
A VOLTA DA VIAGEM
Jean Kleber
Oito anos após o êxodo retornei a Ipueiras em companhia de minha mãe Dona Mundita e de sua prima Carlinda. Hospedamo-nos na casa de meu padrinho José Costa Matos.
Os coleguinhas de Ipueiras aos poucos migravam para Fortaleza em busca de oportunidades de trabalho e estudo a nível colegial e universitário. Comuns em Fortaleza, nas festinhas de aniversário ou até mesmo na rotina diária, os encontros dos conterrâneos.
Lembro-me, em 1954, de Costa Matos, a esposa Alderi, e os filhos Carlito e Lalú ainda muito crianças, passando dias lá em casa. Carlito viria a ser futuramente o biólogo Carlos Maria pesquisador de piscicultura, trabalhando para o Governo Federal. Lalú viria a ser o conceituado médico José Cláver, especialista em clínica de queimados lotado em Fortaleza.
Por volta de 1957 ou 58, minha prima Tereza Maria Matos, filha de Sebastião Matos, também passou uma temporada conosco, quando estudante no Colégio da Dorotéias, onde também estudava sua irmã Socorro Matos, lá interna. Tereza Maria é hoje Tereza Hazelton, professora de belas artes, internacionalmente reverenciada nos maiores museus do planeta.
Perto de nossa casa morava a família de Gelles Haman, que fora nosso vizinho em Ipueiras nos bons tempos. Meus primos, via-os vez por outra, mais freqüentemente o Manuelito. Este quase sempre comparecia às festinhas de aniversário lá de casa. Os familiares da serra, minha tia Francisquinha com a filha Salete e meu avô, João da Mata, também apareciam.
Salete, enfim, transferiu-se lá para casa para concluir os estudos em Fortaleza. Depois de graduada, Salete foi, por muitos anos, professora de geografia em colégio público, tendo-se aposentado recentemente. Mora hoje com meu pai, Neném Matos, que completou noventa e quatro anos em 2005.
Incontáveis os encontros. Difícil relatá-los sem que me torne fastidioso.