia 24-10-07 aconteceu na praça da matriz o primeiro encontro de Bandas de música de Ipueiras. Num clima de alegria encontrei Terezinha do seu Tim, Elisa Mourão, Zequinha Bento e Miraugusta. A praça estava repleta e animação não faltava. Dia 25-10-07 acordei cedo para participar na Vox FM do programa Rádio Café, onde Zequinha Bento antes havia participado. Da sacada da rádio assisti à queima de fogos feita pelo prefeito Neném do Cazuza.

 

Meu compromisso seguinte foi acompanhar a entrega do Prêmio Frota Neto de Literatura. Lá encontrei Ruth Frota, Alice Paiva, Adelaide e Miraugusta,  que no passado foram minhas professoras.

 

Estive com Corrinha do Guarani, Tereza Mourão, Elisa, Ivaneuda e inúmeras pessoas que dificilmente saberia citar todas. Todos lamentavam a ausência de Frota Neto, que pela primeira vez não participou do evento para o desencanto de quem o esperava. Em seguida, boa parte dos que prestigiaram o Prêmio Frota Neto de Literatura, foram ao Clube local para sessão solene de apresentação dos Símbolos Municipais. Houve ainda: corrida de bicicleta, atletismo, partida de futebol, porém guardei minhas energias para curtir as bandas de forró na antiga praça Getúlio Vargas.

 

Participei ainda de dois eventos especiais: O primeiro, dia 24-10-07 na Biblioteca Bartolomeu José Gomes, que expôs trabalhos de vários talentos da cidade como: pintores, poetas, escritores, cordelistas e muitos deles lá estiveram a conversar com estudantes que também prestigiaram o acontecimento. O segundo foi uma homenagem do Instituto Bia Rizzo aos escritores e poetas da terra. Alunos declamaram  poesias dos presentes e ausentes além de apresentarem a biografia de cada homenageado.

 

Preciso falar que antes de tudo isso, encontrei, depois de muito procurar, nosso amigo Raimundo Nonato, que saindo de Brasília encontrou o caminho das Ipueiras.

 

Meu abraço a todos e certamente Zequinha Bento completará o que por ventura eu esquecido.

 

SAINDO DA LETARGIA

Zequinha Bento

 

 

Dalinha, não poderia eu deixar de complementar alguns tópicos de seu relato, até mesmo porque, conforme lhe prometi, desejo sair desta letargia que contagiou boa parte de nosso grupo.

 

Realmente a nossa terra se engalanou mais uma vez nesta festa do município. Cidade limpa, alegria estampada em todos os nossos conterrâneos, demonstrando satisfação  em nos rever. Nós que há muito estamos fisicamente separados deles.

 

Acredite. Temos hoje, em Ipueiras, um das mais afinadas bandas de música de nosso Ceará. Ao ouvi-la, aumenta o nosso orgulho de ser ipueirenses. De contarmos com um prefeito, na pessoa de Neném do Cazuza, que tem servido de  exemplo a todos os administradores dos municípios da região. Espantei-me com o progresso de terrinha. É gostoso ver o aumento de construções de casas, principalmente as mansões próximas ao açude. Abertura de novas ruas. O moderno passeio de 1 quilômetro margeando o açude, onde sempre vamos encontrar pessoas fazendo caminhadas. A entrada da cidade pela Estação, está linda. O prédio da antiga  estação ferroviária está uma beleza.

 

Não poderia deixar de comentar sobre a coqueluche do momento (é o noooooovo!). A  Vox FM. Fui entrevistado pelo Toni, quando tive a oportunidade de confirmar a passagem por Ipueiras do Luiz Gonzaga, o Rei do Baião, já que, segundo palavras do próprio Toni, ele que  tem um programa onde ralata causos sertanejos, teve a oportunidade, de ler o meu artigo onde eu conto a passagem do Rei por nossa terra, e, que  algumas pessoas contestaram a veracidade de tal fato. Desejo que os incrédulos tenham aceitado o meu testemunho e saibam que, aos vinte e seis dias de mês de junho de mil novecentos e sessenta e seis, Luiz Gonzaga, o Rei do Baião, cantou em Ipueiras.  

 

 Onde era que o  nosso Raimundo Nonato estava escondido? O Fernando, meu irmão me falou que realmente o Nonato estivera recentemente em nossa terra. Você teve mais sorte do que eu, em encontrá-lo. Não sei se você se encontrou com o Braga. Eu falei com ele antes do início da entrega do Prêmio Frota Neto, lá mesmo no Centro Cultural. Convidei-o para participar. Ele, porém, alegou não estar devidamente trajado para o evento. Lamentei não termos nos encontrado, posteriormente.

 

O Neto, antes de nossa viagem de volta, entregou-me vários CDs  com os hinos de Ipueiras, do Estado do Ceará e do Brasil, executados pela nossa magnífica Banda de Música, e também vários exemplares do jornal do município. Aproveitei a passagem da Teresinha Mourão por Fortaleza e entreguei a ela  alguns para que fossem distribuídos  em Brasília.Tenho comigo ainda dois CDs. Um, para o Tadeu e o outro para o Marcondes. Espero que ele tenha lhe entregue os seus.

 

Conforme lhe prometi, vou voltar a participar mais, assiduamente. A Dêga envia um forte abraço. Li e muito e me diverti ao ler  ROSA APAVORADA.

 

Um abraço do primo

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

ESTARIA EU

ME METENDO DEMAIS?

 

(CARTA A ZEQUINHA E AO GRUPO)

 

 

Marcondes Rosa de Sousa

 

 

Parabéns, Zequinha, pelo relato.  Já estava, eu, em meus surtos de depressão (que espero já em seu final), ingressando num clima e ritmo de despedida do Grupo.  Na verdade, com minha sede do amanhã, que inclui ler o passado e presente como batentes para o futuro, já havia tentado seduzir o grupo para discussão. Em vão. Em resposta, nada de retorno vinha obtendo às minhas insistentes provocações do inerte grupo Ipueiras. Até mesmo Nonato, loquaz na crítica aos nossos políticos, antes quase vigia do “sítio” quando todos se afastavam, havia desaparecido, deixando-nos apenas um aviso eletrônico, em resposta às nossas mensagens.  Aí, concluí: estou literalmente só.  Cheguei mesmo a pensar que, após minha ida última a Ipueiras, quando estive, em reunião com o Prefeito Nenen do Cazuza, que eu talvez, considerado “estrangeiro”, ali não nascido apenas, e, como tal, estaria me metendo demais ...

 

 

HERANÇA TABAJARA?

 

Foi aí que, evocando meus relacionamentos com os índios, lembrei-me da lição que eles mesmos me deram: a característica sua da desconfiança nos estranhos.  Os relatos, mesmo os de Dalinha, não me falam das impressões dos que foram para o aniversário da cidade.  O seu – parabéns! – é o primeiro.  Fiquei a indagar de Tereza Mourão, o que dera eu como já certo, sobre algo em homenagem ao Gerardo Melo Mourão e nossos ícones humanos... Não ouvi menção alguma sobre o livro ou qualquer homenagem...

 

De Ipueiras e suas festividades, fui, sim, abordado, por volta do meio dia, no dia do aniversário, por telefonema da Rádio Vox.  Enquanto ouvi o final de entrevista com a última entrevistada, que não identifiquei, aproveitei a deixa, sobre os símbolos dos quais se falara em cerimônia na prefeitura, e, dando os parabéns ao que chamei de uma Ipueiras “adolescente histórica”, aproveitei para unir os pontos entre presente e passado, de olhos, porém, no futuro.  De mim, pus ênfase, nos sonhos de Nagib Melo, o “ipueirense pai-dégua” a sonhar com “a grande metrópole” entre Ipueiras e Ipu. Aí lá fui eu para o papel e importância dos símbolos, sobretudo, do que chamamos dos “ícones” (naturais, culturais, humanos enfim). E prestei minha homenagem a todos, Gerardo Mello Mourão, acima de todos, símbolos desse abraço entre o local e o global e, sobretudo, da conciliação e da paz, herdade que nos legaram os tabajaras, a atender o convite de Iracema: “Quebras comigo a flecha do arco da paz?” 

 

Em minha fala, que foi rápida, nominei professores como os grandes ícones esquecidos dessa tarefa.  De mim, a pagar tributo pelos que foram responsáveis pela minha educação, mencionei alguns: Dona Diana, Isa Catunda, Dona Ester - com sua palmatória, em mim deixada apenas em  uma histórica dúzia de bolos, demonstrativos, que me serviram para a paz entre Gerardo e a nova geração de políticos no Ceará e em nossas instituições (Tasso, sobretudo) - sem me esquecer de Dona Mundita, Seu Dario, Nenen Matos e muitos outros.

 

TRIBUTO A PAGAR PELO QUE SOMOS

 

Como aqui narrei, fomos, Solange e eu (outros convidados não tiveram condições de lá estar) até o IPHAN com vistas ao processo de tombamento dos nossos ícones (Cristo, estação, Otacilândia, pingas, Igreja da Matriz, entre outros).  Lá, abrimos espaço e perspectivas, para uma ação conjunta dos governos municipal, estadual e federal, como expressão do sentimento coletivo do povo.  De forma alguma, gostaria de não ser mal interpretado.  Apesar de um “ex isso ou aquilo” (título de meu último artigo), gozo, no âmbito dos políticos (de forma suprapartidária até), de um histórico respeito como intelectual. Mas jamais usei desse “respeito” (muito pela minha função de professor e administrador universitário), para interesses menores (é o que marca, felizmente, minha história-de-vida).  Não tenho quaisquer interesses mais ... prosaicos e pessoais nessa história.  Em Ipueiras, já não tenho parentes nem bens, ora passados, por força de convênio com o Banco Mundial, para uma experiência comunitária. No mais, o que nos levaria a ajudar (a Walmir, Solange e eu) é apenas a força do tributo a pagar pelo que somos...

 

 

CHAPÉU DE COURO DE IPUEIRAS

NA CABEÇA DE NAPOLEÃO BONAPARTE

 

O relato de Zequinha dá-me o que pensar: o quanto Ipueiras não apenas se esquece de seu passado, pouco aposta em sua força e futuro, desconhece que, ipueirenses, como Frota Neto e nós outros por aí a fora (na Alemanha e no mundo, como a Darci do “Seu” Camaral”), continuam ligados à terra, onde não apenas deixaram seus “ícones” mas gostariam de pagar o tributo pelo que hoje são.  Os “ícones”, pois, têm função de crença na potencialidade dos que ali nasceram. Imaginem vocês é que poderá ser, numa escolinha, crianças saberem que um chapéu de couro, feito em Ipueiras, um dia – sabe-se lá como chegou até lá! – ornou a cabeça de Napoleão Bonaparte, a estender seu império por toda a Europa.  Exagero? Veja, no livro A saga de Gerardo: um Mello Mourão:

 

 

“... A chuva caíra toda a noite sobre

a cidade de Bruxelas e as lomas

e o campo de Waterloo

e ele ia de barraca em barraca e os

olhos

dos guerreiros da Velha Guada cruzavam

em lâminas os olhos

do General Empereur

e a chuva desabava

o chapéu de Austerlitz em Waterloo:

- ‘le soleil d’Austerlitz, Bertand’ –

-“um drôle de chapéu, mon Empereur –

-C’est Ceará, Brésial:

 

e um chapéu de couro

do país dos Mourões

cobriu naquele dia

a cabeça e o destino da Europa”

 

 

 

Os “ícones”, mais importante que fatos e coisas, são horizonte. E é a saga de um povo que nos dá a identidade.  Foi isso, a bem da verdade, o que vi e queixa que ouvi, dos antigos, em Ipueiras. Uma juventude de moto, sem capacetes, alouradas jovens, nas ruas e estradas, pela madrugada, sem passado ou amanhã, a mostrar o rego das bundas e seios desnudos a balançar...

 

 

SOBRE O PREFEITO

QUEIXAS E LOAS

 

Concordo, sobre o Prefeito, de apelido infantil, olhos sobre o amanhã.  Dos mais populistas, ouvi queixas com relação a distâncias e sofisticação, a não repetir ele a cartilha da dominação coronelista e clientelista de outrora.  De Francini Guedes, presidente do PSDB estadual, ouvi loas, no entanto, a ele.  Do presidente do Sindicato dos Ruralistas, de igual forma, a ratificação da visão de Francici Guedes.  O mesmo, de amigos meus ora a compor o Partido de Ciro.

 

SOU DO TEMPO DA

ESCRITA MAIS SÓLIDA

 

Espero, de Zequinha, o material prometido. Mais ainda, que divulgue seu exemplo (o do relato) a outros tantos.  A seguir, irei até o Blog do Grupo Ipueiras, até onde poucos vão, perdidos nos msgs da vida, sem atentar para textos mais densos (não vai crítica alguma).  É que sou do tempo das idéias e da escrita mais sólida. E, o quanto possível, quero deixar tais depoimentos registrados para o amanhã, aproveitáveis, o quanto possível, em nossa escola.

 

Na Assembléia Legislativa, semana passada, sentindo-me homenageado, abri o verbo, contei histórias, sem falsa modéstia.  Histórias que permitiram, no Ceará e no País, novas posturas de nossa educação. Falatórios e cenas como a coragem para a inovação, o que teria levado, como presidente do Fórum dos Conselhos Estaduais de Educação, a pecha de “anomista” (anárquico, para outros), e a afirmação de alguns, em São Paulo, que eu deveria era estar na cadeia.  Nesse sentido, fui, certa feita, procurado pelo Revista “Isto É”, que, após conversar comigo, pediu-me desculpas.  As “loucuras” de Ariosto Holanda, com seus Centecs e CVTs, me levaram a gestos mais corajosos, no sentido de implantá-los. 

 

MUITOS OS QUE PODEM

AJUDAR IPUEIRAS

EM SUA CAMINHADA HISTÓRICA

 

Mais do que eu, Ipueiras tem, entre seus filhos - sou apenas “filho adotivo” (rsrs) – quem possa ajudar seu povo em sua caminhada histórica.  Frota Neto, Renato, irmãos e irmãs, os Mourões e os que, no Oásis, se reúnem, a cada ano, a construir pontes entre o passado e o futuro, irmanados pelo agora.  Não sei se Assembléia Legislativa (nos 39 anos da UVA) ou na FIEC, onde, Teodoro Presidente, tomei posse no Conselho Administrativo do Projeto Rondon/Ce, a jornalista Silvana Frota disse-me qualquer coisa sobre a ausência de Frota Neto em Ipueiras, nestes últimos dias. Muita gente ao redor, tive a impressão de que teria ele se ressentido com a falta de apoio à ação do Instituto Frota Neto.

 

 

GERAÇÃO TIGRESA

E PROJETO RONDON

 

 

No coquetel, muitos reencontros. É que, por duas vezes, fui pró-reitor de extensão da UFC e, apenar de, no dizer de Caetano Veloso, ao se referir à sua Tigresa (a real, conversei com ela, desgrenhada, no Teatro José de Alencar) “falava de política em 1966” e, após, nos anos 70, haver dançado nos “frenetic dancing days do arbítrio”, vi, no Projeto Rondon, a saída para o diálogo entre o saber do mundo acadêmico e do popular, num clima de integração da multiculturalidade de nosso povo. 

 

À época, apaixonei-me pela “ação comunitária” por todo o Estado. E, na Amazônia, pelo Projeto Rondon a levar estudantes da UFC, para as selvas.  Um dia, do legendário Chico Mendes, provocamos exacerbados ciúmes.  Numa avaliação, indagamos sobre o papel da UFC, no projeto. Chico Mendes foi direto: ‘Prof. Marcondes, o que posso dizer é: UFC, 10; a Federal do Acre, ZERO!”. 

 

Logo depois, a notícia. Filho do delegado federal da polícia federal, em suas “brincadeiras”, havia posto veneno na água, guardada na geladeira, da residência em que ficavam os alunos da UFC.  Tivemos de mandar buscar de volta e pela via de passagens em aviões de carreira (não da FAB) os nossos alunos.

 

Mas, no papo com o Coronel Pasquali, fiz-lhe a confidência.  É que, há algum tempo atrás, ouvi na UFC, o elogio, por um professor da medicina: “Você sabia, Marcondes, que você e eu somos os responsáveis pelo acolhimento dos subversivos por via da extensão e, sobretudo, do Projeto Rondon?”  Tive de admitir que era verdade.  E a Pasquali contei o fato de defesa, após reunião em São Paulo, que me pediram integrantes de petistas que se disseram terem eles optado pelo “PT Matuto” – que resolveram ir para o interior.  E só eu poderia fazer-lhes a defesa.  E eu, no artigo, confessando-me tucano emplumado, terminei por defender a visão à frente de um PT matuto.  Só que, dessa geração, muitos deles, resolveram hoje, optar pelos que se envolveram no “escândalo dos dólares na cueca”, mensalões e coisas do gênero (rsrs)...

 

 

DOWER, A DOR QUE ME FICOU...

 

Em seu discurso, na Fiec, onde o governador Cid Gomes se fez representar pelo vice-governador, o professor Pinheiro, com quem convivi muito na UFC, o Coronel Pasquali citou-nos o depoimento de Pinheiro, quando no Rondon. Um depoimento sobre visão real e multicultural do País. Isso, conversávamos depois no coquetel, quando lhe citei o caso, que me emocionou de ex-aluno meu, no Colégio Militar de Fortaleza. Um dia, em reunião com os pais, o pai de Dower Cavalcanti  narrou fato que o estava preocupando. O filho, impressionado com as aulas minhas sobre o romantismo, queria abandonar tudo e ir viver na floresta. E, aí, a queixa de idéias subversivas que o então jovem professor Marcondes Rosa estaria botando na cabeça dele.

 

Os tempos passam.  Na UFC, dou com Dower, um dos líderes mais radicais da esquerda, contra a candidatura do Prof. Albuquerque Sousa Filho, hoje na alta administração do Projeto Rondon/Ce.  Apoiei Albuquerque e não, como era esperado, Raimundo Holanda

 

Nomeado Albuquerque.  Reação da esquerda, impedindo a posse do “interventor”. Ovos jogados até contra Dona Luíza Távora.  De beca acadêmica, senti que o único a escapar do “ovacionamento” fui eu.  Após a traumática e triste cena, jantar. Pedem-me que fale. Proponho que, dia seguinte, em minha casa, nos reunamos., quando a reitoria da UFC havia-se ocupado... Longa história. Mas, como estratégia, proponho o gradual esquecimento do fato e a reconquista das forças mais atuantes.  

 

Conversa com Dower, um dos líderes, foi estratégia minha. Decido-me a conversar com ele, o mais radical. E, após, termino por levá-lo a Albuquerque, deixando os dois a sós... Dower aceita assessorar-me, nos programas de extensão.

 

Um dia, Dower, médico, preocupado com minha saúde, telefona-me à noite, dizendo haver marcado com médico, consulta minha. Voz triste, achei aquele telefonema estranho.  Às cinco da manhã, telefonema. Dower havia tido um acidente cardiovascular.  Do ramo, pergunto em que hospital. A resposta: “São João Batista...”  Só às sete, é que acordo para o fato de que “São João Batista” era o ... cemitério.

 

 Os anos passam.  Quando, o Dr. Elias Boutala Salomão, em nostálgica reunião, na UFC, sobre extensão rural e Projeto Rondon, toca em Dower e seu papel na região, diz Boutala: “A esquerda cearense, quase toda, passou pelo Marcondes e por mim”. Chego-me a ele. Falo de Dower, ali lembrado. Pergunto-lhe sobre a causa mortis. Ele, a meu ouvido, diz: “Eu dei o laudo. Não gostaria que toda uma luta e uma carreira fossem enodoadas”.  Fiquei triste. Já ouvira depoimento de colegas e amigos seus sobre suicídio.

 

Ficou-me, porém, um sentimento de culpa. Mais do que isso, o tributo a pagar... E o papel da extensão e do Projeto Rondon, hoje uma ONG, na conscientização dos estudantes universitários. Mais ainda, é minha tese, no processo de interiorização de nossas universidades.  Sobretudo, se assumirmos a consciência hodierna da “responsabilidade social”, a postular-se, além da fiscal, uma necessária e urgente lei.  Na Fiec, já conseguimos, pelo menos simbolicamente, a feição moderna da indústria, que não se resume à das chaminés.  A do conhecimento hoje é mais importante. Jorge Parente, por sugestão minha, admitiu que nossas instituições de ensino superior tivessem o status de “indústrias do conhecimento”.

 

 

JUNTANDO HEGEMONIA EM CACOS...

 

Toda essa história para o desenho do papel a que me proponho.  Num plano mais alto, batalho (e toda minha história vai nessa direção) por rejuntar, sobretudo no Ceará, as “hegemonias em cacos” de nossa política. Convivi com todos. Tenho a consciência de que o Ceará só foi para diante com experiências como “a União pelo Ceará”, “o Projeto das Mudanças” e semelhantes.  Confessou-me Sérgio Machado que o Projeto das Mudanças (surpresa para mim) teve dois grandes incentivos: a) o Jornal do Brasil; b) e pasmem ... o Coronel  Virgílio Távora

 

SEM O REJUNTAR CACOS

ESTAREI FORA!

 

Agora, mais do que nunca, aí estão nossos projetos ... “em cacos”.  Se cada um, mesmo os prefeitos, pensar em seus votos apenas, em seu patrimônio pessoal e apenas em coisas assim, estarei fora! 

 

No PSDB fui do alto comando nacional. E, no Estado, caí (no tempo de Lúcio Alcântara) ao mais prosaico chão (eu mesmo pedi).  Várias vezes, recentemente, fui ouvido, como do último encontro em que, de alguma forma, silente, dei a pauta.  Mais recentemente, dei a idéia – após, emocionado, ter assistido, em reunião sobre a Região, no Banco do Nordeste (Passaré) para proceder amplo debate sobre o filme que, hoje, inicia circuito comercial no País, a partir de Fortaleza.  Só fiquei chateado porque Rosa Furtado (viúva de Celso) pedira a Violeta Arraes (amiga do casal) para que eu me envolvesse na estratégia.  Concordei.  O diretor ficou de telefonar para mim. Dias atrás, prof. Mariani, o diretor, enviou-me, programado pelo BNB já toda a programação fechada a partir de hoje (2 de novembro), depois de um período, em Salvador.  Telefonei para o Banco, que nos prometeu programação com universidades, instituições educacionais e políticas.  Celso, afinal, foi guru de todos nós. 

 

 

QUESTÕES ETICA,

DA VISÃO FEMININA,

DA EMOÇÃO E

DA TRANSCENDÊNCIA

 

 

Outra coisa interessante, para a qual revelei-me preocupado.  Tasso propõe democratização real de nossos partidos.  E pediu que me ouvissem o que fazer, com relação à consciência de nossos municípios e prefeitos, sobre “ética”.  Eu aceitei, junto com outros intelectuais de renome, ser o primeiro nome do “Conselho de Ética e Disciplina” do PSDB de Fortaleza (movimento a se iniciar pelos municípios).   Só que, por telefone, a primeira idéia que me passou foi envolver as religiões de maior credibilidade na formação dessa consciência.  É que, entre nós, ética é coisa que Brizola confundia com o duplo moralismo que nos levou a coisa nenhuma: a da UDN – a que chamava “de tamancos”, o PT (que caiu no conto de Maquiavel e Zé Dirceu); e a de “salto altos”, o PSDB, que também não foi muito longe.  Nas conversas por telefone fiz um relato das idéias que havia, crítico, dado para o encontro nacional aqui.

 

Propus, nestes tempos das chamadas “inteligências múltiplas”, dois valores que, sempre, reclamei no PSDB: a emoção e a  visão/sentimento femininos. Isso, um dia, reclamei, em Belo Horizonte, onde em reunião do Instituto Teotônio Vilella (onde eu era presidente estadual e membro do Diretório Nacional do Partido), dei com, apenas, duas mulheres: Yeda Crúcius e Marisa Serrano, então deputadas federais.  Ao entrar, à noite, após coquetel de abertura, no elevador, chegada ao hotel, vinda do aeroporto, com Yeda (hoje a governar o RS).  Tendo estado com ela, em encontro, em Brasília, sobre a globalização, quando não entendi nada (confessei-lhe, ela a querer, com Lúcio Alcântara, que eu coordenasse debate sobre a dissolução da União Soviética...), aproveitei a oportunidade para, em minha expressão (brincando, claro) ali, sozinhos no elavador, dar-lhe duas ... “cantadas”. 

 

A primeira, pela visão dela, como economista, keynesiana (ela agradeceu e confessou que sim).  A segunda, como “mulher”.  Ela abriu, curiosa, os olhos. Tranqüilizei-a, ante o “que que é isso?”  Falava eu do agir e sentir como mulher, sob a força da visão feminina e da emoção.  Ela gostou. E, chegando o elevador ao andar dela, ela, a sorrir, me perguntou: “Você, amanhã, na reunião, vai falar sobre essa cantada?” E eu: “Não!” E ela: “Posso contar?” E eu: “acha importante?”. Ela: “fundamental. É o que, há muito, é nosso sentimento, o das mulheres”.

 

 

WALDONYS E

VOZES DA SECA

 

       

        No último encontro do PSDB nacional aqui, dei algumas idéias sobre a pauta, que foi rigorosamente (para além do que eu esperava) seguida.  As senadoras e estudantes até, mulheres, brilharam. Uma freira, de mais de 80 anos, emocionou a todos.  Um sanfoneiro, ao puxar o Hino Nacional Brasileiro sob forte impulso de toada nordestino, arrancou “mãos dadas” e emoções.  Tasso citou Zé Dantas, médico, em seus antológicos versos “Mas, doutor, uma esmola, para um homem que é são, ou lhe mata de vergonha, ou vicia o cidadão”.  Serra, pediu que ele recitasse.  Disse não conhecer os versos de mais de meio século. Tasso, descontraído, brincou: “É música nordestina. Se fosse italiana, como paulista, você conheceria”.

 

        Ao final, pedi aos organizadores que, no lançamento do livro de Dona Lila, a mulher de Covas, o sanfoneiro tocasse “Vozes da Seca”.  Ela, afinal, veio falar comigo. Cantarolei.  Ele, na sanfona, concluiu: “Pode deixar comigo!”  E eu, duvidoso, indaguei: “Você sabe mesmo?”.  Alguém, do meu lado, sem jeito, me avisou: “Professor, esse é o ... Waldonys, de fama internacional!”

 

        Em casa, diretora da Rádio Universitária em meu tempo estranhou: “Não te lembras de Waldonys? Lá estavas, àquela época, quando Dominguinhos lhe chamou e disse que aquele menino iria longe. Que desse apoio a ele.  Onde é que você está com a cabeça?”

 

        TRANSCENDÊNCIA NO QUADRO

         DAS INTELIGÊNCIAS MÚLTIPLAS

 

Tenho lido muito, na condição de educador, sobre as “inteligências múltiplas”. Mas, sobre a transcendente (ou a da espirituralidade), confesso-lhes ainda me considero leigo.  Na presidência do CEC e do Fórum dos CEEs do País, senti que, sobre a educação religiosa nas escolas, o CNE de educação, após fracassadas reuniões em Brasília, jogaram o problema em minhas costas. Pedi a Dom Benedito, à época na direção regional da CNBB, que me ajudasse. Mas, em reunião entre as correntes da própria Igreja Católica, deu briga. Aí, o conselho que me deu Dom Benedito: “Marcondes, sou colega seu na Universidade, conheço-o bem. Leve a reunião entre as religiões para o Conselho, que vai dar certo.

 

E deu. Não tive outro jeito. Confessei-me (a)teu. E, não sei o que fiz que consegui até ajuda da Igreja Universal, que era contra o artigo da LDB...

 

Neste grupo, é explícita a posição de Tereza Mourão com relação ao espiritualidade (e o espiritismo).  Jean Kleber, para mim, é um dos partidários das diversas feições da ciência, do pensamento e das inteligências e já me enviou até literatura idônea sobre a temática.

 

Na paisagem urbana e social de Ipueiras, vi forte presença desse mosaico transcendente. Talvez fosse interessante que usássemos nossos blogs e grupos para pensar um pouco sobre os diversos tipos de inteligência, a escola e a nossa sociedade.

 

Aberto, pois, o espaço.

 

 

 

 

HISTÓRIA E CULTURA

 

Grupo Ipueiras, 4 de novembro de 2007

 

Tadeu Fontenele a Marcondes Rosa

 

 

Entendo como providencial o questionamento que fizeram ao Zequinha Bento, recentemente em Ipueiras, por ocasião de uma entrevista que ele deu na Radio FOX FM, sobre a vinda de Luiz Gonzaga a Ipueiras, em 1966. É certo que já decorreram 41 anos. Os jovens que podem questionar o ocorrido, possivelmente não tiveram dos seus pais, que presenciaram o evento, as informações. Também, não contávamos na cidade com o Instituto Frota Neto nem com a Biblioteca Bartolomeu Gomes.

 

Agora é oportuno que os registros que o Zequinha Bento tem (o livro autografado pelo Rei do Baião, que conta sua vida de cancioneiro) sejam disponibilizados em cópia nessas duas casas de cultura ipueirense. Como também os livros (todos) escritos por Gerardo Mello Mourão, que ensejarão a todos os jovens atuais e os jovens a bastante tempo, de Ipueiras, conhecerem toda a narração história do nosso poeta maior, com ênfase em Ipueiras, incluindo o episódio do chapéu de couro, que, fabricado na Ipueira Grande, foi  parar na cabeça do Imperador francês Napoleão Bonaparte. Para isso, contamos que o saudável hábito da leitura volte a imperar entre os ipueirenses.

 

Motivos não faltam para isso. Este grupo tem dado mostras para todos os ipueirenses de que o caminho é por aí. Os freqüentes artigos de Marcondes, publicados em jornais e aqui inseridos, .as poesias e contos da Dalinha, as citações de Jean Kleber, as participações dos componentes do grupo com suas mensagens de assuntos os mais variados, tudo isso é cultura, tudo isso é informação para ampliarmos nossos conhecimentos.

 

Agradecendo sua tempestiva resposta sobre o episódio do chapéu de couro, louvo, mais uma vez, sua incessante preocupação de que Ipueiras se identifique para o mundo através da instrução e cultura.

 

 

LUCIDEZ E PROFUNDIDADE DA ANÁLISE

 

 

 Marcondes Rosa a Tadeu Fontenele

 

 

Brilhante, Tadeu!  Suas considerações apontam para o papel fundamental da educação – a formal e a não-formal, com ênfase numa saudável política cultural e de leitura.  Sem ela, a educação sob essa perspectiva, não existe a “identidade cultural”.  Somos reses sem origem, sem agora e sem destino. E, o que é pior, sem valor de espécie alguma.  Dentro dessa perspectiva, a força e o papel das instituições culturais, e o valor que cada um de nós temos como extensão e produto dos ícones históricos que nos fizeram e que faz.

 

Essa, a queixa que poderiam ter os que, nesse plano formal e mais amplo da educação, hão de ter de todos os que formaram os Gerardos, os produtores do chapéu de couro na cabeça de Napoleão, e a nós todos que temos uma responsabilidade pelos que lá ficaram.  Sim, Frota Neto desempenha papel importante.  Mas há uma cadeia histórica.  E, um dia, cheguei a entender a importância de Dona Ester, de Isa, de Dona Diana, de Dona Inezita, Dona Mundita, Neném Mattos e tantos quantos nos fizeram a nós.

 

Seu texto, “Histórica e Cultura”, pela lucidez e profundidade da análise, figurará no Blog, para que, atraídos pelos Googles e sítios de busca todos, possa despertar uma reflexão no papel que os evadidos de nossos interiores, podem fazer pelos que lá ficaram e continuam a cadeia do passado em busca de ... um merecido amanhã.

 

Se puder, vá assistir ao filme “O longo amanhecer”, de Celso Furtado, já em exibição no Centro Dragão do Mar, em Fortaleza.

 

 

 

 


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SAINDO DA LETARGIA

 

 

Diálogo entre Zequinha Bento e

Dalinha Catunda, no Grupo Ipueiras

Sobre os 124 anos de emancipação de Ipueiras

 

 

Zequinha

 

 

Não poderia eu deixar de complementar alguns tópicos de seu relato, até mesmo porque, conforme lhe prometi, desejo sair desta letargia que contagiou boa parte de nosso grupo.

 

Dalinha

 

Quem ganha com tudo isso é o grupo que terá de volta o Homem da inesquecivel "Cabra Preta" presença querida que certamente trará de volta ao nosso convívio velhos companheiros que adormecidos se sentirão "cutucados"

 

Zequinha

 

Realmente a nossa terra se engalanou mais uma vez nesta festa do município. Cidade limpa, alegria estampada em todos nosso  conterrâneos, demonstrando satisfação  em nos rever. Nós que há muito estamos fisicamente separados deles.

 

Acredite. Temos hoje em Ipueiras um das mais afinadas bandas de música de nosso Ceará. Ao ouvi-la, aumenta o nosso orgulho de ser ipueirense. De contarmos com um prefeito, na pessoa de Nenem do Cazuza, que tem servido de  exemplo a todos os administradores dos municípos da região. Espantei-me com o progresso de terrinha. É gostoso ver o aumento de construções de casas, principalmente as mansões próximas ao açude. Abertura de novas ruas. O moderno passeio de 1 quilômetro margeando o açude, onde sempre vamos encontrar pessoas fazendo caminhadas. A entrada da cidade pela Estação, está linda. O prédio da antiga  estação ferroviária está uma beleza.

 

Dalinha

 

Ipueiras realmente veste roupa nova, cresce verticalmente, pois já se vê, e se fala em prédio e apartamentos. lógicos que pequenos predios e sobrados. Escutei do Prefeito que acabou de restaurar a velha estação, que segundo ele havia sido invadida, que em breve estará restaurando o Antigo casarão do Costa Matos e que aceita sugestões da familia. Ainda pecamos um pouco na falta de divulgação dos eventos, num roteiro de última hora, nos eventos prometidos e não cumpridos, mas acredito que a tendência é melhorar. As Bandas, realmente, estavam magnificas e o povo lotou a praça da matriz prestigiando o evento musical.

 

Zequinha

 

Não poderia deixar de comentar sobre a coqueluche do momento (é o noooooovo!). A  Vox FM. Fui entrevistado pelo Toni, quando tive a oportunidade de confirmar a passagem do Luiz Gonzaga, o Rei do Baião, já que, segundo palavras do próprio Toni, ele que  tem um programa onde relata causos sertanejos, teve a oportunidade, de ler o meu artigo onde eu conto a passagem do Rei por nossa terra e que  algumas pessoas contestaram a veracidade de tal fato. Desejo que os incrédulos tenham aceitado o meu testemunho e saibam que aos vinte e seis dias de mês de junho de mil novecentos e sessenta e seis, Luiz Gonzaga, o Rei do Baião, cantou em Ipueiras. 

 

Dalinha

 

Bento, também fui entrevistada no mesmo dia, logo após sua participação. Dias antes, Tony, havia lido uma pequena crônica que fiz sobre o Gonzagão, onde no final cito você Tadeu e Meu avô Gonçalo Ximenes Aragão, na época Cheve de estação. Além do Claudio Catunda, meu avô tambem comprou o livreto: "O Sanfoneiro do Riacho da Brígida " Se alguns duvidaram do acontecido, outros relataram novos lances dessa passagem do velho Lua. Mas o assunto ainda rende.

 

Zequinha

 

 Onde era que o  nosso Raimundo Nonato estava escondido? O Fernando, meu irmão me falou que realmente o Nonato estivera recentemente em nossa terra. Você teve mais sorte do que eu, em encontrá-lo. Não sei se você se encontrou com o Braga. Eu falei com ele antes do início da entrega do Prêmio Frota Neto, lá mesmos no Centro Cultural.Convidei-o para participar porém ele alegou não estar devidamente trajado para o evento.Lamentei não termos nos encontrado, posteriormente.

 

Dalinha

 

Quanto ao Braga só o encontrei a noite, viajamos no mesmo ônibus. Sei que estava lúcido pois pedi um crônica perdida e ele me mandou no outro dia. Raimundo Nonato pegou o Beco antes das festejos, acredito que muito sensível, teve medo de se desmanchar em lágrimas ao rever os velhos amigos.

 

Zequinha

 

O Neto, antes de nossa viagem de volta, entregou-me vários CDs  com os hinos de Ipueiras, do Estado do Ceara e do Brasil, executados pela nossa magnífica Banda de Música, e também vários exemplares do jornal do município. Aproveitei a passagem da Teresinha Mourão por Fortaleza entreguei a ela  alguns para que fosse distribuidos  em Brasília. Tenho comigo ainda dois CDs. Um, para o Tadeu e o outro, para o Marcondes. Espero que ele tenha lhe entregue os seus.

 

Dalinha

 

Zequinha, não fui agraciada com os tais cds, espero que você ou Terezinha guarde uma cópia para mim.

 

Zequinha

 

Conforme lhe prometi, vou voltar a participar mais, assiduamente.

 

Dalinha

 

Isso mesmo, Bento, nada de Catundisse. A continuidade nos ensina a escrever por gosto ou vício.

 

Zequinha

 

A Dêga envia um forte abraço.

 

Dalinha

 

Outro grande para ela. Fui duas vezes pela manhã, na casa de Fernando, antes de vocês viajarem, mas não os encontrei. Infelizmente não dava para eu ir mesmo junto com vocês. Fica p'ra próxima. Valeu pelo convite

 

Zequinha

 

Li e muito me diverti ao ler  ROSA APAVORADA.

 

Dalinha

 

É o meu quarto cordel e primeiro pela Academia Brasileira de Literatura de Cordel. Que bom que você gostou!!!!

 

 

  

 

 

 

Antonio de Lisboa Mourão

Aventura e solidariedade no Planalto Central

 

VINICIUS NADER

ESPECIAL PARA O CORREIO

Brasilia surgiu na vida do pioneiro Antonio de Lisboa Mourão como uma fuga da seca que assombrava o Ceará em 1958. Em busca de um lugar onde as perdas não fossem sazonais, ele deixou a cidadezinha de Ipueiras, no interior do estado, e veio para a nova capital federal. Aqui ele começou uma nova vida, deixando para trás a loja de tecidos que tinha com o padrinho e tendo pela frente apenas muita poeira. Junto com dois amigos, José Lima e Gonçalo Miranda, Antonio Mourão resolveu trazer mais gente para Brasília.

O resultado foi que o pioneiro partiu do Ceará depois de organizar um comboio formado por dois caminhões Fenemê (ou FNM) repletos de conterrâneos querendo um emprego na nova capital. “Era um jeito de ajudar quem não tivesse emprego na minha cidade e, ao mesmo tempo, ajudar na construção da capital do meu país, onde eu sabia que estavam precisando de gente disposta a trabalhar”, afirma Antonio. “Como as estradas ainda não eram asfaltadas, a viagem demorou 16 dias. Para não perdermos multo tempo, eu, que era o único solteiro da turma, vim primeiro, de avião”, completa.

Dessa forma, Antonio acabou se tornando uma espécie de agente de empregos de cerca de dois mil conterrâneos. “Eu ia de construtora em construtora verificando de quais especialidades eles estavam precisando mais. Se era pedreiro, mestre-de-obras, marceneiro ou outras coisas. Assim, quando os caminhões chegaram já estava tudo mais ou menos encaminhado”, afirma o pioneiro.

Para ajudar os amigos cearenses. Antonio não mediu esforços: foi morar no armazém e bar Maringá, na Cidade Livre (Núcleo Bandeirante), de onde era mais fácil controlar a chegada e partida dos paus-de-arara que vinham e voltavam para o Ceará. Além disso, o clima da cidade também era uma adversidade para aqueles que estavam acostumados a ter sol o ano todo. “O frio e a chuva eram, na cidade, eram muito grandes. As plantas ficavam cobertas de gelo (granizo) e tínhamos que andar sempre de botas por causa da lama que a chuva causava”, conta o pioneiro.

Antonio Mourão e Pe. Antonio (português) no início da vida