Grupos

O tributo desse ano reuniu mais de 5000 pessoas na Praça Ramos de ASzavedo, nas escadarias do Municipal - tradicional pónto de encontro dos Raulseixistas. Na Passeata o público cresceu e chegou na Sé com umas 15 mil pessoas.

 

Estátua de Carlos Gomes, na frente do Municipal e de frente para o Anhangabaú,

com a bandeira Raulseixista com os símbolos do Novo Aheon, do movimento hippie e do

Anarquismo.

 

 

As escadarias do Municipal e a Praça Ramos tomados pelos Raulseixistas entre 16 e 17 horas.

 

 

 

Saída da Passeata da Praça Ramos as 18 hs.

 

 

A Passeata na Rua Libero Badaró as 18:30 hs.

 

 

 
 
 
 
 
 
 
 

RAUL EM PASSEATA EM 1973

15:40 @ 18/09/2007

Raul Seixas (com o violão) ao lado de Paulo Coelho em 1973.

Saudações.
 
Estamos repassando um texto, extraído do sítio do Fenikso Nigra – de Campinas – bastante esclarecedor do desenvolvimento do movimento nessa cidade durante o final da década de 90 até, mais ou menos, o início de 2004. É curioso observar que muitas das coisas que falávamos estão aqui descritas a partir de uma visão de dentro da OSL.
 
Somente para dar referencias, baseada em nossa própria trajetória, farei um breve resumo desse período, do ponto de vista do CL.
 
Sempre afirmamos que a OSL nasceu em Campinas e surge no movimento libertário brasileiro a partir do final dos anos 80 (88-89-90) invadindo o Núcleo pró-COB convidados pelo traíra do Leonardo Morelli – num momento em que ele completava o aparelhamento da pró-COB através de um processo de difamações pelas costas contra os seus principais opositores [setores do movimento punk que foram ‘educados’ e passaram a ser as’Juventudes Libertárias’ (JULI); setores ligados a Educação Libertária; ao pessoal do Inimigo do Rei; ao Coletivo Libertário – em especial contra o Renato, na época tesoureiro da Coordenação Nacional pró-COB – e contra a pro-COB do Rio Grande do Sul]. Com essa campanha ele conseguiu queimar os companheiros, o que levou a uma esdrúxula reunião, na sede do CCSSP – onde nos reuníamos – em que surgiram pessoas que nunca tinham aparecido em nenhuma outra reunião, mas cuja presença foi endossada pelo Morelli – que questionou a lisura da tesouraria da COB, acusando o companheiro Renato de desviar fundos (!!!) no que resultou uma estranha votação em que Renato foi expurgado da COB (!!!), por conta disso o CL também se retirou – isso se deu em setembro de 1988. A partir desse momento em que a saída do CL e de diversos elementos solidários, levando a um esvaziamento da pró-COB – já que o SOMA e outros grupos, que compareceram na reunião que expurgou Renato, sumitram logo depois – é que surge a OSL e compõe a maioria do Núcleo pró-COB. O CL, apesar desses acontecimentos, continua mantendo um apoio crítico ao Movimento pró-COB, estamos já´em 1989. Em agosto de 89, porém, rompemos completamte com a pró-COB do Morelli e da OSL (por conta de uma manifestação em que nos recusaram o direito a palavra nos acusando de sermos nazistas e carecas(!!!) estimulando o linchamento do Renato – que foi atacado por mais de 30 punks da city/ganguistas, que eram a base da JULI. Após esses acontecimentos lançamos uma denúncia pública de infiltração trotskista na pró-COB e de suas práticas fascistas, dando a nossa versão do que acontecera no Parque da Luz e rompendo com todos os setores do movimento libertário que apoiassem as atitusdes fascistas de Morelli e da pró-COB da época (1989). Alguns dias depois dos acontecimento na Luz já estávamos na rua, com milhares de malucos-belezas no velório de Raul Seixas no Centro de Convenções do Anhembi (mais de 30 mil pessoas) e na Passeata que se seguiu, após enfrentamento com a tropa de choque da PM, exigindo um cortejo fúnebre igual ao do Tranquiero Neves/PMDB.
Posteriormente mantivemos nossas ações durante a década de 90, sem manter nenhum contato com o, que passamos a chamar de, movimento anarquista institucional, acompanhando de longe as notícias deles. Só viemos a saber da expulsão do Morelli em 1996 (ele teria sido expulso em 1991 após a comprovação de que ele viajava escondido para a Espanha, falando em nome da COB e pegando fundos e materiais – que só repassava aos seus cupinchas – isso sustentava suas eternas viagens pelo Brasil. A partir do expurgo do Morelli a OSL e seus amiguinhos rompem e esvaziam os núcleos estaduais da COB, mas mantém o controle da caixa postal oficial, dificultando os contatos com a AIT e com endereços no Brasil – isso só foi solucionado em 2000 quando a AIT reconheceu que a antiga pró-COB se dissolvera e aceita a FORGS/COB – único Núcleo que restou da pró-COB após 1995. Nessa época em São Paulo a OSL se dissolve e se forma a Resistência Popular, enquanto isso no Rio Grande do Sul a o Núcleo pró-COB se formaliza como FORGS/COB e tenta reunificar o movimento libertário gaúcho – cindido após as difamações do Morelli/OSL – e chama um congresso para a discussão da formação de uma federação anarquista local, é fundada a FAG. Enquanto a FORGS mantinha uma linha de maior autonomia e organização a FAG perdia tempo discutindo com os setores ligados a OSL local – inicialmente fundaram uma espécie de CCS/OSL, que é a atual sede da FAG. Com esses debates estéreis a FAG não sai do papel e se dissolve até 1997 (...) quando, oportunisticamente, a OSL chama um Congresso de Reativação da FAG, mas impedindo a entrada dos sindicalistas revolucionários – argumentando que era uma reunião específica para quem concordava com o programa da organização.
 
Enquanto isso, em São Paulo , com a ruptura com a OSL em 91 o CCS entra em parafuso, pois nesse processo se esvaziou de dezenas de militantes – iludidos com os novos ativistas, todos comprometidos com a OSL. Com isso a histórica sede da Rubino de Oliveira, no Brás, precisou ser abandonada. Por algum tempo o CCSSP não conseguiu alugar nenhum espaço para sede. No começo dos 90 se mudaram para uma sala na ‘Casa Amarela’, sede do SOMA, próximo ao Metrô Santa Cruz. Na segunda metade da década o SOMA rachou – Roberto Freire passa a ser atacado por criticar as infiltrações no anarquismo. Com isso a Casa do Soma cai e o CCSSP fica sem sede, funcionando na casa de um ou outro até ser reaberto nos fundos da casa de um de seus diretores, na Rua dos Trilhos, na Mooca.
Em 2000 tivemos os episódios citados no relato/depoimento de um dos fundadores do ‘Barricada Libertária’, a manifestação dos funcionário públicos – entre eles os trabalhadores em educação – no MASP (se ele estava lá deve ter visto o carro de som da APEOESP ser apedrejado por manobrar a Assembléia para ir a Assembléia legislativa, quando a proposta aprovada de fato indicava que o correto era apoiar o acampamento dos professores na frente da Secretaria da Educação, na Praça da República. A assembléia rachou, o MLB ‘rachou’ – só a OSL/Resistência Popular seguiu a orientação da APEOESP todos os outros seguimos em apoio ao acampamento. Em setembro de2000 tivemos vários episódios importantes: o Simpósio de Pedagogia Libertária na UFSC, que reuniu cerca de 1000 interessados, mas que evidenciou a forma sectária como a OSL transformou o MLB. Enquanto alguns grupos (entre eles o NUSOL, o SOMA, etc) propunham a discussão da formação de uma Federação Anarquista, outros – encabeçados pelo CCSSP, pela CAVE/ANA-Moésio, etc. – que, defendendo as organizações específico-plataformistas da OSL, tipo FAG e FACA, organizam um texto – para o qual recolhem assinaturas de indivíduos e de grupos [o CL se recusou a assinar!] denunciando os proponentes da discussão sobre federação anarquista por golpistas, infiltrados, etc. Por não ter subscrito esse documento o CL já caiu no ostracismo para essa articulação – que é a mesma articulação que organiza hoje o “Colóquio Libertário”, e, internacionalmente, atuam com os paralelistas da CGT-Espanha, SAC, IWW, etc. [que não vêem problemas de ser subvencionados pelo Estado, ou na atuação com partidos].
 
Tivemos a estruturação da AGP da qual participamos intensamente (estivemos em suas primeiras reuniões organizativas e participamos de algumas decisões). Participamos do S-26 e ajudamos a rearticular a moçada, depois da repressão policial, na assembléia dos manifestantes, cercada pela PM, que fizemos nas escadarias do Municipal. Mas rompemos com eles devido a priorização que davam aos partidos políticos de esquerda. Essa diferença ficou evidente com o Fórum Social Mundial, que no começo era apoiado por todos eles – ainda que com ressalvas. Passamos, nós do CL e da PROFOSP na época passaram a ser atacados por todos eles, incluindo os especifico-reformistas, a ANA-Moérsio, o Pablo Ortelato, etc. Hoje alguns são críticos do FSM, mas mantém as mesmas políticas.
 
Por fim, em 2000 resolvemos voltar a atuar no MLB, entendendo que a infiltração marxiana era localizada e precisava ser combatida. Retomamos a publicação periódica do zine e passamos a estimular a reativação do sindicalismo revolucionário em São Paulo , convictos que todos os grupos – em especial a OSL e seus derivados – se infiltraram no movimento com o objetivo de o vincular a um partido politico.
 
Em janeiro de 2001 participamos das JLP/RGS denunciando a cooptação do FSM, enquanto a AGP estava lá, babando nas costas de Lula e dos petistas. A OSL participou desse FSM e no último dia realizou umas ‘jornadas anarquistas’, com atividade paralela a oficial do FSM- acreditamos que o pessoal de Campinas participou desse evento. Em abril tivemos o A-20, em julho o assassinato de Carlo Giuliani, na repressão as manifestações anti-G8 em Genova. Em agosto a 11ª Passeata-Homenagem a Raul Seixas (de cuja organização participávamos) reunia mais de 10 mil. Em setembro tivemos o atentado contra o WTC, atribuído a Al Qaeda, e a conjuntura – que nos era favorável – se inverteu, com a intensificação da campanha de criminalização da questão social.até aqui fomos algumas vezes ao CCSSP, mas eles atuavam com a Resistência Popular (RP/OSL) e fecharam as portas para a PROFOSP. Paramos de freqüentar o CCS, que encerrou suas atividades na Rua dos Trilhos e depois de alguns meses de inatividade se reinstala no centro, ao lado da Escola de Sociologia e Política, na Vila Buarque. Nesse meio tempo o pessoal do NUSOL e da editora Imaginário-Plínio abrem uma casa de cultura chamada de ICAL – o nome denunciava a filiação: Instituto de Cultura Alternativa Libertária, atuavam com os paralelistas – apesar do que ofereceram sua sede para a realização de reuniões da PROFOSP não criamos vínculos organizativos com eles. Isso se mostrou correto após a fundação da FAI/OSL no Rio de Janeiro e a tentativa de agressão contra o camarada Nelson Tangerine, na sede do CELIP, agressão que denunciamos. Por conta dessa denuncia o companheiro Renato, que comparecera na sede do ICAL, em uma de suas atividades, ao se dirigir  ao pessoal do CELIP e pedir um número do ‘Libera...’ foi ameaçado fisicamente pelo próprio Renato Ramos (um dos donos do CELIP). O pessoal do ICAL fez que não viu e isso deixou evidente que 1) eles não eram libertários e 2) que não podíamos contar com a solidariedade deles. Rompemos com o ICAL!
 
Durante o ano de 2002, Lula eleito presidente com o apoio da FAG/CUT-OSL, a FAI-OSL-RJ vai se esvaziando e por fim se funda a FARJ, com a adesão de todos os especifico-plataformistas – que não aceitavam os demais anarquistas em sua organização – exceto daqueles que se formalizaram chamr de UNIPA, passando a se declarar bakuninistas para desfigurar os textos de Bakunin – chegam, hoje, ao cúmulo de propor a fundação de um ‘partido bakuninista’, o mais completo absurdo!
 
Com as primeiras reformas anti-operárias de Lula/PT no poder primeiro os especifico-reformistas defendem a formação de um bloco de esquerda na CUT/PT, enquanto a esquerda ressuscita o CONLUTAS. Nessa época tomamos contato com o COMLUT, mas achávamos que era uma versão do CONLUTAS/CONLUTE. Essa dúvida só viria a ser sanada nas JLP/SP-2004, em Presidente Prudente , em que elementos do COMLUT se fizeram presentes, passaram o filme citado no ‘depoimento’ e esclareceram o desenvolvimento do movimento em Campinas. Posteriormente , quando o Núcleo PROFOSP de Presidente Prudente tenta dar um golpe e assumir o Secretariado da FOSP, atropelando a Coordenação e todos os demais núcleos, a COMLUT apoiou a pretensão deles. Como o golpe não deu certo o pessoal de Prudente, que dizia iria se tornar o CMI-Prudente (achavam que receberiam computadores e que alguém iria bancar uma sede para eles – foi com essas promessas e com as velhas mentiras, que falam da FOSP ainda hoje, que a AGP/CMI-Ortelato lhes fizeram para conseguir convencê-los a romper com a PROFOSP) após um ano de inatividades – nunca mais foram contatados pelo CMI depois de romperem com a COB-AIT! – formaram o LSOC, onde existe a participação de petistas e sindicatos mantidos pela CUT/PT.
 
Ainda em 2004 tivemos a ida do companheiro Renato, como delegado da COB-AIT, para o XXII Congresso da AIT. Em 2005, depois de muitos anos, realizamos as JLP/SP-2005 e a Assembléia de Fundação do SINDIVÁRIOS-SP e da Biblioteca Social Edgard Leuenroth. Se extingue , formalmente a PROFOSP e se formaliza a Fundação da FOSP/COB-ACAT/AIT. Na nova composição da Coordenação, agora da FOSP/COB-AIT, só restaram 2 indivíduos em 6, e as Reuniões da Coordenação passam a ser Abertas e Públicas.
Esperamos que com esse histórico, que podemos cruzar com o ‘depoimento’ logo abaixo, aumente a compreensão geral do desenvolvimento recente do MLB e do Movimento Pela Reativação da COB-AIT.
 
Saúde e anarquia!
O COLETIVO LIBERTÁRIO
Lembre sempre: Anarquia não é Bagunça!
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Depoimento de um ativista sobre o Anarquismo em Campinas
http://www.fenikso.rg3.net/
Comecei a entender o anarquismo com mais profundidade em 1997, ao contatar com um grupo de Campinas, vinculado a Organização Socialista Libertária (OSL) e estavam montando uma Organização Não-Governamental (ONG) visando educação e trabalho social. Havia uma maioria de pessoas da Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP) e decidiu-se por este motivo, atuar na mesma.
Formamos uma chapa para disputar o Diretório Central dos Estudantes (DCE). Foi uma disputa contra militantes partidários em sua maioria do PT. Nossa plataforma de ação foi baseada na autogestão, incentivando a participação ampla dos estudantes e destacando  uma atenção especial aos Centros Acadêmicos (CA), nos quais entendíamos estar o foco político dos estudantes sendo o referencial mais direto.
O nome da chapa era Libera, em homenagem ao periódico do Círculo de Estudos Libertários Ideal Peres (CELIP) do Rio de Janeiro (atualmente está vinculado a Federação Anarquista do Rio de Janeiro).
A organização do pleito foi mal feita, com atrasos e a não abertura de urnas em vários locais que, coincidentemente, tínhamos mais simpatizantes, além da impugnação de outras. O resultado foi que, embora na contagem final venceu a chapa adversária, o pleito foi anulado. Com a anulação da eleição foi proposto uma nova forma de gerenciamento do DCE, via os CAs, que ficou conhecido como: “DCE de CAs” (que sofreu todas a sorte de críticas dos setores partidários do movimento estudantil da UNICAMP)
Neste mesmo ano aconteceu um encontro (Congresso) no Rio Grande do Sul, da Federação Anarquista Gaúcha (FAG), a qual a OSL era legada. Durante uma semana conhecemos as atividades e companheiros de algumas cidades da grande PoA (Porto Alegre) que desenvolviam trabalho com reciclagem, conscientização ecológica etc. Vários atuavam no Movimento Estudantil (ME).
Em Campinas, embora estivéssemos se esforçando, as coisas não andavam. O grupo não conseguia crescer. Depois de algum tempo solicitei meu desligamento, o compromisso com o grupo era grande e os resultados que obtínhamos ficava muito a desejar.
Procurei, então atuar dentro da Universidade e entrei em contato com os anarco-punks de Campinas, eles tinham um espaço na periferia chamado, Espaço Cultural Dona Tina. Um espaço sui generis, mantinham várias atividades, uma biblioteca. Formamos um Círculo de Estudo Anarquista.
A construção do processo foi através do consenso dos interessados o que impôs uma dinâmica simples e objetiva, todos se manifestavam acrescentando pontos de vista diferentes. Começamos os estudos pela Colônia Cecília. Como é história, um assunto puxa outro, assim discutimos também a Primeira Associação Internacional do Trabalho (1a AIT), sobre Mikail Bakunin, etc. Reuníamos duas vezes por mês, ou quando combinávamos.
 Estudava no Instituto de Filosofia e Ciências Humanas (IFCH/UNICAMP), onde o Centro Acadêmico (CACH), preocupado com a política universitária e dos conchavos partidários, deixavam uma sensação de vazio para os estudantes do IFCH, principalmente aos estudante do curso noturno, que era meu caso.
Assim, resolvi montar um jornal, chamava-se Fênix.
O primeiro eu botei do meu bolso, já que, quanto expus minha idéia ao CACH, foi tratado de forma fria e sem nenhum interesse.  No final do ano, houve eleição, e entrou um pessoal de compromisso com os estudantes, pé no chão e colocaram em dia o CACH, a gestão “Pão na Chapa”. Esse pessoal realizaram algumas reformas e acertaram as contas do CA.
O Fênix começou a ser impresso através do CA na Gráfica do IFCH. Embora apoiando em momento nenhum eles tentaram interferir na prática do Fênix que era aberta a todos sem restrições.
O CA tinha seu boletim chamado “Cacheiros Viajantes”. Ao final do ano houve nova eleição. Alguns colegas pensaram em montar uma chapa. Entrei nesta experiência, a chapa era “Ação e Participação”. Ganhamos a eleição, fui o escolhido o presidente, talvez porque ninguém mais quisesse tal cargo. Era estudante, trabalhava e agora tinha que lidar com o CACH.
Fiz o melhor que pude, dentro do pensamento libertário, sempre mantive aberto todos os espaços e todas as necessidades do estudantes, estimulava-os a agir. A experiência mostrou que o meio acadêmico tem necessidades discrepantes, conflitantes e em muitos casos diferentes da sociedade local. O que destaco neste período foi apoio financeiro ao Espaço Cultural Dona Tina e ao Cursinho Herbert de Souza (ambos de periferia da cidade). Também ajudamos a Rádio Muda, na compra de gerador e outros equipamentos.
Ao final do ano de 1999 houve nova eleição. Fui convidado a participar da chapa Mesmo, como coordenador de imprensa, que aceitei. Com sua vitória, continuei a atuar na política estudantil, participando da greve de 2000. Fomos a São Paulo, tivemos embates com a tropa de choque na Av. Paulista. A truculência notória da polícia foi manchete nacional e um repórter ficou cego de um olho e muitos foram presos ou marcados a bala de borracha.
Neste período, a reitoria (dita democrática) começou fechar a UNICAMP com cercas e alambrados, argumentando “medidas de segurança”. O Reitor também mandou fechar o Restaurante Universitário perto da Reitoria. Dizia que iriam reformá-lo, mas não tinham planos nenhum neste sentido e que de fato não aconteceu. O R2, como era conhecido se transformou em outra coisa.
Neste período de greves, fizemos duas importantes ocupações na UNICAMP, uma da Portaria de Carros perto da Creche, durante uma manhã e a outra foi do prédio da Diretoria Acadêmica (DA). Mantivemo-nos neste prédio três dias, um final de semana e conseguimos a negociação direta com a reitoria.
Ao final do ano, entrei em contato com a Resistência Popular (RP) e foi feito um encontro em Campinas (na UNICAMP), com anarquistas e simpatizantes. Um mês depois, em dezembro, encontrei um militante do Comitê Pró-Luta Popular (COMLUT) e após uma conversa, resolvi participar do grupo.
No 1o de maio 2001 fizemos um ato na periferia de Campinas em conjunto com a Frente de Mobilização de Desempregados (FMD) que havia sido criado naquele período. Também a ONG Casa Lampião ajudava nossas atividades. Durante o ano fomos preparando jornais, fortalecendo contatos e aumentando a possibilidades de trabalho e intervenção na sociedade. Conseguimos espaço no bairro Vida Nova e Vila Formosa.
No final deste ano foi formado a Frente de Ação Libertária para Transformação Social (FALTS) na qual estive presente na sua formação.
No 1o de maio de 2002, conseguimos faze-lo na Estação Fepasa (atual Estação Cultura), onde o COMLUT grava o evento e após edita um fita de propaganda e formação. A FALTS apresenta um teatro sobre os Mártires de Chicago. Os participantes da cooperativa da Vila Formosa montaram um quiosque de salgados e de produtos artesanais.
Neste ano eu me desligo do COMLUT por motivos pessoais.  Ao final do ano com a necessidade de fazer algo mais desenvolvo a idéia do “Barricada Libertária”, formando uma rede de informação com página na internet e a distribuição de jornais pelo país.
Em  2003 continuei com a produção do jornal e de textos. Cheguei a ir a reuniões para formação de uma Federação Anarquista de São Paulo, que não se desenvolveu. Novamente ao final do ano, voltei ao COMLUT.
No início de 2003, montamos um grupo de estudo na UNICAMP, o Núcleo de Estudos Sobre Anarquismo Especifista-Plataformista (NESAEP), que visava  desenvolvimento do conhecimento anarquista. Neste grupo, havia um militante do Fórum do Anarquismo Organizado (FAO) e tentamos conciliar os interesses, o que não ocorreu.
Finalmente, desligo-me de novo do COMLUT.
É necessário informar a sociedade sobre a pluralidade anarquista, sobre sua justiça e liberdade. Uma vez isso feito, os indivíduos e coletivos se organizarão da forma que entenderem ser a mais adequada. A isso que estou vinculado atualmente.