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DEMÓCRITO, O ÍCONE

 

 

Marcondes Rosa de Sousa,

O Povo – 22.04.08

 

 

            Prostrou-me, em súbita emoção, a trágica notícia.  Ao lado de Demócrito, estivera eu, ao se lançar, entre líderes da terra, a obra “A construção do Ceará – Temas da história econômica”, de Cláudio Ferreira Lima, ali propondo o resgate da sintaxe perdida em nossa política, no alternar-se das solidárias cheias e das solitárias secas de nossos rios.

           

            A custo, recobro o lado construtivo da emoção.  E do “escrever é espantar-se”, extraio do barro do chão cotidiano, a “psicanálise e metafísica do mundo” a

 

nos lastrear o projeto, sadios cúmplices os dois, desde os anos 80, quando, esgotada a União pelo Ceará, Celso Furtado reunia-nos dos então “jovens empresários do CIC” às mais avançadas correntes de esquerda: “o crescimento econômico a se metamorfosear em sustentável desenvolvimento”.

 

            Pontos e contrapontos a compor acorde.  Universidades a transpor muros, nas praças, campos e ruas. Literatura, arte, cinema, em simpósios e festivais aqui (nacionais e internacionais). Programas de responsabilidade social e de educação a distância.  Com assento na FIEC, vistas “indústrias sem chaminés” nossas instituições de ensino superior..

           

            Histórica parceria. O cotidiano da vida na pauta de projeto plural, sob o diapasão do “quebras comigo a flecha da paz?”, entre Iracema e o guerreiro branco, a ter por símbolo de agora a sinfonia regida pelo maestro Koellreutter, na reinauguração do Teatro José de Alencar, onde ruídos da obra concertavam-se com violinos e vozes, no desenho do solidário e plural.

 

            Uma saudade! Mas, ícone maior a decantar, de Demócrito Rocha, o poema Rio Jaguaribe. E a desaguar, na solidária água grande e no “longo amanhecer” de Celso Furtado.  Dele, diria o poeta Manuel Bandeira - no alto, São Pedro, bonachão, a convidá-lo: “Entra, Demócrito, você aqui não precisa pedir licença”!