Estudo, a grande herança deixada por ele (Solange Rosa)
12:34 @ 22/09/2006
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Neste 23 de setembro, faz 23 anos que Wencery Félix de Sousa, nosso pai, nos deixou. Aqui, as lembranças que
Estudo, a grande herança
a nos deixada por ele
Entre lembranças e saudades, sua forte presença - ora marcada pela alegria da infância lúdica, prazerosa, ora pela companhia amiga e confidente de pai - se faz sentida.
Nas brincadeiras de esconde-esconde em que misteriosamente sumia embaixo dos lençóis de seda rosa chope em cujas bolhas de ar tínhamos de encontrá-la, nos lançávamos, eu e meus irmãos (Marcondes e Walmir) à sua procura. A algazarra era tanta que, às vezes, chamava a atenção de nossa mãe pela bagunça deixada na cama de casal. Qual não era então a alegria de encontrá-la, sorridente e feliz para surpresa de todos nós.
A sabia lição do pai que se iguala aos filhos pequeninos nas brincadeiras, revela a grande sabedoria daquele pai inteligente que, mesmo sem entender de pedagogia e psicologia, contribuía com o desenvolvimento sadio dos filhos crianças.
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A vaidade de ter os filhos estudando nos melhores colégios fazia com que, à vezes e nas férias, me ostentasse com orgulho de uniforme de gala (saia azul marinho de seda e blusa branca, meias brancas e boina azul) do Colégio das Dorotéias (de Fortaleza) perante os ipueirenses a passear na pracinha como que a dizer: vejam minha filha! Essa vaidade se devia a superação daquilo que ele não teria tido em sua vida, como ele mesmo dizia, ser o estudo a grande herança que nos deixaria.
Sua presença companheira e amiga, até nas horas mais difíceis de nossa vida, nos acompanhava e sabíamos contar com ela, mesmo que a lição fosse dura de compreender. Às vezes, um simples olhar nos fazia entender quando se estava a fazer algo não desejado. Lembro–me numa das vezes em que recebíamos em nossa Ipueiras, à noite, uma visita importante, eu menina metida entrava na conversa daqueles adultos como que a me mostrar para eles. Bastou um simples olhar de meu pai para que eu saísse sorrateiramente da sala e fosse me esconder embaixo da cama com medo de apanhar. Após a saída da visita, meu pai e minha mãe buscaram–me pela casa inteira e pela vizinhança sem sucesso, até que lembram de procurar–me embaixo da cama. Mas não foi desta vez que apanhei, coisa rara que me lembre, pois a surra prometida fora substituída pela conversa.
A presença companheira e amiga de meu pai, ainda tão sentida e necessitada, mesmo depois de vinte e três que nos deixou, é motivo de grata recordação e saudades que me invadem. Lembro-me de quando tomei a decisão de deixar meus pais e minha casa para entrar na vida religiosa, já adulta. Foi a meu pai que confidenciei, numa daquelas manhãs em que saíamos para trabalhar (Fortaleza). Ele me abraçou e disse que sentiria muitas saudades, mas que eu fizesse o que fosse melhor para mim.
É com lágrimas que relembro desses momentos de nossas vidas, mas a certeza de que ele homem simples e sábio, alegre e afetuoso está a nos acompanhar pela vida com sua forte/suave presença.
Fortaleza, 22 de setembro de 2006
Comentários
(18:54 @ 24/09/2006) Dalinha. disse:
Solange, Saí de Ipueiras em 72, mas me lembro muito bem do seu Wencery. E minha maior lembrança é dele sentado na calçada do seu Zeca Bento, na roda mais comentada da cidade. Suas lágrimas certamente são doces pois você chora por uma pessoa especial e um passado feliz. Um beijo, Dalinha
(19:04 @ 24/09/2006) Jean Kleber disse:
Solange, acrescento à mensagem que deixei no Grupo, esta, enaltecendo o seu amor ao pai que soube educar tão bem a você, ao Marcondes e ao Walmir, além de ser um personagem por demais marcante na história de Ipueiras, sobretudo por sua alegria. Grande abraço.