MONITOR CAMPISTA, 14 DE JULHO DE 2008-ANO 175-EDIÇÃO 186- CAMPOS DOS
GOITACAZES-RJ
Seguindo o velho Paraíba
Dupla se lança
a uma aventura sobre duas rodas: os dois seguiram o Paraíba, indo da nascente
até a foz
Alicinéia Gama
Há quem goste de viajar a bordo de um avião ou num
luxuoso transatlântico, cheio de conforto e muita sofisticação. Mas há quem
prefira os imprevistos de uma estrada cheia de curvas, o vento soprando no
rosto e a adrenalina nas alturas. Sensações como essas jamais sairão da mente dos
amigos, André Alvim, 42 anos e Jorge Pereira, 46. Durante 21 dias, eles
percorreram de bicicleta às margens do Rio Paraíba do Sul, da nascente, em São
Paulo, até à foz, em Atafona.
No dia 05 deste mês, um sábado, às 12h30, chegava ao
fim a cicloviagem dos dois moradores de Miracema (Noroeste do Estado do Rio).
Jorge logo retornou a sua cidade e André, que tem familiares em Campos, ficou
na região até segunda-feira (dia 07). Logo pela manhã (às margens do Rio
Paraíba, no Cais da Lapa, em Campos), pouco antes de ir embora, ele contou ao
Monitor sobre o projeto batizado de ‘Pedalando pelo Rio Paraíba do Sul’.
— Saímos de Miracema no dia 15 de junho, de caminhão
e fomos até Queluz (SP). Depois, seguimos de bicicleta até Areias, onde fica a
Serra da Bocaina. Foram três dias para conseguirmos subir a serra. Quarenta
quilos de bagagem em cada bicicleta (roupa, coberta, barraca, saco de dormir,
fogareiro, equipamentos, comida, materiais de primeiros socorros, ferramentas)
— enumera André.
Um dos objetivos do projeto, segundo o ciclista, é
mostrar que é possível diminuir a emissão de gases que prejudicam o meio
ambiente, principalmente os emitidos por automóveis, usando a bicicleta como
meio de transporte do dia-a-dia na cidade e também em viagens de turismo. Para deixar
a família mais tranqüila, os rapazes contaram com a ajuda da Internet.
— Nós criamos um site, onde íamos colocando todas as
informações da viagem, assim, os amigos iam acompanhando — lembra André. A
idéia foi aprovada pelo seu irmão, Luís Alberto da Mota Alvim. “Eles
documentaram a viagem toda e nós pudemos acompanhar a trajetória deles pela
Internet”, diz Luís Alberto.
O momento mais difícil do percurso foi a chegada à
nascente. “Levamos três dias para conseguir chegar à nascente que está a dois
mil metros de altitude. Nós chegamos lá por volta das 15h30. Depois, fomos
procurar algum povoado perto dali e quando achamos já era meia-noite. Neste
dia, passamos frio e fome”, recorda.
Já o momento mais legal da cicloviagem... “Sem dúvida
as paisagens e as pessoas que encontramos pelo caminho e que abriram suas
portas sem ao menos nos conhecer. Isso foi muito bacana”, lembra André, que
tirou cerca de 500 fotografias e também fez duas horas e meia de filme. “A
gente pretende fazer um documentário no futuro”,
diz.
Ao todo, a dupla pedalou 1.140 quilômetros, fazendo
paradas basicamente para dormir (em barracas, fazendas, hotel e pousada) e se
alimentar. “Tinha dia que comíamos um PF (prato feito), mas tinha dia que a
gente só ia comer bem tarde”, conta o rapaz que aproveita para descrever como
foi a sensação da chegada.
— É nesta hora que a gente vê que tudo o que a gente
quer na vida, se tiver perseverança e boa vontade, a gente consegue — comenta
André, que em nenhum momento se deixou abater pelas dificuldades. “Cheguei a
sofrer uma queda, causada pela quebra do bagageiro dianteiro”, lembra.
HISTÓRICO
Esta foi a terceira cicloviagem da dupla. A primeira, em 2006, teve como
roteiro o Noroeste do Estado do Rio e a Zona da Mata Mineira. Já na segunda viagem,
a dupla fez o contorno do Parque Nacional do Caparaó e a subida do Pico da
Bandeira. “Para 2009 nós ainda estamos estudando, mas será uma viagem pelo Rio
São Francisco”, antecipa André, que trabalha no ramo de sonorização e eventos.
Já seu colega Jorge é funcionário de uma loja de materiais de construção.
Rio Paraíba do Sul tem 1.120
quilômetros de extensão e histórias
Segundo a Fundação Estadual de Engenharia do Meio Ambiente (Feema), o Rio
Paraíba do Sul é formado pela confluência dos rios Paraitinga e Paraibuna,
nasce na Serra da Bocaina (SP) e faz um percurso de 1.120 quilômetros até a sua
foz, em Atafona (Norte Fluminense). A bacia do Rio Paraíba do Sul estende-se
pelo território de três estados: São Paulo, Minas Gerais e Rio de Janeiro e é
considerada, em superfície, uma das três maiores bacias hidrográficas
secundárias do Brasil, abrangendo uma área aproximada de 57.000 quilômetros
quadrados. Só no Estado do Rio, o Paraíba percorre 37 municípios (praticamente
quase a metade do território). Sua importância estratégica para a população
fluminense pode ser avaliada pelo fato de que o rio Paraíba do Sul é a única
fonte de abastecimento de água para mais de 12 milhões de pessoas, incluindo
85% dos habitantes da Região Metropolitana, localizada fora da bacia, seja por
meio de captação direta para as localidades ribeirinhas, seja por meio do rio
Guandu, que recebe o desvio das águas do rio Paraíba para aproveitamento
hidrelétrico
Foto do site: www.morroazuleventos.com.br