Abra a boca e feche os olhos (J. Kleber Mattos
16:08 @ 11/01/2007

ABRA A BOCA E FECHE OS OLHOS
Jean Kleber Mattos
Para mim é uma cena encantadora. O momento em que uma criança de dois anos mais ou menos é apresentada à primeira “balinha” de sua vida. Ainda sem a coordenação e a habilidade suficientes para desembrulhar a guloseima, morde-a com papel e tudo. Logo surgem os adultos dizendo-lhe, entre risos, “não é assim que se come”. Isso tudo ante o olhar estupefato do infante. Delícia!
Creio que lembro de minha primeira balinha. Foi em
Também lembro da primeira vez em que bombons com papel colorido encheram meus olhos. Eurípedes Matos, filho do prefeito Sebastião Matos e recém chegado da América do Norte onde se formara, presenteou meu pai, Neném Matos, com uma caixa. Que felicidade! Bonitos e saborosos! O incrível gosto do chocolate!
Mas o regalo da fome de doces tinha na culinária local um elenco valioso de opções: doce de buriti, doce de leite, pirulitos, rapadura, tijolo de coco e cocada. Meu Deus, as cocadas! Manjar dos deuses. Engolir ou não o bagaço? Eis a questão...
Os doces sempre foram prendas bem disputadas nos leilões das festas da paróquia de
Impossível esquecer os produtos do engenho de cana. Mel ou melado. Uma delícia. Com farinha então... E com banana fatiada? Hum! A rapadura e batida. Esta mais mole e envolta num invólucro de palha de bananeira. A palha de bananeira também embalava a mariola, um doce de banana vendido em tabletes. A palha e a folha da bananeira notabilizaram-se entre nós, nordestinos, como invólucros multiuso. Ainda sobre os produtos do mel de cana, não esqueçamos o alfenim ou “puxa-puxa”.
Doces de leite tinha de dois tipos: um deles amarelo claro, de ponto meio cristalizado. O outro, “talhado”, era grumoso e mais moreno. Minha preferência recaía sobre o primeiro. Era geralmente servido no bar de seu Guarani. E o “colchão de noiva”? A iguaria em forma de cocada. Em
Os doces sempre foram um ingrediente notável nas cenas de ternura. Desde a “hollywoodiana” caixa de bombons com a qual se adula a amada, até àquela conhecida brincadeira de por um doce na boca de alguém com a frase: “abra a boca e feche os olhos”. Às vezes é farelo de rapadura... Tem coisa melhor?
Os médicos nos advertem sobre a perigosa combinação do consumo de doces e a vida sedentária. Risco de diabetes. Para mim, apenas um risco consigo reconhecer quanto ao consumo dessas delícias.
Comer demais. Oh! Bicho bom !
Comentários
(22:10 @ 28/02/2007) Dalinha disse:
Doce lembranças... cada tipo de doce me lembra pessoas que marcaram minha vida. Doce de Buriti o preferido de meu pai, diferente e saboroso. De casca de laranja minha vó Nenem mulher do Gonçalo Xi menes. Minha tia Isa Catunda fazia uma geléia de manga maravilhosa, minha mãe era a rainha das cocadas e eu aprendi muito bem como se faz. Bom, dizer que enchi a boca d'água é pouco, estou babando até agora. Quanto ao bombon só fiquei sabendo que era bala depois que saí de Ipueiras. Lembro-me do piper um bala de ortelã que os namorados viviam de bolsos cheios. Valeu pelo escrito e pelas doces lembranças