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LEMBRE SEMPRE!

23:31 @ 17/06/2014

 

LEMBRE SEMPRE:

ANARKIA NÃO É BAGUNÇA!!!  

É aquela merda: a mentalidade autoritária, beirando no fascismo, que nos rodeia insiste em dogmatizar o lema “ANARQUIA É BAGUNÇA” –, o QUE NO FIM QUER DIZER: sem uma autoridade sobre você, eu, cada um de nós, sobreviria a eterna guerra de todos contra todos, a barbárie. Como agora, em que chamam de vândalos os manifestantes exacerbados – que tem surgido em todo o Brasil, desde junho de 2013. Não atoa, os Vândalos – bárbaros que resistiram a dominação romana/a escravidão, lutando contra o poderoso império romano -, foi um povo extinto pelo exército de Roma, pois resistiram, até a morte de todos - incluindo mulheres e crianças.  

 

A civilização que condena os novos Vândalos é a herdeira direta do escravocrata Império romano – que nasce a partir do massacre da revolta dos escravos, liderados por Spartacus, por legiões da, ainda, República romana em 71 a.C. – quando Júlio Cesar se tornou um dos cônsules, que dividiam com o senado o poder, até 55  a.C., quando é empossado como 1º imperador de Roma. A sombra dessa história Mussolini e Hitler levaram a humanidade ao novo genocídio de escravos, com todas as atrocidades da 2ª grande guerra mundial e a sociedade que dela restou. Assim nós vivemos nessa pusta zona e agora somos nós a continuar a linha da história!      Estátua de Spartacus, em frente ao Louvre.      

                   Começando do começo:                                      

   O QUE, AFINAL É ANARQUIA?                                       ANARQUIA, ou ANARKIA é uma palavra que vem do grego:                                              AN (prefixo de negação) + ARKHOS (governo),                                                                             a idéia de uma sociedade sem governo centralizado, sem autoridade, sem Estado...                            onde todos os indivíduos são iguais e livres!

Obviamente o reconhecimento de que existem diferentes visões e posições, pelos interesses em jogo, levam ao dogma autoritário de que ‘sem autoridade restaria o caos’. Os autoritários generalizaram como lema desde então, estigmatizando a espontaneidade humana. E, assim, dominados pela visão autoritária foram 10.000 anos de guerras fratricidas, escravidão, exploração e opressão. Hoje, no século XXI, continuamos na mesma situação: na sociedade que se move pelo lucro, a vida humana vale pela sua conta bancária.

Mas, por outro lado existe a VISÃO LIBERTÁRIA, que vê o desenvolvimento do ser humano a partir de seu lugar original na evolução das espécies - dos australopitecos ao clã, do comunismo primitivo ao capitalismo selvagem reformado – o neoliberalismo e a globalização.

A visão libertária destaca o papel da autonomia do indivíduo e o papel nefasto da autoridade centralizada. Contra a hierarquização da sociedade propõe a igualdade, a ação direta do indivíduo e a federação. Contra a competição de todos contra todos, esteio do capitalismo, defende o comunitarismo e o apoio-mútuo/solidariedade. Contra a administração centralizada propõe a autogestão generalizada.

VEJA BEM 

 

Sob a óptica da compreensão que no ser humano, e na sociedade que ele gerou, existe uma tensão recorrente entre uns, que mais próximos das bestas, buscam se impor pela força – de onde nasce a escravidão,- com a vitória de um clã (mais belicista) sobre outro. A partir do surgimento dessa dominação do mais forte, nasce a civilização ocidental indo-europeia, e a tensão entre o instinto autoritário dominante e da luta pela liberdade e contra a escravidão, a resistência libertária – ainda inconsciente.

No Oriente ganha forma com os ensinamentos de Lao Tsé, o Taoísmo -, que buscou difundir conhecimentos para o povo/camponeses, antítese do confucionismo – que pregava a obediência à autoridade.

 

Mas essa consciência vai se construindo no transcurso dos séculos – desde as história sumérias (4000 a.C.), o que restou da história de Aknethon e dos sofistas na Grécia clássica. Se manifesta fortemente na civilização grega, berço de uma certa democracia direta, defensora da autonomia das cidades-estado, que se uniam de forma federativa, enfrentando impérios em sua história. até a queda da última cidade-estado (Atenas, Corinto, Esparta...). Manifesta-se com o luta direta e tem eco histórico na Revolta de Spartacus em 73 a.C., como luta não-violenta no surgimento do cristianismo (“não existe senhor nessa terra...”) nascido em meio a dominação romana sobre a Palestina/Jerusalém, e expurgado pelo Judaísmo Oficial, que o levou a crucificação (como já tinha ocorrido com os escravos liderados por Spartacus 100 anos antes).

Após a queda do império romano do ocidente, passamos pela chamada Idade Média – que foi marcada pelo domínio da Igreja Católica/Universal Apostólica de Roma – formalizada pelo imperador romano Constantino (sec. V d.C. e seu primeiro papa), com o intuito de manter a unidade do Império. Como herdeira direta do império, a Igreja Católica, manteve seu poder e enriqueceu estimulando guerras fratricidas de fundo religioso, as Cruzadas – do qual ainda herdamos os rancores. Os grandes senhores, os ‘nobres’, sob a benção da Igreja, dominam latifúndios, os Feudos e impõe a servidão à horda camponesa. As populações camponesas dos feudos cresciam sem conseguir satisfazer a produção de grãos, confiscados pelos senhores feudais, mantinham a população faminta. Essa ‘super-população estimulou as guerras contra os árabes otomanos islamitas, as Cruzadas à Terra Santa.

Enquanto a alta hierarquia católica chafurdava em Roma e os nobres conquistavam terras e estabeleciam novos domínios, o espírito libertário se manifestou em revoltas camponesas, principalmente a partir do século VII d.C., o que levou a inúmeros massacres liderados pelos nobres, em nome de Deus – que culminariam com as Cruzadas Albigenses, contra ‘hereges’ da Occitânia, região que abarcava parte da Península Ibérica e do Sul, do que viria a ser a França, entre 1200 e 1300 d.C.. A partir daí temos o fascismo católico, com a instituição da ‘Santa Inquisição’ – lançando a fogueira quem ousasse pensar contra a hierarquia católica. Tudo se justificava pela necessidade de controle populacional -, após séculos de domínio dos porta-vozes de Deus a Europa vivia sob a miséria, a peste e a fome.

Mas, mesmo nessas duras condições, o pensamento livre insistia em se manifestar com os percussores do Renascimento (Thomas Morus e sua ‘UTOPIA’, Rabelais e sua ‘ABADIA DE TELEMAN’ [sob o lema “Faz o que quiseres”], Erasmus e seu ‘ELOGIA A LOUCURA’, etc). Os mitos do pecado capital, da onisciência divina e do temor ao inferno, foram desacreditados e a liberdade individual ganha força. Fortalecida a liberdade individual contra a servidão voluntária, questionavam a verdade absoluta dando espaço para as subjetividades, desqualificando o poder de Deus e da nobreza, e, na época das grandes conquistas, estimulam as revoltas coloniais. Enterra o céu e o inferno e deixa a vida terrena, o ‘agora’ em seu lugar.

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Mas as forças dominantes se reinventam e ressurge a estrutura do ESTADO NACIONAL. Espanha, Portugal e Inglaterra (que funda sua própria igreja) são as vanguardas autoritárias desse processo. A descoberta do Novo Mundo (1492-Colombo/Espanha) de uma forma e de outra revitaliza a velha sociedade, tanto pelo acúmulo de novas riquezas e terras, como na descoberta de uma outra civilização sem Estado centralizado e sem os pecados católicos. Surge um novo imperialismo, momentaneamente, chamado de Colonialismo – mais uma vez alimentado pela mão de obra escrava (agora concentrada sobre os negros africanos – já que os ‘índios’ se recusavam a se submeter a escravidão e foram exterminados). O genocídio dos nativos americanos em todo o continente se dá na ordem de 90% das populações originais. No Brasil a resistência indígena é mantida pela CONFEDERAÇÃO DOS TAMOIOS – o povo do lugar – que foi uma associação proposta pelos Tupinambás (tribos litorâneas), de forma a reunir na luta de defesa da terra todos os diferentes povos – Tupiniquins, Aimorés, Goitacazes, Temiminos, Camacuans, Carajás, etc. –, respeitando a autonomia e a cultura de cada povo. A luta contra os colonizadores se inicia ainda nos 1500 e perdura até o final do século. Hoje ganha força a idéia de se reorganizar uma nova Confederação Tamoia.

Mas, como sempre, da imposição da escravidão surge a luta contrária, que viria a apoiar os ideais republicanos, a luta quilombola (comunitarista e autogestionária) e a luta abolicionista. A luta do QUILOMBO DOS PALMARES e a luta quilombola foram determinantes na libertação dos escravos. A mentalidade que vai se formando, após a eclosão da Revolução Industrial – só possibilitada pela economia mercantilista que sustentava o Estado recém-constituído -, no período que viria a ser conhecido como Iluminismo, vai se reconstruindo a partir do reforço por essas lutas.

 

Assim ganha força um conjunto de idéias-forças: o mito do bom selvagem, a idéia da Igualdade e da Liberdade. Enquanto, no Brasil, a comuna QUILOMBO DOS PALMARES sobrevive aos ataques das forças coloniais, ao norte do continente americano a Revolta das Colônias do Norte, contra a coroa Inglesa em 1776, precede a grande Revolução Francesa de 1789

 

 

Um grande grito pela liberdade foi ouvido e deu frutos: IGUALDADE, LIBERDADE E FRATERNIDADE eram suas reivindicações centrais. A queda da realeza e a derrubada da Bastilha, masmorra onde se abarrotavam os taxados como bandidos. O papel revolucionário das mulheres, as ‘peixeiras’, na eclosão da revolução e na declaração da ‘Carta Universal dos Direitos Humanos’ – reconhecendo o direito a educação pública e gratuita e a igualdade de todos os cidadãos. Na época surgiu uma nova instituição, a COMUNA, que era uma manifestação do povo exercendo o poder diretamente, o ‘povo em armas’. Numa invasão, liderada pelas Associações Populares, do parlamento (chamado de Convenção, em 1790 – onde nascem os termos a esquerda e direita) os políticos (jacobinos e girondinos) acusaram a ação de bandidos e anarquistas – desde então, fora do arco-íris político.

Cinco anos após a eclosão da revolução de 1789 a energia revolucionária popular foi completamente sugada pela rearticulação do Estado (passando da Convenção e da ditadura jacobina, liderada por Robespierre). Durante seu governo, ele procurava equilibrar-se entre várias tendências políticas, umas mais identificadas com a alta burguesia e outras mais próximas das aspirações das camadas populares. Enquanto levava à guilhotina as lideranças dos sans culotes – que se opunham a sua autoridade. Um de seus seguidores, Babeuf, escreve o primeiro manifesto comunista, a “Carta dos Iguais”, de caráter autoritário – posteriormente, termina na Guilhotina.

Robespierre concretizou algumas realizações significativas da revolução, principalmente no setor militar: o exército francês conseguiu repelir o ataque de forças estrangeiras. O Jovem Napoleão começa a se destacar e a se aproximar da elite, nessas guerras. Durante o governo dele vigorou a nova Constituição da República (1793) que assegurava ao povo:

  • Direito ao voto
  • Direito de rebelião
  • Direito ao trabalho e a subsistência
  • Continha uma declaração de que o objetivo do governo era o bem comum e a felicidade de todos.

Deposto e levado a guilhotina pelos seus pares não chegou a ver o poder ser entregue a certo jovem soldado – que ele ajudou a acender, e que em nome da burguesia francesa, liderou a França a conquistar seu Império – ainda sob a República. Napoleão invade a península Ibérica – o Rei de Portugal, D. João, foge para o Brasil - e desmantela a Santa Inquisição (confiscando seus arquivos e divulgando suas barbáries). A voz libertária se calaria na França. A burguesia se realinha, 20 anos após a morte de Robespierre, e depõe Napoleão em 1814 (levado preso ao exílio na Córsega), restaurando a monarquia.

Termina assim a 1ª República Francesa.

(FINAL DA PRIMEIRA PARTE – continua...)

 

 

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