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As esquecidas estações

 

Por Bérgson Frota

 

No início do século vinte a estrada de ferro representava o progresso. Cidades e mais cidades interioranas disputavam a honra de serem cortadas pelos trilhos que deitados em fortes dormentes traziam o futuro mais rápido.

No Ceará a rede de transportes ferroviários passou por sua fase áurea e encontrou no descaso e surgimento de outros meios de transporte o triste ocaso em que até hoje agoniza.

Infelizmente o transporte ferroviário foi relegado a segundo ou melhor dizendo, terceiro plano, se é que se pode este termo utilizar.
Na prática as estradas asfaltadas que se multiplicaram a partir da década de 70 foram em muito responsáveis para pôr-se de lado as viagens por linhas férreas. Vistas então como uma opção de transporte ultrapassado.

A estação de Ipueiras que foi inaugurada em 01 de maio de 1910, apesar de necessitar de reparos, guarda exteriormente a clássica e simples arquitetura da época. Sofrendo portanto o mínimo que se poderia comparar ao prédio já em ruínas do distrito próximo, Eng. João Tomé (Charito).

Prédios belos e bem construídos sendo ruídos pelo descaso com o passado. Muitos figuram na lista de obras a serem demolidas pelas prefeituras. Há a possibilidade e realidade de transformá-los em escolas ou museus. Até mesmo das próprias cidades cearenses de um ou outro centro citado.

Nosso País é definido também como um país sem memória. A definição concretiza-se pelos fatos expostos diariamente diante da impassividade dos governantes ante a destruição e o desgaste dos prédios históricos tombados ou não pelo patrimônio nacional.

Outro fato que mostra o pouco caso feito aos monumentos históricos é a desvirtuação de seus espaços. Quando se fazem construções não vinculadas ao monumento mesmo com a defesa da tecnologia, se fere uma paisagem, correndo infelizmente o risco do monumento ser obliterado pela construção mais recente.

Vivemos num período de rápidas e grandes transformações, mas a história nos mostra que nenhum ganho trouxe a uma população a construção de obras sobre os escombros doutras de valor histórico inestimável, o oposto se mostrou mais positivo.

E neste caso pode-se aplicar muito bem o ato de conservação e nova utilização das já tão esquecidas estações ferroviárias. O aminho para se chegar a um futuro onde as gerações possam de fato trocar contribuições e com isso se enriquecerem passa pela preservação de monumentos que são um verdadeiro elo ligando o passado ao presente para o forjamento de um futuro melhor.

*Primeira ColunaC*

Texto publicado originalmente no jornal O Povo, de Fortaleza.

Bérgson Frota é professor visitante da Universidade Estadual Vale do Acaraú (UVA) e professor de Grego Clássico no Seminário da Prainha - Fortaleza.

Comentários

(13:22 @ 02/10/2006) Dalinha disse:
Eu queria parabenizar o Marcondes, por abrir este espaço que está sob sua responsabilidade para Bérgson Frota que como ipueirense está sempre citando Ipueiras em seus artigos prestigiando como poucos nossa cidade. Eu acho o tema abordado de grande importância. Acho que ali deveria ser um centro cultural, inclusive com o resgate da história de trens e ferrovias. Parabéns ao Bérgson pelo artigo e que o nosso povo não esqueça o verdadeiro sentido de tombar.