Grupos

Os Parques do Interior

                                                                                             Bérgson Frota

 

           Quem a infância passou em alguma das inúmeras cidades do interior, e não desfrutou uma só vez sequer da alegria de um parque de diversões?

 

           Nas épocas certas de festas e comemorações, em Ipueiras, sempre em terrenos baldios, havia um parque. E enquanto este na cidade permanecia, a Vale do Jatobá, amplificadora local, silenciava, fazendo assim com que as músicas da cidade, fossem as de lá escolhidas e tocadas.

 

           Na fantasia artificial que criavam, um tipo novo de relacionamento se dava entre os que passavam a freqüentar assiduamente o parque. Era neste ambiente que muitos se conheciam e de amizade criavam laços mais profundos.

 

           Nos intervalos, se costumava ao anunciar a música seguinte, dizer o locutor que : “um tímido rapaz oferecia à moça de laços vermelhos nos cabelos e olhos cativantes por estar ele muito apaixonado”.

 

           Ficavam os ouvintes no suspense, como a esperar o segredo do anônimo a revelar-se, mas nada.

 

           Assim era mantido o mistério e só “ela”, a de laços vermelhos e olhos cativantes, não uma, mas várias, sonhavam ter sido para elas a música dedicada.

 

           Seus freqüentadores também de outras cidades próximas e distritos, para lá se dirigiam e passavam a fazer da cidade e sede do município quando não moradia permanente centro de visitações constantes.

 

           Naquela época os parques já traziam muitas novidades, seja de novos aparelhos como também uma rica iluminação que quase parecia criar uma cidade dentro da mesma onde se instalavam.

 

           Assim, com inovações e modernas atrações, os parques contribuíam de forma indireta no crescimento populacional das cidades interioranas pelo rico e alegre ambiente transitório que criavam.

 

           Diversões e inovações que em pleno século XXI continuam a existir, na eterna vida itinerante, em cada cidade, por curtos períodos. Aproveitando férias e festas, mas quando não, vale o período normal, onde os dias calmos da semana ganham na noite o brilho e a alegria por eles sempre trazidos.

 

            Resistem ao tempo rodas-gigantes, balançadores, carrosséis e canoas, e o fazem como se a preencher nossa imaginação, lembrando nós agora adultos, de quando criança fomos.

 

                             (Foto : BXK13401_dsc03192800.jpg)

 

 

                                                                                             

 

Comentários

(22:31 @ 17/10/2008) Jean Kleber disse:
O cronista Bérgson Frota sempre escolhe temas de grande apelo existencial. Parques, circos, pássaros, paradas e desfiles encheram nossos olhos qundo crianças. A gente revive todas aquelas emoções lendo as crônicas deste autor que prioriza a vida pacata de Ipueiras como linha de trabalho, muito embora também escreva sobre outros temas. Parabéns pelo excelente texto.

(08:03 @ 21/10/2008) Dalinha Catunda disse:
Os parques, os circos e os ciganos fizeram história em Ipueiras e movimentaram a cidade nos bons tempos. Dalinha Catunda

(00:40 @ 24/10/2008) Anônimo disse:
aqui quem estar falandoo e do parque sao sebastiao no microf a voz de severo morais esta peça de musica vai para a quina de uma pessoa da pitombeira que estarr muiiito apaixonado------pombo correio voa li... musica. quem viveu estes tempos lindos