Brasileiro ex-técnico do Iraque pede clemência para Saddam
16:39 @ 14/11/2006
O técnico brasileiro Jorge Vieira (foto ao lado), ex-comandante da seleção de futebol do Iraque, pediu "clemência" ao ditador deposto Saddam Hussein (foto abaixo), considerando como "desumana" a sentença de morte imposta ao ex-mandatário por um tribunal de Bagdá.
Vieira, um nômade do futebol que atualmente trabalha no América do Rio de Janeiro, dirigiu o Iraque na década de 1980 após ter sido contratado por Uday, filho mais velho de Saddam, que foi morto em decorrência da invasão norte-americana no país em 2003.
Em sua estadia de mais de um no em Bagdá, quando conseguiu classificar o Iraque para a Copa do Mundo de 1986, no México, Vieira chegou a conhecer "profundamente" o ex-treinador, segundo disse em recente entrevista por telefone à Reuters.
"Só tenho boas recordações do Iraque, de Saddam, de Uday. Fui tratado com gentileza, com amabilidade, com carinho. Fui mimado por eles", disse Vieira, de 72 anos.
"Infelizmente não posso fazer nada. Mas deviam ter clemência com Saddam, talvez uma condenação menor. A pena de morte na forca é desumana", acrescentou o técnico, que também trabalhou no futebol de Arábia Saudita, México e El Salvador.
Um tribunal iraquiano respaldado pelos Estados Unidos declarou Saddam culpado de crimes contra a humanidade e o sentenciou à morte por seu papel no massacre de 148 civis xiitas, em 1982.
Personalidades como o Dalai Lama, líder espiritual do Tibet, que vive exilado na Índia, pediram que as autoridades iraquianas perdoem o ex-presidente, enquanto grupos de direitos humanos e especialistas legais disseram que houve falhas profundas no julgamento de Saddam.
"Eu sabia que ele era cruel com seus inimigos. Mas me dizia ''antes que me matem eu tenho que matá-los primeiro''. O que ele dizia era que estava se defendendo", disse Vieira, que revelou que o ex-ditador lhe contou que pensava invadir o Kuweit, o que finalmente fez em 1990.
"Conversávamos
"Ele gostava muito da guerra. Me dizia, o Brasil é grande e tem o Uruguai ao lado, é o mesmo que Iraque e Kuweit", revelou ele.
Vieira recordou que compartilhou jantares, banquetes e encontros sociais com Saddam, a quem via pela menos uma vez por semana. Também teve uma relação estreita com Uday, que era responsável pela federação de futebol e pelo Comitê Olímpico do Iraque.
O brasileiro disse que sente "pena" quando escuta as notícias sobre a violência no Iraque, onde cerca de 100 pessoas são mortas por dia, segundo as Nações Unidas.
"Quando vivia lá, Bagdá era bonita, elegante. O Iraque tinha tudo. Restaurantes, cassinos, discotecas, uísque e champanhe. Era um país de uma mentalidade avançada. Hoje deve estar destruído", disse ele.


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