Grupos

 

 

Meu Pai, Espedito Catunda

 

Dalinha Catunda

 

Pai essa sua grande força,

Que não sei de onde vem,

Essa sua notável lucidez

É comovente também.

É com grande alegria,

Que vejo essa teimosia,

De quem tantos anos têm.

 

Faz pouco caso do tempo,

E por ele vai passando.

Com sua longevidade,

A todos vai encantando.

Sem ligar para mazelas,

Ainda acha a vida bela,

E assim vai caminhando.

 

Hoje uma bengala

Ajuda a guiar seus passos.

Nas ruas por onde passa

Recebe carinho e abraços.

Ainda sorrir para vida

Essa figura tão querida,

Que já encurta seus passos.

 

Eu só queria pedir,

A cada um de meus irmãos.

Que pense bem nos seus atos,

E prestem muita atenção.

Ponham a mão na consciência

E procedam com muita decência

Para depois não pedir perdão.

 

Espedito Catunda de Pinho,

É meu pai, minha fortaleza.

Quantas vezes ele já caiu

Mas nele não vi fraqueza.

Sempre se levanta mais forte

Ele sempre será meu norte,

Disso tenho toda certeza.

 

 

Seu sol e dona lua

Dalinha Catunda

O Povo - 05 Set 2009

 

Seu sol e dona lua,
Começaram a namorar
Depois de pouco tempo
Resolveram se casar.
Mas ficava bem difícil
Para os dois a situação.
Quando o sol se recolhia
Vinha a lua e seu clarão.
Ele lhe dava: boa noite!
E logo no céu sumia
No outro dia bem cedo
Ela lhe dava: bom-dia!
Assim por muito tempo,
Viveram nessa agonia
Enquanto um chegava,
O outro triste sumia.
Seu sol mui enamorado,
Por dona lua se derretia.
E ela tristonha chorava
Quando seu astro partia.
Dona lua foi minguando
Diante de tanta tristeza.
O toque de raios solares
Devolvia-lhe a beleza.
Júpiter sensibilizado
Com tal amor proibido
Criou um grande eclipse
E tudo ficou resolvido.
Toda vez que o céu escurece
Dá-se a verdade mais crua.
Seu sol cheio de amor
Vem cruzar com dona lua.
Depois de certo tempo,
Bela e cheia ela aparece.
E Seu Sol agradecido
Entre raios resplandece.

                                              

                  

                                   Um Herói Cearense

 

        Nascido em Fortaleza a 24 de novembro de 1941, João Nogueira Jucá foi um jovem que como muitos de sua época e idade tiveram seus sonhos, queria ser Oficial da Marinha, e para isso preparava-se, cursando na época o Científico no Colégio São João e freqüentando com dedicação uma academia de ginástica, fato que lhe dava um físico forte combinado à altura que tinha.

 

        Mas para ele reservava o destino outro caminho, que deixaria para sempre seu nome na nossa história, o nobre sacrifício de sua vida em prol de outras tantas.

 

        Na tarde de 04 de agosto de 1959, precisamente às 14h:20m, uma grande explosão se deu na Maternidade Dr. César Cals.

 

        A seguir, começou com estrondos um grande incêndio e também a enorme correria da população local em busca de afastar-se o mais rápido possível do lugar, pois as labaredas em poucos segundos já iam altas.

 

        Um jovem de porte atlético, que junto a outros amigos passava próximo, ao contrário dos que com medo, afastavam-se ante os gritos lancinantes por socorro que se ouvia de dentro da maternidade, lançou-se sem pensar junto a vários outros abnegados para dentro do hospital que já ardia.

    

        De lá saíam trazendo recém-nascidos nos braços e parturientes feridas.

 

        Outras grandes explosões eram ouvidas e a maternidade transformava-se agora numa dantesca sala de grandes labaredas.

 

        O tempo em minutos parecia uma eternidade diante do poder destrutivo do fogo que alimentado por estoques de balões de oxigênio só fazia aumentar.

 

        Dos que laboravam naquele socorro, não se poderia omitir a coragem daquele jovem que vinha e voltava rápido, trazendo crianças e mulheres, o corpo já queimado parecia não ser empecilho para a coragem e o heroísmo daquela grande alma.

        Gritavam alguns para que parasse, pois no corpo já se via fogo. Suas vestes carcomidas deixavam a carne viva transparecer, e a quem assistia na tamanha confusão mais comovido ficava diante daquele ato nobre e corajoso.

 

        O número de vidas que salvou este jovem herói nunca foi ao certo calculada, entre recém-nascidos e parturientes estima-se 25 pessoas, da tragédia que resultou em quatro mortes e inúmeros feridos.

 

        Na última tentativa de mais uma investida para dentro das labaredas, foi fortemente detido e caiu desfalecido. O corpo deformado, as queimaduras de terceiro grau lhe tomavam 80% de todo o corpo, mas pareciam não deter sua ânsia de salvar quantos fossem. As forças porém já não mais respondiam a sua férrea vontade.

 

        Em 11 de agosto de 1959, na Assistência Municipal, depois de muita agonia e sofrimento, intercalando lucidez e delírio, sem nunca ter se arrependido do que fez, veio a falecer aos 17 anos este grande cearense.

 

        O exemplo de João Nogueira Jucá, moço de personalidade altiva e grande amor ao próximo ficou-nos, e são como marcos eternos na terra, e marcas indeléveis nas almas de quem os praticou, presenciou ou escutou tais feitos, não deixando de transparecer com isso a tênue, mas conflitante divisão perene entre o divino e humano latente e por vezes exposto nos grandes atos de altruísmo raros mas presente pela natureza humana praticados.

     

                                                                                               Bérgson Frota

            (Foto do busto de João Nogueira Jucá, situado na Praça da Lagoinha (Capistrano de Abreu) – Arquivo do autor)

Publicado no O POVO em 12.09.2009

                        

 

 

PELA ORDEM E PELA PÁTRIA

 Dalinha Catunda

Como podes estar contente,

Deveras, “ó mãe gentil”,

Se o descaso dos políticos,

É visto, fora e dentro do Brasil,

Manchando o nome da nação,

Envergonhando a população,

E esquecendo o amor servil.

 

Ó minha pátria querida,

Prometo-te de coração

Que hei de defender-te.

E será na próxima eleição

Na hora de dar meu voto

Da nação serei eu devoto

E não de qualquer facção.

 

A pátria merece respeito,

Do analfabeto ao letrado.

Porém, hoje, o país padece,

Com os escândalos do senado

Por isso “Vossas excelências”

Governem com mais decência

Pois estamos envergonhados.

 

Pela ordem! Hoje quem pede,

São os filhos desta nação,

Que deputados e senadores,

Acabem com a corrupção,

E que o senhor presidente

Não seja esse ser ausente,

Se é que tem o poder nas mãos.

 

                                          

                                          

 A chegada das andorinhas em Ipueiras

 

                                                                                                                                                                      Bérgson Frota
                                                                                                                                                          O Povo - 19 Set 2009

 

Nenhum espetáculo na natureza se comparava ao tempo em que, para mim, quando criança, por estação certa, chegavam às andorinhas.


Neste período em Ipueiras, tínhamos uma semana singular, com inúmeras andorinhas aparecendo no céu, marcando um tempo já esperado, somando-se a outros bandos mais numerosos que rápido chegavam atrás, fazendo sombra nas primeiras horas da manhã.


Deslocavam-se, como numa caravana aérea, em grupos compactos, sombreando ruas e avenidas, algumas já pousando sobre arco, e a maioria ziguezagueando em torno da igreja matriz.


No céu fazendo seus sons, caçando insetos em rápidas manobras, muitas caindo, dado aos voos baixos que davam, e sendo facilmente capturadas com as mãos.


As torres altas atraíam aqueles pássaros migratórios, que preferiam fazer seus ninhos em construções a copas de carnaúbas e algarobas que naquela época se espalhavam pela cidade.


Outras desciam sobre a areia fofa e começavam a ``banhar-se``, sacudindo-se como se a areia fina fosse água.Quando cansadas de tantas revoadas e tentativas de escape sobre a cidade, elas que atraíam a atenção da população, iam pousar nas altas paredes da igreja e era justamente na torre onde o maior número se concentrava.



A noite caía e o silêncio reinava. Na escuridão que aos poucos a iluminação pública ia preenchendo, era como se lá presente elas não estivessem.



Para nós, ainda meninos, as andorinhas traziam um mistério. Apareciam em grande número num só tempo, faziam ninhos em prédios altos, e depois partiam, deixando atrás o grande questionamento da rota por elas seguida.



Era o começo dos muitos enigmas que íamos observando com atenção na natureza.


Cheia de leis por nós desconhecidas, mas rica de singular significado, imutáveis e instigantes, ainda permanentes e hoje ainda mais atuantes.

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O nosso versátil Jeremias Catunda Malaquias

 

Não me chame de poeta

não me agrada, não convém

tenho nome é do profeta

maior de Jerusalém.

                                                                               Jeremias Catunda Malaquias

 

O nosso Jeremias fez jus ao homônimo do maior profeta de Jerusalém. Todos nós ipueirenses levaremos na memória, quando de nossa passagem para o mundo que ele agora foi, não somente a sua identificação de poeta mas a versatilidade que foi o marco do nosso estimado conterrâneo.

 

Jeremias nascido na década de 20 do século passado e eu na década de 50. Começava aí sua condição de versátil: ele conviveu facilmente com gerações diferentes. Vi sua atuação como jogador de futebol e de voleybol, de técnico e juiz de futebol, como político,  jornalista,  radialista,  cronista,  orador em todos e quaisquer eventos quando alguém em Ipueiras precisava falar,  funcionário público, comerciante, de aficionado pela criação de pássaros (canários e aves - galos de briga), de organizador de festividades e promovente de festas.

 

Neste particular, minha lembrança de uma corrida de bicicletas de Ipu a Ipueiras em que ele narrou pela Rádio Vale do Jatobá todo o percurso, premiou e enalteceu a atuação dos participantes. Também, de uma festa que ele promoveu quando da inauguração de energia elétrica de Ipueiras, em 1966, em que denominou de a "Festa do Século", nos salões da Prefeitura, animada pela banda Os Cometas, de Ipu.

 

Fez de tudo e deixou sua marca de um apaixonado pela sua terra natal e um defensor ardoroso de Ipueiras - um bairrista, na saudável acepção da palavra. Minhas saudações a Professora Ruth Frota Catunda e aos filhos Bergson, Carlson e Valeska.

 

(Tadeu Fontenele, parente e admirador do nosso "Fez de tudo" ipueirense.)