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Outra pátria (Dalinha Catunda)

18:15 @ 06/09/2008

Olavo Bilac

Outra Pátria

Dalinha Catunda
O Povo - 06/09/2008 

Amar com fé e orgulho,
A terra em que nasci.
Aprendi ainda na infância,
Nos hinos e poemas que li.
Ó minha pátria sagrada,
Cadê teus encantos mil?
Poluído e acinzentado,
Hoje vejo teu céu de anil.
Teus rios, mares e florestas,
Carecem de preservação.
Na natureza não há festa
Predomina a devastação.
Se a boa terra jamais negou,
A quem trabalha seu pão.
Por que fazer do nosso pobre,
Um reles parasita da nação.
Sonegando-lhe trabalho,
E humilhando o cidadão.
Que recebe bolsas e vales
Enterrando o orgulho no chão.
Quem não vive do trabalho,
Do seu suor e da sua mão,
Não pode ter amor próprio,
Nem orgulho da sua nação.
Como imitar a grandeza,
Dessa terra em que nasci.
Se o exemplo lá de cima
Na verdade ainda não vi.
Por isso eu digo e repito,
Aos dirigentes da nação.
Primeiro dêem exemplo
Depois cobrem ao cidadão.
O que li de Bilac é passado,
Sentido não faz agora.
Minha pátria hoje é outra.
Tenho saudades d'outrora.

 

 

 

Dia da Pátria (Bérgson Frota)

19:11 @ 06/09/2008

                                         

 

                                        

 

                               DIA DA PÁTRIA

 

 

             Na década de setenta, em pleno regime militar, no dia da Pátria todas as cidades do interior do Ceará faziam grandes ou pequenos desfiles, que em alguns municípios se destacavam pela pompa e organização enquanto noutros numa simples comemoração.

 

            Já no início do mês de agosto, em Ipueiras, sempre depois das aulas da tarde, precisamente na quadra do ginásio, começavam os ensaios de bateria para o desfile de sete de setembro.

 

           O ritmo cadenciado mais destacado era o dos tambores, e durante todo o mês, até o seguinte, eram ouvidos pontualmente, no fim de tarde os sons ritmados, alternando com outros instrumentos, fazendo um todo cadenciado e harmônico.

        

            Assim se preparavam para o desfile do sete de setembro os alunos do Colégio Otacílio Mota, dos grupos Padre Angelim e Aloísio Aragão e do Educandário.

 

             A amplificadora acordava às cinco da manhã a cidade, e nós alunos cedo nos arrumávamos para ir ao grupo escolar que pertencíamos e de lá organizados nos dirigirmos a praça Sebastião Matos, em frente ao colégio.

 

             A primeira fila do desfile era liderada pelos bateristas vindo atrás os representantes dos Estados.

 

             Figuras da nossa história, os escravos, os imigrantes e finalmente os alunos que com suas fardas eram antecedidos por uma faixa que identificava o grupo escolar que representavam.

 

              Durante toda marcha havia professores que de forma ágil orientavam os alunos e as diversas seções de filas.

 

              Assim formava o desfile um belo espetáculo cívico.

 

             Fazíamos o caminho pelas principais ruas da cidade e finalmente parávamos em frente à prefeitura onde em fila ouvíamos os discursos das autoridades municipais, que exaltavam a importância do sete de setembro e o significado do patriotismo.

 

              Hoje, em Fortaleza, ao assistir o desfile me vem à lembrança do som dos tambores, dos fins de tarde em ensaios, do dia da grande apresentação no desfile e sou tomado pela nostalgia daquela manifestação que primeiro nos acordava o civismo e assim nos marcava de forma indelével para toda vida.

 

Bérgson Frota

 

                                                                                                        

                           (Publicado no O Povo em 06.09.2008)                                       Foto : Arquivo Pessoal

13:03 @ 18/08/2008

Ninguém notou
Ninguém morou na dor que era o seu mal
A dor da gente não sai no jornal.


 

Notícia de jornal

Marcondes Rosa de Sousa
 O Povo - 18/08/2008

 

Na letra do samba "Notícia de Jornal" e na voz de Chico Buarque, diz-nos a dupla Luiz Reis e Haroldo Barbosa: "a dor da gente não sai no jornal". Mas tantos os ataques dos ditos serviços de proteção ao crédito a desprezar o cidadão, feito reles pronome indefinido, que aqui ouso expressar minha dor.

Mais de um ano faz. Meu nome a figurar em lista negra de tais órgãos, sem qualquer cobrança ou notificação prévia a mim. Empresas e lojas, sem jeito, a me esconderem as razões da restrição ao crédito. Só a custo, o gerente de uma delas me mostra, na tela do computador, a empresa: Globo Cabo/net São Paulo Ltda. Débitos a variar ora de 30 mil  ora de 300 reais. E, recente, novo ataque. Aí, resolvo, ante o estelionato sofrido, ir à Justiça, em ação por danos morais.

Longo ritual. Na polícia, boletins de ocorrência. Nos órgãos de proteção ao crédito e direitos do consumidor, informações e surpresas. A empresa, sem registro e sequer endereço. Em São Paulo, a confissão de não registro na Junta Comercial. Dois telefones inexistentes... Nos cartórios, ausência de títulos protestados, em meu nome, e das instituições que dirigi. E a ética e lisura transparentes em minha história de vida, em títulos e documentos.

Em tudo isso, confesso. Cidadão, "cansei".Vendedores de seguros, dois anos atrás, apondo-me, direto no alto escalão de Brasília, na folha de pagamento da UFC, seguros inválidos ou benefícios de fictícias empresas. Dois meses atrás, supostos "débitos autorizados" (sic) em minha conta bancária por fictícia entidade no Maranhão, eu é que tendo de provar a não autorização do estelionato...

Perdoem-me, pois, Chico Buarque e a dupla. A dor da gente, sim, há que sair e ser notícia no jornal, a denunciar estelionatos e em defesa do cidadão, destino e razão da democracia!

Marcondes Rosa de Sousa - Professor da UFC e da UECE