Grupos

 

 

ENCONTRO NO IPHAN

(Ícones culturais em Ipueiras e Matriz)

 

 

Ontem, às 11 da manhã, lá estávamos, Solange Rosa e eu, na sede do Instituto do Patrimônio Cultural e Artístico Nacional (IPHN), em entrevista que nos havia marcado o dirigente Romeu Duarte e o arquiteto Francisco Veloso, para um bate-papo de início sobre os “ícones culturais” do Município de Ipueiras, com ênfase o processo ali estancado, faz mais de 20 anos, referente à Matriz de São Gonçalo.

 

Relembrando aos do Grupo, o assunto surgira quando de casual encontro meu em exposição a comemorar os 100 anos de Luiz Sá, carturnista cearense, onde encontrei com muita gente da área cultural – marcadamente o Prof. Liberal de Castro, o arquiteto e compositor Fausto Nilo e Francisco Veloso.  Papo vai papo vem, lembrei-me da força hoje de nossos ícones e o papel que eles desenvolvem na consciente coletiva e ação de um povo.  Aí, Veloso me falou de sua ação nos itens da matriz.  Ficou de falar com Romeu Duarte e, logo no dia seguinte, convidou-nos para uma reunião preliminar, para conversarmos sobre o assunto.

 

Tive o cuidado de telefonar algumas vezes para Ipueiras, em especial para gente chegada ao Prefeito. A cautela foi no sentido de que a ação de minha parte não fosse tomada como individual e, a lattere, em relação aos pleitos do povo e das autoridades de Ipueiras.  Mais ainda para que tudo pudesse transcorrer, numa estreita articulação entre as instâncias municipal, estadual e federal e, sobretudo, da diversidade de setores que, em nossos dias, é o desenho de nossa democracia.

 

Carlos Moreira, o intermediário de que me vali, pediu que o irmão integrasse o grupo.  Por duas vezes, lancei cópia dos e-mails neste Grupo (Amigos de Ipueiras). Infelizmente, o irmão de Carlos e Nilton Aragão, que eu havia convidado, não puderam comparecer. Lá nos vimos, sob a ótica de Ipueiras, Solange e eu.

 

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Ícones sobre os quais discutimos

 

Nossa preocupação maior – de Solange e minha (a minha eles já conhecem desde os tempos em que eu, na Universidade, na Secretaria de Cultura e no Conselho de Educação ocupava-me da integrada relação entre a preservação e o desenvolvimento dos bens culturais) era o papel da cultura (e no âmbito dela o dos “ícones”) no processo de desenvolvimento de um povo.  Sobretudo agora, no caso de Ipueiras e Ipu, quando nos sentimentos, de certa forma, porta-vozes de alguns anseios.

 

Para mim, essa preocupação faz-se cada vez mais nítida.  O amigo Cláudio Ferreira Lima, ao conversarmos sobre o interior do Ceará, diz-me o entrave maior no desenvolvimento rural cearense é sobretudo de ordem cultural.  E, nos financiamentos agrícolas pelo Banco do Nordeste descreve-nos cenas de acomodação tal que pouco pode ir à frente.  E, juntos, ao assistirmos à cinebiografia de Celso Furtado, comentamos uma curiosidade que não havia sido por mim percebida.  É que o Sarney, ao ver-se presidente da República após a morte de Tancredo Neves, ao invés de convocar Celso Furtado para Ministro da Economia, nomeou-o para a de ... Cultura.  E a explicação ali estava implícita no filme: ir mais longe na ideologia concreta de cultura, como sentimento e aspiração de nosso povo, fundamental ao processo de desenvolvimento de um povo. Digo isso porque, sendo eu, à época pró-reitor de extensão da UFC e, logo que ele fora nomeado fomos a Brasília.  Anchieta, o reitor, me sai – na brincadeira, sendo nós, ao chegarmos, logo introduzidos no Gabinete do Ministro, sem demoras, me cochicha: “Esse ministro não deve ter o menor prestígio”. E eu lhe perguntei o porquê. E ele: “Você não notou? É o único gabinete de ministro para o qual a gente desce e não sobe. Depois, o único também que a que a gente é recebido sem chá de cadeira” (rsrs).

 

Comigo, levei edição da Revista da Uva sobre Ipueiras.  E lá, pelas matérias ali arroladas no campo cultural, era possível extraímos algumas informações sobre os ícones: a) Matriz de São Gonçalo da Serra dos Cocos; b) a Igreja de Ipueiras (que eles do IPHAN argumentam descaracterização histórico-cultural), c) a Casa de “mais de 100 portas” da Otacilândia, que despertou viva atenção; d) a estação ferroviária (menor e menos estética do que a do Ipu mas com forte simbolismo na história do povo); e) o Cristo da Caatinga, sobre o qual muito conversamos (e sobre o qual Romeu chamou a atenção, na Região – Ipu, Sobral, entre outras) do valor simbólico do Redentor.  

 

E na percepção, além do arquitetônico hoje, a dimensão ecológica e culturalmente simbólica, na linha da “Bica do Ipu”, de inúmeros valores outros, como os “pingas” (na Matriz e nas serras entre outros), cuja relação me foi informada por Carlos Moreira, pelos vários distritos de Ipueiras.

 

Longa, a conversa.  Na verdade, os “ícones culturais” teriam funções a casar-se com as da educação e do desenvolvimento econômico.  Solange ressaltou seu papel na educação e na escola.  Não só da educação formal e básica. Mas profissional.  Referiu-se ela à experiência de “agricultura familiar” ora a se desenvolver na “Lagoa dos Tavares”, onde, já erguidas, ali estão escola formal e uma “indústria de popas”: “Quem garante que, sem o olhar profissionalizante de nossa escola, essa pequena indústria não passe do estágio em que vimos?”  Achei interessante, nessa experiência, a pergunta que, nessa experiência, nos fizera uma jovem: Não daria para, aqui na região, a gente montar, sei lá, um pequeno museu, com bibliotecas, de modo a que nossos filhos possam saber de onde eles vêem e que rumo tomar o seu povo?

 

Ela se referia aos sarcófagos muitos dos índios tabajaras ali encontrados, que Romeu nos diz que, dos muitos encontrados na Serra dos Cocos, estão no Museu de Sobral.  Ali também temos notícias outras, na Boa Vista, de outros ícones históricos. Carlos Moreira havia me falado sobre pesquisa de uma professora antropóloga da UECE sobre tais sarcófagos encontrados na região.

 

  Em casa, já em Fortaleza, vejo na televisão, valores outros, como o “samba” serem alçados a bem cultural a ser preservado. Tais valores têm função ampla no global processo de educação social.  A frase de Dalinha Catunda, a comentar comigo essa função, assim se expressa:

 

“Nosso Cabra da peste, na politica atual, foi reduzido a explorador de mulheres e crianças. A tal da "bolsa esmola" viciou o cidadão. Hoje você não acha mais quem queira trabalhar na roça. O incentivo à agricultura deixa  muito a desejar. Você não vê mais uma plantação de mandioca, as velhas casas de farinha viram ruínas e por aí vai.”

 

Ela teria papel basilar na mudança da percepção nossa da “predestinação de uma ração”, indagada a nós “Moacir, o filho da dor”, cujo valor mais alto residiria na exportação. A isso, jogaria aqui a visão que Dalinha vê em nosso folclore:

 

“Ando muito envolvida com literatura de cordel, participo ativamente da Academia Brasileira de Literatura de Cordel e muito tenho exercitado minha nordestinidade. Já publiquei alguns cordéis, e esse quarto cordel que estou publicando saiu pela ABLC.

 

Participo das plenárias onde poetas, cordelistas e cantores populares, vindos de diferentes partes do Nordeste, apresentam seus trabalhos. Mais do que bairrista, sou interiorana e caatingueira. E a qualquer lugar que vou, levo Ipueiras comigo. Mas parece-me que é preciso morar fora para que o Nordeste te receba de braços aberto.”

 

 

 

Até o samba hoje é

Ícone e bem cultural

 

 

Tal preservação é fundamental na história e na “identidade” de um povo.  Por isso, o pensamento que ali tivemos foi de uma visita à Região – que Romeu ponderava fosse na mesma viagem deles a Ipu (onde se acelera o atual processo em curso – Bica, Estação e Igreja lá).  De minha parte, disse talvez fosse um pouco atropelada a coincidência, no final deste mês com as festas de Ipueiras.

 

De tudo, perdoem-me encher o saco de vocês com meus e-mails. Não tenho nenhum interesse outro – sobretudo o de cargo, emprego ou posição política – a não ser pagar um tributo pela educação que tive, que me levou onde me levou. Além disso, aprendi que os tabajaras deixaram, em nós, a desconfiança. E, no meu caso, não “não candidato a nada”, nem mesmo a ícone.  Só o do pagador das promessas.  No caso, de alguém preparado basicamente em Ipueiras, tributa aos que o fizeram, elevando a estes como ícones da “conciliação e do amanhecer em cidadania”.

 

Neste conturbado momento político, em que nossos nomes – os de cearenses – estão nas revistas e jornais nacionais, sei que o clima não favorece muito para que aceleremos as coisas (no plano político, educacional e cultural). Um pouco de calma e aí a gente chega lá.

 

Nada faremos que não seja aberto e com dignidade.  Como político (palavra a que sempre dei a conotação mais alta), agora me pedem, com o status de componente do Conselho de Ética e Disciplina do PSDB, em Fortaleza, sempre tive postura aberta, cooperativa o interesse comum acima de quaisquer interesses.

 

Abraço a todos,

Marcondes Rosa de Sousa

Coordenador “ad hoc” do

Grupo “Amigos de Ipueiras”

 

 

 

 

 

 

 

 

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