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Olhar de Cristiane

Marcondes Rosa



O Povo - 09/07/2007 02:23

 

Na Web, lanço "Aspectos socioeconômicos do Ceará", de Cláudio Ferreira. Lima, para o Fórum Ceará. E, dos Inhamuns (Ce), chegam-nos de Cristiane Feitosa, contrapontos.


Liberdades políticas, fundamentais a construir, com emprego e renda, o desenvolvimento. Cristiane tem outro olhar: "Vivendo e trabalhando no interior (...) percebe-se que tal liberdade não existe. É pura utopia. Não há liberdade do povo e nem desenvolvimento". Relevante, diz Cláudio, o papel da educação na construção da democracia participativa, muito chão, no Ceará, por andarmos: "Do total, 603.522 são analfabetos e 1.598.126 têm o lo. Grau incompleto. Apenas 90.373 possuem superior completo". Contraponto: "(...) um dos interesses - seja ele municipal, estadual ou federal - de não haver investimento sério com a educação é formar os 'currais eleitorais' (...) mais fácil controlar o voto numa sociedade sem informação, que nos vem com a educação".


Cristiane é contra a "segurança protetora das bolsas": (...) leva à falta de mão-de-obra para trabalhos rurais (...) o trabalhador sabe que vai receber sem esforço algum... (...) "pai aposentado, mãe e cinco filhos maiores, ninguém trabalha mais (...) Vivem todos da aposentadoria do patriarca" (...) "Os filhos homens vivem na cachaça e partem para os assaltos (...) "A marginalidade, o alcoolismo e a prostituição estão aumentando". E conclui: "(...) base de tudo, a educação" (...) a levar o homem do campo a ficar no campo". Tudo, sob o lema do "não lhe dê um peixe, ensine-o a pescar".


Chegam-nos avais a Cristiane. Um deles, o da profa. Maria Adélia de Souza (USP), a propor "novo discurso político para o País": "Não há como refletir sobre o mundo novo, especialmente numa região pobre como o Nordeste brasileiro com as teorias, conceitos e significados do século XX".



Marcondes Rosa - Professor da UFC e da Uece


Comentários

(17:34 @ 18/07/2007) Jean Kleber disse:
Desde que ví essa matéria no O POVO intentei publica-la no blog Suaveolens, pois ela representa o sentimento e a consciência que cresce o Brasil sobre a problamática social e do desenvolvimento. Há que se mudar essa cultura da pobreza, do assitencialismo, de trocar o voto por comida, gás, enfim...chega de estimular o ócio. O cidadão "de vergonha" quer trabalho e dignidade. Parabéns.

(18:12 @ 30/07/2007) irineu pontes disse:
Tudo isso foi bem expresso na música do Gonzagão: "Mas doutor uma esmola, para um homem que é são, ou lhe mata de sergonha ou vicia o cidadão!" É o óbvio. Porém difícil é ter quem diga, porque é bem mais fácil conveniente apresentar uma farsa, fazer de conta que é bonzinho, que resolve o problema e agravá-lo. Assim, eterniza-se a dependência enquanto garante os votos.