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O BRINQUEDO INESQUECÍVEL

 

 

   Fui uma daquelas crianças que acreditou piamente em Papai-Noel. Só com o passar do tempo, percebi que o bom velhinho era mais generoso com uns do que com outros, mas nada disso chegou a afetar meu relacionamento com ele.

 

      É lógico que ganhávamos os presentes conforme os sapatos que colocávamos debaixo da cama ou da rede. Nas camas e nos bons sapatos, os melhores presentes. Nas redes e sandálias, os arremedos de brinquedos ou simples lembrancinhas. Jamais ganhei uma boneca loura de olhos azuis. O Papai-Noel pelas minhas bandas era mais humilde. Mas também nunca tive inveja de quem a ganhou, pois as pobrezinhas dessas viviam mais dentro das caixas do que no colo de suas donas. E, além disso, brinquedo caro logo se quebra!

 

      Posso, contudo, posso garantir que ninguém foi mais feliz do que eu com minha boneca inquebrável. Inquebrável sim, pois era toda de pano, com roupinha colorida, cabelo das caboclas do sertão e fantástica ante meus olhos.

 

      A noite de Natal era mágica, Mas o dia seguinte não ficava atrás. As calçadas ficavam repletas de crianças que madrugavam no intuito de exibir seus brinquedos. Meninos, meninas, bolas, bonecas apitos e cornetas, e uma algazarra maior quebrando a rotina infantil.

 

      E foi exatamente num dia assim que me vi cercada de crianças curiosas querendo ver o brinquedinho exibido por mim. Imaginem, era uma galinha! Pequeniiiiiina, mas cheia de graça. Parece que estou vendo: amarela, com bico, pés e crista vermelha...

 

      Mas não era só isso. Ela botava ovos. Só três, mas botava!  Tinha uma abertura  com uma tampinha camuflada no alto entre as asas. Era só apertar em cima que ela se agachava, e a cada apertada botava um ovinho. que em seguida eram recolocados dentro da galinha. Esse, com certeza, foi meu brinquedo inesquecível.

 

      Fui muito feliz com meus humildes brinquedos. Hoje sinto até uma pontinha de tristeza em saber que, em alguns lugares o Papai-Noel nem chegou a passar.

 

Dalinha Catunda

 

 Ipueiras-Ce

 

 

Comentários

(23:37 @ 15/12/2006) Teresinha disse:
Dalinha, amei esta sua recordação do Natal de outrora, e esta galinha era 10. Belos tempos que não voltam mais. Forte abraço

(12:32 @ 16/12/2006) Jean Kleber disse:
Dalinha, o primeiro desses brinquedos que ví, foi em Ipueiras, se bem me lembro. Ficaram em evidência por anos! Em Fortaleza também os comprávamos. Tinha de várias cores. Eram avezinhas graciosas.Deu saudade. Obrigado.

(18:59 @ 17/12/2006) Anônimo disse:
Jean Kleber e Terezinha, adoro "cutucar" essas saudosas lembranças, que no fundo, é o retrato de uma época. E certamente de uma época feliz. A tal : "aurora da vida que os anos não trazem mais" Beijos, Dalinha

(20:19 @ 17/12/2006) Faina disse:
Lembro da galinha, era tão singela para os brinquedos de hoje, mas o que valia era a nossa imaginação, o que valia era a criatividade.Tivemos uma amarelinha. Um abraço.