Grupos

Darci e Leo, (Berlim setembro/2008)

 

A DARCI DO ‘SEU’ CAMARAL

 

Marcondes Rosa de Sousa

Grupo Ipueiras - 26;01.04

 

A “Darci do Seu Camaral” me pergunta se me lembro dela! Ora, que pergunta? Duas marcas me fizeram, a vida inteira, não esquecê-la. Primeiro, os olhos (não sei por que me ficaram). Mas sempre que me lembro da Darci, vejo-a sempre de olhar e postura inquietos... Depois, uma razão “onomástica”. “Darci”. Conheci muitos Darcis, como o Ribeiro, o mais famoso. E outros tantos “Dárcis”.  Darci-mulher, poucas. O nome “Darci”, dessa sorte, sempre me levou à infância, a Ipueiras e a ... inquietação.

 

Parece que tenho razão. Olho a resumida história-de-vida que ela nos traçou e, em tudo, inquietação se expressa. De Ipueiras, errante  vagou por “Europa, França e Bahia”, fruindo os verdes mares bravios cearenses, a Alemanha, o Rio e a Guatemala. Da agronomia, embrenhou-se pelas “teias” da ecologia, o universo da língua e literatura e dos “assuntos mil” da cultura.

 

Empresária a apoiar “visitantes e expositores de feiras internacionais”, queixa-se de ser conhecida no sul do Brasil, mas desconhecida entre os nordestinos.

 

Em Colônia, na Alemanha, sempre encontra patrícios na Universidade que tem um programa com a UFC.

 

Penso, Darci, que uma ponte estaria aí. Aluno, dos anos 60, no Curso de Letras da UFC, acompanhei a implantação ali da Casa de Cultura Alemã. E, nela, todo o esforço do Prof. Feldman para um histórico intercâmbio com a Alemanha. Lá, ele, estudioso da cultura brasileira e nordestina, sobretudo, escreveu tese sobre Graciliano Ramos. E, com o passar dos anos, estreitou os laços Brasil/Alemanha, tendo o Ceará por ponte.

 

Pró-Reitor da Universidade, pela primeira vez, intermediei um intercâmbio com publicação simultânea e bilíngüe cá e lá. Na segunda vez, sobressaltei-me com a idéia, por ele tocada, do Instituto Lusófono a estreitar os laços entre a Alemanha e os países de língua portuguesa. E, um dia, maior sobressalto (isso já no Governo de Ciro Gomes), quando aqui aportou ele com mais de 100 personalidades (da indústria, do mundo universitário e da formação profissional) para um seminário conjunto entre alemães e cearenses.

 

Abrindo o simpósio, lembro-me das risadas de Feldman, quando eu disse: “Ao abrir esse evento, vou criar um problema para o tradutor. Mas não posso deixar de dizer – esse Feldman é um danado”.  De fato, cada tentativa do tradutor não justiçava, para os alemães, o porquê de Feldman dar tanta risada.  Na verdade, as palavras da frase, em português, quando traduzidas em alemão, não encontravam o impacto conotativo manifesto por mim. Feldman tentou explicar aos alemães...

 

Ah! Essa Darci é uma danada! E creio que (não sei se Feldman ainda anda por lá) o Ceará bem que poderia reatar intercâmbio mais estreito com Colônia. E, nessa estrada, Ipueiras bem que poderia encontrar um pedaço de chão para si. Artesanato? Sei lá! Tantas outras coisas e interesses.

 

Ora, uma vez, ao visitar um cearense que, em Fortaleza, coleciona a primeira edição dos jornais, sabendo que eu era de Ipueiras, mostrou-me um jornal ipueirense ... “em alemão”.

 

O bom de um grupo assim, como este é que, papo-vai-papo-vem, a gente termina encontrando estradas que surgem para a gente colocar Ipueiras como um lugar pelo qual a gente possa fazer alguma coisa.

 

Criativa, Darci bem que pode nos ajudar. É só juntá-la com Dalinha, Nely, Maria Solon ... e gente da mesma estirpe, que a gente chega lá.

 

(Foto, por Darci a mim enviada, quando esteve, em Berlim, com Leo, meu filho músico caçula, que se encontra na Alemanha).

 

 

 

 

Comentários

(09:15 @ 18/11/2008) Jean Kleber disse:
Nossa querida Darci sempre será um grande tema. Ela, em si mesma resume nossa história, dos cearenses que viveram em Ipueiras e fora, como diz Walmir Rosa "fazer o mundo". Parabéns pela matéria..