Extravio, Poema Triste de Silas Correa Leite
11:38 @ 18/05/2009
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Extravio
Eu tento não odiar este mundo que me deram
Mas ninguém colabora
Eu tento ser feliz – a maior vingança é ser feliz
Mas, há os seres...humanos
Eu tento tirar de letra as porradas, fingir
Como se não fosse comigo o próprio existir
Mas há o inimigo íntimo, o dezelo, o falso, o doente
E os que nem de longe se parecem com seres
Eu tento deixar melhor o que vivi
Do que recebi
Tento fazer a minha parte; a arte como libertação
Desatando no meu escrever os chorumes que ferem minha
sensibilidade exaurida
Será que vou chegar ao fim, sem um fim em si mesmo?
Será que a lepra pseudo-humana continuará varrendo a terra?
Até quando o falso, o hipócrita, o cínico, o degelo, o degredo,
O esquizofrêmito de mulas, engodos e satélites?
Ah meu Deus, tende piedade da minha não tão santa paciência
Mas eu não agüento mais!
Eu tento não odiar, eu tento não sofrer, casca grossa que me firo
Mas no fundo da alma sou quartzo róseo sim
E a minha alma ferida anda cansada de ser rochedo
E eu tenho medo, muito medo, um eterno medo
De continuar perdoando, amando, escrevendo esses meus íntimos blues dolorosos sem fim
Sem que isso mude nada; nem me mude para sempre de mim...
Silas Correa Leite
E-mail: poesilas@terra.com.br
Blogue: www.portas-lapsos.zip.net
Fim de Março 2009
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