Estaria eu me metendo demais? (Carta a Zequinha e ao Grupo)
23:37 @ 02/11/2007
ESTARIA EU
ME METENDO DEMAIS?
(CARTA A ZEQUINHA E AO GRUPO)
Parabéns, Zequinha, pelo relato. Já estava, eu, em meus surtos de depressão (que espero já em seu final), ingressando num clima e ritmo de despedida do Grupo. Na verdade, com minha sede do amanhã, que inclui ler o passado e presente como batentes para o futuro, já havia tentado seduzir o grupo para discussão. Em vão. Em resposta, nada de retorno vinha obtendo às minhas insistentes provocações do inerte grupo Ipueiras. Até mesmo
HERANÇA TABAJARA?
Foi aí que, evocando meus relacionamentos com os índios, lembrei-me da lição que eles mesmos me deram: a característica sua da desconfiança nos estranhos. Os relatos, mesmo os de
De Ipueiras e suas festividades, fui, sim, abordado, por volta do meio dia, no dia do aniversário, por telefonema da Rádio Vox. Enquanto ouvi o final de entrevista com a última entrevistada, que não identifiquei, aproveitei a deixa, sobre os símbolos dos quais se falara em cerimônia na prefeitura, e, dando os parabéns ao que chamei de uma Ipueiras “adolescente histórica”, aproveitei para unir os pontos entre presente e passado, de olhos, porém, no futuro. De mim, pus ênfase, nos sonhos de Nagib Melo, o “ipueirense pai-dégua” a sonhar com “a grande metrópole” entre Ipueiras e Ipu. Aí lá fui eu para o papel e importância dos símbolos, sobretudo, do que chamamos dos “ícones” (naturais, culturais, humanos enfim). E prestei minha homenagem a todos, Gerardo Mello Mourão, acima de todos, símbolos desse abraço entre o local e o global e, sobretudo, da conciliação e da paz, herdade que nos legaram os tabajaras, a atender o convite de Iracema: “Quebras comigo a flecha do arco da paz?”
Em minha fala, que foi rápida, nominei professores como os grandes ícones esquecidos dessa tarefa. De mim, a pagar tributo pelos que foram responsáveis pela minha educação, mencionei alguns: Dona Diana, Isa Catunda, Dona Ester - com sua palmatória, em mim deixada apenas em uma histórica dúzia de bolos, demonstrativos, que me serviram para a paz entre Gerardo e a nova geração de políticos no Ceará e em nossas instituições (Tasso, sobretudo) - sem me esquecer de Dona Mundita, Seu Dario, Nenen Matos e muitos outros.
TRIBUTO A PAGAR PELO QUE SOMOS
Como aqui narrei, fomos,
CHAPÉU DE COURO DE IPUEIRAS
NA CABEÇA DE NAPOLEÃO BONAPARTE
O relato de Zequinha dá-me o que pensar: o quanto Ipueiras não apenas se esquece de seu passado, pouco aposta em sua força e futuro, desconhece que, ipueirenses, como
“... A chuva caíra toda a noite sobre
a cidade de Bruxelas e as lomas
e o campo de Waterloo
e ele ia de barraca em barraca e os
olhos
dos guerreiros da Velha Guada cruzavam
em lâminas os olhos
do General Empereur
e a chuva desabava
o chapéu de Austerlitz em Waterloo:
- ‘le soleil d’Austerlitz, Bertand’ –
-“um drôle de chapéu, mon Empereur –
-C’est Ceará, Brésial:
e um chapéu de couro
do país dos Mourões
cobriu naquele dia
a cabeça e o destino da Europa”
Os “ícones”, mais importante que fatos e coisas, são horizonte. E é a saga de um povo que nos dá a identidade. Foi isso, a bem da verdade, o que vi e queixa que ouvi, dos antigos, em Ipueiras. Uma juventude de moto, sem capacetes, alouradas jovens, nas ruas e estradas, pela madrugada, sem passado ou amanhã, a mostrar o rego das bundas e seios desnudos a balançar...
SOBRE O PREFEITO
QUEIXAS E LOAS
Concordo, sobre o Prefeito, de apelido infantil, olhos sobre o amanhã. Dos mais populistas, ouvi queixas com relação a distâncias e sofisticação, a não repetir ele a cartilha da dominação coronelista e clientelista de outrora. De
SOU DO TEMPO DA
ESCRITA MAIS SÓLIDA
Espero, de Zequinha, o material prometido. Mais ainda, que divulgue seu exemplo (o do relato) a outros tantos. A seguir, irei até o Blog do
Na Assembléia Legislativa, semana passada, sentindo-me homenageado, abri o verbo, contei histórias, sem falsa modéstia. Histórias que permitiram, no Ceará e no País, novas posturas de nossa educação. Falatórios e cenas como a coragem para a inovação, o que teria levado, como presidente do Fórum dos Conselhos Estaduais de Educação, a pecha de “anomista” (anárquico, para outros), e a afirmação de alguns, em São Paulo, que eu deveria era estar na cadeia. Nesse sentido, fui, certa feita, procurado pelo Revista “Isto É”, que, após conversar comigo, pediu-me desculpas. As “loucuras” de Ariosto Holanda, com seus Centecs e CVTs, me levaram a gestos mais corajosos, no sentido de implantá-los.
MUITOS OS QUE PODEM
AJUDAR IPUEIRAS
EM SUA CAMINHADA HISTÓRICA
Mais do que eu, Ipueiras tem, entre seus filhos - sou apenas “filho adotivo” (rsrs) – quem possa ajudar seu povo em sua caminhada histórica.
GERAÇÃO TIGRESA
E
No coquetel, muitos reencontros. É que, por duas vezes, fui pró-reitor de extensão da UFC e, apenar de, no dizer de Caetano Veloso, ao se referir à sua Tigresa (a real, conversei com ela, desgrenhada, no Teatro José de Alencar) “falava de política em
À época, apaixonei-me pela “ação comunitária” por todo o Estado. E, na Amazônia, pelo
Logo depois, a notícia. Filho do delegado federal da polícia federal, em suas “brincadeiras”, havia posto veneno na água, guardada na geladeira, da residência em que ficavam os alunos da UFC. Tivemos de mandar buscar de volta e pela via de passagens em aviões de carreira (não da FAB) os nossos alunos.
Mas, no papo com o Coronel Pasquali, fiz-lhe a confidência. É que, há algum tempo atrás, ouvi na UFC, o elogio, por um professor da medicina: “Você sabia, Marcondes, que você e eu somos os responsáveis pelo acolhimento dos subversivos por via da extensão e, sobretudo, do
DOWER, A DOR QUE ME FICOU...
Em seu discurso, na Fiec, onde o governador Cid Gomes se fez representar pelo vice-governador, o professor Pinheiro, com quem convivi muito na UFC, o Coronel Pasquali citou-nos o depoimento de Pinheiro, quando no Rondon. Um depoimento sobre visão real e multicultural do País. Isso, conversávamos depois no coquetel, quando lhe citei o caso, que me emocionou de ex-aluno meu, no Colégio Militar de Fortaleza. Um dia, em reunião com os pais, o pai de Dower Cavalcanti narrou fato que o estava preocupando. O filho, impressionado com as aulas minhas sobre o romantismo, queria abandonar tudo e ir viver na floresta. E, aí, a queixa de idéias subversivas que o então jovem professor
Os tempos passam. Na UFC, dou com Dower, um dos líderes mais radicais da esquerda, contra a candidatura do Prof. Albuquerque Sousa Filho, hoje na alta administração do
Nomeado Albuquerque. Reação da esquerda, impedindo a posse do “interventor”. Ovos jogados até contra Dona Luíza Távora. De beca acadêmica, senti que o único a escapar do “ovacionamento” fui eu. Após a traumática e triste cena, jantar. Pedem-me que fale. Proponho que, dia seguinte, em minha casa, nos reunamos., quando a reitoria da UFC havia-se ocupado... Longa história. Mas, como estratégia, proponho o gradual esquecimento do fato e a reconquista das forças mais atuantes.
Conversa com Dower, um dos líderes, foi estratégia minha. Decido-me a conversar com ele, o mais radical. E, após, termino por levá-lo a Albuquerque, deixando os dois a sós... Dower aceita assessorar-me, nos programas de extensão.
Um dia, Dower, médico, preocupado com minha saúde, telefona-me à noite, dizendo haver marcado com médico, consulta minha. Voz triste, achei aquele telefonema estranho. Às cinco da manhã, telefonema. Dower havia tido um acidente cardiovascular. Do ramo, pergunto em que hospital. A resposta: “São João Batista...” Só às sete, é que acordo para o fato de que “São João Batista” era o ... cemitério.
Os anos passam. Quando, o Dr. Elias Boutala Salomão, em nostálgica reunião, na UFC, sobre extensão rural e
Ficou-me, porém, um sentimento de culpa. Mais do que isso, o tributo a pagar... E o papel da extensão e do
JUNTANDO HEGEMONIA EM CACOS...
Toda essa história para o desenho do papel a que me proponho. Num plano mais alto, batalho (e toda minha história vai nessa direção) por rejuntar, sobretudo no Ceará, as “hegemonias em cacos” de nossa política. Convivi com todos. Tenho a consciência de que o Ceará só foi para diante com experiências como “a União pelo Ceará”, “o Projeto das Mudanças” e semelhantes. Confessou-me
SEM O REJUNTAR CACOS
ESTAREI FORA!
Agora, mais do que nunca, aí estão nossos projetos ... “em cacos”. Se cada um, mesmo os prefeitos, pensar em seus votos apenas, em seu patrimônio pessoal e apenas em coisas assim, estarei fora!
No PSDB fui do alto comando nacional. E, no Estado, caí (no tempo de Lúcio Alcântara) ao mais prosaico chão (eu mesmo pedi). Várias vezes, recentemente, fui ouvido, como do último encontro em que, de alguma forma, silente, dei a pauta. Mais recentemente, dei a idéia – após, emocionado, ter assistido, em reunião sobre a Região, no Banco do Nordeste (Passaré) para proceder amplo debate sobre o filme que, hoje, inicia circuito comercial no País, a partir de Fortaleza. Só fiquei chateado porque
QUESTÕES ETICA,
DA VISÃO FEMININA,
DA EMOÇÃO E
DA TRANSCENDÊNCIA
Outra coisa interessante, para a qual revelei-me preocupado. Tasso propõe democratização real de nossos partidos. E pediu que me ouvissem o que fazer, com relação à consciência de nossos municípios e prefeitos, sobre “ética”. Eu aceitei, junto com outros intelectuais de renome, ser o primeiro nome do “Conselho de Ética e Disciplina” do
Propus, nestes tempos das chamadas “inteligências múltiplas”, dois valores que, sempre, reclamei no PSDB: a emoção e a visão/sentimento femininos. Isso, um dia, reclamei, em Belo Horizonte, onde em reunião do Instituto Teotônio Vilella (onde eu era presidente estadual e membro do Diretório Nacional do Partido), dei com, apenas, duas mulheres: Yeda Crúcius e Marisa Serrano, então deputadas federais. Ao entrar, à noite, após coquetel de abertura, no elevador, chegada ao hotel, vinda do aeroporto, com Yeda (hoje a governar o RS). Tendo estado com ela, em encontro, em Brasília, sobre a globalização, quando não entendi nada (confessei-lhe, ela a querer, com Lúcio Alcântara, que eu coordenasse debate sobre a dissolução da União Soviética...), aproveitei a oportunidade para, em minha expressão (brincando, claro) ali, sozinhos no elavador, dar-lhe duas ... “cantadas”.
A primeira, pela visão dela, como economista, keynesiana (ela agradeceu e confessou que sim). A segunda, como “mulher”. Ela abriu, curiosa, os olhos. Tranqüilizei-a, ante o “que que é isso?” Falava eu do agir e sentir como mulher, sob a força da visão feminina e da emoção. Ela gostou. E, chegando o elevador ao andar dela, ela, a sorrir, me perguntou: “Você, amanhã, na reunião, vai falar sobre essa cantada?” E eu: “Não!” E ela: “Posso contar?” E eu: “acha importante?”. Ela: “fundamental. É o que, há muito, é nosso sentimento, o das mulheres”.
WALDONYS E
VOZES DA SECA
No último encontro do
Ao final, pedi aos organizadores que, no lançamento do livro de Dona Lila, a mulher de Covas, o sanfoneiro tocasse “Vozes da Seca”. Ela, afinal, veio falar comigo. Cantarolei. Ele, na sanfona, concluiu: “Pode deixar comigo!” E eu, duvidoso, indaguei: “Você sabe mesmo?”. Alguém, do meu lado, sem jeito, me avisou: “Professor, esse é o ... Waldonys, de fama internacional!”
Em casa, diretora da Rádio Universitária em meu tempo estranhou: “Não te lembras de Waldonys? Lá estavas, àquela época, quando Dominguinhos lhe chamou e disse que aquele menino iria longe. Que desse apoio a ele. Onde é que você está com a cabeça?”
TRANSCENDÊNCIA NO QUADRO
DAS INTELIGÊNCIAS MÚLTIPLAS
Tenho lido muito, na condição de educador, sobre as “inteligências múltiplas”. Mas, sobre a transcendente (ou a da espirituralidade), confesso-lhes ainda me considero leigo. Na presidência do CEC e do Fórum dos CEEs do País, senti que, sobre a educação religiosa nas escolas, o CNE de educação, após fracassadas reuniões em Brasília, jogaram o problema em minhas costas. Pedi a Dom Benedito, à época na direção regional da CNBB, que me ajudasse. Mas, em reunião entre as correntes da própria Igreja Católica, deu briga. Aí, o conselho que me deu Dom Benedito: “Marcondes, sou colega seu na Universidade, conheço-o bem. Leve a reunião entre as religiões para o Conselho, que vai dar certo.
E deu. Não tive outro jeito. Confessei-me (a)teu. E, não sei o que fiz que consegui até ajuda da Igreja Universal, que era contra o artigo da LDB...
Neste grupo, é explícita a posição de
Na paisagem urbana e social de Ipueiras, vi forte presença desse mosaico transcendente. Talvez fosse interessante que usássemos nossos blogs e grupos para pensar um pouco sobre os diversos tipos de inteligência, a escola e a nossa sociedade.
Aberto, pois, o espaço.
Comentários