MARIA ALICE BARROSO
A cidade de Miracema se notabilizou por uma forte cultura, inclusive nas letras, onde destacamos a escritora MARIA ALICE BARROSO, miracemense autora de uma grande coleção de livros, tendo sua bibliografia referenciada no Brasil e no mundo. Maria Alice Barroso foi presidente da Biblioteca Nacional e algumas de suas obras estão sendo relançadas. A autora sofreu forte perseguição política em Miracema na ocasião do lançamento de suas obras, mas sobreviveu e ofertou ao mundo outros livros de grande importância.
Apesar de homenageada no Brasil e no mundo, Miracema lhe rendeu poucos aplausos. Uma das homenagens à autora ilustre foi da Escola de Samba Reação, campeã do carnaval com enredo "MARIA ALICE NO PAÍS DAS MARAVILHAS", alusivo à escritora.


MARIA ALICE Giudice BARROSO Soares, nasceu em Miracema - RJ, em 1926. Neta do Cel. José Giudice e de D. Alice, emigrantes italianos que ajudaram a construir nossa cidade. Cursou Biblioteconomia na UNIRIO. Com o livro "Um Nome para Matar", um dos romances apontados por João Guimarães Rosa, Antônio Olinto e Jorge Amado para a lista de vencedores do II Prêmio Nacional WALMAP, instituído pelo Banco Nacional de Minas Gerais S.A. e o mais importante do País.

Algumas de suas obras:
"Os Posseiros" (1955), "Um Nome para Matar", Quem Matou o Pacífico?", "A Saga do Cavalo Indomado", "Globo da Morte", "Estamos Sós" (1957), "História de um Casamento" (1960), "Um Simples Afeto Recíproco" (1962), etc.
Dr. HERMES SIMÕES FERREIRA
QUEM FOI HERMES SIMÕES FERREIRA
(Página Um - Marcelo Salim de Martino - novembro/1999)
Dr. Hermes Simões Ferreira nasceu em São Geraldo, pequenina
cidade mineira, situada entre Ubá e Viçosa, no ano de 1906. Era
filho de Constantino Simões Ferreira e Zaida Antunes Ferreira.
Ainda muito jovem, mudou-se para o Rio de Janeiro, onde cursou
Direito, na Universidade Federal. Dizia ele não ser a carreira com a
qual sonhava, mas era um grande desejo de seu pai, a quem ele não
poderia deixar de satisfazer. Seu primeiro emprego, já no Rio de
Janeiro, foi no Citybank e, por exigência deste trabalho, aprimorou
seus conhecimentos em inglês, francês e espanhol, línguas que
dominava com perfeição. Terminado o curso de Direito, fez um
concurso para Promotor Público em Minas Gerais e optou por
uma vaga existente na cidade de Palma, porque ali residia sua irmã
Emília. Nesta época já havia escrito um grande número de poesias,
inclusive algumas em francês, muitas das quais publicadas pelo
Almanaque Bertrand, em Portugal.
Em 1937, já residindo em Palma, foi procurado pelo diretor do
Colégio Miracemense, para que aqui viesse lecionar Inglês e
Francês. Passou a vir em Miracema então duas vezes por semana.
À medida que seus conhecimentos foram sendo descobertos,
sucederam-se novos convites: aulas de Português, Geografia,
Desenho e outras disciplinas. Deixou a promotoria, optou pelo
magistério e veio residir definitivamente aqui.
Esta era sua verdadeira vocação. Numa ocasião em que houve uma
exigência de que se magistrasse aulas de Grego numa das séries do
Curso Colegial, o diretor entregou-lhe a tarefa e ele a executou.
Conhecedor profundo da Língua Portuguesa, resolvia as mais
difíceis questões a ela referentes e, quando interrogado sobre
algum caso cuja solução não era encontrada em nenhuma
Gramática, a resposta era dada imediatamente.
Casou-se com Almerita Martins Ferreira, sua namorada de
infância, que muito cedo faleceu. Em 1952 viu o seu sonho de dar
oportunidade de estudo a alunos que não pudessem freqüentar
escolas particulares: estava fundado o Colégio Nossa Senhora das
Graças, do qual foi diretor até aposentar-se. Anos mais tarde, já
aposentado, participou da fundação do Colégio Estadual Deodato
Linhares. Foi Juiz de Direito da Comarca de Miracema de 1960 a
1964.
Poeta, advogado, promotor, juiz, professor e, como ele mesmo
gostava de dizer: “em julho, dezembro, janeiro e fevereiro,
pescador”. Amigo, pai dedicado, alegre e, por que não dizer,
brincalhão? Sempre dotado de um sadio humor e até, as vezes, de
uma “pitada” de ironia, como a construir uma receita do
“bem-viver”. Era, sobretudo, um filósofo. Homem simples, não
foi sem razão que disse em seu soneto: “Passarei como um simples
pela vida/ E sem brasões, sem títulos, sem nada./ Passarei como
passam, de vencida,/ Os humildes e os tristes, pela estrada.”
Faleceu em 2 de julho de 1985 e deixou duas filhas: a professora
Maria Salette Ferreira Ribeiro, de quem hoje lembramos com
saudade, e a professora Maria da Graça Ferreira Tostes.
ELOGIO À VIDA
(Hernes Simões Ferreira)
Pode a vida ser má, ser miserável,
E reduzir-se a um mundo de ironia;
Pode ser a seqüência abominável
Da mais torpe e nojenta felonia.
Pode ser inclemente, atroz, mutável,
Um rosário de dor e nostalgia,
Ou na sede de angústia insaciável
Ser a injustiça vil que nos crucia.
Mas eu quero viver, sentir a vida,
Acompanhar minha'alma na descida
Ou ir com ela, aos páramos, subindo.
O que importa é viver, ir caminhando
Seja lá como for, mas conservando
A graça de viver, chorando ou rindo.