Grupos

A Vida (José Costa Matos)

17:37 @ 01/11/2008

 

 

A Vida

 

                                   José Costa Matos

 

      

A vida não dá presentes.

Podemos até:

colher duas estrelas para reacender

os olhos de Jorge Luís Borges;

denunciar a Deus que os povos ricos

riscaram do dicionário

as moedas dos povos pobres;

revitalizar a esperança no milenarismo,

onde os utopistas de tantos séculos

marcam encontros

para falar mal da natureza humana;

entregar Fernando Pessoa à Polícia,

para protegê-lo dos assaltantes 

de idiossincrasias;

fundar pátrias, com bandeiras

e hinos de arrepios cívicos.

 

A vida não dá presentes.

Podemos até:

governar o Brasil com a Constituição-Artigo-Único

de Capistrano de Abreu;

pintar de saúde

os meninos doentes do Nordeste;

escutar as glórias das velhas prostitutas

do Cais de Santos;

entrar na guerra e salvar dos arranha-céus

as mangueiras de Fortaleza;

vestir a sotaina dos jesuítas

e aldear as lagostas no fundo do mar,

contra os Bandeirantes do Capitalismo aqui-e-agora;

retroagir a Máquina do Tempo

e refazer o mundo

sem a semeadura de pavores

que assustou o nosso Pedro Nava;

levar o Pontífice Paulo II ao Congresso Brasileiro

para testemunhar que os índios não são bichos.

 

Mas a vida não dará presentes.

A plenitude humana

é trabalho de mineração,

com galerias cavadas no Infinito.

 

“Uma incrível poesia de nosso grande poeta e contista ipueirense a nos tocar a alma.”

 

Bérgson Frota

(Foto: mundiverso.files.wordpress.com)

 

 

 

 

Aniversário da Matriz de São Gonçalo

 

 

 

Bérgson Frota

 

 

Celebra-se em 2008, os 251 anos de fundação da freguesia de São Gonçalo da Serra dos Cocos, atual Matriz de São Gonçalo, distrito de Ipueiras.

 

Possuindo uma história rica e mais antiga que a da sede do município, foi uma das quatro primeiras freguesias a serem criadas no Ceará.

 

Sua fundação data de 30 de agosto de 1757, por provisão do bispo de Pernambuco, Dom Francisco Xavier Aranha e durante 126 anos foi o maior centro da religiosidade na região. Enquanto freguesia recebeu quatorze vigários, alguns dos quais permaneceram por mais de trinta anos. Devido a sua importância religiosa, jesuítas perseguidos nela se refugiaram, e intentaram construir um convento próximo, ficando porém só nos alicerces, ainda hoje vistos.

 

A extinção da freguesia deu-se em 27 de outubro de 1883, ano em que Ipueiras tornou-se município.

 

 

 

 

 

(Placa afixada em comemoração aos 200 anos da freguesia, posta na Matriz por iniciativa de Hugo Catunda no ano de 1957)

 

 

A história e o patrimônio deste renomado distrito, representado pela bela capela de estilo barroco tardio, de grossas paredes e altar singular, obra do século XVIII, são a prova física e palpável do esmero com que ainda hoje são conservados, festejados e mantidos os ritos de devoção e fé ao venerado padroeiro.

 

A Matriz de São Gonçalo situa-se na região oeste do município, sobre a serra da Ibiapaba, e dista 18 km da sede, sendo dos distritos de Ipueiras, um dos mais bem assistidos e o mais visitado.

                                                                                                   

                                                                                                           

 

 

                   Fotos: A Matriz de São Gonçalo – Carlos Moreira

                                           Placa Comemorativa – Site Oficial da cidade de Ipueiras-Ce

 

 

 

 

 

 

                  

 

 

 

 

AS POESIAS DE KIDENIRO

E COSTA MATOS

 

 

Helder Sabóia
 

          

        Na qualidade de ipueirense, sempre me empolga e emociona ler os trabalhos literários de nossos conterrâneos ilustres.

 

        A poesia sobre o rio Jatobá, de Kideniro, fez-me entrar no túnel do tempo e sentir-me menino tomando banho nas águas do Jatobá, abençoadas pelo Cristo Redentor, ícone maior da terra natal.

 

        Com palavras telúricas e ricas de sentimento, o poeta fez, também por mim, sua bela ode ao velho rio, trazendo à lembrança os velhos tempos que o caminhar inexorável do tempo não trazem mais.

 

        Obrigado, poeta, é bom sabermos que a nossa Ipueiras, com suas imagens e presentes da natureza, fez morada no coração de todos nós.

 

        Costa Matos, literato de escol, agrada e sensibiliza a todos. Sua poesia é profunda como o oceano e imensa como  o infinito. Nela coabitam, na dialética contraditória dos sentimentos, as nossas dúvidas existenciais, indagações filosóficas do porvir, a fé e a esperança do ser humano atemorizado do século XXI.

 

        É sempre com renovada satisfação que leio suas produções literárias, pois ricas da imensa filosofia do saber. Costa Matos continua professor a nos ensinar sobre a vida na prosa e na sua inigualável poesia.

 

Seu Edmundo enfim se foi

21:02 @ 14/11/2008

 

 

 

 

 

SEU EDMUNDO ENFIM SE FOI

 

 

Marcondes Rosa de Sousa

12 de maio de 2005

 

Seu Edmundo, enfim, se foi... Renato, em conversa, na porta da igreja, no dia da missa de minha mãe, dizia-me que, da geração, restavam poucos, entre eles, “Seu Edmundo” e Guarani. Deus o chamou para a longa companhia que, em vida, teve: ao lado de Dona Edite. Lá, com certeza, existirá uma “pracinha” (mais ampla que a nossa), onde eles poderão bater intermináveis papos, sob a coordenação democrática de São Pedro. Vejo-os a “revisar saudades” (na expressão do Walmir). Noites infindáveis. Depois, falar de nossa aqui perturbada política, tomar o café da calçada de “Seu Zeca Bento”, receber Padre Correia a pedir orientação e conselho a “Seu Dario”.

 

E talvez recontar os velhos “causos” de nossas “águas retiradas”, como me contava meu pai, a propósito, do “Repórter Esso” a anunciar, em edição extraordinária”: “Atenção, atenção! O Brasil acaba de decretar guerra ao Eixo”. Silêncio interminável. Aí, um personagem sai-se com essa: “A coisa está preta. Mas vou dizer. Se a Bahia entrar nessa, aí é que ficará mais preta”. E a reação afinal de Abílio Sabóia: “Não agüento a ignorância desse ‘caboclo bucho”...

 

Saudosas lembranças e recomendações todos, “Seu Edmundo”. O senhor e Dona Edite deixaram um grande legado. Emocionado, talvez até me esqueça. Fico, pois, com os que tive mais convivência: Renato, Nemésio, Aglaê, Graça ... tantos outros no comércio, na educação, na vida social enfim. E não se esqueça de dizer a “Seu Wencery e Dona Adaísa”, que aqui tocamos a geração pra frente, esperando entrar na roda, quando aí chegarmos, noite adentro, como nos tempos em que lá pelas 10 horas (se lembra, Darci?) a luz apagava, deixando-nos em papo com a lua...

 

Aos da família, os votos de pêsames. Mas, ao lado das condolências, os parabéns pela trajetória dos dois ora no céu abraçados: “Seu Edmundo” e “Dona Edite”. E um pedido: Nos papos celestiais, onde, ubíquos, dispensam Internet, rogai todos por nós.

 

Com sentimento,

Marcondes

“do Seu Wencery e de Dona Adaísa”

 

(Cronica escrita por ocasião da morte de "Seu" Edmundo Medeiros)

 

 

 

 

 

 

 

Ponte Hercílio Luz (SC)

 

 

A SOLIDÃO DO VAQUEIRO

 

Marcondes Rosa de Sousa

10 de setembro de 2004

 

Ah! Meu caro Braga e amigos de Ipueiras, fiquei a pensar...

 

Um dia, levamos a Santa Catarina uma delegação de prefeitos, deputados (situação e oposição), educadores e conselheiros de educação, à frente o então Vice-Governador Beni Veras. Nosso objetivo, conhecer a experiência das instituições comunitárias de ensino superior.

 

            Ao final do encontro (que se desdobrou em visita ao Governador, à Assembléia, a instituições pelo Estado, jantares, almoços e três dias de reflexão, no Plenário do Conselho Estadual de Educação, pediu-me o Vice-Governador que falasse eu em nome da delegação cearense.

 

            Em minha alocução, retomei pergunta meio chata, que me fizera um repórter na televisão: se se tratava de “turismo oficial”. Alguém, em minhas palavras finais, me deu o mote: “Então, professor, um modelo para o Ceará?” Respondi: “Para o Brasil, tenho certeza. Para o Ceará, receio que não”.  E a causa de tudo, a solidão do vaqueiro, constante em nosso cenário: “Na solidão da caatinga, a rês. Atrás dela, o vaqueiro. Entre os dois, só Deus”. Até então não via eu aptidão de nossos vaqueiros para o agregar-se.

 

            Mas foi aí que um conselheiro me pediu um aparte e mostrou-me uma certa contradição: “Você, Marcondes, citou nosso governador dizendo que era um estado masculino (o Ceará) a visitar um feminino (Santa Catarina). Atribuiu ao feminino, a astúcia e as estratégias da sedução e dos contornos da serpente e de Eva. Aqui, deu flores à nossa Presidente. Mas se esqueceu de uma coisa fundamental: a “porção feminina” da alma nacional é Iracema. E Iracema nasceu no Ceará”.

 

            Guardei essa lição. E outro dia, ao escrever um artigo sobre turismo, em que tomava Iracema e o Guerreiro Branco como cicerones de nosso turismo pelo Ceará inteiro, Walmir (meu irmão), ao ler o artigo lembra-me (que grande símbolo!) que o Cristo da Caatinga fica, literalmente, a mirar a “Bica do Ipu”, onde Iracema, ao correr as matas do Ipu, banhava-se...

 

            Aí, meu caro Braga, Talvez tenhamos de descer um pouco mais fundo. Talvez, de início, discutir sobre temáticas como “A solidão do vaqueiro em nossas águas retiradas”. Falar, sim, de nosso passado, da função de jumentos e jumentas na construção de nossa vida socioeconômica. Das viagens de trem. Da filosofia de nosso povo, em suas história e “causos”. Da vasta culinária a nos deixar saudades e água na boca. Tudo isso, sim.

 

Mas o Cristo, lá está de braços abertos, a nos mostrar a caatinga, a água retirada, o verde a rebrotar brotar, a cada inverno, feito esperança não morta. Os olhos, porém, em frente a nos apontar para os caminhos de Iracema, a água a rorejar-lhe o corpo como a doce mangaba que corou em manhã de chuva e a integrar todo esta Ceará.

 

            Caminhos existem. Mas, desde o início, fico a pensar se os de lá, Ipueiras – mesmo as filhas de Iracema, ditas “saias de plantão”, não estariam vendo em nós “águas outras”: as que deles se retiraram, como diria a canção: “amanhã, se der o carneiro, vou-me embora para o Rio de Janeiro (...) e vou voltar em revistas coloridas”.  Na verdade, se assim for, nossas reminiscências pouco, a esses dirão: se figurarmos “os incluídos”, relegados eles à exclusão! Tudo como se, em nós, tivessem ficado as cheias e os álacres banhos do Jatobá de nossa infância. A eles, o leito seco e poluído do rio...

 

            Se assim for, existe um “ruído de comunicação” entre a nossa “pracinha” e o “nosso sítio” e o deles. E acredito que esse ruído tem de, urgente, se desfazer. Dizer a todos que o que estamos fazendo é subir à colina onde, braços abertos e olhar em frente, se posta o Cristo a nos apontar o caminho, em linha direta com a da “porção feminina da alma nacional”, Iracema, onde o Ceará se torna, em sonhos, o nosso verde, integrado das matas e bicas do Ipu à Lagoa de Mecejana, no abraço entre Iracema e o Guerreiro Branco, a nos gestar Moacir (o filho da dor?).

 

            Essa, a minha dor! Que tal começarmos, na escola de nossas “retiradas águas”, os alunos começarem a debater e a redigir, em suas aulas, sobre temáticas assim? Cada um de nós poderá dar uma contribuição, a partir de sua história-de-vida e de seu olhar. Não acham?

 

           

 

Pentecoste

 

DO REVIRAR SAUDADES

À PERENIZAÇÃO DAS CHEIAS

DO JATOBÁ

 

 

Marcondes Rosa de Sousa

17.03.2005

 

 

“Revirar saudades”! A expressão de Walmir, meu irmão, marcou-nos a motivação de início, em aqui nos reunirmos. De repente, retornamos a nossas origens. Um “site”, que nos apercebemos um real “sítio”, onde reeditamos nossa “pracinha” de outrora, para virtuais e sentimentais abraços de gerações a se identificarem.

 

            O “revirar saudades”, Dalinha, cumpre com necessárias funções. Nestes tempos pentecostais de agora, as “línguas de fogo” nos dizem, na reinvenção do Gênesis de agora, que, “no princípio, está a emoção”, pedra-angular de toda ação e sentir.  Nessa atmosfera, ela nos reevoca os “álacres banhos de rio”, na “grandiloqüência das cheias” (na expressão de João Cabral de Melo Neto), a se estancarem, repentinos, pelas poças e poços em solidão, a fazerem, de nosso Jatobá, arquétipo não só dos ipueirenses mas de todos os cearenses.

 

            Poemas, crônicas, estórias, “causos”, a cultura popular, os chamados “mitos” cumpriram e cumprem com a função de nos fazer decifrar e reconstruir nosso mundo. Nada, pois, que arquivá-los, reeditando teórico marxista russo que, ao querer zombar dos litaratos formalistas, escreveu: “Eles são discípulos de São João. Acreditam que ‘no princípio era o verbo’. Nós marxistas, acreditamos que no princípio, é a ação”. Nem se apercebia ele de que ... verbo é ação!...

 

            Nada de arrependimento, pois, Dalinha, mesmo que tal postura não tenha sido bem entendida por alguns, que, em Ipueiras, queriam ação mais urgente para reverter o quadro de miséria e pobreza da terra.  Respeito, sim, a eles, premidos em suas agruras, o sol inclemente a queimá-los ao invés de se converter em produtiva energia, indutora da ação política – retirada tal como as águas – a perpetuar os vergonhosos índices de indigência e pobreza absoluta, em nossas “águas retiradas”.

 

            Razões, sim, aos que, em nossas discussões não compreenderam nosso “revirar de saudades” como se alienação a suas dores. Mas, por ironia, é desse revirar que nos brota o sentido de irmãos, que renasce em nós o sentimento de solidariedade, de “ethos”, de responsabilidade social enfim.  E, rumo a esse horizonte, todos os caminhos costumam nos levar até Roma. E curioso: as vias mais expressas não são as retas. Mas, estranhamento, as curvas, a órbita.

 

Eh! A geometria não-euclidiana é que, em geral, cuida do traçado moderno de nossas estradas. Sobretudo, as ditadas pelo feeling das “herdeiras da paradisíaca serpente e de Eva”.

 

            É que diz Carl Jung que, em cada ser masculino, habita inconsciente uma “anima”, que canção de Gilberto Gil traduz por “porção feminina”. E na minha, se (ou já que) a tenho, nela acredito. Ela me dita o “poder de sedução”, acreditado como mais eficaz: as sinuosidades, as curvas, os atalhos, os rodeios, como os recomendados caminhos. Na verdade, no território da sedução, nem sempre o caminho mais curto, entre dois pontos, é a reta. Arrodeando-se (perguntem aos planetas), chega-se melhor e mais rápido... Veículo disso, o verbo, que São João define como princípio de tudo... E é neste “verbo”, se a mim dado por Deus, que procuro concentrar meu eventual (se o tenho ou já que o tenho) “poder de sedução” e convencimento. Mas tudo, com vistas à construção da solidariedade e do bem.

 

            Um dia, junto ao então Governador Beni Veras, Demócrito Dummar, superintendente do Jornal “O Povo”, disse, numa reunião, que era bom minha presença num grupo de opinião. Para ele, tinha eu o “poder de pauta junto à sociedade”. De outra feita, um importante personagem da “mídia política”, ao lamentar eu que todo nosso esforço pela construção de um “Projeto das Mudanças” no Ceará tivesse se reduzido, como as águas do Jatobá a solitários poços e cacimbas ilhadas por cercas, ele me disse que determinadas pessoas podiam mudar esse quadro. E me afirmou: “o senhor tem vocação de resina”, capaz de “juntar os cacos”.  E ele, então, jogou-me um teste: “Tente começar reaproximando Tasso e Sérgio Machado”. Eu estranhei: “Logo por aí?”  Eh! Parece que ele tinha razão...

 

            Talvez tenha eu tal vocação. Ciro, certa feita, confessou-me cena da qual não me lembrava: a de mim, no Ciclo Básico da UFC, eu a separar as brigas dele e de João Alfredo (este hoje deputado federal pelo PT).  E, nessa linha, tenho escutado depoimentos muitos de mim, a mediar conflitos. Aliás, ontem, em minha aula, os alunos ficaram surpresos. De repente, Rosa de Fonseca (a radical aliada de Maria Luiza Fontenele) a meu lado na sala de aula, com panfletos às mãos. Os alunos se assustaram quando perceberam quem era e o nível de familiaridade que tenho com esse grupo “para além do socialismo”.  Falava eu, na aula, do pensamento complexo. E a presença do grupo, passando por minha sala, foi exemplo a calhar.

 

            Hoje, estou despido de qualquer cargo. Apenas, a docência na universidade. Sobre isso, outro dia, fiz artigo sobre a “cátedra”, que se reduziu a mera “cadeira”. Cadeira que virou “mera opção no cardápio do aluno”. Aí, foi se reduzindo em valor até confundir-se com as “carteiras” estudantis. Hoje, quando chego à sala de aula, a tal cadeira, em geral, está no corredor, tomada de empréstimo por equipe de alunos. Várias, as vezes quando não encontro onde sentar-me.

 

            Isso é freudianamente simbólico. O pobre do professor hoje não tem onde sentar-se. O “sentar-se”, a “sede” é psicanaliticamente fonte ao qual o “poder” se associa. Até o verbo “possuir” vem de “pos(t)sedere”, inconscientemente associado ao sentar-se, na raiz associado à fase anal.

 

            Sob essa perspectiva, a do assento, não tenho “cadeira”. Não tenho poder algum. E se, por acaso, o tenho, ele se assenta ... no verbo.

 

            Ao grupo, pois, em aviso, minhas limitações em relação ao poder. Já me despi dos cargos e encargos maiores. O rótulo de professor já não tem o valor de outrora. Professor hoje – em universidade até – é mero animador de aluno.  Resta-me o verbo e talvez com ele, o poder de pauta, pelas vias das sinuosidades que nos ensinaram a serpente e as herdeiras de Eva.

 

            Se acreditarem nessas histórias e em minhas teorias sobre o poder, podem dispor dele, se ainda houver. A propósito, após os dois artigos sobre as “hegemonias em cacos” e “Na desunião, o fracasso”. Algumas pessoas me deram “feedback” mais ou menos assim: “Pegou. É todo mundo falando. Por onde andei e nas reunião a que tenho ido, até as expressões são as de seu artigo, que se repetem em bordão... Parece que, em questão de opinião pública, no princípio continua sendo o verbo!

 

 

UNA-SE A NÓS NA PRACINHA

       

Edson Morais

22 de março de 2005 07:55

       

        Estou voltando à pracinha e logo de início quero relatar com alegria que as chuvas voltaram à nossa terra, trazendo muita alegria para todos. É o que se vê estampado no semblante de todos que aqui vivem. Ontem à noite, foi uma chuva daquelas - de relâmpagos e trovoadas enchendo as ruas com o "sangue da terra".

        Graças a Deus,  as prioridades que antes eram de busca de água para abastecimento, agora viram-se para outras.

        É bonito o amanhecer depois de uma noite chuvosa. A serra, vislumbrada no horizonte, com seu belo azul anil, recoberta de nuvens lhe tocando o chão. Vem aí um bom feriado de semana santa... E que tal um passeio a Ipueiras para aproveitar desta alegria que contagia a todos com a chegada do tão esperado inverno?

 

O TROVÃO É O PAI DA COALHADA
 
Marcondes Rosa de Sousa
 

Que bom,  Edson. As chuvas aí estão. Relâmpagos e trovoadas, ao invés do medo, dão-nos esperança. Lembro-me do velho Joaquim Alves, de muitas histórias no Buriti, com quem, eu professor, aprendi muito sobre linguagem, metáfora e coisas que tais. Dele, a frase: “o vento é o cavalo da chuva”, quando muitos advertiam: “Olha o ventão do 58. Sobre relâmpagos e trovoadas, quando, criança sentia medo, ele, alegre, dizia: “O trovão é o pai da coalhada”...

 

Que bom! Fartura. Mas uma frase sua, por retratar cultural despreocupação, preocupa-me: “Graças a Deus, as prioridades que antes eram de busca da água para abastecimento agora viram outras”. Não será por isso que estamos tão atrasados, depositando toda a responsabilidade em São José?  Penso que, por sofrermos os tempos de sequidão, é justamente o motivo de não abandonarmos nossos sonhos por água.

 

Cupira, Lontras, barragens, perenização do Jatobá aí estão seculares porque, com as primeiras chuvas, os banhos de bica ou de rio nos fazem esquecer que vivemos em terra de “águas retiradas”, onde grande parte de sua população, se quer viver, há de emigrar.

 

Não é crítica, Edson. É o retrato de nossa psicologia social. Senti na pele essa contradição: Quanto, olhando o Poti, de águas ora barrentas, percebi que até nossas águas permanentes, descidas da Serra Grande, banham e alimentam outras terras.

 

Esta, a reflexão. Que não abandonemos nossos seculares problemas, com as primeiras chuvas.  E que a responsabilidade com as secas não se atribua a São José. Mas a descuido histórico nosso.

 

 

 

 

Reflexões sobre nossa pracinha

e as retiradas águas

 

Na conversa pessoa-a-pessoa e nas reuniões coletivas, estamos tendo êxito. Nos jornais e meios de comunicação, nossa mensagem está tendo repercussão. As adesões estão sendo espontâneas. E as preocupações com as candidaturas iminentes estão se colocando em segundo plano.

 

Marcondes Rosa de Sousa

15 de Março  2005

           

 

             Amanhã, estarei divulgando, junto a vocês, artigo que hoje enviei, para a Página “Opinião” do Jornal “O Povo”, de Fortaleza (Ce), sob o título “Águas retiradas”. Espero que não ceda lugar a temática tida por mais importante.

 

            Na verdade, é o contraponto de preocupação crescente, tocada por um grupo de “intelectuais, políticos e empresários” no Ceará.  E essa preocupação vem em defesa dos interesses mais amplos, suprapartidários, de uma “agenda plural e coletiva” de nossa terra. Meus últimos artigos estão nessa linha.

 

            É que a nós assiste-nos uma constatação: nunca foram tantos (e tão expressivos) os nomes de cearenses a brilhar na constelação nacional. Mas nunca, em contrapartida, os interesses do Ceará foram tão desprezados. Razão? A preocupação de cada um com o “seu pedaço” e, em última análise, sua eleição e fatia de poder.

 

            Junto à opinião pública, resolvemos reacender as pautas comuns: a Refinaria, a Transposição do São Francisco, a interligação das bacias, os caminhos das águas, as “estradas todas” a nos levar à inclusão social e ao sustentável desenvolvimento.

 

            Na conversa pessoa-a-pessoa e nas reuniões coletivas, estamos tendo êxito. Nos jornais e meios de comunicação, nossa mensagem está tendo repercussão. As adesões estão sendo espontâneas. E as preocupações com as candidaturas iminentes estão se colocando em segundo plano.

 

            Nessa linha, peguei de “carta” que nosso conterrâneo Renato Bonfim enviou para o Jornal “O Povo”. Pincei-a para o Ipueiras Grupos. Tadeu, em comentário, no desenho dos “caminhos das águas” tocou na questão do “Lontras”. Ao Lontras, associou-se o Cupira. E pedi a Dr. Cláudio Ferreira Lima, que, comigo participa do grupo inicial na questão maior, e lhe pedi para verificar a situação do Lontras e (se for o caso) do Cupira. O mesmo assunto, ao me encontrar com Eudoro Santana, dirigente maior do DNOCS, toquei com ele.

 

            As respostas, vocês viram. No caso do Lontras é projeto antigo, em fase final, à espera apenas de “vontade e decisão política”. Do “Cupira”, não temos maiores informações, coisa que espero dos ligados à administração municipal, de quem esperamos envolvimento.

 

            Resolvi aproveitar meus curtos (mas, graças a Deus, lidos) espaços de exatos 1.600 caracteres (incluídos os espaços em branco) na Página “Opinião”, espaço a mim concedido quinzenalmente, quarta sim quarta não. Nessa linha, tentei reproduzir a questão aqui discutida. Claro que com recursos literários, aproveitando alguns comentários que, do Grupo, colhi por e-mails e telefonemas pessoais.

 

            Não o envio agora por questão de ética e pacto com o Jornal: só realizar a divulgação em outro meio, uma feita publicado, fazendo a referência ao Jornal.

 

            Por enquanto, gostaria só de avisar que o assunto enquadra-se em dimensão mais ampla. E meu intuito é abrir caminhos para que Ipueiras não se desenhe como “águas retiradas” quando se retraça o São Francisco, numa nova sintaxe do “caminho das águas” e da interligação de bacias.

 

            Sei que muitos, em Ipueiras (as autoridades, sobretudo) ainda não entraram nos tempos da Internet. E não sabem como o local pode ser ajudado pelo global. Aqui, repito, meu interesse vai acima de qualquer interesse mais prosaico ou projeção pessoal. Meu interesse é apenas ajudar.

 

            Até amanhã, quando, no Grupo Ethos-Paidéia, que, coordeno, e neste Grupo, estarei divulgando o “Águas retiradas”. E gostaria de redespertar Renato, Tadeu, Erivelton, Simone, Dalinha, Braga, Simone e dos demais – personagens importantes, todos,  para que nossa saga vá além. Importante um contacto mais estreito entre os que, em Ipueiras (na administração pública e na sociedade) podem engrossar as fileiras em torno dos interesses comuns. Nessas fileiras, as diversas tendências não hão de se opor. Mas, ao contrário, de somar-se.

 

            Fraternalmente,

            Prof. Marcondes Rosa de Sousa

            (UFC/UECe)

 

Vista geral de Ipueiras

''Aqui  somos, a partir do nome  - ''Ipueiras'', em tupi -, ''águas retiradas''!


Águas retiradas


Marcondes Rosa de Sousa

O Povo - [16 Março - 2005]



        Pracinha do interior - ''virtual'', a diferença. Ali, gerações nos reunimos, em papos de ''suspiros poéticos e saudades'', mesclados à dor do povo, em súplicas por chuvas a São José.


        Jornais estendidos ao chão falam de águas transpondo-se, de bacias interligando-se, feitas caminhos a tingir de verde os sertões. Pessimista, alguém reclama: ''Aqui, somos, a partir do nome - ''Ipueiras'', em tupi -, ''águas retiradas''!- Mais otimista, outra voz dá conta de projeto: o açude'' Lontras'', a dormir no Dnocs, à espera de ''decisão política''. Mais realista, alguém propõe a construção do ''Cupira'', mais modesto. ''Faltam recursos'' - avisa o prefeito. ''Descaso!'' - uma senhora revolta-se.


        Escândalo, os elevados índices de indigência e pobreza absoluta de mais da metade da população. Sardônico, alguém cobra: ''E cadê as apregoadas indústrias de Tasso e de Ciro, que, por aqui, não apareceram?'' Os mais otimistas apontam progressos: na educação básica e na queda da mortalidade infantil. E outros, a decantar o potencial das serras úmidas, das macambiras, da cultura e do capital humano da terra. Mais pragmático, alguém grita: ''E por que não uma associação?'' E uma jovem: ''Sou funcionária no Congresso Nacional. Panfletagem? É comigo mesmo!''. A idéia é faísca a se alastrar...


        Fico a matutar. Uma pequena cidade, em seu atraso, a converter-se em emblema das populações esquecidas: um ''sítio'' às margens de uma ''www'', na Web, www.ipueiras.com. Ao lado, a virtual ''pracinha'': ipueiras@grupos.com.br, todos a se dar as mãos. O local fazendo-se global, socorrido por este. Tempos novos. Que se lembrem disso nossos políticos!



Marcondes Rosa de Sousa é professor da Universidade Federal do Ceará (UFC) e da Universidade Estadual do Ceará (Uece). Escreve quinzenalmente

 

 

 

 

EXPOSIÇÃO, NA UNIFOR,

SOBRE O BARÃO DE MAUÁ.

AO LADO, ANTONIO BANDEIRA...

IPUEIRAS, O QUE TEM A VER?

 

 

Marcondes Rosa de Sousa

 

 

 

Amigos,

 

Aí estão, divulgados para o Grupo Ipueiras, todos os textos postados no Blog do mesmo grupo, onde, de alguma forma, divisamos o reclamado intento dos ipueirenses  (ou amigos), pela valorização de seus “ícones”.  Originariamente, o termo “ícone”, desde os gregos, vinculava-se ao estrito conceito de “imagem”. Com o advento da semiologia, ele se amplia em significação, transpondo o inicial conceito de uma “estátua de Cristo a nos abrir os braços”, por exemplo, para uma estação de trem, um tipo popular, uma bica no distrito Matriz...

 

·         Exposição sobre o Barão de Mauá

 

Nestes dias, convidado pelo Presidente da Transpetro, Sérgio Machado, estive numa exposição sobre o Barão de Mauá, Sérgio Machado, por diversos telefonemas (de sua secretária e dele próprio) insistia em minha presença ao evento.  E a razão principal, sabia eu, era a força maior do simbólico em nossa ação empresarial ou política maior. A idéia era mostrar o soerguimento de nossa indústria naval, nos moldes do visionário Barão de Mauá. A abertura da exposição numa Universidade, fundada por outro visionário, Edson Queiroz, evento em tom e toque artísticos, aludindo à visão profética e altamente moderna hoje (a do fundador da primeira instituição de educação privada já nascer universidade), tinha tudo para refletirmos sobre a ação inovadora, tal como a do Barão de Mauá...

 

Sérgio fez questão de minha presença.  Dos Estados Unidos, onde apresentou planos da indústria naval brasileira, telefonou-me sobre a exposição.  Do Rio, a mesma insistência.  De Fortaleza, meia hora antes da abertura da exposição.  Ficou satisfeito apenas com o “já estou aqui!, na Unifor, com o reitor ”, de minha parte...

 

 

·         Formação de um grupo supra-partidário

 

Explicação que se faz necessária.  Tudo isso, pelo amor de Deus, que não se traduza em vocês, os do Grupo Ipueiras, como se houvesse, da parte dele, Sérgio Machado, e minha, qualquer interesse político partidário.  Sérgio, conheci-o, nos tempos em que, sendo eu pró-reitor de extensão da UFC, fui intermediário do convite ao fundador da Sudene, Celso Furtado, para uma palestra sobre “Perspectivas para o Desenvolvimento da Região Nordestina, este retornado de longo exílio.  À época, os chamados “jovens empresários do CIC” articulavam a redemocratização do País e o que, depois, se denominava “Movimento Pró-mudanças”, Sérgio era, ao tempo, chamado então de “o samurai do Cambeba”.  Uma geração inteira - fiz parte dela como uma espécie de “ghost whiter” -  e, após, aceitei dirigir a TVE do Estado (quando me reencontro com Frota Neto)  e, depois, como assessor, no campo áudio-visual, a Secretária Violeta Arraes.

 

Sérgio, para mim, revelou-se sempre voltado para os sonhos a orientar-nos a caminhada.  E isso logo vi na armação da exposição.  O ator Paulo Betti, na apresentação, feito Barão lançando os sonhos ali em apresentação teatral e audiovisual.  Em outra sala, a exposição da trajetória do Barão.  Por fim, o encontro dos ali presentes, num coquetel.

 

·         O reencontro com Renato Bonfim Medeiros

 

Foi nesse clima que, dentre os que chegaram mais cedo ao palco do evento, na Unifor, dei com o empresário ipueirense Renato Bonfim.  Ele me falou que estava recebendo, de minha parte, a série de textos postados “em busca dos ícones de Ipueiras”.  Havia gostado, mas, no afã de empresário, nem tempo sequer tinha para tudo ler, tinha ele.  Melhor, reservar-se seu papel para a fase mais pragmática de sua edição (formato, custos, etc),  Aí, nos papos entrecortados a noite inteira, as sugestões para um grupo imediato. 

 

·         A mim, a tarefa mais ampla e difícil

 

De minha parte, uma tarefa mais ampla e difícil.  Voltar, em minha metáfora, aos tempos das cheias do Jatobá (os “álacres banhos em minha infância”), Sérgio, um dia, chamou-me para um almoço.  Nos dedos, contamos (à época) 21 cearenses nos mais altos postos da nação.  Enquanto isso, o Ceará que partira na frente, estava entre os últimos, na região e no País.  Aí, ele, a pretexto das obras da Petrobrás e Transpetro, levou as mais diversas correntes e lideranças empresariais e políticas ao auditório da Fiec.  Gastou, nesse apelo, seis minutos apenas.  E, ali, um pacto suprapartidário, todos a me ver como um “Pero Vaz de Caminha” em tal jornada.  Logo, porém, em nossa vida política nacional, abateu-se, na contramão desta nova “União pelo Ceará”,  a humilhante cena dos “dólares na cueca”, dos mensalões e toda vez que algo intentávamos, nada...

 

·         O resgate da “sintaxe perdida

 

Pouco tempo atrás, após a edição da obra do economista Claudio Ferreira Lima, na casa de Sérgio, reunimo-nos em um pequeno Grupo, e a estratégia foi a de Cristo: a) de início, “Pedro, Tiago e João”, vale dizer, um “pequeno grupo” (petit comitée); b) depois, os “doze apóstolos”, c) e o resto, o urbs et orbis, que o Evangelho nos mostra.  A mim, a tarefa de, no lançamento do livro, a apresentação.  Recusei, tantos os remédios que, na época, estava tomando, o que me traziam verdadeiros surto de esquecimento das coisas.  Recomendei que confiássemos a tarefa a um economista.

 

Azar, o nosso!  Na Assembléia Legislativa, quando do lançamento do livro.  Não percebi o propósito da chamada a mim para a mesa, ao lado de Demócrito Dummar e Sérgio Machado.  E, sem qualquer aviso a mim, o passar a palavra a mim, ao final, pelo deputado ali a presidir o evento, o franquear a palavra...  Aí, esqueci-me de meus surtos de memória.  E, ao final, a platéia toda a, em demorado aplauso, concordar com a grandiloqüência das cheias, a resgatar a “sintaxe perdida” de nossas águas...  Dois dias depois, a morte de Demócrito e tudo outra vez a recomeçar.

 

Depois,  morte do reitor da UFC, eleições.  Arranhões de todos os lados...  Difícil, para o resgatar da “sintaxe perdida” entre as cabeças (o mundo universitário), as mãos (os gestores do mundo social e estatal) e o tato (os políticos), meus históricos bordões...

 

·         Visão, em contraponto, da Prof. Luitgarde:

 

Nisso tudo, meu papel é o de reavivar nossa sintaxe perdida. Uma sintaxe que, em nosso caso, tudo começou, nos anos 80, quando para aqui trouxemos Celso Furtado, que se tornaria o guru a alimentar os “jovens empresários do CIC”.  Vejam, por ironia, o que a professora Luitgarde Oliveira Cavalcanti Barros, luitgarde@globo.com, do Rio, me escreve, a propósito do artigo “O Nordeste Hoje (Marcondes Rosa de Sousa”:

 

“Bom dia, Marcondes Rosa!

 

A Igreja e Celso Furtado jamais levaram, levariam ou levarão o Brasil à condição de dignidade que Josué de Castro pleiteou (ler Pão ou Aço) e que Celso Furtado derrotou, se aliando com Juscelino, IMPEDINDO a reforma agrária e trabalhando, através da SUDENE, pelo enriquecimento dos grupos paulistas.

 

Orientei na UERJ excelente Dissertação de um jovem talentoso sobre a Polêmica entre Josué e Furtado. Pelo futuro do Nordeste, esse trabalho deveria ser publicado e amplamente divulgado. O nome do jovem é Tayguara Torres,  o telefone dele é (21) 25026751 e e-mail tayguaratorres@ig.com.br.

 

Quanto à Igreja, combateu as Ligas Camponesas, enfiou goela abaixo Padre Melo, e terminou na Marcha Pela Família Com Deus Pela Liberdade, com o Padre Paiton, se lembra? Como se fará a tal INCLUSÃO sem impedir o sistema de EXCLUSÃO? Apoiar as políticas neoliberais do Partido  que ela criou e defende em qualquer campanha eleitoral como "o menos ruim", "fazer CARIDADE" com o dinheiro público, vai-nos levar a alguma coisa além da eterna "fé, esperança e caridade", isto é: "NASÇA NA FÉ, VIVA NA ESPERANÇA E MORRA NA CARIDADE"!!!?”

 

 

·         Visão suprapartidária não equivalente ao “fora a política”

 

A idéia desse grupo, liderado por Sérgio Machado e aglutinando pequeno grupo a se tornar água grande, é partir, de início, para a constituição de uma ONG de intenções e ação suprapartidárias.  Não se trata do utópico “fora a política” de minhas amigas “vendedoras de sonhos” (Rosa da Fonseca  e Maria Luíza a quem respeito e ajudo).  Mas permitir - e obrigar até - o olhar mais alto quando divisarmos os interesses de nossa ação política.

 

·         Minha tarefa possível

 

Toda essa explicação para deixar claro meu olhar, meus interesses e minha ação possível no caso da “sintaxe de nossos ícones” em Ipueiras.  Pensem o que quiserem.  Mas, não tenho qualquer interesse menor. Prefiro entoar o “não sou candidato a nada, meu negócio é madrugada”.  Uma madrugada até que não se esgota no efêmero voto, nem mesmo o das eletrônicas urnas, nessa “candidatura”...  Em minha mente, guardo, na coxia, até hoje, a cena de dois contendores, revólveres à mão, um contra o outro.  Meu pai a me atirar pela janela, na Rua Padre Angelim, em Ipueiras.  Depois saberia: dois embriagados, um do PSD e outro da UDN, revólveres em punho. Muitos anos mais tarde, já universitário, conheceria Virgílio Távora, num movimento chamado “Arca de Noé”.  Por longos anos, pensei tratar-se de apoio à dita Revolução de 31 de Março.  Muito ao contrário: de apoio a João Goulart...

 

Moral dessa história.  Meu papel, nessa “re/união pelo Ceará”, é possível (provou-o VT). Mas, felizmente tarefa não tão perigosa quanto, ao "mim", o de quando criança. Graças a Deus, de Isa Catunda a Nenen Matos e educadores de Ipueiras, tivemos verdadeiros pacificadores...

 

·         Edição para além de Gutenberg

 

Voltemos aos que escolherão os textos que figurarão numa edição  -  livreira, audiovisual e hoje já usada no Instituto Histórico (diz-me o Prof. Pedro Sisnando Leite, que me convidou para o lançamento de um livro eletrônico por ele escrito).  Meu Deus, ainda estou nos tempos primários de Gutenberg!...  No papo com Renato Bonfim (que penso, entre nós, de relacionamento aglutinador no meio empresarial e político) poderíamos re/unir Jean Kleber, Tadeu, Zequinha, Dalinha, Tereza Mourão, Solange Rosa, Edésio, “Corrinha” e outros que, ao lançar cada texto, tenho tentado insinuar.  Em plano mais alto, Bérgson Frota, com nítida e sensível vocação não apenas como “escritor”, mas de intérprete e até revisor.  Claro que, nesse rol, estarão sempre os Jeremias Catunda, os poetas, padres e longa lista de pessoas residentes no Ceará e no mundo. Ontem mesmo reencontrei-me com uma delas, professora, retornando da Alemanha, em casual encontro num shopping center ...

 

·         Bandeira, o que tem ele a ver com Ipueiras?

 

Ali, na Unifor (contava isso ao reitor), estava aberta outra exposição.  Esta dedicada ao internacional (e cearense) Antonio Bandeira.  Dias antes de ela se abrir, recebia eu de colega (meu, de Frota Neto e Walmir Rosa), Humberto Perlingeiro, no Seminário Nossa Senhora do Amor Divino, no Distrito de Correas, em Petrópolis (RJ).  Ele me pedia que apoiasse seu irmão que, em Fortaleza, estava coordenando exposição sobre Bandeira.  Aí, lancei, em diversos dos Grupos de Discussão que coordeno ou participo.

 

Mas, nisso tudo, o que é curioso é o que Ipueiras tem com toda essa história... É só dar uma chegada até lá, no conto de Jean Kleber, e descubra o que ele, Jean Kleber, Frota Neto, Solange, eu e... Ipueiras temos a ver com Bandeira...

 

Clique, Cttl pressionado, a Web aberta:

 

        Pega Ladrão! (Jean Kleber)

 

 

Abraço a todos,

Marcondes Rosa de Sousa

 

 

 

 

 

 

PRODUTOS NOSSOS

PATENTEADOS ESTRANGEIROS...

 

Marcondes Rosa de Sousa

            Thu, 29 Dec 2005 00

 

              Faz pouco, agora à noite, me toca o celular. Surpresa. Darci, ex-colega de infância e um pedaço da adolescência. Em Fortaleza, ela amanhã parte para as "águas retiradas". Conseguiu meu celular com Alaíde.

 

         Batemos um bom papo. Falamos do passado, de nossa pracinha, dos familiares (dela e meus), dos livros que ela está levando para a biblioteca do Instituto Frota Neto, da ipueira antiga e dos projetos que, numa solidariedade presencial, poderíamos ter todos com nossa terra.

 

         Darci disse dos encontros que havia tido, nesses dias, com sua turma de faculdade. Falou-me dos alemães que aqui foram colegas na UFC. Contei a ela que, hoje, no Jornal "O Povo", há artigo de alguém a reclamar de alemães que registraram a patente de nossa rapadura no exterior. Daqui a alguns dias, pagaremos royalties para saborear a nossa rapadura e as delícias de nossa cozinha...

 

         Contei a ela, a água na boca que, retornado a Ipueiras, busquei com Tuquinha (foi a última vez que a vi) re/degustar o "licor de Cambucá", em mim ficado na infância.

 

         Longo o papo. Ela levou meus telefones. Quer, antes de 10 de janeiro, quando retornará, encontrar-se com alguns conterrâneos aqui em Fortaleza.

 

         Abraço a todos,

         Marcondes Rosa de Sousa

 

 

 

PROJETO IPUEIRAS

 

A colaboração de Renato Bonfim

Grupo Ipueiras, 02.09.2007

 

 

 

No meu pouco tempo de que disponho, não me furtarei em ajudar neste projeto de Ipueiras.  Nem todos os e-mail tenho lido, mas sempre que possível, acompanho esta movimentação dos ipueirenses, como Kleber, Dalinha, Nonato, Tadeu, você e Walmir.

 

Lembro-lhe vários outros ícones de Ipueiras, folclóricos, como Zacarias, Telego, Coça-Coça, Tunda, Bedega, Mundo Ricardino, Zé Pequeno, Chico Tomaz, Totonho Regino, Antonio Simões e muitos outros que fizeram a historia de nossa cidade.

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Darci e Leo, (Berlim setembro/2008)

 

A DARCI DO ‘SEU’ CAMARAL

 

Marcondes Rosa de Sousa

Grupo Ipueiras - 26;01.04

 

A “Darci do Seu Camaral” me pergunta se me lembro dela! Ora, que pergunta? Duas marcas me fizeram, a vida inteira, não esquecê-la. Primeiro, os olhos (não sei por que me ficaram). Mas sempre que me lembro da Darci, vejo-a sempre de olhar e postura inquietos... Depois, uma razão “onomástica”. “Darci”. Conheci muitos Darcis, como o Ribeiro, o mais famoso. E outros tantos “Dárcis”.  Darci-mulher, poucas. O nome “Darci”, dessa sorte, sempre me levou à infância, a Ipueiras e a ... inquietação.

 

Parece que tenho razão. Olho a resumida história-de-vida que ela nos traçou e, em tudo, inquietação se expressa. De Ipueiras, errante  vagou por “Europa, França e Bahia”, fruindo os verdes mares bravios cearenses, a Alemanha, o Rio e a Guatemala. Da agronomia, embrenhou-se pelas “teias” da ecologia, o universo da língua e literatura e dos “assuntos mil” da cultura.

 

Empresária a apoiar “visitantes e expositores de feiras internacionais”, queixa-se de ser conhecida no sul do Brasil, mas desconhecida entre os nordestinos.

 

Em Colônia, na Alemanha, sempre encontra patrícios na Universidade que tem um programa com a UFC.

 

Penso, Darci, que uma ponte estaria aí. Aluno, dos anos 60, no Curso de Letras da UFC, acompanhei a implantação ali da Casa de Cultura Alemã. E, nela, todo o esforço do Prof. Feldman para um histórico intercâmbio com a Alemanha. Lá, ele, estudioso da cultura brasileira e nordestina, sobretudo, escreveu tese sobre Graciliano Ramos. E, com o passar dos anos, estreitou os laços Brasil/Alemanha, tendo o Ceará por ponte.

 

Pró-Reitor da Universidade, pela primeira vez, intermediei um intercâmbio com publicação simultânea e bilíngüe cá e lá. Na segunda vez, sobressaltei-me com a idéia, por ele tocada, do Instituto Lusófono a estreitar os laços entre a Alemanha e os países de língua portuguesa. E, um dia, maior sobressalto (isso já no Governo de Ciro Gomes), quando aqui aportou ele com mais de 100 personalidades (da indústria, do mundo universitário e da formação profissional) para um seminário conjunto entre alemães e cearenses.

 

Abrindo o simpósio, lembro-me das risadas de Feldman, quando eu disse: “Ao abrir esse evento, vou criar um problema para o tradutor. Mas não posso deixar de dizer – esse Feldman é um danado”.  De fato, cada tentativa do tradutor não justiçava, para os alemães, o porquê de Feldman dar tanta risada.  Na verdade, as palavras da frase, em português, quando traduzidas em alemão, não encontravam o impacto conotativo manifesto por mim. Feldman tentou explicar aos alemães...

 

Ah! Essa Darci é uma danada! E creio que (não sei se Feldman ainda anda por lá) o Ceará bem que poderia reatar intercâmbio mais estreito com Colônia. E, nessa estrada, Ipueiras bem que poderia encontrar um pedaço de chão para si. Artesanato? Sei lá! Tantas outras coisas e interesses.

 

Ora, uma vez, ao visitar um cearense que, em Fortaleza, coleciona a primeira edição dos jornais, sabendo que eu era de Ipueiras, mostrou-me um jornal ipueirense ... “em alemão”.

 

O bom de um grupo assim, como este é que, papo-vai-papo-vem, a gente termina encontrando estradas que surgem para a gente colocar Ipueiras como um lugar pelo qual a gente possa fazer alguma coisa.

 

Criativa, Darci bem que pode nos ajudar. É só juntá-la com Dalinha, Nely, Maria Solon ... e gente da mesma estirpe, que a gente chega lá.

 

(Foto, por Darci a mim enviada, quando esteve, em Berlim, com Leo, meu filho músico caçula, que se encontra na Alemanha).

 

 

 

 

 

 

 

 

FESTA DOS 122 ANOS DE IPUEIRAS

 

Tadeu Fontenele  

4 nov. 2005

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            Depois de recuperar-me de todo o esforço desprendido para garantir a participação no jogo que reinaugurou o Medeirão e após a regularização do Velox, estamos de volta.

 

            Ipueiras estava efervescente: eventos a todo instante. Chegamos a tempo para conferir a inauguração da sede própria do Instituto Frota Neto – Biblioteca Dario Catunda Fontenele. Emocionante para todos a concretização do sonho do nosso querido Frota Neto. Depois participamos do jogo inaugural. O restante foi sentir mais de perto o calor humano, revendo amigos e familiares.

 

            As fotos já estão no ipueiras.ce.gov.br. Renato Bonfim foi o autor do primeiro gol. A turma que foi daqui - Zequinha Bento, Renato Bonfim,Tadeu Fontenele e Armando Fontenele -  participou bem e como diríamos no nosso tempo de jogávamos lá: não perdemos nem ganhamos, empatemos.

 

            Jogamos ao lado do Fury, nosso grande goleiro, de Lutim  Malaquias e seu filho Elton, do Antonio Lotero, do Jonas, do Divórcio, do Zé Antonio, do Manezão, do Tadeu da Estação O jogo foi 1 X 1 e com muitos Graças a Deus depois que terminou. Foram 60 minutos de 2 as 3 da tarde.  

 

            Confiram e comentem. No meu retorno a Fortaleza, tive o prazer do encontro com o nosso Nonato, que estava hospedado no Praiano, junto com delegação de Brasília, quando, ainda com todo o pique, fizemos um percurso no Calçadão com direito a foto batida por ele.

 

 

 

 

 

 

 

 

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\clip_image001.gif" o:title="avw">ÁGUAS RETIRADAS

(Em tom de prefácio)

 

 

Marcondes Rosa

15 de março. 2005

 

 

        Amanhã, estarei divulgando junto a vocês artigo que hoje enviei, para a Página “Opinião” do Jornal “O Povo”, de Fortaleza (Ce), sob o título “Águas retiradas”. Espero que ele não ceda, no Jornal, lugar a matéria tida por mais importante.

 

        Na verdade, é o contraponto de preocupação crescente, tocada por um grupo de “intelectuais, políticos e empresários” no Ceará.  E essa preocupação vem em defesa dos interesses mais amplos, suprapartidários, de uma “agenda plural e coletiva” de nossa terra. Meus últimos artigos estão nessa linha.

 

        É que a nós assiste-nos uma constatação: nunca foram tantos (e tão expressivos) os nomes de cearenses a brilhar na constelação nacional. Mas nunca, em contrapartida, os interesses do Ceará foram tão desprezados. Razão? A preocupação de cada um com o “seu pedaço” e, em última análise, sua eleição e fatia de poder.

 

        Junto à opinião pública, resolvemos reacender as pautas comuns: a Refinaria, a Transposição do São Francisco, a interligação das bacias, os caminhos das águas, as “estradas todas” a nos levar à inclusão social e ao sustentável desenvolvimento.

 

          Na conversa pessoa-a-pessoa e nas reuniões coletivas, estamos tendo êxito. Nos jornais e meios de comunicação, nossa mensagem está tendo repercussão. As adesões estão sendo espontâneas. E as preocupações com as candidaturas iminentes estão se colocando em segundo plano.

 

          Nessa linha, peguei de “carta” que nosso conterrâneo Renato Bonfim enviou para o Jornal “O Povo”. Pincei-a para o Ipueiras Grupos. Tadeu, em comentário, no desenho dos “caminhos das águas” tocou na questão do “Lontras”. Ao Lontras, associou-se o Cupira. E pedi a Dr. Cláudio Ferreira Lima, que, comigo participa do grupo inicial na questão maior, e lhe pedi para verificar a situação do Lontras e (se for o caso) do Cupira. O mesmo assunto, ao me encontrar com Eudoro Santana, dirigente maior do DNOCS, toquei com ele.

 

          As respostas, vocês viram. No caso do Lontras é projeto antigo, em fase final, à espera apenas de “vontade e decisão política”. Do “Cupira”, não temos maiores informações, coisa que espero dos ligados à administração municipal, de quem esperamos envolvimento.

 

          Resolvi aproveitar meus curtos (mas, graças a Deus, lidos) espaços de exatos 1.600 caracteres (incluídos os espaços em branco) na Página “Opinião”, espaço a mim concedido quinzenalmente quarta sim quarta não. Nessa linha, tentei reproduzir a questão aqui discutida. Claro que com recursos literários, aproveitando alguns comentários que, do Grupo, colhi por e-mails e telefonemas pessoais.

 

           Não o envio agora por questão de ética e pacto com o Jornal: só realizar a divulgação em outro meio, uma feita publicado, fazendo a referência ao Jornal.

 

           Por enquanto, gostaria só de avisar que o assunto enquadra-se em dimensão mais ampla. E meu intuito é abrir caminhos para que Ipueiras não se desenhe como “águas retiradas” quando se retraça o São Francisco, numa nova sintaxe do “caminho das águas” e da interligação de bacias.

 

           Sei que muitos, em Ipueiras (as autoridades sobretudo), ainda não entraram nos tempos da Internet. E não sabem como o local pode ser ajudado pelo global. Aqui, repito, meu interesse vai acima de qualquer interesse mais prosaico ou projeção pessoal. Meu interesse é apenas ajudar.

 

           Até amanhã, quando, no Grupo Ethos-Paidéia, que, coordeno, e neste Grupo, estarei divulgando o “Águas retiradas”. E gostaria de redespertar Renato, Tadeu, Erivelton, Simone, Dalinha, Braga, Simone e dos demais – personagens importantes, todos, para que nossa saga vá além. Importante um contacto mais estreito entre os que, em Ipueiras (na administração pública e na sociedade), podem engrossar as fileiras em torno dos interesses comuns. Nessas fileiras, as diversas tendências não hão de se opor. Mas, ao contrário, de somar-se.

 

                  

 

           

***

       

        Clique, para ter acesso ao citado artigo:

        Águas retiradas (Marcondes Rosa de Sousa)

 

 

 

 

NUS, O REI E NÓS!...

 

 

Marcondes Rosa de Sousa

16. Março, 2005

 

 

Aí, afinal e já divulgado, o prometido artigo, espécie de reportagem de nossos papos, em nossa virtual “pracinha”, a ter o desprendido Braga por zelador.

 

A idéia nasceu de rápido encontro que, no Iguatemi, tivemos, ao acaso, Demócrito e Vânia Dummar, do Jornal “O Povo”, e eu, ocasião em que tecemos comentários sobre reunião, no Jornal, a ter, por temática, o atual conceito de “regionalidade”, no contexto do nacional e do local, caindo enfim sobre a necessidade de melhor estudarmos a tensão global/local.

 

Vânia, que, na Fiec, ocupa-se dos programas ligados à “responsabilidade social”, chamava-nos a atenção para a importância do “local”.  E eu ressaltava, sobretudo ao pensar sobre a situação de esquecimento de nossas populações interioranas, a necessidade de pormos em close up os dramas e especificidades locais, num contraponto com o global a dar a esses dramas as mãos.

 

Confesso-lhes. Nunca um artigo me foi parto tão doloroso. Sobretudo pelo exíguo espaço de que dispunha.  Mas não posso reclamar. Afinal, aí estão Ipueiras, o “sítio” e a “pracinha”, mais uma vez, projetados no jornal de maior tiragem do Ceará. Nossos dramas e sonhos, na Página “Opinião”, coração desse periódico, no artigo central da secção, onde dizem, caem com mais intensidade os olhares... Além disso, divulgado na Web: www.opovo.com.br, acessável em todo o Planeta.

 

Como se isso não bastasse, fiz dele a divulgação em três grupos de discussão: a) o “Ethos-Paidéia”, que coordeno e do qual participam, em todo o País, interessados nas questões da educação (escolar e social): pessoas instituições; b) a “Além da Visão” que reúne, coordenada pelo Prof. Saulo César Silva (SP), com gente de toda a América Latina; c) neste “Grupo Ipueiras”, onde se reúnem os “amigos de Ipueiras”: os lá residentes, os retirados de suas águas, os a estas ligados pelos laços do afeto.

 

Além disso, vali-me de minha pessoal “lista de endereços eletrônicos” (políticos, educadores, empresários), muita gente a se espalhar pelos “quatro cantos do mundo”, no dizer do poeta popular, por “Oropa, França e Bahia”...

 

A todos, minhas desculpas, se a exigüidade de espaço obrigou-me a corte de cenas, personagens omitidos. Se, por outro lado, quem sabe, espargi confidências e dramas locais por aí afora. Mas é que, em tempos globais, tudo é transparente. Estamos todos, como na fábula, nus. Não apenas o rei.

 

Fraternal abraço,

Marcondes Rosa de Sousa

Fortaleza

 

 

 

 

Grandiloqüência das cheias

 

 

Marcondes Rosa

O Povo -28 de Dez. 2005

                                         


        

         Valeu o alerta! O Ceará perdia-se, sem projeto, nas ''coisas miúdas''. A siderúrgica, sonho histórico, (re)uniu-nos. Nesse clima, a autocrítica, sem o apontar de ''culpados'', a nos rever a educação: a) avanços quantitativos, sim; b) pecados, porém, em qualidade, nas muitas ''escolas indignas''; c) olhos ao chão, míopes de horizontes - imediato (o trabalho) e estratégico (capital social e humano, e inclusão social).



         É o que colho das discussões sobre nossa educação. Autocrítica maior, a miopia em mirar nosso porto: a) ''analfabetos funcionais'', a atingir 42%, em nossas escolas; b) muitas dessas, insuladas de seu entorno, em autismo corporativo e clientelista; c) pífia oferta de educação superior, em 24º lugar nos 27 estados; d) incômodos bolsões de ''extremamente pobres'', sem a dignidade do ''comerás o pão com o suor do teu rosto''...



         Em Juazeiro, observo atores sociais ''em teia'' a pensar educação (com ênfase na superior) rumo a um porto. Ouço alguém lúcido: ''Em terra pobre de recursos naturais, onde até a água é escassa, maior bem nos seria criatividade e tato humanos. Indústria agora é mais que chaminé''. E, dando o tom, o elencar potencialidades nossas para o turismo e a pauta para repensá-lo na ampla teia de seus atores (políticos, educacionais, empresariais, sociais). Hélio Barros, comprometido secretário ali presente, anotou a proposta.



         Do Cariri, onde Parmênides (o permanente) e Heráclito (o mutável) se abraçam, voltei com a lição de João Cabral, o poeta, a nos ver, no Ceará, como se rios na dialética dos leitos secos e das cheias: solitários poços desenfrasados, no estio, mas a recobrar latente ''sintaxe'', na ''grandiloqüência das cheias''. E, com ela, a função do combate à seca. Mas qual Moacir, de Alencar, o migrante ''filho da dor'', a ter de irrigar terras outras. Lá fora!...



MARCONDES ROSA DE SOUSA é professor da Universidade Federal do Ceará (UFC) e da Universidade Estadual do Ceará (Uece). Escreve quinzenalmente.

 

 

A VISÃO DE PROJETO

E O PODER DE RESINA

(OU DE JUNTAR OS CACOS

 

Marcondes Rosa de Sousa

09. jan, 2006

 

               

                Algumas explicações “a posteriori”, ilustrando a entrevista “Segunda independência”, da última Isto É, com Sérgio Machado, ex-senador pelo Ceará e ora à frente da Transpetro.

 

            Ontem, sábado, ele me telefonou. Indagou-me se havia lido sua entrevista. Respondi-lhe que a Isto É sempre me chega atrasada, já na segunda-feira, ao contrário de Veja, que avisa com antecedência e liturgicamente está em minha pessoal caixa postal, em casa...

 

            Hoje, cedo, novo telefonema. Desta feita, já a havia lido. E lhe falei de minha literal “vibração” com o tom e sentimento da entrevista. Ele me pediu recolhesse, dentre os de meu círculo (intelectuais sobretudo) as reações. E a divulgação a priori no “Ethos-Paidéia” tem esse sentido: o de provocar um amplo debate sobre o Brasil. É que a Revista foi muito feliz. Apresentou um histórico de vida de Sérgio todo ligado a uma pauta a mirar ... “um projeto”. Assim, ainda infante ao lado de Juscelino. Partícipe das lutas estudantis, nos fechados anos 70. Apóstolo fervoroso dos que, entre muitos (Tasso, Beni, Ciro, Amarílio Macedo) sonhavam com o “acabar com a miséria e o clientlismo”, no Ceará e na Região Nordestina..

 

            Aí, conheci o grupo. E foi a circunstância histórica de aqui trazer Celso Furtado para debater os caminhos da nordestinidade, que me aproximaram do Grupo.

 

            Aos poucos, muitos os chamados e poucos os escolhidos, foi fazendo tal grupo dispersar-se. E um dia, em Brasília, Sérgio (ainda na alta direção do PSDB) um grupo “paulista” forçava por querer minha vaga na alta direção do PSDB. Disse a Sérgio que concordasse. Afinal, um “sudestino” ficaria melhor que um “nordestino”. Sérgio, como tantos outros, foram se dispersando no grupo inicial das “mudanças”.  E um dia, eu próprio vi que os postos iram sendo ocupados por pessoas da factual política. E a frase de Tasso – disse isso a ele – doía-me: “No PSDB, passou a era dos intelectuais. Agora, é a vez dos políticos e dos gestores”. Tudo como se, aos intelectuais, faltasse o tato dos “políticos” e a ação dos “gestores”. Brincando, disse a Tasso que, em São Paulo, havia eu dito que a frase não era referência a FHC, Serra e, ao mesmo tempo, a Minas e Ceará. Mas a mim. Ele se riu. 

 

            Foi aí que disse do artigo que me ia à cabeça: a solidariedade dos banhos de rio da infância, na “grandiloqüência das cheias”. Depois, a solidão crescentes das poças e poços e das cacimbas cercadas pela miséria. O movimento das mudanças, enfim, retornado ao solitário monólogo “monólogo coletivo”. Foi aí que um técnico em marketing me disse: “Mude o final do artigo” – eu me sentia um Y-Juca Pirama, com seu “Meninos eu vi!”. O técnico me disse: “Alguém pode mudar esse final, trazendo todos, do solitário monólogo coletivo para a “grandiloqüência das cheias”. E eu, curioso, perguntei: “Quem?” E ele: “O senhor! Comece por refazer a amizade de Tasso com Sérgio e com Ciro?”

 

            Balancei a cabeça: “Impossível”. Mandei um recado para Sérgio. Ele topou conversar. Antes, porém, conversaria comigo. Depois, encontrei Tasso. Quando lhe falei, ele foi categórico: “Já nos encontramos a conversamos sobre o tema”. Para encurtar a conversa, um dia, falando sobre o plano da Transpetro, Sérgio gastou não mais que seis minutos falando o quanto o Nordeste e o Ceará, onde todo o movimento se iniciou, havia ficado para trás do País. Aí, o apelo pela união de todos em função de um projeto.

 

            Sob essa perspectiva, de projeto “complexo e plural”, o que implica em pluripartidarismo, é que gostaria que víssemos a entrevista de Sérgio.

 

            Nossas intenções, no Ceará, caminham em tal rumo, mesmo sabendo do clima que, pessoalmente, está a navegar por “coisas miúdas” (disse Tasso), dando ênfase a “notas de rodapé” (Sérgio), não conseguindo nem mesmo discutir a transposição de bacias. Desse clima, falou-nos o próprio Lula: “O Ceará precisa se unir”.

 

            De alguma forma, entre nós, predomina um refrão de Sérgio, que sempre escutei: “Onde não existe ideologia e projeto, brota a fisiologia”. É o que vemos.

 

            Aí, pois, a entrevista. E, por trás dela, o apelo à união. União do “complexo e plural”. O que todos (em reunião, no Centro Industrial do Ceará) concordaram. Embora, entre cochichos, tenha eu escutado daqui e dali: “Mas você sabe que, entre todos esses, quem mais ter a condições de ser governador ... sou eu!”

 

            A resposta: De início, o projeto. No fundo, o que talvez a Rede Globo, com a novela e, agora, a Isto é, com a reportagem de capa, tentando desvendar o que se passa no inconsciente coletivo do brasileiro. Ou ainda a frase com que o próprio Sérgio tentou desfazer meus preconceitos para com o presidente da Venezuela, Hugo Chavez: “Mas se engana você. Ele, diferente até de nós, tem ... “um projeto”. Nessa consciência de um projeto estaria a comunicação de Chavez com seu povo...

 

            Aberta, pois, de forma plural (aqui, no Ceará, e alhures), a discussão.

 

            Cordial abraço,

            Marcondes Rosa

 

Em louvor à Minha Terra

 

 

                                            Jeremias Catunda

 

 

        Embora com o mesmo aspecto físico que as cidades do interior apresentam, Ipueiras tem qualquer coisa que a difere das demais comunas do nosso sertão.

 

        A cavaleiro da soberba cordilheira da Ibiapaba, que vista da cidade parece uma imensa fita azul a ondular no poente, salpicada de esguias palmeiras, os crepúsculos chegam sempre mais cedo, porque a sombra da serra desce por sobre o casario multicor como um grande véu plúmbeo.

 

        Cercada de morros que no inverno vestem-se de um verde-claro, quase gaio, antes das chuvas passarem já começam as jitiranas a soltar as flores violáceas, cobrindo com os pau-d´arcos toda a ramagem,  que se torna matizada, apresentando um colorido exuberante, digno de uma tela. É num desses morros, o mais alto que orla o sul de minha terra, que está plantada a figura meiga do Cristo Redentor. De braços abertos, o olhar fino daquele que perscruta o interior das almas, parece a num longo e carinhoso amplexo de amizade, juntar a terra e o seu povo.

 

        Visitante nenhum foi até hoje ao cimo da colina, de onde a imagem do Filho de Nazaré olha a cidade, que não tivesse uma frase de exclamação, uma palavra de elogio ao monumento, ao panorama deslumbrante que não cansa nunca os olhos.

 

        A cidade é vista de todos os seus ângulos. Lá para o leste está o açude, aquele mesmo açude que me viu menino, de baladeira no encalço de jaçanãs e mergulhões, correndo na parede atrás do pássaro chumbado, ou descendo para represa onde os coqueiros e as enormes mangueiras oferecem um clima de oásis.

 

        O chafariz que do alto mais se assemelha a um monumento do tempo de Mausolo, fica postado numa das principais entradas da cidade. É lá que a alma do povo humilde de minha terra, grita as suas necessidades e chora o seu abandono.

 

        O Arco de Fátima, o mais belo marco da área urbana, se ergue na rua Gal. Sampaio e é bem o símbolo, o atestado da fé transbordante do ipueirense. Lá, quer nas horas quentes do sol a pino ou quando o grande astro já se vai dobrando por sobre a Ibiapaba, tem sempre alguém com os joelhos na terra, implorando uma graça à Virgem da Iria.

 

        A Escola Normal Rural, edifício vigoroso do ensino de Ipueiras, enfeita com os seus dois vistosos pavimentos a Praça da Bandeira. É lá onde a nova geração está encontrando no amanho dos livros o caminho das ciências.

 

        Um ligeiro salto passamos por sobre à avenida Getúlio Vargas, o coração da cidade, onde o society se reúne nos dias de festas e em que cada banco de cimento é um confessionário de amor. Nas noites de lua, quando a soberba rainha do espaço gira no alto, os violões sentidos, choram mágoas de romances fracassados, que a história só a velha praça conhece.

 

        A Prefeitura ali bem perto, dorme com a sua galeria de edis o sono de Prometeu!?

 

        Bem no centro da grande praça está a igreja; com sua esguia torre para o alto, parece nos apontar o caminho de Deus. Tudo nos fala de um tempo, de álacres noitaros, das matinais alvoradas quando a santa padroeira é festejada em dezembro!

 

        E vamos chegando ao velho rio Jatobá, à ponte, ah rio da saudade, das pescarias, dos banhos, cada curva que ele dá é um relicário do passado e são tantas as suas curvas! Como nos lembra uma infância feliz e longínqua!

 

        O carnaubal de minha terra é o mais belo do mundo! À tarde em cada carnaubeira canta uma graúna. Quando a sombra da terra vai chegando, a grande orquestra inicia das copas soberbas e virentes a mais maviosa canção que já se ouviu: é a canção da saudade. Lembrá-la é rever minha terra, é escutá-la nos seus sussurros de amor.

 

        É assim a minha terra: não há poeta que lhe diga a grandeza, não há descrição que lhe conte os encantos!!!

 

                                                                                      

(Crônica publicada no jornal O Estado em agosto de 1959)

(Foto : Site oficial da cidade de Ipueiras)

 

 

 

Uva a plantar

vinhedos entre nós

 

Marcondes Rosa de Sousa

15. Out 2006

 

Recordo. Fevereiro de 1996. No Fórum da Modernidade, as universidades cearenses e o Conselho de Educação do Ceará discutiam, com os protagonistas de nossa sociedade e a professora Eunice Durham, “a responsabilidade das universidades para com o desenvolvimento sustentável”.  E o sentimento não era outro. O desenvolvimento haveria que sustentar-se na “inclusão social”, que haveria de ter, por via segura e expressa, uma continuada educação. E o primeiro passo, no Ceará, seria, seguindo o lema “uma escola é o que são seus professores”, capacitar seus docentes.

 

Nesse afã, as universidades cearenses se deram as mãos, passando por cima dos minifundiários tratados-de-Tordesilhas, numa autêntica “operação de guerra”, o que as fez esquecer até seus medievais limites de “sede”.  Nesse afã, a Universidade Vale do Acaraú (a UVA) foi transpondo inicial vale, a plantar seu vinhedo, para além do Acaraú, por todo o Estado, e em regiões outras do País e no exterior até.

 

                   Foi nessa “operação de guerra” que ela chegou ao “vale do Jatobá”, em Ipueiras, a terra das “águas retiradas”. Isso, em julho de 1997. De lá para cá, deu grau a 453 concludentes de cursos de graduação (a maioria professor), plantou pós-graduação lato sensu e hoje abriga, em suas classes, 386 alunos.

 

                   Agora, como todas as instituições de ensino do Ceará (as de iniciativa social, inclusive), sob provocação da Secretaria de Ciência e Tecnologia, repensa-se ela em tons de uma política de educação superior, discutindo com os “protagonistas dos atores sociais”, ação mais larga e durável, em clima de “rede” e de “teia”.  O Ceará se redesenha em regiões (pela ação do Instituto de Pesquisa do Ceará – IPECE), irmanadas em suas potencialidades e necessidades com vistas ao sonhado “desenvolvimento sustentável”, a ter por escopo a “inclusão social”.  Sob essa ótica, Ipueiras é o chão das “águas retiradas”,  por onde correm as episódicas águas do Jatobá. É o semi-árido das macambiras. Mas é também o úmido das serras (no caso, a Ibiapaba), com largo potencial econômico, cultural e turístico. E, sobretudo, o celeiro da cultura, do capital humano enfim. E é função da universidade, com seu ensino, sua pesquisa e extensão, redesenhar o real e o imaginário de uma caminhada conjunta.

 

       Dentro desse espírito, já programado em gradual “Conferência Estadual de Educação Superior”, a UVA procura parceiros, entre os “atores sociais”. E, em Ipueiras, celebra convênio com o Instituto Frota Neto, numa ação em conjunto no campo da educação e da cultura. Com isso, de alguma forma, volta-se ela, com mais acuidade, a seu chão, em seu entorno “mais perto”: o do “vale do Acaraú”, espraiado ao de seus afluentes, onde se situa o Jatobá. Em Ipueiras, os “atores sociais” se reúnem, é a esperança, num verdadeiro “pacto social” de Rousseau, a educação a divisar necessidades, caminhos e sonhos. A Uva projeta braços atuantes em seu ensino, sua pesquisa e sua extensão. Seu reitor, José Teodoro Soares, tem essa visão. E, no caso da extensão, por muitos anos, tem a experiência, no País, do Projeto Rondon, a ação mais atuante em "responsabilidade social" de nossa extensão.

Filho adotivo, desde infante, de Ipueiras, alegro-me com esse pacto. Do morro mais alto da Cidade, vejo o Cristo da Caatinga a contemplar nossos campos rumo à bica do Ipu, onde (conta Alencar) banhava-se Iracema, a tabajara “virgem dos lábios de mel”, correndo, com seu “pé grácil e nu”, as “matas do Ipu", mapeando o Ceará em hospitalidades, desenhando nossa cultura e turismo, como a nos mostrar nossa riqueza não explorada e a nos indagar, aves de arribação a migrar, a conclusão do romance alencarino, a nós, feitos Moacir, “o filho da dor”.  “Seria a predestinação de uma raça”?.

 

Nossa esperança é que apostemos em Pero Vaz de Caminha: a terra é fértil, “nela, em se plantando, tudo dá”.  Dará, no Vale do Jatobá, alimentador do Acaraú. Nas macambiras semi-áridas. Na úmida “Serra dos Cocos”, por onde se sobe para a Matriz de São Gonçalo, anfitriã da Ibiapaba.  “Vinhedos" em tal região, rica em cultura, brotarão com certeza. E aos que, muitos, de lá emigramos para outras terras, talvez respondamos como “filhos da dor” alimentados pela educação, à angustiante pergunta com que nos instiga Alencar. Ela, a educação, com certeza, a arrancar do chão e de nossas almas as alavancas, nos responderá: ela própria será o caminho para a geração do capital humano, móvel da inclusão social.

É nossa esperança-certeza!

Marcondes Rosa de Sousa é professor da Universidade Federal do Ceará e da Universidade Estadual do Ceará, e ex-presidente do Conselho de Educação do Ceará

 

 

        

        

         Amigos de Ipueiras,

 

        Em primeiro lugar eu pediria ao nosso coordenador Braga, sabendo da estima que ele tem por nosso amigo Tadeu, que abrisse um espaço para seu Zeca Bento, no "Site". Seu Zeca é um legitimo representante de nossa cidade e certamente deixará o site mais nobre.

 

        O nosso Zeca Bento, 1º Tabelião – Escrivão, Oficial de Registro Civil de Nascimento, Casamento e Óbito de IPUEIRAS, se vivo estivesse, faria agora no dia 17 de setembro 100 anos do seu nascimento. Em 19 de novembro próximo são completados 20 anos de sua morte. Sabendo da figura importante que foi seu Zeca para nossa Ipueiras, repasso aos Ipueirenses que gostam de prestigiar nossa terra, um pequeno histórico deste homem que  tanto amou e se dedicou a sua cidade.

       

        Meu abraço a todos,

        Dalinha Aragão

 

 

ZECA BENTO,

BOM EXEMPLO

A SEUS HERDEIROS

 

        A Terra, parte do Universo em que seus habitantes vivem suas existências através de expiação e de provas, recebeu há 100 anos um habitante para morar que, enquanto aqui viveu, foi conhecido por Zeca Bento.  Ipueiras foi a cidade que o acolheu, tendo nela vivido desde o nascimento, em 17 de setembro de 1905 até 19 de novembro de 1985, quando desencarnou.  Filho caçula do casal Coronel José Bento de Oliveira Fontenele e de Inocência Catunda Fontenele, teve como irmãos: Raimundo Catunda Fontenele, Raul Catunda Fontenele, Hugo Catunda Fontenele, Dario Catunda Fontenele e Mileto Catunda Fontenele – tendo todos constituído família em Ipueiras, alargando assim a descendência da família que casou-se em dezembro de 1936 com a professora Ineizita Ribeiro Bessa, hoje vivem 12 filhos, 26 netos e 13 bisnetos.

 

   Zeca Bento foi Tabelião, Escrivão e Oficial do Registro Civil de Ipueiras.  Identificou-se muito bem com os conterrâneos pela maneira simples e descontraída como levou sua vida, ora no convívio do lar com D. Ineizita e os 12 filhos, ora no Cartório Bento Filho, que era um local de encontro dos ipueirenses onde se sabia do que estava acontecendo na cidade e no mundo, pois ali era lida, semanalmente, a revista O Cruzeiro ou nos dias que o trem vinha de Fortaleza chegavam os jornais da Capital.  Naquela descontração também se falava da “vida alheia” ao ponto de o local (o cartório) ficar sempre com bastante gente, pois as pessoas ficavam receosas de sair para não ser alvo das línguas ferinas dos que ficavam.

 

    

                Zeca Bento também era homem de preces.  Rezava breves orações ao acordar, antes das refeições e, à noitinha, puxava o terço com toda a família, além de, no final da tarde, quando do retorno do trabalho, uma passadinha na igreja para participar da bênção das 6 horas – a missa do ângelus.  O costume da prece se estendeu bem aos seus herdeiros, apoiados nos ensinamentos cristãos do “pedi e obtereis, buscai e achareis”.

 

        E foi assim, nesta sua passagem na Terra, que Zeca Bento deixou bons exemplos para seus herdeiros, que já se constituem na 3ª geração, manifestação também enfatizada pelo amor que dedicou a Ipueiras e que, pela estima que teve de todos os seus diletos conterrâneos, só deu motivo para que seus familiares dediquem e continuem amando esta querida cidade.

 

Sugestão patriótica

 

Helder Sabóia

 

 

 

             A propósito da propalada reforma política, veio-nos à lembrança brilhante artigo do Dr.Luis Cruz Vasconcelos, ex-lente da Faculdade de Direito da UFC, publicado, já há algum tempo na mídia local, onde o articulista, no contexto de suas reflexões sobre as incertezas em que vivemos ante as  flagrantes desigualdades sociais, decorrentes das nossas arcaicas estruturas sócio-econômicas, entende, como forma de corrigir essas distorções, que  “..uma das primeiras reformas a ser feita deveria recair sobre o atual Congresso Nacional, que devia adotar o sistema cameral único, com apenas uma Câmara de Deputados, na qual teriam assento um número limitado de representantes do povo.

 

            O número de deputados não poderia exceder a 50 e quanto à representação dos Estados e Territórios, um deputado, por Estado e Território. O mandato seria gratuito, recebendo,cada um, apenas o necessário para o transporte e o custeio das despesas de estadia, quando em exercício” A economia resultante dessa mudança, ressalta,  “.passaria a constituir um fundo especial destinado a medidas de caráter social, em benefício da pobreza.”, finaliza, perguntando: “Estarei sonhando?”.

 

            Ao concordarmos, in tótum, com o pensamento do mestre, respondemos, à época, ao seu auspicioso devaneio, escrevendo: “Admitindo que o sonho de V.Sa. se transmude, um dia, em realidade, todos nós, cidadãos brasileiros, estaríamos de parabéns, pois os representantes do povo, nos parlamentos da Nação, lá estariam, movidos, tão só e unicamente, por idealismo o que lhes daria inconteste legitimidade para exercer, à plenitude, o múnus público a eles conferido pelos eleitores”.

 

            Voltamos ao assunto, desta feita, à vista do artigo do conterrâneo Renato Bonfim Medeiros, intitulado, “Ainda tem jeito”, publicado no jornal  O POVO, de 11.07.07, onde sugere, em linhas gerais, elaborar nova Constituição em cujo texto contivessem cláusulas restringindo as regalias dos parlamentares, além de outras limitações no âmbito da legislação eleitoral. Propõe, paralelamente, a redução da maioridade penal, daí derivando para alterações na área recursal do processo civil, buscando maior eficiência no âmbito da prestação jurisdicional, tudo visando combater a corrupção e a ineficiência da atuação do Estado com vistas à promoção do desejado desenvolvimento sócio-econômico da Nação Brasileira.

 

            Louvável a preocupação do amigo. Embora não sejamos especialista na matéria, entendemos, salvo melhor juízo, que as pretensões externadas poderiam ser materializadas por leis ordinárias ou por leis complementares à Constituição cuja iniciativa cabe, também, aos cidadãos na forma prevista no Art.61 da Carta Magna. Alguns constitucionalistas defendem a convocação de uma Assembléia Nacional Constituinte exclusiva para moldar um novo sistema político.

 

            Não temos qualquer pretensão de polemizar sobre a melhor técnica legislativa para viabilizar tais sugestões, mas, sim, buscar vias alternativas para tornar mais célere sua implementação. Alia-se a esse pensamento a grande imprensa brasileira, valendo destacar, a título de ilustração, o que escreveu Roberto Pompeu de Toledo, ensaísta da revista Veja, quando, na edição de 04.07.07, comentando sobre os últimos acontecimentos envolvendo o presidente do Senado, sentencia, finalizando o texto,  que lhe cumpria “o doloroso dever de informar que o Congresso Nacional faliu”.

 

            Parabéns, Renato. Continuemos nessa luta para o “bem de todos e felicidade geral da Nação”, exclamação ufanista de D. Pedro I, aqui invocada para reforçar a amplitude nacionalista de suas idéias.