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[Brasil] DENÚNCIA CONTRA CAMPANHA DE CRIMINALIZAÇÃO DO PUNK


CARTA DE RESPOSTA AOS MEIOS DE COMUNICAÇÃO                                              E À SOCIEDADE                                                                                                                     SOBRE OS TRÁGICOS
FATOS OCORRIDOS EM 14/10/2007 E 21/10/2007


Diante dos terríveis acontecimentos ocorridos nos últimos meses envolvendo
supostos punks nós, do Movimento Anarco-Punk, de São Paulo, vimos a
necessidade de retratar, relatar e nos posicionar diante destes fatos.
Estes últimos acontecimentos são fruto de uma gama de fatores sociais e
políticos que acabam por se completar com o grande “show de horrores”
divulgados pelas grandes corporações midiáticas. Nós, do Movimento
Anarco-Punk de São Paulo, repudiamos estes atos, estas ações não são
baseadas e não tem a mínima ligação com a cultura, política e filosofia de
vida punks, para nós esta é uma deturpação de nossos princípios, que com o
apoio e ampla divulgação dos tendenciosos meios de comunicação de massa
vem minando os poucos focos de luta e resistência popular punk.


As idéias e ações punks sempre estiveram ligadas à mudança radical do
sistema social no qual vivemos, desde nossas músicas, nossa estética,
nossas manifestações, nossos rolês nas ruas das periferias, enfim, nossa
forma de viver, interagir e enxergar o mundo. Estes ocorridos, são atos
extremos e intolerantes que com ou sem motivos plausíveis, não se
justificam, vidas não podem ter valores, não se agrega preços ou
importância, são vidas! Logo, tendo em vista todos os esforços que, nós
anarco-punks temos empenhado dentro de nossa longa história por
reconhecimento da vida e para sentir em sua forma mais intensa a
importância da vida e dos direitos dos seres vivos, não podemos ser
coniventes com atitudes que apenas deturpam nossa militância e nossos
ideais. Para nós o que vimos é um show de forças estrelado por pessoas
alienadas pelo modo de vida capitalista que não percebem que apenas estão
fazendo o jogo do sistema, ou seja, o povo colocado contra o povo e estão,
assim, se digladiando e se acabando, enquanto uma minoria goza de todos os
prazeres da vida em nossas costas. Estes não são atos de indivíduos punks,
essas pessoas não tem a mínima percepção e/ou relação com o que é a
cultura punk, não podem estar ligados a nós pois são atitudes totalmente
opostas àquilo que buscamos, que é o respeito as diferenças, a tolerância,
e um mundo igualitário entre os diferentes.


Nós, anarco-punks, não somos a favor e não propagamos a violência, sabemos
que esta é uma armadilha do sistema para justificar sua existência e
destruir o povo, por outro lado vivemos em meio a uma onda de violência
extrema, em uma sociedade que promove o consumismo, a competição e a
ganância. Fatos de violência extrema e radicalismos levianos são
amplamente divulgados e insinuados pela mídia, isso pode ser um ponto que
começa a esclarecer o porquê de atos como estes ocorrem; fatos como estes
ocorridos com pessoas que são erroneamente taxadas de punks ocorrem todos
os dias por toda periferia de São Paulo e viram mera estatística. Pessoas
exterminam-se como em uma guerra e nada é feito pelos governantes
parasitas e burocratas acomodados, por isso afirmamos que a luta punk é a
favor do povo e contra o estado, a burguesia e os defensores deste e
outros regimes totalitários: buscamos a liberdade e não a opressão!


Todos sabem que o movimento punk tem uma origem de luta e resistência
contra o sistema, uma quebra de valores sociais e morais; é inegável a
militância e reconhecimento de punks dentro de movimentos sociais não como
baderneiros, mas como aliados dentro dos interesses revolucionários. Este
fato pode ser comprovado junto ao movimento negro, movimento gay,
movimentos de luta por moradia entre outros, logo, não podemos aceitar que
estes acontecimentos radicais e extremos sejam levados como verdade
absoluta com relação ao movimento punk, nossa história fala por ela mesma,
nossa luta é contra o sistema e não contra o povo.


Não é de hoje que nós punks somos atacados e deturpados pela tendenciosa
mídia corporativa, desde o início da década de 80 sentimos e resistimos a
este problema. O que no início gerou uma grande queda no movimento,
atualmente é utilizado como mera manchete, da forma mais barata e
tendenciosa possível. A cooptação do punk pelo sistema tornou fatos
terríveis como estes notícias de extremo valor para o grande círculo
midiático corporativo, colocando pessoas como meras personagens
secundárias, pois o importante é o sangue e a violência e não o que gerou
estes atos. No entanto, quando explanamos isso, não falamos de algo
superficial como esta mídia tem abordado estes casos, falamos de algo
muito mais profundo, como em que condições diárias estão colocados
trabalhadores e trabalhadoras, estudantes, senhores e senhoras; que fatos
do cotidiano levaram a estes atos? Pois nada acontece de uma hora para
outra... Em quais condições sociais sobrevivem? Talvez estas sejam
perguntas para as quais muitos saibam as respostas, sabemos, porém, que
dificilmente iremos escutá-las de boa fé.


Não defendemos e nunca apoiaremos estes atos de violência, mas o que
questionamos é a forma mentirosa como eles são divulgados, colocando
vítimas como mártires e agressores como carrascos da época do império
romano, tudo para finalizar uma “boa” notícia que mais parece uma peça de
teatro, mas com isso nós perguntamos: quantas vidas são necessárias para
uma “boa” manchete? Fazemos também a mesma pergunta que foi feita a um
dono de uma corporação transnacional, “quantos milhões são necessários
para satisfazer seu ego”?


Enquanto pessoas morrem nas ruas das periferias e o sangue escorre para o
asfalto desta grande metrópole que é São Paulo nós, punks, resistiremos a
toda a deturpação e ataque deste sistema à nossa cultura de luta e
resistência popular, fatos como os acontecidos são, para nós, de extremo
repúdio e horror, fruto de pessoas mal informadas e vitimadas pelo
parasitismo social que este sistema impõe aos indivíduos. Estamos sentidos
pelas vítimas destes atos, pessoas pobres que assim como nós, lutam para
sobreviver dentro deste sistema opressor e indignamo-nos com as pessoas
que executaram estas ações de extrema intolerância e violência.
Continuamos na luta por mudanças e pela revolução social e contra toda e
qualquer forma de fascismo e intolerância, sejam estes institucionais ou
individuais.


Sem mais e com sentimentos às vitimas,



MOVIMENTO ANARCO-PUNK de SÃO PAULO (M.A.P. - SP)

Cx. Postal 3297 CEP 01059-970 SP/SP

map.sp@anarcopunk. org - www.anarcopunk. org



Apoio:

Comitê Apartidário de Solidariedade e Auto-Defesa Antifascista
O COLETIVO LIBERTÁRIO - Coletivo Humanitudes - Coletivo Educar Para a Paz -
Coletivo Semente de Fogo - Pacto Anti-Fascista da Zona Sul/SP - Coletivo
FENIKSO NIGRA - Associação dos Escritores de Santo Amaro (ASSESA) -
Biblioteca e Arquivo Social EDGARD LEUENROTH -
SINDIVÁRIOS-SP-FOSP/COB-ACAT/AIT
SINDIVÁRIOS-Campinas-FOSP/COB-ACAT/AIT
SINDIVÁRIOS-Osasco-FOSP/COB-ACAT/AIT
FEDERAÇÃO OPERÁRIA DE SÃO PAULO (FOSP)
Centro Cultural e Artístico RAFAEL FERNANDES
SINDIVÁRIOS-PoA-FORGS/COB-ACAT/AIT
SINDIVÁRIOS-Canoas-FORGS/COB-ACAT/AIT
SINDIVÁRIOS-Santa Rita-FORGS/COB-ACAT/AIT
CONFEDERAÇÃO OPERÁRIA BRASILEIRA (COB)
ASSOCIAÇÃO INTERNACIONAL DOS TRABALHADORES (AIT)

Comentários

(23:07 @ 02/12/2007) bruxxa disse:
realmente nao e de hj q individuos se infiltram no meio punk vivido pra deturpar e baguncar com um movimento tao serio como o punk. esses acontecimentos ultimos foram a gota dagua.... matar um trabalhador por causa de dinheiro realmente nao e acao digna dum punk consciente...... temos q boikotar individuos q se metem no punk pra sujar nossa imagem q ja e tao marginalizada