Sábado, dia de feira (Dalinha Catunda)
09:58 @ 03/10/2006
Sábado, dia de feira
Hoje Ipueiras se dá ao luxo de ter feiras todos os dias. Nas bancas bem sortidas, de tudo se pode encontrar. São encontradas: maçãs, morangos e uvas, frutas que, antigamente, conhecíamos apenas de nome ou por fotos em revistas.
Mas, não é exatamente dessa feira que quero falar. Quero falar da feira de antigamente, a feira que me encantava, a feira de sábado em Ipueiras. Ela se espalhava pelas calçadas e ruas no coração da cidade. As montarias e animais de cargas eram amarrados nas muitas carnaubeiras e nos pés de fícus que arborizavam a cidade. As compras eram carregadas em sextas de cipó. As frutas chegavam em jacás. Feijão, milho e farinha vinham em surrões.
O que também me chamava atenção eram os amarrados de peixes, piabas e avoantes feitos com palhas. A carne também era transportada para casa na palha, que enfiada ao dedo do carregador chegava ao seu destino. As cafezeiras eram figuras marcantes na feira antiga. Com suas tapiocas quentinhas e o cheirinho de café aromatizando o ambiente. Palma, manzape, pão e bolos eram os produtos das bancas. Sei que elas eram muitas, mas só dois nomes me vêm à mente - Nãna e
Achava fascinante e ficava de fato hipnotizada com as grandes cuias cheias de pequenas bonecas de pano, coloridas e chamativas. Quantas vezes meu sorriso de menina não se iluminou ao ganhar tal prenda? Ainda nas cuias, o coentro cheiroso e fresquinho. Entre pimentões e tomates, a cebola roxa. O inesquecível maxixe, que aparecia junto com milho verde e melancias (não a melancia redonda de hoje), aquela melancia comprida que a gente cortava a ponta fazendo cumbuca para comer de colher. A fruta de conde, que é nossa suculenta ata, os cachos de pitomba, mangas e cajus de vários tipos, ah!... os saborosos cambucás. Sabores e inesquecíveis
Gostava de apreciar galinhas, capões e capotes expostos à venda. Tinha ainda, a feira do barro, onde eu comprava minhas panelinhas de brincar. Panelinha e bonecas de pano eram os brinquedos da época. Para meninada daqueles tempos, era sagrado comer bolo manzape na feira, mesmo com a estória que o bolo era amassado com os pés ninguém se importava. Alfenins, batida, rapadura e tijolinho, também faziam a festa da meninada.
Esta era a feira de outrora, vista por um olhar de menina que guardou o cheiro, o sabor e o colorido da velha feira que tanto lhe fascinava. Atualmente, Ipueiras tem feira diariamente. Tem de tudo que se possa imaginar, agrada à adulta que hoje sou. Mas deixa saudosa a criança que cultivo.
Comentários
(16:33 @ 03/10/2006) Jean Kleber disse:
Dalinha, a sua feira é uma verdadeira viagem no tempo! Chego a sentir o cheiro da "brôas". Lembra das brôas, de goma de mandioca? Duas palavras que não ouço fora de lá, longe da terrinha: brôa e goma. Beleza de crônica! Abração.
(23:23 @ 03/10/2006) Dalinha disse:
Jean Kleber, Na realidade nós chamávamos de palma. É a mesma brôa. Eu ainda hoje adoro palmas. Em Ipueiras durante muito tempo era Olegário quem fazia a melhor palma de nossa cidade. Dona Itelvina, mãe da professora Alice Paiva. fazia o melhor Bulim, que é um biscoito feito de goma. Dona Joaninha do Guarani o melhor picolé. Dona Neném do Genario o melhor pirulito. Ipueiras ainda me dá água na boca ao relembrar velhos sabores.