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Dos jumentos, a imagem que me ficou

 

Marcondes Rosa de Sousa

 

De Ipueiras, ficou-me a imagem dos jumentos, sempre em comboios, a construir a economia da Cidade, o bem estar, a saúde, o transporte dos mais pobres. Sempre, em seus lombos, areia, água, farinha, frutas, gente pobre sobre cangalhas e selas. Indo e vindo de lugares de acesso difícil, lá aonde os caminhões e mesmo carroças a custo chegariam."

 

 

            Bem que eu queria ficar calado. Mas fui autor citado pela Dalinha, que disse que eu só conhecia “jumentos” por meio dos livros...

 

            Observo a discussão sobre o papel desses animais, na vida sexual dos adolescentes de Ipueiras. E, a Dalinha, me explico. Mal completava doze anos, um trem em Ipueiras, um avião para o Galeão no Rio, um fusca alemão a subir, na serração da noite, a Serra dos órgãos, Correas-Petrópolis (RJ), e, afinal, lá estamos, Frota Neto e eu, num seminário – no alto da colina, o de Nossa Senhora do Amor Divino.

 

            De Ipueiras, ficou-me a imagem dos jumentos, sempre em comboios, a construir a economia da Cidade, o bem estar, a saúde, o transporte dos mais pobres. Sempre, em seus lombos, areia, água, farinha, frutas, gente pobre sobre cangalhas e selas. Indo e vindo de lugares de acesso difícil, lá aonde os caminhões e mesmo carroças a custo chegariam.

 

            Incansáveis obreiros do dia-a-dia de então, hoje substituídos por outros meios. Loas, só as já assinaladas aqui: as do Padre Vieira, a chamá-los de irmãos e, na trilha dele, Luiz Gonzaga.

 

            Agora, personagens afastados da vida econômica, têm esses animais, nova função. Em indiscriminado abate, satisfazem o voraz apetite de europeus. E aqui nesta discussão, capítulo novo do que, em nossa cultura, representaram: parceiros (as jumentas) no ritual de iniciação sexual dos meninos, em nosso sertão. Dalinha, em nossas discussões, aprofunda esse capítulo. E isso, quem sabe, poderá até dar grande contribuição sobre “A vida sexual dos adolescentes de Ipueiras”... Fica uma indagação: e as meninas, tinham elas algum ritual que, por acaso, incluísse o mundo animal (o dito irracional)?. Fica a pergunta no ar, se o aprofundamento do assunto tiver algum papel na educação das crianças e jovens que, em Ipueiras, lá permanecem...

 

***

 

Começamos nossas discussões com uma brincadeira sobre as jumentinhas. Agora, já se dimensiona um aspecto econômico e uma temática social/sexual. Estou aguardando o que as meninas poderão dizer sobre o que você levantou sobre a afinidade delas com o mundo animal. Afinal, como disse uma vez um ministro, cachorro também é gente.

 

(Tadeu Fontenele)

 

 

 

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