O velho fogão à lenha (Marcondes Rosa de Sousa)
14:40 @ 19/10/2007
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O VELHO FOGÃO À LENHA
04.OUT.2005
Amanhã, deverá estar chegando a Ipueiras o Jornalista
Falei-lhe dos ícones culturais da terra, muitos. E das pessoas. Espero que ele seja bem recebido, os olhares de todos voltados para o "desenvolvimento sustentável" e a "inclusão social" - os motes.
Anexa, uma foto tirada por mim, quando do retorno da imagem de Nossa Senhora de Fátima. A cena é da casa do "Seu Juarez". E a temática, o velho fogão de lenha, de inesquecíveis lembranças. Principalmente para Walmir, meu irmão, que aparece na foto. A gente se lembrava da culinária cearense. Eu particularmente, do "licor de cambucá"... Nem o de jaboticaba, no sul, conseguiu apagar o gosto e saudade em mim ficados da infância.
Com a foto, quero chamar a atenção para a culinária ipueirense. Ao me formar, um dia fui, pelo Zé Lima e esposa, agraciado com um lauto almoço. E vi o quanto Ipueiras poderia recuperar cardápios tradicionais na terra.
Lembro-me do livro de maior sucesso nacional na Editora da UFC, que, pró-reitor, superintendi: "Velhas receitas da cozinha nordestina". Lembrei-me ainda de uma "tapioca" que nos ofereceu, certa feita, a Universidade Federal do Piauí. Nunca vi tanta diversidade: a tapioca era apenas o pretexto de lauto jantar. Lembrei-me de cena, uma vez, no Palácio do Governo do Maranhão. Lá, dona Violeta Arraes, irmã de Miguél Arraes, então secretária de cultura do Ceará, experimentava sucos da terra. Uma hora, senti-a diferente, como se tivesse lhe acontecido algum problema. Olhei-a no rosto. Lágrimas lhe escorriam pelos olhos...
"Algum problema?" - indaguei-lhe. E ela: "Não. É a emoção do sabor da infância que me despertou esse suco". Era de pitanga. Ali, brotou-lhe a saudade, tanto o tempo que ela vivia na França, o mundo então lhe voltando...
Tudo isso poderá ir compondo o quadro sociocultural de nossa terra. E se alguém puder ir com ele até a casa onde dizem estar o Antonio Manuel (irmão do Aquiles), uma foto cairá bem.
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