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FAZENDA DA MUTUCA

16:37 @ 12/02/2007

FAZENDA DA MUTUCA (foto cedida pelo Jornal DOIS ESTADOS)

 

Daqui partiram os desbravadores do que hoje é Miracema.

 

 

Miracema começou a existir, de acordo com os relatos existentes, embora não haja documentos a respeito (pelo menos não para os autores deste trabalho), na década de 40 do século XIX, quando Antônio Rodrigues Pereira veio para a região e constituiu, no vale entre as matas, uma propriedade com cerca de 2 mil alqueires. Ele era o filho mais velho da mineira Ermelinda Rodrigues Conceição Pereira e o Capitão Manoel José Pereira (ex juiz de Paz), que moravam em sua propriedade no Arraial dos Remédios, na Fazenda Mutuca em Barbacena (MG), era uma das quatro maiores seismarias e banhado por um riacho denominado Mutuca. Antônio, o filho mais velho ficou conhecido como Antônio Mutuca; tendo este recebido um dote que sua mãe de 200 réis, migrou para Miracema, por volta de 1842, relacionou-se com os puris e iniciou a colonização. Depois, trouxe sua mãe, que já era uma senhora viúva, os tquatro irmãos (Luiza, Luciana , Manoel e Anna ), escravos e muitas cabeças de gado.

Há muitas versões para a chegada de Ermelinda e seus familiares em Miracema. A versão mais popular é a de que Ermelinda adquiriu as terras e veio, trazendo a família, em 1846. No entanto, é difícil supor que uma senhora de posses, viúva, tenha tido, ela mesma, a iniciativa de se mudar, com a família, para uma terra desconhecida, sem nenhuma povoação que não a dos índios, sem estradas, enfim, sem nada que motivasse uma pessoa de posses, estabelecida numa fazenda, com toda segurança, a mudar-se definitivamente. Daí, parece mais verossímel a versão de que seu filho é que a trouxe, após ter estruturado a base para que a família não ficasse privada do atendimento às suas necessidades.

Sob a orientação da matriarca, a família ajudou a fundar um povoado, com a chegada de outros aventureiros que iam se estabelecendo nas redondezas. É aceitável que tenha doado 25 alqueires de terra para que se erigisse uma igreja. Há versões de que a primeira capela da povoação foi construída pela família, porque um filho seu foi estudar para padre, em Mariana (MG) e ela gostaria que ele retornasse. Este filho, Manoel, o mais jovem, não seguiu a carreira eclesiástica. Namorou uma moça (Maria da Glória ) e com ela fugiu. Esta versão é de José Négle, que a recolheu do capitão José Joaquim de Andrade, que era neto de Antônio Joaquim Pereira e Ana de Oliveira Pereira, fazendeiros contemporâneos de Dona Ermelinda (Miracema - Memória da fundação desse município fluminense - Departamento de Estatística e Publicidade do Estado do Rio de Janeiro, 1936 ). - Trecho extraído de reportagem do jornal DOIS ESTADOS.

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