A palmatória e as meninas na Ipueiras antiga
13:36 @ 22/03/2006
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A PALMATÓRIA E AS MENINAS DA
Releio o “Quase”, de Frota Neto (o “Antônio do Seu Idálio”), onde
1) O autógrafo: “Ao Marcondes - a quem, desde
2) Entre as lembranças da infância: “Das surras de palmatória nos filhos de nossos pais, não éramos exceção entre os iguais meninos. Por que será que por toda Ipueiras não se sabia quase nunca de uma menina crescida apanhando dos pais – só nós, meninos? (p. 20)”
Pergunta: Nisso, um sinal de respeito à mulher? De reação ao machismo?
Abraços,
Marcondes Rosa
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Ouço muito, histórias sobre palmatória.
No meu tempo esse instrumento de tortura já tinha sido abolido. Mas minha mãe tinha uma tática para demonstrar sua autoridade: mandava-nos apanhar o cipó no mato, para depois "apanhar".
Lembro-me que eu, "bobo" que era, pegava um cipó de mufumbo, pois este continha muitas folhas, ou seja, aliviava as pancadas. Qual foi a minha surpresa um dia, quando vi os dedos, indicador e polegar, formarem uma "roda" em volta do cipó e, uma a uma, as folhas iam sendo arrancadas, deixando aquela pontinha, bem fininha no final, que quando de encontro ao meu corpo, faziam um som de chicote. Dobravam e sempre deixavam aquelas muitas marquinhas vermelhas.
Mas nunca apanhei sem merecer... Também não me arrependo das travessuras que fiz. (rsrs)
Abraços
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Conheço a obra do Jornalista Frota Neto e numa oportunidade, comentei com ele sobre as surras das meninas.
Sei de muitas amigas que apanhavam e escondiam. O que não se dava comigo, apanhava sim, mas fazia um escândalo que acordava a rua, e se ficasse marcada saia mostrando desde as tias até a avó.
De relho a cipó, passando por palmatória tenho um vasto currículo. A coisa amenizou um pouco com a novidade da japonesa, ou seja, as famosas havaianas. Certamente, se as mulheres tivessem dado seus relatos o desenrolar da história teria outras nuances.
Um abraço a todos,
Dalinha
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Chegam-me, das mulheres ipueirenses, depoimentos sobre “surras” e “palmatórias”.
Da
“(...) Fui aluna da Diana Moreira mas não havia o medo da palmatória. Mas vi algumas meninas apanhando ( "Bolos" de
Em casa, minha mãe nos comandava militarmente. Bastava que o armário de roupas não estivesse super arrumado para a palmatória baixar. Ou o tamanco ( que estava no pé) porque a palmatória nunca estava no lugar que devia estar. O pior é que ao "apanhar" não podíamos gritar... tínhamos que sufocar a dor. Do contrário apanhávamos mais ainda...
Também levei muitos "cocorotes , mas nunca apanhei de relhos, cipós, ou coisa parecida. Palmatória pura. Nunca havia pensado nisso mas nunca vi as minhas irmãs mais velhas (crescidinhas) apanhando... (...) Acho mesmo que os meninos eram menos castigados do que as meninas. Lembro do Kleber (filho do seu Matos, meu vizinho) que me mordia e nunca apanhou por isso nem tampouco era castigado (segundo ele).
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Não cheguei a sentir o peso da palmatória, mesmo porque as mãos de meu pai (grandes e calejadas pelo trabalho diário na lavoura) já faziam o seu papel.
Acredito ter sido uma pessoa de sorte (ou não aprontei o bastante), pois levei poucas surras de meu pai. Em compensação, minha mãe me castigava sempre.
Ouvi muitas histórias da palmatória principalmente do seu uso nas escolas, um tio cotava-me que sua professora sempre a usava e ele que era muito "palhaço" (a professora perguntava se ele ia criar barba na "cartilha do ABC" e ele respondia que não, iria criar barba era no rosto ) estava sempre a seu merecer.
Dalinha, você tem razão, pois as meninas escondiam (e ainda escondem) as surras.
Abraços,
Lucilene.
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Lucilene,
É bom saber que mulheres e surras movimentam o grupo.
Fica combinado assim: Mulheres do grupo sem relatos, "calam e consentem". Não é mesmo, Ester, Dolores,e demais amigas???
Lucilene sua participação é muito importante. Um comentário, por menor que seja, é uma atitude. Se os homens se calam, vamos, nós mulheres, movimentar esse trem.
Aí sim, a surra será feia.
Um abraço,
Dalinha
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É isso aí! Nada de ficarmos caladas.Ainda sinto o ardor nas maos dos "bolos".
(...) Fica aí a sugestão,
Darci
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Achei interessante a idéia proposta pela senhorita Dalinha de falar sobre "meninas e surras", pois, segundo ela, quem cala consente.
Particularmente, não considero relevantes as "palmadinhas" que levei na infância, até porque, se eram prá consertar "alguns equívocos", acabaram mesmo por acentuá-los.
A grande jogada mesmo é correr com os lobos, mesmo que tenhamos que apanhar constantemente da vida.
Beijos a todos
Ester Timbó
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(...) Sou craque no assunto, bolo para mim era apenas sobremesa.
Dalinha.
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“Surras de palmatória”! Um curto tópico do “Quase” de Frota Neto. Nele, a infantil visão de que os castigos físicos infligiam-se, em
Aí foi minha vez. Reabri livro meu, Educação: insistências e mutações (Coletânea de artigos publicados em jornais de Fortaleza). Sobral. Edições UVA, 2002, E, à página 160, dou com Carta a uma filha de Eva, divulgada na “Lista de Discussão Desafios Educacionais”, pela Internet, em 13 de novembro de 1999, dirigida à Professora
Aqui, tópicos dessa Carta, dirigidos agora à “porção feminina” deste Grupo (Dalinha, Darci, Lucilene, Ester e todas as outras), que, em nossa educação, deixou e continua deixando marcas em todos nós:
Prezada Colega,
(...) Sobre a vida ao redor, não tenho, como a professora, visão tão pessimista. A despeito de Nostradamus e dos previsíveis surtos escatológicos (de final de década, século e milênio), ainda não presenciei, desta vez, a anunciada encenação real do “Apocalipse Now”. Felizmente, o mundo não acabou. Mas, se assim foi, isso não nos autoriza a concluir que, nele, tudo são flores... É que, de algum modo, ele chega ao fim, tão violenta tem sido a mudança que se vem operando em toda a galáxia de valores, crenças e paradigmas, cedendo lugar a novas lógicas, com cruas seqüelas e traumáticas acomodações, em todos os setores de nosso quotidiano.
Decerto, já não somos os mesmos. E mesmas já não são, nem mesmo, as águas em que nos banhamos. Mas, por ironia, a construção do novo, mais do que nunca, parece agora resultar do paradoxal abraço entre Heráclito e Parmênides, orientados, ambos, pelo desenho de um novo horizonte a buscar, preservada, a essência das coisas, e a tocar para frente o universal projeto humano. E cá estamos nós, no limiar do Terceiro Milênio, em novo capítulo da narrativa humana, a perseguir, de novo, os perdidos sonhos da Revolução Francesa, pela re-significação dos ideais da “liberdade, igualdade e fraternidade”, sob o crivo da solidariedade entre os homens, nestes tempos em que tudo se enxerga à luz da globalidade.
Mais fundo e longe que isso, lá estamos nós no Gênesis, de novo, instados a revê-lo, inesperadamente despertos de um profundo sono adâmico. Ao centro do Éden, eis que, agora, nos deparamos com a árvore do bem e do mal – o saber. E, seduzidos pela serpente e por Eva, tomamos às mãos o até então proibido fruto, com a certeza de que, com esse gesto, abrimos os olhos, ficando mais perto da onisciência divina. “Educação, educação, educação” – as três prioridades do mundo – gritamos em coro com Tony Blair, com o espanto de um “eureka” dos novos tempos! Uma educação, no entanto, não mais sob a conotação excludente do mundo de Adão, sob o viés da qual enxergávamos: 1) a ela mesma como um “fruto proibido”; 2) todo processo criativo como um “parirás os filhos com dor”; 3) o trabalho como o castigo do “comerás o pão com o suor do teu rosto”; 4) a sinuosidade e a sedução como a maldição do rastejar ao chão imposta à serpente.
(...) A colega diz que, em sua vida profissional, fez discípulos que, por sua vez, farão os seus. Que isso, entretanto, não basta. Faz-se preciso muito mais. E, nessa ânsia, diz sentir-se “desesperada”. O que fazer? – é a questão.
Penso que, num mundo a mudar, o desespero e a postura de Jeremias, a chorar a Jerusalém desolada, não são a chave. Neste instável instante, quando passamos a limpo o Gênesis, a solução está, sem dúvida, no compartilhamento por todos dos frutos da “árvore do bem e do mal”. E quem guarda o legado da índole da serpente e de Eva há de encontrar, em fazendo a sua parte (estou seguro), as alavancas necessárias da intuição, do "veneno" e da emoção, para a coletiva tarefa de reinvenção do mundo. Que as filhas de Eva, pois, se apercebam de que têm um relevante papel nessa história
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