Grupos

 

QUEM SOU EU?

 

 (Improviso para um solo de Jazz dodecafônico)

 

-Sou o que escreve porque não sabe se matar. Sou o que lê muito sempre fugindo do exato e doloroso verbo Viver. Sou o que respira auras e halos pelo fio de navalha da poesia-canga. Sou o que aprendeu cantar mentalmente porque não podia soar. Sou o que fugiu de viver e descobriu a Terra do Nunca num encantário de luz e poesia. Sou, a bem da verdade, uma bananeira que já deu goiaba em lata. Que acredita em Deus mas não vê Deus nos humanos. Sou o que foi criança e gostava de estar com os sábios mais velhos. Que foi jovem brucutu fora de seu tempo e com poucos amigos de verdade. Sou o que envelhece filosofias e enluos lidando com crianças. E reaprende sinais e conhecenças com elas... Sou o que foi humilhado e usou isso como dínamo para sobreviver como uma groselheira seca. Sou o que quebraram as pernas e aprendeu a voar sem muletas. Sou o que chora no escuro para não assustar quem ama e assim passar uma imagem de forte e bravo. Sou quem é sozinho pela própria natureza, e escreve muito para ter companhia. Como um eco no abismo. Sou um rapaz que amou Os Beatles & Tonico e Tinoco, mas Lennon morreu, George também, e ainda resta um caipira cantando mundos e campos de lavandas entre lírios laranjas. E ainda sola silêncios em alto relevo... Sou o que se esconde na cerveja, pois o vício predileto é querer ser árvore secular, ser nuvem além da fonte sagrada de todas as águas-mães, rio acima de todas as marés e ilhas, nunca mais um pobre e vil bicho-ser. Sou o que acredita na arte como libertação, na poesia como fermento, em Deus como um cartão de crédito antes do cianureto e atrás dos campos de trigo com corvos. Sou aquele que tem uma lenda pessoal para cumprir, vive e morre por isso, mas, coitado, coió e capiau ainda briga por arroz com feijão e couve rasgada na rala sopa de pedras dos inválidos. Sei que é o espírito que ama o espírito, antes do corpo amar o corpo, mas infelizmente sei também que uma andorinha só não faz outra andorinha. Sou o poeta que foi marceneiro entre cedros e borboletas, o professor que já foi bóia-fria e lanhou as mãos de manteiga derretida, o doutor engravatado que tem ficha nos podres porões da ditadura militar incompetente e corrupta, o jornalista de oficinas que cutuca onças com vara curta, um pobre aprendiz de feiticeiro que busca a mágica de ser feliz cem por cento blues. Tive inimigos e eles me fizeram bem, pois por eles auditei minha vida como páginas de rostos, meu caminho, minha busca pela estrada que vai dar no sol, além do pote cheio de árco-íris. Fui traído e aprendi a amar direito, como uma asa precisa amar outra asa para ter alce de mira. Passei fome e valorei o pão nosso de cada dia, fiquei desempregado muito tempo e passei a adorar levantar cedo na fralda da aurora para ir conseguir o ouro de tolo em terra de muito ouro e pouco pão. Sou o ferido zangão que põe o dedo na ferida da consciência humana. Sou alguém que nasceu em dimensão-travessa-placenta errada. Sou o que a mãe não quis e foi pai da mãe. Sou o que o pai não quis e foi mãe do pai. Sou o irmão que não dá lucro, não é boa companhia, escreve errado por línguas estranhas. Sou o que sonha o leão e o cordeiro no mesmo pasto. Isso: sou um semeador de estrelas no reino da fantasia dos despossuídos... Se perguntarem meu nome de batismo, digam: Prelúdio. Se quiserem saber meu filho, digam o Ausente. É no silêncio quase ninhal que escrevo isso que me ocorre agora, de improviso, quase um crepúsculo íntimo, porque uma amiga virtual me perguntou sabiamente quem sou. QUEM SOU? Ser ou não ser? Eis a questão-toleima. Na verdade, confesso (perdoem!) não sei quem sou. Mal-e-mal simplesmente só sei o que não sou. Aliás, se eu soubesse o que sou, não seria poeta, seria de fritar bolinhos. Estaria rico, feito na vida, morando em Londres. O último a sair, pague a conta. Poetas e grávidas primeiro... Há um Deus? Do jazz nasce a luz? Habemos ícaros. (Silas Corrêa Leite)

O Céu, Um Paraíso de Livros?

02:33 @ 26/09/2009

 

Artigo/Opinião:

 

O Céu: Um Paraíso de Todos os Livros

 

 

“Mais eis que a palavra

Cantoflorvivência

Re-nascendo perpétua

Obriga o fluxo

 

Cavalga o fluxo num milagre

De vida...”

 

                        Orides Fontela

 

 

...O Céu deve ser na verdade uma biblioteca... e-n-o-r-m-e – onde repousam todos os personagens, anjos, heróis, narradores implícitos e explícitos, tipos de capa e espada (e de asa nos pés, antenas ligadíssimas e luz nos olhos), esperando não Godot, Ben-Hur, Lewis Carroll, que já estão assentados por lá, mas Um VISITADOR. Esperando serem visitados (na imaginação? no sonho?) pelos benditos Escritores de Livros! Deus, claro, é o supremo Maior Bibliotecário-Comandante-em-Chefe do Universo. E ali também edita suas (nossas) Vidas-Livros, que sonham finais felizes no palco iluminado da Nave Terra-mãe, sob chão de estrelas. Já pensou que demais, diria o Snoopy?

 

...O Céu, como uma literária e infinita barriga gestora, guarda, assim, todos os livros que foram escritos; os livraços que serão escritos; os imemoráveis e inimagináveis que ainda estão sendo escritos, entre sonhos, sofrências, blues etílicos, alumbramentos e lágrimas, entre pontos de interrogações, tópicos frasais, nexos causais e reticências em braile... Um e outro santo escriba abençoa uma orelha de livro, um arquivista maroteiro com olhos de lince tira os pós das mesmices entre a água e o açúcar do proseio celeste, e Mestre José Carpinteiro ilustra – na mente dos criadores – capas, prefácios, releituras e citações. Um anjo de asas de papel-arroz amanteigado (com reflexos da Via Láctea), com todas as letras de todos os alfabetos do mundo visível e invisível, no sensorial do escritor a cismar alhures, poetas, romancistas, Sentidores (para citar Clarice Lispector), delicadamente com voz de palha em sonata íntimo-espiritual “sopra” o bendito nome da obra-prima, com subtítulo, modus operandi e tudo. Já imaginou?

 

...O Céu de todas as Honras e Glórias inimagináveis, claro, tem um arquivo cósmico de todos os historiais. Do gênese supragalaxial, ao salmo cor de rubi, passando pelos mantras-banzos-blues-fados dos apocalipes de mil idéias com signos ficantes. Robinson Crusoé é agora uma abençoada janela-arquivo de lá, num cantinho com pintura xadrez que dá, nos horizontes e crepúsculos, para um ninhal escarlate de suntuosidades binárias, feito rancho de meteoros-metáforas esplendentes.

 

...O Céu também pode ser só um pouquinho aqui, amostra grátis no DNA metafísico de cada criador e criação. O Escritor que gera livros-árvores, livros-nuvens, livros-circos, livros e pertencimentos enlivrados. Como Hilda Hist, Olga Savary, Clarice Lispector, Proust, Tolstói, Neruda, Saramago, Brecht, Rilke, Cortázar. O escritor ins-pirado, ensimesmado, tocando por uma fagulha de amparo infinital, imagina, desmancha a seco, arrruma, cria, pesquisa e, eureka!. Surgem pedacinhos do céu como Cem Anos de Solidão, O Vermelho e o Negro, Incidentes em Antares, Grandes Sertões Veredas, Sentimentos do Mundo, O Nome da Rosa. A alma de cada um, recolhedor na curva do tempo, no imaginário ou da bateia de memórias, escrevendo uma vida-livro, um clássico. Só por Deus. Fico só sondando o devir, depoimento, rascunho, testemunho letral de um tempo, um povo, um local, uma mente brilhante atiçando implicações que cativarão olhares maviosos.

 

-No Céu não existe pecado e nem sanção de percurso-viagem-visita (todos serão perdoados?), nós todos, em capa dura ou com colagens de trilhas, temos a nossa vida inteirinha para escrever essa existencialização, tentarmos por uma bela vida e bela obra, com um final feliz. Bem-aventurado aquele que acerta na primeira edição sem cortes. Pois será Céu e na Terra um livro aberto de Deus, Livreiro-mor. No mais, vidas-livros são auferidas, recompostas, registradas, acrescentadas de aforismos, citações célebres, tragédias ou mesmo ilustrações maravilhosas. Que Paraíso de Livros é o Céu, cheios de zilhões de escrivaninhas, estantes, caixas de pandora com suas páginas atemporais...   

-No Céu, existir mesmo é conjugar o verbo Escre/Viver; existir é ler (oxigênio matrix), pois não existe Morte ao ler; no ler, por ler. Dormimos o sonho da viagem para dentro de nós, uma vida, um causo, uma croniqueta, uma historiazinha pro Menino Jesus dormir seu sonho de trombetas. Ler é uma busca para a nossa Cura.  Cada livro um historial, uma sentição, um rocambole geral a revelar-se em páginas de lágrimas e luzes se misturando, o vermelho e o negro, o azul e o amarelo, a loucura e a lucidez, sob o percurso de um altíssimo balão encantado segurando pontos de interrogações com baunilha num céu de chocolate...

...No Céu, pássaros-marcadores de livros, árvores-papéis de pão, borboletas-vaga-lumes-ideias, pirilampos de tons e nuances, rinocerontes de enlevos, rios de inspirações, nuvens e chuvas de vírgulas, relâmpagos de pensamentos-chaves, tudo o que depois serão versos, estrofes, parágrafos, apresentações, músicas pra alma procurando calma pra se coçar... Cada um lê-se a si mesmo, acrescenta o que se lhe vem a cabeça (consultem sempre o coração), invade pontuações, pondo pingos nos is ou, de relance, quem o sabe um dia, com tantas placas mães e placas de captura, no futural, colocando até pingos em dáblios... Nada é impossível ao que lê.

-Ah “Terra do Era Uma Vez”, o Céu pode ser dentro de cada um de nós aqui. Shangri-lá, Jerusalém, Pasárgada, Santa Itararé das Letras, São Petesburgo, São Paulo, Curitiba, Brasília. A cidade-livro. O herói sempre vence no final, pois a esperança é a inteligência da vida. Vivendo e aprendendo a escrever-se. Lendo e se refazendo, cortando exageros, pois o espírito não tem peça de reposição e nem inventaram bisturi ou silicone para a alma. A re-existencialização-pagina-aberta de cada um ser ou não Ser; cada clã, núcleo de abandono, ilha, adubo, enciclopédia, dicionário, clássico, coleção, gibi, quadrinho, palavra cruzada, cartun, jornais, revistas, livros... almanaques...

...Corra e olhe o céu, diz a balada de Cartola. Traga um céu para si e em si, em todos os recomeços vibracionais. Um Livro, pedaço de seu rio interior. Faça de sua vida-livro um belo romance com realizações e incompletudes que sejam. Sempre fica uma dúvida no ar mesmo, com o que queremos dizer ou soa no diferencial do implícito. Você sempre volta ao local de seu livro de existir. Você é o seu próprio capital de peso. Você é em si mesmo a própria impressão digital, a melhor e a pior prova testemunhal presencial contra e a favor do que você se escrever existindo. Já pensou que risco?. Capriche na narrativa-documento. O leitor-vida-livro sempre vence no final. Na casa do pai já muitas coleções. Escolha o seu cantinho, o seu estilo, a sua ilha-edição. Uma visão ético-plural comunitária ajuda muito nessas horas. Sarar o mundo. Sentir a dor do outro. Corações e mentes enlivrados, já pensou? A sua cara e a sua coragem colorida. Vidas capítulos. Acertos de contas na hora de passar-se a limpo. Refinamentos.  Perdendo lastros. Ser feliz é a melhor resposta, a melhor vingança, a melhor solução. EscreViver, evoluir, correr atrás dos sonhos com as mãos limpas e uma lupa magna procurando erros atrás das ilusões perdidas, como se tudo fosse só uma ilha da fantasia em que você de si mesmo e para todos que o rodeiam escreve o roteiro... Silêncio, gravando!

...Seja feliz enquanto escreve nas luzes da ribalta. Seja você seu próprio acervo. Eu fui muito feliz. Eu tinha um pai que contava historias de Itararé e do mundo pra mim. Quer maior riqueza do que isso? Vivendo e aprendendo a viver. Lendo e aprendendo a ser. Cada um de si próprio o capítulo que precede o clímax. Será o impossível? Muitos são chamados e poucos escrevem certos por linhas tortas. Há um céu. Na dúvida, largue tudo e vá ler um livro. Está estressado? Leia um livro de poemas. Está azedo? Leia um romance com capricho e conteúdo denso. Fique encucado, pense e reflita. Pode ser que ainda esteja em tempo, e você desperte a chance de pegar a chave da imaginação e então poder registrar-se numa ala da Biblioteca do Céu, estar como um verbete na enciclopédia artística de Deus, o seu nome-vida-livro nos pilares sagraciais de todas as sagas. O seu nome arrolado lá, no historial perene do livro da vida, pois o que você se escreve na terra, Deus escreve no Céu. No Céu de todas as vivências-históricas, O Paraíso dos LIVROS!.

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Silas Correa Leite, Santa Itararé das Artes, São Paulo, Brasil

Primavera de Livros, 2009 – E-mail: poesilas@terra.com.br

Autor de Porta-Lapsos, Poemas, e Campo de Trigo Com Corvos, Contos, a venda no site www.livrariacultura.com.br

Prêmio Lygia Fagundes Telles Para Professor Escritor

 

 

 

 

 

Vou-me Embora para o Passado

 

Para o Amigo Basilio Verga

 

Vou-me embora para o passado

Lá está a minha Itararé alada, inteirinha

(Éramos felizes e ninguém estava morto)

Os vizinhos, os irmãos, a Vila São Vicente

E na pobreza sopa de fubá com couve rasgada

 

Vou-me embora para o passado

Toda a Rua 24 de Outubro cor-de-rosa

Minh´alma descalça “cerrindo”

Bola de capotão, calipiá, forfé

Eu era uma andorinha sem breque de Itararé

 

Vou-me embora para o passado

Bolo de piruá – o pessegueiro florido

Eu lia gibis do Capitão Márvel

Sonhava ser herói, poeta, e estou aqui

Saudade de Itararé em floração de lágrimas

 

Vou-me embora para o passado

Jeronça, Nelson, Tadeu, Ademar, Basilio

A mãe no fogão vermelho fazendo cequilhos

A aldeia natal tinha frondosos pinheirais

Belas sabiás de peito amarelo no lar and jazz

 

Vou-me embora para o passado

Banda Furiosa, Grupo Escolar Tomé Teixeira

O guri ranhento que vendia jornal O Guarani

Baile com o Nenê Som Seis no Clube Fronteira

Eu era um piá inocente e com amarelão ali

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Agora no futuro com a minha sozinhez

Quero minha Itararé antiga de novo – Chorei!

Em algum lugar do passado eu me fiquei

Tristices na alma – saudade rósea tez:

Quero de novo históriais do Tempo do “Era Uma vez”!

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Silas Correa Leite, Santa Itararé das Letras, Cidade Poema

E-mail: poesilas@terra;com.br

www.portas-lapsos.zip.net

 

 

Escritor Premiado é Entrevistado no Programa “Imprensa Em Debate”

 

 

Alguns dias após ser entrevistado pelo Antonio Abujamra, no Programa Provocações, da TV Cultura de São Paulo, cuja edição irá ao ar no próximo dia 11 de setembro às 22 horas, o escritor premiado em verso e prosa, Silas Correa Leite, jornalista comunitário, teórico da educação e conselheiro em Direitos Humanos (com especialização em Literatura e Arte na Comunicação pela USP), tachado pelo site Capitu de “O Neomaldito da Web” – publicado atualmente em quase 500 sites - foi agora entrevistado dia 28 de agosto passado, pelo Programa Imprensa em Debate, Canal Universitário de São Paulo. A gravação ocorreu nos estúdios do Curso de Jornalismo da Universidade São Judas Tadeu, na Mooca, zona leste de capital paulista, cuja temática foi Jornalismo Cultural. O programa do escritor de Itararé-SP ainda não tem data para ir ao ar. Silas, que já tinha sido entrevistado pela Márcia Peltier, no Jornal da Noite, Rede Bandeirantes de Televisão, pelo Metrópolis da TV Cultura de São Paulo, e pelo Programa Na Berlinda, Rede 21, tv a cabo, mais uma vez é chamado para opinar, falar de seu trabalho lítero-cultural, que ganha rumo, vulto e nome na chamada literatura brasileira contemporânea, principalmente depois do sucesso de seu livro de Contos CAMPO DE TRIGO COM CORVOS, finalista do Prêmio Telecom, Portugal, e do e-book de sucesso, O RINOCERONTE DE CLARICE, que recentemente foi tese de doutorado pela UFAL, primeiro livro interativo da rede mundial de computadores.

 

(Da Redação)

Delmiro T. Latz - boalmanews

Delmirot@bol.com.br

Sonhos de Uma Criança em Itararé


Eu era o menino
Que sonhava incendiar barcos de papel de pão
Assumir a bússola, o sextante, o timão
E com a nave louca desgovernada
Ganhar o corrimão da enxurrada...

Eu era o guri
Que olhando o céu de Itararé tão infinito
Ainda assim fazia pito-carito
Pois eu tinha um sonho altaneiro, bonito
De ser poeta, vencer, ter floração
Muito além daquela constelação

Eu era um piá
Em Itararé – a beira do Paraná
Que tinha loucas ilusões, fantasias...
Em deixar a terra-mãe onde canta a sabiá
E todas as minhas conquistas e vitórias teria
Vivendo de cervejas, de serestas e de poesia...

Mas veio a baldeação da florada da vida
O curumim sentindo fome e a alma dividida
Garrou o mundo em busca de diploma, arco-íris, anel
Mas sofrido descobriu-se um dia de luta descabida
Que ainda é só aquele pobre menino do barco de papel
E o incêndio é a saudade de uma distante Itararé querida!


Silas Correa Leite – E-mail: poesilas@terra.com.br
Blogue: www.porta-lapsos.zip.net

 

Pé de Anjo Basílio

 

Ser Corinthiano é um estado de espírito

 

Juca Kfouri

 

 

 

Não era para qualquer um ser o escolhido

Vinte três anos sem títulos e a cruz no jogo final

A raça de Vladimir... o sangue de Zé Maria

Mas havia um pé de anjo chamado Basílio

 

Vinte e três anos em sete segundos; o gol

Um chute na bola que virou grito da nação fiel

Vaguinho, Sócrates, Rivelino, quem era...

Senão o Basílio de alma que se alçou em vôo?

 

Campeão Paulista de 1977, o glorioso Corinthians

Viu o anjo Basilio acertar aquele chute-gol

E o estádio todo num congraçamento em brilho

Porque o time finalmente se tornara campeão

 

E ainda hoje o historial do lance, do gol; o amor

Do pé de anjo Basílio assinalando a sua luz

 

Num lampejo o chute. E o fim de um jejum

 

Depois de vinte e três anos virou título e glória

 

-0-

 

Silas Correa Leite, Santa Itararé das Artes, São Paulo

E-mail: poesilas@terra.com.br - Site www.itarare.com.br/silas.htm

Blogue premiado do UOL: www.portas-lapsos.zip.net

Autor de “O HOMEM QUE VIROU CERVEJA”

Crônicas Hilárias de Um Poeta Boêmio

Giz Editorial, SP, Prêmio Valdeck Almeida de Jesus

Salvador, Bahia, 2009

 

 

Conto:

GARRAFAS

 

"O senhor mire, veja: o mais importante e

bonito do mundo é isto: que as pessoas não

estão sempre iguais, ainda não foram

terminadas... ”

                       (Guimarães Rosa)

 

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-Sabe porque mandei chamá-lo, Seu Cirineu!

-Sei não doutor, sei não Seu Delegado...

-O sr sabe o que é isso?

-Depende, doutor. Depende muito...

-O sr não me enrole, está vendo, Seu Cirineu? Não me maroteie.

-É só uma ideaiazinha minha, doutor.

-O sr todo santo dia, sem tirar nem pôr, sem parar, faz uma mensagem de pedido de socorro curta e grossa, envia numa garrafa de cerveja que entorna de vereda feito um viciado de miolo mole, e atira numa vazão do Rio Itararé?

-Pois é, Seu Dr. Não pensei que um bendito dia iriam descobrir esse meu segredinho de mala e cuia, esse meu defeito de fabricação por assim dizer, esse meu probleminha...

-O sr bate bem da cachola, Seu Cirineu?

-Foi só uma mera tentativa, Seu Dr, não quis importunar ninguém...nem fazer feio, sequer quis chatear o sr...

-Sabe quantas garrafas dessas, com seus inusitados pedidos, foram recolhidos nesses mais de 365 dias, Seu Cirineu?

-Sei não, dr, sei não...

-Parece que já pegaram outras, aos montes, semeadas aqui e ali... Aliás, falando sério, diga-me lá, o sr nunca teve um retorno qualquer, desses seus pedidos, de alguma maneira, por algum motivo ou situação de resposta incrível?

-É a primeira vez que me acham... quero dizer, que sou inoportuno,  e ainda acabo assim sendo um baita empecilho para o sr, não é Dr. Feijão?

-Bem, é o seguinte, Seu Cirineu: nada pessoal, sabe, mas o sr precisa fazer um, ponhamos, tratamento. Compreende? O sr deveria procurar o Dr Jonas de Alencar na Santa Casa. Sabe, talvez de morar ali pertico da Gruta da Barreira, do Parque Ecológico das Andorinhas Bentas, o sr esteja influenciado, talvez sofra alguma radiação, sabei-me lá... Além do sr deixar de poluir o Rio Itararé com uma bendita garrafa todo santo dia, ainda iria melhorar muito do juízo, ter companhia, tomar uns remédios, viver melhor. O sr me entende; entende o que eu estou tentando dizer?

-O sr por acauso leu a mensagem que vai sempre dentro da garrafa, Dr Feijão?

-Sempre a mesma...sempre a mesma...disseram...

-Quem disseram, dr?

-Não importa, sei que é sempre a mesma mensagem de pedido de socorro que o sr enfia dentro da garrafa vazia de cerveja...

-Então o sr por certo, leu direitinho...

-Digamos que li sim, Seu Cirineu. Li sim.

-E então, dr, falando francamente, o que o sr acha? Eu estou pirando? O meu grito de agonia tem cabimento, faz sentido, há alguma saída pro meu causo?

-Sabe, seu Cirineu, cá entre nós, que ninguém nos ouça, falando do fundo do meu coração, se eu pudesse, se eu não fosse normal, comum, se eu não fosse autoridade constituída por lei, eu, sinceramente, faria a mesma coisa, a mesma mensagem, até num rio maior, quem sabe...

-Então o sr não vai me prender, abrir inquérito, coisa de-assim?

-Não vou não, Seu Cirineu. Chamei o sr aqui mais por obrigação, desencargo formal de consciência, sabe, foi o pessoal da seccional do IBAM que trouxe o problema...

-Devem de achar que eu sou um purgante, cabeça de vento, da pá virada, miolo mole...

-Não sr, até respeitaram a sua mensagem, o seu objetivo. Acho que me trouxeram uma das garrafas mais por obrigação de oficio, só isso.

-O sr vai fazer o que, então, Dr Feijão?

-Nada, só um termo de circunstancia, carimbo, papel oficial, assinar e mandar pro arquivo morto...

-E depois vai me liberar sem qualquer sanção?

-Claro, Seu Cirineu. O sr está livre. Sabe, este mundo do jeito que vai, precisa de mais gente sensível como o sr. Foi um prazer enorme conhecê-lo,  uma grande honra pra mim, sabe. Fiquei até comovido. Aprendi muito com o seu gesto, a sua alma de pássaro, a sua sensibilidade fora do comum. Falando francamente, sinceramente espero que um dia alguém certo acabe achando a sua mensagem, alguém desse ou de outro mundo,  sabe, o recebedor certo, a dimensão certa... e então o sr seja atendido, resgatado...liberto...

-Então vou indo, Seu Delegado. Tenho que passar no Armazém do Antonio Pelissari ainda, comprar a bóia do mês.

-Vá com Deus, Seu Cirineu. O sr se cuide direitinho, hein?

-Obrigado dr. Prometo que quando tomar a próxima cerveja preta de novo, ao escrever a mesma mensagem de sempre, vou pensar muito no sr. Com esperança de que nalgum lugar eu seja finalmente identificado, e venham me levar de volta pra minha casa que é do outro lado...que venham me levar para o meu verdadeiro lar... pois minha alma não é desse mundo, e deve certamente que haver uma Itararé Celeste...

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Silas Correa Leite – Santa Itararé das Letras (República Etílico-Rural de Itararé)

E-mail: poesilas@terra.com.br – blogue: www.portas-lapsos.zip.net - Autor de O HOMEM QUE VIROU CERVEJA, Crônicas Hilárias de Um Poeta Boêmio, Giz Editorial, SP, no prelo, Prêmio Valdeck Almeida de Jesus, Salvador, Bahia.

 

 

 

Foto de Mauro Vieira, Rua XV de Novembro, Itararé-SP

 

 

 


 

 

Causo de Itararé (Inédito)

 

O Último Causo do Zé Beleza, o Maior Contador de Palha de Santa Itararé das Letras

 

Quem conta um causo ou um conto

Aumenta um tanto feito um tonto...

 

Romero, filho da Dona Santa coberta de ouro e prata

(In Memóriam)

 

- ...é bem perigoso sim sor... o Getúlio Vargas viria alarmado feito uma paca obesa montado num alazão azul-biscate, o Hitler vestindo farda amarelo-ovo-choco, mais falador do que o Tó do Zuza em velório (querendo aparecer mais do que o morto), o Nero, todo maricóm pitando alguma coisa com um Cusarruim de uma perna só e ainda vermelhona; com os olhos esfumaçados e com um baita cheiro-de-fedô de quem queimou o cabo do facão, todos querendo invadir Itararé, bombardear nossa cidade, já pensou, hein, Zé Maria dos Causos? Sartei de banda. Onde já se viu isso. Tem cabimento...tem cabimento...

 

-A marota piazada peidorreira e com amarelão, com faniquitos, rueira, já tava toda prontinha da silva, cetras prontas, estilingues reforçados, com os bolsos cheios de mamonas assassinas, mandorovás elétricos de goiabeiras com bichos, e mesmo bolinhas de gude das pintadas com olho de anjo, só esperando os três tranqueiras chegarem com o tropé das tropas revolucionárias para começarem além das marotices, a fuzarca do tiroteio por atacado. Vão ouvindo, vão ouvindo... Bota outra pinga fiado aí, Tunico Bitencourt, não rateie, vá...

 

-Fui falar com o cumpadre Wiederin que arrumou uma maquininha de quebrar e lançar pedra de britadeira; falei com o Willes Gorsky que me emprestou o primeiro avião que ele tinha inventado no mundo (o do Santos Dumont que não era santo nem nada, era malemal uma cópia maleixa com craca, pois errou 13 vezes e ainda teve 14 bis).  Fui depressinha sondar o cumpadre João Feijão que, fanático por Itararé, claro, me emprestou machados, guilhotinas, cadeiras elétricas, arapucas, armadilhas, facas, bicicletas, arpões, espadas, ratoeiras, lampiões Aladim, guaritas, bombas de “defeito” moral, bazucas, granadas de urtigas, metralhadoras giratórias de bolso, garruchas e até alguns cantis de alumínio. Sim, cantil, claro, né, Fernando Milcores, onde é que a gente ia caprichar de esconder a pinga do Fritz?. Nos cartuchos de “pólva”  que não era... sabei-me lá... entojado...

 

-Eu tava com o encardido “figo” meio maleixo mesmo, urinando azul-salubre, mas pedi pro Maestro Ataliba do Acordeão, vir tocar Saudades do Matão, do Paschoal Melilo (que vendou a música depois prum cara estranja de fora por altos tostões e comprou casa em Paris com a bufunfa), assim, enquanto isso o sargento Fuinha do Tiro de Guerra e seus mais de um milhão de recos mandavam bala nos invasores feição do dianho, nós, entre umas mazurcas e umas polcas, metíamos coisarada com estrumes de tordilhos nos três tranqueiras e suas tropas e canhões. O Getulio, o Hitler e o Nero iriam ver o circo pegar fogo no fiofó deles... enquanto eu muito sabido e “estratégio” pedi prum piazote manquitola bem tranqueira e cara de bosta seca, que fosse escondido (disfarçado de vendedor de dolé de groselha preta) até Sengés, com um prego enorme furtado da casa do Velho Zarpelão, e lá furasse os pneus dos trens da Caravana do Getulio que vinha mesmo era cheia de biscates fronteiriças dos pagos do sul,  daquelas pedaçudas pintas brabas mesmo, ele ia é montar num porco, o caipora lazarento chupador de  charutos paraguaios. Tão me ouvindo?

 

O Prefeito pediu pra ligarem pra Nasa, que tinha um parente do Angelo Ghizzi lá, e iria fornecer alguma bomba “tônica” pra gente sumir com os gaúchos bombachudos, e assim Itararé ficou emperiquitada até porque ia ter baile no Fronteira, baile na zona da Vila Osório, e a gente ainda tinha a peleja com os filhotes de cruz credo, o Vargas, o Nero e o Hitler. “Liás”, a bem da verdade, o Vargas era buchudo e de bombacha parecia um barril de petróleo “verde-olivia”. O Hitler, todo janota e frajola, com aquele andar-de-segura-peido e sempre com a mão espalmada pro alto (devia ter “furunco” no sovaco vencido), mas pior mesmo era o Nero, um “donzelo”, com a cara de polaco lazarento, com um isqueiro na mão direita bem mole e cheia de pó de arroz, e ainda rebolando mais do que o Zé Muié com calcanhar de frigideira...

 

Pois Itararé inteirinha, com quase dois milhões e meio de gente de fio a pavio, bem contado, prontinha pro forfé que iria ser um embate daqueles, de causar furor, ganhar estampa no mundo sem porteira inteiro, mesmo que muita gente de ambos os dois lados fosse pro saco. Ia ser uma barbaridade, mas eu já tava pronto, com meu canivete suíço cabritado e traiçoeiro, com minha espingarda de socar chumbinhos pela boca, um penico vermelho-bereba e, sabendo que iria dar no couro, botar os intrusos pra correr, que fossem peidar nágua os jaguaras, Itararé não iria aceitar aquela revolução dos quintos, assim sem mais nem menos.

 

Tava assim tudo arranjado pra gente ganhar a batalha de Itararé, aí apareceu uma festa que era meio que uma "oliúde" de califórnia de carteado em Itapeva, no Clube Operário, um concorrido bailão com os Marionetes em Ribeirão Vermelho do Sul, um supimpa jogo entre a Associação e um time de oitava divisão de Itaberá, um exótico circo gringo em Itaporanga, um rodeio de boi guzerá em Fartura, e, depois, era época de colheita de marolos em Apiaí e a tranqueirada dos bóias-frias precisava faturar porque estavam latindo no quintal pra economizar cachorro. Ainda tinha mais, aguentem só: a Sarita Montiel, a Raquel Velch e a Sandra Bréa iam fazer um nu artístico por atacado numa boate em Itapetininga. Já pensou que desboque? Fomos na Fiúza. Piorou: o Tiro de Guerra foi chamado prum desfile emperiquitado com a fanfarra do Instituto Epaminondas Lobo em Avaré, quando já se viu, Itararé estava mais vazia do que a cabeça do tongo do Laércio Amado que naqueles tempos da água beber onça era um caipira polaco brucutu domador de éguas xucras e molenga de raciocínio que só vendo, um saranga feição de mandioca vassourinha descascada.

 

Daí a coisa deu diferente do que eu bolei, né, não? Tudo deu errado, eu, maleixo, mal cismei o guaiú todo. Só por Deus. Os homens foram chegando sem bondiar, caras de tacho, uns daqui, outros dali, a cavalo, a pé, em tanques, outros em canhões com rodinhas, em carroças cobertas com lona e cheia de charque, em “helicóperos” com lança-chamas, se assomaram, todos se arvorando, e sem mais nem menos foram se aprumando entre nós, sentando, deitando falatório, dormindo em vagões da estação rodoviária, ares de importantes os tranqueiras, depois saqueando o armazém dos Pelissaris, empastelando o Jornal O Itararé, tomando tubaina do Vilela no Bar do Calixtrato, comendo encapotado de frango no bar do Dico, tirando uma e outra donzela pra dançar uma Valsa Vienense que o Aneor tinha inventado no acordeão desafinado e roufenho, quando se viu, fomos levados no bico, que peleja que nada, Itararé tava toda tomada, tinha ido de bubuia, Getúlio arrotando pose, todo trancham, o pai do Gustavo Janson todo pimpão fotografando tudo pra mandar pra Revista Manchete e pra BBC em Londres, e assim, caiporas, a batalha de Itararé deu em nada, os gaúchos passaram, o Vargas todo topetudo, o Hitler todo arreganhado falando em língua do dianho ranhento, o Nero cheio de frisson de conversa fiada com o Zé Muié, e assim, caras pálidas, entramos pra história com causos contados de maneira errada; mentiram pra todo mundo, não ganhamos e nem perdemos, zero a zero foi goleada, houve um empate técnico; que Batalha de Itararé que nada, foi tudo uma xingação com cerveja porter, truco no muque, e, flatulências sonoras de lado a lado, no fim, ninguém perdeu ou ganhou, Itararé ficou frustrada que não teve uma baita briga daquelas mesmo que a gente ia mesmo dar uma sova nos invasores.

 

Que “largura rinso” a sorte do Vargas, ou ele iria encher a bombacha. Que esperasse pra ver. Vocês não acreditam? Depois, devem ter misturado a tal da Batalha de Itararé com alguma Batalha de Itariri, Itororó, Riachuelo, Pernambucanas, Casas Bahia, Monte Castelo, Walterlu, Iraquenistão, Correa do Norte, essas coisas de mentirosos e inventadores do inexistente... Perguntem pro Nequinha, pro Chico Preto, ou pro Mário Padial Chaves, ou ainda pro Véio Biscoiteiro, pro Miro Vaca ou pro Foguetão da Banda, que eles contam com detalhes ainda mais confirmatórios do que eu disse. Vocês queriam o quê, seus estrupícios, que Itararé fosse varrida do mapa, que nós deixássemos os gaúchos encherem o bucho, encherem o picuá e depois fossem deitar falatório noutra freguesia perto do Rio de Janeiro? Eu, hein, Vica? O meu amigo filósofo João da Égua já dizia: “Quem pode, pode, quem não pode desocupa a moite”. Aliás, a bem da verdade, dizem que o GetúlioVargas com a consciência pesada com a fama ruim que como maldição teria causado com a tal batalha de Itararé que não houve, depois se matou, cheio de remorso, o tranqueira espeloteado. Eu conto o que vi. E quem quiser que conte outra. Cada quá com seu picuá... E, quer saber? Já me encheu o pacová.

 

Acho que alguma coisa não me caiu bem, me desarranjou o intestino grosso, fino e “delegado”. A pamonha azeda que comi? As pingas que tomei? Tô com uns fuzilos labiriscando na tripas. Uma azeitona de pastel de feira?... acho que tô com algum desarranjo daqueles na “flora e fauna” intestinal...  E agora, com licencinha, que tô com o estômago carecido e vou ali na casinha do bar do Orozimbo Ruivo “passar um telegrama”.

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Silas Correa Leite – República Etílico-Rural de Itararé, Santa Itararé das Letras-SP,Brasil

Causo da Série “Sempre Haverá Itararé” –  Livro de memórias inventadas do autor

E-mail: poesilas@terra.com.br  - Blog premiado do UOL; www.portas-lapsos.zip.net

Autor de O HOMEM QUE VIROU CERVEJA, Crônicas Hilárias de Um Poeta Boêmio, Prêmio Valdeck Almeida de Jesus, Salvador, Bahia, no prelo, Giz Editorial-SP.

Poeta Prof. Silas Correa Leite, em sua Residência

Fotografado pela Sobrinha Nathália Halkcsik Leite da Silva

 

 

Dia Letivo de Leitura Generalizada na Escola

 

 

 

Para os Amigos Educadores da Rede Pública de Ensino

 

 

 

 

Ler muito para ter idéias polidas

Ler para dar sentido às palavras da tribo humana

Potencializar a vida lendo muito e assim acabar sendo muito

Leitura é música pro espírito

Ler é instaurar uma nova realidade na pessoalidade

 

 

 

 

Projeto de Leitura Organizada na Escola

 

 

A escola toda vai parar pra LER! – Sim, com planejamento idealizado pela coordenadoria pedagógica, direção e corpo docente, além das naturais trocas de experiências pessoais direcionadas para esse contexto letral, e, o bicho vai pegar; quero dizer: seremos todos pegos pela Leitura, pelas palavras. Já pensou?Todo mundo na unidade escolar vai parar e ler. Do porteiro a Diretora. Que beleza de paralisação para adquirir conhecimento e cultura a partir da literatura. Alunos e professores, principalmente, vão ler por excelência e com enorme prazer de. Cada um lendo – e pensando o “LER” - como exercício laborioso de evolução em todos os sentidos.  Ler e refletir sobre. Ler gostosamente mesmo. Na bucha. Cada pessoa vai ler e ainda vai ter que indicar aos quatro ventos que belo livro está lendo. De preferência romance, clássico, obra-prima. E vai ser tudo devidamente registrado desde o ler, o projeto e o andamento em si, a estrutura funcional dessa idéia encampada por todos, as resultantes até e os finais felizes, claro, avaliando o projeto em curso corrente. Ler pra valer. Vai ter uma incentivada prática pedagógica para esse fito, numa inicial didática de cooptação, encantamento – vivificação da leitura - horizontes provocados para o dia todo especial do Verbo LER. Todos serão contemplados nesse encorajamento generalizado. Ninguém poderá relutar, alegar ignorância nesse propósito. Todos serão rigorosamente cobrados a ler e também a depor documentalmente sobre a leitura proposta. Falando a respeito do livro, do autor, do enredo, personagens, linha da história, isso antes, durante e no fim da empreita. Vai haver uma troca dessa magnífica “encantação” feito contações:

 

-O que você está lendo?

-Por quê?

-Vamos trocar depois?

-Depois que você ler você me empresta?

-Tem uma fila enorme de interessados na sua frente, Mano.

-Vamos ler o quê?

-Gostou? Gostou?

 

Documentando a Leitura Enquanto Projeto-Idéia

 

A escola iluminada e vestindo a camisa dessa idéia, pegando gosto, açodando comunicabilidades no entorno para fazer a coisa (idéia-projeto) funcionar pra valer, pegar andamento fácil. A leitura abrangida por pais e filhos e mestres. NINGUÉM vai ficar fora porque ninguém pode ficar fora. Leitura é isso. O aluno vai ser sondado, supervisionado, incentivado, induzido, facilitado para Ler. Vai ser literalmente desafiado, provocado, cobrado – examinado depois. Vai ser desperto na sua curiosidade e expectativa. Vale a pena. O aluno vai ler e poder levar o livro. Depois ainda vai poder contar palha da sua “leção”. Fazer uma auto-avaliação competidora mas, sempre salutar. Fazer um trabalho, como um rap, um rock, uma balada, uma história em quadrinhos, uma grafitagem, uma foto-mostragem, tudo a partir do Dia de Leitura na Escola. Contar o que viu do que leu, o que gostou do que leu, o que pensou do que gostou, o que tirou disso tudo. Já pensou? Depoimentos registrados em livros, fotos, gravações e outras mídias e infovias, até mesmo um site como fórum pode ser criado. Vai ter que dizer o que tirou desse precioso tempo que ganhou lendo muito e bem um bom livro.

 

-Cara, que livraço.

-O meu tá meio devagar, quer trocar?

-O meu livro eu não empresto, não cedo, não deixo ninguém botar a mão ou o olho. Acabando de ler vou reler.

-Mano, tem cada coisa louca na história.

-Estou assustado. Como é que eu não li esse livro antes, tá ligado?

-Ler é o maior barato.

 

Ler Para Ser...Ler Para Ver...Ler Para...

 

Dia de Leitura na Escola. Fazer o aluno prever o ler, sacar os lances, pensar como o autor, pensando o ler, criticando o ler, avaliando o ler. Criar coragem pra ir fundo. Gostar de ler é quase uma sabedoria, uma descoberta, uma viagem. Então é preciso pensar atividades nesse LER: fazer o aluno bolar o seu pessoal e intransferível “marcador de livro”, para nele também anotar em que página parou – para continuar a leitura depois ou mesmo, claro, fazer uma revisão em eventual dúvida de acompanhamento da leitura – anotando também as frases legais, o nome da personagem principal, o cara bom; se há um tipo ruim quais as características dele, o parágrafo marcante, poético, a idéia central e vai por aí o encorpamento pari-passu da leitura. Com final feliz e tudo mais, não necessariamente nessa ordem. Ler e pensando. Então, vamos começar? O inspetor de alunos, a tia da lanchonete, a Coordenadora, a merendeira, o pessoal da secretaria,

 

STOP!

 

Parada pra LEITURA. Como uma agitação lítero-cultural. Um “aleluia” de letras e afins, uma generalização de ler por atacado. Todos vão ter que parar as atividades e simplesmente ficar em silêncio, LENDO.

 

Leitura no Capricho

 

Numa caixa, propositalmente muito bem decorada (para chamar atenção mesmo), caprichadinha para atrair leitores em potencial, em sala de aula, vários títulos de quilate, pré-selecionados por quem é do ramo e adora ensinar, adora trabalhar com texto, adora historiar o conteúdo programático. Isso se o próprio leitor de per-si não escolheu especificamente e de próprio deleite a sua própria obra para literalmente encaixar no dia corporativo de ler. E na caixa os clássicos, os livros sobre mitos, lendas, fábulas, histórias ou causos, poemas, contos, mas, principalmente e acima de tudo romances importantes, novelas acima da média, maravilhosas. Tudo no estilo “ler para aprender a gostar de ler”, para o prazer de ler, um pé na poesia e outro na prosa. Vamos nessa?

 

Leitura individual? O projeto didático-pedagógico nesse processo de ensino-aprendizagem leitural, Como começar? Essa é a idéia-semente. O professor lê um trecho daqui e dali, pega leve, vai e volta, incentiva e cobra, fundamenta uma ótica. Todo dia dá uma dica, valora, promove, congraça, elogia, instrumentaliza o programa geral de ler com qualidade. Ler intensamente. Ler textos com densidade qualitativa. Faz uma pré-aula a respeito, só pra isso. Especial.  Motivação e conteúdo específico.  Obras  e nomes. E aquele mais vendido? E o Prêmio Nobel? E o maior escritor brasileiro, qual é? Será? Faz preparações para facilitar a prática. Horizontes e contentamentos, belezas e resultados, técnicas e satisfações. Sem forçar, mas, cobrando. Direitos e deveres. A sabedoria vem a partir do verbo ler ou isso é só uma teoria? Vamos testar? O que dizem os especialistas do ramo. O interesse, o conhecimento, as habilidades; espaço e tempo alimentados de coragem letral. Tudo a LER?

 

A vida-livro. Páginas de rosto. Páginas abertas de vivências. O livro como suporte motivacional no aprendizado salutar constante. Edificador. Todas as matérias incentivando, cobrando, valendo-se de livros para trabalhar a próxima prova.

 

PARAR PRA LER

 

Botando a Mão na Massa

 

Carta de uma personagem do livro convidando o aluno para sabê-lo inteiro, pleno e edificante. Um herói, de preferência. Todos têm uma história para contar? Carta falando do projeto e convidando os pais a entrarem na dança. Carta do alunaço ao professor comentando uma passagem do livro. Que gostou ou que não entendeu. Trazer o romance para a sala de aula, jogar no ventilador das idéias para serem discutidas. Amou e foi amado? Deveria ter ficado na ilha? Jurou defender a honra? Cem Anos de Solidão? Cravo e Canela? Debates, seminários, a importância do projeto, da leitura, do livro, do escritor; a aquisição de conhecimentos e habilidades que advém da gostosa pratica da leitura como rotina. Fazer algum trabalho (arte, educação artística) que tenha a ver com o livro que adorou ler. Desenhos e imagens.

 

                                      É tempo de Ler...

 

Uma vez por semana? Vamos colocar em votação, democraticamente. Todo santo dia em cada conteúdo-matéria com diretrizes, técnicas variadas, no correr do ano letivo? Trabalhos e textos – e aulas  (a partir de). Trocar releituras. Provocar curiosidades. Leitura com qualidade, nesse espaço de troca que é sala de aula.

 

-Gostou do que você leu?

-Peguei gosto. Então era isso?

-Pô Mano, o herói morre no final...

 

O Que é LER?

 

Ler não é só isso. Ler não é só ler, é avanço, emoção, construção, técnica de refinamento íntimo, sensibilidade, aprimoramento interior, mental, prismas revisitados, ampliação de visão, colocar a alma para viajar. Tornar a LEITURA um caminho, uma mudança, uma sustentação vernacular, um desejo de crescer, evoluir, pensar melhor, mudar, votar, sacar as coisas. Quem lê mais vale muito mais? O livro aberto na escola, vai ser aberto em casa, no clube, na beira da piscina, no Metro, na praia. O livro vai abrir corações e mentes. A alma cidadã aberta para a leitura do livro espacial, modifica cursos, rumos, alvos e  situações. Já pensou?

 

O Dia Solene da Leitura

 

O Dia de Ler é o dia letivo mais importante da escola. Dia solene. Respeito com o livro, o projeto, a turma que comprou o desafio. Tudo muito bem estruturado e valorado na própria funcionabilidade objetiva de ler. Tornar esse dia importante, fora de série. Pedir um pôster-poema sobre uma acontecência. Sentir com o aluno a data magna da leitura. Esse aluno lê muito, esse aluno vai longe. Saber colocar muito bem o enfoque do Dia da Leitura que começa em sala de aula, na escola, pode e deve incendiar em casa uma sustentação afetiva nesse sentido, passar para a biblioteca, um site de literatura, contos, romances, críticas literárias, depois o primeiro poema, a primeira letra de rock, a primeira carta de amor, o hábito fazendo o ledor voraz.

 

Todos por um. Cada professor ao seu jeito, estilo e método, tem que comprar essa causa, desfraldar essa bandeira. O mestre vendendo o peixe, ler junto e gostando – e dizendo do prazer de estar lendo ou relendo o livraço que adora – fazer sua parte & adorando fazer parte da equipe que bancou esse projeto. Ler alto. Ler com entoação, dando ritmo e claridade ao espírito narrativo. Pontuar bem, criar expectativa, mostrar a que veio. Colocar gás na aula de leitura. Promover o dia de leitura na escola. Fé no livro. Fé na cultura literária. Todos saem ganhando. Fazer acontecer. Dia letivo especial, de leitura de qualidade pra todo mundo.

 

O dia mais importante na escola vai ser quando todo mundo entrar e sair com um livro na mão, naturalmente. Sonhar pode? Leitura caprichada. Leitura incentivada. Leitura feliz e afetuosa, desafiadora que seja. Leitura livre e motivadora se for possível. Leitura com uma prática central, mas também um eixo reflexivo, norteador, no próprio letramento – e apreendências – do ensino como um todo. O que é ler? O que é um bom livro? Vá saber, lendo! Leitura, cabide de idéias? Olhai os lírios no campo! -Quem não gosta de ler é mané? - Abra o olho: LEIA. Viva o Verbo LER! Um LIVRO é um mapa e nenhum mapa tem uma só direção, disse Ricardo Piglia. LEITURA é quando a gente busca um circo dentro da alma da gente.

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Silas Corrêa Leite – Itararé, São Paulo-Brasil

Teórico da Educação, Escritor e Jornalista Comunitário

Pós-graduado em Literatura na Comunicação (ECA), Direitos Humanos e Democracia (USP) – Coordenador de Pesquisa da FAPESP-USP (Culturas Juvenis)

Prêmio Lígia Fagundes Telles Para Professor Escritor, CRE-Centro de Referência em Educação Mário Covas

Autor de Porta-Lapsos, Poemas, 2006, All-Print Editora (SP)

Autor e Campo de Trigo Com Corvos, Contos, Design Editora (SC) a venda no site www.livrariacultura.com.br

– E-mail: poesilas@terra.com.br

Autor de O Rinoceronte de Clarice, e-book de sucesso no site

www.itarare.com.br - Obra indicada como leitura obrigatória na matéria Linguagem Virtual do Mestrado de Ciência da Linguagem, da Universidade do Sul de Santa Catarina e Tese de Doutorado na UFAL

Blogue premiado do UOL
www.portas-lapsos.zip.net

 

 

 

Poema (In Memoriam)

 

Michael “Neverland” Jackson

 

(Sampa 25.06.09)

 

 

“Você pode mudar o mundo/(Eu não

consigo sozinho)/Você pode tocar o

céu/(Vou precisar de ajuda)/Você é

o escolhido/(Vou precisar de um sinal)/

...E se todos chorassem hoje à noite?”

 

Cry (Michael Jackson/R. Kelly)

 

 

 

 

Michael Jackson era negro e queria ser branco (com sua cota ancestral de dor negra)

O que o vitimizou – como um estigma

Michael Jackson era pobre e queria ser rico (de posses infantis e desejos transversais)

O que o desconfigurou como um estorvo

Michael Jackson era homem e queria ser mulher (de alguma maneira que pudesse)

O que o adulterou - Narciso cego, Édipo manco

Michael Jackson queria ser judeu (mas era um Peter-Pan enjaulado em cantagonias)

O que o marcou como ser na identificação de.

 

Michael Jackson como um não-Ser num não-lugar

Cantava dançava compunha dirigia criava voava

Um quase preto homem-menina com desvios íntimos

Com fox-trot nos pés e nos quadris portentosos

E uma alma sempre criança mal-amadurecida

Na ultrajada inocência para fins midiáticos e lucrativos

 

Fugiu-se na música – as ousadas canções

Tinha ritmo frenético – em viagens sonoras

Sobreviveu feito ermitão – urbano entre brinquedos

O pop do alto ao chão – paranóia na vida-livro

Muito além dos píncaros da glória efêmera...

 

Agora não tem cor – Não há cor na morte

Agora não tem posses – Nada levamos daqui

Agora não tem sexo – A terra há de comer

Agora não tem vitiligo: pergunte ao pó

 

Para ter sua tão sonhada Neverland

Assim na terra como no céu em purgações

Cortaria os próprios pulsos com música

Melodia, harmonia, ritmo em vício-clip

 

Sem saber que do outro lado da vida-hollywood-presley

Não há hormônios - nem cirurgias

Não há espelhos – nem camarins

 

Talvez nalgum lugar entre o céu e o inferno da terra-mãe

Ele encontre finalmente paz – mas uma paz não humana

E então não tenha mais vergonha da cor

Não tenha nunca mais vergonha do rosto

Não tenha vergonha da origem ou do sexo

 

Porque seu espírito atribulado finalmente se refrigerará

Em estúdios muito além de suas tantas realidades paralelas

E dentro da morte – muito além do som do silêncio –

Ele novamente ensaiará os primeiros passos de si mesmo

Como num “Thriller”.

 

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Silas Correa Leite – Santa Itararé das Letras, São Paulo, Brasil

E-mail: poesilas@terra.com.br

Blogue premiado do uol: http://www.portas-lapsos.zip.net/

Autor de “O Homem Que Virou Cerveja”,

Crônicas Hilárias de Um Poeta Boêmio,

Prêmio Valdeck Almeida de Jesus, Salvador, Bahia, 2009, Giz Editorial, no prelo

 


 

 

Arte de Itararé em São Paulo: Rosalina Fernandes

ORIXÁS AFRICANOS INSPIRAM ARTISTA EM SUA PRIMEIRA EXPOSIÇÃO

 

A abertura da exposição “Caminho pelos Orixás”, da artista plástica Rosalina Fernandes, será no dia 20 de junho (sábado), às 20h, no Espaço Dafne, à rua Alvarega, 1433, Butantã. A exposição fica aberta para visitantes do dia 21 até o dia 29 de junho, das 15h às 19h. Para saber mais da obra da artista segue o endereço: http://www.flickr.com/photos/rosalinafernandes/

 

 

Após passar por uma cirurgia para a retirada de dois coágulos no cérebro, Rosalina Fernandes, 60, sentiu que tinha uma missão a cumprir. Sem nenhuma sequela, das várias que corria risco depois da cirurgia, a professora de educação física – que, apesar da opção pelo esporte, nunca deixou de cultivar tambéma paixão pela pintura, descoberta aos 15 anos de idade -- decidiu que deveria encontrar uma forma de agradecer.  Foi assim que Rosalina, que teve suas primeiras aulas de arte em Itararé (interior de São Paulo), com uma freira, retomou vigorosamente o contato com as tintas e os pinceis. Nos últimos dois anos, a artista é presença assídua do atelier Casa e Jardim, localizado no Campo Belo, do artista Paolo Quaglio. No final de 2008, mais um acontecimento veio mexer com a alma do artista. Tudo começou quando um pai-de-santo encomendou uma série de telas dos orixás africanos para decorar seu novo espaço. Sem nenhuma intimidade com o tema, Rosalina pesquisou referências e compôs seu desenho. Durante a produção desses Orixás, a artista sentiu que as pinceladas fluíam, que a combinação de cores acontecia naturalmente, e os traços, até então considerados acadêmicos, ganhavam movimento e personalidade. Em pouco tempo, toda obra estava pronta.  A partir daí, novas encomendas, também relacionadas aos Orixás, começaram a surgir, e a artista, influenciada pelo mestre Paolo – que se autointitula “santeiro” – e com total apoio dos amigos, decidiu fazer uma exposição com os orixás africanos.  Assim, o “Caminho pelos Orixás” é mais do que uma exposição de arte. É a junção do agradecimento de Rosalina, que hoje reconhece na sua recuperação quase milagrosa a atuação dos deuses africanos, com seu florescer como artista – de suas pinceladas vigorosas, surge mais do que a beleza: é o milagre da vida, do renascimento e da plena integração do humano com o divino.

 

Produção e obras

 

A exposição “Caminho pelos Orixás” conta com 2 quadros de 120 cm x 70cm, 12 de 150cm x 90cm e 2 painéis: um de quase 5 metros e outro de aproximadamente 3 metros, todos acrílico sobre tela, produzidos em um pouco mais de dois meses.  Rosalina leva para sua obra referências próprias: corpos definidos e fortes, característica da sua formação acadêmica como educadora física. “Fui atleta e carrego a preocupação de ter e manter o corpo saudável. Passo isso para os meus alunos e agora, através da minha arte. A plástica dos corpos é muito importante para mim. Aproveitei que os Orixás carregam as características de guerreiros e caçadores e os concebi fortes e vigorosos”, afirma a artista.  Essa característica também aparece na primeira fase, mais acadêmica, nos quadros em que ela retrata os atletas em ação.  Outra marca bastante forte na pintura de Rosalina são os rostos andróginos que ela escolheu para caracterizar seus Orixás. “Tanto os masculinos quanto os femininos estão com os rostos muito parecidos. Apenas os semblantes, muito sutilmente, transmitem impressões levemente diferenciadas”, explica o professor Paolo. A androgenia é comum nas obras religiosas da tradição judaico-cristã – os anjos são um bom exemplo dessa mescla entre o feminino e o masculino. Segundo o professor Paolo, o desenvolvimento de Rosalina durante os dois meses de preprodução das obras foi “impressionante”. Ele afirma: “Antes ela demorava duas semanas para finalizar um quadro, hoje não leva mais do que dois dias. Isso mostra a segurança da artista em relação ao tema escolhido e o aprimoramento da sua técnica”, conclui.  

 

Assessoria de imprensa

Lara Schulze – contatos: (11) 83329820 e laraschulze@hotmail.com

 

Prelúdio em Si Maior



Para Célio Eli Corrêa Leite, Meu Querido Irmão Caçula



Éramos todos grãos de areia

A vida dura nos edificou

(A pior surra foi a de lágrimas

E os licores de ausências.)

Éramos todos filhos do Seu Antenor

Dona Eugênia era apenas uma sombra

(Dia e noite no tanque, no fogão de serragem e cepilho

Dividindo-se para multiplicar cebolas que não haviam.)

Éramos todos crentes ortodoxos

Afinados até o último cantar de galo

(Atrás de casa havia um monturo de tijolos vermelhos

Com o qual construímos nossos barcos a seco.)

Éramos todos pobres com amarelão

Mas na mão direita tínhamos uma roseira

(Erzita era a energia espiritual de Irmãe

E Sueli já tinha uma janela para dentro.)

Éramos a Família Corrêa Leite

O sinal de Deus em forma de estrela na testa

O medo de apanhar de vara de marmelo

Ou a surra de lágrimas da mãe.

Éramos todos mestiços cordeiros de Deus

Filhos de Dona Eugênia, mameluca

Que com lágrimas nos fazia suculentos omeletes

No seu jeito de ser carinhosa prestando serviços e orações.

Éramos todos nervosos e tristes

E traumatizados com santos e um enorme medo do inferno

Eu e Paulo tínhamos a briga no sangue

E assim amarramos carruagens de abóboras no íntimo.

Éramos todos fãs de Clarice Encantada

Com sua voz de pelica na alma enluada

E vimos tentando erguê-la, tirá-la de dentro do sonho

Mas não há sensações no esquecimento.

Célio nos foi dado como uma dádiva, um refil

No seu aprendizado de perdas

E nele nos firmamos, espelho quebrado

Cujo caco ainda nos dói, no tear com vestígios de ausências

..........................................................................

Thiago, Lucas, Frederico, Otávio, Pola, Francisco, Claudia

Todos com erros e acertos - Herdados do Patriarca Antenor Corrêa leite

Vencemos à nós mesmos – (Estamos livros e limpos?)

E a saudade do acordeom preto sola prelúdios.

-0-

Silas Corrêa Leite

 

Extravio


Eu tento não odiar este mundo que me deram
Mas ninguém colabora
Eu tento ser feliz – a maior vingança é ser feliz
Mas, há os seres...humanos

Eu tento tirar de letra as porradas, fingir
Como se não fosse comigo o próprio existir
Mas há o inimigo íntimo, o dezelo, o falso, o doente
E os que nem de longe se parecem com seres

Eu tento deixar melhor o que vivi
Do que recebi
Tento fazer a minha parte; a arte como libertação
Desatando no meu escrever os chorumes que ferem minha
sensibilidade exaurida

Será que vou chegar ao fim, sem um fim em si mesmo?
Será que a lepra pseudo-humana continuará varrendo a terra?
Até quando o falso, o hipócrita, o cínico, o degelo, o degredo,
O esquizofrêmito de mulas, engodos e satélites?

Ah meu Deus, tende piedade da minha não tão santa paciência
Mas eu não agüento mais!

Eu tento não odiar, eu tento não sofrer, casca grossa que me firo
Mas no fundo da alma sou quartzo róseo sim
E a minha alma ferida anda cansada de ser rochedo
E eu tenho medo, muito medo, um eterno medo
De continuar perdoando, amando, escrevendo esses meus íntimos blues dolorosos sem fim
Sem que isso mude nada; nem me mude para sempre de mim...

Silas Correa Leite
E-mail: poesilas@terra.com.br
Blogue: www.portas-lapsos.zip.net
Fim de Março 2009

Itarareense Ganha Prêmio e Lançará Livro de Crônicas

 

-Participando do Prêmio “Valdeck Almeida de Jesus”, Salvador Bahia, 2009, tendo como desafio lítero-cultural fazer uma resenha crítica sobre a obra de sucesso do escritor Valdeck Almeida de Jesus, o popular Romance “Memorial do Inferno, A Saga da Família Almeida no Jardim do Éden”, Giz Editorial, São Paulo-SP”, o Itarareense Silas Correa Leite faturou o primeiro lugar, sendo que o prêmio será o lançamento de um livro de Crônicas, denominado “O Homem Que Virou Cerveja – Crônicas Hilárias de Um Poeta Boêmio”, no prelo, pela Giz Editorial de São Paulo. No prefácio do livro o promotor cultural do evento literário assim escreve do escritor Silas Correa Leite, à guisa de prefácio:

 

Por ocasião da divulgação de meu livro “Memorial do Inferno – A Saga da Família Almeida no Jardim do Éden”, tive a feliz ideia de organizar um concurso para a resenha crítico-literária da obra. Tal iniciativa, não nego, foi também uma forma de estabelecer contato imediato com eventuais tripulantes da “Nave das Palavras”, já que insisto em explorar a órbita da Literatura. O prêmio oferecido ao autor da melhor resenha seria, obviamente, o direito à edição e publicação de um livro. E eis que me vi diante de textos fantásticos, que chegavam de toda parte do país. Já antes da avaliação final, uma resenha, em especial, saltou-me aos olhos. Muito mais que uma resenha, era uma demonstração autenticada do perfeito domínio de palavras e ideias. Estava diante de um ‘artífice das palavras’, não tive dúvidas. Seu autor: Silas Correa Leite. Muito merecidamente, o vencedor do concurso. Era inevitável.

       Como é possível constatar, no breve resumo biográfico que acompanha a obra, Silas Correa Leite, entre suas múltiplas atividades, é escritor premiado e reconhecido, nacional e internacionalmente, com poemas e contos que abrilhantam diversas antologias, jornais, revistas e espaços literários importantes, sobretudo na Internet.

       Tão logo chegou até mim o ensaio de Silas sobre o “Memorial”, tratei de sair à caça de suas obras, de seus poemas, seus textos. E a cada um que descobria, mais fascinado ficava com a força semântica de sua escrita. Uma forma moralmente fecunda e bela de fazer do verbo a representação da vida, em todos os seus vértices e estertores. Silas Correa Leite parecia já ter nascido pronto para o vertiginoso universo das letras. Não há leitor que passe indiferente por suas palavras, posso apostar.

       Silas é autor dos livros “Porta-Lapsos”, “Ruínas e Iluminuras”, “Trilhas & Iluminuras”, “Os Picaretas do Brasil Real” (todos de poemas), “Campo de Trigo Com Corvos” (contos), e “Ele Está No Meio de Nós”, romance Místico, e-book, e do livro virtual de sucesso “O Rinoceronte de Clarice”, tese de mestrado e de doutorado, destaque na mídia, inclusive televisiva, por ser o primeiro livro interativo da rede mundial de computadores. Além de escritor, Silas é também um operário da vida, engajado em projetos e atividades de toda ordem - sempre tendo a ética e a responsabilidade por vertentes, registre-se. É o tempo que escapa. É o correr da vida, como bem assinala Guimarães Rosa: "O correr da vida embrulha tudo. A vida é assim: esquenta e esfria, aperta e daí afrouxa, sossega e depois desinquieta. O que ela quer da gente é coragem." E coragem é o que parece não faltar a Silas Correa Leite, ainda que falte o tempo.

       Quis o acaso, porém, que o tempo fosse aqui abreviado e que, por meio de um concurso que promovi, este livro tomasse forma. Não preciso dizer do orgulho que sinto em ter sido, de certo modo, o agente viabilizador desse ‘parto’, que traz ao mundo “O Homem que Virou Cerveja”, uma coletânea de quinze crônicas com o poder de encantar e absorver, seja com o humor inteligente levado a sério - e, muitas vezes, extraído da dor, tal como leite extraído das pedras -, seja com a riqueza semântica e a propriedade de retratar cenas do cotidiano com a ‘profunda leveza’ das palavras precisas, seja com a capacidade de roubar um riso, tocar a emoção ou despertar a consciência crítica do leitor. E isto, face à pressa e aridez de nossos dias, já é, no mínimo, uma pequena vitória. 

A todos, resta-me desejar uma boa leitura!

Valdeck Almeida de Jesus - Escritor, Promotor Cultural