Grupos

                                          

                                          

 A chegada das andorinhas em Ipueiras

 

                                                                                                                                                                      Bérgson Frota
                                                                                                                                                          O Povo - 19 Set 2009

 

Nenhum espetáculo na natureza se comparava ao tempo em que, para mim, quando criança, por estação certa, chegavam às andorinhas.


Neste período em Ipueiras, tínhamos uma semana singular, com inúmeras andorinhas aparecendo no céu, marcando um tempo já esperado, somando-se a outros bandos mais numerosos que rápido chegavam atrás, fazendo sombra nas primeiras horas da manhã.


Deslocavam-se, como numa caravana aérea, em grupos compactos, sombreando ruas e avenidas, algumas já pousando sobre arco, e a maioria ziguezagueando em torno da igreja matriz.


No céu fazendo seus sons, caçando insetos em rápidas manobras, muitas caindo, dado aos voos baixos que davam, e sendo facilmente capturadas com as mãos.


As torres altas atraíam aqueles pássaros migratórios, que preferiam fazer seus ninhos em construções a copas de carnaúbas e algarobas que naquela época se espalhavam pela cidade.


Outras desciam sobre a areia fofa e começavam a ``banhar-se``, sacudindo-se como se a areia fina fosse água.Quando cansadas de tantas revoadas e tentativas de escape sobre a cidade, elas que atraíam a atenção da população, iam pousar nas altas paredes da igreja e era justamente na torre onde o maior número se concentrava.



A noite caía e o silêncio reinava. Na escuridão que aos poucos a iluminação pública ia preenchendo, era como se lá presente elas não estivessem.



Para nós, ainda meninos, as andorinhas traziam um mistério. Apareciam em grande número num só tempo, faziam ninhos em prédios altos, e depois partiam, deixando atrás o grande questionamento da rota por elas seguida.



Era o começo dos muitos enigmas que íamos observando com atenção na natureza.


Cheia de leis por nós desconhecidas, mas rica de singular significado, imutáveis e instigantes, ainda permanentes e hoje ainda mais atuantes.

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Comentários

(22:46 @ 20/09/2009) Dalinha disse:
Olá Bérgson. Gostei do seu texto sobre andorinhas. Realmente ela nos remete a velha Ipueiras e as nossas idas e voltas como se andorinha fôssemos. Um abraço, Dalinha