Grupos

                          

 

SANTA FELICIANA DA AMÉRICA 

 

Dalinha Catunda

 

Como toda cidade do interior, Ipueiras é rica em seu folclore,  destacando-se como celeiro de interessantes estórias, “causos” e lendas.

 

São histórias que foram passando de boca em boca, entre um cafezinho e outro, nas palestras animadas de calçadas e alpendres.

 

Embora me considere uma entusiasta dessa temática, não tenho a pretensão de ser um Leonardo Mota. Pesquisador do folclore nordestino que contou tão bem nossos costumes e tradições. Mas me arrisco a pesquisar e repassar o que não deve cair no esquecimento coletivo.

 

Entre muitas lendas que povoam o imaginário popular de nossa gente - como: O buraco da bala, O Lobisomem da vila Cuncun, O tronco de amarrar valente, A cruz da finada Marta, Santa Feliciana da América - dou destaque a essa última.

 

Não me lembro quando ouvi pela primeira vez esta história. Mas recordo que muito me interessou, além de  emocionar-me.

 

Fui até a América, município de Ipueiras, fotografei a pequena capela, seu altar, e fiz uma boa pesquisa sobre a Santa Milagreira.

 

 Dona Biluca, hoje falecida, moradora antiga do lugar, me presenteou com preciosas informações, que bem guardadas me servirão no futuro. O depoimento dos moradores  é tão ou mais importante que a própria lenda.

 

A história da Santa da América é contada em várias versões e uma delas repasso nesta crônica em homenagem ao 22 de agosto, dia do folclore.

 

“Contam que uma criança fraca do juízo e órfã de mãe, maltratada pela madrasta, sumiu no mato. Foi encontrada morta, ao pé de uma palmeira. Lá foi enterrada, onde se plantou uma cruz. Algum tempo depois, lá estiveram alguns missionários, e levaram o corpo dela que se tinha santificado. A cova  estava aberta, sendo fechada pelo vento, com areia branca e fina”

 

Dizem que a menina, que virou santa, já fez muitas curas milagrosas, daí o motivo de transformarem em capela, o lugar onde antes era apenas uma cruz.

 

Sítio Buriti (Casa principal)

 

 

O CAVALO QUE CAÍA NA FARRA...

 

Walmir Rosa de Sousa

 

Os banhos no Jatobá são inesquecíveis para cada um de nós. É assunto que vai render, creio, durante muito tempo. Até porque virão novos banhos.

 

Gostei da intervenção poética da Dalinha, ao comentar nossa prosa, remetendo-a às conversas de alpendre, na boca-da-noite, nas fazendas. Nada a estranhar. Ela é a nossa dileta musa.

 

Esta semana, esteve comigo o Expedito, conterrâneo das bandas do Buriti, irmão do Manuel, filho do Seu Zé Clara, antigo meeiro e depois vizinho do meu pai.

 

Li para ele, com empolgação, seu texto sobre o Jatobá. Ele, lógico, adorou. Na oportunidade, comentou, enriquecendo a lenda do cavalo do Seu Zé Fernandes, pai do Assis e do Sebastião (havia também uma filha, da qual não me recordo o nome), que o bicho também bebia cerveja, caindo na farra junto com o dono. Ele sabe. Morava próximo.

 

Falei no Buriti. Fica na Serra da Ibiapaba. Lugar abençoado. Água farta, terras aráveis. Clima Frio. Gente hospitaleira. Vários sítios produtivos. Situado entre a Lagoa dos Tavares, ao norte, e a Boa Vista, ao sul e poente. Dos habitantes de Ipueiras tinham sítio la: Pe. Belarmino (que  adquiriu o seu dos filhos do Seu José Zacarias Martins);  papai (que o comprou, em pedaços, do Seu Antônio Zacarias e do seu Braz Martins) e Seu Guarani, que também adquiriu o seu da família Martins. Os sitiantes restantes são naturais do lugar e adventícios que lá ficaram pelo casamento, seu e dos descendentes. Os Claras, os Marianos, os Vitores. Tudo gente da melhor qualidade. Amigos leais.

 

Buriti fica a 6 Km da "Vila de Matriz de São Gonçalo da Serra dos Cocos". Ô nome monarca! Teve vida marcante no século XIX, sendo uma das Freguesias do Ceará "A freguesia de São Gonçalo" que ia do Crateús, Serra da Ibiapaba, Santa Quitéria, etc. Um mundaréu de terra. Seus habitantes foram dizimados na famosa guerra dos Mourões e sobre seu chão - em atitude bíblica - aplicado sal para que, simbolicamente, nada lá mais florescesse. A maldição tem custado a passar. Mas, se Deus quiser, vai acabar.

 

Pro outro lado do Buriti, no sentido norte - depois da Lagoa dos Tavares e das Lages - encontramos Nova Fátima, hoje florescente distrito de Ipueiras. Nome posto em homenagem à passagem de Nossa Senhora de Fátima, que esteve na sede municipal em 1953. Com todo respeito à Santa, gostava mais do nome antigo: “ENGENHO DOS CAPUCHUS”. Ele nos faz relembrar os enxuís, da beira do rio, dos quais nos falou o amigo Kleber. Novamente voltamos ao Jatobá!...

 

Auxiliadora com D. Fragoso

 

 

EM MEMÓRIA DE DOM FRAGOSO

 

 

Obrigada, pela divulgação do Lindo depoimento de Pedro Albuquerque sobre D. Fragoso! Parabéns, Pedro. Infelizmente nosso guerreiro voou para outro plano de vida. Mas sua missão foi grandiosa! Construiu, no nosso sertão árido de riquezas materiais e espirituais, uma nova visão de Deus, Tentou organizar uma igreja libertadora e comprometida com as carências da região e a as realidades do seu povo.

 

Ousou o novo e pagou muito caro com uma reclusão compulsória. Sofreu o abandono e  a solidão nos tempos adversos, mas teve ainda a oportunidade de ver alguma das gratificações do seu trabalho no documentário " Igreja de Crateús: Uma Experiência Libertadora e Participativa", do qual nós fomos ao lançamento. Ia lançar o mesmo livro agora, dia 19, próximo (?), em Tauá. Mas, já não é mais possível.

 

Lamento não ter escrito o livro sobre minhas experiências de vida desde quando eu o conheci e das quais sempre rendia longos papos e risadas, quando eu o visitava em João Pessoa, cuja apresentação ele tanto me cobrou para fazer. 

 

Em uma dessas visitas, levei Milena, minha filha, psicóloga e professora da UNIP que mora em JP, que não se conheciam e ela o  confidenciou que, até hoje, nós rezamos antes das refeições a oração que ele me ensinou, ainda adolescente (15 anos!) quando almoçávamos no Refeitório do Internato da Escola Normal Regina Pacis, onde estudei e nas caminhadas por Crateús, no tempo de JEC: "Ó Senhor dai pão a quem tem fome e fome de Justiça a quem tem pão!"

 

A partir desta ocasião, mesmo ela sendo evangélica da Congregação Sara Nossa Terra, ficaram grandes amigos e desenvolveram um pequeno projeto comunitário sobre o idoso. Era um sábio, um filósofo, um transformador. Semeou sementes de um mundo de ternura e amor que virá, em breve, assim sempre dizia. Cheio de esperanças de que sua semeadura se ampliará nos campos de corações estéreis do homem moderno, continuará dando frutos e aumentará suas colheitas, neste mundo de tanta falta de dignidade e compromissos com os valores morais e cristãos, ele voou...voou como um anjo enviado que cumpriu sua missão em nome de Deus.

Com sentimentos condolentes por tão verdadeira perda, recebam amigos ipueirenses e da Diocese de Crateús, um grande abraço.

Auxiliadora, amiga e admiradora de D. Fragoso.

(Em 17.08.06, no Grupo Ipueiras)

 

 

 

Sete de setembro antigo

 

Dalinha Catunda

 

 

Saudades da solenidade

Do sete de setembro vivido,

Em minha pequena cidade.

A bandinha e a alvorada,

Mais tarde a solene parada

E nossa cívica felicidade.

 

 

A cidade movimentada,

Muita festa e animação.

Estudantes animados

Entravam em prontidão.

Ao bumbo repetidor,

A marcha pela nação.

O hino era cantado

Com respeito e emoção

Bandeira hasteada,

Batidas de coração.

Era o respeito à pátria,

No peito do cidadão.

 

 

Hoje procuro e não vejo

Nem sombra do que passou.

Será que nós mudamos,

Ou nossa pátria mudou?

Já não choro ao som do hino,

Nem me arrepia o tambor.

 

Do Jornal “O Povo”, ed. de 09/09/2006)

 

 

POLÍTICA & RELIGIÃO:

Um desabafo sem endereço

 

Walmir Rosa

 

Ontem, domingo à noite, programas de TV ruins, procurei refúgio no computador. Fui "botar a minha escrita virtual em dia".  (A propósito, quando, aos 10 anos, retirante/estudante fui para o Rio, formar o trio nordestino com Marcondes e Frota Neto, em Petrópolis, logo ao chegar, perguntei ao padre: “Onde boto minha mala?” Resposta de pronto: “Quem bota ovo é galinha, nortista. Quem mandou matuto sair de casa?”  Qualquer dia, conto o meu primeiro encontro com um japonês!!!)

 

 Voltando ao assunto principal, procurei lenitivo para as minhas dores d'alma no convívio virtual dos Amigos de Ipueiras. Frustração. Ninguém falava o que eu queria ouvir. Só política & religião. Aí, desabafei. Ao fim, me arrependi da mensagem, achando que os missionários e políticos de plantão iriam me desancar. Quase deletei, mas mandei assim mesmo. Fiquei temeroso.[

 

Graças a Deus, hoje pela manhã, tomei-me de curiosidade e fui lá ver se alguém tinha dito alguma coisa. Lá estava a nossa doce musa, na sua generosidade e bondade, concordando comigo, e, ao mesmo tempo nos brindando com um texto encantador, vendo as coisas através de um prisma que só as mulheres com extrema sensibilidade o fazem.

 

Amigo Kleber, meu desabafo foi genérico, sem endereço. Meu único desejo era contaminar os do Grupo com as coisas da nossa Ipueiras, corrigindo os rumos que os assuntos estavam tomando.Que bom que você, perspicaz como sempre, entendeu meu grito como um chamado aos expectantes, como eu, para se fazerem presentes, literalmente Rumo Norte.

 

Quanto a você, Nonato, tenho-lhe grande admiração. Mesmo sem conhecê-lo pessoalmente, ponho minha mão no fogo por você (sem querer, fiz um trocadilho: afinal, você é o fireman!). Sei que se trata de um homem correto, cônscio dos seus deveres como militar e, principalmente, cidadão brasileiro preocupado em fazer sua parte para legar aos nossos filhos e netos um País MELHOR.

 

Como bem disse a nossa Musa Dalinha, também gosto mais do Nonato brincalhão, espirituoso. Também compreendo que, às vezes, a nossa indignação nos leva a não resistir às tentações de desancar aqueles que, travestidos de cordeiros, são verdadeiros lobos, a devorar e sepultar nossas esperanças e desejos de dias melhores.

 

O importante disso tudo, é que nós, mais antigos no grupo, estamos juntos novamente, presentes, antenados, "descontraídos" e operantes.

 

Um abraço fraterno, conterrâneo e de paz,

Walmir Rosa

 

 

 

“Hoje a TV nos mostra os festivais de comida pelo mundo, como curiosidade. Comida é bom até de se ver, mesmo sem sentir o cheiro. Por isso é que o pobre, entre "tirar" uma TV ou uma geladeira, prefere a TV porque, ao abrir a geladeira, só acha água, enquanto a TV sempre está cheia de comida bonita!”

 

Recordações do Sete de Setembro

 

Acabei de colocar em dia minha agenda, neste imprensado e modorrento dia de trabalho, onde li, entre outros escritos, a lírica e patriótica homenagem da Dalinha ao 7 de Setembro em nossa Ipueiras, onde a escassez de recursos era sobrepujada pelo entusiasmo de todos.

 

Realmente - pelo que me lembro - na minha época de menino (saí da terrinha aos dez anos), os festejos do Dia Sete eram uma grande festa cívica, sem qualquer cunho militar. Até porque Ipueiras não tinha sequer Tiro de Guerra e o destacamento policial era mínimo, suficiente, numa cidade pacata como a nossa, para apaziguar os ânimos dos chamados "desordeiros" que eram poucos. Vivia-se um tempo de paz e tranqüilidade. "O tempora! O mores!" -  Que tempos, que costumes - (Cícero).


Auxiliadora, forte e incontestável porção mulher dos cronistas cearenses, ipueirense de berço, com seu iluminado estilo, nos transporta para a Praça da Matriz, no lado da Rua 15 de Novembro, fazendo-nos postar defronte à casa do Coronel Patriarca Antônio Eufrazino de Pinho, à sombra do ficus benjamim ( que talvez nem exista mais) e ouvir as vozes de comando do instrutor. Ordinário, marche! (O Nonato tem razão - afinal ele é militar).Ouvindo o rufar dos tambores, taróis e bombos de marcação.

 

As histórias do Coronel são ótimas. O jipe, sempre parado sobre o canteiro, debaixo do ficus. O olho vigilante do dono para nenhum menino subir (alô, Helder Sabóia!). O discurso do Dr. Kideniro Teixeira, interrompido pelo Coronel. A invasão do consultório do Dr. Chagas (Chico) Catunda...

 

A Auxiliadora, em seu íntimo, sem mencionar expressamente em seu texto, lembra e nos faz lembrar a figura do Coronel, Presidente do PSD - Partido Social Democrático, bancar, em dias de eleição uma lauta comilança para os eleitores do partido, onde muitas reses eram mortas, sacos de feijão, arroz, farinha eram consumidos para matar a fome dos que vinham dos distritos para votar.

 

Era costume da época. Em Ipueiras, nunca vi tanta comida junta. Hoje a TV nos mostra os festivais de comida pelo mundo, como curiosidade. Comida é bom até de se ver, mesmo sem sentir o cheiro. Por isso é que o pobre, entre "tirar" uma TV ou uma geladeira, prefere a TV porque, ao abrir a geladeira, só acha água, enquanto a TV sempre está cheia de comida bonita!

 

No meu entender, não era pressão, já que ninguém era obrigado a ir. Naquela época a gente fazia parte de um Partido. Ou era PSD, UDN ou PTB. Com toda a família. Votava-se melhor que hoje, porque a maioria das pessoas era do bem. Hoje, infelizmente, a noção de honestidade, caráter e ética está distorcida.

 

Agora estou aqui logo eu, que tanto critiquei as mensagens de Política & Religião a falar de política... É que a intenção não é política. Mas contar a história de Ipueiras. Desculpem-me!...

 

 

Prosa fogosa

 

És jogador de prosa, fogosa,

gostosa que tem rosa,

cheirosa

e mão zelosa

com dedos afiados a digitar

coisas airosas,

ruidosas

que estão a passar.

 

Carinhosamente,

Auxiliadora, admiradora de seu texto com a aroma saudades, Carvalho

Auxiliadora da Dona Brígida - gostou?

Era assim que nós, daqueles tempos em que a gente não sabia - nem por ouvir dizer - o que era dólar, maçã, caqui, abacate sem pescoço, abricó, cupuaçu, bacuri - a chamávamos. O Cili foi adotado por gente mais moderna.

 

Naquela época de nossa infância, tempos das carnaúbas pretas, dos melões caetano, mutambas, croatás, trapiás, melancias da praia, juás, tamarinas, canapuns, viviamos um tempo despreocupado e de paz. Éramos felizes. E nem nos dávamos conta disso.

 

Olha minha querida amiga, é uma alegria muito grande saber que você gosta dos meus despretensiosos textos saudosos.

 

Agora, merecer de você um poema é uma emoção muito grande. Li e me arrepiei. Ainda mais por se tratar de um poema tão belo, vindo, sei, de dentro d'alma, com a sensibilidade que só os poetas natos têm. Você é um deles; nasceu assim, abençoada, com DNA de escritora e poeta. Ao longo dos anos, só fez aprimorar-se, derramando as luzes do seu saber em seu derredor, seja de seus alunos, seja dos seus leitores, entre os quais me incluo.

 

Tenho muito orgulho de ser SEU AMIGO e CONTERRÂNEO. E obrigado pelo poema, embora não me ache nem a metade do que você disse de mim.

 

Com carinho,

Walmir, do Wencery.



 

 

Dia do rádio e do radialista

 

 

Dalinha Catunda

 

 

Hoje, dia 21 de setembro, dia do rádio e do radialista busco na memória retalhos de uma história de amor que sempre me fascinou. Quando ele entrou em minha vida, eu era apenas uma criança. Mas sua voz, seu canto, suas informações invadiram minha cabeça povoando-me de sonhos e ilusões.

 

Quem não se apaixonou pela voz de um locutor? Quem não ouviu as canções de amor que marcaram antigos romances? E, quem não enviou e recebeu mensagens "tipo assim": "Essa mensagem vai para alguém, que outro alguém oferece com muito amor e carinho. Não diz o nome para não dar confusão".

 

Falo do rádio. Veículo de comunicação que não perde a majestade. Falo principalmente do radio do interior, aquele que, cinco horas da manhã, fazia coro junto aos galos e pássaros que "teciam as manhãs" da minha pequena Ipueiras. Do rádio que reunia famílias às seis horas, hora da Ave Maria... Rádio que reunia senhores nos alpendres e calçadas com o intuito de ouvir e comentar a voz do Brasil.

 

Eu que viajo, e sou cigana pelos cantos e recantos do meu sertão, tenho o privilégio de acordar muito cedo em sítios, lugarejos, escutando os velhos sucessos de Luiz Gonzaga, que continua seu reinado de legítimo representante do povo nordestino.

 

O rádio ganhou roupa nova nessa era digital, se alastrou, conseguiu adaptar-se ao progresso sem que abafassem sua voz Hoje você acessa o rádio via internet.

 

As igrejas evangélicas invadiram suas ondas... O rádio, contudo, é um rio onde todos os seguimentos têm opção de navegar.

 

O rádio me encanta em todas as suas vertentes. Mas, o rádio do interior é minha maior paixão.

 

Neste 23 de setembro, faz 23 anos que Wencery Félix de Sousa, nosso pai, nos deixou. Aqui, as lembranças que Solange Rosa Marques, guarda até hoje de sua herança e imagem:

 

 

 

Estudo, a grande herança

a nos deixada por ele

 

              

Entre lembranças e saudades, sua forte presença - ora marcada pela alegria da infância lúdica, prazerosa, ora pela companhia amiga e confidente de pai - se faz sentida.

 

 Nas brincadeiras de esconde-esconde em que misteriosamente sumia embaixo dos lençóis de seda rosa chope em cujas bolhas de ar tínhamos de encontrá-la, nos lançávamos, eu e meus irmãos (Marcondes e Walmir) à sua procura. A algazarra era tanta que, às vezes, chamava a atenção de nossa mãe pela bagunça deixada na cama de casal. Qual não era então a alegria de encontrá-la, sorridente e feliz para surpresa de todos nós.

 

  A sabia lição do pai que se iguala aos filhos pequeninos nas brincadeiras, revela a grande sabedoria daquele pai inteligente que, mesmo sem entender de pedagogia e psicologia, contribuía com o desenvolvimento sadio dos filhos crianças.

 

  A vaidade de ter os filhos estudando nos melhores colégios fazia com que, à vezes e nas férias, me ostentasse com orgulho de uniforme de gala (saia azul marinho de seda e blusa branca, meias brancas e boina azul) do Colégio das Dorotéias (de Fortaleza) perante os ipueirenses a passear na pracinha como que a dizer: vejam minha filha! Essa vaidade se devia a superação daquilo que ele não teria tido em sua vida, como ele mesmo dizia, ser o estudo a grande herança que nos deixaria.

 

   Sua presença companheira e amiga, até nas horas mais difíceis de nossa vida, nos acompanhava e sabíamos contar com ela, mesmo que a lição fosse dura de compreender. Às vezes, um simples olhar nos fazia entender quando se estava a fazer algo não desejado. Lembro–me numa das vezes em que recebíamos em nossa Ipueiras, à noite, uma visita importante, eu menina metida entrava na conversa daqueles adultos como que a me mostrar para eles. Bastou um simples olhar de meu pai para que eu saísse sorrateiramente da sala e fosse me esconder embaixo da cama com medo de apanhar. Após a saída da visita, meu pai e minha mãe buscaram–me pela casa inteira e pela vizinhança sem sucesso, até que lembram de procurar–me embaixo da cama. Mas não foi desta vez que apanhei, coisa rara que me lembre, pois a surra prometida fora substituída pela conversa.

             

A presença companheira e amiga de meu pai, ainda tão sentida e necessitada, mesmo depois de vinte e três que nos deixou, é motivo de grata recordação e saudades que me invadem. Lembro-me de quando tomei a decisão de deixar meus pais e minha casa para entrar na vida religiosa, já adulta. Foi a meu pai que confidenciei, numa daquelas manhãs em que saíamos para trabalhar (Fortaleza). Ele me abraçou e disse que sentiria muitas saudades, mas que eu fizesse o que fosse melhor para mim. 

 

É com lágrimas que relembro desses momentos de nossas vidas, mas a certeza de que ele homem simples e sábio, alegre e afetuoso está a nos acompanhar pela vida com sua forte/suave presença.

                                                                 

        Fortaleza, 22 de setembro de 2006

Solange Rosa

 

A um saudoso amigo

 

Conheci você nos seus últimos anos.  Já doente, língua solta, no entanto. Amava seu sítio na serra com amor eterno. Era o seu querido Buriti, que você nunca esquecia. Gostava de visitá –lo.

 

Morava mais lá do que cá. Quando se hospedava na casa de sua filha, por sinal, filha única e mais amada: “Diga ao Luiz que cheguei”.

 

Era a hora do jornal de lá e de cá. Passávamos horas e horas.

Sua voz melodiosa encantava meus ouvidos. Eram melodias de suas recordações. Trabalho duro em Ipueiras. A faina do sítio dos seus amores.

 

Trabalho pelo Brasil a fora. Não esquecia amigos e conhecidos, Mesmo vultos inesquecíveis. Mas o estribilho era seu amoroso sítio Buriti. Até a saudade, montada no nome era doce.

 

Solange, o jantar está pronto?” E íamos alegremente para a mesa. Me custava muito dele me despedir. Mesmo não chamado, voltava. Ele era meu amigo, nos gostávamos.

 

Na Bahia, soube de sua partida. Não foi surpresa, seu estado era grave. Hoje ficam os filhos e o Buriti, a cantarem a sua saudade. Numa homenagem afetuosa, visitamos seu jazigo. Lá estão muitas flores e velas. É a nossa presença-saudade.

 

Há sempre uma prece para você, quando passo em frente ao seu retrato. E às vezes, mesmo, uma conversa amiga. Falo de você, WENCERY meu amigo, diria melhor, WENCERY do Buriti. Você é o meu amigo WENCERY, mu querido e amado sogro.

 

                                                           Luiz Marques de Oliveira

 

 

 

ESTAÇÃO DO AMOR

 

 

Se a primavera não trouxe

As flores que tanto querias,

Não desista dos teus sonhos,

Há primaveras sombrias.

 

Se plantaste tantos beijos

E só colheste saudades,

No chão cultivado

Faltou luz, fertilidade.

 

Por isso pega a enxada

E vai trabalhar outro chão.

Há flores esplendorosas,

Nascendo em pleno verão.

 

Não há tempo propício

P'ra se colher rosa, flor...

É só plantar com carinho,

Na estação do amor.

 

Sempre vivas as paixões,

Sempre hão de florescer.

Em terra bem adubada.

Não existe o fenecer.

 

(Dalinha Catunda)

 

 

 

 

 

 

5º Encontro dos ipueirenses em Fortaleza

 

Zequinha do Zeca Bento

 

Quem não foi ao quinto encontro dos ipueirenses, não pode avaliar o quanto perdeu. Foi só alegria!

 

Conterrâneos que há muito não se viam, tiveram a oportunidade de se encontrar, colocar em dia as novidades, saber  de parentes, enfim, praticamente, voltar aos nossos dias em Ipueiras. O Toinho Cardoso, organizador de todos os encontros, assessorado pela Adelaíde e pelo Nilton Aragão, era um sorriso só de satisfação, ao ver todos os seus esforços coroados de êxito.

 

 

 Presenciamos reeencontros como o da Miraugusta com a Carminha do Tim Mourão (irmã da Teresinha e que também mora em Brasília), que não se viam há bastante tempo;  o Preto do tio Mileto, quase lotando o Clube Oásis, ao levar os seus familiares e amigos, para, aproveitando a data, festejar o seu aniversario;  o Irineu e seu irmão Eliseu Balacó, que esqueceu um pouco as suas empresas no Rio de Janeiro e veio rever os conterrâneos, como vem fazendo nos encontros passados;  o Valmir do Wencery, representando os irmãos Marcondes e Solange, que no puderam ir. 

 

De Ipueiras veio o casal Vavá e minha irmã Lourdite.  Também estavam presentes: a Cristina e a Socorrinha do Guaraní, a Socorro do Afro, a Gessi, Maria do Carmo e Maria Ivone do Chico Terto, o meu irmão, Tadeu do Zeca Bento, o Everardo e a Aninha, o Edson e o Gerson do Zé Morais, o Nagibe, o Tuica, o Jânio do Simãozinho, a Socorro do Seu Sabastião Matos, A Mariluzi (a Bá) do Delmiro, ao lado do seu esposo Pedro Gondim.

 

A Adelaíde, a Socorro e a Fátima da Dona Brígida lamentavam a ausência de sua irmã Auxiliadora (ô Cilí, por que você não deixou para quebrar este pé, depois da festa?). E muito mais conterrâneos estavam na festa,  que  findou sob o som de marchinhas de carnaval, todos participando do cordão carnavalesco, igual ao que faziamos nas festas da Prefeitura de nossa terra.