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EM HOMENAGEM A GESSY MOREIRA

 

Helder Sabóia

           

             Não poderíamos silenciar nossos sentimentos de pesar pelo inesperado falecimento da conterrânea que, agora, os externamos com essas sucintas e sinceras palavras que brotam do fundo do coração; afinal, contemporâneo dos áureos anos de 1950/60 tão festivamente vividos na Ipueiras daquele tempo, onde, ainda saindo da adolescência para o alvorecer da maioridade, compúnhamos a turma da memorável  rua 15 de novembro, da praça da Matriz, que a Gessy tanto exaltava em saudável competição com as greis de outras praças.

            Era assim a Gessy: comunicativa, alegre e festiva e a sua maneira peculiar de ser a todos cativava, irradiando alegria onde estivesse, vez que fazia da vida uma festa permanente. Pessoas assim, ao partirem para o Mundo Maior deixam cada vez Menor o em que vivemos. O círculo afetivo dos amigos, que nos dá sustentação emocional para o viver do dia-a-dia, vai-se fechando com a ausência de pessoas ímpares como a Gessy que, com seu sorriso fácil e espontâneo, sem veicular mágoas, ressentimentos e lamentações, nos fazia ver tudo melhor e nos sentíamos, naqueles momentos, mais fraternos, isto por que a velha Ipueiras estava sempre presente nos encontros programados ou ocasionais e a relembrança de tantas histórias, revividas, onde éramos personagens, tinha o condão de irmanar a todos no cenário da daquela inesquecível convivência.

            A Gessy era, em vida, uma referência para os ipueirenses. Assídua freqüentadora das programações sociais promovidas pelo Cardoso era a presença que simbolizava a intenção de sermos uma irmandade. Querida dos irmãos com quem mantinha saudável e harmoniosa convivência, que, como nós conterrâneos e amigos, iremos padecer a amargura de sua reclamada ausência.

            Mas, hoje, estamos unidos, familiares, amigos e conterrâneos neste ato religioso em que reverenciamos sua memória, para, em oração, pedir a Deus que a tenha sob o esplendor de vossa luz, iluminando seu caminho na eternidade rumo ao lugar reservado aos que, aqui na Terra, souberam preservar sua fé, vivendo cristamente.

 

 

 

O Primeiro Médico de Ipueiras

 

     

          Raimundo Melquíades Costa nasceu em Ipueiras em 10 de dezembro de 1912, filho de Simão Alves Costa e de Raimunda Moreira Costa, que ainda tiveram Pedro Simão, Antônio Simão, Elias Simão, Genário Simões, Cesarina Simões e Maria Simões.

 

         Dr. Melquíades foi o primeiro médico de Ipueiras. Formado pela Faculdade de Medicina da Bahia em 19 de dezembro de 1942. Tornou-se Segundo Tenente em 1943, e atuou como médico do exército na Bahia.

 

         Cursou em 21 de maio de 1947, no Centro de Estudos na Santa Casa de Misericórdia do Rio de Janeiro, o Curso de Doenças Parasitárias. Concluiu em 09 de junho de 1947 o Curso de Doenças do Rim.

 

          Fez em 31 de julho de 1957 em Recife, o Curso da Nestlé: Atuação em Pediatria, e em 29 de junho de 1972, em Fortaleza, concluiu um Curso de Saúde Pública. 

     

           Foi sempre um estudioso que procurava na atualização de seus conhecimentos médicos o benefício para o próximo.

 

           Laborou nas cidades de Ibiapina, Sobral e Ipueiras, atuando como Chefe em Saúde Pública.

 

           Como auxiliar de grande valia e confiança, muito lhe serviu o Sr. Mariano Ribeiro de Oliveira.

 

            Cidadão respeitado por toda sociedade ipueirense, pelo seu falecimento, deixou uma lacuna ainda hoje não totalmente preenchida.

 

            Em 25 de outubro de 1987, o então prefeito Manuel Cavalcante Dias, prestou uma importante homenagem ao Dr. Melquíades, inaugurando o Centro de Saúde em Ipueiras, que recebeu seu nome.

 

            Durante toda a sua vida Dr. Melquíades foi um homem de muito bom humor. Certa vez numa mesa, bebendo com amigos, o que fazia sempre de maneira comedida, contou a seguinte estória:

 

            Uma paciente ao ser por ele atendida, depois de contar todo seu problema, mostrou-se apreensiva pois, como ele sabia, ela pertencia a “alta-roda” de Ipueiras.”

 

             Ele, com ar cômico, respondeu-lhe:

 

             - Minha filha, não se preocupe, aqui em Ipueiras, “alta-roda” eu só conheço a de trator, e isso quando mandam para as obras.

 

              Os que ouviam a narrativa caíam em gargalhada.

 

              Assim passavam os anos e o velho médico foi aos poucos perdendo a visão sem se deixar abater. Ao guia que o servia para os passeios invertia os papéis ao dizer que quem não enxergava era ele.

 

              Manteve até o fim da vida a alegria que Deus lhe deu, e certamente nos últimos instantes se chorou foi de saudades.

 

              Dr. Melquíades faleceu na manhã de 23 de fevereiro de 2004.

 

              Finalizando esta homenagem, tomo como empréstimo o que escreveu, Hélder Catunda, um erudito ipueirense sobre sua morte numa crônica publicada no Diário do Nordeste, intitulada : O Médico dos Ipueirenses.

 

             “Pela maneira altruística com que exercitou a medicina, foi essencialmente cristão, sem ser formalmente religioso; venerou a Deus, sem rezar nos altares, ao tratar dos desfavorecidos dispensando recompensas financeiras.”

 

                                                                                                   Bérgson Frota

 

    (Foto: Acervo Grandes Personalidades Ipueirenses – Bérgson Frota)