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SER/TÃO MULHER

 

Dalinha Catunda

 

Tempo de fauna no cio,

De flora e em floração.

Menina flor do agreste

Em tempos de reinação.

Rolando no solo sagrado,

A luz de um sol encarnado,

Lasciva, demarca seu chão.

 

Era tempo de floradas,

Sol a pino, céu azul,

O cheiro impregnado,

Era da flor do caju

Seu rosto estava corado

Tal fruto do mandacaru.

 

Debaixo de um cajueiro

Fugindo do sol do sertão,

Num leito de folhas secas,

Sua seiva regou o chão

Era o "debout" nordestino,

De uma flor em botão.

 

Seu corpo e a natureza,

Tinham o mesmo linguajar.

Era uma rês mandingueira,

Pronta p´ra se domar.

Cavaleiro joga o laço,

Laçada não pôde escapar.

 

E foi à sombra da árvore

Sentindo o cheiro da flor,

Que sentiu-se atravessada

Pela espada do amor.

O troféu do cavaleiro

Foi o sangue que jorrou.

 

Alcoviteiro da paixão,

O frondoso cajueiro,

De frutos amarelados

Passaram a nascer vermelhos.

O sangue da virgem nativa

Foi o rubro feiticeiro.

 

 

Comentários

(20:38 @ 10/03/2008) ALEXANDRE HERCULANO disse:
DALINHA, MAIS UM POEMA QUE SERÁ OVACIONADO POR QUEM O LER, POIS É DE UMA BELEZA IMPAR AO TRATAR DE FORMA SÚTIL E PARADOXALMENTE FORTE O COABITAR DE CORPOS E ALMAS. AQUI A LÍRICA-AMOROSA, TÃO VIVENCIADA NO PERÍODO TROVADORESCO, SE TRANSUBSTANCIA EM NOVA ROUPAGEM E NUMA MUSICALIDADE ADMIRÁVEL. HERCÚLEO ABRAÇO.

(16:11 @ 11/03/2008) Dalinha disse:
Alexandre, obrigada por comentar meus trabalhos em blogs e jornais. Sua competência de professor enriquece os comentários, os deixando bem atraentes. Com carinho, Dalinha

(16:25 @ 11/03/2008) circe disse:
Dalinha, lindo seu poema; belíssima a comparação do caju vermelho com a menina que se fez mulher; quando iremos nos conhecer? Sua admiradora carioca circe

(21:03 @ 11/03/2008) Dalinha disse:
Querida Circe, Acho você o máximo!!!! Um comentário seu me deixa com o ego lá nas alturas. Espero que nos encontremos breve. Estou fazendo um tratamento dentário que está judiando de mim. Mais um pouquinho a gente se encontra. Beijos cheios de admiração

(13:11 @ 19/04/2008) Jean Kleber disse:
Dalinha, lí três vezes este poema e a cada vez ele mais me encantava. Parabéns.