O épico de uma época: Quase! (Por Marcondes Rosa de Sousa)
01:10 @ 02/12/2006

O ÉPICO DE UMA ÉPOCA: QUASE!
Marcondes Rosa de Sousa,
Tribuna do Ceará, Fortaleza, 9/2/2000
Quase é advérbio por trás do qual se escondem o rascunho, o inconcluso e o inatingido. Quase é o título de obra de 518 páginas do escritor-jornalista Frota Neto, lançada, dias atrás, em calorosa noite no Náutico, em mais de 4 horas de autógrafos, abraços e reminiscências de todos os lados.
Autobiografia, crônica sentimental, história ou romance? Quase é quase cada um desses gêneros. É autobiografia onde o autor se transpõe do texto para o entretexto. Romance em primeira pessoa, em que o narrador é câmera subjetiva a extrair, de ambiências, fatos e personagens, o caleidoscópio de nosso imaginário. Filme onde incontáveis figurantes são feitos protagonistas, num romper da dualidade “bandidos/mocinhos”.
Nele, Frota Neto é repórter a registrar fatos de sua convivência, entre os anos 50 e 70. Na seleção do não-perecível, assistiu-lhe o feeling do cronista da história. E, ao mapear ambientes, atitudes e almas - captados por câmera em close up - fez-se cineasta sensível na seqüência dos instantâneos em contextos significativos mais amplos e verticais: do “carneiro do Miraugusto” e os doidos (?) de
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O menino que, “nas
Frota é um dos que se foi, mas que, aqui, deixou-se ficar. Que viu o mundo “
Para Frota Neto, Quase pode ser o desculpar-se pelo inconcluso. No caso, porém, é advérbio que se tornou substantivo próprio e maior. E, na leitura de muitos dos personagens-leitores, “o épico de uma época”. Por que não? A arte, afinal, faz-se da sugestão e do inconcluso: atingindo sua plenitude, no “quase”!
Extraído do livro Educação: insistências e mutações – Coletânea de artigos publicados em jornais de Fortaleza (1995 a2001), Fortaleza, Edições UVA, 2002. pp. 174-175
Comentários
(20:56 @ 03/12/2006) Jean Kleber disse:
A arte faz-se da sugestão e do inconcluso e atinge a sua plenitude no "Quase". Como Walmir Rosa disse certa vez, Frota Neto é um ícone de Ipueiras. Parabéns Marcondes. Um reedição oportuníssima.