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MANIFESTO DE SOLIDARIEDADE À GAVIÕES DA FIEL

A mídia falada e escrita, radiofônica, televisiva e virtual, ao se referir ao Corinthians, tem uma imagem desvirtuada por preconceitos (designados genericamente por: anti-corinthianos). Ao falar, por exemplo, da contratação do Zizao – defendida pelo Departamento de Marketing do Corinthians. O nível baixo da crítica, da bem informada imprensa, não leva em consideração que somente esse fato dá uma dimensão muito maior – na própria mídia – dos 200 Anos da Imigração Chinesa (em 1812, numa das primeiras ondas imigratórias para o Brasil).

Do ponto de vista do corinthianismo quem se aventurar a pesquisar o tema verá que esses heroicos imigrantes foram recebidos com grande preconceito. Assim se pode entender por que um dos primeiros parlamentos, da recém-criada República, criou uma lei restringindo a imigração chinesa – para combater uma contaminação cultural retrógrada...

Todos sabem que o Corinthians está completamente comprometido com o antirracismo – marcado na união de suas cores símbolo, alvinegro. Com isso a nação corinthiana, ao chamar a atenção para esse fato histórico, se solidariza ao trabalhador povo chinês. É uma ação de propaganda interna e externa de grande profundidade.

Desde sua fundação a história do Corinthians mostra como se formou um time operário inspirado na derrota da patronal, Isso se denota na ação histórica do clube e de seus torcedores – muitos associados na FOSP/COB, desde a fundação do clube: na participação no Cortejo de José Martinez, mártir da Greve Geral de 1917; Ao adotar, por distintivo, que perdura até hoje, um similar ao de uma Associação de Operários, ligada a FOSP/COB-AIT, independente do Estado, dissolvida pela ditadura getulista na década de 30; Ao ser sua torcida a pioneira em auto-organização, na criação da ‘GAVIÕES DA FIEL’, no final dos anos 60 – criada como um farol independente da diretoria do clube; Ao ser a primeira torcida a levar, em plena ditadura militar, em 1974, a abrir uma enorme faixa pela ANISTIA AMPLA GERAL E IRRESTRITA; ao levantar, nos início dos anos 80 – ainda sob a ditadura militar - a bandeira da DEMOCRACIA CORINTHIANA, e sua prática autogestionária; a única em que a torcida derrubou dois presidentes por corrupção e autoritarismo, ambos ligados ao malufismo.

De há muito já se foi à época em que as torcidas dividiam livremente o espaço nos estádios, devido as brigas de torcidas no final dos anos 80 - mais de 15 anos após a fundação da ‘Gaviões’. Nos anos 90 as torcidas foram TODAS COLOCADAS NA CLANDESTINIDADE pela Justiça, devido a uma briga entre torcedores do São Paulo e do Palmeiras num jogo da COPA SÃO PAULO DE FUTEBOL JUNIOR, que levou a uma morte. Mesmo não tendo nada a ver com essa briga a GAVIÕES também foi penalizada, mas teve a força moral para liderar um movimento unindo TODAS AS TORCIDAS ORGANIZADAS, que conseguiram voltar aos estádios. Desde então a Gaviões tem se pautado pelas campanhas de paz com relação as demais torcidas organizadas.

Apesar disso os torcedores corinthianos, organizados ou não, tem sido vítimas constantes de ataques de intolerância anti-corinthiana. Esses ataques nas ruas, estações de trem e metrô tem sido documentados pela própria polícia, que tem sido alertada pela própria “Gaviões da Fiel”. A ação da torcida ‘Independente’, do São Paulo, levou esse tipo de ação para os desfiles de carnaval, quando seu presidente, Carlos Amorosino Júnior – preso até hoje – assassinou Ruy Luciano Nogueira, de 25 anos, carnavalesco do Bloco da  ‘Pavilhão 9’, enquanto confronto entre torcedores da Independente e da Mancha Verde levou a morte do palmeirense Mauro Roberto Costa, de 23, e o são-paulino Dhiógenes Fernandes Ventura, de 20. Em meados de 2011  tivemos o covarde assassinato de Douglas Silva. Durante uma briga, o corintiano Douglas tentou se afastar, mas foi pego por cerca de 40 torcedores da Mancha. Eles o espancaram e depois o jogaram no rio. A recente morte de André Alves Lezo, presidente regional da ‘Mancha Alviverde’ é resultado dessa intolerância anti-corinthiana, francamente apoiada pela mídia e pela inoperância do Estado nesses casos.

A questão então não é criminalizar a “Gaviões”, ou mesmo as torcidas organizadas de qualquer clube. A questão é perceber quem são aqueles que difundem a intolerância fascista, seja contra o adversário, contra o negro, o nordestino, o homossexual. Preconceito, por si só, já demonstra ignorância. No caso da morte de André Lezo a sua própria mãe era corinthiana militante – o que já seria quase um pleonasmo. Não se comoveu com isso para se envolver no brutal e covarde assassinato de Douglas/Gaviões, cerca de 6 meses antes.

Todos hoje sabem que a origem da violência dos hoolighans, na Inglaterra, se deve a ação de grupos neo-fascistas, ligados ao movimento skinhead e ao ‘Partido da Nova Bretanha’. Vimos a mesma violência na EUROCOPA/2012, sem toricidas organizadas, mas devido ao nacionalismo russo.e polonês. É a intolerância fascista, atuando de forma pública ou privada, o que deve ser combatido e definitivamente extirpado do seio da sociedade, não só das torcidas organizadas. A capacidade de o Estado realizar esse combate é mínima, já que o próprio Estado, como a máquina de poder estabilizador do sistema e status quo da sociedade é justamente a estrutura que tanto encanta os intolerantes e autoritários, sempre apelando para a força para ‘resolver’ os problemas sociais.

- LIBERDADE PARA A “GAVIÕES DA FIEL”!

- CONTRA A CRIMINALIZAÇÃO DE TODAS AS TORCIDAS ORGANIZADAS!

- PELA LIBERDADE DE ORGANIZAÇÃO POPULAR E SINDICAL!

- PELA UNIÃO ANTI-FASCISTA NA LUTA CONTRA A INTOLERÂNCIA!

“CIDADÃOS, DA GRANDE NAÇÃO CORINTHIANA,

NESSE MOMENTO, SOMOS TODOS GAVIÕES DA FIEL!

 

TORCIDA ANARCORINTHIANA – São Paulo, 21 de Maio de 2012.

 

 

O COLETIVO LIBERTÁRIO apoia a "Gaviões da Fiel"

e subscreve o Manifesto de Solidariedade lançado pela TORCIDA ANARCORINTHIANA.

O TIME DOS ANARQUISTAS

21:53 @ 01/08/2012

 

O TIME DOS ANARQUISTAS

Mauro é jornalista, corintiano, 71 anos. Estudou arte, ciências sociais e foi revolucionário no Chile. Amigo de Henfill, foi assessor da ONU e colabora com ONGs brasileiras de direitos humanos.

    

O time dos anarquistas: 100 anos de ódio e resistência (Mauro Carrara)

Há exatos 100 anos, um grupo de operários do bairro do Bom Retiro, em São Paulo, praticou um ato de “desobediência civil”.

À luz de um lampião, na rua, os insurretos decidiram criar um time de futebol do povo e para o povo.

Atrevidos, decidiram que a nova agremiação não deveria se contentar com a várzea.

O plano era formar um esquadrão para enfrentar, de igual para igual, os clubes da fechada elite paulistana.

Ousados, já meteram a mão em foices para abrir uma cancha num terreno baldio, pertencente a um lenheiro do bairro.

E, no primeiro jogo, contra o União Lapa, saíram em passeata até o palco da contenda.

Mas como passeata? Passeata, sim senhor, porque essa gente era sobretudo anarquista, com a graça do bom Deus.

O primeiro presidente do clube, o ítalo-brasileiro Miguel Battaglia, por exemplo, tivera contanto com o anarcossindicalismo ao prestar serviços para a Light.

É dele a frase cândida, mas também desafiadora, que guia a nação alvinegra até hoje: “Este é o time do povo, e é o povo que vai fazer o time”.

Essa turminha do barulho lia o jornal anarquista de Gigi Damiani, o La Battaglia, que exortava os trabalhadores a fundarem suas próprias escolas e agremiações esportivas.

O time dos anarquistas não tinha bagunça. Cada um sabia das suas atribuições. Cada um assumia uma responsabilidade, conforme o que se aprendera de Bakunin e Malatesta.

E assim se estruturou. Em 1913, os meninos bons de bola conquistam o direito de participar da divisão principal do futebol paulista.

Ao mesmo tempo, o Paulistano e a A. A. das Palmeiras (nada a ver com o atual Palmeiras), enojados do cheiro do povo, se retiraram da liga e resolveram disputar um torneio paralelo.

Começava ali uma história de ódio.

A imprensa questionava a presença de um time de iletrados no mundo do chiquérrimo futebol, um jogo inventando por lordes ingleses.

Quanta petulância!

E para acirrar ainda mais os ânimos, o time dos anarquistas admitia gente de todos os tipos.

Logo agregava os negros, os mulatos, os caboclos e outros filhos da terra.

Mais um pouco e atraía também os outros segregados, polacos, libaneses, alemães, sírios, japoneses e gregos, gente que somente se entendia na alegria de torcer pelo Corinthians.

Imaginem o escândalo: um time de anarquistas, pretos, imigrantes e boêmios invadindo as elegantes festas do Velódromo.

Se o Corinthians ainda existe é por conta da brava resistência ao preconceito.

Tudo lhe foi sempre negado ou dificultado.

A mídia paulistana sutilmente construiu um estereótipo desabonador do corinthiano: é o ladrão, favelado, sem modos, sujo e vagabundo.

E mesmo criminalizado o Corinthians sobreviveu, e se fortaleceu.

E fortaleceu-se por qual motivo? Justamente porque sempre se cria um espírito de resistência solidária entre os oprimidos, ofendidos e injustiçados.

Passaram-se 100 anos, e nada mudou.

O Corinthians continua sendo alvo preferencial da mídia monopolista.

Se o grande São Paulo Futebol Clube recebe um financiamento do BNDES não há nada de errado. É a ordem natural das coisas.

Ora, mas se o banco vai financiar a “pretalhada”, os “gambás”, aí é uma vergonha.

Se a ordem é investir dinheiro público no rico bairro do Morumbi, a imprensa sorri de orelha a orelha.

Mas se a grana toma o rumo de Itaquera, na esfolada Zona Leste, já vira um caso de polícia. Estadão, Folha, Abril, Globo, ESPN, entre outras organizações midiáticas aproveitaram para criminalizar mais uma vez a paixão de Lula pelo time do povo. Está aí um prato cheio para colunistas políticos travestidos de colunistas esportivos: juntou o time dos anarquistas, do populacho, com o operário nordestino que se meteu a ser presidente… Ai, não dá, né? Ainda mais quando ambos, o time e o presidente apresentam atributos que encantam o povo e, logicamente, o eleitorado. Aqui, no Brás, os fogos espoucaram durante toda a madrugada. Subiam dos quintais de cortiços, das janelas de apartamentos minúsculos, de ruelas esquecidas e escuras, dos lugares onde o povo do Brasil ainda resiste, invisivelmente. Ahhh… Quanto ódio, meu Corinthians, mas quanta amorosa resistência! Parabéns pra você!

 

 

"... QUANDO ALGUM PROFETA VIER LHE CONTAR QUE O NOSSO SOL TÁ PRESTES A SE APAGAR MESMO QUE PAREÇA QUE NÃO HÁ MAIS LUGAR, VOCÊS INDA TEM A VELOCIDADE DA LUZ PRÁ ALCANÇAR!..."

XXIVª PASSEATA-HOMENAGEM à

Raul Rock Seixas

 

21 de AGOSTO (TERÇA)

 

16 hs:

CONCENTRAÇÃO EM FRENTE AO TEATO MUNICIPAL (Pç. Ramos)

18 hs: Saída da Passeata

(Pç. Ramos de Azevedo, Viaduto do Chá, R. Libero Badaró, Largo do São Francisco, R. Benjamin Constant, Pç. da Sé)

19 hs:

Concentração com SOM na Praça da Sé

22 hs: ENCERRAMENTO FORMAL

VIVA A SOCIEDADE ALTERNATIVA!!!

 

 


CANDIDATOS SENDO ATACADOS EM TODO PAÍS!

http://www.youtube.com/watch?v=p_fjObSAQYk







PÃO, ELEIÇÃO E CIRCO!

Mais uma vez estamos em época de eleições, como frutas podres os políticos se apresentam na feira da mentira e da alienação. Disputam as tetas que você mantém, com seu suor e ignorância, pois se tudo prometem é por que querem um cheque em branco, para depois ficar falando pelos milhões de votos recebidos. Serão os mesmos que , após eleitos, continuarão a destruição dos direitos, conquistas históricas da luta dos trabalhadores.

São os mesmos que usam os partidos para controlar os falsos sindicatos atrelados ao Estado, mantendo a classe trabalhadora desorganizada e dependente. Assim eles vivem da mordaça que o Estado impôs aos produtores da riqueza social. São os mesmos que querem trocar tua consciência e tua luta pelo teu voto! Assim eles mantêm o Sistema de exploração e opressão, o capitalismo e seu estado.

Mas há uma saída para isso: não participar da farsa Eleitoral e assumir a responsabilidade pelas nossas próprias vidas, assumindo o controle pleno sobre ela, sobre o trabalho e a produção que vem dela. Só assim, homens e mulheres, brancos, asiáticos, índios, independentemente de opção sexual ou religiosa , somos todos operários trabalhadores, produtores da riqueza social podemos diretamente administrá-la – basta que estejamos organizados e conscientes. Organizados em sindicatos de verdade, não nesses aparelhos de carreira para políticos, controlados pelo Estado e pelos paridos políticos. Conscientes para nunca mais delegar nosso poder aos políticos de plantão e sim para assumir direta e coletivamente a gestão da sociedade.

PARE PRÁ PENSAR: VOTE NULO E NÃO SE ILUDA!

VOTE NULO E VÁ À LUTA!

VOTE NULO, NÃO SUSTENTE PARASITAS!

VOTE NULO

O VOTO NULO É UM PROTESTO VÁLIDO, FORMA LEGÍTIMA DO ELEITOR MANIFESTAR SEU DESEJO DE SEGUIR NOVOS RUMOS COM ORGANIZAÇÕES LIVRES SEM POLÍTICOS E PATRÕES, SEM ENCARREGAR A UM POLÍTICO O DIREITO DE DIRIGIR A SUA PRÓPRIA VIDA. JÁ OVOTO BRANCO É UM ATO DE CONFORMISMO COM ESTE SISTEMA DEGENERADO QUE NOS OPRIME.

DESTRUA O SISTEMA!

EXERCER O PODER CORROMPE.

SUBMETER-SE AO PODER DEGRADA!

PRESIDENTE – GOVERNADOR - prefeito

SENADOR – DEP. EST. & FED. - vereador

DIGITE 99 E CONFIRME!

Somente após anular o voto nos 5 candidatos a tela mostrará a palavra FIM

CONTRA TODAS AS MISÉRIAS E A FARSA ELEITORAL VOTE NULO!







XXIV PASSEATA-HOMENAGEM A RAUL ROCK SEIXAS

(O Poeta Libertário do Rock Brasileiro)

http://www.youtube.com/watch?v=8VbDyVHiOp8&feature=related


Nos 23 anos da morte de Raul Seixas, 21 de agosto de 2012 - no dia em que se iniciava a propaganda eleitoral obrigatória no rádio e na televisão – São Paulo assiste a mais uma manifestação da Sociedade Alternativa: a 24ª PASSEATA-HOMENAGEM A RAUL SEIXAS, o poeta libertário, pai do rock tupiniquim.

A manifestação mais libertária de São Paulo, um Carnaval do Povo, da Sociedade Alternativa. A ação direta dos raulseixistas era o perfeito contraponto à farsa eleitoral

 

ORIGENS


http://whiplash.net/materias/diaadia_mortes/057416-raulseixas.html

 

http://www.youtube.com/watch?NR=1&feature=endscreen&v=YAEGOOlXR80

 

A primeira Passeata Raulseixistica ocorreu no próprio ano em que seu corpo foi encontrado pela Dalva, em 1989. Depois do corpo ter sido transferido, da Capela do Cemitério da Quarta Parada para o Palácio das Convenções do Anhembi, onde seria velado por toda a noite e  madrugada por um público móvel de mais de 50.000 pessoas. Cerca de 10000, que lá permaneceram toda a madrugada, impediram que as 4:00 hs da manhã uma pirua-combi funerária retirasse o corpo, para levá-lo ao aeroporto de Congonhas – de onde o caixão iria a Salvador para ser enterrado.

 

A partir daí fecharam o prédio, e passaram a controlar a entradas. Exigiram então: que o caixão fosse levado por um Caminhão do Corpo de Bombeiro, coberto pela bandeira do Brasil acompanhado pela Passeata/Cortejo, com todos que lá se encontravam, como um verdadeiro herói brasileiro. A Tropa de Choque foi chamada e cercou o Anhembi ameaçando invadir, mas devido a reação firme dos raulseixistas, terminaram cedendo por volta das 8:00 hs da manhã, colocado o caixão no Caminhão Vermelho dos  Bombeiros e coberto pela bandeira, o Cortejo saiu do Anhembi por volta das 9:00 hs. Saindo pela Avenida Cruzeiro do Sul, pegou a Av. Tiradentes seguindo pela Av. Júlio Prestes, Anhagabaú até chegar a Av. 23 de Maio. Após percorrer cerca de 1 Km na 23, num aclive da pista (o que dificultava o acompanhamento da multidão) e aproveitando que a sua frente não havia veículos o Caminhão acelerou – deixando a Passeata para trás. Ainda assim centenas de veículos acompanharam o caixão até o aeroporto.

http://www.youtube.com/watch?v=vDy82vG8SXU

 

A partir de 1990 começam as Passeatas, a cada 21 de Agosto, inicialmente pela iniciativa do RAULMANIA-Fã-Clube, que tinha sua sede na Galeria do Rock, no centro da cidade. Nos anos seguintes, na medida que o próprio RAULMANIA fechou, devido a problemas pessoais dos organizadores, a organização da PASSEATA-HOMENAGEM foi assumida espontaneamente pelo próprio movimento Raulseixista (pelos Fã- Clubes: ‘RAUL ROCK CLUB’, ‘A PANELA DO DIABO’, ‘LUAR ROCK CLUBE’, ‘COISAS DO CORAÇÃO’, ‘TOCA MAIS UMA DO RAUL’, ‘POPULOUCOS’,etc) e apoiadores (como os Coletivos ‘LIBERTÁRIO’, ‘HUMANITUDE’, etc.) e associações livres (como a FOSP/COB-AIT e a Associação dos Escritores Santamarenses/ASSESA, etc.)

 


2012, até o Xavez passou por lá!

A XXIV PASSEATA-HOMENAGEM encontrou nesse ano, de eleições, várias dificuldades e pequenas sabotagens: na Virada Cultural a Prefeitura destinou um espaço para manter as atividades ligadas ao Raulseixismo isolada na região de Santo Amaro, em local que não comportava mais de 250 pessoas – ainda assim milhares de pessoas estiveram presentes; as rádios foram proibidas de divulgar a Passeata-Homenagem; toda a propaganda de rua, normalmente feita a partir de Junho, foi CRIMINALIZADA e rapidamente destruída, dos mais de 500 cartazes afixados mais de 60% foi destruída em menos de 24 horas. A Saída foi ampliar a panfletagem por filipetas, tendo sido distribuídas mais de 5000.

 

A coisa em si já se movia e as 16 hs deste 21/08 já havia mais de 500 pessoas nas escadarias do Teato Municipal, com alguns violões e as próprias vozes, eram ouvidos por quem passava na praça Ramos de Azevedo. Aos poucos a manifestação foi crescendo, faixas e bandeiras foram sendo erguidas, alardeando a chegada de uma nova Era. Se cantava a plenos pulmões as canções imortalizadas por Raul: SOCIEDADE ALTERNATIVA, A LEI, CACHORRO URUBU, COWBOY FORA DA LEI, AL CAPONE, etc.

Já havia mais de 1000 seixistas quando, pouco depois das 17 hs surge a Moto-Atômica, com som mecânico. Chega na praça, seguido por um helicóptero inflável, ou seria um Zepelim. Finalmente se calou o som ‘amplificado’ de um grupo sertanejo, colocado no meio da praça pela própria Prefeitura com o intuito de inviabilizar a Tradicional Concentração Raulseixista – longe de ter obtido sucesso. Afogados que estavam no meio de uns 3000 cidadãos saudando a SOCIEDADE ALTERNATIVA.

 

Um pouco antes das 18 hs a Concentração, que já tomava então a praça Ramos, começa a se mover, em direção ao Viaduto do Chá, interrompendo o trânsito que escorria da Av. da Consolação. A Passeata da Sociedade Alternativa segue pelo Viaduto contra o fluxo de carros, tomando 3 das 4 faixas da pista. Passa ao largo do prédio da Prefeitura cantando COWBOY FORA-DA-LEI: “...Mamãe não quero ser prefeito, Pode ser que eu seja eleito, e Alguém pode querer me assassinar... Não preciso ler jornais, mentir sozinho Eu sou capaz! Não quero é ir de encontro ao azar...” A essa altura uma bandeira de São Paulo e uma faixa de um candidato a vereador, foram destruídos e removidos pelo próprio povo da Passeata, trocados pelos símbolos e bandeiras da SOCIEDADE ALTERNATIVA.

http://www.youtube.com/watch?v=NpKH4f2DS5o&feature=related

http://www.youtube.com/watch?v=ZmtFOWzoiPU


Assim, já com umas 5000 pessoas, de todas as idades, raças e sexos atravessaram a Praça do Patriarca e tomou a Rua Libero Badaró, lembrando o Mensalão: “... Hey Al Capone, Vê se te orienta, Já sabem do teu furo nego no Imposto de Renda...” Segue, passando ao largo do Largo do São Francisco tomando a

 

Rua Benjamin Constant, até desembocar na Praça da Sé – pouco antes das 19 hs, enquanto ainda saiam pessoas do Teato Municipal.


Enquanto as pessoas iam se acomodando e enchendo as escadarias da Catedral da Sé a Passeata ainda desembocava pela Benjamin se esparramando por toda a região, marcando cada boteco e todos os cantos da praça até pouco depois das 19:30 hs. Mais uma vez a SOCIEDADE ALTERNATIVA reafirma sua vitalidade, mantendo a memória dos princípios fundamentais, impresso nas letras das músicas do Maluco Beleza.

 

Como sempre a Manifestação prosseguiu para além do horário demarcado pelos organizadores, as 22:00 hs, sem a ocorrência  de nenhum crime ou violência, apesar da dosagem etílica média já ter ultrapassado bem os níveis legais.

VIVA A SOCIEDADE ALTERNATIVA: A SOCIEDADE AUTOGERIDA!


VIVA EU! VIVA TU!

VIVA: TOCA MAIS UMA DO RAUL!

A Panela do Diabo

Oficial Fã-Clube

24ª TRIBUTO A RAUL ROCK SEIXAS (1945-1989+2006)

EU TAMBÉM VOU

24ª PASSEATA-HOMENAGEM À RAUL SEIXAS

21 DE AGOSTO (TERÇA)

16 hs: CONCENTRAÇÃO EM FRENTE AO TEATRO MUNICIPAL (PÇ RAMOS)

18 hs: Saída da PASSEATA

(Pc. Ramos de Azevedo, viaduto do Chá, R. Libero Badaró, Largo do São Francisco, R. Benjamin Constant, Pç da Sé)

19 hs: Concentração com SOM na Praça da Sé

22 hs: Encerramento

 

VIVA A SOCIEDADE ALTERNATIVA!!!

 

Numa passeata no centro do Rio de Janeiro em 7 de junho de 1973, um cantor desconhecido saiu com seu violão pelas ruas entoando uma canção-lamento para os pedestres, era o milagre brasileiro em plena ditadura Médici.

 

Dizia que devia estar contente e satisfeito, mas não estava! A música brasileira começava a conhecer aquele que viria a se tornar um de seus maiores poetas, filósofos e mártir: Raul Seixas, o Castro Alves do século XX. Num tempo em que a mínima aglomeração de pessoas era vista como ato de subversão, a performance de Raul Seixas com a sua “Ouro de Tolo” desbancando a classe média foi parar no Jornal Nacional daquela noite, os versos: “Eu devia estar contente porque tenho um emprego, sou o dito cidadão respeitável e ganho 4 mil cruzeiros por mês...”.

 

Com 10 anos de estrada nas costas surgia o pai do rock tupiniquim: o rock brazuka passava a ter postura de movimento e contestação – órfão do bom-mocismo de Roberto Carlos. Com algum atraso, por causa da linha dura imposta pelo AI-5, o rock brasileiro experimentava as mudanças que no resto do mundo atingiram seu ápice com o festival de Woodstock, em 1969. E Raul foi o porta-voz do inconformismo, num momento em que muitos ícones da MPB estavam no exílio.

 

Assim participou de um Ato em defesa da anistia, o PANIS ET CIRCENSES, no  Teatro Municipal em 72. Em 74 lança GITA e proclama a Sociedade Alternativa, que lhe valeria a prisão, tortura e exílio nos EUA – onde conheceria John Lennon e discutiriam as suas propostas revolucionárias, o “Novo Aehon” e “Nutopia”. Volta ao Brasil, depois de receber o disco de ouro por GITA e continua a difundir suas idéias sobre a Sociedade Alternativa em NOVO AEHON (75), HÁ 10.000 ANOS ATRÁS (77), O DIA EM QUE A TERRA PAROU (78) MATA VIRGEM (79), POR QUE OS SINOS DOBRAM (80) e ABRE-TE SÉSAMO (81). A partir daí passa por diversos problemas de saúde que terminam por abreviar sua profícua vida. Ainda assim se mantém ativo, ainda que marginalizado pela mídia, mas sempre com um público fiel, ganha novo disco de ouro com COWBOY FORA DA LEI, em que adere à campanha e pelo voto nulo publicamente, uma música que “O Raul tinha esse refrão na cabeça desde 1973, tanto que originalmente ela se chamava Cowboy 73. Com o passar dos anos, ele mudou para Cowboy Fora da Lei” – como testemunha seu amigo pessoal Sylvio Passos. No dia 21 de agosto de 1989 seu corpo é encontrado em seu apartamento na Rua Frei Caneca, em São Paulo. A grande comoção que tomou conta do país testemunhou a sua influência que se manteve perene mesmo 17 anos após sua morte física, atestando que “os homens passam, mas as músicas ficam...”

 

Em São Paulo os fãs arrebataram seu corpo se recusando a entregá-lo se não houvesse um ritual semelhante ao que fizeram com o Tancredo Neves, assim após horas de confrontação entre os fãs acastelados no Palácio de Convenções do Anhembi e a tropa de choque da PM. O caixão saiu enrolado em uma bandeira Brasileira, levado por um carro do corpo de bombeiros e seguido pela passeata dos fãs que lá permaneceram durante a madrugada mais de 10.000 pessoas, segundo a PM na época. Em Salvador uma multidão com mais de 30.000 novamente arrebatou o caixão das mãos dos próprios familiares para conduzi-lo ao túmulo, cantando suas músicas sem parar.

 

Desde então sempre na data de sua morte – 21 de agosto – são realizados em todo o país centenas de tributos lembrando Raul e trazendo para o século XXI suas idéias e canções. De todos o que mais se destaca é a PASSEATA-HOMENAGEM A RAUL SEIXAS, ora em sua 24ª (vigésima quarta) edição. Com a participação de rauseixistas de outras cidades e até de outras regiões do país, marcado por uma concentração durante a tarde em frente ao Teatro Municipal, na praça Ramos de Azevedo, com saída as 18hs em direção a Praça da Sé, onde o Tributo prossegue, oficialmente até as 22hs, mas durante toda a madrugada para milhares de pessoas, cerca de 10.000 nas últimas edições, já no século XXI

 

Reunidos e confraternizando em clima de completa paz e harmonia, cantando as canções de Raul coletivamente e discutindo suas propostas e legado durante mais de 6 horas, demonstramos a presença e vitalidade de Raul Seixas e da Sociedade Alternativa viva dentro de nós. E é com essa mensagem de otimismo e de revolução do cotidiano que estaremos novamente nas ruas nesse ano de 2012.

 

                                                                       São Paulo, 07 de agosto de 2012.

 

(Release divulgado para a mídia falada ,escrita e televisada de São Paulo)