Grupos

O CARNAVAL DE iPUEIRAS

 

 

                                   

Bloco Abababados – 1989


            Ipueiras sempre se destacou entre as cidades da zona norte do Estado, ao pé da Ibiapaba, como uma cidade carnavalesca desde as décadas de 30 e 40 do século passado, e manteve esta tradição fortalecendo-se a medida que a cidade crescia chegando ao seu apogeu no século XX precisamente na década de 80.


            Foram nos anos oitenta que se viu surgir pela primeira vez na sede do município blocos. Fenômeno que repetiu-se em diversos anos seguidos sempre no carnaval, criando uma rivalidade sadia e competindo animadamente entre si.


            Entre os mais destacados estavam : Mama na Égua, Tosse Braba, Olha nós Aí, Abababados e o Sisigura.

 

 


Bloco Sisigura - 1997


               Os cinco blocos citados já não mais existem, mas deixaram uma grata lembrança dos últimos carnavais do século passado em Ipueiras. Sendo que alguns dos que deles fizeram parte já se foram, e outros já não moram mais no município.

               Competiam todos juntos em desfiles pelas ruas e à noite no clube da cidade.

               O bloco Mama na Égua tinha como principal destaque o porta-bandeira já falecido Moacir Fontenele, figura que para os ipueirenses era a alma do carnaval da cidade, fazendo parte dele outro grande carnavalesco de muito valor José Gerardo, o Dadá.

                As vestimentas eram de seda com cores diversas e bem desenhadas. Cada bloco tinha seus trajes típicos e concorriam no clube da cidade pelo troféu de bloco vencedor.

                Com o passar dos tempos os blocos deram lugar ao carnaval de pequenos grupos e é este o que prevalece atualmente na cidade tendo como característica o rápido deslocamento que fazem de uma festa para outra. Já que o carnaval em Ipueiras não se realiza mais em um só salão.

                Outra característica inovadora é que muitos ipueirenses se deslocam para o carnaval de cidades vizinhas não se restringindo somente ao do município.


                O tempo passou mas o carnaval de Ipueiras continua sendo uma festa para seus habitantes, antes só restrito aos clubes e à cidade, agora não só na cidade mas levando grupos que animam e enriquecem o carnaval das cidades irmãs.



             Publicado no jornal O Povo em 26.02.2006

                                                                                                          Bérgson Frota

 

         (As duas fotos dos respectivos blocos fazem parte do acervo do blog ”Primeira Coluna” de Carlos Moreira.)

 

 

 

O Pioneiro Pinto Martins

 

 


             Na tentativa de provar a viabilidade da rota aérea ligando as Américas (norte e sul), o cearense Euclides Pinto Martins e o piloto americano Walter Hilton, iniciaram em 4 de setembro de 1922 saindo da Flórida, o primeiro vôo dos EUA para o Brasil, na façanha que seria conhecida como rota Nova York-Rio de Janeiro, pois a primeira tentativa sem êxito havia saído do rio Hudson, no mês de agosto do mesmo ano.  

              Os pioneiros pilotando o hidroavião biplano, de 28 metros de envergadura e dois motores "liberty" de 400 hp, cada. Acompanhados por um jornalista e um cinegrafista, decolaram uma máquina de oito mil quilos, criado na pioneira Fábrica Curtiss.

  

 

 

              O Sampaio Corrêa II, nome dado ao avião, para homenagear o senador e presidente do aeroclube do Rio de Janeiro, atravessou a América Central e em primeiro de dezembro pousou no rio Canani, no Pará, ao norte da foz do rio Amazonas, dirigindo-se para a Ilha de Maracá, Belém e Bragança aonde por força de um temporal pousou no rio Caeté.

 

                        

 

                Três dias depois decolou de Bragança para São Luís do Maranhão. Em 19 de dezembro amerissou em Camocim, terra natal de Pinto Martins. O grande aviador foi muito homenageado, mas seguindo viagem para completar a missão decolou em direção a Aracati.Chegando a Fortaleza o Sampaio Corrêa II por dificuldade de amerissagem nas agitadas águas da enseada do Mucuripe, sobrevoou a cidade por alguns minutos e seguiu de volta a Aracati, onde pernoitou e partiu no dia seguinte para Natal.

                Mal viajando 50 milhas o motor começou a apresentar problemas o que levou ainda em terras potiguares um pouso não planejado na Baía Formosa, perto de Canguaretama, chegando em Recife, sofreu consertos e recebeu um novo motor.

                No dia oito de fevereiro de 1923, precisamente às 11h32min, o Sampaio Corrêa II foi avistado sobrevoando a Baía de Guanabara. Ao pousar foram recebidos na lancha Independência do Ministério da Marinha.

                 Pinto Martins aos 31 anos entrava para a história dos pioneiros da aviação brasileira.

                 Em 13 de maio de 1952 o Aeroporto de Fortaleza recebia o seu nome, eternizando, numa justa homenagem, o cearense que levou longe o nome de seu País.

                                                                         Bérgson Frota


           Publicado originalmente no jornal O Povo 28.05.2006
                  Fotos (www.memorialpernambuco.com.br)

 

 

Imagens do passado

 

Marcondes Rosa de Sousa
O Povo - 02 Fev 2009


                A escola, em todos os seus níveis – da alfabetização à superior – em mim, deixou duas indeléveis marcas: a) o zelo de seus mestres; b) o espírito gregário entre os alunos (o sentimento de turma). Esse, o olhar retrospectivo, que ora faço: desde a alfabetização – a caligrafia e as estórias-de-Trancoso da recém-falecida Isa Catunda e a palmatória de Dona Ester (mãe de Gerardo Melo Mourão), em Ipueiras, a nos espreitar, até as chamadas, na UFC, dos alunos todos (direito e letras) da turma de a a z.



        Mais fortes até, nos internatos. Em meu caso, nos seminários em Petrópolis (RJ) e em Campinas (SP), cujos ex-alunos hoje buscam o reencontro. Pela Web, os de Campinas estranharam minha passagem por lá. Só aí soube eu da extinção do seminário. E os alimentei com fotos, a ajudar no reencontro de alunos, alguns hoje astros espalhados pelos mundos acadêmico, político e intelectual urbs et orbis.



        De outra feita, pela Web, fui abordado por ex-aluna a procurar ex-professor seu, que a marcara em escola da Baixada Fluminense. Era, sem dúvida, um ex-colega meu em Petrópolis e Campinas. As marcas eram as acima citadas... E deste colega, Sebastião Mataruna Cardin, acabo de receber DVD sob o título Imagens do Passado, onde as marcas aqui citadas em tudo se ressaltam.

 

        Abro os jornais e, neles, vejo figuras como Ernani Barreira, contemporâneo dos tempos da UFC, e hoje a presidir o Tribunal de Justiça do Ceará, a carregar, como os da época, as marcas deixadas no passado.


        O DVD Imagens do Passado me traz de volta toda a formação escolar. E, nela, as duas marcas – o zelo dos mestres e o espírito gregário das turmas. E fico a pensar nas reformas propostas por nós, hoje talvez esquecidos de olhar, num espelho, feitos madrasta de Branca de Neve, para a educação que nós próprios tivemos... 

           MARCONDES ROSA DE SOUSA,

         Professor da UFC e da Uece

 

         (Foto extraída de entrevista com Marcondes Rosa, na série "Crônicas do Ceará", pela TV Ceará, para ilustrar, em visual metonìmia, a mudança deste, ainda infante,  para Ipueiras, terra de Gerardo Melo Mourão, filho de Dona Ester, sua professora)