
EXPOSIÇÃO, NA UNIFOR,
SOBRE O BARÃO DE MAUÁ.
AO LADO, ANTONIO BANDEIRA...
IPUEIRAS, O QUE TEM A VER?
Marcondes Rosa de Sousa
Amigos,
Aí estão, divulgados para o Grupo Ipueiras, todos os textos postados no Blog do mesmo grupo, onde, de alguma forma, divisamos o reclamado intento dos ipueirenses (ou amigos), pela valorização de seus “ícones”. Originariamente, o termo “ícone”, desde os gregos, vinculava-se ao estrito conceito de “imagem”. Com o advento da semiologia, ele se amplia em significação, transpondo o inicial conceito de uma “estátua de Cristo a nos abrir os braços”, por exemplo, para uma estação de trem, um tipo popular, uma bica no distrito Matriz...
· Exposição sobre o Barão de Mauá
Nestes dias, convidado pelo Presidente da Transpetro, Sérgio Machado, estive numa exposição sobre o Barão de Mauá, Sérgio Machado, por diversos telefonemas (de sua secretária e dele próprio) insistia em minha presença ao evento. E a razão principal, sabia eu, era a força maior do simbólico em nossa ação empresarial ou política maior. A idéia era mostrar o soerguimento de nossa indústria naval, nos moldes do visionário Barão de Mauá. A abertura da exposição numa Universidade, fundada por outro visionário, Edson Queiroz, evento em tom e toque artísticos, aludindo à visão profética e altamente moderna hoje (a do fundador da primeira instituição de educação privada já nascer universidade), tinha tudo para refletirmos sobre a ação inovadora, tal como a do Barão de Mauá...
Sérgio fez questão de minha presença. Dos Estados Unidos, onde apresentou planos da indústria naval brasileira, telefonou-me sobre a exposição. Do Rio, a mesma insistência. De Fortaleza, meia hora antes da abertura da exposição. Ficou satisfeito apenas com o “já estou aqui!, na Unifor, com o reitor ”, de minha parte...
· Formação de um grupo supra-partidário
Explicação que se faz necessária. Tudo isso, pelo amor de Deus, que não se traduza em vocês, os do Grupo Ipueiras, como se houvesse, da parte dele, Sérgio Machado, e minha, qualquer interesse político partidário. Sérgio, conheci-o, nos tempos em que, sendo eu pró-reitor de extensão da UFC, fui intermediário do convite ao fundador da Sudene, Celso Furtado, para uma palestra sobre “Perspectivas para o Desenvolvimento da Região Nordestina, este retornado de longo exílio. À época, os chamados “jovens empresários do CIC” articulavam a redemocratização do País e o que, depois, se denominava “Movimento Pró-mudanças”, Sérgio era, ao tempo, chamado então de “o samurai do Cambeba”. Uma geração inteira - fiz parte dela como uma espécie de “ghost whiter” - e, após, aceitei dirigir a TVE do Estado (quando me reencontro com Frota Neto) e, depois, como assessor, no campo áudio-visual, a Secretária Violeta Arraes.
Sérgio, para mim, revelou-se sempre voltado para os sonhos a orientar-nos a caminhada. E isso logo vi na armação da exposição. O ator Paulo Betti, na apresentação, feito Barão lançando os sonhos ali em apresentação teatral e audiovisual. Em outra sala, a exposição da trajetória do Barão. Por fim, o encontro dos ali presentes, num coquetel.
· O reencontro com Renato Bonfim Medeiros
Foi nesse clima que, dentre os que chegaram mais cedo ao palco do evento, na Unifor, dei com o empresário ipueirense Renato Bonfim. Ele me falou que estava recebendo, de minha parte, a série de textos postados “em busca dos ícones de Ipueiras”. Havia gostado, mas, no afã de empresário, nem tempo sequer tinha para tudo ler, tinha ele. Melhor, reservar-se seu papel para a fase mais pragmática de sua edição (formato, custos, etc), Aí, nos papos entrecortados a noite inteira, as sugestões para um grupo imediato.
· A mim, a tarefa mais ampla e difícil
De minha parte, uma tarefa mais ampla e difícil. Voltar, em minha metáfora, aos tempos das cheias do Jatobá (os “álacres banhos em minha infância”), Sérgio, um dia, chamou-me para um almoço. Nos dedos, contamos (à época) 21 cearenses nos mais altos postos da nação. Enquanto isso, o Ceará que partira na frente, estava entre os últimos, na região e no País. Aí, ele, a pretexto das obras da Petrobrás e Transpetro, levou as mais diversas correntes e lideranças empresariais e políticas ao auditório da Fiec. Gastou, nesse apelo, seis minutos apenas. E, ali, um pacto suprapartidário, todos a me ver como um “Pero Vaz de Caminha” em tal jornada. Logo, porém, em nossa vida política nacional, abateu-se, na contramão desta nova “União pelo Ceará”, a humilhante cena dos “dólares na cueca”, dos mensalões e toda vez que algo intentávamos, nada...
· O resgate da “sintaxe perdida
Pouco tempo atrás, após a edição da obra do economista Claudio Ferreira Lima, na casa de Sérgio, reunimo-nos em um pequeno Grupo, e a estratégia foi a de Cristo: a) de início, “Pedro, Tiago e João”, vale dizer, um “pequeno grupo” (petit comitée); b) depois, os “doze apóstolos”, c) e o resto, o urbs et orbis, que o Evangelho nos mostra. A mim, a tarefa de, no lançamento do livro, a apresentação. Recusei, tantos os remédios que, na época, estava tomando, o que me traziam verdadeiros surto de esquecimento das coisas. Recomendei que confiássemos a tarefa a um economista.
Azar, o nosso! Na Assembléia Legislativa, quando do lançamento do livro. Não percebi o propósito da chamada a mim para a mesa, ao lado de Demócrito Dummar e Sérgio Machado. E, sem qualquer aviso a mim, o passar a palavra a mim, ao final, pelo deputado ali a presidir o evento, o franquear a palavra... Aí, esqueci-me de meus surtos de memória. E, ao final, a platéia toda a, em demorado aplauso, concordar com a grandiloqüência das cheias, a resgatar a “sintaxe perdida” de nossas águas... Dois dias depois, a morte de Demócrito e tudo outra vez a recomeçar.
Depois, morte do reitor da UFC, eleições. Arranhões de todos os lados... Difícil, para o resgatar da “sintaxe perdida” entre as cabeças (o mundo universitário), as mãos (os gestores do mundo social e estatal) e o tato (os políticos), meus históricos bordões...
· Visão, em contraponto, da Prof. Luitgarde:
Nisso tudo, meu papel é o de reavivar nossa sintaxe perdida. Uma sintaxe que, em nosso caso, tudo começou, nos anos 80, quando para aqui trouxemos Celso Furtado, que se tornaria o guru a alimentar os “jovens empresários do CIC”. Vejam, por ironia, o que a professora Luitgarde Oliveira Cavalcanti Barros, luitgarde@globo.com, do Rio, me escreve, a propósito do artigo “O Nordeste Hoje (Marcondes Rosa de Sousa”:
“Bom dia, Marcondes Rosa!
A Igreja e Celso Furtado jamais levaram, levariam ou levarão o Brasil à condição de dignidade que Josué de Castro pleiteou (ler Pão ou Aço) e que Celso Furtado derrotou, se aliando com Juscelino, IMPEDINDO a reforma agrária e trabalhando, através da SUDENE, pelo enriquecimento dos grupos paulistas.
Orientei na UERJ excelente Dissertação de um jovem talentoso sobre a Polêmica entre Josué e Furtado. Pelo futuro do Nordeste, esse trabalho deveria ser publicado e amplamente divulgado. O nome do jovem é Tayguara Torres, o telefone dele é (21) 25026751 e e-mail tayguaratorres@ig.com.br.
Quanto à Igreja, combateu as Ligas Camponesas, enfiou goela abaixo Padre Melo, e terminou na Marcha Pela Família Com Deus Pela Liberdade, com o Padre Paiton, se lembra? Como se fará a tal INCLUSÃO sem impedir o sistema de EXCLUSÃO? Apoiar as políticas neoliberais do Partido que ela criou e defende em qualquer campanha eleitoral como "o menos ruim", "fazer CARIDADE" com o dinheiro público, vai-nos levar a alguma coisa além da eterna "fé, esperança e caridade", isto é: "NASÇA NA FÉ, VIVA NA ESPERANÇA E MORRA NA CARIDADE"!!!?”
· Visão suprapartidária não equivalente ao “fora a política”
A idéia desse grupo, liderado por Sérgio Machado e aglutinando pequeno grupo a se tornar água grande, é partir, de início, para a constituição de uma ONG de intenções e ação suprapartidárias. Não se trata do utópico “fora a política” de minhas amigas “vendedoras de sonhos” (Rosa da Fonseca e Maria Luíza a quem respeito e ajudo). Mas permitir - e obrigar até - o olhar mais alto quando divisarmos os interesses de nossa ação política.
· Minha tarefa possível
Toda essa explicação para deixar claro meu olhar, meus interesses e minha ação possível no caso da “sintaxe de nossos ícones” em Ipueiras. Pensem o que quiserem. Mas, não tenho qualquer interesse menor. Prefiro entoar o “não sou candidato a nada, meu negócio é madrugada”. Uma madrugada até que não se esgota no efêmero voto, nem mesmo o das eletrônicas urnas, nessa “candidatura”... Em minha mente, guardo, na coxia, até hoje, a cena de dois contendores, revólveres à mão, um contra o outro. Meu pai a me atirar pela janela, na Rua Padre Angelim, em Ipueiras. Depois saberia: dois embriagados, um do PSD e outro da UDN, revólveres em punho. Muitos anos mais tarde, já universitário, conheceria Virgílio Távora, num movimento chamado “Arca de Noé”. Por longos anos, pensei tratar-se de apoio à dita Revolução de 31 de Março. Muito ao contrário: de apoio a João Goulart...
Moral dessa história. Meu papel, nessa “re/união pelo Ceará”, é possível (provou-o VT). Mas, felizmente tarefa não tão perigosa quanto, ao "mim", o de quando criança. Graças a Deus, de Isa Catunda a Nenen Matos e educadores de Ipueiras, tivemos verdadeiros pacificadores...
· Edição para além de Gutenberg
Voltemos aos que escolherão os textos que figurarão numa edição - livreira, audiovisual e hoje já usada no Instituto Histórico (diz-me o Prof. Pedro Sisnando Leite, que me convidou para o lançamento de um livro eletrônico por ele escrito). Meu Deus, ainda estou nos tempos primários de Gutenberg!... No papo com Renato Bonfim (que penso, entre nós, de relacionamento aglutinador no meio empresarial e político) poderíamos re/unir Jean Kleber, Tadeu, Zequinha, Dalinha, Tereza Mourão, Solange Rosa, Edésio, “Corrinha” e outros que, ao lançar cada texto, tenho tentado insinuar. Em plano mais alto, Bérgson Frota, com nítida e sensível vocação não apenas como “escritor”, mas de intérprete e até revisor. Claro que, nesse rol, estarão sempre os Jeremias Catunda, os poetas, padres e longa lista de pessoas residentes no Ceará e no mundo. Ontem mesmo reencontrei-me com uma delas, professora, retornando da Alemanha, em casual encontro num shopping center ...
· Bandeira, o que tem ele a ver com Ipueiras?
Ali, na Unifor (contava isso ao reitor), estava aberta outra exposição. Esta dedicada ao internacional (e cearense) Antonio Bandeira. Dias antes de ela se abrir, recebia eu de colega (meu, de Frota Neto e Walmir Rosa), Humberto Perlingeiro, no Seminário Nossa Senhora do Amor Divino, no Distrito de Correas, em Petrópolis (RJ). Ele me pedia que apoiasse seu irmão que, em Fortaleza, estava coordenando exposição sobre Bandeira. Aí, lancei, em diversos dos Grupos de Discussão que coordeno ou participo.
Mas, nisso tudo, o que é curioso é o que Ipueiras tem com toda essa história... É só dar uma chegada até lá, no conto de Jean Kleber, e descubra o que ele, Jean Kleber, Frota Neto, Solange, eu e... Ipueiras temos a ver com Bandeira...
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Pega Ladrão! (Jean Kleber)
Abraço a todos,
Marcondes Rosa de Sousa