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INESQUECÍVEIS MOMENTOS NO CENTER UM (I)

A EUFORIA DE ZEQUINHA BENTO

 

No Shopping Center Um, reencontro, a convite de Carlito Matos, muitos de Ipueiras, para o lançamento-show do artista, ali prestigiado por vários outros astros, tendo como convidado especial o mais alto Waldonys, ali a tecer ao ipueirense rasgados elogios.  Um relato do quanto ali vi e ouvi, nos levaria longe.  Daí, haver optado por dividir minhas impressões por tópicos em sucessão. 

 

Aqui e de saída, o reencontro, na mesma mesa, com Zequinha, Miraugusta e filhos. E, em close up, a euforia de Zequinha em razão de sua recente estada lá, em Ipueiras, quando de seus 124 anos de emancipação e, em particular, sua rasgada euforia com a administração do atual prefeito, o popular Neném do Cazuza.

Zequinha a todos narra a sensibilidade do prefeito para com a estética dos logradouros públicos, dos ambientes bem cuidados e, sobretudo, da modernidade no trato com os símbolos e, em particular com a recém inaugurada Rádio Vox FM, que o entrevistara, transmitindo em largo raio a partir dos distritos e literalmente no mundo, por meio da Internet.  Coisa de primeiro mundo, diz vibrante Zequinha.  A mim, como a vários a seu redor, distribui o Boletim da Prefeitura, com excelente programação visual, em papel couché, a narrar não só as festividades últimas, como a ação da prefeitura, não apenas na área urbana, mas, com intensidade, pelos diversos distritos.  Tudo, a primar pela estética.  Entre as “obras asseguradas”, o “Açude Jatobá”, garantia do abastecimento da cidade pelos próximos 30 anos”, garante o texto do Boletim.

 

De quebra, pelo menos a mim, o prometido CD da “Prefeitura Municipal Ipueiras de todos” com os Hinos de Ipueiras, do Ceará e do Brasil, interpretados pela Banda Municipal, assim apresentados pelo Prefeito: 

A exemplo da Bandeira e do Brasão, o Hino constitui-se num dos símbolos oficiais de um determinado país, estado ou município, confirmando sua identidade singular e única.

Há 76 anos atrás, o Hino de Ipueiras foi composto por Augusto Calheiros, por ocasião das comemorações do dia do Município, sendo oficializado através da lei 532, de 13 de julho de 2007, pelo Prefeito Raimundo Melo Sampaio.

 

Desse modo, no momento em que comemora os 124 anos de sua emancipação política, Ipueiras tem reconhecida e legitimada uma de suas marcas digitais, resgatando, em seu povo, o sentimento de pertença à terra abençoada pelo Cristo Redentor e por Nossa Senhora da Conceição.

 O desejo de reavivar o orgulho dos cidadãos ipueirenses fez com que a Prefeitura Municipal, na “Administração Ipueiras de Todos Nós”, viesse a produzir um CD que registra os hinos mais significativos da história de sua gente: o Hino Nacional, o Hino do Ceará e o Hino de Ipueiras, que tem arranjos do Maestro Jorge Nobre.

 Todas as escolas, repartições públicas e bibliotecas da Cidade terão acesso ao CD, possibilitando a apropriação devida deste acervo cultural e histórico, por parte de toda sua população desencadeando o compartilhamento entre o sonho de construção de uma Ipueiras cujo perfil encontra-se expresso em seu Hino:

 

“É serás o pulso forte deste pedaço de norte”

 

Raimundo Melo Sampaio

Prefeito Municipal

 

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HINO DE IPUEIRAS

Letra de Música: Augusto Calheiros

  

Salve pequenino rincão

Solícita mãe desta gente

Que ao grito de civilização

Serás sempre puramente

Ativa, forte e majestosa.

Soberana e gloriosa...

 

Ipueiras, bendizemos

Tua marcha triunfal...

Sempre por ti lutaremos

Para te livrar do mal...

E serás o pulso forte

Deste pedaço de norte...

E serás o pulso forte

Deste pedaço de norte...

 

De tradição sempre honrada

Como os feitos de teus filhos nobres

Surgiu a nova alvorada

Triunfal de que te cobres

Altiva, forte e majestosa,

Soberana e gloriosa,

Altiva, forte e majestosa,

Soberana e gloriosa.

 

Ipueiras, bendizemos

Tua marcha triunfal...

Sempre por ti lutaremos

Para te livrar do mal...

E serás o pulso forte

Deste pedaço de norte...

E serás o pulso forte

Deste pedaço de norte...

 

***

 

 

CONTINUO A CORRER EM MEU CAVALO-DE-PAU

 

A todos, eufórico, Zequinha contava a moderna imagem urbana de Ipueiras (sede e distritos).  Mas, em infeliz contraponto a essa euforia, não deixava ele de lamentar a alienação que os lá ficados têm hoje com relação ao passado e à história das “águas retiradas”. E isso a afetar a visão e crença em seu próprio futuro... Zequinha a todos contara seu espanto sobre relato seu, posto em dúvida, sobre a passagem de Luiz Gonzaga por Ipueiras, quando, a ele Zequinha, Gonzagão deixou autógrafo (hoje publicado no Blog do Grupo Ipueiras) e, em homenagem a filha dele Zequinha com Miraugusta, entoou na legendária sanfona os versos “Mas não tem outra mais bonita no lugar”... 

 

Zequinha repetia, ali e a todos, a descrença geral, aos de Ipueiras agora, em relação ao poema de Gerardo Mello Mourão ao se referir a chapéu de couro, manufaturado nas Ipueiras, ir parar na cabeça de Napoleão Bonaparte, em Waterloo... A reação de todos era como se existissem duas Ipueiras: a dos lá ficados, sem passado e futuro, só presente; a dos de lá egressos a remoer saudades...

 Os papos, embora entrecortados, na ânsia de todos de, por instantes, se reverem, aos poucos sentia-se: era preciso algo fazer por unir as duas Ipueiras: a dos ali vistos exitosos e os lá ficados, a partilhar com os primeiros do mesmo projeto.

  A música de Carlito Matos, prestigiada e compartilhada por vultos como Waldonys – que, ao integrar o grupo dos artistas, fez questão de ressaltar o valor do artista ipueirense, deixou explícito o papel da arte e dos valores culturais fazer a arte levar um povo a correr os sertões, os verdes mares, o Ceará por inteiro, o País e o Planeta.

 

Sentei-me a uma mesa, ao lado de Helder Sabóia.  Dentre em pouco, Frota Neto chegava.  Curioso, a primeira vez que, longos anos depois, reunidos ali estávamos os três que, um dia, Ipueiras enviava ao Seminário Nossa Senhora do Amor Divino, em Petrópolis.  Hélder, na última hora, desistiu.  Ali, ele nos confessou que não estava preparado para deixar Ipueiras.  Discordei. Não diferente teria feito – disse-lhe -  que o mesmo que fez Gerardo Melo Mourão, que, da primeira vez, ao entrar no trem, refugiou-se por baixo dos mata-pastos, carregando depois para o mundo o inebriante cheiro das gitiranas, que, por diversas partes encontrou a lhe evocar Ipueiras.  E da segunda, como os antigos, refugiou-se na Matriz, de lá só saindo após a garantia do avô que o iria buscar se o desejasse onde quer que tivesse. Infelizmente, não tiramos os três fotos históricas do reencontro. 

Helder me pede o endereço convencional para me enviar trabalhos seus na área jurídica.  Conversamos muito sobre as antológicas “tiradas” de seu pai, Abílio Sabóia, a chamar a todos de “caboclo bucho”.  Helder, sem dúvida, um dos valores mais altos de nossa Ipueiras, sempre a nos lembrar o velho jeep de Walmir a simular marchas de força nos atoleiros, tal como via Celestino fazer, nas carroçáveis de Ipueiras de nossa infância...

 À nossa frente, Carlito Matos e Waldonys a nos brindarem, os dois, com a bem urdida canção “Amando e vivendo”, do Carlitos, lançado por Waldonys no show do Theatro José de Alencar, nos 20 anos de carreira do acordeonista, em mim calando, a recordar a Rua Padre Angelim em Ipueiras, versos como “Continuo a correr no meu cavalo-de-pau”...

 

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