Grupos

 

 

 

 

 

ESTARIA EU

ME METENDO DEMAIS?

 

(CARTA A ZEQUINHA E AO GRUPO)

 

 

Marcondes Rosa de Sousa

 

 

Parabéns, Zequinha, pelo relato.  Já estava, eu, em meus surtos de depressão (que espero já em seu final), ingressando num clima e ritmo de despedida do Grupo.  Na verdade, com minha sede do amanhã, que inclui ler o passado e presente como batentes para o futuro, já havia tentado seduzir o grupo para discussão. Em vão. Em resposta, nada de retorno vinha obtendo às minhas insistentes provocações do inerte grupo Ipueiras. Até mesmo Nonato, loquaz na crítica aos nossos políticos, antes quase vigia do “sítio” quando todos se afastavam, havia desaparecido, deixando-nos apenas um aviso eletrônico, em resposta às nossas mensagens.  Aí, concluí: estou literalmente só.  Cheguei mesmo a pensar que, após minha ida última a Ipueiras, quando estive, em reunião com o Prefeito Nenen do Cazuza, que eu talvez, considerado “estrangeiro”, ali não nascido apenas, e, como tal, estaria me metendo demais ...

 

 

HERANÇA TABAJARA?

 

Foi aí que, evocando meus relacionamentos com os índios, lembrei-me da lição que eles mesmos me deram: a característica sua da desconfiança nos estranhos.  Os relatos, mesmo os de Dalinha, não me falam das impressões dos que foram para o aniversário da cidade.  O seu – parabéns! – é o primeiro.  Fiquei a indagar de Tereza Mourão, o que dera eu como já certo, sobre algo em homenagem ao Gerardo Melo Mourão e nossos ícones humanos... Não ouvi menção alguma sobre o livro ou qualquer homenagem...

 

De Ipueiras e suas festividades, fui, sim, abordado, por volta do meio dia, no dia do aniversário, por telefonema da Rádio Vox.  Enquanto ouvi o final de entrevista com a última entrevistada, que não identifiquei, aproveitei a deixa, sobre os símbolos dos quais se falara em cerimônia na prefeitura, e, dando os parabéns ao que chamei de uma Ipueiras “adolescente histórica”, aproveitei para unir os pontos entre presente e passado, de olhos, porém, no futuro.  De mim, pus ênfase, nos sonhos de Nagib Melo, o “ipueirense pai-dégua” a sonhar com “a grande metrópole” entre Ipueiras e Ipu. Aí lá fui eu para o papel e importância dos símbolos, sobretudo, do que chamamos dos “ícones” (naturais, culturais, humanos enfim). E prestei minha homenagem a todos, Gerardo Mello Mourão, acima de todos, símbolos desse abraço entre o local e o global e, sobretudo, da conciliação e da paz, herdade que nos legaram os tabajaras, a atender o convite de Iracema: “Quebras comigo a flecha do arco da paz?” 

 

Em minha fala, que foi rápida, nominei professores como os grandes ícones esquecidos dessa tarefa.  De mim, a pagar tributo pelos que foram responsáveis pela minha educação, mencionei alguns: Dona Diana, Isa Catunda, Dona Ester - com sua palmatória, em mim deixada apenas em  uma histórica dúzia de bolos, demonstrativos, que me serviram para a paz entre Gerardo e a nova geração de políticos no Ceará e em nossas instituições (Tasso, sobretudo) - sem me esquecer de Dona Mundita, Seu Dario, Nenen Matos e muitos outros.

 

TRIBUTO A PAGAR PELO QUE SOMOS

 

Como aqui narrei, fomos, Solange e eu (outros convidados não tiveram condições de lá estar) até o IPHAN com vistas ao processo de tombamento dos nossos ícones (Cristo, estação, Otacilândia, pingas, Igreja da Matriz, entre outros).  Lá, abrimos espaço e perspectivas, para uma ação conjunta dos governos municipal, estadual e federal, como expressão do sentimento coletivo do povo.  De forma alguma, gostaria de não ser mal interpretado.  Apesar de um “ex isso ou aquilo” (título de meu último artigo), gozo, no âmbito dos políticos (de forma suprapartidária até), de um histórico respeito como intelectual. Mas jamais usei desse “respeito” (muito pela minha função de professor e administrador universitário), para interesses menores (é o que marca, felizmente, minha história-de-vida).  Não tenho quaisquer interesses mais ... prosaicos e pessoais nessa história.  Em Ipueiras, já não tenho parentes nem bens, ora passados, por força de convênio com o Banco Mundial, para uma experiência comunitária. No mais, o que nos levaria a ajudar (a Walmir, Solange e eu) é apenas a força do tributo a pagar pelo que somos...

 

 

CHAPÉU DE COURO DE IPUEIRAS

NA CABEÇA DE NAPOLEÃO BONAPARTE

 

O relato de Zequinha dá-me o que pensar: o quanto Ipueiras não apenas se esquece de seu passado, pouco aposta em sua força e futuro, desconhece que, ipueirenses, como Frota Neto e nós outros por aí a fora (na Alemanha e no mundo, como a Darci do “Seu” Camaral”), continuam ligados à terra, onde não apenas deixaram seus “ícones” mas gostariam de pagar o tributo pelo que hoje são.  Os “ícones”, pois, têm função de crença na potencialidade dos que ali nasceram. Imaginem vocês é que poderá ser, numa escolinha, crianças saberem que um chapéu de couro, feito em Ipueiras, um dia – sabe-se lá como chegou até lá! – ornou a cabeça de Napoleão Bonaparte, a estender seu império por toda a Europa.  Exagero? Veja, no livro A saga de Gerardo: um Mello Mourão:

 

 

“... A chuva caíra toda a noite sobre

a cidade de Bruxelas e as lomas

e o campo de Waterloo

e ele ia de barraca em barraca e os

olhos

dos guerreiros da Velha Guada cruzavam

em lâminas os olhos

do General Empereur

e a chuva desabava

o chapéu de Austerlitz em Waterloo:

- ‘le soleil d’Austerlitz, Bertand’ –

-“um drôle de chapéu, mon Empereur –

-C’est Ceará, Brésial:

 

e um chapéu de couro

do país dos Mourões

cobriu naquele dia

a cabeça e o destino da Europa”

 

 

 

Os “ícones”, mais importante que fatos e coisas, são horizonte. E é a saga de um povo que nos dá a identidade.  Foi isso, a bem da verdade, o que vi e queixa que ouvi, dos antigos, em Ipueiras. Uma juventude de moto, sem capacetes, alouradas jovens, nas ruas e estradas, pela madrugada, sem passado ou amanhã, a mostrar o rego das bundas e seios desnudos a balançar...

 

 

SOBRE O PREFEITO

QUEIXAS E LOAS

 

Concordo, sobre o Prefeito, de apelido infantil, olhos sobre o amanhã.  Dos mais populistas, ouvi queixas com relação a distâncias e sofisticação, a não repetir ele a cartilha da dominação coronelista e clientelista de outrora.  De Francini Guedes, presidente do PSDB estadual, ouvi loas, no entanto, a ele.  Do presidente do Sindicato dos Ruralistas, de igual forma, a ratificação da visão de Francici Guedes.  O mesmo, de amigos meus ora a compor o Partido de Ciro.

 

SOU DO TEMPO DA

ESCRITA MAIS SÓLIDA

 

Espero, de Zequinha, o material prometido. Mais ainda, que divulgue seu exemplo (o do relato) a outros tantos.  A seguir, irei até o Blog do Grupo Ipueiras, até onde poucos vão, perdidos nos msgs da vida, sem atentar para textos mais densos (não vai crítica alguma).  É que sou do tempo das idéias e da escrita mais sólida. E, o quanto possível, quero deixar tais depoimentos registrados para o amanhã, aproveitáveis, o quanto possível, em nossa escola.

 

Na Assembléia Legislativa, semana passada, sentindo-me homenageado, abri o verbo, contei histórias, sem falsa modéstia.  Histórias que permitiram, no Ceará e no País, novas posturas de nossa educação. Falatórios e cenas como a coragem para a inovação, o que teria levado, como presidente do Fórum dos Conselhos Estaduais de Educação, a pecha de “anomista” (anárquico, para outros), e a afirmação de alguns, em São Paulo, que eu deveria era estar na cadeia.  Nesse sentido, fui, certa feita, procurado pelo Revista “Isto É”, que, após conversar comigo, pediu-me desculpas.  As “loucuras” de Ariosto Holanda, com seus Centecs e CVTs, me levaram a gestos mais corajosos, no sentido de implantá-los. 

 

MUITOS OS QUE PODEM

AJUDAR IPUEIRAS

EM SUA CAMINHADA HISTÓRICA

 

Mais do que eu, Ipueiras tem, entre seus filhos - sou apenas “filho adotivo” (rsrs) – quem possa ajudar seu povo em sua caminhada histórica.  Frota Neto, Renato, irmãos e irmãs, os Mourões e os que, no Oásis, se reúnem, a cada ano, a construir pontes entre o passado e o futuro, irmanados pelo agora.  Não sei se Assembléia Legislativa (nos 39 anos da UVA) ou na FIEC, onde, Teodoro Presidente, tomei posse no Conselho Administrativo do Projeto Rondon/Ce, a jornalista Silvana Frota disse-me qualquer coisa sobre a ausência de Frota Neto em Ipueiras, nestes últimos dias. Muita gente ao redor, tive a impressão de que teria ele se ressentido com a falta de apoio à ação do Instituto Frota Neto.

 

 

GERAÇÃO TIGRESA

E PROJETO RONDON

 

 

No coquetel, muitos reencontros. É que, por duas vezes, fui pró-reitor de extensão da UFC e, apenar de, no dizer de Caetano Veloso, ao se referir à sua Tigresa (a real, conversei com ela, desgrenhada, no Teatro José de Alencar) “falava de política em 1966” e, após, nos anos 70, haver dançado nos “frenetic dancing days do arbítrio”, vi, no Projeto Rondon, a saída para o diálogo entre o saber do mundo acadêmico e do popular, num clima de integração da multiculturalidade de nosso povo. 

 

À época, apaixonei-me pela “ação comunitária” por todo o Estado. E, na Amazônia, pelo Projeto Rondon a levar estudantes da UFC, para as selvas.  Um dia, do legendário Chico Mendes, provocamos exacerbados ciúmes.  Numa avaliação, indagamos sobre o papel da UFC, no projeto. Chico Mendes foi direto: ‘Prof. Marcondes, o que posso dizer é: UFC, 10; a Federal do Acre, ZERO!”. 

 

Logo depois, a notícia. Filho do delegado federal da polícia federal, em suas “brincadeiras”, havia posto veneno na água, guardada na geladeira, da residência em que ficavam os alunos da UFC.  Tivemos de mandar buscar de volta e pela via de passagens em aviões de carreira (não da FAB) os nossos alunos.

 

Mas, no papo com o Coronel Pasquali, fiz-lhe a confidência.  É que, há algum tempo atrás, ouvi na UFC, o elogio, por um professor da medicina: “Você sabia, Marcondes, que você e eu somos os responsáveis pelo acolhimento dos subversivos por via da extensão e, sobretudo, do Projeto Rondon?”  Tive de admitir que era verdade.  E a Pasquali contei o fato de defesa, após reunião em São Paulo, que me pediram integrantes de petistas que se disseram terem eles optado pelo “PT Matuto” – que resolveram ir para o interior.  E só eu poderia fazer-lhes a defesa.  E eu, no artigo, confessando-me tucano emplumado, terminei por defender a visão à frente de um PT matuto.  Só que, dessa geração, muitos deles, resolveram hoje, optar pelos que se envolveram no “escândalo dos dólares na cueca”, mensalões e coisas do gênero (rsrs)...

 

 

DOWER, A DOR QUE ME FICOU...

 

Em seu discurso, na Fiec, onde o governador Cid Gomes se fez representar pelo vice-governador, o professor Pinheiro, com quem convivi muito na UFC, o Coronel Pasquali citou-nos o depoimento de Pinheiro, quando no Rondon. Um depoimento sobre visão real e multicultural do País. Isso, conversávamos depois no coquetel, quando lhe citei o caso, que me emocionou de ex-aluno meu, no Colégio Militar de Fortaleza. Um dia, em reunião com os pais, o pai de Dower Cavalcanti  narrou fato que o estava preocupando. O filho, impressionado com as aulas minhas sobre o romantismo, queria abandonar tudo e ir viver na floresta. E, aí, a queixa de idéias subversivas que o então jovem professor Marcondes Rosa estaria botando na cabeça dele.

 

Os tempos passam.  Na UFC, dou com Dower, um dos líderes mais radicais da esquerda, contra a candidatura do Prof. Albuquerque Sousa Filho, hoje na alta administração do Projeto Rondon/Ce.  Apoiei Albuquerque e não, como era esperado, Raimundo Holanda

 

Nomeado Albuquerque.  Reação da esquerda, impedindo a posse do “interventor”. Ovos jogados até contra Dona Luíza Távora.  De beca acadêmica, senti que o único a escapar do “ovacionamento” fui eu.  Após a traumática e triste cena, jantar. Pedem-me que fale. Proponho que, dia seguinte, em minha casa, nos reunamos., quando a reitoria da UFC havia-se ocupado... Longa história. Mas, como estratégia, proponho o gradual esquecimento do fato e a reconquista das forças mais atuantes.  

 

Conversa com Dower, um dos líderes, foi estratégia minha. Decido-me a conversar com ele, o mais radical. E, após, termino por levá-lo a Albuquerque, deixando os dois a sós... Dower aceita assessorar-me, nos programas de extensão.

 

Um dia, Dower, médico, preocupado com minha saúde, telefona-me à noite, dizendo haver marcado com médico, consulta minha. Voz triste, achei aquele telefonema estranho.  Às cinco da manhã, telefonema. Dower havia tido um acidente cardiovascular.  Do ramo, pergunto em que hospital. A resposta: “São João Batista...”  Só às sete, é que acordo para o fato de que “São João Batista” era o ... cemitério.

 

 Os anos passam.  Quando, o Dr. Elias Boutala Salomão, em nostálgica reunião, na UFC, sobre extensão rural e Projeto Rondon, toca em Dower e seu papel na região, diz Boutala: “A esquerda cearense, quase toda, passou pelo Marcondes e por mim”. Chego-me a ele. Falo de Dower, ali lembrado. Pergunto-lhe sobre a causa mortis. Ele, a meu ouvido, diz: “Eu dei o laudo. Não gostaria que toda uma luta e uma carreira fossem enodoadas”.  Fiquei triste. Já ouvira depoimento de colegas e amigos seus sobre suicídio.

 

Ficou-me, porém, um sentimento de culpa. Mais do que isso, o tributo a pagar... E o papel da extensão e do Projeto Rondon, hoje uma ONG, na conscientização dos estudantes universitários. Mais ainda, é minha tese, no processo de interiorização de nossas universidades.  Sobretudo, se assumirmos a consciência hodierna da “responsabilidade social”, a postular-se, além da fiscal, uma necessária e urgente lei.  Na Fiec, já conseguimos, pelo menos simbolicamente, a feição moderna da indústria, que não se resume à das chaminés.  A do conhecimento hoje é mais importante. Jorge Parente, por sugestão minha, admitiu que nossas instituições de ensino superior tivessem o status de “indústrias do conhecimento”.

 

 

JUNTANDO HEGEMONIA EM CACOS...

 

Toda essa história para o desenho do papel a que me proponho.  Num plano mais alto, batalho (e toda minha história vai nessa direção) por rejuntar, sobretudo no Ceará, as “hegemonias em cacos” de nossa política. Convivi com todos. Tenho a consciência de que o Ceará só foi para diante com experiências como “a União pelo Ceará”, “o Projeto das Mudanças” e semelhantes.  Confessou-me Sérgio Machado que o Projeto das Mudanças (surpresa para mim) teve dois grandes incentivos: a) o Jornal do Brasil; b) e pasmem ... o Coronel  Virgílio Távora

 

SEM O REJUNTAR CACOS

ESTAREI FORA!

 

Agora, mais do que nunca, aí estão nossos projetos ... “em cacos”.  Se cada um, mesmo os prefeitos, pensar em seus votos apenas, em seu patrimônio pessoal e apenas em coisas assim, estarei fora! 

 

No PSDB fui do alto comando nacional. E, no Estado, caí (no tempo de Lúcio Alcântara) ao mais prosaico chão (eu mesmo pedi).  Várias vezes, recentemente, fui ouvido, como do último encontro em que, de alguma forma, silente, dei a pauta.  Mais recentemente, dei a idéia – após, emocionado, ter assistido, em reunião sobre a Região, no Banco do Nordeste (Passaré) para proceder amplo debate sobre o filme que, hoje, inicia circuito comercial no País, a partir de Fortaleza.  Só fiquei chateado porque Rosa Furtado (viúva de Celso) pedira a Violeta Arraes (amiga do casal) para que eu me envolvesse na estratégia.  Concordei.  O diretor ficou de telefonar para mim. Dias atrás, prof. Mariani, o diretor, enviou-me, programado pelo BNB já toda a programação fechada a partir de hoje (2 de novembro), depois de um período, em Salvador.  Telefonei para o Banco, que nos prometeu programação com universidades, instituições educacionais e políticas.  Celso, afinal, foi guru de todos nós. 

 

 

QUESTÕES ETICA,

DA VISÃO FEMININA,

DA EMOÇÃO E

DA TRANSCENDÊNCIA

 

 

Outra coisa interessante, para a qual revelei-me preocupado.  Tasso propõe democratização real de nossos partidos.  E pediu que me ouvissem o que fazer, com relação à consciência de nossos municípios e prefeitos, sobre “ética”.  Eu aceitei, junto com outros intelectuais de renome, ser o primeiro nome do “Conselho de Ética e Disciplina” do PSDB de Fortaleza (movimento a se iniciar pelos municípios).   Só que, por telefone, a primeira idéia que me passou foi envolver as religiões de maior credibilidade na formação dessa consciência.  É que, entre nós, ética é coisa que Brizola confundia com o duplo moralismo que nos levou a coisa nenhuma: a da UDN – a que chamava “de tamancos”, o PT (que caiu no conto de Maquiavel e Zé Dirceu); e a de “salto altos”, o PSDB, que também não foi muito longe.  Nas conversas por telefone fiz um relato das idéias que havia, crítico, dado para o encontro nacional aqui.

 

Propus, nestes tempos das chamadas “inteligências múltiplas”, dois valores que, sempre, reclamei no PSDB: a emoção e a  visão/sentimento femininos. Isso, um dia, reclamei, em Belo Horizonte, onde em reunião do Instituto Teotônio Vilella (onde eu era presidente estadual e membro do Diretório Nacional do Partido), dei com, apenas, duas mulheres: Yeda Crúcius e Marisa Serrano, então deputadas federais.  Ao entrar, à noite, após coquetel de abertura, no elevador, chegada ao hotel, vinda do aeroporto, com Yeda (hoje a governar o RS).  Tendo estado com ela, em encontro, em Brasília, sobre a globalização, quando não entendi nada (confessei-lhe, ela a querer, com Lúcio Alcântara, que eu coordenasse debate sobre a dissolução da União Soviética...), aproveitei a oportunidade para, em minha expressão (brincando, claro) ali, sozinhos no elavador, dar-lhe duas ... “cantadas”. 

 

A primeira, pela visão dela, como economista, keynesiana (ela agradeceu e confessou que sim).  A segunda, como “mulher”.  Ela abriu, curiosa, os olhos. Tranqüilizei-a, ante o “que que é isso?”  Falava eu do agir e sentir como mulher, sob a força da visão feminina e da emoção.  Ela gostou. E, chegando o elevador ao andar dela, ela, a sorrir, me perguntou: “Você, amanhã, na reunião, vai falar sobre essa cantada?” E eu: “Não!” E ela: “Posso contar?” E eu: “acha importante?”. Ela: “fundamental. É o que, há muito, é nosso sentimento, o das mulheres”.

 

 

WALDONYS E

VOZES DA SECA

 

       

        No último encontro do PSDB nacional aqui, dei algumas idéias sobre a pauta, que foi rigorosamente (para além do que eu esperava) seguida.  As senadoras e estudantes até, mulheres, brilharam. Uma freira, de mais de 80 anos, emocionou a todos.  Um sanfoneiro, ao puxar o Hino Nacional Brasileiro sob forte impulso de toada nordestino, arrancou “mãos dadas” e emoções.  Tasso citou Zé Dantas, médico, em seus antológicos versos “Mas, doutor, uma esmola, para um homem que é são, ou lhe mata de vergonha, ou vicia o cidadão”.  Serra, pediu que ele recitasse.  Disse não conhecer os versos de mais de meio século. Tasso, descontraído, brincou: “É música nordestina. Se fosse italiana, como paulista, você conheceria”.

 

        Ao final, pedi aos organizadores que, no lançamento do livro de Dona Lila, a mulher de Covas, o sanfoneiro tocasse “Vozes da Seca”.  Ela, afinal, veio falar comigo. Cantarolei.  Ele, na sanfona, concluiu: “Pode deixar comigo!”  E eu, duvidoso, indaguei: “Você sabe mesmo?”.  Alguém, do meu lado, sem jeito, me avisou: “Professor, esse é o ... Waldonys, de fama internacional!”

 

        Em casa, diretora da Rádio Universitária em meu tempo estranhou: “Não te lembras de Waldonys? Lá estavas, àquela época, quando Dominguinhos lhe chamou e disse que aquele menino iria longe. Que desse apoio a ele.  Onde é que você está com a cabeça?”

 

        TRANSCENDÊNCIA NO QUADRO

         DAS INTELIGÊNCIAS MÚLTIPLAS

 

Tenho lido muito, na condição de educador, sobre as “inteligências múltiplas”. Mas, sobre a transcendente (ou a da espirituralidade), confesso-lhes ainda me considero leigo.  Na presidência do CEC e do Fórum dos CEEs do País, senti que, sobre a educação religiosa nas escolas, o CNE de educação, após fracassadas reuniões em Brasília, jogaram o problema em minhas costas. Pedi a Dom Benedito, à época na direção regional da CNBB, que me ajudasse. Mas, em reunião entre as correntes da própria Igreja Católica, deu briga. Aí, o conselho que me deu Dom Benedito: “Marcondes, sou colega seu na Universidade, conheço-o bem. Leve a reunião entre as religiões para o Conselho, que vai dar certo.

 

E deu. Não tive outro jeito. Confessei-me (a)teu. E, não sei o que fiz que consegui até ajuda da Igreja Universal, que era contra o artigo da LDB...

 

Neste grupo, é explícita a posição de Tereza Mourão com relação ao espiritualidade (e o espiritismo).  Jean Kleber, para mim, é um dos partidários das diversas feições da ciência, do pensamento e das inteligências e já me enviou até literatura idônea sobre a temática.

 

Na paisagem urbana e social de Ipueiras, vi forte presença desse mosaico transcendente. Talvez fosse interessante que usássemos nossos blogs e grupos para pensar um pouco sobre os diversos tipos de inteligência, a escola e a nossa sociedade.

 

Aberto, pois, o espaço.

 

 

 

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