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Cabra da Peste
 
Dalinha Catunda
 
 
Longe do meu Nordeste.
Eu, que sou cabra da peste,
Chorei que nem criança.
Muitas vezes entediado,
Com jeito de abestado,
Puxava pela lembrança.
Com a cachaça do lado,
Entre um trago e um cigarro,
Sozinho e sem esperança.
Ruminava... matutava...
Oh vida de retirante!
É melhor morrer de fome,
Do que viver como errante.
Ah!... saudade...
Eu quero o meu roçado,
Eu quero minha Maria.
Meu cheiro de mato queimado,
E as noites de cantoria.
Oh Deus! Por favor, me alumia!
O álcool falava mais alto,
E eu, já quase dormia...
Meio ébrio, sonhava e sorria.
Mamãe trás minha rede,
Que eu quero me balançar.
Prepare meu pão de milho,
E capriche no mungunzá.
Se me trouxer tapioca,
Não esqueça o aluá.
Eeeeeeta, porre!
Foi o último que tomei,
Distante do Ceará.
Quando acordei no outro dia,
A única coisa que eu via,
Era o caminho de volta.
E me mandei pro Nordeste,
Pois lá, sou cabra da peste,
E aqui não passo de um bosta.

 

 
 
 

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