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Jornal do Leitor

 

Sertão moderno

 

Dalinha Catunda

O Povo - 25.09.2010| 02:00

 

Terra adusta, ressequida,

assim foi a minha terra;

mas,  onde o homem não erra,

vencem ações criativas –

se bem formos persistentes,

e mais, cantando as cantigas.

 

Neste Nordeste de agora,

já nos verdeja a ternura;

pois, mesmo havendo secura,

dá tudo o que o povo planta;

e o povo planta esperança,

tanto mais sofre e mais canta.

 

Onde já foi sertão bravo,

hoje, mudou totalmente,

e, quem vê sertão, pressente

que a coisa ficou moderna;

só prospera a mão do novo

- das antigas nem a perna.

 

Nas praias, sertões e serras,

aos tons do grande progresso,

canta-se o cantar que meço

na voz risonha dos pobres,

rimando versos medidos,

em redondilhas mui nobres.

 

Aqui, com toda expressão,

grita a voz do passaredo,

o canto alegre e sem medo

dos nossos bons violeiros

e dos vaqueiros o aboio,

e os baiões dos sanfoneiros.

 

Aqui, pois, modéstia à parte,

temos alegres posturas

e, se passamos agruras,

também nós temos encantos,

e a mãe-natureza aplaude

os entoos dos nossos cantos.

 

Coberto de parabólicas,

Este o chão do nordestino,

onde o sol nos bate a pino,

como um rei demais tirano,

e a todo vapor novelas,

e internet a todo o pano.

 

Até mesmo as eleições

tomaram rumos diversos;

hoje os “coronéis” dispersos

não mandam como reinavam;

você vota mais a jeito –

cabrestos só emperravam.

 

Será Nordeste o moderno?

Nem tanto... Norte um cercado!

Gente, lá, que nem um gado,

inda a votar nuns “currais”,

mas torço que saiam disto,

que, em tese, somos iguais.

 

Comentários

(08:49 @ 26/09/2010) Tadeu Fontenele disse:
Nossa Dalinha, com estes versos nos moldes dos cantadores identificados na linha de Cego Aderaldo, talvez pela expansão maior das rimas, tem mostrado mais abrangência na descrição da atualidade do nosso sertão. Fica aqui minha expectativa de um dia desses eu ouvir esses belos versos cantados ao som de uma viola. Tadeu Fontenele.

(22:28 @ 27/09/2010) Dalinha disse:
Olá Marcondes, Eu adoraria ter escrito esse poema que fala lindamente do sertão mas infelizmente houve engano e uma troca de autoria. O Real ator destes belos versos é: João Gomes da Silveira que assina seus textos como Gomes da Silveira. Eu pediria que você por gentileza desfaça no Ipueiras o equivoco. Um abraço, Dalinha

(00:58 @ 18/04/2011) Gomes da Silveira, João disse:
Somente hoje, 2011, 18 de abril, e por acaso, dei com o nosso poema de cordel SERTÃO MODERNO publicado aqui, neste 'blog' do IPUEIRAS. Quero louvar a pronta atitude da poetisa DALINHA CATUNDA que, notando o equívoco do JORNAL DO LEITOR, em O POVO, tão-logo se prontificou em comunicar-me, por e-mail, a troca de autorias do texto no jornal. Também o JORNAL DO LEITOR, na pessoa da jornalista JACQUELINE COSTA contatou comigo e anunciou em ERRATA a troca de autores de textos entre mim e a nobre ipueirense DALINHA CATUNDA. Por fim, quero agradecer pelo comentário ao sr. Tadeu Fontenele, que teceu palavras elogiosas, porém não merecidas. Um abraço na DALINHA, atuante beletrista que, com uma outra amiga, mantei u excelente 'blog', além de escrever com frequência para o JORNAOL DO LEITOR, João Gomes da Silveira