Cabra da Peste (Dalinha Catunda)
14:26 @ 19/10/2007
Cabra da Peste
Dalinha Catunda
Longe do meu Nordeste.Eu, que sou cabra da peste,Chorei que nem criança.Muitas vezes entediado,Com jeito de abestado,Puxava pela lembrança.Com a cachaça do lado,Entre um trago e um cigarro,Sozinho e sem esperança.Ruminava... matutava...Oh vida de retirante!É melhor morrer de fome,Do que viver como errante.Ah!... saudade...Eu quero o meu roçado,Eu quero minha Maria.Meu cheiro de mato queimado,E as noites de cantoria.Oh Deus! Por favor, me alumia!O álcool falava mais alto,E eu, já quase dormia...Meio ébrio, sonhava e sorria.Mamãe trás minha rede,Que eu quero me balançar.Prepare meu pão de milho,E capriche no mungunzá.Se me trouxer tapioca,Não esqueça o aluá.Eeeeeeta, porre!Foi o último que tomei,Distante do Ceará.Quando acordei no outro dia,A única coisa que eu via,Era o caminho de volta.E me mandei pro Nordeste,Pois lá, sou cabra da peste,E aqui não passo de um bosta.

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