Grupos

 

 

 

               O Desrespeito aos Monumentos

                                                                                    

 

                 Fim de Carnaval, passo rápido na Av. Heráclito Graça e me decepciono com o que vejo, na Praça da Medianeira, próximo ao estádio coberto Paulo Sarasate, praça que homenageia uma de nossas bravas heroínas e o que vejo. Numa das mãos da estátua uma garrafa de cachaça, cuja marca prefiro ocultar.

 

                Para o turista desconhecedor a estátua de fato parece estar virando e sorvendo com gosto a aguardente, e assim levam em fotos e lembranças aquela imagem que nada mais é que um sórdida pilhéria a mais um monumento que apesar de pouco respeitado nos lembra um símbolo e exemplo de bravura do passado.     

          

                Já faz algum tempo que a estátua de Iracema na praia ao invés da lança recebeu uma vassoura de piaçaba. Fato mais gritante logo corrigido.

 

               Triste portanto constatar o pouco respeito aos nossos monumentos hoje em dia.

 

               Em relação à estátua de Bárbara de Alencar que se fizesse ao menos um monumento mais humanizado, dando-lhe um rosto idealizado e finalmente ocupando sua mão com alguma coisa, uma bandeira, um símbolo, um pano tudo óbvio de cimento.

              Lembro ainda a estátua principal da Praça dos Leões, que já teve por três vezes a cabeça da serpente serrada e levada, a atual que lá se encontra é a quarta, e para finalizar cito o Passeio Público, fonte de roubos constantes das ainda belas esculturas restantes.

 

              É necessário que não só o setor público como também a população se sensibilize e lute pelo respeito e preservação de nossos monumentos que não pertencem só a cidade, são marcas de nossa história e portanto fazem parte de nosso patrimônio coletivo.

 

                                                                                                                                                                     Bérgson Frota      

 

 

                                                                                                                  ( Foto :  Foto dos arquivos do Diário do Nordeste )

 

                                                                                                                                       Publicado no O Povo em 07.03.2009

 

 

                                                         

Tributo a Costa Matos

12:39 @ 14/03/2009

 

Costa Matos

 

 

 

 

            Meu caríssimo Prof. Costa Matos, existem notícias ou fatos que, se pudéssemos, postergávamos, deixávamos pra lá, como se diz popularmente. Assim ocorre quando somos informados de que alguém a quem prezamos muito, partiu, foi embora.

 

        Na maioria das vezes, essa partida se dá em silêncio, sem uma despedida formal. O senhor, sempre tinha algo a ensinar, a reanimar em nós, com seu exemplo, com seus conhecimentos. A morte é um mistério, professor. Não sei se o senhor percebe o que se passa desse outro lado da vida.

 

        Crentes que somos na vida eterna e num Deus que nos há de receber um dia, sei que Ele, de braços abertos, o acolheu e deu-lhe as boas-vindas no Paraíso, pelo bem que o senhor praticou aqui. Recordo, saudoso, nossas conversas. Lembro-me de seus telefonemas. De seu alento quando a caminhada se parecia tão difícil e o senhor, com sua voz serena, ensinou-me a ter paciência, talvez lembrando aquele adágio universal: tudo passa!

 

        Não consegui agradecer-lhe pelo seu tão belo artigo “As pedras do caminho...”, publicado neste jornal. O senhor deu-me qualidades que desconheço, mas suas palavras me aqueceram a alma, o que não é novidade, partindo do senhor. Fico-lhe grato.

 

        Professor, nossa Literatura ficou órfã de sua presença física, mas não de sua presença poética, de suas crônicas, de seus romances. Eles permanecerão e provarão que o aluno da dona Ester Mourão (mãe do querido Gerardo Mello Mourão) é verdadeiramente um imortal. A imortalidade literária consiste na permanência de suas obras literárias mesmo após a sua morte.

 

        Em dois anos a Ipueiras perdeu dois de seus mais ilustres filhos, pois, no próximo dia 9 de março, recordamos o segundo ano da partida de Gerardo Mello Mourão, maior poeta de sua geração que fez ao passar por Ipueiras, o imortal da ABL, Antonio Olinto, afirmar, Ipueiras: aqui nasceu a poesia!.

 

         Agora, parte o senhor, o poeta terno, o cronista sensível, o romancista habilidoso, o ser humano afetuoso, fraterno, irmão que deixará muita saudade entre os que o admirávamos. Abrace nossos amigos que aí estão e interceda a Deus por nós. Até um dia!


JOSÉ LUÍS LIRA

Advogado e professor

 

            Fonte: http://diariodonordeste.globo.com/materia.asp?codigo=620518

 

 

 ***

 

 

        "...O cenário das histórias de Costa Matos são as pequenas cidades do interior, onde os acontecimentos, de natureza doméstica, política ou moral, assumem geralmente dimensões inesperadas. O padre, o juiz, o promotor público, o tabelião, os tipos populares que proliferam em todos os níveis da hierarquia social - toda essa fauna humana constitui a matéria-prima destas bem conformadas narrativas de Costa Matos, um escritor com absoluto domínio das possibilidades do   idioma, a que dá tratamento cuidadoso e irrepreensível.

 

        "Conto o que me contaram". Essa frase de Heródoto poderia servir de prólogo para este livro de Costa Matos. Presumivelmente, ele nos conta fatos que testemunhou ao longo de sua vida, ou que lhe foram relatados  por outras pessoas. Se é verdade que "a vida imita a arte", não é menos verdadeiro que a arte é também uma imitação da vida no plano metafórico. Seria irrelevante, portanto, indagar se os fatos arrolados nas histórias de Costa Matos são reais ou são fictícios. O que importa assinalar é que o sopro do ficcionista é suficientemente forte para dar corpo e alma a esses "bonecos de barro", contemporâneos dos primatas criados por Deus.

 

         Francisco Carvalho

 

(Na Trilha dos Matuiús -1998) 

 

***

 

 

Rio de Janeiro, 18 de julho de 1983

 

Costa Matos,

 

        gratíssimo pelos seus livros Na última curva da esperança (e O Sono das respostas. Logo me inteirei de sua poesia direta e sem rebuços. Digo isto porque ela é certeira do poeta ao que lê. Quando digo sem rebuços, não quero dizer que ela seja simples e sem mistério. Tem as duas qualidades e principalmente certa onda enigmática que está na sua origem.

 

        Que poesia bravia, revoltada, orgulhosa e tão sensível à nossa hora que passa - veja-se O homem e seus medos que destaquei porque muito me atingiu.

 

        O medo tem sido a minha constante, desde que me entendi por gente. Medo das coisas que você aponta como temerosas e hoje - medo do Brasil. Eu me sinto como se estivesse, pior que diante de um pelotão de fuzilamento - trancado numa masmorra escura junto com uma cobra cascavel. E sua poesia me diz que nossa única fuga é mesmo pela própria poesia.

 

        Um abraço e obrigado,

 

Seu, do coração,

 

Pedro Nava

 

  

                                                         ***

 

        Quando chega uma notícia dessas para mim, logo mentalizo o mapa das ruas e praças de Ipueiras. E, na rua em que morou o falecido, exatamente na casa de sua família, faço as minhas reminiscências.

 

        Foi o que fiz hoje no sobrado do Professor Costa Matos, localizado em parte alta da cidade, de aspecto destacado, pois em seu entorno a predominância de casinhas de taipa, da vila formada pelas famílias de operários da fábrica de algodão do Major Sebastião Matos.

 

         O sobrado que frequentei na minha infância, pois amigo de Lalu e Carlito. Na adolescência, quando a família já não residia em Ipueiras, o local ficava a disposição dos dois filhos para passarem as férias de julho e do final do ano. Nós, também de férias, nos juntávamos aos demais amigos da cidade e praticávamos o futebol no campinho que fazia parte da propriedade dos Matos. E aí, a utilização do espaço ficava intercalada entre sessões de leituras de revistas de esportes, de quadrinhos, de então proibidas revistas de sexo, de encontros para umas primeiras golpadas de bebidas nas ocasiões que antecediam a ida para as tertúlias em casas das namoradas ou no Grêmio.

 

        Já em Fortaleza, na casa da Avenida Bezerra de Menezes, depois daquelas saudáveis farras de sábado para domingo, terminávamos dormindo nas redes carinhosamente dispostas pela Dona Alderi, no quartinho dos fundos. Lá pelas 10, 11 horas chegava o Professor para conversar, saber como foi a noitada. Ouvia, contava umas daquelas estórias de causos e pessoas de Ipueiras e, depois, uma longa sessão de conselhos e orientações.

 

        Tive o privilégio de ser seu datilógrafo em trabalho literário, um conto que o Professor Costa Matos inscreveu para concurso literário no Paraná, que, por certo foi mais um vitorioso dentre inúmeros em que participou. Na sua atuação como dirigente da Receita Federal, aqui em Fortaleza, lembro de uma solidária manifestação que fez a minha família, na pessoa de um irmão que, caixa de Banco, tivera um grande prejuízo ao pagar a mais um valor de um cheque. A pessoa que recebeu o numerário não foi honesta e levou o dinheiro. Ocorreu falta de caixa. A solução encontrada foi promover uma rifa em que, com a arrecadação, seria coberto o prejuízo. Fui até a Receita Federal e, gentilmente, no seu gabinete, o Professor Costa Matos adquiriu cartelas que muito contribuíram para resolver aquele problema. 

 

        Guardo dele o carinho especial que tinha quando se encontrava comigo. Sempre com um sorriso aberto e com palavras para provocar sorrisos. E sempre se dirigia a mim chamando-me Pequeno Tadeu.

 

        Ao nosso grande Poeta, pequeno na estatura física, a lembrança de um conterrâneo que reconhece ser pequeno diante da grandiosidade de exemplos por ele deixados nestes 81 anos de vida terrena.

 

        Abraços do Francisco Tadeu Fontenele. 

 

 

  

***

 

 

TRÊS POETAS E UMA SAUDADE

 

Dia quatorze de março

Dia Nacional da poesia.

Presto minha homenagem

Com carinho neste dia,

A três bardos cearenses

Que nos deram alegria.

 

O céu está em festa

Vejam que constelação,

Com Patativa do Assaré,

E Gerardo Mello Mourão,

Juntos com Costa Matos

Versejando sobre o sertão.

 

Patativa muito encantou

Aquele que pode escutar

A cantiga da vaca estrela

Junto com o boi Fubá.

E com a “Triste Partida”,

Fez muita gente Chorar.

 

Nossa cultura popular

Deve muito a Patativa.

Sua alma de poeta

Era de sua terra cativa.

Mesmo com sua partida

Sua história é bem viva.

 

Cantou as amarguras

De um povo sofredor.

Cantou a beleza da rosa,

Cantou alegria e a dor.

Cantou a vida sofrida

Do pobre agricultor.

 

Costa Matos meu poeta,

Poeta de minha infância,

Seus poemas que eu li

Quando ainda era criança,

Num livro emprestado,

Ainda trago na lembrança.

 

Mais tarde eu recebi

Vindo de suas mãos,

Livros a mim ofertados,

E foi grande a emoção.

Pra ele fiz um poema,

Demonstrando gratidão.

O poeta fez de Ipueiras,

Um poema de amor.

Cantou a beleza da serra,

Cantou os ipês em flor,

Cantou os pirilampos,

Com borboletas brincou.

 

Poeta segue tua trilha,

Pois brilharás no além.

Aqui ficou a saudade,

Dos que lhe querem bem.

Nas alturas sei que os anjos,

Certamente dirão, amém.

 

Meu muito querido amigo,

Gerardo Mello Mourão,

Dele fui muito próxima

Segurei em sua mão

Cada palavra que ele dizia

Eu ouvia como oração.

 

Ainda hoje não esqueço

Minhas visitas ao seu lar.

Era ele quem mais falava,

E eu gostava de escutar.

E sua sala de visita

Chegava a me encantar.

 

Por mim ele foi recebido

Num evento cultural

Na cidade de Ipueiras,

Em nossa terra natal.

Sua alegria era tanta,

E a minha sem igual.

 

Tenho parte de seus livros,

Que ele mesmo me deu.

Adoro “Rastro de Apolo”,

E “O Bêbado de Deus”.

O livro “Invenção do Mar”

Perde quem nunca leu.

 

Gerardo se foi há dois anos,

Costa Matos partiu agora.

Março não foi camarada,

A saudade eu sei é grande,

Mas na história ficará

Os feitos destes poetas,

Que gostavam de versejar,

E espalharam pelo mundo,

Um canto bem singular.

 

 

 

Dalinha  Catunda

 

 

 

Costa Matos, o poeta ecumênico.


 
Francisco Hélder Catunda de Sabóia

Advogado

 

        “O mundo é um cavalo e o cabresto é o dinheiro”. Com esta oração o ficcionista Costa Matos inicia o romance intitulado o Rio Subterrâneo centrado na ambiência sócio-cultural da Ipueiras dos idos de 1950, início da década seguinte, onde o enfoque sociológico se volta para os conflitos que se desencadeavam ao longo das virulentas campanhas eleitorais, em que os chefes políticos da localidade disputavam a liderança do poder municipal. 

 

        Este intróito não traduz qualquer pretensão de querermos adentrar na crítica da produção literária do Costa Matos, recentemente falecido. Não, longe de nós qualquer intenção nesse sentido, pois, mesmo se o quiséssemos, faltar-nos-iam engenho e arte para tamanha empreitada. Na certa, algum dos seus pares, da honrada e vetusta Academia Cearense de Letras o farão com o devido brilhantismo.

 

        Mesmo nos eximindo deste ingente encargo,  não poderíamos deixar de ressaltar a grandeza cósmica de sua poesia. Foi telúrico quando, como filho amoroso, arpejou, nas cordas do coração, o amor à terra natal. Assim falou o poeta:

 

         “Aquele riozinho é o Jatobá gemendo sob a ponte. Os feitiços da cor no anseio do horizonte e a desintegração do céu em mil perfumes. O Cristo Redentor, minha casa, as colinas, o terço ao por do sol, mãos postas, pequeninas, e a névoa do Senhor abençoando os cumes”.

 

        E, saudoso da mãe terra distante, lamuriou-se:

 

        “Fevereiro atiçou fogueiras aurorais na combustão floral que acende ipês na serra. Como deve estar linda agora a minha terra, se andou chovendo assim, qual leio nos jornais. Um vôo de festa de andorinhas hibernais, sobre a igrejinha branca, em leque, se descerra. E, vencendo a distância, a minha saudade erra pelo torrão que guarda as cinzas de meus pais”.

 

        Versejou, pelos apaixonados, os amores inesquecíveis e, em Bilhete Azul:

 

         “Hoje, ao pegar nas cartas que me mandastes e, ao mandá-las de volta, eu me lembrei pois já não te ama o coração que amaste nem sei se ama o coração que amei....Se algum dia eu falar deste passado feliz que o tempo há muito devorou, não penses que para ti terei voltado e que a felicidade derrama seus dulçores por tudo aquilo que passou... Saudade, apenas, não te quero mais, adeus”.

 

        O “menestrel”, na sua condição humana, teve, como todos nós, momentos de incertezas e desalento quando disse:

 

         “Numa hora de cansaço e de descrença  rasquei sem pena todos os meus versos. Desajudado e só, frente aos fados adversos, a luta é vã, sem glória ou recompensa. Quando se esmaga um poeta a indiferença pesa bem mais que os gelos milenares das paisagens sem sol dos círculos polares”.

 

        Na teologia escatológica vislumbrou o final dos tempos e vaticinou:

 

         “Na agonia da Terra as truculentas massas profanam sem piedade as últimas carcaças da esperança e do amor, na assombração do escuro. E eu, mudo de terror, a minha angústia escondo, enquanto escuto, ao longe, pavoroso estrondo, destas horas sem Deus fecundando o futuro”.

 

        E, no plano individual,  disse o vate:

 

        “Morrer, voar, abraçar no espaço os gênios de outras eras e colher uma flor em cada estrela acessa. Ver de perto a criação de mundos”.

 

        Não esqueceu de agradecer ao Senhor o dom da vida e assim orou:

 

        “Não encontrei motivo, em toda minha vida, para amaldiçoar o meu caminho. O bem que eu quero ter, sem muita lida, cedo ou tarde se integra em meu carinho. Quis Deus Nosso Senhor minha alma rica da Grande Paz, de luz, do amor profundo que eu desejei, e agora multiplica prêmios, por tudo que eu sofri no mundo”.

 

        Muito e muito mais teríamos a reproduzir da poesia do Costa Matos, enfeixadas, dentre outras, nas obras: Pirilampos, As Viagens. O Sonho das Respostas, Estações de Sonetos.

 

        Naquela pequena estatura, à semelhança de Rui Barbosa, se abrigava um gigante que, mesmo aprisionado na corporeidade, se manifestava pujante, na força incontida de sua majestosa produção intelectual. Buscando a concisão ressaltamos o que, de mais belo à nossa sensibilidade, quer transmitir a riqueza multifária de sua manifestação poética. Falamos do literato que, aqui e alhures, conquistou vários prêmios. Do ser humano, ficam sua generosidade, a simplicidade, a alegria de viver, a lhaneza no trato e os ditos jocosos sobre as figuras folclóricas da velha Ipueiras.

 

        Em que pese sua erudição no campo da ontologia, não se rendeu à frieza da razão pura. Permaneceu, humilde, ante à incógnita do sobrenatural, fiel à sua fé inquebrantável em Deus, que a demonstrava, com convicção, nas filosóficas crônicas quinzenais no Diário do Nordeste.

 

        Ficam, também, o exemplo de vida em família, de pai amoroso, do eminente professor e, acima de tudo, permanece entre nós, amigos, conterrâneos e admiradores, a luz de sua radiante presença aqui na Terra. E os rastros dessa luz hão de perpassar o tempo porque a luminescência, que se irradia lá dos paramos celestiais, carrega a eterna sabedoria de um filósofo que viveu para fazer o bem, transmitido a todos que o circundavam a preciosidade de seus conhecimentos, em especial aos discípulos, de antanho, na Ipueiras querida, na Faculdade de Filosofia em Sobral e, os de agora, nos círculos universitários aqui sediados, pois mestre consagrado de filosofia, de literatura e da língua pátria.

 

         É a nossa sincera homenagem. Homenagem e gratidão de ex-aluno e amigo, conterrâneo e admirador.

                                                     

      

 

 

GERARDO MELLO MOURÃO

O  poeta oracular e absoluto

 

 

Com o AI-5, Gerardo passa três meses entre o Sops, Dops, quartel da PM Caetano de Faria e do Exército em Harmonia, dividindo cela com Zuenir Ventura, Hélio Pellegrino, Ziraldo, Osvaldo Peralva e outros perseguidos

 

Ruy Câmara

        

          Gerardo Mello Mourão, o poeta oracular e absoluto que tinha orgulho de dizer-se jagunço cearense há quatrocentos anos, foi amassado no barro das Ipueiras em 8 de janeiro de 1917, e em 09 de março de 2007 virou a última página de sua história lutando pela vida com a mesma serenidade com que enfrentou tantas mortes em plena vida.


        Sua partida entristeceu o mundo intelectual e deixou-nos um vazio que precisa ser preenchido para que possamos dotar de sentido o que aparentemente não faz sentido algum, como por exemplo, a morte, essa companheira inconfiável que, num simples bater de pálpebras, vira o mundo ao avesso e desmantela tudo o que tomamos por real, insuprimível ou mesmo eterno.


        Mas quem sabe morrer de vida longeva, morre silente, no silêncio da pena que corre suave sobre o papel para inspirar os sábios e os deuses. Gerardo morreu silente, mas para a camarilha que se amotinava com o fito de excluí-lo dos cânones políticos e literários, ele já havia morrido em vida, vítima das conspirações, das prisões, da inveja e do silêncio hostil dos núcleos acadêmicos e políticos do Brasil.


        Gerardo não teve lugar na Academia Brasileira de Letras, nem nas Academias de Letras do Ceará; não cobrou do Estado os danos morais e materiais que o Estado lhe causou; não requereu aposentadorias pelo tempo que serviu à Pátria Brasileira e nunca pesou contra ele a acusação de dedo-duro, o que nos leva a crer que nosso poeta, pela sua vida mesma, pela sua grandeza moral e intelectual, encarnou a metáfora do “Albatroz, imensa ave dos mares” que Baudelaire sublimou num dos mais belos poemas de língua francesa: “o poeta se compara ao príncipe da altura, que enfrenta os vendavais e as setas no ar, e exilado no chão, em meio à turba obscura, suas asas de gigante o impedem de andar.”


        Pelo legado que nos deixa em obras literárias de valor insuprimível, Gerardo é, sem dúvida, muito mais do que dele já dissemos ou ainda estamos por dizer ao longo do século em curso. E quando invocamos um mito com tal dimensão, logo aí vem ele, pisando suave, com as mãos para trás, olhos agudos, brilhantes e atentos a tudo, vestido num terno impecável, de gravata-borboleta, esboçando um sorriso matreiro antes de contar alguma peripécia com sua voz ritmada e vibrante, própria dos cantadores nordestinos. 


        Contrário senso, o tradutor de Parmênides de Eléia (530-460 a.C), de Rainer Maria Rilke (1875-1926) e do líder militar, poeta e calígrafo chinês, Máo Zédōng, conhecido como Mao Tsé-tung (1893-1976), cumpriu com dignidade a sua função de humanista politicamente incorreto, de poeta excluído das cortes das letras e ignorou solene a patrulha de literatos que o considerava um “marginal” das letras, como o foram Homero e Dante, Camões e Hölderlin, Baudelaire, Lautréamont e Rimbaud, que são os grandes reitores do saber e do espírito.


        Em março de 2006, como que antevendo o destino se cumprir, fui com o cineasta Wolney Oliveira à casa do poeta que, apesar do ombro fraturado e das dores nos ossos, nos acolheu com o entusiasmo de criança, e lá gravamos durante cinco dias consecutivos, suas confissões, peripécias e aventuras.


        Dona Lea, testemunha e guia dos passos do marido, nos mostrava com seus olhos os livros, os objetos, as artes e com o dedo apontava os labirintos da casa onde, desde o princípio já se sabia que, para o poeta a busca da musa era sempre mais sublime que o encontro. Quando fechávamos um bloco fílmico e fazíamos uma pausa, o poeta incorporava o filósofo, metia a mão no seu poço de erudição e ditava: «A ideologia representa a negação da fecundidade do pensamento e da liberdade do espírito. O sujeito que se escraviza a uma ideologia não produz idéias próprias e torna-se vítima de uma idéia fixa alheia.


        Às vezes, fascinado por um sonho generoso, o homem se encerra no círculo de ferro, estéril e sem saída de uma ideologia. A ideologia é a depravação maior do pensamento e da inteligência dos impostores que têm sede de poder. A ideologia é a impostura com que os tolos esterilizam seu pensamento, sua inteligência e até mesmo sua honra. O século 20 conheceu essa indigência e esta impostura com a endemia do marxismo, com o mimetismo do socialismo e com a ganância soberana do capitalismo. Essas ideologias em confronto exterminaram o que poderia brotar de humanismo nos círculos respeitáveis do pensamento dos países culturalmente aparelhados». E ao final do dia, quando vinha a fadiga, Gerardo nos brindava, ora com tragos de bom vinho, ora com uma poesia anestésica e paralisante.

 

        Homem pio, seráfico e impregnado pela fé-feroz que santificou Agostinho de Hipona e Tomás de Aquino, Gerardo não escondia o seu entusiasmo pela vida de pecador, nem mesmo quando instado a falar sobre a fé e sobre o que o teria levado a renunciar a vida clerical aos 18 anos. E quantas horas de sabedoria: «Eu não persigo a fama. Eu persigo a glória e escrevo para chegar diante de Deus com minhas obras, na esperança de ser acolhido com minhas idéias». Súbito, a voz vibrante do cantador das Ipueiras foi abafada pela pronúncia em recto-tono do frater Gerardo, a nos contar que ingressara no Seminário dos Redentoristas Holandeses aos 11 anos, convencido de que, a maior felicidade a que o homem pode aspirar é ser santo.

 

        Ao ouvi-lo dizer que não tinha forças pra agüentar aquele sacrifício, aquela imolação diária e que os castigos da consciência lhe ardiam mais do que as punições por rebeldia, inferi que a gênese do pensamento rebelde e independente do poeta pode ser achada nos seus anos de noviciado, pois não é fácil um jovem renunciar as suas paixões e desejos carnais, afinal, as paixões inaugurais do ser eclodem na adolescência, e a vida monacal educa o sujeito para exterminar a sua própria vontade.


        Revivendo os tempos no Seminário, ele relembrou que aos 17 anos foi punido diante dos noviços pelo pater magister (mestre dos noviços) com a seguinte ordem: «Irmão, plante essa roseira no jardim, mas plante-a de cabeça pra baixo, com a raiz pra cima». Quando a roseira murchou, o pater magister bateu à porta da cela de Gerardo e disse: «Irmão, hoje você está incumbido de regar as plantas do jardim». Gerardo abriu a janela, viu o temporal caindo e continuou mudo. Enfurecido, o pater magister gritou: «Frater, aqui não se discute ordem, nem se questiona». Gerardo caiu de joelhos, beijou o chão e foi regar o jardim debaixo de chuva. Tempos depois, num almoço dominical o pater magister disse: «Frater, o senhor é hebdomadário esta semana, então o senhor vai pronunciar errado três palavras em latim».


        Ora, para quem aos 13 anos já traduzia Homero e Píndaro, Virgílio e Horácio, Ovídio e Propércio, pronunciar palavras erradas seria uma humilhação diante da comunidade. Gerardo pensou um pouco e leu um texto que todos sabiam de cor: Bíblia sacra, de libro Genesis, caput quintum, continuatur... que foi pronunciado assim: de libro Genésis, caputim quintum continuatum. Nesse ponto o velho padre reitor estava à mesa e gritou: «Frater, frater, seis anos de latim e ainda não sabe pronunciar o nome de um livro da Sagrada Escritura». Gerardo ajoelhou-se, mas não beijou o chão, pois sua natureza já lhe cobrava uma atitude. Contudo, passou sete meses travando uma luta interior (sai, não sai) imaginando que estaria fechando as portas do céu para sua alma. No dia da saída, Gerardo procurou o padre reitor e confessou-lhe o seu arrependimento. O mestre olhou-o e disse: «Meu filho, você já foi provado por Deus longamente. Há meses que você está nessa agonia interior. Então vá e siga seu destino».

 

        Em 1935, poucos meses antes de proferir os votos de pobreza, castidade e obediência, Gerardo desvestiu o hábito e chegou ao Rio de Janeiro numa véspera de carnaval, ouvindo os rapazes, moças e transviados cantar: «Eva querida, quero ser o teu Adão». Seguramente, pensou consigo mesmo: «Nossa Senhora, vão todos para o inferno». Mas como a carne é fraca, durante o carnaval Gerardo foi maculado por todos os pecados mortais catalogados nas bulas, católica e bizantina. «Quem quiser que os imagine», disse ele rindo.

 

        Aos 23 anos. Gerardo firmou o Pacto del Vitória, sagrou-se cavaleiro da Senhora Poesia e ingressou na «Santa Hermandad de la Orquídea», ao lado de Efraim Tomás Bo, Godofredo Iommi, Juan Raul Young, Abdias Nascimento e Napoleão Lopes Filho. A guilda órfica deixou rastros nas terras e nas águas marítimas e fluviais de quatro continentes, empunhando a bandeira do saber e do fazer poético. Essa aventura mundana está documentada numa bitácula preciosa em que os membros da Santa Hermandad escreveram um memorando épico-lírico dos achamentos de chãos andados ou imaginados e deram testemunho escrito numa partitura poética intitulada "Amereida", preservada num livro raro do qual se tiraram apenas algumas dezenas de exemplares.


        Parece certo dizer que Gerardo e seu bando de jovens idealistas, todos desertores da vida prática, já compreendiam que a imposição tirânica do altruísmo (um comportamento imposto pela autoridade), significa a anulação da liberdade do pensamento e a violação da própria condição humana, pois nega ao homem o encontro consigo próprio, e o impede de cumprir, enfim, o seu destino incerto e desconhecido no mundo.


        Desde que se assumiu poeta, Gerardo ignorou olimpicamente a patrulha ideológica que elevou um bando de escrevinhadores à categoria de poetas nacionais e adotou um posicionamento de independência e rebeldia que se chocava radicalmente contra o [e]stablishment literário, político e acadêmico nacional, pois para ele, intelectual é antes de tudo uma postura crítica, solitária e coerente frente a uma circunstância; é saber tirar da escuridão o lume para que outros desvelem as máscaras do real. Sabia também que, para cumprir tal desiderato é preciso independência, coragem e tais atributos são condições do “eu” sozinho, porque um intelectual não é um grupo, portanto, não conta com o apoio do outro para enfrentar uma adversidade e, freqüentemente, não enfrentaria se a cada iniciativa tivesse que pedir o apoio do colega.


        Apesar das perseguições, das torturas e dos anos de clandestinidade e de exílio na China, França, Alemanha e Chile, Gerardo era um homem doce, sem amarguras, sem frustrações, e nutria-se da velha ambição cosmogônica de viver num mundo em que ao homem é possível o culto ao belo e à felicidade de ser e de existir com alguém ao seu lado, ou seja, de desfrutar de um sentimento compartilhado e livre de ódios e rancores.


        E aqui peço vênia ao vate para repeti-lo: «O ressentimento é a pior coisa a que o homem pode guardar dentro de si. Um homem consciente não permite que o ressentimento lhe possua, porque trata-se de um sentimento nocivo, sentido pela segunda vez, pela terceira vez, pela quarta vez, portanto não é um sentimento original, pois o ressentimento é ressentir, e isso leva o homem à pura esterilidade da razão, e impede que os sentimentos mais sublimes se manifestem em seu espírito».


        Senhor das línguas conhecidas e desconhecidas, das línguas antigas e esdrúxulas, Gerardo não falava explicitamente das suas influências literárias, mas não conseguia esconder a sua admiração por um rosário de poetas universais, entre os quais ele inclui o caboclo Anselmo Vieira, cantador da feira de Ipueiras, com sua rabeca rouca, sua voz gemedeira, cantando quadras e sextilhas de sete sílabas, mourões de oito pés em quadrão e galopes-à-beira-mar, em puros endecassílabos e metastasio. «Quando ouço um repentista nordestino puxando a gemedeira, ouço também, em cada verso, a batida dos pés de Homero, Virgílio e Ovídio, com seus hexâmetros e pentâmetros, com seus dáctilos, anapestos e troqueus ritmando a cantoria, pois é essa batida rítmica que dá espírito ao verso que o poeta gera com a inocência do tocador de viola e com a sabedoria intuitiva e mágica que exclui mesmo a intenção».

 

        Parece certo dizer que o fascínio pela santidade e a busca do êxtase poético, são os dois pólos entre os quais oscila o pêndulo da criação de Gerardo. Contudo, a língua de Gerardo é a língua de Ovídio, Virgílio, Cícero, Homero, Píndaro, Petrarca, Leopardi[,] Dante, Camões, Cervantes, poetas que guardam o ritmo interior dos versos em dáctilos virgilianos, hexâmetros, jônicos e trocaicos, mas a sua linguagem é a linguagem dos cantadores nordestinos que ele conheceu no pé-da-serra da Ibiapaba, e o ritmo predominante de sua poesia é o ritmo religioso do canto gregoriano que ele entoava na serenidade claustral da sua juventude.

 

        Trancafiado 18 vezes nos cárceres do Estado Novo, Gerardo sozinho era uma rebelião e suas obras mais demolidoras foram estruturadas ao longo de 5 anos e 10 meses em que esteve preso na Ilha Grande, Ilha das Flores e na rua Frei Caneca, no Rio de Janeiro, onde escreveu em verso e em prosa, romances, contos, ensaios e biografias tematizando o problema da irresidência do ser. Entre os livros mais importantes, destacam-se: O Cabo das Tormentas (1950); O Valete de Espadas (1960); a trilogia poética Os Peãs, composta pelos livros O País dos Mourões (1963), Peripécias de Gerardo (1972) e Rastro de Apolo (1977); A Invenção do Saber (1983); a epopéia Invenção do Mar (1997); Cânon e Fuga (1999); Os Olhos do Gato (2001) e O Bêbado de Deus (2001).

 

       
        Durante as filmagens, o poeta externou a sua indignação dizendo: «Nunca fui condenado à morte como insinuam os sacripantas da história e da má fé, pois não havia pena de morte no Brasil à época, nem mesmo no caso do decreto de 1942, que me condenou à prisão perpétua. Nunca houve processo judicial legal contra mim e o processo do infame Tribunal de Segurança Nacional nunca teve sequer autos judiciais, constando apenas de um inquérito do Dops. Nunca fui condenado por nenhuma lei brasileira, nem por qualquer tribunal legalmente constituído e nunca compareci diante de um juiz para ser julgado. Nem mesmo o infame Tribunal de Segurança ousou me acusar de conspirar contra o Brasil.

 

        A acusação de espião nazista e de haver colaborado para o afundamento de navios na costa brasileira, partiu dos meus adversários na imprensa, de David Nascer, da Revista O Cruzeiro, de quem me vinguei exemplarmente obrigando-o comer uma iguaria bizarra e imunda. Tenho um imenso e olímpico desdém por uns pobres bonifrates que me consideram um poeta importante e que tenho direito a uma revisão dos “erros” do passado. Não tenho erros políticos a corrigir. Portanto, não permito que ninguém mude uma vírgula do meu passado. Minha história pessoal é um patrimônio de que muito me orgulho».

 

        Desde muito se sabe que os navios brasileiros foram afundados por submarinos aliados para forçar o Brasil a entrar na 2ª Guerra, trocando borracha da Amazônia e vidas de milhares de nordestinos por uma siderúrgica no Sudeste. O caso em que Gerardo foi agredido nos mais elementares direitos humanos, é único em toda a história do Ocidente, pois não se conhece outro caso em que alguém tenha sido condenado “por decreto” com aplicação retroativa.

       
        Não temo errar se disser que Gerardo, o anticanônico, foi e é o mais erudito dos poetas brasileiros desde o achamento desta nação em 1500, e sua história se confunde com a História do Brasil ao longo do século XX, já que viveu o século inteiro, e atuou no enredo com a convicção de que não lhe cabia fazer história, mas sofrer a História. 



        Criador na mais alta acepção da palavra, Gerardo dizia que o tempo da criação é intemporal, tanto que podemos chamá-lo de poeta da "suidade" (da saudade), da coisa sua, da circunstância sua, uma vez que sua poesia, ao lado se sua prosa, formam a medula do seu espírito humanista, espírito que se fortaleceu sob o signo secular do trivium (saberes humanos) e do quatrivium (saberes exatos).



        Poucas semanas antes da morte, Gerardo confidenciou-me que estava afetado pela tristeza existencial do ser (ou seria ontológica?), e que se sentia como Léon Bloy, possuído por uma angústia medular e constante, até mesmo quando recitava o credo de Santo Atanásio e confirmava a sua convicção na vida eterna. Disse-me ainda que não levaria consigo nenhuma mágoa dos seus algozes, nem mesmo da escritora Rachel de Queiroz, que ora lhe acusava de “direitista” e “esquerdista”, de “nacionalista” e “entreguista”, de “nazista” e “fascista”, de “reacionário” e “conciliador”, de modo que isso deve bastar para que sua alma seja salva da maldição secular que emana dos sarcófagos acadêmicos e políticos do Brasil.

 

        Aprendi muito ao longo de quatorze anos de irmandade sincera com Gerardo, o inspirador de duas gerações de escritores. E quantas memórias cada um de nós, seus amigos, podemos reviver? Lembro-me bem do dia em ele regressou de sua Ipueiras e fomos juntos para um evento na Assembléia Legislativa do Ceará. Na tribuna, após haver falado das misérias que testemunhara durante sua viagem ao sertão do Ceará, Gerardo perguntou aos deputados se alguém ali poderia dizer para que serve um poeta num Estado pobre em Cultura, Educação e Saúde? Após um tempo de silêncio frustrante, eis que ele afia as palavras na sua língua de pedra e diz: «Neste mundo o que dura é o que foi fundado pelos poetas e não pelos especialistas, que são meros figurantes de uma tarefa ancilar. Não são protagonistas do saber nem da história.

 

        Nunca um especialista criou algo duradouro nem embasou uma nação». Ao ouvir isso, suspeitei que Gerardo utilizou o eufemismo “especialista” para não deixar os deputados que o aplaudiam de saia-justa. E prosseguiu: «A Grécia foi fundada pelo poeta, Homero, cego e gênio. O império romano foi inspirado pelo poeta Virgílio e por um escritor que se fez general, Caio Julio César. O mundo judaico foi fundado pelos poetas das profecias, Jeremias, Isaias, Ezequiel, Daniel e pelos Cantos do rei Davi. A civilização mulçumana foi fundada pelo poeta Maomé, seu senhor e soberano. A China e a Ásia Oriental foram fundadas pelo poeta Kung-Fu-Tze, que conhecemos por Confúcio. A Itália foi fundada por Dante, poeta absoluto. Churchill, animava suas tropas contra o fogo de Hitler, enviando aos soldados os versos de Shakespeare. Os soldados germânicos levavam na mochila os Cantos de Rilke e os hinos de Hölderlin.

       

        E o que seria de Portugal sem Camões e Pessoa? Da França sem Voltaire, Baudelaire, Lamartine e Hugo? E o Ceará sem seus poetas, renegados e esquecidos?» E finalizou dizendo: «Foi o Deus poético e dialético que engendrou o pensamento mítico, o tempo divino do homem, mas foi a verdade helênica que deu vigor à noção de liberdade e democracia, verdade luminosíssima que fundou o homem livre». Os aplausos não impediram o nosso poeta de dizer: «É para preencher o vazio do espírito humano que serve um poeta com sua poesia».

(Texto enviado por Tereza Mourão, extraído do “site”

http://www.amigosdolivro.com.br/lermais_materias.php?cd_materias=4398)

 

 

 

JOSÉ COSTA MATOS

* Ipueiras - 2 de setembro de1927
+ Fortaleza - 2 de março de 2009

 

  

CHOVE POESIA

SOBRE IPUEIRAS

UM MANTO TRISTE

COBRE AS ESTRELAS

 

OS PIRILAMPOS

LEVES COMETAS

HOMENAGEIAM

OS SEUS SONETOS

 

SOBRE IPUEIRAS

NAVEGA AGORA

EXTEMPORÂNEO

 

NO CÉU IMENSO

UM RIO INTENSO

SOBRETERRÂNEO

 

 

Exercícios de Admiração

Horácio Dídimo