Grupos

 

A Escolhida

 

 

Ela era apenas um inocente bebê, que acabara de vir ao mundo. A mãe, uma pobre mulher, desprovida de instinto materno, desnorteado talvez pela pouca idade, fazia pouco caso da criança que, ao mesmo tempo em que dava pena, encantava a vizinhança.  Até os sete meses eram os vizinhos mais próximos que davam comida e acalanto aquele ser inocente e maltratado.

 

Era um lugarejo humilde, onde todos lutavam com dificuldades. Apesar de comovidos com a situação, ficava difícil alguém pegar a menina para criar. Todos tinham filhos pequenos e uma boca a mais era muito para quem pouco possuía.

 

Sim, Brena era esperta e bonitinha. De certa formam órfã de mãe viva, já estava sozinha no mundo entregue a própria sina. Mas... Deus todo poderoso em sua onipotência, escrevera outra historia para aquela criança. Brena  teria um pai e uma mãe. E os pais determinados por Deus teriam o mesmo nome dos pais de Jesus: José e Maria.

 

Foi assim que Maria, guiada por Deus, foi visitar Brena. Ao ver a criança, além de comover-se com a situação, caiu de amores pelo bebê. Maria tinha dez filhos. Maior que sua família, era seu coração. E um lugar para aquele bebezinho estava reservado. Não pensou duas vezes, arrancou a criança daquele martírio e a levou para sua casa.

 

José, quando viu Maria chegar trazendo a menina no colo, soube da triste história. Abraçou a esposa e a nova filha dizendo: “onde comem dez, come mais um”.

 

 Assim Brena foi criada, no seio daquela família, que a abrigou com todo amor e carinho. Muito bem criada, sabe que não saiu da barriga de Maria, mas que aquela mulher de bons sentimentos abriu o coração para que ela pudesse entrar e ali permanecer para todo o sempre.

 

Brena, hoje crescida, alegre e feliz, sabe - lá no íntimo - que é especial, pois, mesmo não sendo filha legítima, foi legitimada pelo amor. É a filha que Maria escolheu.

 

Esta é história verdadeira,

que aqui vai em homenagem às mães:

às por dever e às por opção.

 

Dalinha Catunda

 

 

Comentários

(14:35 @ 12/05/2006) Teresinha disse:
Aproveitando este texto de Dalinha, o meu comentário será com este poema de autor desconhecido em homenagem a todas as mães, encarnadas e desencarnadas. Há tantas Mães! Mãe de muitos filhos, Mãe de um filho só, Mãe de filhos que já se foram, Mãe de filho ausente, Mãe de filhos que não são seus, Mães que nunca tiveram filhos, Mães que já se foram, Mães de todas as mães. Mãe que não conseguiu criar o filho. Mãe que abandonou sua cria. Mãe que doou amor. Mãe que deu a vida e recebeu ingratidão. Mães são tantas!!! Cada uma com sua forma, Com sua cor, Com seu jeito, Com suas possibilidades Mãe é mãe!!! Não importa qual tipo de mãe, Importa o seu reconhecimento. Filho é uma semente materna, Mãe é amor!!!

(01:38 @ 12/09/2007) lú disse:
como faço para encontrar uma mãe que abandonou seu filho?