Grupos

 

 

“Hoje a TV nos mostra os festivais de comida pelo mundo, como curiosidade. Comida é bom até de se ver, mesmo sem sentir o cheiro. Por isso é que o pobre, entre "tirar" uma TV ou uma geladeira, prefere a TV porque, ao abrir a geladeira, só acha água, enquanto a TV sempre está cheia de comida bonita!”

 

Recordações do Sete de Setembro

 

Acabei de colocar em dia minha agenda, neste imprensado e modorrento dia de trabalho, onde li, entre outros escritos, a lírica e patriótica homenagem da Dalinha ao 7 de Setembro em nossa Ipueiras, onde a escassez de recursos era sobrepujada pelo entusiasmo de todos.

 

Realmente - pelo que me lembro - na minha época de menino (saí da terrinha aos dez anos), os festejos do Dia Sete eram uma grande festa cívica, sem qualquer cunho militar. Até porque Ipueiras não tinha sequer Tiro de Guerra e o destacamento policial era mínimo, suficiente, numa cidade pacata como a nossa, para apaziguar os ânimos dos chamados "desordeiros" que eram poucos. Vivia-se um tempo de paz e tranqüilidade. "O tempora! O mores!" -  Que tempos, que costumes - (Cícero).


Auxiliadora, forte e incontestável porção mulher dos cronistas cearenses, ipueirense de berço, com seu iluminado estilo, nos transporta para a Praça da Matriz, no lado da Rua 15 de Novembro, fazendo-nos postar defronte à casa do Coronel Patriarca Antônio Eufrazino de Pinho, à sombra do ficus benjamim ( que talvez nem exista mais) e ouvir as vozes de comando do instrutor. Ordinário, marche! (O Nonato tem razão - afinal ele é militar).Ouvindo o rufar dos tambores, taróis e bombos de marcação.

 

As histórias do Coronel são ótimas. O jipe, sempre parado sobre o canteiro, debaixo do ficus. O olho vigilante do dono para nenhum menino subir (alô, Helder Sabóia!). O discurso do Dr. Kideniro Teixeira, interrompido pelo Coronel. A invasão do consultório do Dr. Chagas (Chico) Catunda...

 

A Auxiliadora, em seu íntimo, sem mencionar expressamente em seu texto, lembra e nos faz lembrar a figura do Coronel, Presidente do PSD - Partido Social Democrático, bancar, em dias de eleição uma lauta comilança para os eleitores do partido, onde muitas reses eram mortas, sacos de feijão, arroz, farinha eram consumidos para matar a fome dos que vinham dos distritos para votar.

 

Era costume da época. Em Ipueiras, nunca vi tanta comida junta. Hoje a TV nos mostra os festivais de comida pelo mundo, como curiosidade. Comida é bom até de se ver, mesmo sem sentir o cheiro. Por isso é que o pobre, entre "tirar" uma TV ou uma geladeira, prefere a TV porque, ao abrir a geladeira, só acha água, enquanto a TV sempre está cheia de comida bonita!

 

No meu entender, não era pressão, já que ninguém era obrigado a ir. Naquela época a gente fazia parte de um Partido. Ou era PSD, UDN ou PTB. Com toda a família. Votava-se melhor que hoje, porque a maioria das pessoas era do bem. Hoje, infelizmente, a noção de honestidade, caráter e ética está distorcida.

 

Agora estou aqui logo eu, que tanto critiquei as mensagens de Política & Religião a falar de política... É que a intenção não é política. Mas contar a história de Ipueiras. Desculpem-me!...

 

 

Prosa fogosa

 

És jogador de prosa, fogosa,

gostosa que tem rosa,

cheirosa

e mão zelosa

com dedos afiados a digitar

coisas airosas,

ruidosas

que estão a passar.

 

Carinhosamente,

Auxiliadora, admiradora de seu texto com a aroma saudades, Carvalho

Auxiliadora da Dona Brígida - gostou?

Era assim que nós, daqueles tempos em que a gente não sabia - nem por ouvir dizer - o que era dólar, maçã, caqui, abacate sem pescoço, abricó, cupuaçu, bacuri - a chamávamos. O Cili foi adotado por gente mais moderna.

 

Naquela época de nossa infância, tempos das carnaúbas pretas, dos melões caetano, mutambas, croatás, trapiás, melancias da praia, juás, tamarinas, canapuns, viviamos um tempo despreocupado e de paz. Éramos felizes. E nem nos dávamos conta disso.

 

Olha minha querida amiga, é uma alegria muito grande saber que você gosta dos meus despretensiosos textos saudosos.

 

Agora, merecer de você um poema é uma emoção muito grande. Li e me arrepiei. Ainda mais por se tratar de um poema tão belo, vindo, sei, de dentro d'alma, com a sensibilidade que só os poetas natos têm. Você é um deles; nasceu assim, abençoada, com DNA de escritora e poeta. Ao longo dos anos, só fez aprimorar-se, derramando as luzes do seu saber em seu derredor, seja de seus alunos, seja dos seus leitores, entre os quais me incluo.

 

Tenho muito orgulho de ser SEU AMIGO e CONTERRÂNEO. E obrigado pelo poema, embora não me ache nem a metade do que você disse de mim.

 

Com carinho,

Walmir, do Wencery.



Comentários

(18:03 @ 21/09/2006) Cili disse:
Amigo Walmir, os poetas sóservem para sonhar, emocionar, arrepiar-se, sorrir e finalmente encher de ternura minutos da alma do leitor. è para isso que servimos. Carinhosamente o meu afeto, com "ego" massageado pelas sua palavras de poeta e prosador Auxiliadora, da D. Brígida