Grupos

 

ATUALIZADO BLOG DO SINDIVÁRIOS-SP-FOSP/COB-ACAT/AIT:

http://www.grupos.com.br/blog/sindivariosspfospcobacatait/


PELA REDUÇÃO DA JORNADA DE TRABALHO PARA 30 HORAS SEMANAIS,
(6 HORAS DIÁRIAS), SEM REDUÇÃO DE SALÁRIOS!

PELA REVOLUÇÃO AGRÁRIA (COM OCUPAÇÃO DE TERRAS, COLETIVIZAR,
RESISTIR E PRODUZIR EM COOPERATIVA, SOB AUTO-GESTÃO)!

PELO SALÁRIO MÍNIMO REAL DE R$ 2.000,00 PARA TODOS OS TRABALHADORES!
CONTRA A CARESTIA DA VIDA!
POR UM AUMENTO GERAL DE SALÁRIOS!

PELO FIM DAS HORAS EXTRAS E PELA ESTABILIDADE NO EMPREGO!
(COM O FIM DO FGTS E REPASSE DO DINHEIRO NAS CONTAS DIRETAMENTE
PARA OS TRABALHADORES INTERESSADOS!)


PELA LIBERDADE DE MANIFESTAÇÃO, EXPRESSÃO E ORGANIZAÇÃO!
CONTRA A CRIMINALIZAÇÃO DO MOVIMENTO SOCIAL!

PELA REATIVAÇÃO DO SIN DICALISMO REVOLUCIONÁRIO!
PELA REATIVAÇÃO DA FEDERAÇÃO OPERÁRIA DE SÃO PAULO (FOSP)!
PELA REATIVAÇÃO DA CONFEDERAÇÃO OPERÁRIA BRASILEIRA (COB)!
VIVAS À ASSOCIAÇÃO INTERNACIONAL DOS TRABALHADORES (AIT-IWA)!
 
A EMANCIPAÇÃO DOS TRABALHADORES SERÁ OBRA DOS PRÓPRIOS TRABALHADORES!

O INIMIGO DO REI

15:43 @ 15/05/2009

ARGENTINA HOMOFÓBICA

15:42 @ 15/05/2009

TOCA RAUL!

18:20 @ 30/04/2009

 

 
Programa ATITUDE - TV BRASIL
 
Especial Toca Raul - Parte 1
http://www.youtube.com/watch?v=FDd5kJnEi7Y

Especial Toca Raul - Parte 2
http://www.youtube.com/watch?v=Yssm2YJDDpo

Especial Toca Raul - Parte 3
http://www.youtube.com/watch?v=nmjbeSebeaY

Especial Toca Raul - Parte 4
http://www.youtube.com/watch?v=A6ocMTb3LsU

Especial Toca Raul - Parte 5
http://www.youtube.com/watch?v=AcJrhx3eOFs

Especial Toca Raul - Parte 6
http://www.youtube.com/watch?v=0g7jKG9ST_M

Especial Toca Raul - Quando acabar o maluco sou eu
http://www.youtube.com/watch?v=Mbmf5x8rxEM

Especial Toca Raul - Ouro de Tolo
http://www.youtube.com/watch?v=q-zP6UFxcPA
 
 
VIVA A SOCIEDADE @!

 

COB-AIT NAS RUAS EM TODO O BRASIL NESSE 1º DE MAIO!



Tem o cartaz da FORGS para o 1º Maio 2009 e foi colocado o link para Federação Operária Mineira - seção de Juiz de Fora.  Tem o cartaz e filipeta da FOSP/COB-AIT chamando o 1º de Maio Libertário, Proletário e Revolucionário, etc.

Vamos lá! Veja!

PARTICIPE DA ASSEMBLEÍA POPULAR DO 1º DE MAIO DA FOSP:
LADEIRA DA MEMÓRIA (ao lado do Metrô Anhangabaú) 12 hs


HONREMOS OS MÁRTIRES DE CHICAGO!



Sua atitude é o que conta!

A revolução é a obra de tod@s, já contribui para isso hoje? Não deixe para o amanhã, já vivemos 4.000 anos de amanhãs de escravidão humana! Vamos deixar passar mais uma ano?

CRISE CAPITALISTA?
NÓS NÃO VAMOS PAGAR NADA!!!


--
Na construção do socialismo libertário
através do sindicalismo revolucionário!

Federação Operária de São Paulo - FOSP
Associada a:
Confederação Operária Brasileira - COB
Associação Continental Americana dos Trabalhadores - ACAT
Associação Internacional dos Trabalhadores - AIT


http://www.grupos.com.br/blog/sindivariosspfospcobacatait/
http://fosp.anarkio.net
http://cobait.cnt.es



"A emancipação dos trabalhadores será obra dos próprios trabalhadores."

Anarquistas e libertários

18:05 @ 30/04/2009

Saudações!

 

Apresentamos um texto, extraído do 'Le Monde Diplomatique' de janeiro de 2009, que discute a questão da confusão no uso do termo 'libertário', devido a apropriações indevidas do termo, feitas por marxistas, liberais e , até, fascistas!

Nós, d'O COLETIVO LIBERTÁRIO, que sempre denunciamos essa detrupação do anarkismo - e por isso somos incansavelmente atacados por essas víboras, inclusive infiltrados no Movimento Libertário Brasileiro (MLB), que renegam, onde querem cindir o anarkismo em 'diversos anarquismoS' que eles inventam!

Reafirmamos que o termo libertário é uma sinonimia de anarkista/anarquista. Esse termo passou a ser utilizado pelos anarkistas - ao mesmo tempo que os termos 'socialista libertário' e 'acrata' - logo após a intensa repressão sofrida pelos comunardos de 1871, na França e em toda a Europa, contra os anarkistas. Renegamos o uso do termo libertário àqueles que propõe qualquer tipo de 'ditadura revolucionária' - seja do proletariado, popular ou bolivariano.

ABAIXO O ESTADO E A BURGUESIA!

VIVAS À ANARKIA!

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Anarquistas e libertários

Causa espanto a indiferença e a tolerância dos “anarquistas” em relação às apropriações mais ou menos indevidas que muitos andaram fazendo do rótulo de “libertário”. Mas eles rebatem dizendo que delimitar o termo equivaleria a contrariar os próprios princípios que o norteiam

Jean-Pierre Garnier

Por muito tempo, os termos “anarquista” e “libertário” foram considerados indissociáveis. As organizações que os adotavam viam nessas expressões uma forma de definir seu posicionamento na esfera política – mais precisamente fora dela ou em seu limiar.

Muitos os combatiam ou os reprovavam. Além dos guardiões oficiais da ordem burguesa, seus principais adversários eram os membros de outros partidos, tanto de esquerda como de direita, jornalistas de toda sorte e a “opinião pública”, que sempre enfiava os anarquistas e os libertários dentro do mesmo saco.

Hoje em dia, a associação entre as duas palavras continua pertinente aos olhos dos interessados pelo tema, ainda que eles façam questão de precisar por que essas denominações não são sinônimas. O anarquismo, dizem, é a teoria política que escora as duas noções e tem como fim último a autoemancipação coletiva dos trabalhadores diante dos poderes que os oprimem. Tal objetivo implica a autolibertação dos indivíduos – emblema da vertente libertária – em relação às instituições, às normas e às crenças que os alienam. Colocada dessa forma, a distinção entre as duas noções na verdade ressalta ainda mais sua complementaridade semântica e política.

Em contrapartida, fora dos círculos restritos cujos integrantes acreditam que a existência do Estado continua sendo uma ameaça às liberdades, tudo indica que a associação entre anarquistas e libertários deixou de ser tão óbvia assim. De fato, tornou-se uma atitude comum entre políticos, intelectuais e jornalistas opor de maneira dicotômica os termos “anarquista” e “libertário”. De um lado, o anarquismo tende agora a substituir o falecido comunismo no papel de figura do Mal, ao lado do fundamentalismo islâmico. De outro, o epíteto “libertário” acabou constituindo um rótulo cultural fartamente veiculado na mídia, muito utilizado pelos “revoltados de butique” de toda laia, que disfarçam sua adesão à ordem estabelecida por meio de um verniz anticonformista [1].

O caos niilista

Vale lembrar que esse duplo processo de demonização e de neutralização não é exatamente uma novidade. A partir do final do século XIX, o anarquismo poderia ter sido facilmente identificado com o terrorismo por sua “propaganda por meio do fato” – atentados realizados por alguns grupos na Rússia e na França. E de maneira mais geral, o anarquismo seguiu mantendo por muito tempo o significado de um caos social niilista, afastando-se da concepção da vida em sociedade que o geógrafo Elysée Reclus resumiria na fórmula “a ordem sem o poder” [2].

Posteriormente, o anarquismo não tardou a ser alvo de outra descaracterização linguística, só que dessa vez destinada a valorizar artistas e escritores que se dedicavam abertamente a “atropelar os códigos estéticos burgueses”. Ao longo do século XX, muitos se enquadraram nessa vertente, desde os protagonistas do movimento Dadá e da “revolução surrealista” que lhe sucedeu, até os “turbulentos” cineastas da Nouvelle Vague, passando por certos romancistas ou ensaístas reacionários do pós-guerra que se colocavam como “anarquistas de direita”.

Mais tarde, o qualificativo de “libertário” tomou seu lugar, entre outros, no campo da música popular francesa, a “chanson”, com Georges Brassens, Jacques Higelin e Renaud. Após ter sido dissociado de um anarquismo que acabara classificado como doutrina de transformação social obsoleta [3], esse termo acompanhou uma liberação dos costumes e das mentes, particularmente afinada com a liberalização da economia, a ponto de dar à luz o seguinte oximoro mutante: o do “liberal-libertário”.

Antes de ser sacramentada como um conceito, no sentido publicitário do termo, essa expressão fora proferida como acusação por um sociólogo do Partido Comunista Francês (PCF), para fustigar o advento de um “capitalismo da sedução”, simultaneamente repressivo no plano “social” e permissivo no plano “societário”.

Trata-se de uma descrição precisa dos tropeços direitistas de certos líderes da revolta de maio de 1968, que passaram a menosprezar a revolução, valorizando apenas aquela das subjetividades [4]. O mais destacado entre eles é ninguém menos que Daniel Cohn-Bendit, atualmente deputado europeu pelo partido ecologista alemão Die Grünen. Como tantos outros, ele passou “do ‘detestar os poderosos’ para a paixão pelo poder; do ‘não’ sistemático da contestação para o ‘sim’ extasiado do assentimento; da candura e da intransigência de um levante iminente para as posturas e as imposturas de um conformismo servil” [5].

Transgressão individual

Ao longo dos anos, com o aumento das desigualdades, da precariedade e da pobreza no mundo, a dupla “liberal-libertário” aos poucos perdeu a credibilidade. Isso, porém, não resultou numa reaproximação com o anarquismo. Ao contrário: a dissociação entre os dois só se aprofundou. Enquanto este último é cada vez mais criminalizado, principalmente em função da retomada das lutas baseadas na ação direta, uma reação ao agravamento da marginalização em massa e ao endurecimento da repressão, o posicionamento libertário goza de prestígio entre as elites. Prova disso é o fascínio crescente do filósofo Michel Onfray, cujo “individualismo hedonista e ateu” criou certa ilusão nos meios anarquistas, apesar do seu apetite publicamente assumido por uma “gestão libertária do capitalismo”.

Causa espanto a indiferença e a tolerância dos “anarquistas” em relação às apropriações mais ou menos indevidas que muitos andaram fazendo do rótulo de “libertário”. Mas eles rebatem dizendo que delimitar o termo equivaleria a contrariar os próprios princípios que norteiam esse rótulo. E acrescentam a seguinte pergunta: as recuperações e os desvirtuamentos dos quais a expressão tem sido objeto não seriam uma prova, afinal, de que a causa libertária vem ganhando popularidade? Esses supostos anarquistas simplesmente parecem não perceber que toda essa movimentação leva à perda do radicalismo crítico, que é monopolizado e absorvido por uma culturalização individualista e desengajada da política.

Dentro de um contexto de restauração política e ideológica, estamos assistindo a uma disputa na qual os adversários opõem o “social”, assimilado ao alistamento militar e à uniformização, ao “societário”, que é o epicentro de todas as “libertações”, para deixar claro que a submissão às “obrigações geradas pela economia” de maneira alguma implica a renúncia aos valores contestatórios do passado. Daqui para frente, preocupado acima de tudo com seu desenvolvimento pessoal imediato, o neopequeno-burguês “libertário” rejeitará toda perspectiva de autoemancipação coletiva, que ele enxergará como uma ameaça contra a democracia e o Estado de direito.

Limitada ao modo de vida concebido como “estilo de vida”, a “não-conformidade” não tem mais motivo para investir contra os códigos e as normas oficiais, uma vez que sua “transgressão” individual, institucionalizada, subvencionada e mercantilizada participa da renovação da dominação capitalista. Em contrapartida, agora que contam com aprovação – espalhafatosa ou tácita – dos beneficiários dessas liberalidades, os governantes poderão se dar ao luxo de reprimir toda forma de luta, comportamento ou palavra que represente um obstáculo para essa dominação. Isso equivale a dizer que os “neolibertários” nada fazem senão acrescentar o indispensável prefixo “neo” a um conservadorismo reforçado.



 

[1] Vale lembrar que o neologismo “libertário” nasceu no final dos anos 1850 da escrita corrosiva de um anarquista, Joseph Déjacque, que dedicou sua vida a espinafrar os compromissos e os comprometimentos da pequena burguesia republicana da época.

[2] De modo algum isso significa que se possa “mudar o mundo sem tomar o poder”, segundo afirmarão alguns teóricos importantes em sua busca de alternativas à globalização neoliberal. Em primeiro lugar, porque é imprescindível tomar o poder da burguesia para mudar o mundo. Em segundo, porque o poder de mudar o mundo exclui, para os anarquistas, que alguém possa exercê-lo “sobre o povo”, já que é precisamente este último que, auto-organizado, deteria o poder em vez de delegá-lo.

[3] A “velha guarda” anarquista francesa não raro se mostra vulnerável a essa depreciação. Atolada no culto aos grandes ancestrais e às polêmicas datadas – como aquela de Proudhon e Bakunin versus Marx e Engels –, reduzindo o pensamento em torno da filosofia de Marx ao marxismo de aparelho (partidário ou estatizante), ignorando os pensadores mais importantes do comunismo libertário (A. Pannekoek, O. Rühl e P. Mattik) e movida por um antimarxismo visceral, ela acaba deixando de lado a análise materialista das transformações do capitalismo, arriscando-se a não entender mais nada do processo e chegando até mesmo a dar crédito às análises de alguns defensores do sistema em vigor, tais como Stéphane Courtois.

[4] Michel Clouscard, Néo-fascisme et idéologie du désir, Denoël, 1973 ; Le capitalisme de la séduction, Éditions sociales, 1981.

[5] François Cusset, La décennie – Le grand cauchemar des années 1980, La Découverte, 2006.

Anarquistas e libertários

17:54 @ 30/04/2009

Texto extraído do 'Le Monde Diplomatique' que discute a questão do uso incorreto do termo libertário, como uma nuance reformista dentro do anarquismo, devido a apropriação indevida do termo por setores do marxismo, do liberalismo e até do fascismo.

 

Nós d'O COLETIVO

 

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Anarquistas e libertários

Causa espanto a indiferença e a tolerância dos “anarquistas” em relação às apropriações mais ou menos indevidas que muitos andaram fazendo do rótulo de “libertário”. Mas eles rebatem dizendo que delimitar o termo equivaleria a contrariar os próprios princípios que o norteiam

Jean-Pierre Garnier

Por muito tempo, os termos “anarquista” e “libertário” foram considerados indissociáveis. As organizações que os adotavam viam nessas expressões uma forma de definir seu posicionamento na esfera política – mais precisamente fora dela ou em seu limiar.

Muitos os combatiam ou os reprovavam. Além dos guardiões oficiais da ordem burguesa, seus principais adversários eram os membros de outros partidos, tanto de esquerda como de direita, jornalistas de toda sorte e a “opinião pública”, que sempre enfiava os anarquistas e os libertários dentro do mesmo saco.

Hoje em dia, a associação entre as duas palavras continua pertinente aos olhos dos interessados pelo tema, ainda que eles façam questão de precisar por que essas denominações não são sinônimas. O anarquismo, dizem, é a teoria política que escora as duas noções e tem como fim último a autoemancipação coletiva dos trabalhadores diante dos poderes que os oprimem. Tal objetivo implica a autolibertação dos indivíduos – emblema da vertente libertária – em relação às instituições, às normas e às crenças que os alienam. Colocada dessa forma, a distinção entre as duas noções na verdade ressalta ainda mais sua complementaridade semântica e política.

Em contrapartida, fora dos círculos restritos cujos integrantes acreditam que a existência do Estado continua sendo uma ameaça às liberdades, tudo indica que a associação entre anarquistas e libertários deixou de ser tão óbvia assim. De fato, tornou-se uma atitude comum entre políticos, intelectuais e jornalistas opor de maneira dicotômica os termos “anarquista” e “libertário”. De um lado, o anarquismo tende agora a substituir o falecido comunismo no papel de figura do Mal, ao lado do fundamentalismo islâmico. De outro, o epíteto “libertário” acabou constituindo um rótulo cultural fartamente veiculado na mídia, muito utilizado pelos “revoltados de butique” de toda laia, que disfarçam sua adesão à ordem estabelecida por meio de um verniz anticonformista [1].

O caos niilista

Vale lembrar que esse duplo processo de demonização e de neutralização não é exatamente uma novidade. A partir do final do século XIX, o anarquismo poderia ter sido facilmente identificado com o terrorismo por sua “propaganda por meio do fato” – atentados realizados por alguns grupos na Rússia e na França. E de maneira mais geral, o anarquismo seguiu mantendo por muito tempo o significado de um caos social niilista, afastando-se da concepção da vida em sociedade que o geógrafo Elysée Reclus resumiria na fórmula “a ordem sem o poder” [2].

Posteriormente, o anarquismo não tardou a ser alvo de outra descaracterização linguística, só que dessa vez destinada a valorizar artistas e escritores que se dedicavam abertamente a “atropelar os códigos estéticos burgueses”. Ao longo do século XX, muitos se enquadraram nessa vertente, desde os protagonistas do movimento Dadá e da “revolução surrealista” que lhe sucedeu, até os “turbulentos” cineastas da Nouvelle Vague, passando por certos romancistas ou ensaístas reacionários do pós-guerra que se colocavam como “anarquistas de direita”.

Mais tarde, o qualificativo de “libertário” tomou seu lugar, entre outros, no campo da música popular francesa, a “chanson”, com Georges Brassens, Jacques Higelin e Renaud. Após ter sido dissociado de um anarquismo que acabara classificado como doutrina de transformação social obsoleta [3], esse termo acompanhou uma liberação dos costumes e das mentes, particularmente afinada com a liberalização da economia, a ponto de dar à luz o seguinte oximoro mutante: o do “liberal-libertário”.

Antes de ser sacramentada como um conceito, no sentido publicitário do termo, essa expressão fora proferida como acusação por um sociólogo do Partido Comunista Francês (PCF), para fustigar o advento de um “capitalismo da sedução”, simultaneamente repressivo no plano “social” e permissivo no plano “societário”.

Trata-se de uma descrição precisa dos tropeços direitistas de certos líderes da revolta de maio de 1968, que passaram a menosprezar a revolução, valorizando apenas aquela das subjetividades [4]. O mais destacado entre eles é ninguém menos que Daniel Cohn-Bendit, atualmente deputado europeu pelo partido ecologista alemão Die Grünen. Como tantos outros, ele passou “do ‘detestar os poderosos’ para a paixão pelo poder; do ‘não’ sistemático da contestação para o ‘sim’ extasiado do assentimento; da candura e da intransigência de um levante iminente para as posturas e as imposturas de um conformismo servil” [5].

Transgressão individual

Ao longo dos anos, com o aumento das desigualdades, da precariedade e da pobreza no mundo, a dupla “liberal-libertário” aos poucos perdeu a credibilidade. Isso, porém, não resultou numa reaproximação com o anarquismo. Ao contrário: a dissociação entre os dois só se aprofundou. Enquanto este último é cada vez mais criminalizado, principalmente em função da retomada das lutas baseadas na ação direta, uma reação ao agravamento da marginalização em massa e ao endurecimento da repressão, o posicionamento libertário goza de prestígio entre as elites. Prova disso é o fascínio crescente do filósofo Michel Onfray, cujo “individualismo hedonista e ateu” criou certa ilusão nos meios anarquistas, apesar do seu apetite publicamente assumido por uma “gestão libertária do capitalismo”.

Causa espanto a indiferença e a tolerância dos “anarquistas” em relação às apropriações mais ou menos indevidas que muitos andaram fazendo do rótulo de “libertário”. Mas eles rebatem dizendo que delimitar o termo equivaleria a contrariar os próprios princípios que norteiam esse rótulo. E acrescentam a seguinte pergunta: as recuperações e os desvirtuamentos dos quais a expressão tem sido objeto não seriam uma prova, afinal, de que a causa libertária vem ganhando popularidade? Esses supostos anarquistas simplesmente parecem não perceber que toda essa movimentação leva à perda do radicalismo crítico, que é monopolizado e absorvido por uma culturalização individualista e desengajada da política.

Dentro de um contexto de restauração política e ideológica, estamos assistindo a uma disputa na qual os adversários opõem o “social”, assimilado ao alistamento militar e à uniformização, ao “societário”, que é o epicentro de todas as “libertações”, para deixar claro que a submissão às “obrigações geradas pela economia” de maneira alguma implica a renúncia aos valores contestatórios do passado. Daqui para frente, preocupado acima de tudo com seu desenvolvimento pessoal imediato, o neopequeno-burguês “libertário” rejeitará toda perspectiva de autoemancipação coletiva, que ele enxergará como uma ameaça contra a democracia e o Estado de direito.

Limitada ao modo de vida concebido como “estilo de vida”, a “não-conformidade” não tem mais motivo para investir contra os códigos e as normas oficiais, uma vez que sua “transgressão” individual, institucionalizada, subvencionada e mercantilizada participa da renovação da dominação capitalista. Em contrapartida, agora que contam com aprovação – espalhafatosa ou tácita – dos beneficiários dessas liberalidades, os governantes poderão se dar ao luxo de reprimir toda forma de luta, comportamento ou palavra que represente um obstáculo para essa dominação. Isso equivale a dizer que os “neolibertários” nada fazem senão acrescentar o indispensável prefixo “neo” a um conservadorismo reforçado.



 

[1] Vale lembrar que o neologismo “libertário” nasceu no final dos anos 1850 da escrita corrosiva de um anarquista, Joseph Déjacque, que dedicou sua vida a espinafrar os compromissos e os comprometimentos da pequena burguesia republicana da época.

[2] De modo algum isso significa que se possa “mudar o mundo sem tomar o poder”, segundo afirmarão alguns teóricos importantes em sua busca de alternativas à globalização neoliberal. Em primeiro lugar, porque é imprescindível tomar o poder da burguesia para mudar o mundo. Em segundo, porque o poder de mudar o mundo exclui, para os anarquistas, que alguém possa exercê-lo “sobre o povo”, já que é precisamente este último que, auto-organizado, deteria o poder em vez de delegá-lo.

[3] A “velha guarda” anarquista francesa não raro se mostra vulnerável a essa depreciação. Atolada no culto aos grandes ancestrais e às polêmicas datadas – como aquela de Proudhon e Bakunin versus Marx e Engels –, reduzindo o pensamento em torno da filosofia de Marx ao marxismo de aparelho (partidário ou estatizante), ignorando os pensadores mais importantes do comunismo libertário (A. Pannekoek, O. Rühl e P. Mattik) e movida por um antimarxismo visceral, ela acaba deixando de lado a análise materialista das transformações do capitalismo, arriscando-se a não entender mais nada do processo e chegando até mesmo a dar crédito às análises de alguns defensores do sistema em vigor, tais como Stéphane Courtois.

[4] Michel Clouscard, Néo-fascisme et idéologie du désir, Denoël, 1973 ; Le capitalisme de la séduction, Éditions sociales, 1981.

[5] François Cusset, La décennie – Le grand cauchemar des années 1980, La Découverte, 2006.

Anarquistas e libertários

17:54 @ 30/04/2009

Texto extraído do 'Le Monde Diplomatique' que discute a questão do uso incorreto do termo libertário, como uma nuance reformista dentro do anarquismo, devido a apropriação indevida do termo por setores do marxismo, do liberalismo e até do fascismo.

 

Nós d'O

 

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Anarquistas e libertários

Causa espanto a indiferença e a tolerância dos “anarquistas” em relação às apropriações mais ou menos indevidas que muitos andaram fazendo do rótulo de “libertário”. Mas eles rebatem dizendo que delimitar o termo equivaleria a contrariar os próprios princípios que o norteiam

Jean-Pierre Garnier

Por muito tempo, os termos “anarquista” e “libertário” foram considerados indissociáveis. As organizações que os adotavam viam nessas expressões uma forma de definir seu posicionamento na esfera política – mais precisamente fora dela ou em seu limiar.

Muitos os combatiam ou os reprovavam. Além dos guardiões oficiais da ordem burguesa, seus principais adversários eram os membros de outros partidos, tanto de esquerda como de direita, jornalistas de toda sorte e a “opinião pública”, que sempre enfiava os anarquistas e os libertários dentro do mesmo saco.

Hoje em dia, a associação entre as duas palavras continua pertinente aos olhos dos interessados pelo tema, ainda que eles façam questão de precisar por que essas denominações não são sinônimas. O anarquismo, dizem, é a teoria política que escora as duas noções e tem como fim último a autoemancipação coletiva dos trabalhadores diante dos poderes que os oprimem. Tal objetivo implica a autolibertação dos indivíduos – emblema da vertente libertária – em relação às instituições, às normas e às crenças que os alienam. Colocada dessa forma, a distinção entre as duas noções na verdade ressalta ainda mais sua complementaridade semântica e política.

Em contrapartida, fora dos círculos restritos cujos integrantes acreditam que a existência do Estado continua sendo uma ameaça às liberdades, tudo indica que a associação entre anarquistas e libertários deixou de ser tão óbvia assim. De fato, tornou-se uma atitude comum entre políticos, intelectuais e jornalistas opor de maneira dicotômica os termos “anarquista” e “libertário”. De um lado, o anarquismo tende agora a substituir o falecido comunismo no papel de figura do Mal, ao lado do fundamentalismo islâmico. De outro, o epíteto “libertário” acabou constituindo um rótulo cultural fartamente veiculado na mídia, muito utilizado pelos “revoltados de butique” de toda laia, que disfarçam sua adesão à ordem estabelecida por meio de um verniz anticonformista [1].

O caos niilista

Vale lembrar que esse duplo processo de demonização e de neutralização não é exatamente uma novidade. A partir do final do século XIX, o anarquismo poderia ter sido facilmente identificado com o terrorismo por sua “propaganda por meio do fato” – atentados realizados por alguns grupos na Rússia e na França. E de maneira mais geral, o anarquismo seguiu mantendo por muito tempo o significado de um caos social niilista, afastando-se da concepção da vida em sociedade que o geógrafo Elysée Reclus resumiria na fórmula “a ordem sem o poder” [2].

Posteriormente, o anarquismo não tardou a ser alvo de outra descaracterização linguística, só que dessa vez destinada a valorizar artistas e escritores que se dedicavam abertamente a “atropelar os códigos estéticos burgueses”. Ao longo do século XX, muitos se enquadraram nessa vertente, desde os protagonistas do movimento Dadá e da “revolução surrealista” que lhe sucedeu, até os “turbulentos” cineastas da Nouvelle Vague, passando por certos romancistas ou ensaístas reacionários do pós-guerra que se colocavam como “anarquistas de direita”.

Mais tarde, o qualificativo de “libertário” tomou seu lugar, entre outros, no campo da música popular francesa, a “chanson”, com Georges Brassens, Jacques Higelin e Renaud. Após ter sido dissociado de um anarquismo que acabara classificado como doutrina de transformação social obsoleta [3], esse termo acompanhou uma liberação dos costumes e das mentes, particularmente afinada com a liberalização da economia, a ponto de dar à luz o seguinte oximoro mutante: o do “liberal-libertário”.

Antes de ser sacramentada como um conceito, no sentido publicitário do termo, essa expressão fora proferida como acusação por um sociólogo do Partido Comunista Francês (PCF), para fustigar o advento de um “capitalismo da sedução”, simultaneamente repressivo no plano “social” e permissivo no plano “societário”.

Trata-se de uma descrição precisa dos tropeços direitistas de certos líderes da revolta de maio de 1968, que passaram a menosprezar a revolução, valorizando apenas aquela das subjetividades [4]. O mais destacado entre eles é ninguém menos que Daniel Cohn-Bendit, atualmente deputado europeu pelo partido ecologista alemão Die Grünen. Como tantos outros, ele passou “do ‘detestar os poderosos’ para a paixão pelo poder; do ‘não’ sistemático da contestação para o ‘sim’ extasiado do assentimento; da candura e da intransigência de um levante iminente para as posturas e as imposturas de um conformismo servil” [5].

Transgressão individual

Ao longo dos anos, com o aumento das desigualdades, da precariedade e da pobreza no mundo, a dupla “liberal-libertário” aos poucos perdeu a credibilidade. Isso, porém, não resultou numa reaproximação com o anarquismo. Ao contrário: a dissociação entre os dois só se aprofundou. Enquanto este último é cada vez mais criminalizado, principalmente em função da retomada das lutas baseadas na ação direta, uma reação ao agravamento da marginalização em massa e ao endurecimento da repressão, o posicionamento libertário goza de prestígio entre as elites. Prova disso é o fascínio crescente do filósofo Michel Onfray, cujo “individualismo hedonista e ateu” criou certa ilusão nos meios anarquistas, apesar do seu apetite publicamente assumido por uma “gestão libertária do capitalismo”.

Causa espanto a indiferença e a tolerância dos “anarquistas” em relação às apropriações mais ou menos indevidas que muitos andaram fazendo do rótulo de “libertário”. Mas eles rebatem dizendo que delimitar o termo equivaleria a contrariar os próprios princípios que norteiam esse rótulo. E acrescentam a seguinte pergunta: as recuperações e os desvirtuamentos dos quais a expressão tem sido objeto não seriam uma prova, afinal, de que a causa libertária vem ganhando popularidade? Esses supostos anarquistas simplesmente parecem não perceber que toda essa movimentação leva à perda do radicalismo crítico, que é monopolizado e absorvido por uma culturalização individualista e desengajada da política.

Dentro de um contexto de restauração política e ideológica, estamos assistindo a uma disputa na qual os adversários opõem o “social”, assimilado ao alistamento militar e à uniformização, ao “societário”, que é o epicentro de todas as “libertações”, para deixar claro que a submissão às “obrigações geradas pela economia” de maneira alguma implica a renúncia aos valores contestatórios do passado. Daqui para frente, preocupado acima de tudo com seu desenvolvimento pessoal imediato, o neopequeno-burguês “libertário” rejeitará toda perspectiva de autoemancipação coletiva, que ele enxergará como uma ameaça contra a democracia e o Estado de direito.

Limitada ao modo de vida concebido como “estilo de vida”, a “não-conformidade” não tem mais motivo para investir contra os códigos e as normas oficiais, uma vez que sua “transgressão” individual, institucionalizada, subvencionada e mercantilizada participa da renovação da dominação capitalista. Em contrapartida, agora que contam com aprovação – espalhafatosa ou tácita – dos beneficiários dessas liberalidades, os governantes poderão se dar ao luxo de reprimir toda forma de luta, comportamento ou palavra que represente um obstáculo para essa dominação. Isso equivale a dizer que os “neolibertários” nada fazem senão acrescentar o indispensável prefixo “neo” a um conservadorismo reforçado.



 

[1] Vale lembrar que o neologismo “libertário” nasceu no final dos anos 1850 da escrita corrosiva de um anarquista, Joseph Déjacque, que dedicou sua vida a espinafrar os compromissos e os comprometimentos da pequena burguesia republicana da época.

[2] De modo algum isso significa que se possa “mudar o mundo sem tomar o poder”, segundo afirmarão alguns teóricos importantes em sua busca de alternativas à globalização neoliberal. Em primeiro lugar, porque é imprescindível tomar o poder da burguesia para mudar o mundo. Em segundo, porque o poder de mudar o mundo exclui, para os anarquistas, que alguém possa exercê-lo “sobre o povo”, já que é precisamente este último que, auto-organizado, deteria o poder em vez de delegá-lo.

[3] A “velha guarda” anarquista francesa não raro se mostra vulnerável a essa depreciação. Atolada no culto aos grandes ancestrais e às polêmicas datadas – como aquela de Proudhon e Bakunin versus Marx e Engels –, reduzindo o pensamento em torno da filosofia de Marx ao marxismo de aparelho (partidário ou estatizante), ignorando os pensadores mais importantes do comunismo libertário (A. Pannekoek, O. Rühl e P. Mattik) e movida por um antimarxismo visceral, ela acaba deixando de lado a análise materialista das transformações do capitalismo, arriscando-se a não entender mais nada do processo e chegando até mesmo a dar crédito às análises de alguns defensores do sistema em vigor, tais como Stéphane Courtois.

[4] Michel Clouscard, Néo-fascisme et idéologie du désir, Denoël, 1973 ; Le capitalisme de la séduction, Éditions sociales, 1981.

[5] François Cusset, La décennie – Le grand cauchemar des années 1980, La Découverte, 2006.

 

HISTOIRE du PREMIER MAI

http://cnt-ait.info/article.php3?id_article=909

lundi 27 avril 2009

Pourquoi manifeste- t- on le premier mai ? Pourquoi l’appelle- t- on « fête du travail » ? D’où vient cette date ? Que cherche- t- on à nous faire oublier en nous faisant promener ? Ce petit texte explique l’origine historique du Premier Mai.

(Disponible au format 4 pages, voir la rubrique Brochures, ou en téléchargement)

L’obtention des 8 heures par jour était au centre des revendications pour lesquelles les travailleurs des États- Unis étaient décidés d’aller jusqu’à la grève générale pour faire pression sur le patronat et le gouvernement. Le 1er mai fut déclaré jour international de solidarité de classe et de revendication pour les 8 heures par les Knights of Labour [1]. Au cours du printemps 1886, les ouvriers de tous les secteurs ont focalisé leurs actions sur cet objectif et ont parfois obtenu gain de cause dans ce domaine.

Devant la détermination des ouvriers et l’expansion du mouvement syndical, le patronat et le gouvernement décidèrent d’adopter des mesures de répression plus expéditives. La fameuse affaire de Haymarket à Chicago, événement dramatique et marquant pour le mouvement ouvrier international, a inauguré une ère nouvelle de répression et de résistance.

1er mai 1886 ; succès maximal de la mobilisation. En dépit des avertissements haineux et des prédictions alarmistes de la presse bourgeoise, aucune émeute n’éclata, aucune atteinte à la propriété n’eut lieu et la manifestation pacifique des travailleurs ne se transforma nullement en révolution. Par ce beau samedi ensoleillé, les fabriques, les usines, les entrepôts furent désertés. Dans leurs plus beaux vêtements, les ouvriers de Chicago, accompagnés par leur famille, défilèrent par milliers dans les rues, sous les yeux sidérés de la police, de l’armée et des gardes privés prêts à intervenir au moindre trouble. La manifestation de solidarité se déroula sans encombre et s’acheva sur les bords du lac Michigan, où les principaux orateurs, parmi lesquels Albert Parsons et August Spies, prirent la parole devant la foule. Dans la seule ville de Chicago, 80 000 ouvriers participèrent à la manifestation et, dans tout le pays, le 1er mai eut le même retentissement et fut suivi avec le même enthousiasme.

Le lundi suivant, 3 mai, le mouvement de grève continua et beaucoup d’ouvriers se joignirent aux grévistes du 1er mai, paralysant ainsi l’économie de la ville de Chicago. La violence des forces de l’ordre, contenue durant la journée du samedi, allait éclater devant les grilles d’une usine de machines et outils agricoles, la McCormick Harvester Works (aujourd’hui International Harvester Corporation). Ripostant à la journée de grève du 1er mai par un lock- out massif, le patronat de cette usine avait remplacé ses employés par 300 briseurs de grève. A la sortie, ceux- ci furent pris à parti par les grévistes. Brusquement, la police chargea l’arme au poing. Les grévistes tentèrent alors de se disperser, mais les policiers, sans doute déçus et exaspérés par le caractère pacifique des manifestants du 1er mai, tirèrent sur la foule, abattant six hommes alors qu’ils s’enfuyaient. Les organisateurs de la journée du 1er mai virent dans ce massacre un fait honteux et inacceptable qu’il fallait dénoncer publiquement. Une manifestation fut décidée pour la soirée du lendemain sur la place de Haymarket, non loin d’un des commissariats de police de Chicago. Cette soirée de protestation contre les brutalités policières se déroula sans heurt, les orateurs se succédant devant une foule calme. Vers la fin de la manifestation, alors que les principaux orateurs avaient déjà quitté la place, 180 policiers, la matraque à la main, firent irruption parmi les manifestants, les enjoignant de se retirer immédiatement, ce à quoi Sam Fielden, un des organisateurs, eut le temps de répliquer que la foule était paisible. Une bombe explosa alors au milieu des policiers et ce fut la panique. Les policiers, dont un fut tué et sept blessés, firent feu et la foule se rua dans toutes les directions pour échapper à la fusillade.

Du côté des manifestants, le bilan fut également lourd, un mort et de très nombreux blessés. On ne retrouva jamais le lanceur de bombe, peut- être un provocateur. Cependant, les autorités ne prêtèrent aucun crédit à cette version des faits. La situation, à leurs yeux, ne comportait aucune énigme, les responsables étaient connus : les anarchistes. Non contents d’inspirer les mouvements de grève des jours précédents et de semer le trouble en incitant les ouvriers à manifester sur la place de Haymarket, ils s’attaquaient directement aux forces de l’ordre. Les autorités de vaient donc réagir vite et frapper à la tête du mouvement pour endiguer une révolte qui mettait tout le système en péril.

Les représentants du mouvement ouvrier de Chicago, Albert Parsons, August Spies, Michael Schwab, George Engel, Adolph Fischer, Samuel Fielden et Louis Lingg furent arrêtés, jugés et condamnés à être pendus, sans aucune preuve de leur culpabilité. Parsons, Spies, Fischer, Engel furent exécutés, Fielden et Schwab réclamèrent la clémence et virent leur condamnation commuée en peine d’emprisonnement à vie. Quant à Lingg, dont la mort reste un mystère qui n’a toujours pas été éclairci, il se serait suicidé dans sa cellule. Le procès des martyrs de Chicago a inauguré le règne de la terreur pour le mouvement ouvrier dans tout les Etats- Unis. Le 1er mai 1886 ainsi que les événements dramatiques qui ont secoué le mouvement ou vrier américain sont à l’origine de la célébration de la Fête du Travail, jour chômé et réservé aux manifestations des travailleurs. Comme, plus tard, le cas de Sacco et Vanzetti et l’affaire Rosenberg, le procès des martyrs de Chicago reste un exemple de la justice à la solde des possédants dans l’Amé- rique capitaliste. Les dernières paroles d’August Spies, à ce propos, sont prophétiques :

« Il viendra un temps où notre silence sera plus puissant que les voix que vous étranglez aujourd’hui »

Les débuts du premier mai en France

Paris connut le premier mai 1890 son premier « premier mai ». Une tradition allait naître, mais, pendant longtemps encore, sa célébration va se faire contre les forces de répression et 1er mai va signifier affrontements, brutalités et sanctions de tous ordres. En 1901, le syndicaliste Pouget propose dans son journal Le Père Peinard : « Fixons nous une date et proclamons qu’à partir du jour que nous aurons choisi pour rien au monde nous ne consentirons à faire plus de huit heures ! ».

Il faudra attendre le 8ème congrès de la CGT, qui se tient à Bourges en septembre 1904, pour que l’idée soit reprise et la date fixée : ce sera le 1er mai 1906 ! Pour préparer cette journée, la CGT entame la première grande campagne de propagande de son histoire : affiches, tracts, papillons, brochures, création de comités d’action pour les 8 heures, articles dans le journal confédéral d’alors, La Voix du Peuple. On y développe toute une argumentation autour de l’idée des 8 heures : moyen pour combattre le chômage, éliminer fatigue et surmenage, supprimer les maladies professionnelles, développer les bibliothèques, élever le niveau culturel des travailleurs, etc.

C’est dans ce climat qu’arrive le 1er mai 1906, qui va être marqué par de violents affrontements avec les forces de police. Dès le matin, Paris est mis en état de siège : soldats et policiers en armes à chaque carrefour, forte concentration de policiers à cheval aux abords de la Bourse du travail, place de la République. La caserne proche a même été aménagée en « prison » temporaire...

Les divers syndicats ont convoqué leurs adhérents en plusieurs points de la capitale. Un meeting est prévu à la Bourse, mais comme tout le monde ne peut y pénétrer, c’est une manifestation de rue que la police s’efforce de disperser : il y a des charges brutales, des arrestations par centaines. A l’heure du bilan, le soir, on comptera même deux morts. Et il faudra attendre 23 heures pour que les rues de Paris retrouvent leur aspect habituel. Mais les violences continueront pendant plusieurs jours en- core. Les patrons licencieront plus de deux mille travailleurs coupables d’avoir quitté leur travail le 1er mai !

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HISTOIRE DU PREMIER MAI
 
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HISTÓRIA DO PRIMEIRO DE MAIO
seg. 27 abr. 2009
manifesto
 
Porque é que o primeiro de maio? Porque é aí chamado "Dia do Trabalho"? Por que? O que é que nos fazem esquecer que estamos em pé? Este pequeno texto explica as origens históricas do Dia 1º de Maio.
(Disponível no formato da página 4, veja a brochura ou fazer o download)
 
A reivindicação de 8 horas por dia foi o centro das reivindicações dos trabalhadores dos Estados Unidos que estavam decididos a ir até a greve geral para pressionar sobre os empregadores e governo. 1 mai foi declarado Dia Internacional da Solidariedade classe e pedido de 8 horas pela Cavaleiros do Trabalho [1]. Durante a Primavera de 1886, os trabalhadores de todos os sectores têm focado seus esforços para este objectivo e por vezes são bem sucedidas neste campo.
 
Ante a determinação dos trabalhadores e da expansão do movimento sindical, os empregadores e o Governo decidiram adotar medidas de repressão mais expedita. Os infames eventos de Chicago, na Praça Haymarket, dramático e significativo evento para o movimento sindical internacional, inaugurou uma nova era de repressão e de resistência.
 
1. De maio de 1886; máximo sucesso da mobilização. Apesar dos avisos de ódio e previsões alarmistas da imprensa burguesa, sem tumultos eclodiram, qualquer propriedade infracção ocorreu e da manifestação pacífica de trabalhadores não se transformou em revolução. Por este belo sábado ensolarado, moinhos, fábricas, armazéns foram abandonados. Nas suas melhores roupas, os trabalhadores de Chicago, acompanhados pelas suas famílias, milhares parados pelas ruas da cidade em frente do chocou policiais, militares e guardas privados prontos para intervir, a menor dificuldade. A demonstração de solidariedade foi sem intercorrências e terminou às margens do Lago Michigan, onde os principais intervenientes, incluindo Albert Parsons e agosto Spies, tomou a palavra na frente da multidão. Na cidade de Chicago, 80 000 trabalhadores participaram do evento e, em todo o país, em 1 de Maio tinha o mesmo impacto e foi seguido com o mesmo entusiasmo.
 
A segunda-feira, 3 de Maio, a greve continuou, e muitos trabalhadores aderiram à greve a partir de 1 de maio de paralisando a economia da cidade de Chicago. Violência execução contida durante o dia de sábado, estava indo para estourar os portões antes de uma fábrica de máquinas agrícolas e ferramentas, o McCormick Harvester Works (agora a International Harvester Corporation). Respondendo greve dia 1 de Maio com um maciço de lock-out, a gestão da fábrica tinha substituído seus 300 empregados por strikebreakers. Ao sair, eles foram levados pelos grevistas. De repente, a polícia cobrado a arma na mão. Os grevistas, em seguida, tentou dispersar, a polícia, sem dúvida desiludidos e frustrados com os manifestantes pacíficos de 1 mai, dispararam contra a multidão, puxando para baixo seis homens como eles fugiram. Os organizadores do 1de Maio viram o massacre um acto vergonhoso e inaceitável que deve denunciar publicamente. Um evento foi decidida na noite do dia seguinte, o local em Haymarket, perto de uma estação de polícia em Chicago. Naquela noite, em protesto contra a brutalidade policial decorreu sem sobressaltos, palestrantes suceda calma antes de uma multidão. Para o final do evento, enquanto os principais oradores já haviam deixado o local, 180 policiais, bastão mãos, explodindo entre os manifestantes, obrigando-os a retirar de imediato, o que Fielden sábado, um dos organizadores teve o tempo necessário para replicar que a multidão era pacífica. Uma bomba explodiu quando a polícia no meio e foi pânico. A polícia, um foi morto e sete feridos, foram incêndio e da multidão na rua todas as direções para escapar do tiroteio.
 
O lado dos manifestantes, o estoque também foi pesado, um morto e vários feridos. Nós nunca encontraram a bomba atirador, talvez um provocador. No entanto, as autoridades não deram crédito esta versão dos acontecimentos. A situação, os seus olhos, não tinha mistério, os funcionários eram conhecidos anarquistas. Não contente de inspirar as greves dos dias anteriores e causar problemas, incentivando os trabalhadores mostram-se na Haymarket, eles atacaram directamente à polícia. As autoridades, por isso, teve de reagir rapidamente e atingiu a liderança para travar uma revolta que colocou todo o sistema em risco.
 
Os representantes do movimento sindical, em Chicago, Albert Parsons, August Spies, Michael Schwab, George Engel, Adolph Fischer, Samuel Fielden e Louis Lingg foram presos, julgados e condenados a ser enforcados, sem qualquer prova da sua culpabilidade. Parsons, Spies, Fischer, Engel foram executados, Schwab e Fielden exigiu clemência e viu sua pena comutada para prisão perpétua. Como Lingg, cuja morte permanece um mistério que ainda não foi esclarecido, ele cometeu suicídio em sua cela. O julgamento dos mártires de Chicago inaugurado o reinado de terror para o movimento sindical em todo os Estados Unidos. Em 1 de Maio de 1886 e os dramáticos acontecimentos que abalaram o movimento americano ou fevereiro são a origem da comemoração do Dia do Trabalho, férias e eventos reservados para os empregados. Como, mais tarde, o caso de Sacco e Vanzetti e da Rosenberg caso, o julgamento dos mártires de Chicago continua a ser um exemplo do equilíbrio de justiça que têm na América capitalista. As últimas palavras de agosto Spies, neste contexto, é profético:
 
"Há de chegar um momento em que o nosso silêncio será mais poderoso que as vozes que estrangulam hoje"
 
O início do primeiro de maio na França 
 
Paris experimentou o primeiro em maio 1890 o seu primeiro "Primeiro de Maio". A tradição nasceu, mas por um longo período de tempo, a comemoração terá lugar contra as forças de repressão e de 1 mai significará combates, assédio moral e das sanções de todos os tipos. Em 1901, o sindicato Pouget Em seu diário Perré Peinard: "Deixe-nos uma data e nós proclamamos que o dia que escolhemos para o mundo que não admitem mais de oito horas! ".
 
Não foi até o 8 º Congresso da CGT, que é realizada em Bourges, em Setembro de 1904 que a ideia foi tirada ea data: será o 1. De maio de 1906! Para preparar este dia, a CGT iniciou a primeira grande propaganda da campanha da sua história: cartazes, panfletos, borboletas, brochuras, a criação de comités de acção 8 horas, artigos no jornal Confederal então, La Voix du Peuple . Desenvolve-se um argumento em torno da idéia de 8 horas, e meios para combater o desemprego, eliminar a fadiga e excesso de trabalho, eliminar as doenças, o desenvolvimento das bibliotecas, elevar o nível cultural dos trabalhadores, etc.
 
Neste clima se chegou em 1 de Maio de 1906, que será marcada por violentos confrontos com a polícia. De manhã, em Paris foi colocada sob cerco: armas militares e policiais em cada esquina, alta concentração de policiais cavalos fora do trabalho de intercâmbio, place de la République. Próximo do quartel mesmo sido convertido em "prisão" temporário ...
 
Os vários sindicatos apelou aos seus membros em várias partes da capital. A reunião está prevista a troca, mas como toda a gente não consegue penetrar, uma manifestação de rua como a polícia tenta dispersar: existem cargas brutales, centenas de detenções. No balanço, à noite, há duas mortes. E vai demorar 23 horas para as ruas de Paris encontrar o seu aspecto habitual. Mas a violência vai continuar por vários dias ainda. Rescisão padrões mais de dois mil trabalhadores culpado de ter deixado os seus trabalhos em 1 mai!

 

Nota de esclarecimento sobre o APELO INTERNACIONAL DA  CNT FRANCESA POR
UM PRIMEIRO DE MAIO DE LUTA DE CLASSES:


A COB-AIT vêm a público mais uma vez para esclarecer que:

1º- As siglas que subescrevem este apelo: CNT (França), Solidaridad
Obrera (Espanha), ASSI (Espanha), SAC (Suécia), Luta Social (Portugal),
ASOINCA (Colômbia), CGT (Espanha), ODT (Marrocos), Iniciativa de l@s
Trabajador@s - IP (Polónia), USI (Itália), Confederacion del sector
publico - CSP (Camarões) SISA (Itália), Federacion Obrera de Base - FOB
(Argentina), Espacio Sindical Democratico - ESD (Marrocos), USTKE
(Kanaky / Nova Caledónia), NGWF (Bangladesh) , Consejo de los Licéos de
Argelia (CLA), USNTB (Benin), CGT CI (Costa de Marfim), SINALTRAINAL
(Colômbia), Comision sindical de la Via democratica (Marrocos), ESE
(Grécia), IWW (Grã Bretanha e Estados Unidos), ANDCM (Marrocos),
Colectivo de mujeres de Cabilia (Argélia). CGT B (Burkina Faso)
não
possuem nenhuma vinculação com a AIT, Associação internacional dos
Trabalhadores
;

2º - Não é somente da CNT francesa o chamado por isso e que esta
CNT-Vignoles (francesa) é uma ruptura com a seção francesa da AIT, que
usam o mesmo nome CNT-F, justamente para causar confusão;

3º- Que essas organizações do chamamento procuram fazer uma trabalho
"conciliador" com a esquerda institucional
(ao nosso ver, inimigos) e
isso foi o agente de rompimento com a AIT das várias organizações do
chamamento, muitas das quais aceitam subvenção estatal e governamental
para existirem criando dentro de si uma contradição com o sindicalismo
revolucionário. A AIT e suas seções atuam conforme os princípios do
sindicalismo revolucionário, não em discursos, mas em ações diretas,
rompendo com o modelo institucional de partidos, patrões e Estado;

4º- Embora se apresentem como sindicalistas revolucionárias (não
exigimos direitos autorais, e qualquer uma pode se intitular como
quiser), o que não se pode confundir são as práticas reformistas com
isso, pois não são práticas do sindicalismo revolucionário, conforme o
publicado http://iwa-ait.org/statutes.html , onde está claro a não
participação com o Estado ou grupos e partidos institucionalizados . A
proposta é rompimento e não conciliação ou harmonizar com o capital.
Propomos a ruptura com o capital, não receber nenhum subsidio do Estado
e dos patrões e a auto-organização de nossa classe, em busca da
emancipação pelas próprias forças.

Os meios de uma revolução são tao importantes com o fim que almejamos.
Pela Associação Internacional dos Trabalhadores, AIT e suas seções:
CNTE-AIT-Espanha, CNTF-AIT-França,SOLFED (Inglaterra),
FAU-AAI(Alemanha), USI-AIT (Itália), FORA-AIT (Argentina), COB-AIT
(Brasil),SP-AIT (Portugal), Priama Akcia (Slovaquia), KRAS-IWA (Russia).

Na construção do socialismo libertário através do sindicalismo
revolucionário!
Associado:
Federação Operária de São Paulo - FOSP
Confederação Operária Brasileira - COB
Associação Continental Americana dos Trabalhadores - ACAT
Associação Internacional dos Trabalhadores - AIT
http://fosp.anarkio.net
http://cobait.cnt.es

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Na construção do socialismo libertário através do sindicalismo
revolucionário!
Associado:
Federação Operária de São Paulo - FOSP
Confederação Operária Brasileira - COB
Associação Continental Americana dos Trabalhadores - ACAT
Associação Internacional dos Trabalhadores - AIT
http://fosp.anarkio.net
http://cobait.cnt.es

 

César Di na Virada Cultural de São Paulo
*3 maio 2009 00:30.
Virada Cultural - Palco Toca Raul !!!


César Di irá tocar na Virada Cultural de São Paulo nesta quinta edição. Foi escolhido juntamente com outros Grandes nomes como Nasi(Grupo Ira), Marcelo Nova(Camisa de Vênus), Kika Seixas(Ex mulher de Raul Seixas), Vivi Seixas(Filha de Raul), Os Panteras(Grupo que gravou o primeiro disco com Raul Seixas), entre outros... para prestar uma homenagem ao rei do Rock brasileiro, o inesquecível Raul Seixas!!!!!!!!


César irá tocar na íntegra, o álbum "Gita".
Data: 02 e 03 de maio, das 18h às 18h
Local: Palco Toca Raul
Avenida Cásper Líbero (próximo à Estação Luz do Metrô).

VIVA A SOCIEDADE @!

FEVEREIRO ANTIFASCISTA

11:23 @ 25/02/2009

LUTE CONTRA O FASCISMO E A IGNORÂNCIA!                                                                              E o século XXI chegou, cheio de promessas e modernidades.                                                                                  Todos saudaram com alegria a Era da Informática, do neo-liberalismo...                                                                                                                         Passados poucos anos percebemos: foi tudo mentira, cultivada pela mídia - controlada pelo Estado.           

Para o cidadão comum, o/a trabalhador/a, nada mudou! Quando empregado/a é mantido à rédea-curta pelo patrão, sob o eterno medo do desemprego, da sarjeta; quando desempregado/a se submete a todo tipo de trabalho, sem direitos e com baixa remuneração, no subemprego. Enquanto isso toda a classe vai perdendo direitos historicamente adquiridos, a vida humana vai perdendo valor, na crescente violência - resultado da fome e da miséria. Para calar a revolta, que cresce ao lado de tudo isso, o próprio Estado - através de suas diversas polícias - assassinam, torturam, mantém seres humanos como animais no matadouro em prisões superlotadas. E toda essa violência se dirige, principalmente, aos grupos mais frágeis da sociedade: os pobres, os sem-teto, as mulheres, os negros, os homossexuais, os desempregado/as, etc.                                                                                                                                                           
A classe operária, os trabalhadores, alvo final de toda essa engrenagem contra os seus próprios interesses de classe, se cala, se omite vendo seu irmão de classe cair no desemprego, ser discriminado, atacado, agredido, e, por fim , assassinado por rondas ostensivas da polícia, ou por grupos de discriminação e intolerância, ou na simples luta pelo pão. E os trabalhadores se calam por que estão desorganizados! Por que falsos sindicatos, controlados pelo Estado e partidos políticos, fruto de uma legislação fascista, que falam em nome da classe operária, e, como negociadores se comportam como mercadores de escravos, mantendo a/os trabalhadore/as desorganizado/as e calado/as.                                                                                                                                                              &n bsp; & nbsp;                         
Por isso estamos nas ruas no 9º Fevereiro Antifascista, para lembrar o covarde assassinato de Edson Néris, a luz do dia, na Prç. da República, por um bando de fascistas (carecas, skinheads, whitepower), pelo simples motivo de estar de mãos dadas com outro rapaz! Mesmo que depois dele milhares de outros inocentes tenham sido assassinados nos campos, nas cidades, nos morros e nas favelas, continuamos a luta antifascista, em nome da humanidade, pois somos todos iguais em nossas diferenças individuais, no final das contas.
Mas não consideramos o fascismo um fenômeno de um ou outro país, mas como um sintoma da decomposição de todo o sistema capitalista, pretendendo usar a reação feroz na defesa dos privilégios da elite: os burgueses, os opressores! Mostra disso são as Guerras Sem Fim, promovidas pelo imperialismo, como o genocídio do povo palestino em Gaza - feito pelos agentes do Sionismo, o Estado israelense.
E tudo isso fazem para calar, no proletariado, todas as aspirações libertárias. Por isso consideramos a luta antifascista uma luta contra o próprio regime capitalista - que alimenta a reação fascista desde a Revolução Russa, em 1917, quando também ocorreu uma Greve Geral em São Paulo. Os fascistas encontraram os trabalhadores organizados, sindicatos livres e revolucionários, contra as bases que do próprio fascismo: princípios reacionários, sistemas totalitários, aventureiros atrás de domínio político. E sem medo os enfrentamos então, sofrendo também no Brasil as agruras dos Campos de Concentração já na década de 20 - feitos para manter isolados os militantes da COB/AIT. Mas já em 1933 estávamos na linha de frente contra o fascismo/integralismo: a FOSP convoca os trabalhadores para expulsar os integralistas da Praça da Sé - local de manifestações operárias. A FOSP também denunciou a instituição do sindicato vertical controlado pelo Estado, se recusando a se submeter a Carta Del Lavoro, de Mussoline - adaptada por Getúlio Vargas -, antes de se estabelecer a feroz ditadura do Estado Novo, que encarcerou a todos. Anarcosindicalistas estamos denunciando todas as formas de manifestação do fascismo. Não nos calaremos até a vitória final do proletariado!                                                                                            

LUTE POR LIBERDADE E IGUALDADE!
NÃO DEFENDA A IGNORÂNCIA, A INTOLERÂNCIA!
LUTE CONTRA O FASCISMO!

Comitê de Solidariedade e Auto-Defesa Anti-Fascista

FOSP/COB-AIT INICIA O FEVEREIRO ANTIFASCISTA EM JANEIRO NA DENUNCIA DO GENOCÍDO PALESTINO EM GAZA

Inicialmente com um Manifesto contra o genocídio promovido pelo Estado nazi-sionista israelense, distribuído desde o início de Janeiro em diversos mini-comícios/panfletagens em diversas regiões de São Paulo (Brás, 25 de Março,  Pç. Ramos, Santo Amaro, Paulista, Campinas, etc) e que se intensificou no tradicional FEVEREIRO ANTIFASCISTA, em sua 8ª edição,  com a distribuição de milhares de cópias do manifesto acima em todas as regiões de SP, em muitas cidades da Grande SP (Osasco, Guarulhos, Campo Limpo Paulista, Mogi das cruzes, etc.) e de cidades do interior. Com a realização de uma série de eventos associados ao Fevereiro Antifascista, unindo todo o Movimento Libertário Brasileiro, denunciamos e lutamos cotidianamente contra os agentes reacionários do preconceito, da intolerância.

A luta continua: O FASCISMO NÃO PASSSARÁ!

Velho militante do Movimento Anarkista Diego Giménez participou da Revolução Espanhola, tomando parte na Coluna de ferro, a Coluna Durruti, da CNT/AIT. Depois foi exilado e mantido nos Campos de Refugiados na França. Posteriomente invadida pelos nazistas a França não podia oferecer segurança aos exilados anarkistas que fugiram dos 'campos' e inicaram o que veio a ser conhecido como a "Resistência Francesa", que serviu de modelo a todos os grupos de resistência na Europa ocupada pelo fascismo. Foi preso pelos nazistas e mantido em Campo de Concentração, sendo llibertado no final da guerra, sendo testemhunha, na carne, dos horrores nazi-fascistas.

Chegou ao Brasil no final da década de 50, rapidamente se unindo ao Movimento Libertário Brasileiro. Hoje com mais de 90 anos, mantém sua lucidêz e espírito de luta.

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Enfoque sobre a CNT, FAI e JJLL por Diego Giménez Moreno

1)FAI e JJLL: Precedentes históricos (até junho de 1936).

FAI – Federación Anarquista Ibérica – Foi constituída no ano de 1927, num encontro de um

grupo de anarquistas espanhóis e portugueses em Valencia, Espanha, com a finalidade de reunir o

Anarquismo Ibérico e era formada por grupos de afinidade.

Na Espanha considerava-se que esse movimento também reforçava o Anarco-sindicalismo.

JJLL – Federación Nacional de Juventudes Libertárias – Foram organizadas durante a 2a

República Espanhola de 14 de abril de 1931, reforçando junto com a FAI e CNT, a luta contra o

sistema.

CNT – Conferación Nacional Del Trabajo – Tanto a FAI quanto a JJLL, militavam na CNT:

como trabalhadores eram filiados. Militavam nos sindicatos como trabalhadores ou como

produtores.

Os Ateneus Libertários que se formaram na época, eram os Centros de Cultura ativados na

sua maioria pelos jovens, que mantinham viva essa cultura. Havia vários Ateneus Libertários em

cada cidade. Dentro deles aconteciam palestras cotidianamente. Em alguns foram criadas Escolas

Racionalistas. Era um movimento amplo: tinha vida própria. Cotidianamente realizava-se Teatro

Amador.

Organizavam-se “Ciras” (Pic-nic). Às vezes juntavam-se grupos de uma e de outra cidade.

Como Barcelona estava cercado de montanhas, bosques e existiam mananciais de água pura,

sempre fazia-se parada num dos mananciais para saciar a sede. Os jovens na maioria não

fumavam e nem bebiam. A vida vegetariana tinha campo neste meio. Aproveitava-se o tempo.

Além da troca de idéias entre pequenos grupos, sempre se usava um livro que alguns tinham lido

e outros não e faziam-se comentários sobre o livro. Falava-se também sobre momentos que

estávamos vivendo: o problema social. Havia debates.

Nas Juventudes Libertárias não se descriminava a mulher. Havia uma grande parte de

mulheres que participavam.

Concluindo, os debates, o livro comentado, a discussão dos jornais que se publicavam na

época, a colaboração que todos davam para manter esses jornais, trazia como conseqüência que

sempre estávamos informados sobre os problemas políticos e sociais.

Participei de uma “Cira” no dia 10 de maio de 1932. Reuniram-se 5000 pessoas. Naquele

tempo eu já namorava e levei a namorada que só podia vir desde que acompanhada pelo irmão

menor. Formaram-se vários grupos. Era um bosque. Alguns preparavam a paella. Os que já

tinham inclinação pela alimentação naturista, formavam outro grupo e mais afastados um grupo

de nudistas.

Naquele dia tiramos uma fotografia com um amigo e companheiro de sempre, Fernando e o

seu cunhado. Essa foto foi destruída pela minha mulher quando estourou a ditadura de Franco,

com medo de represálias.

CNT, FAI e JJLL, as três juntas, cumprem a sua missão histórica.

Enfocando do ponto de vista social, eu só posso dizer que somente o Movimento Libertário

é capaz de resolver os problemas sociais.

Olhando a panorâmica política de qualquer parte do mundo de hoje, administrado por

políticos de diversos partidos e diversas formas de governo, nenhum resolve os problemas do

povo. Aqui no Brasil e na América do Sul, podemos ver que só há miséria e desemprego.

Sabemos que na Europa, 1o mundo, também na Espanha por exemplo, a vida está um pouco

melhor, não é como era antes mas também há desemprego. Só que o desemprego lá, assim com

na França, tem o salário desemprego por 24 meses, coisa que aqui estamos longe de conseguir

esse beneficio.

Com a moeda espanhola, peseta, nos anos 90, comprava-se US

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,00 com 90,00 ou 95,00

pesetas, hoje precisamos de 150,00 pesetas para comprar US

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,00. Também o salário mínimo

não cobre as necessidades do individuo.

2)Como a FAI e JJLL observavam os acontecimentos históricos internacionais

(Revolução Russa, II Guerra Mundial etc)?

Quanto à Revolução Russa que começou em 1917, trouxe esperança para os trabalhadores

do mundo inteiro, na época. Tanto assim que a CNT passou a fazer parte da 3a Internacional por

motivo de que o Comitê Superior haviam se infiltrados alguns comunistas. Nunca tiveram

organização sindical, então sempre procuravam um meio de fazer sua escalada.

A CNT em 1922, nomeou Angel Pestaña que pertencia ao ramo metalúrgico. Foi mandado

à Rússia com outros dois que pertenciam a outros partidos catalães. Naquela época era o

capitalismo que não deixava passar. Não queria que vissem o que acontecia lá. Não havia o

“Telou de Acero” mas havia os capitalistas que não deixavam ver o que acontecia lá dentro. O

único que pôde passar foi Angel Pestaña. Os outros dois não puderam passar. Ele conversou com

Lênin e ele fez uma exposição a Lênin sobre o que estava acontecendo.

Na volta, escreveu o livro “14 dias na Rússia”. Neste livro ele coloca uma das coisas como

exemplo: “Agora lá não tem mais trem com vagão de 1a Classe ou vagão de 2a Classe, e sim

assento duro e assento macio. Não mudou nada”.

Posteriormente, sabe-se que Trotski, o Comissário do Exercito Vermelho, foi combater e a

acabar com a Revolução Nestor Makno que era uma Revolução Libertária em Ucrânia, capital

Kiev1.

A II Guerra Mundial, 1 de setembro de 1939. Nesses momentos estávamos exilados e

Franco dono da Espanha. Quando os nossos foram vencidos e muitos liquidados pelas forcas de

Franco, muitos de nós tivemos que imigrar para França.

O povo espanhol teve de seguir a pé, seja de qualquer ponto da Espanha, perto ou longe e

atravessar a fronteira.

Todos os sindicalistas Cenetistas, Faistas, todos foram para campos de Concentração de

imigrados na França. Nada mais podíamos fazer no nosso país.

Esses dias foram muito difíceis porque todos foram jogados. Não eram campos arrumados,

era apenas um espaço cercado por arame farpado e o exército francês com guardas senegaleses

para tomar conta. Neste conjunto de vencidos e derrotados, havia um bom contingente de

mulheres e crianças. Todos foram largados nesses campos com refugiados “Refugos”. Em praias

em Argelo e Bernet, ali passaram muitos dias sem água e sem alimentos. Pela manhã, apareciam

muitos mortos pelo frio e pela fome. As mulheres e as crianças forma separadas em campos

diferentes. A França não foi humanitária naqueles momentos, sabendo de antemão que tinha que

albergar toda aquele contingente de pessoas que estava fugindo de Franco.

Em Madrid, ainda estava o exército, mas como não havia mais como enfrentar as forças de

Franco foi nomeado um socialista quando os exércitos saíram para entregar a chave (simbólica)

de Madrid à Franco. Depois ele foi fuzilado. Todo o exercito que estava lá teve que abandonar

Madrid e foi concentrar-se em Alicante onde tem um porto de mar.

Em Alicante, antes que chegassem as forças de Franco, estavam esperando os navios

ingleses que levariam os mais graduados, os que tinham se comprometido mais com o

1 Para nós, esta revolução foi negativa, pois a Rússia acabou sendo um Estado forte, Ditador.

movimento político, e no movimento sindical. Ficou a promessa. Os navios não vieram e o cerco

ia-se apertando.

Os navios não chegavam e os desespero crescia. José Ularia Prada estava nesse bolsão,

diretor do jornal CNT em Madrid.

Depois que alguns se suicidaram os demais foram todos presos e muitos condenados e

muitos fuzilados. Pôde se observar que todo movimento anarquista, Confederados, Faistas e

Cenetistas, estavam nesse meio ou refugiados nos Campos de Concentração franceses.

3)Metodologia e Construção de Programas Políticos.

Nós vamos à procura de construir a auto-gestão. Isto é uma afirmação plenamente

anarquista.

Conhecemos muitos sistemas políticos em nome da democracia, outros em nome da

globalização e os problemas sociais não se resolvem. Continua existindo o desemprego, a fome

dos povos, particularmente na América do Sul e África.

O anarquismo não tem metodologia política. A principio, enquanto não houver outra forma,

são os sindicatos que se incumbem da distribuição do trabalho, da distribuição dos alimentos, das

matérias primas para a Industria e Agricultura.

Organizar-se para saber o que se produz, o que se necessita e onde deve ser distribuído. Ter

relação constante com outras localidades, províncias e regiões para organizar esse sistema de

intercambio. Não dar nem ao produto e nem as matérias primas valor de mercado e sim valor da

sua utilidade.

4)Formação política: a)Dentro da Organização, b)No movimento de massas.

a)Dentro da organização.

Segundo a teoria de Aristóteles, “política é a arte de governar e fazer leis que conduzam e

assegurem o bom andamento do Estado e a tranqüilidade e o bem estar dos cidadãos.” Como já

sabemos secularmente e os anarquistas aprenderam com a própria história que não é bem assim.

Os povos secularmente recebem pouca retribuição pelo trabalho que fazem, passando muita

miséria. Em conseqüência disso, surge o pensamento anarquista. Ex: Leon Tolstoi, um

anarquista cristão, um dos que se recusou a pagar impostos e aconselhou aos outros para que não

pagassem impostos.

b)No movimento de massas.

Não existe uma formação política e sim uma educação para estabelecer o sistema de autogestão

como foi realizado na Espanha em 1936. Orientação para administração dos sindicatos.

Saber a finalidade e a força que eles tem. Edição de jornais e revistas que preparam os sindicatos

que vão enxergando um futuro melhor. Com essa preparação chegamos a 19 de julho de 1936 e

tivemos a oportunidade de autogestionar a agricultura e a industria. No curto tempo que durou

essa situação, ficou demonstrado que o próprio operário sabendo que trabalhava para ele e não

para o patrão, motivado, passou a produzir mais. Nesse período, tanto na indústria como na

agricultura, a produção aumentou 40%. Mesmo considerando que houve falhas de alguns

operários que não tinham percebido as vantagens de trabalhar para nós e não para o patrão.

Muitos patrões fugiram e deixaram a empresa abandonada. O que nos íamos fazer? Não

tivemos que pensar muito. Foi formado um conselho de administração em cada industria que se

encontrava nessa situação. Esse conselho podia ser formado por um elemento de cada seção,

aquele que conhecia o andamento da seção, sabia o que se produzia e a matéria prima que se

necessitava.

Na agricultura era indicado aquele que estava acostumado a semear para plantar o trigo, o

milho ou a beterraba, a azeitona, a batata etc...

Sempre há um grupo de carpinteiros, há os sapateiros e assim por diante.

Pode ser que estamos no tempo de colheita da azeitona ou da uva e participa do conselho

quem entende.

As cidades passaram a ser administradas pelo próprio povo. Foi destituída a Prefeitura de

suas autoridades, passou a ser município livre. Em assembléia geral de todo o povo, era nomeado

um secretário e mais 2, 3 ou 4 elementos a mais que ajudavam. Este número era de acordo com o

tamanho do município. Estes ajudantes acompanham os outros no canteiro de trabalho.

Esse secretário tem ligação com outras cidades do Estado e ele está informado do que se faz

nas outras cidades, o que se fabrica, o que se precisa e o que está sobrando.

Um dos pontos interessantes é que nesse sistema é que não há desemprego. Todos

trabalham. Em algumas localidades ainda circulava o dinheiro. O trabalhador, o pai de família,

recebe pelo número de membros que tem sua família, em espécie ou em dinheiro (onde ainda

circulava). Cada um tem uma carta ou carnê que justifica que está trabalhando. Assim evita que

aquele que não trabalha receba. O que não trabalhava, não recebe alimentos, nem roupas, nem

calcados etc...

Foi criada uma Cooperativa de produção e outra de distribuição.

Na sala de reuniões havia um quadro-negro onde se colocavam os nomes dos companheiros

trabalhadores, com as diversas tarefas que tinham que ser feitas.

5)Articulação: a)Política de alianças nos movimentos sociais de classe; b)entre

anarquistas; c) com socialistas; d)com marxistas.

A CNT sempre quis fazer alianças com a UGT mas somente foi conseguida uma vez, na

revolução de Astúrias, em 6 de outubro de 1934. Foi feita uma aliança e havia socialistas e alguns

comunistas. Depois disso, resultou a sigla UHP, Unión de Hermanos Proletários. Essa revolução

durou 15 dias até a chegada das tropas do governo.

Antes disso, havia o interesse em fazer um Congresso para unir todos. Aliança entre todas

as organizações operárias. Nunca chegou a ser realizado.

No dia 19 de julho de 1936, todo o povo saiu às ruas. Claro que a maioria era FAI, CNT e

JJLL, mas os demais independentes da ideologia políticos ou sociais, também se juntaram a nós.

Todos se reuniram nas ruas para defender o interesse do povo trabalhador. A aliança verdadeira

foi construída nesses dias.

Madrid era mais socialista do que anarquista, mas estavam todos juntos na luta. Também no

ataque ao “quartel de la montaña”.

O que unia era a própria necessidade. Se entrassem os franquistas, o prejuízo era para todos.

Não havia saída.

Em Cataluña, houve aliança quando o governador, presidente da República Catalana, Luis

Compagni chamou e consideramos que devia haver representantes de todos os partidos no

conselho que se formou e assim foi feito. Mais tarde eles foram traidores como mostra o 3 a 8 de

maio de 1937.

6)Propaganda (Teoria e Prática) a)Bandeira de luta; b)Ações de massa; c)Violência

revolucionária (“clandestina”).

A teoria é a Ácrata ou Libertária. É a procura da conquista das ferramentas de trabalho na

industria e no campo. Em síntese quer dizer: A propriedade comunitária dirigida e administrada

pelos próprios trabalhadores, por aqueles que sua a camisa.

Não temos bandeira de luta. Temos um símbolo que é a bandeira vermelha e preta porque

estamos em guerra social. Se não estivéssemos em guerra, não precisaríamos de bandeira. Para

que bandeira? Não somos nacionalistas. Não queremos formar uma nação e sim um mundo pelos

mesmos princípios e finalidades: produzir e viver.

Se há violência revolucionária é porque existe o capital. Se não houvesse o capital, não

haveria revolução. Não há parto sem dor. O parto da nova sociedade custa as suas dores.

A luta tem que ser clandestina. Se a lei nega o seu direito a viver, a expor-se, você tem que

se defender.

7)Organização: estrutura federativa (bases, núcleos e células).

Haviam os sindicatos por profissões. Em cada cidade haviam vários sindicatos, formando

uma federação local onde havia um delegado de cada sindicato.

Havia a federação local, depois da Comarca, depois da Província, depois da Região e depois

a Federação Nacional que unia esse conjunto.

8)Finanças/Tesouraria: como adquirir recursos: a)No períodos pré-revolucionário;

b)Durante a revolução; c)Pós-1939.

Os recursos provinham da cotização de cada filiado ao Sindicato. Havia um carnê que

continha uma folha com (12 meses) espaços para 12 meses onde eram colocados os selos

mediante a contribuição que era paga no sindicato. Também havia o selo do Comitê Nacional. A

contribuição, na época, era no total de um real. 0,25 pst. Sendo 0,10 a 015 pst a contribuição para

o (Comitê) sindicato local e o restante para a Federação Nacional. Tínhamos um carnê de afiliado

com o número.

Isto permaneceu antes e durante a revolução. Quando entrou Franco, acabou com todos os

sindicatos e partidos políticos que passaram para atividade clandestina até que puderam se

organizar de novo, mesmo que clandestinamente.

Eu voltei do exílio em 1942 e pouco a pouco os sindicatos foram se reorganizando. Eu 1947

voltei ao sindicato filiado como metalúrgico, não mais como gráfico, como representante da

Federação local. Não havia uma regularidade nem obrigatoriedade na cota, mas alguns

contribuíam voluntariamente.

9)Instancias (resolutiva, deliberativa, executiva, assembleísmo etc...).

Os sindicatos eram administrados por nós, sem interesse de ganho. Haviam reuniões

quinzenais ou mensais de sindicatos e militantes, para tratar de problemas locais: alguém que

tinha sido despedido ou alguma greve ou alguma circular que tinha vindo da federação nacional

em caráter consultivo etc...

Os assuntos eram debatidos para depois ser manifestada a conclusão. Isso mantinha os

militantes informados.

O comitê nacional coletava todos as informações e depois de analisado e colhida a opinião

de todos, tomavam as medidas que eram informadas através de circular para todos os sindicatos.

Durante a Revolução as reuniões eram feitas com o próprio povo para debater e achar a

solução. Assembléias locais e imediatamente sabia-se o que fazer, qual o trabalho, qual a atitude

ou determinação, levando-se em consideração que cada Bairro tinha as suas necessidades e fazia

as suas assembléias. Quer necessidade de moradia, falta de água ou qualquer outro problema

daquela comunidade. No conjunto de todas as assembléias de Bairros, Aldeias, Cidades,

províncias e regiões. Sabíamos o que tínhamos em mãos e o que precisávamos fazer. Se houvesse

necessidades da nomeação de alguém para determinada função. Essa eleição era feita

publicamente, na assembléia.

10)Ideologias (conceitos-guia e ferramentas de luta).

Conceitos de acordo com a idéia libertária pois a Revolução era libertária.

Em todo aquela zona que se chamava republicana partimos para a implantação do

Comunismo Libertário de forma como nós entendemos, com a socialização de todas as riquezas

que estavam em nossa mãos, indústria e agricultura. Passamos a por em prática o que hoje se

chama auto-gestão. Depois do dia 26 de julho, voltamos ao trabalho todos os que não éramos

mais necessários na rua. Permaneceram na rua com fuzil pendurado ao ombro, para manter o

controle da situação, apenas um número necessário. Assumimos o controle de indústrias e

também na agricultura mediante Conselhos de Administração. Esses Conselhos eram formados

em Assembléia Geral na indústria ou na agricultura em cada município, sempre por

companheiros que tinham capacidade. Na indústria, por exemplo, os trabalhadores sabiam a

matéria prima que se necessitava e conheciam o produto que se fabricava. Na agricultura

também.

11)Coletivizações (no desenvolvimento próprio das contradições): a)Formas de

organização; b)Limitações encontradas.

Coletivização que hoje chamamos de auto-gestão, ou socialização,é a mesma coisa.

A coletivização representa que os povos coletivamente organizam um novo mundo, uma

nova sociedade.

A socialização representa que os povos tomam conta ou fazem-se donos das ferramentas

industriais e do campo. Por isso existe a foice e o martelo como símbolo. Assim chegamos ao

ponto em que tudo o que se produz, não importa o que, tudo o que é necessário para-a

sobrevivência fica para o produtor para o próprio povo em conjunto. Um exemplo é o que a

natureza dá para nós. Também as formigas todas trabalham sem olhar se uma faz mais ou menos

viagens. Mas todas se esforçam para levar alguma coisa para o celeiro. Dessa maneira- ela podem

conseguir preencher todas as necessidades tal como a natureza da vida está exigindo. Isto é um

exemplo de que os trabalhadores produzimos toda a riqueza do mundo, ou o que a natureza dá

para nós sem cobrar nada e o homem deveria aprender com isso. E ainda, insistindo neste

propósito de sobrevivência, vamos fazer uso de um mandamento: Ganharás o pão com o suor do

teu rosto. Esse mandamento está escrito para o mundo todo, todo sobrevivente, não só aquele que

trabalha mas para aquele que não faz nada.

12)Imaginário social (como o povo recebia a FAI e a JJLL).

Os três setores que formavam o Anarco-sindicalismo: CNT-FAI e JJLL.

CNT-formada em 1910, em outubro ou novembro. Com mais de meio século de atuação e

propaganda. Há muitos jornais e muitas revistas, muitos mesmo e bons.

Até julho de 1936, no meio operário, já haviam muitos simpatizantes, já tinha 2.000.000 de

filiados numa população que era de 25.000.000 de habitantes e a força de trabalho era de

14.000.000. Temos que contar que dentro dos meios operários havia uma Central Sindical

chamada UGT, sindicalismo dos socialistas e que tinha 1.500.000 de filiados. FAI- Federación

Anarquista Ibérica e JJLL- Juventudes Libertárias formada durante a 2a República espanhola.

Todos do movimento libertário, pois todos eram filiados à CNT que era libertária.

13)Um corpo com três cabeças (Durruti, Ascaso e Garcia Oliver).

Não eram três cabeças isoladas. Elas formavam parte do conjunto do movimento libertário

espanhol. Haviam outras cabeças que não chegavam à altura deles mas também faziam o seu

trabalho. Era um tecido social eficiente. Se o conjunto libertário não fosse acompanhado pelo

povo na sua totalidade, as três cabeças não significariam nada.

Cada um cumpre a missão conforme a capacidade que ele tem. Que teria Durruti se não

houvessem as milícias? Que teriam feito as milícias sem os que estavam nas indústrias fabricando

roupas, calcados e armas? Tudo isso não é motivo eu não pretendo tirar o seu valor.

Durruti não era um intelectual era um lutador. Quando falava na tribuna o povo

acompanhava. Todos o admiravam. Não usava de retórica, era prático. Ascaso também era

admirado.

Tem uma passagem dessa historia em que Durruti, Ascaso e mais 100 homens, foram

levados para África Equatorial (protetorado espanhol).

Eram 100 homens mineiros que se levantaram contra a Republica. Foram levados para lá

Durruti e Ascaso, como castigo pois eles não eram mineiros mas eles defendiam as

reivindicações dos mineiros. O navio estava no Porto de Barcelona e o nome dele era “Buenos

Aires”. Essa condenação provocou uma onde de greves na Espanha toda. Em Sabadell, Ulauresa

(cidades industriais), em Valencia etc... Essas greves foram feitas pelo povo em geral em sinal de

protesto. Não sei se foi nessa ocasião que Garcia Oliver foi preso numa cadeia em Barcelona e os

castigos que recebeu foi tão cruéis que chegou a urinar sangue. Os sindicatos de Barcelona

fizeram protesto.

14)O papel da FAI e da JJLL: a)formas de aproximação e incorporação de militantes;

b)o anarquismo como elemento social e de classe.

a)Todo o trabalhador da industria, da agricultura ou intelectual, explorado, vinha e se filiava

ao sindicato para defender em conjunto o seu interesse: formar uma força maior.

Os livros ou revistas que escreviam os intelectuais serviam para abrir os olhos.

O interesse pela causa faz com que não fosse um simples cotizante, mas forma-se parte do

processo de escola de militantes. Ia aprendendo e cada vez mais ia despertando o interesse,

podendo participar da Junta de Administração do sindicato.

b)O anarquismo é uma filosofia de vida que está no meio operário e mediante o discurso e

propaganda em todos os sentidos vai ganhando prosélitos.

O anarquista sozinho não faria nada. Ele precisa do povo.

O anarquismo procura o explorado para abrir-lhe os olhos e mostra uma tábua de salvação.

Procura os que têm fome, ou não tem casa ou não tem terra para trabalhar.

15)Diante do inimigo de classe.

O inimigo de classe é o patrão. Se o patrão te explora, dá pouco salário para você alimentar

a sua família, põem você na rua quando ele quer, então que fazemos? Apresenta-se a

oportunidade de unir todos os trabalhadores, formar uma força única e lutar juntos contra essa

exploração. Até agora, nunca vimos e nem existiu outra saída.

16)O povo em armas.

Chegou a hora em que o povo estava sendo atacado então teve que se defender. Houve um

levantamento militar contra a República. O povo teve que se defender quase sem armas, que os

poucos foi conquistando. Uma vez de posse das armas, foram direto implantar a sua ideologia:

socializar as riquezas. Era uma promessa feita no dia 24 de abril de 1931 por aqueles que

consideravam que não tinham ajudado a implantar República, mas se um dia a República

estivesse ameaçada, eles defenderiam.

17)A Coluna Durruti.

a)ano de formação:

formou-se em 1936, poucos dias depois de ter terminado a luta na rua, formaram-se as

milícias; no mesmo mês de julho. Apareceram muitos voluntários mas nem todos puderam sair

porque não haviam armas para todos. Eram no começo 6.000 e depois foram agregando mais.

Mais adiante, formou-se uma divisão com três brigadas, a 19, 20 e 21.

b)características políticas:

era exclusivamente social, revolucionária. Eram milícias formadas por voluntários para

atacar o inimigo, conquistar as terras que estavam nas mãos dos franquistas. Porque o exército

tinha muitos inimigos e não foi considerado, foi desfeito. Essas milícias com Durruti foram de

encontro com o inimigo em Aragon. Saíram de Barcelona depois de um desfile de despedida.

Foram de trem ou caminhão.

c)formas de organização:

a coluna estava formada em centúrias e em cada dez indivíduos havia uma espécie de cabo.

Saiu com Durruti um militar de confiança. Foram abrindo caminho e no percurso outros foram se

agregando e também seguiam com eles ambulâncias, viveres e armamento.

Os responsáveis pelos pequenos grupos de milícias, reuniam-se para ver a melhor maneira

de atacar o inimigo, distribuindo o pessoal nos pontos estratégicos. Cada grupo tinha uma missão

determinada sempre num conjunto de esforços.

d)onde atuava:

Na região de Aragon, chegando quase as portas de Saragoza..

e)Ano de ingresso na Coluna (Diego Gimenez Moreno):

Em setembro de 1937.

f)discussões sobre ações políticas de massa:

Não havia. Havia discussão de tática, de objetivo e de avançar, de ir em frente e derrotar o

inimigo. E reivindicar as armas que precisávamos. Cada vez eram necessárias armas mais

eficientes, coisa que não recebíamos. O governo não se interessava. Éramos apenas o povo.

g)violência revolucionária:

Não se faz revolução sem violência. As guerras são violentas. Enquanto fabricarem armas,

haverá violência. Fabricam-se armas para armar exércitos que depois temos que combater.

Se foi morto algum capitalista, algum patrão que tinha se portado mal com os trabalhadores,

pagando mal, perseguindo e as vezes mandando fuzilar, por outro lado, os republicanos eram

perseguidos e apenas por ter um carnê do sindicato, ele fuzilavam.

As revoluções Russa e Francesa também foram violentas.

O desemprego, não ter moradia, a criança que passa fome também é violência.

Para que se fabrica fuzil?

Não haverá violência quando se permite uma vida com dignidade.

h)Disciplina:

Não existia na forma convencional, vinda de um superior. A única disciplina que havia é

que estivesse combatendo para uma vida melhor. Não havia ninguém que a impusesse. Era a

própria necessidade e a determinação pela qual você estava lá. Quando tinha uma tarefa a

executar, você não podia abandonar ou desistir. Pois para isso você tinha se incorporado as

milícias.

i)Formação política dos (militares) militantes:

Não havia formação política. Haviam escola ou ensino informal. Quem sabia mais ensinava

aos outros.

j)Construção do conhecimento na prática:

Conforme você vai conquistando terreno, você vai fortalecendo a capacidade de executar.

18)Como aplicar os conceitos da Revolução Espanhola nos dias de hoje? O que deve

ser revisto?

A Revolução Espanhola ainda se considera valida. Todas as Revoluções que aconteceram

tiveram as suas falhas. O homem não é um ser supremo que consiga executar a obra ao pé-daletra,

ao que concerne ao seu pensamento ou seu sentimento.

A Revolução Espanhola foi uma conquista do povo espanhol em procura de uma sociedade

igualitária. Se alguns dos que participaram, as cabeças mais brilhantes falharam, o povo sedento

de liberdade e justiça, realizou aquela obra que fica permanente para todos os outros que possam

acompanhar e fazer melhor. Ainda se alguém falhou na sua missão na qual estava comprometido,

no conjunto, depois de tanto tempo que já passou, eu não me sinto com direito de julgar. Os que

venham atrás que recolham esse exemplo do povo espanhol e se há falhas que procurem corrigilas.

A situação do povo hoje mostra que está incapacitado. Não podemos comparar com o povo

espanhol naquela época. O povo não está preparado. A maioria não sabe o que é uma revolução

social. Nem tem interesse de se preparar, ficando descartada a possibilidade do caráter de

revolução.

A tarefa dos libertários que são poucos e naquela circunstância eram numerosos, é falar

boca-a-boca no Bairro, nas reuniões para que o povo aprenda a saber o sentido daquela

revolução.

Temos que nos desprender dos costumes de hoje que não são sadio. Não estamos

defendendo os nossos interesses e sim o do capital. Temos que fazer como a cobra que se livra da

pele velha para ter uma nova.

19)Há mais considerações que você gostaria de apresentar?

Durruti falou que levamos um novo mundo em nossos corações. Para conquistar esse novo

mundo não é problema de retórica. Todos aqueles que pretendem acompanhar o pensamento de

Durruti e também anseiam por um mundo melhor, não podem perder horas num bar, fumando ou

tomando cerveja. Nesse caso estamos consumindo em favor do capitalismo. Não devemos ter

muitos sapatos ou roupas etc ... em casa. Consumir apenas o necessário.

Com todos aqueles que nos acompanham nas horas do dia ou da noite, falar com o amigo

ou companheiro sobre essa idéia tão maravilhosa: “com o esforço de todos, acabaremos com a

exploração capitalista”.

 

Roteiro para a libertação SOCIAL

 

O anarquismo visa, principalmente, a emancipação do homem, de todos os seres humanos, da exploração e do domínio de uns sobre outros, seja qual for a sua forma. Os anarquistas aspiram por conseguinte, a supressão de todos os privilégios, do privilégio da riqueza como do privilégio do poder: do privilégio do bem-estar com dos privilégios do saber.

 

A riqueza é fruto do trabalho humano: do trabalho das gerações passadas e do trabalho das gerações presentes. Mais exatamente: a riqueza social é o fruto do esforço combinado de todas as gerações passadas e de todos os trabalhadores da geração presente, de modo que se torna materialmente impossível estabelecer com precisão, mesmo aproximadamente, o valor da contribuição de cada um, isto quer dizer que os trabalhadores das gerações passadas – infinitas gerações de escravos, de servos e de oprimidos, trabalham não só para enriquecer os patrões que os exploram e sustentar a miséria de suas vidas, mas ainda para nós, da mesma forma que nós trabalhamos hoje para as gerações vindouras. Todos temos direitos iguais ao fruto desse trabalho acumulado, o que nos permite multiplicar a produtividade de nosso trabalho hoje.

 

Esse patrimônio acumulado pelas gerações passadas é constituído pelo solo tornado fértil, pelos meios de produção e troca, pelos conhecimentos adquiridos através de experiências que formam hoje monopólios odiosos de uma pequena minoria de privilegiados pelo Estado e tolerados pela resignação da maioria composta pela grande massa dos oprimidos e explorados. Para sustentar esse estado de coisas os privilegiados lançam mão de persuasão e força capazes de obrigar os trabalhadores a submeter-se ao jugo de sua vontade.

 

A meta certa para a qual se devem dirigir todos os nossos atos e os nossos pensamentos são, por conseguinte, o resgate do patrimônio social acumulado pelo trabalho das gerações passadas combinado com os esforços da geração presente, para colocar esse patrimônio em beneficio de todos os seres humanos. Impõe-se, portanto, a abolição de todos os privilégios e monopólios econômicos da minoria parasitária, de forma que a terra, os meios de produção, o ar, a luz, a água, pois até isso constitui monopólio, sejam postos livremente á disposição de todos, assegurando, assim, não só a própria existência em condições dignas de se viver, mas ainda a existência das gerações futuras.

 

Só a expropriação da terra, dos meios de produção e do saber não constituem uma necessidade arbitrariamente inventada, pelos teóricos e militantes do anarquismo. É, antes, uma aspiração humana; é, sobretudo, a própria condição dos princípios de liberdade e justiça na conciliação dos interesses materiais da vida, caracterizada pelos movimentos rebeldes de todos os tempos, movimentos deturpados e aproveitados pelos privilegiados para dividir e hostilizar os povos, tornando-os inimigos e provocando as guerras.

 

Hoje mesmo, em face do abismo de misérias e de sangue em que a humanidade foi lançada pela cobiça das rivalidades dos detentores do poder, em sua disputa de privilégios e ambição de mando, cada vez mais se evidencia que a existência da humanidade está condicionada á abolição desses monopólios, odiosos e iníquos, que a condenam ao suicídio coletivo pela destruição atômica e pela guerra bioquímica.

 

Guardião feroz, insaciável, violento, implacável de todos os privilégios e monopólios que impedem os trabalhadores de terem livre acesso nos meios de produção e ao gozo dos benefícios da riqueza social, é o Estado aparelhado de todos os meios materiais, morais e científicos que deveriam pertencer á sociedade.

 

O Estado pretende ser a própria sociedade, e, em nome desta, oprime, massacra, bestializa e aniquila os seus componentes. Mas, quer a sua ação se desenvolva em nome de Deus ou dos homens; quer se diga liberal, democrático ou socialista; absoluto ou constitucional; monárquico ou republicano, a função do Estado é sempre a mesma: perpetuar a escravização das multidões que trabalham e produzem em proveito das minorias privilegiadas, as quais podem formar uma classe autônoma, constituída pelo capitalismo, como no Brasil, nos Estados Unidos, etc., ou formar o conjunto integrante da burocracia estatal, como na União Soviética e nas autocracias orientais. Em todas os casos, seja qual for sua estrutura, o Estado se considera depositário dos destinos da coletividade, confundindo e identificando os interesses e a fortuna da sociedade com os seus próprios interesses e fortuna.

 

Enquanto existir o Estado, enquanto os oprimidos cultivarem ilusões com relação ao Estado, resignando-se ao seu jugo e obedecendo as ordens dos potentados, os meios de produção e de consumo, a terra, o ar, a luz, os conhecimentos e, por conseguinte, a riqueza e o bem-estar, continuarão sendo monopólio da minoria privilegiada que, direta ou indiretamente, os controla; e a maioria dos produtores continuará sendo explorada, oprimida, vilipendiada; carne de canhões, campos de experiências políticas nas prisões e campos de concentração.

 

Abolir o Estado, abolir o próprio princípio de autoridade do homem sobre o homem é, por conseguinte, condição essencial para abolição dos monopólios e privilégios particulares da riqueza dos quais o Estado é sustentáculo através de seus presídios e de seus soldados. Nunca, como agora, neste momento de profunda crise das instituições sociais e da própria consciência humana, se torna tão evidente que o Estado, em todas as suas formas e manifestações, constitui o obstáculo irreparável á existência da paz entre os homens e dos povos, que desejam retornar às suas atividades na vida civil, que desejam e precisam trabalhar para o engrandecimento da espécie.

 

É essa, em traços fundamentais, a aspiração e a meta do anarquismo, que, há mais de um século, proclama a necessidade de uma transformação profunda que abale e atinja os alicerces da estrutura em que se assenta a tirania. Em torno desta aspiração se desenvolve a ação e atividade dos anarquistas, visando a meta de seus a postulados sociais: Dizer e fazer tudo o que seja suscetível de propiciar a abolição de todos os privilégios particulares, que consistem na exploração e desfrutamento econômico e no domínio político; nada fazer e nada dizer que tais privilégios possam dar trégua ou consentimento.

 

No exame dos problemas particulares, na proposição de soluções concretas da nossa atividade quotidiana, na esquecemos jamais a nossa meta, que é a emancipação integral dos seres humanos, do patrão que os explora, do governo que os oprime, do padre que os engana e embrutece. Precavemo-nos sempre de dizer ou fazer coisas que ao patrão, ao governo e ao padre possa dar conforto, alento e vida, tendo em conta que nossa trilogia sinistra se apóia a estrutura social do regime que escraviza e mantém os povos na miséria, que estimula ódios e aniquila o princípio de liberdade e justiça.

 

Esse é o roteiro que os anarquistas escolheram para a sua luta pela transformação libertária da sociedade.

 

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Artigo retirado da A Plebe, 15 de dezembro de 1947 - Digitado pelo Coordenação de Imprensa do Sindivários Campinas – associada a FOSP-COB

Edgard Leuenroth, editor do A PLEBE, preso após a greve de 1917. Ficha policial.