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TADEU CATUNDA SOBRE O CHITÃO DO OÁSIS

 

Solange e esposo representaram a família. O evento lembrou bem o chitão. Aquele dançado na Prefeitura ou no Grêmio.

 

Conterrâneos e amigos que moram aqui e na terrinha marcaram presença e curtiram a noitada. Cardoso, com felicidade, tem agregado mais pessoas simpáticas a este tipo de movimento. O importante é que após cada acontecimento sejam avaliados os prós e os contra para que desperte maior interesse no próximo.

 

Já tenho uma idéia: que não seja o encontro só para beber e dançar; que criemos um modelo onde na dança e na bebida possamos falar e ser ouvidos, pois as bandas de hoje, com o som muito alto (e sem essa necessidade) impedem um bate papo salutar.

 

Que tal levarmos para o encontro os conterrâneos instrumentistas que tocam violão, teclado, sax, trompete e os que cantam para tornar a festa mais autêntica?

 

 

***

 

MARCONDES ROSA COMENTA

 

Gostei de seu relato sobre o “chitão”, evocando “aquele dançado na Prefeitura ou no Grêmio” de Ipueiras, prestigiado por “conterrâneos e amigos”. Sintético, ultimado por avaliação e proposta para eventos futuros. Também dos elogios a Cardoso, que, “com felicidade, tem agregado mais pessoas simpáticas a esse tipo de movimento.”

 

Penso como você: “O importante é que, após cada acontecimento, sejam avaliados os prós e os contra” para que, dessa forma, tenhamos crescente interesse para os próximos encontros”. E achei interessante a idéia de substituição dos ruídos das bandas pela música pano-de-fundo, quando, ultrapassado o clima da confraternização e do puro divertimento, tivermos de pôr em destaque a reflexão e o papo...

 

Solange e esposo representaram a família”, disse bem Tadeu. Walmir e eu fora de Fortaleza, num curto espaço de férias. Afinal, ninguém é de ferro. E viagens assim, em período de alta estação turística entre nós, não é coisa de escala tão fácil...

 

De Solange, colhi notas e impressões sobre a festa no Oásis. Ela me contou que até mamãe (Adaísa) esqueceu-se um pouco de suas crônicas doenças e dores, chegando até “fazer um penteado, com cabeleireira”, para encontrar-se com os de Ipueiras. Mas, já noite, sentiu-se debilitada e teve receio de fraquejar em plena festa... Ficou em casa. Luís Marques (o marido da Solange), em geral avesso a festas e amante do dormir cedo, gostou tanto que ficou até por volta da meia noite.

 

“Muita gente!” – admirou-se Solange. “Boa organização”, disse ela, que gosta das coisas cheirando a “tudo nos trinques”.  Na entrada do Clube, Nagib, da Comissão de Recepção, veterano embaixador de Ipueiras, a receber as pessoas. Ela, Solange, foi logo lhe dizendo: “Meu irmão, o Walmir, é seu fã”. Na verdade, por muito tempo, o “Bar do Nagib” plantou-se perto da morada dos “Diogos” (família de Liliana, minha cunhada), na Sena Madureira, em Fortaleza, onde Walmir curtia as tiradas de Nagib a decantar, como ele, a “Cidade Monarca”, que unindo-se ao Ipu, um dia, formariam, as duas, “uma grande metrópole”...

 

Quanto à organização, os elogios de Solange a Cardoso: “Tudo, nos mínimos detalhes, a bem receber a nós todos, num diálogo entre gerações”. Ali, no Oásis, descreve Solange, estariam seguramente umas três dessas gerações, no mínimo. Até os mais jovens, em mesas a irmaná-los, sem qualquer agressão (mas com respeito) às pessoas e valores de outros tempos.  A lembrar “nosso tempo”, foi citando Solange, eu caneta à mão, anotando: a) Maria Sólon e a filha, Maria Catunda; b) Gessy, Marivone e Zé (do Chico Terto); c) Marineusa Pinho e Adalberto; d) Cristina, Socorrinha e Bibiu (do Guarani); e) Alaíde, Clécio e Socorro (de Dona Brígida); f) Tadeu Fontenele (de Zeca Bento); g) Chico e Raimundo Frota (de Seu Idálio); h) Hélder Sabóia e Gilka; i) Nagib e filho; j) Cardoso; l) Edson Marais (do Zé Morais); m) Rosinha Belém; n) Três filhas de Seu Camarau: Vanda, Lianete e a terceira cujo nome não consegui lembrar (Darci, em retorno, nos dirá da ... Alemanha!...; o) o caçula de Seu Edmundo (Tuica); p) Elisa Maria, Fátima e Carmen (de Seu Tim Mourão).

 

Muitos outros, chegados depois ou que, em rápido e apressado relato por telefone, Solange não conseguia lembrar-se.

 

Era de se ver (ressalta Solange) de as pessoas, ao se encontrarem, recordando fisionomias. E a reviver momentos importantes de suas vidas deixados em Ipueiras e ali recobrados. Houve um momento em que, mesmo sabendo que ali se reproduzia um “chitão”, pediram aos músicos que tocassem alguns dos “velhos boleros dos anos 60”. Foi uma vibração, lembra Solange, sobretudo, quando a banda atacou de “Besame mucho”! Memórias muitas, que, na expressão de Walmir, eram um verdadeiro “revirar de saudades”.

 

Na visão de Solange, “um bom começo”, sob o tom, tudo, da “confraternização”. As pessoas sentiam-se fraternas a relembrar suas memórias comuns.  Alguns papos sobre a necessidade de um projeto de desenvolvimento. Ela, Solange, diz haver se queixado de falta de alguma infra-estrutura mínima como um hotel. Tadeu Fontenele lhe haveria dado notícias de um hotel em construção no “Vamos ver”. Alguns, aqui e ali, falavam-lhe de potencialidades (as serras úmidas, o próprio semi-árido - este hoje já considerado atração de um turismo ecológico - a produção artesanal e cultural do povo). Ali se disse até de ipueirenses que, retornados, se disporiam a investir alguma coisa em sua terra de origem. Alguns desses, porém, confessavam-se desassistidos de “políticas” em tal direção. Só encontravam ali a “velha política”, tão clientelista como outrora. Um deles teria arrematado: “Pensei até, na ânsia pela definição dessas ‘políticas’, em entrar na política. Logo vi que, na lógica dessa velha política, o que iria me acontecer era justo perder o pouco de capital que teria juntado, desperdiçando com a lógica das relações dessa velha política”.

 

“Confraternização”! Esse, “o bom começo”, na visão de Solange. Um expressivo punhado de cabeças e de “capital humano”, os ipueirenses ali presentes. Um terreno, que, num plágio a Pero Vaz de Caminha, poderíamos afirmar: “terra boa que, em si plantando, tudo dá!”

 

Mas isso, se regado pelo espírito crescente de “confraternização”.

 

 

 

 

Comentários

(04:18 @ 16/08/2006) Anônimo disse:
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