Solange, o brinco e o ambulatório de D. Luizinha (Jean Kleber)
21:06 @ 29/03/2006

Solange criança
SOLANGE, O BRINCO E O AMBULATORIO DE D. LUIZINHA
Jean Kleber
Minha avó, D. Luizinha, tinha mãos de fada. Em casa, era minha “enfermeira” predileta. Tirar um dente mole, sacar um estrepe, sarjar um furúnculo, fazer um curativo era com ela mesma. E tudo com misericórdia. Indolor tanto quanto possível.
O arsenal cirúrgico era simples: agulhas de costura, tesouras, toalhas limpas ou a própria mão bem lavada. A assepsia era feita com álcool, água oxigenada ou sabão “Pavão”. Contudo, seu desinfetante preferido era a Hipoclorina, comprada na farmácia de “seu” Idálio. Vinha em garrafinhas esguias de cor âmbar. Elegante. Hoje o produto está banalizado com o nome de “água sanitária”.
Ela costumava “distrair” o paciente contando casos. Uma forma ancestral de anestesia, certamente. No início dos anos
O lobo estava avermelhado e edematoso no local do brinco. Sinal de infecção. A avó ofereceu-lhe duas alternativas: acompanhá-la até sua casa ou tratá-la ali mesmo na escola. Incentivada pelas colegas,
Ao ver aquele quadro,
Todos comemoraram e D. Luizinha aproveitou para fazer um “comercial” inusitado: - Eu sou boa nessas coisas. Já sequei até vestido molhado com o ferro de engomar!...
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